testeIntrínseca na Flip: conheça os autores que marcaram o festival

A Flip – Festa Literária Internacional de Paraty – já começou, e nós não poderíamos estar mais animados!

Em sua 17ª edição, o festival está recheado de novidades imperdíveis. Além da participação de nossas autoras Mariana Enriquez e Karina Sainz Borgo na programação oficial, a Intrínseca também marca presença na Flip 2019 com um book truck especial do nosso clube do livro, o intrínsecos, e com muitas outras surpresas!

Para você se preparar para esse grande evento, fizemos uma lista dos nossos autores que já participaram do festival literário. Relembre com a gente!

  1. Mariana Enriquez e Karina Sainz Borgo

     

Este ano, a Intrínseca traz duas consagradas autoras latino-americanas para a Festa Literária Internacional de Paraty: Mariana Enriquez e Karina Sainz Borgo.

Autora de As coisas que perdemos no fogo e do lançamento Este é o mar, Enriquez constrói em suas obras cenários fantásticos e sombrios que evidenciam o horror do cotidiano, em uma escrita fluida que prende o leitor do início ao fim.

Karina Sainz Borgo lançou em junho seu primeiro romance pela Intrínseca. Noite em Caracas traz uma poderosa história sobre uma mulher que enfrenta situações extremas, enquanto precisa aceitar a ausência definitiva da mãe, tudo isso em um país que também desaparece aos poucos. A obra, publicada em março na Espanha, se tornou um best-seller em menos de um mês.

Confira a programação da Flip 2019 aqui.

  1. André Aciman

Em 2018, o convidado foi ninguém menos que André Aciman. O autor de Me chame pelo seu nome e Variações Enigma conversou sobre o processo de escrita, o exercício da liberdade de escrever e a escolha de temas tabus ou proibidos – como homoerotismo, sexualidade feminina e religião.

Além disso, Aciman também respondeu algumas perguntas dos leitores durante a sua passagem pelo Brasil! Você pode conferir o vídeo aqui:

 

  1. Marlon James e William Finnegan

A edição de 2017 da Flip contou com a participação de dois autores incríveis: Marlon James e William Finnegan.

Autor de Breve história de sete assassinatos, Marlon James debateu a renovação da tradição americana do romance a partir de seu ponto de vista como jamaicano negro que migrou para os Estados Unidos.

Autor de Dias bárbaros, sua autobiografia vencedora do Prêmio Pulitzer, Finnegan conversou sobre as diferentes motivações de um escritor e a entrega ao trabalho.

  1. Helen Macdonald

Outra escritora que marcou presença na Festa Literária Internacional de Paraty foi Helen Macdonald, autora de F de Falcão. Em sua participação, Macdonald falou sobre como a sua paixão pela falcoaria a ajudou a lidar com o luto por conta da morte súbita do pai.

  1. Riad Sattouf

O renomado quadrinista Riad Sattouf compareceu à Flip em 2015. Ao lado do brasileiro Rafa Campos, o criador de O árabe do futuro participou da mesa “De balões e blasfêmias”.

Em sua série de HQ, que já tem três volumes publicados pela Intrínseca, o autor retrata o choque cultural experimentado durante sua infância. Nascido na França socialista de Mitterand, ele vivenciou as ditaduras da Síria de Assad e da Líbia de Kadafi.

  1. Michael Pollan e Joël Dicker

A Flip de 2014 foi abrilhantada pela presença de dois autores incríveis: Michael Pollan e Joël Dicker.

Em Cozinhar, Michael Pollan convida o leitor a redescobrir a experiência fascinante de transformar os alimentos. Ao relatar suas experiências pessoais com os processos de preparação da comida, Pollan propõe uma redescoberta de sabores e valores esquecidos.

Já em A verdade sobre o caso Harry Quebert, premiado romance policial de Joël Dicker, somos confrontados com um grande mistério. Protagonizado por um jovem e bem-sucedido escritor que passa por um bloqueio criativo, a trama envolve o assassinato de uma menina de 15 anos e a luta contra o tempo em busca do verdadeiro responsável pelo crime.

