testeComo seria se você deletasse seus perfis e levasse uma vida diferente?

Quase um segundo documento de identidade, as redes sociais ganharam uma importância absurda na nossa sociedade. Com as novas mídias, podemos curtir, comentar e compartilhar os mais diversos tipos de conteúdo com o restante do mundo em questão de segundos.

Porém, nem sempre essas tecnologias são boas para a gente: vivemos em bolhas personalizadas, controladas pelos algoritmos, que utilizam as informações que compartilhamos para controlar nosso comportamento diariamente sem que a gente perceba. Mas como seria se você deletasse seus perfis e levasse uma vida diferente? Essa é a proposta de Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais.

O autor Jaron Lanier, uma das maiores referências do Vale do Silício, busca conscientizar e explicar com clareza o lado perverso das mídias sociais. E, mesmo que você não saia definitivamente delas, pode aprender a utilizá-las de uma maneira melhor.

Leia um trecho do livro:

Vamos começar com gatos. Os gatos estão por toda parte na internet. Estão nos memes mais difundidos e nos vídeos mais fofinhos. Por que mais os gatos do que os cachorros? Os cachorros não foram até os humanos antigos implorando para viver conosco; nós os domesticamos. Eles foram criados para serem obedientes. Aceitam ser treinados, são previsíveis e trabalham para nós. Isso não é nenhum demérito para os cachorros. É ótimo que sejam leais e confiáveis. Os gatos são diferentes. Eles apareceram e, em parte, domesticaram a si próprios. Não são previsíveis. Os vídeos populares de cachorros costumam mostrar treinamentos, ao passo que a maioria dos vídeos absurdamente populares de gatos são aqueles que expõem comportamentos estranhos e surpreendentes.

Embora inteligentes, os gatos não são uma boa escolha para quem quer um animal que aceite o treinamento de maneira confiável. Basta assistir a um vídeo de circo de gatos na internet: o mais comovente é que fica claro que os animais estão decidindo se colocam em prática o truque que aprenderam, não fazem nada ou saem andando em direção à plateia.

Os gatos fizeram o que parecia impossível: se integraram ao mundo moderno, de alta tecnologia, sem se entregarem. Eles ainda estão no controle. Você não precisa se preocupar que algum meme furtivo produzido por algoritmos, pago por um oligarca sinistro e oculto, passe a dominar seu gato. Ninguém domina seu bichano; nem você, nem ninguém.

Ah, como gostaríamos de ter essa segurança não apenas em relação a nossos gatos, mas a nós mesmos! Os gatos na internet representam nossas esperanças e sonhos para o futuro das pessoas na grande rede.

Ao mesmo tempo, ainda que a gente adore os cachorros, não queremos ser como eles, pelo menos no que se refere à relação de poder com as pessoas. Tememos, porém, que o Facebook e redes afins estejam nos transformando em cachorros. Quando do nada fazemos alguma coisa desagradável na internet, podemos considerar isso uma resposta a um “apito de cachorro”, daquele tipo que só pode ser ouvido por eles. Temos medo de ficar sob algum tipo de controle obscuro.

Este livro é sobre como ser um gato, à luz das seguintes perguntas: como permanecer independente em um mundo onde você está sob vigilância contínua e é constantemente estimulado por algoritmos operados por algumas das corporações mais ricas da história, cuja única forma de ganhar dinheiro é manipulando o seu comportamento? Como ser um gato, apesar disso tudo? O título não mente: este livro apresenta dez argumentos para você deletar todas as suas contas nas redes sociais. Espero que ajude. E mesmo que você concorde com todo o meu raciocínio, pode ser que ainda queira manter algumas contas. Enquanto gato, você está no seu direito. Ao apresentar os dez argumentos, discutirei algumas maneiras pelas quais você pode pensar sobre sua situação para decidir o que é melhor para a sua vida. Mas só você é capaz de saber.

testeSorteio Instagram – Volta ao mundo [Encerrado]

Já nos preparando para a Copa do Mundo, vamos sortear 3 exemplares de livros que se passam em diversos países do mundo!

Para participar, poste essa imagem em seu Instagram PUBLICAMENTE e preencha o formulário abaixo!

Atenção:
– Caso a mesma pessoa se inscreva mais de uma vez ela será desclassificada. Atenção: ao terminar de preencher o formulário aparece a mensagem “agradecemos a inscrição”. Espere a página carregar até o final para confirmar a inscrição
– Se você já ganhou um sorteio nos últimos 7 dias no Instagram, você não poderá participar deste sorteio.
– O resultado será anunciado no dia 30 de abril, segunda-feira, em nosso perfil no Instagram. Boa sorte! 😉

testeSorteio Instagram – Mais destaques Bienal do Livro Rio (Encerrado)

Vamos sortear 3 livros que são destaques na Bienal do Livro Rio!

Para participar, reposte essa imagem em seu  INSTAGRAM PUBLICAMENTE e preencha o formulário abaixo!

Atenção:
– Caso a mesma pessoa se inscreva mais de uma vez ela será desclassificada. Atenção: ao terminar de preencher o formulário aparece a mensagem “agradecemos a inscrição”. Espere a página carregar até o final para confirmar a inscrição
– Se você já ganhou um sorteio nos últimos 7 dias no Instagram, você não poderá participar deste sorteio.
– O resultado será anunciado no dia 11 de setembro, Segunda-feira, em nosso perfil no Instagram. Boa sorte! 😉

VENCEDORES

testeResultado da seleção de parceiros 2016

CampanhaParcerias2016_Facebook2

Depois da difícil tarefa de analisar mais de 1.600 inscritos de todas as regiões do país, selecionamos as páginas que farão parte da equipe de parceiros da Intrínseca em 2016! Preparados para conferir o resultado?

Como já temos mais de 130 páginas que nos acompanham há muito tempo, tivemos que fazer uma seleção menor neste ano para não abandonar quem sempre esteve conosco. Se a sua página não está na lista, fique tranquilo! Abrimos vagas anualmente.

Novos parceiros:

http://www.desejoadolescente.com/
http://www.crescendoemflor.com
http://www.pipocanerd.com
https://www.instagram.com/sobreissoeaquilo/
http://estantesfalantes.com
http://www.allmystuff.com.br
https://www.instagram.com/nasuaestante_/?hl=pt-br
http://www.youtube.com/temMaisGenteLendo
http://www.booknerd.com.br
https://www.instagram.com/becodoslivros/
https://www.youtube.com/contoemcanto
http://youtube.com/kabooktvoficial
https://instagram.com/sobrevicios/
https://www.youtube.com/LeonIdrisAzevedo
http://www.cantodosclassicos.com
http://www.youtube.com/freaktv
http://www.acidamentesensivel.com
cabanadoleitor.com.br/
https://www.instagram.com/colorindodevaneios/
https://www.youtube.com/elefanteliterario
http://www.maegnifica.com.br
https://www.instagram.com/queriaseralice
http://www.youtube.com/c/livrariaemcasa
https://www.instagram.com/ingridbooks/
https://www.instagram.com/meninoliterario/
www.cinemadebuteco.com.br/
https://www.instagram.com/danny_med/
http://www.dearmaidy.com.br
https://www.instagram.com/kennys30/

Parcerias renovadas:

http://afabricadiversaoearte.blogspot.com.br/
http://www.meninaquecompravalivros.com.br/
www.alemdacontracapa.blogspot.com
http://alemdolivro.com/
http://www.allpopstuff.com/
astronerd.com.br
http://blablablaaleatorio.com/
www.instagram.com/_bookhunter
https://www.youtube.com/user/borogodolit
http://www.brincandocomlivros.com
https://www.youtube.com/user/canalromeuejulieta
http://juoliveira.com/cantinho/
http://www.chovendolivros.com.br
http://cinesiageek.com.br/
http://claqueteliteraria.blogspot.com.br/
www.clubedas6.com.br
http://clumsyluv.com
http://conjuntodaobra.blogspot.com.br/
http://www.conversacult.com.br/
http://coolturalblog.wordpress.com/
http://coracao-de-leitora.blogspot.com.br/
http://www.decaranasletras.blogspot.com
http://www.detudoumpouquinho.com
http://despindoestorias.com/
https://www.instagram.com/desteffanisreading/
www.entrandonumafria.com.br
https://www.youtube.com/user/entreparagrafos/
http://equalizedaleitura.com.br
http://www.escolhendolivros.com.br
http://www.estantedovisconde.com/
www.estejali.com
http://euinsisto.com.br
www.feedyourhead.com.br
www.fleurdelune.com.br
http://fluffy.com.br
http://gavetaabandonada.blogspot.com.br/
https://www.youtube.com/c/geekemdobro
http://www.gemeasescritoras.com/
www.guardiadameianoite.com.br
http://www.heyevellyn.com/
www.hostgeek.net.br
http://www.houseofchick.com/
https://icebookcream.wordpress.com/
www.indica-ai.com
www.canalindicex.com
http://www.bloginsagas.com/
www.inspiradaporpalavras.com.br
http://laviestallieurs.blogspot.com.br/
https://instagram.com/lara.furtado
www.leioeu.com.br
www.leitoracompulsiva.com.br
http://www.leitorespossessivos.com.br/
http://livrolab.blogspot.com
www.livrologias.com
livrologos.com.br/
www.livrosebolinhos.com
http://www.livrosefuxicos.com/
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www.livrosemserie.com.br
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https://instagram.com/mandy_itbook/
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testeLaudo de um viciado em internet

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O paciente começou com o hábito de assistir a vídeos de gatos na internet. Logo, dançava, com o fone nos ouvidos e os ombros imóveis, entre videoclipes no YouTube. O caminho foi curto para o Pornhub. Piorou com o nascente impulso de olhar tudo que amigos postavam no Facebook. Ele não se contentava com a Timeline comum. Tinha de percorrer todas as publicações, no canto superior direito da rede social, onde se vê cada passo das pessoas: o que curtem, o que compartilham, a quem respondem ou mesmo se estão interessadas em comparecer a um pré-bloco de Carnaval on-line — limito-me a dizer que não tenho ciência do que se trata tal evento.

— Cheguei a confirmar presença numa manifestação pela continuidade do churrasco na laje. Também curti o post de um amigo que escreveu “Só agora resolveram falar de David Bowie”. Compartilhei até um de um conhecido on-line que afirmou “Será que só eu tenho nojo de brigadeiro?”. E mantenho um perfil no MySpace. Tenho vergonha.

Quando deitou no divã, a situação havia progredido. Estava impossibilitado de direcionar a palavra ao interlocutor. Ao menos não sem uma microtela à frente. Com o aprofundamento da situação clínica, o paciente desenvolveu o hábito de percorrer posts no Facebook ou assistir a um protesto de artistas num vídeo de quinze segundos no Instagram, ao mesmo tempo que denunciava em palavras o próprio vício:

— Não consigo parar de rolar a barra para baixo.

Ele me apresentou ao Tor, um navegador clandestino de internet, na quinta sessão. Seu vício se estendia até ao que não gostava. Ganhou o costume de adquirir produtos ilegais, normalmente relacionados a drogas, no Silk Road. É notável que ele jamais tenha usufruído do que comprava nem tivesse vontade de usar drogas. Muitas vezes, recusava-se a abrir o pacote de entrega.

Poucas sessões depois o paciente já se dividia entre o Facebook, páginas pornô — deixava os vídeos em “play” mesmo quando não visava à autossatisfação; afirmava que era apenas pelo “prazer em ver a tela em movimento” — e canais diversos, e adversos, do navegador Tor. Por indicação de um amigo — contatado por um chat sobre vídeos de gatos —, tinha interesse crescente numa página especializada em imagens de acidentes de carros. Também demonstrava gosto por outra na qual um grupo de garotos filmava casas mal-assombradas. Contudo, evitava o que denominava de “bizarrices extremas”, a exemplo dos sites que contratavam pessoas para serem perfuradas com objetos pontudos de várias sortes, por livre vontade.

Na oitava sessão, contou que tinha reparado no sumiço de seu gato. Um real, não virtual. Parece que havia desaparecido fazia um tempo. O paciente, entretanto, declarava não lhe sobrar tempo para procurá-lo pelo condomínio de prédios onde morava.

Na décima segunda sessão, enquanto passeava por fotos de mulheres no aplicativo Tinder — tinha o hábito de também olhar retratos de homens, apesar de não se interessar sexualmente por eles —, lembrou-se de que havia tempo não conversava com a mãe por WhatsApp. Também relatou ter perdido a conta de dias que não marcava um encontro com um, aqui transcrito da forma narrada, “representante do sexo oposto”.

Na décima terceira sessão, disse ter descoberto que uma prima havia falecido 48 dias antes. Não sabia relatar se alguém o avisara da morte. Pesquisou em seu Gmail. Não achou e-mails relacionados ao assunto.

Na décima quinta, compartilhou que havia semanas faltava disposição para o trabalho. Fazia meses que adotara o home office. Agora, porém, nem matinha a produção em casa, conectado a dois smartphones, um tablet, um MacBook Air, um PC, uma Smart TV, um Apple Watch, um Google Glass, duas pulseiras de exercícios e três videogames.

Na décima sétima, soube que ele havia se divorciado. Isso alguns anos antes. Tínhamos nos esquecido de conversar sobre a questão, concluímos. O paciente falava pouco, por ter de revezar o olhar com um número crescente de dispositivos móveis.