  1. Jennifer Egan

Em 2012, quem visitou Paraty e participou da Flip foi a norte-americana Jennifer Egan. A autora de A visita cruel do tempo e Praia de Manhattan marcou presença na mesa “Pelos olhos dos outros”, ao lado do autor inglês Ian McEwan.

Egan é vencedora do Pulitzer de Ficção e do National Book Critics Circle Awards de 2011 por A visita cruel do tempo, obra em que tece uma narrativa caleidoscópica, alternando vozes e perspectivas, cenários e personagens, para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida.

  1. Lionel Shriver

Autora do intenso Precisamos falar sobre o Kevin, Lionel Shriver ficou encantada pelo Brasil quando veio à Flip em 2010 para participar da mesa sobre violência e maternidade.

Em seu livro, conhecemos a história de Kevin, que aos 15 anos mata onze pessoas, entre colegas do colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados e nos olhares de julgamento que recebe.

testeClube de Leitura: F de Falcão

Por Bruno Leite*

f-de-falcao_instagram

Desde que foi lançado, tento fazer com que o livro-testemunho de Helen Macdonald se torne a obra escolhida para o clube. Foram três tentativas. Quando soube que ela participaria da Flip, decidi que leria o livro por conta própria — seria uma leitura para a minha vida.

Durante a Flip, perguntei à Helen qual seria a melhor trilha sonora para acompanhar minha leitura de F de Falcão. Ela riu, disse essa que era uma questão elementar na qual ela nunca tinha parado para pensar com cuidado, mas sugeriu algo clássico e moderno. Perguntei se O Pássaro de Fogo (L’Oiseau de Feu), de Stravinski, seria uma boa pedida. Ela acenou com muita empolgação e meio que oficializamos essa como a trilha sonora oficial do livro.

Mês passado, F de Falcão foi finalmente contemplado como o livro do mês para o clube. Corri com ele pelo auditório da Livraria Cultura emulando uma mal-sucedida volta olímpica. Então, se vocês quiserem saber mais sobre o livro, sobre a autora e sobre aves de rapina, apertem o play e venham comigo.

Ao contrário do que o título sugere, o livro não trata apenas de aves. Tudo começa quando a nossa escritora, narradora e protagonista recebe a fatídica notícia de que seu pai havia morrido. Helen escreveu uma das passagens mais bonitas que eu já li sobre luto:

 

Imagine, eu disse na época a alguns amigos na franca tentativa de explicar, imagine sua família inteira em uma sala. Sim, todos eles. Todas as pessoas que você ama. Então, o que acontece é que alguém entra na sala e dá um soco no estômago de cada um. Em todos. Muito forte. Então vocês caem no chão. Certo? O que acontece é o seguinte: vocês compartilham o mesmo tipo de dor, exatamente o mesmo, mas estão ocupados demais experimentando uma agonia total para sentir qualquer outra coisa além de completa solidão. É assim! Terminei meu pequeno discurso de forma triunfal, convencida de ter encontrado a maneira perfeita de explicar como eu me sentia. Fiquei confusa com os rostos piedosos, horrorizados, porque não me ocorreu de maneira nenhuma que um exemplo que colocava as famílias dos meus amigos juntas em salas, apanhando, pudesse carregar um sabor de loucura total.

 

Tentei, mas não consigo me lembrar de uma passagem tão pungente, tão precisa sobre o assunto sem ser piegas ou melodramática. O que vocês acharam dessa passagem? Vocês conseguem dimensionar a dor que a autora propõe?

A partir de então, Helen passa por um processo muito doloroso — embora necessário — de dissociação do mundo ao seu redor. E para além dessa decisão ela se propõe a treinar uma ave de rapina. Não apenas uma ave de rapina, mas um açor (a espécie mais feroz). A dificuldade eminente serve como um atrativo para que Helen se reencontre com o seu eu mais selvagem e, ao mesmo tempo, entenda o poder inalienável da liberdade e de como é importante que ela elabore o seu luto. O que vocês acham dessa decisão? Também gostam de aves de rapina? Vocês fariam a mesma coisa — ainda que com outro animal?

helen

Aliás, uma questão pertinente ao longo do livro e que muito me encantou foi a relação homem-animal. Os laços criados entre Helen e Mabel, nome do seu açor, são tão complexos quanto os que existem em qualquer relação entre humanos. Vocês acham esse tipo de relação saudável? Também se relacionam assim com o bichinho de vocês?