Na vigésima, disse ter acabado o dinheiro que recebera pela rescisão de seu último contrato de trabalho. Tivemos de encerrar as consultas.

Voltei a saber do paciente num fórum sobre fãs de simuladores de aviação. Ele me reconheceu pela foto do perfil. Falamos “oi”. Ele não curtia simuladores de aviação.

 

***

 

Filipe Vilicic é autor de O clique de 1 bilhão de dólares e colunista no site da Veja. Twitter: @FilipeVilicic / Facebook: fvilicic

teste14 livros para as férias

Confira nossa seleção com 14 livros imperdíveis!

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Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr — Nesse romance vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção de 2015, você vai conhecer Marie-Laure, uma garota que ficou cega aos seis anos e que vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural, e Werner, um menino alemão, órfão, que se encanta por um rádio encontrado em uma pilha de lixo e cuja trajetória o leva a uma escola nazista. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Toda luz que não podemos ver é um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

S., de J.J. Abrams e Doug Dorst — Para os fascinados por mistério, J.J. Abrams, a mente por trás de séries como Lost, Fringe e o diretor do último episódio de Star Wars, apresenta um quebra-cabeça literário. Resultado de sua parceria com Doug Dorst, S. vem em uma caixa lacrada, repleta de códigos. Além do enigmático romance O Navio de Teseu, a obra contém, em suas margens, as anotações e investigações de dois leitores sobre V. M. Straka — um escritor cuja biografia nebulosa é repleta de boatos que envolvem conspirações, sabotagens e assassinatos.

História do futuro: O horizonte do Brasil no século XXI, de Míriam Leitão — Em um cenário de crise, a premiada jornalista Míriam Leitão é categórica: em vez de nos abatermos pelo pessimismo, temos que fazer um balanço racional dos muitos acertos e dos vários erros para construir um futuro melhor para o país. Em seu terceiro livro de não ficção, a vencedora do Jabuti apresenta tendências que não podem ser ignoradas em áreas como meio ambiente, demografia, educação, economia, política, saúde, energia, agricultura e tecnologia. Leitura fundamental para entendermos o presente e planejarmos o futuro do Brasil.

A espada do verão, de Rick Riordan — Trolls, gigantes e outros monstros horripilantes estão se unindo para o Ragnarök, o Juízo Final. Para impedir o fim do mundo, Magnus Chase deve empreender uma importante jornada a fim de encontrar uma poderosa arma perdida há mais de mil anos. Com personagens já conhecidos do público, como Annabeth Chase, prima de Magnus, e deuses como Thor e Loki, Rick Riordan nos apresenta uma nova série, agora sobre mitologia nórdica. Mais uma aventura surpreendente, repleta de ação e humor!

Elon Musk: Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro, de Ashlee Vance — Se você quer ter alguma ideia de como será o futuro, precisa conhecer Elon Musk. O empreendedor mais ousado de nosso tempo, que inspirou o Homem de Ferro dos cinemas, decidiu investir sua fortuna gerada em empresas digitais para mudar o mundo. Com a SpaceX, o inventor sul-africano está revolucionando os voos espaciais. Com a Tesla Motors, está trabalhando para popularizar os carros elétricos. Musk, que também está investindo em energia sustentável por meio de painéis solares, é um CEO diferente de todos os outros. Ao apostar em empreendimentos de alto risco, tem se dedicado a criar um futuro ao mesmo tempo magnífico e próximo de uma fantasia de ficção científica.

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Lugares escuros, de Gillian Flynn — Aos sete anos, Libby Day sobreviveu ao terrível assassinato de sua família e testemunhou contra o irmão, que acabou condenado à prisão perpétua. Vinte e quatro anos depois, a ambígua personagem criada por Gillian Flynn, autora de Garota exemplar e Objetos cortantes, é procurada por um grupo de pessoas obcecadas pelo crime e começa a investigar o passado. A história chegou aos cinemas no ano passado, protagonizada por Charlize Theron, e recentemente ganhou uma nova edição, com capa seguindo o padrão dos livros da autora.

Caçadores de trolls, de Guillermo del Toro e Daniel Kraus  Um dos artistas mais visionários da atualidade — diretor, produtor e roteirista que assina sucessos como A Espinha do Diabo, O Labirinto do Fauno e Hellboy —, Guillermo del Toro conta em Caçadores de trolls como o medo pode tomar conta das pessoas. Repleto de monstros assustadores e do encanto de um jovem com um mundo novo, o livro, que tem 10 belíssimas ilustrações de Sean Murray, será adaptado para uma série produzida pelo Netflix.

Crepúsculo/Vida e morte, de Stephenie Meyer — Publicado inicialmente nos Estados Unidos em 2005, o livro que originou a série best-seller mundial e uma franquia de filmes que bateu recordes de bilheteria, completou 10 anos! Para comemorar o aniversário da inesquecível história de amor entre Bella e Edward, Stephenie Meyer presenteou os leitores com uma edição dupla. Além de Crepúsculo, a edição especial contém quase 400 páginas de conteúdo extra que inclui Vida e morte, versão em que a autora inverte o gênero dos protagonistas.

A sexta extinção, de Elizabeth Kolbert — Ao longo dos últimos quinhentos milhões de anos, o mundo passou por cinco extinções em massa. Hoje, a sexta extinção vem sendo monitorada, e a causa não é um asteroide ou algo similar, e sim a própria raça humana. Vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015, A sexta extinção explica de que maneira o ser humano tem alterado a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie fez até hoje. Para isso, Kolbert apresenta trabalhos de dezenas de cientistas em diversas áreas e viaja aos lugares mais remotos em busca de respostas.

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Grey, de E L James — Christian Grey controla tudo e todos a seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio — até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. Conheça a história que dominou milhares de leitores ao redor do mundo agora sob um novo e apaixonante ponto de vista.
Mosquitolândia, de David Arnold — Mim Malone não está nada bem. Após o inesperado divórcio dos pais, a apaixonante protagonista de Mosquitolândia é obrigada a ir morar com o pai e a madrasta no árido Mississippi. Para fugir dessa nova vida e buscar seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, ela embarca em uma jornada de mais de mil quilômetros até Ohio e encontra companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho, numa odisseia contemporânea tão hilária quanto emocionante.

O clique de 1 bilhão de dólares, por Filipe Vilicic — O Instagram, aplicativo de compartilhamento de fotos, é uma febre mundial desde seu lançamento em 2010. Comprado pelo Facebook em 2012 pela estonteante quantia de 1 bilhão de dólares, hoje em dia já mobiliza mais de 400 milhões de usuários ativos. O que poucos sabem é que Mike Krieger, um de seus idealizadores, é brasileiro, nascido em São Paulo. A trajetória meteórica do aplicativo e de Krieger, que se tornou milionário aos 26 anos, são detalhadas em O clique de 1 bilhão de dólares pelo jornalista Filipe Vilicic, editor de Ciência e Tecnologia da revista e do site de Veja.

Para todos os garotos que já amei, de  Jenny Han — Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. São confissões sinceras, sem joguinhos ou fingimentos. Até que, um dia, elas são misteriosamente enviadas aos destinatários e, de repente, sua vida amorosa se transforma. Se você ainda não conhece Lara Jean, é melhor correr: a continuação do romance, P.S.: Ainda amo você, chega às livrarias nas próximas semanas.

A guerra dos consoles: Sega, Nintendo e a batalha que definiu uma geração, de Blake J. Harris — Na década de 1990, a Nintendo praticamente monopolizava o mercado de video games. A Sega, por outro lado, era apenas uma empresa instável de fliperamas com grandes aspirações e egos maiores ainda. Mas tudo isso iria mudar com as táticas arrojadas de Tom Kalinske, ex-executivo da Mattel, que transformaram a Sega por completo e levaram a companhia a travar um confronto impiedoso com a Nintendo. Um livro fascinante sobre a guerra que mudou o futuro dos video games e o mercado de entretenimento.

testeCrise: a hora de se reinventar

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Um lobo gigante tem soprado à porta. Nós, os inventivos porquinhos, estamos tremendo. Escondidos na casa de madeira, não dispomos de muitos recursos para reforçar a porta. Numa situação dessa, há três opções.

A primeira é usar o que se tem na casa para reforçar a porta. Quebram-se as cadeiras, as mesas, as camas. Com a madeira de tudo que há dentro, a porta é fortificada. Mas continua a ser soprada e um dia cederá.

A segunda é sair da casa pela porta dos fundos enquanto o lobo continua a soprar, achando que estamos dentro. Só que temos pouco tempo e não dá para fugir. O que nos resta é procurar por mais madeira na floresta para, assim, construir outra casa. Mudamos para a casa nova, e vivemos calmamente até o lobo destruir nosso primeiro teto, perceber que foi enganado e rumar para a nova casa de madeira. Ele voltará a soprar, a soprar, a soprar. Aterrorizando os porquinhos inventivos que lá residem.

A terceira opção é a mais ousada (e arriscada). Os porquinhos saem pela porta de trás. Porém, em vez de procurarem por mais madeira, tentam achar novos materiais, mais resistentes, capazes de vencer o sopro do lobo. Talvez achem gesso, calcário, água e uma série de outras substâncias químicas. E talvez resolvam misturar tudo até formar cimento. Com essa novidade, constroem uma nova residência, bem mais resistente, que não pode ser abalada pelos sopros do lobo.

Sim, um dia pode surgir um lobo mais forte ou outro inimigo — quem sabe um urso — não esperado. Mas, dentro de sua nova casa de cimento, os porquinhos ganharam mais tempo também para serem inventivos frente à nova e intensa ameaça. Se ainda apostassem na madeira, teriam sido vencidos pelo oponente mais fraco ou cairiam rapidamente quando chegassem os mais fortes.

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Como mostro em O clique de 1 bilhão de dólares, o Instagram é prova de como é preciso ser criativo para solucionar crises

O que os porquinhos encararam foi uma crise perigosa, que ameaçava (no mínimo) o modo de vida deles. Estamos vivienciando, no Brasil, uma situação similar. Caro leitor, aposto que você está pensando: “Ah, vamos construir uma casa de cimento para desafiar esse lobo que nos enche.” Pois é, esse seria o caminho para acabar de vez com o problema — ou, é preciso admitir, aumentá-lo, se a artimanha desse errado. Mas, e esse é o fato incontornável, raramente a inventividade humana falha em suas ambições. Só que não é o que estamos seguindo.

Tudo indica que a maioria dos empreendedores brasileiros tem preferido as duas primeiras saídas. Ou destroem as próprias casas (mais de 20% dos negócios do país esperam realizar cortes substanciais, como demissões em massa, no próximo ano) por achar que assim vão reforçá-la, ou saem atrás de velhas soluções dentro da floresta.

No primeiro caso, o lobo só demorará um pouquinho mais para derrubar a casa. Seja ela do tamanho de uma pequena tenda, seja do tamanho de um castelo de madeira. No segundo, a velha casa é sacrificada para dar lugar a uma nova, mas igual. O resultado: ambas cairão frente aos sopros do velho lobo.

capa_OCliqueDeUmBilhaoDeDolares_WEBEm meu livro O clique de 1 bilhão de dólares, além de contar a eletrizante história da criação do Instagram — que teve de procurar por cimento em vários momentos em que notou que madeira não seria forte o suficiente —, relembro, em diversos trechos, como a indústria da tecnologia teve de encarar muitos lobos. A região de São Francisco onde se instalou o primeiro escritório oficial do Instagram, a mítica South Park, viu parte dessas crises. A área, que antes era tomada pela pobreza, floresceu nos anos 1990 com a chegada das primeiras startups ligadas aos negócios milionários da internet. Porém, flertou novamente com a decadência quando essas empresas novatas não mostraram a que vieram, na virada do milênio, e deram início à bolha ponto com, que as quebrou.

Os empresários poderiam ter desistido da internet e pensado: “Não é essa promessa que imaginávamos.” Ao invés disso, insistiram nos negócios sem ir atrás de madeira para replicar o que já sabiam. Procuraram formas inusitadas de continuar a aventura. Assim nasceram empresas como Facebook, Instagram e, mais tarde, Uber, Airbnb e Netflix tal qual a conhecemos — antes, era apenas um serviço de aluguel de filmes pelo correio. Essas empresas venceram a crise e hoje seria preciso um lobo muito mais colossal para destruí-las.

Voltemos rapidamente ao Brasil.

É triste notar que a maioria dos brasileiros, ao menos os governantes e alguns empresários no poder, têm optado por encarar a crise não só sem apostar em novas saídas e repetindo velhas e inúteis soluções, como tentando derrubar aqueles que buscam alternativas melhores, criativas e duradouras. Vejam o caso do Uber. Muitas cidades preferem batalhar para proibir o serviço — que já se mostrou resistente a crises e uma ótima opção de emprego para quem perdeu o seu — e dar vantagens às velhas e ultrapassadas opções, como os táxis. Do mesmo mal sofre o Netflix. O serviço, que em todo o mundo promete substituir (ou ao menos dar novos ares) a TV regular, aqui sofre uma resistência tremenda. Querem torná-lo mais fraco, taxá-lo, submeter uma nova ideia, um novo cimento, a regras antigas, que só eram boas para regular madeira. Com isso, o Brasil talvez até reforce a porta a curtíssimo prazo, mas ela logo cederá.