E por falar em bichinhos, a Helen veio pra Flip participar de uma mesa SOBRE animais. Se você quiser ouvir, a produção da Flip disponibilizou o áudio da mesa. Mas cuidado ao dar play: há spoilers nas falas.

Dia 13 de outubro, quinta-feira, nos reuniremos para falar sobre essas e muitas outras questões no auditório da Livraria Cultura do shopping Bourbon. Para participar basta mandar um e-mail com nome para renato.costa@livrariacultura.com.br. Vejo vocês em breve!

 

Bruno Leite é estudante de Letras, trabalha há 8 anos no mercado editorial e é colaborador no blog O Espanador.

testeO Dia em que Helen Macdonald Encontrou Christian Grey

Por Maria Carmelita Dias*

textocarmelita

Quis o destino, ou os deuses das coincidências, que eu tivesse que interromper a tradução de F de falcão para assumir um trabalho mais urgente. Adiante explico o porquê das coincidências. F de falcão, o belo livro da escritora e falcoeira britânica Helen Macdonald, trata da experiência da autora em como lidar com o luto pela súbita morte de seu pai.

A estratégia da autora, inusitada para a maior parte das pessoas, consiste em treinar uma ave de rapina, mais precisamente um açor, uma das aves mais indomesticáveis que existem. Ao longo do livro, Helen Macdonald, além de descrever seus sentimentos e sua relação com Mabel, o açor fêmea que treinava, mescla a própria história com passagens da vida do autor de uma de suas inspirações, o livro The Goshawk, o açor, do escritor inglês T. H. White. Apesar de não ser, no início, um genuíno falcoeiro, White se atreveu a treinar um açor como parte de sua tentativa de abandonar a escola onde tinha lecionado, de se afastar dos seres humanos, com quem não achava ter muita afinidade, e de colocar em prática preceitos de ensinamento diferentes daqueles com os quais fora educado e com os quais vinha trabalhando como professor. Mais que tudo, White queria ter a sensação de ser capaz de dominar um ser selvagem.

White, entre outras obras, escreveu uma saga fantástica, uma coleção de livros que relatavam a história do Rei Artur e do reino de Camelot: The Once and Future King, O único e eterno rei. O primeiro volume da coleção, The Sword in the Stone, A Espada na pedra, narra as aventuras do menino Wart, que mais tarde seria sagrado rei, e do seu encontro com o Mago Merlin. Esse volume teve os direitos comprados pelos estúdios de Walt Disney e se transformou no longa de animação que recebeu no Brasil o nome de A Espada Era a Lei. Quem não se lembra do fantástico duelo travado entre o Mago Merlin e a Madame Min, cujas armas eram as mágicas dos dois feiticeiros, transformando a si mesmos em animais que se enfrentavam?

untitledF de falcão é um livro igualmente mágico. Sua linguagem é poética, delicada, em contraponto ao tema tão intenso, que envolve luto, perda, morte, dominação, vida selvagem. Traduzir F de falcão foi entrar nesse universo de contrastes entre a intensidade do tema e a delicadeza da linguagem.

Pois bem, voltando ao início: no meio do trabalho, fui solicitada a participar da tradução de outro livro, cuja data de lançamento demandava urgência. Que livro era esse? Grey – Cinquenta tons de cinza pelos olhos de Christian, de E L James.

Assim, abandonei por uns tempos Helen Macdonald, Mabel e T. H. White, para me tornar, durante algumas semanas, mais uma submissa do Sr. Christian Grey.

À parte o fato de ambos os livros terem sido escritos por escritoras inglesas, não existem obras mais diferentes do que F de falcão e Grey. Porém, lá pelas tantas, eu me deparo com o seguinte trecho em Grey:

E me lembro de Grace, minha mãe, fazendo cafuné em mim enquanto eu lia trechos de O único e eterno rei em voz alta.

“Christian, isso foi ótimo. Estou impressionada, querido.”

Eu tinha sete anos e havia começado a falar havia pouco tempo.