Convido você, leitor, a repensar as crises pelas quais passou na vida, ainda mais se alguma o estiver atingindo agora. É importante tratá-la como oportunidade. Das melhores. Em vez de fugir ou buscar velhas saídas, tente se reinventar. Procure cimento, não madeira.

link-externoLeia um trecho de O clique de 1 bilhão de dólares

testePor que é tão difícil inovar no Brasil

l_img8_instagram_blog_01a_semtextoUm típico empreendedor brasileiro: preso no labirinto da burocracia

Repare que o título desta coluna é uma afirmação, não uma pergunta. Afinal, tal constatação já se tornou praxe. Mas é raro encontrar explicações. Vamos a elas.

Tentei empreender dois projetos: o primeiro com uma startup de impressão 3D e o segundo com uma empresa de mapeamento indoor. Desisti de ambos no meio do caminho. O primeiro foi para a frente, de forma tímida, depois da minha saída. O segundo desapareceu. Independentemente do sucesso ou do fracasso posterior, por que caí fora, sem arrependimentos?


1.

Por um fator simples: é difícil fazer negócios éticos no Brasil. Por exemplo, no meio do caminho para lançar a startup de impressoras 3D, que seriam acopladas à mão, surgiu um problema. Como tudo no país, mesmo para uma empresa tida como startup — logo, como seria no Vale do Silício, algo meio que “de garagem”, que mereceria facilidades —, é preciso, antes de operar, ter aprovações mirabolantes, que passam por contadores, advogados, cartórios… No meu caso, descobrirmos vários obstáculos.

Em teoria, precisaríamos de uma licença específica para instalar uma empresa de fabricação de qualquer coisa, de qualquer escala. E a nossa não poderia ser na região de São Paulo em que estávamos (o Centro!). Tudo isso custaria MUITO para ser superado. Algo que uma startup não conseguiria encarar. Em meio ao papo com outros sócios, surgiram formas de se esquivar da questão. A maioria exigia o “jeitinho brasileiro”. Sou contra “jeitinho” e achava adequado não correr o risco, ainda mais por ser tão apaixonado por escrita e jornalismo — não queria que essas minhas facetas fossem afetadas pelos problemas de empreendedor. Logo, optei por não me meter em qualquer provável futura lama.


2.

Rixas entre os sócios é algo típico em startups, mas que poderia ser superado. Porém, olhando agora com a devida distância temporal, percebi que as brigas tinham muito a ver com o fato de não podermos nos dedicar ao que queríamos, ao nosso trabalho, às nossas ideias. Na maior parte do tempo só discutíamos empecilhos burocráticos, leis e por aí vai. A parte chata. Nada a ver com o core do negócio. Isso não só me desmotivou como fez nascerem as rixas. Esse panorama brasileiro, de 70%, 80%, por vezes 90% do tempo — e da massa cerebral — do empreendedor iniciante ser gasto com cartórios e afins, por meses, destrói vontades e parcerias.

 

3.

Ah, e o principal. Descobri que não queria me dedicar tanto assim a impressoras 3D e mapeamento indoor. Minha praia é comunicação (e contar histórias: escritas, visuais, como forem). Se um dia regressar a esse mundo empreendedor — sobretudo se for para enfrentar as chatices brasileiras —, provavelmente me voltarei a áreas relacionadas a essa paixão. Entre nós, esse foi o fator decisivo. Se não fosse por isso, teria enfrentado, com muita raiva e inveja dos colegas americanos do Vale do Silício — com suas devidas facilidades que fazem de lá o maior polo de inovação do planeta —, as questões 1 e 2.

 

Porém, vamos sair do pessoal

graava clip

Graava, uma câmera que edita automaticamente os vídeos feitos: mais uma bela ideia de brasileiros, mas realizada no Vale do Silício

É regra.: todo empreendedor que conheço reclama da estupidez da burocracia brasileira. Municipal, estadual ou federal. Tanto faz. Há burrice em todas as alçadas. E o ecossistema nacional de negócios, principalmente os digitais — que exigem agilidade para se adequar, garantir a inovação e competir de igual para igual com a concorrência —, sofre com isso. Até os gigantes.

Vejamos, por exemplo, o caso do Google. Há dois anos, em papo com Hugo Barra, mineiro de grande renome em sua área e então vice-presidente da marca (hoje está na chinesa Xiaomi), perguntei: “Por que, apesar do interesse das grandes empresas pelo mercado brasileiro, os melhores smartphones e tablets demoram a chegar por aqui?” A resposta: “Queremos entrar no Brasil e vender produtos baratos. Mas é extremamente difícil fazer negócios neste país. A complicada e burocrática legislação brasileira coloca barreiras únicas no mundo para quem quer investir ou empreender. Há práticas fiscais e logísticas, além de leis protecionistas exageradas, que não são vistas em outras nações. Nesses quesitos negativos, o Brasil é incomparável.”

Sim, é de chorar. E a visão cruel sobre o ambiente de empreendedorismo brasileiro é uniforme entre os que aqui batalham para inovar.

Em almoço com Alex Tabor, CEO do Peixe Urbano, ele recordou como foi uma tormenta abrir seu negócio inovador de vendas on-line de cupons de ofertas. “No Brasil, às vezes demora meses só para conseguir o CNPJ (o registro inicial da empresa; ou seja, só para dar o start)”. Agora, quando ele foi abrir uma holding nos Estados Unidos, tudo se mostrou fácil. “Lá são exigidos só os documentos que fazem sentido serem apresentados e o processo leva dias”, completou.

Não é coincidência eu ter ouvido algo similar de Nelson Mattos, brasileiro que foi vice-presidente do Google e que hoje atua como consultor no Vale do Silício, sendo membro da renomada BayBrazil, organização que promove conversas entre inovadores brasileiros e californianos. Para ele, “não faltam mentes criativas em nosso país”. O problema é que “essas cabeças não conseguem trabalhar no Brasil devido a tantos impedimentos governamentais. Muitas vezes, as pessoas precisam se mudar para criar uma empresa inovadora”.

capa_OCliqueDeUmBilhaoDeDolares_WEBEm outras palavras, os labirintos surrealistas à la Franz Kafka à frente de qualquer empresário iniciante acabam expulsando os brasileiros de sua própria nação. Para onde eles levam suas ideias criativas — e, muitas vezes, fonte de milhões de dólares (que poderiam ser reais)? Vão para os Estados Unidos, para Israel, para a Inglaterra, para o Canadá etc. — ambientes que recebem os inovadores de portas abertas.

É para onde foi, por exemplo, Marcelo do Rio, outro brasileiro inovador, que criou em terras tupiniquins a cervejaria Devassa, vendida depois para a Schincariol. Após se admirar com o mundo tecnológico, ele se mudou para o Vale do Silício. Lá, com dois brasileiros, fundou a Graava, que fabrica uma interessante câmera filmadora capaz de editar automaticamente os vídeos feitos. Se for um fracasso, ou um sucesso maior que o da GoPro, pouco importa para o contexto desta coluna. O fato é que o Brasil perdeu Marcelo do Rio e a bela ideia da Graava. Disse ele em conversa que tivemos: “Não tenho a menor dúvida da competência do empreendedor brasileiro, extremamente criativo, habilidade que usa até para compensar a ineficiência do Estado. Não faltam mentes no Brasil. Falta estrutura.”

Não à toa há mãos brasileiras em diversas empreitadas reconhecidas em todo o mundo como de extrema criatividade. Caso do Facebook e do Instagram, sobre o qual escrevi este livro . Pena que esses cérebros não sobreviveriam — ao menos não da mesma forma saudável — em sua terra natal.

link-externoLeia um trecho de O clique de 1 bilhão de dólares

testeComo o Facebook virou um mundo de radicais

Uma carta aos amigos que discutem pelas redes sociais

Qualquer um que seja adepto do Facebook ou de outra rede social já deve ter notado como o radicalismo tem imperado nesses ambientes. Virou moda reclamar dos extremistas, mesmo quando, para se queixar, se apela ao outro extremo. Algo como: “Esses fundamentalistas de esquerda/direita são uns bárbaros, por isso merecem ser açoitados pelo meu grupo de direita/esquerda, que tem a visão correta de tudo que existe.”

A ponderação, o velho “discordo de você, mas vamos conversar e continuar a divergir, se for o caso”, não é regra. Vamos combinar: já não era muito no mundo off-line. Mas a situação ganhou novas dimensões e posicionou as pessoas em pontos opinativos ainda mais extremos com a ascensão dos megafones das redes sociais. Será culpa exclusiva delas? Só em parte. Antes de tudo, há razões bem humanas – nada virtuais – por trás disso. Vamos a duas teorias que se complementam:

1ª teoria

Há uma proliferação de indivíduos que julgam ter a resposta final para tudo quanto é assunto, sem nem se informar sobre ele. É como previa, no século passado, o escritor George Bernard Shaw (1856-1950): “Cuidado com o falso conhecimento; é mais perigoso que a ignorância.”

Um teste jocoso realizado pela NPR — a poderosa e tradicional rede de rádio pública dos Estados Unidos — faria Shaw chorar.  Em seu perfil no Facebook, hoje seguido por quase 5 milhões de pessoas, a associação provocou: Por que a América não lê mais?. E complementou: “O que isso fez com nossos cérebros?”. Nos comentários do post, surgiram pessoas indignadas, clamando: “Esse artigo é um lixo. Muito mal escrito. Péssimas fontes. Não confiável”, “Eu leio todos os dias, assim como meus amigos e familiares. Não somos a América?”. Ou, mais direto ao ponto: “É claro que lemos, NPR. Cale a boca.”

Foto coluna vilicic NPR

A provocação da piada: a publicação no Facebook dizia “Por que a América não lê mais?”; ao entrar no post (o que poucos fizeram), revelava-se um teste para verificar quem iria ler o artigo antes de comentá-lo (novamente, poucos)

Será que todo esse povo se informou antes de rebater? Certamente não clicaram no link do artigo compartilhado via Facebook, pois ele levava a um:

Parabéns, leitores genuínos, e feliz 1º de abril!

Às vezes sentimos que muita gente tem comentado nossas histórias sem lê-las. Se você está lendo isso, por favor curta nosso post, mas não comente. Vamos ver o que as pessoas têm a falar sobre esta “história”.

A brincadeira da NPR revela algo perigosíssimo. Sabe aquele amigo do Facebook que diz que Cuba é o melhor dos mundos? Desconfie. Talvez ele não tenha ido a Cuba, nem lido algo sobre o país, nem folheado O capital. E aquele outro que garante que os Estados Unidos são o império-modelo ou que as ciclovias funcionam que é uma beleza na Europa, mas não aqui? Torça a boca. Talvez ele não conheça americanos nem tenha dado uma volta de bicicleta por algum país europeu ou mesmo pela Avenida Paulista. Não que não se possa achar Cuba linda ou os Estados Unidos o máximo. Aqui não estamos julgando a opinião dos amiguinhos on-line. A pergunta é: “O que será do mundo quando pessoas só replicarem histórias, opinarem sem informação, como foi com o post da NPR?”

A primeira resposta, e mais fácil, é que esse será um mundo de radicais. Quando não admitem a própria posição desinformada — eu, por exemplo, nada conheço de cozinha (apesar de querer saber mais), por isso não opino —, ignorantes, no sentido mais literal da palavra, tendem a ser fundamentalistas, extremistas, messiânicos ou, numa clara exacerbação, fascistas.

A falta de conhecimento não gera apenas conversas chatas, repugnantes e momentos de total “vergonha alheia”. Ela cria ódio, dá luz a donos de verdades que eles nem sabem se são verdades. Com o tempo, cria um ambiente como o do Facebook do Brasil em crise: povoado de radicais de ambos os lados e no qual os que estão no centro ou assumem a própria ignorância (ouse falar algo como “Não tenho opinião formada sobre a redução do limite de velocidade nas marginais de São Paulo” e verá a reação) são tidos como idiotas. Isso no cenário mais positivo. Muitas vezes, são vistos não só como idiotas, mas como covardes, desinformados (veja só!), escória humana. Quem debate, quem se abre a ideias, agora é o asco.

2ª teoria

Aqui, propositalmente não entrarei em “tecnicices”. Vou falar do tal algoritmo do Facebook, aquele que põe ordem na sua timeline, de maneira clara, para qualquer um entender.

O que ele faz: quando você entra no Facebook, só vê uma pequena parcela do que amigos publicam. Isso porque o algoritmo peneira tudo para você. Com base em seu comportamento on-line — quais posts curtiu; de que páginas de empresas, revistas e sites gosta; com quais contatos interage mais —, escolhe o que acredita que você mais gostará de ver. Isso é útil. Melhor: é essencial para a sobrevivência de uma rede social. Não queremos, afinal, nos ver no meio de uma festa barulhenta, com tudo quanto é gente gritando nos nossos ouvidos. Preferimos papear com os amigos.

Só que há um efeito extremamente negativo. Passamos a ver no Facebook apenas opiniões similares às nossas (que curtimos) e criamos nichos de debates que parecem privados, mas que, na realidade, são públicos. Dentro desses nichos, expressamo-nos e passamos a encontrar respaldo de colegas com posições radicais, com as quais achamos que concordamos — muitas vezes nem nos informando sobre elas. Nascem os grupos extremistas, de vários lados, em oposição.

Em outro efeito do algoritmo, começam a se destacar no Facebook, na parte superior da página, os posts mais acalorados, que são curtidos, comentados (por quem é a favor ou não), compartilhados freneticamente. Isso fortifica os extremistas, felizes de serem correspondidos on-line.