 Ora essa, Christian Grey também leu T. H. White! Que estranha coincidência me faz retornar ao livro que eu deixara de lado temporariamente. Coincidência em vários sentidos. Nunca li as obras de T. H. White e tampouco as vi mencionadas nos livros que traduzi ou nos muitos que li. Então, descubro que o livro que Christian Grey lia em criança, quando começou a falar, era justamente… O único e eterno rei.

Traduzi pouco mais de um terço de Grey. Por que exatamente aquele trecho ficou a meu cargo? Por que White apareceu nos dois livros que eu estava traduzindo? (Afinal, como Helen Macdonald diz, White não era um escritor “da moda”.) E por que eu estava trabalhando exatamente com esses dois livros exatamente na mesma época? E, mais uma vez, constatei como o ofício da tradução me traz tantas surpresas, tantos conhecimentos e tanto prazer.

Grey 1

 

Algumas pessoas acham que traduzir é transpor mecanicamente algo escrito em um idioma para algo semelhante escrito em outro idioma. Para mim, traduzir é como montar as peças de um quebra-cabeça, em que todas as partes devem se encaixar à perfeição, embora aqui e ali seja necessário fazer uma adaptação e dar um empurrãozinho para preencher o espaço adequado.

Certas vezes, porém, uma peça parece se encaixar em outro tabuleiro, diferente daquele que estamos montando. Nessas ocasiões, o tradutor é premiado com uma surpresa, um fato novo que faz com que ele mergulhe ainda mais no texto a ser traduzido.

Na verdade, pensando bem, percebi que White e Grey tinham mais em comum do que seus sobrenomes descoloridos e o fato de uma estranha sincronicidade unir esses dois homens, um real e outro ficcional, pelo menos nos dois quebra-cabeças que eu estava montando. Ambos eram homens com mentes até certo ponto conturbadas, vidas sexuais fora dos padrões das respectivas épocas e infâncias marcadas pela violência. O comportamento adulto de ambos se caracterizou, em parte, pela vontade de dominar e controlar um outro ser: no caso de White, a dominação de uma ave de rapina selvagem e quase indomesticável; no caso de Grey, a dominação das mulheres com as quais se relacionava. Ainda mais engraçado é o fato de que a palavra “capuz” (que é colocado no falcão para impedir-lhe a visão e acalmá-lo) vem da palavra árabe burqa (que Grey impunha metaforicamente às mulheres com as quais se relacionava, além de vendar-lhes os olhos durante seus jogos sexuais). Os dois homens partilhavam até mesmo a mania de entupir seus dominados (ave e mulher) de comida.

No meio dessas surpresas, nos damos conta de como participamos dos eventos e fatos e vidas mencionados nos textos originais, como se eles realmente dependessem de nós de alguma maneira. De modo geral, o leitor se envolve em um texto, mergulha dentro dele, e se sente uma parte integrante dos acontecimentos. O tradutor vai além, mergulha em um nível ainda mais profundo. Ele atravessa o universo do texto, e passa para o outro lado, tornando aquele universo um pouco dele também. Ao traduzirmos, não podemos desprezar ou ignorar nenhuma informação presente, seja ela implícita ou explícita. Não existe a possibilidade de deixar um lugar vago, um espaço em branco no meio do tabuleiro. Se existe uma dúvida de como preencher aquele espaço, temos que agir como se fôssemos o autor e procurar desfazê-la de todas as maneiras possíveis, pois absolutamente todas as palavras, expressões e frases são consideradas e transpostas para o texto-meta, ainda que nem sempre estejam lá necessariamente em formato físico.

O que muitas pessoas não imaginam é que cada obra original necessita de uma boa dose de pesquisa durante a tradução. Às vezes, uma palavra, seja o nome de uma ave, de uma planta, de um instrumento, pode exigir um tempo considerável para chegar à escolha perfeita – ou quase. Já houve ocasiões em que passei uma tarde inteira só para ter certeza de que o nome de uma determinada planta era mesmo aquela.

No caso de F de falcão, por exemplo, entrei de cabeça no mundo dos falcoeiros – colecionei sites e glossários, me correspondi com um falcoeiro, aprendi a diferenciar todos os objetos necessários para a falcoaria, descobri diversas e diferentes aves de rapina da Europa, onde se passa a ação do livro, e do Brasil. Pedi ajuda a um amigo geólogo para poder entender geologicamente a cultura das paisagens de giz na Grã-Bretanha, presentes em parte do texto.