Pronto, está aí o cenário de extremos desinformados.

Por que se preocupar com isso?

Sim, talvez ainda sejamos usuários verdes de redes sociais. Pode ser que daqui a algumas décadas nossos filhos e netos olhem para trás e se espantem: “Nossa, como aquela galera era louca no Facebook.” Quem sabe se voltem novamente aos debates racionais, deixando a maluquice de lado? As empresas por trás desses sites, como o Facebook, também podem evoluir. O algoritmo pode ser treinado para exibir notícias mais verdadeiras, no lugar das falsas, típicas do universo on-line; priorizar debates amenos, não os enervados; dar voz a opiniões contrárias em uma mesma timeline. Mas ainda vivemos no “talvez”.

O fato é que o mundo on-line tem ficado extremista, o que repercute na vida real. Vide a disputa entre motoristas do Uber e taxistas, da qual literalmente tem jorrado sangue e na qual qualquer um que tente raciocinar uma saída é tratado com desdém (na melhor das hipóteses) ou com ameaças verbais e físicas — principalmente, é preciso ser justo, por um dos lados da peleja. Do mesmo modo, a batalha entre os “coxinhas” e os “esquerdistas”. Há alguma racionalidade em grande parte do que se tem falado no Facebook sobre isso? Será que realmente estamos informados a ponto de tecer opiniões definitivas sobre tudo, em cima de muros digitais e protegidos pela ilusória cortina virtual?

Tenho medo de para onde caminhamos. Existe na história humana uma associação bem simplória — mas muito repugnante — entre o surgimento de grupos extremistas ignorantes, fechados em seus mundinhos, com o de ditaduras, guerras, tiranias. Também receio que surjam líderes com forte carisma, capazes de se aproveitar dos indivíduos radicais desinformados como escada para ascenderem com ideias egocêntricas. Tenho pena da “inovação” dentro desse contexto. Inovar é, por essência, criar algo novo. Como traremos novidades à mente quando nosso cérebro se vê refém de ideias únicas, constituídas previamente e fundamentalistas?

George Orwell (1903-1950), do clássico 1984 — no qual apresentou ao mundo a ideia do Big Brother —, avesso aos totalitarismos, defendia: “Se liberdade significa alguma coisa, é o direito de falar às pessoas o que elas não querem ouvir.” Na mosca! Mas tomo a liberdade de acrescentar: e de ouvir, sem repúdios violentos e tresloucados, o que o outro tem a dizer.

Será que as posições extremas nos levarão a futuros extremos, como o pintado em 1984 pelo escritor George Orwell?

 

link-externoLeia também: Como o Facebook nos transformou em leitores desatentos

testePor trás das #câmeras

Uma entrevista com Filipe Vilicic, autor de O clique de 1 bilhão de dólares

Por Bruno Capelas*

FOTO PAULO VITALE ALL RIGHTS RESERVED

Steve Jobs e Steve Wozniak fundaram a Apple dentro de uma garagem. Mark Zuckerberg criou o Facebook dentro de seu quarto na Universidade Harvard. A história recente da tecnologia é cheia de empreendedores que transformaram em realidade suas visões de mundo, como uma jornada do herói pós-moderna. Em O clique de 1 bilhão de dólares, o jornalista Filipe Vilicic adiciona uma nova história a essa prateleira ao contar a vida do brasileiro Michel, que nasceu numa família abastada de São Paulo e deixou seu país para se tornar Mike Krieger, um dos cofundadores do Instagram, rede social na qual mais de 300 milhões de pessoas compartilham fotos e vídeos de seus momentos íntimos.

Ao longo de 240 páginas, o editor de Ciência e Tecnologia da revista Veja mostra a trajetória de Mike Krieger passo por passo: dos dias de colégio na Graded, escola para poucos de São Paulo, passando pelas madrugadas incessantes trabalhando para lançar a primeira versão do Instagram, até a venda do aplicativo ao Facebook por US$ 1 bilhão na Páscoa de 2012. “A maioria das pessoas não se interessa pelas histórias do Vale do Silício. Meu desafio no livro foi tirar essas informações de um nicho e deixá-las acessíveis para qualquer leitor”, diz Vilicic, em entrevista ao blog da Intrínseca.

capa_OCliqueDeUmBilhaoDeDolares_destaque_pAo mesmo tempo que desmistifica o mundo das startups e das redes sociais, o escritor também procura relativizar a “pose de rockstars” que muitos empreendedores ostentam. “A formação e a riqueza do Mike Krieger obviamente ajudaram a trajetória dele, mas a obstinação é o maior exemplo. A palavra gênio não se aplica muito bem ao Vale do Silício”, completa.

Na entrevista a seguir, Vilicic conta como se interessou pela história de Mike Krieger e como foi escrever uma biografia sem a participação de seu principal personagem — O clique de 1 bilhão de dólares, por sinal, é um dos primeiros trabalhos publicados no país após a queda da lei que proibia biografias não autorizadas. “Acho que livros como o meu mostram como essa lei era arcaica. A história do Mike é de interesse público, porque o que ele criou impacta a vida de muita gente.”

Além disso, Filipe Vilicic comenta as mudanças que as redes sociais causaram no mundo. “Elas deixaram muito claro que a vida privada não é mais a mesma. Não adianta nada você colocar fotos do seu filho no Facebook e depois reclamar que não tem privacidade”, diz o jornalista, que acredita que a internet e as redes sociais não causaram uma grande revolução na vida moderna. “Nossa comunicação na internet é tal como era na Ágora grega. Apenas aceleramos esse processo”, diz, sem deixar de pensar nas #selfies e nas fotos de #comida.

link-externo

Leia um trecho de O clique de 1 bilhão de dólares

Bruno Capelas: Como você chegou à história do Mike Krieger?
Filipe Vilicic: Meu primeiro contato com o Mike foi profissional. Em 2012, estava fazendo uma matéria para a Veja sobre brasileiros que se destacavam na área digital, e o Mike era um dos caras sobre quem eu precisava falar. Consegui o contato dele e, logo na primeira entrevista, percebi que tinha uma grande história. Pelo faro de jornalista, continuei ligando para ele, mesmo sem saber o que ia fazer com aquele material.

Por coincidência, a última vez que falei com o Mike naquela época foi dias antes da Semana Santa. Era uma época turbulenta: o Instagram tinha acabado de sair para Android e recusado duas ofertas de compra — uma do Twitter e outra do Facebook. Dias depois, no domingo de Páscoa, o aplicativo acabaria sendo vendido para o Facebook por US$ 1 bilhão. Depois que o WhatsApp foi vendido por US$ 19 bilhões ao Facebook, esse valor pode parecer baixo. Mas o Instagram foi a primeira grande aquisição da empresa, mesmo sendo um negócio que nunca tinha dado lucro.

Ali, percebi que tinha uma história para contar — e foi assim que a Intrínseca me procurou para saber se eu queria fazer um livro. Duas semanas depois, mostrei o projeto ao Mike, que se empolgou no início, mas logo começou a dar para trás. Fui comendo pelas beiradas, conversando com funcionários do Instagram, com amigos dele, professores, colegas de profissão. Depois de quase dois anos de pesquisa, por meio da assessoria de imprensa do Facebook, Mike acabou me dando uma resposta negativa sobre a participação dele no livro. Tem gente que acredita que é porque ele tem medo de sequestros na família, mas outros pensam que foi o Facebook que barrou o projeto. Eles não têm uma experiência muito boa com livros, né? (risos) [referência a Bilionários por acaso, de Ben Mezrich, que conta a história do Facebook, também publicado pela Intrínseca].

Capelas: Apesar da popularidade do Instagram, são poucas as pessoas que sabem que o Mike é brasileiro. Por que você acha que isso acontece?
Vilicic: Há vários motivos. O primeiro é o nome: apesar de se chamar Michel, ele adotou Mike quando se mudou para os Estados Unidos, por causa da pronúncia — Michel, em inglês, se parece muito com Michelle, que é um nome feminino. Além disso, Krieger não é um sobrenome que soa brasileiro. O segundo motivo é que a maioria das pessoas não se interessa pelas histórias do Vale do Silício. Tem muita gente que não sabe que foi um brasileiro, o Eduardo Saverin, que ajudou a fundar o Facebook. Meu desafio, no livro, foi tirar essas informações do nicho e deixá-las acessíveis para qualquer leitor. E ainda existe uma terceira razão: Mike não é o porta-voz do Instagram. Essa função cabe ao Kevin Systrom, sócio de Mike — enquanto Kevin fica com os negócios, Mike ficou com a engenharia e o design. Faz sentido. Se você olhar o perfil do Kevin no Instagram, vai ver fotos dele dando uma de DJ em festas ou retratos com outros famosos. Já o Mike publica muitas fotos de praias e do cachorro, como é de se esperar de um cara mais reservado.

Working late into the night to make Instagram even better. All we require: little heaters. It’s freezing in here!

Uma foto publicada por Kevin Systrom (@kevin) em

O brasileiro Michel e seu sócio, Kevin Systrom, no começo do Instagram

Capelas: Mike Krieger é um cara que veio de família rica, estudou em colégios caros, morou fora e fez faculdade em Stanford. Qual é o exemplo que ele pode dar para o brasileiro comum que quer empreender?
Vilicic: A formação e a riqueza do Mike Krieger obviamente ajudaram a trajetória dele. Não é qualquer um que faz faculdade em Stanford. Colocando os benefícios de lado, o exemplo é a persistência e a determinação. A palavra gênio não se aplica bem ao Vale do Silício — quem consegue fazer sua ideia dar certo é alguém obstinado. Ao se formar em Stanford, Mike teve dificuldades para conseguir o green card e ficar nos Estados Unidos. Ele poderia muito bem ter voltado para o Brasil e conseguido um emprego de alto nível, mas quis continuar no país porque acreditava que lá era o lugar onde conseguiria criar algo. Essa obstinação serve de exemplo para qualquer um, independentemente de quanto dinheiro você tenha na conta.

Capelas: Para você, quais são as principais mudanças que o Instagram causou no mundo?
Vilicic: Existe certo exagero hoje ao dizer que tudo está mudando o mundo. Concordo com Peter Thiel, cofundador do PayPal e investidor do Facebook. Para ele, a internet, as redes sociais e os aplicativos não mudam o mundo, mas aceleram algumas coisas. Acelerar o processamento e a rapidez de comunicação é algo que facilita nossa vida, mas não transforma nosso modo de ser. Por outro lado, acredito que o Instagram, bem como o Facebook e outras redes sociais, ajuda a aproximar pessoas, encurtando distâncias que, há mais de um século, já tinham sido aproximadas pelo telégrafo e pelo telefone. Acredito que um dia você poderá conversar com qualquer pessoa no planeta pelo Facebook. Além disso, o Instagram fomentou a exibição da vida privada — é só pensar nas selfies ou nas fotos de comida por todo lado. As redes sociais deixaram muito claro que a vida privada não é mais a mesma. Não adianta nada você colocar fotos do seu filho no Facebook e depois reclamar que não tem privacidade. Hoje, é preciso ter uma nova doutrina quanto à vida privada . Mas as redes sociais não são uma revolução. Nossa comunicação na internet é tal como era na Ágora grega. Apenas aceleramos esse processo.

Fotos de viagens de Vilicic pelas sedes do Facebook, Instagram e Twitter (Via @FilipeVilicic )

Fotos de viagens de Vilicic pelas sedes do Facebook, Instagram e Twitter (Via @FilipeVilicic )

Capelas: As startups são as bandas de rock de hoje em dia?
Vilicic: Sim, mais pela visão do público do que pela dos próprios membros das startups. O público vê os empreendedores como rockstars. Ainda é um nicho, porque não é todo mundo que se interessa por tecnologia e sabe o nome do Mike Krieger ou mesmo o do Mark Zuckerberg. Quer dizer: os empreendedores ainda não são roqueiros como os Beatles.

Capelas: O clique de 1 bilhão de dólares é uma das primeiras biografias não autorizadas a serem publicadas no Brasil após a decisão do Supremo Tribunal Federal. Como você se sente quanto a isso?
Vilicic: O clique seria publicado mesmo que a lei arcaica que existia no Brasil não caísse. A data já estava marcada antes da decisão do Supremo Tribunal Federal. A história do Mike é de interesse público, porque o que ele criou impacta a vida de muita gente. As pessoas precisam ter senso crítico antes de começar a digitar ideias no Facebook e postar fotos no Instagram. Por outro lado, não acredito que o Mike entraria na Justiça para que o livro não fosse publicado. Ele vem de uma tradição democrática e liberal; pegaria muito mal para ele, nos Estados Unidos, tentar proibir a publicação de uma biografia no Brasil. A queda da lei acabou sendo uma boa coincidência. Acho que livros como o meu mostram como essa lei era arcaica, porque as pessoas querem ler e se interessam pelo conhecimento. Isso é o mais importante.

 

Leia também:
Como o Facebook virou um mundo de radicais, por Filipe Vilicic
Entrevista com o autor de Como a música ficou grátis, por Alexandre Matias

 

Bruno Capelas é repórter do IGN Brasil, a versão brasileira do maior site de games do mundo. Formado em jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP), já foi repórter do portal IG e do Link, a editoria de tecnologia do jornal O Estado de S. Paulo. Além disso, edita o blog Pergunte ao Pop e colabora desde 2010 com o Scream & Yell, um dos principais veículos independentes de cultura pop do país.