Amigos especialistas, aliás, são bastante requisitados pelos tradutores, seja no caso de armamentos (como em Homeland: como tudo começou, de A. Kaplan), de física (como em Minha breve história, de Stephen Hawking) ou de radiotransmissão (como em Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr), por exemplo. Em Grey, havia pesquisas sobre contratos, brinquedos eróticos e partes de um helicóptero, entre outras. O tradutor tem que se certificar de que todas as informações constantes do texto original, sejam elas necessárias ou não para a ação principal da trama, também estejam presentes no texto traduzido.

Ainda assim, acho que o mais importante em uma tradução é entender a linguagem que permeia o livro a fim de transpô-la para o português. Já mencionei que F de falcão tem uma linguagem delicada – na verdade, bastante poética, em termos de vocabulário e imagens construídas. Grey, ao contrário, tem uma linguagem informal e cotidiana, com muitos diálogos e expressões populares. Já O regresso, de Michael Punke, por exemplo, que traduzi há algum tempo, e cuja ação se passa em regiões inóspitas do meio-oeste americano no século XIX, obviamente tem uma linguagem bem diferente daquela dos outros livros citados.

Em outras palavras, cada caso é um caso, cada livro é um livro, e todos fazem o tradutor conhecer mais, viver mais, participar mais. E todos transportam o tradutor para universos inusitados, cheios de surpresas.

*Maria Carmelita Dias decidiu ser tradutora na adolescência porque queria muito entender as letras dos Beatles. Formou-se em Tradução e Interpretação na PUC-Rio, onde lecionou e atuou como pesquisadora. Atualmente se dedica quase exclusivamente à tradução e já montou os quebra-cabeças de Cinquenta Tons de Liberdade, de E.L. James, e Estado de Graça, de Ann Patchett, entre outros.

testeA vida que passamos juntos

Por Ulisses Teixeira*

shutterstock_285652607

Eu tenho bastante sorte por ter três pais.

Deixe-me explicar melhor. Para falar a verdade, é bem simples. Provavelmente muitos tiveram a mesma experiência que eu, ou talvez uma similar. Minha mãe e meu pai se separaram quando eu era um bebê. Quase dois anos depois, minha mãe se casou novamente, e ela também teve a sorte de encontrar um cara legal e decente com quem é casada até hoje. Meu pai não encontrou tão cedo a sua outra “metade da laranja”, de forma que ninguém teve para mim um lugar de “mãe” — além da minha própria, é claro. O cara com quem minha mãe se casou me criou, me ensinou e me influenciou de maneiras que só um verdadeiro pai faria. É por isso que ele merece esse título. (E é por isso também que, neste texto, eu só vou me referir a ele como “pai”, nunca padrasto. Sei que isso pode ser um pouco confuso para alguns de vocês, e peço desculpas desde já.)

O que isso tudo tem a ver com F de falcão? Bem, Helen Macdonald, a autora dessa obra-prima (e, acreditem, não uso essa palavra de forma gratuita), não tem mais o pai. Ele faleceu após um enfarto, daqueles que acontecem sem mais nem menos, sem aviso, sem dar tempo para você se preparar para o pior. Isso, é claro, é o suficiente para deixar qualquer um devastado. Com a autora, não foi diferente. No período de depressão que se seguiu à morte do pai, Macdonald revela em detalhes o que perdeu enquanto não conseguia superar o luto: oportunidades profissionais, dinheiro e até mesmo um relacionamento. Para vencer a inércia emocional, Helen resolve voltar a explorar um antigo hobby que compartilhava com o pai: a falcoaria.

A falcoaria é a antiga arte de criar e treinar certas aves de rapina para a caça. Devido ao seu alto custo, era praticamente restrita aos nobres no mundo antigo e medieval. Apesar do nome, o esporte não lida apenas com falcões; podem ser usados também gaviões, corujas e açores. De fato, é este último que Macdonald escolhe para retomar a prática. Desnecessário dizer que criar um falcão não é como criar um cachorrinho; não basta colocar um jornal no canto da área de serviço e levar para passear duas vezes por dia. Não, criar um falcão é um desafio. E criar um açor é um desafio ainda maior. Um açor é uma ave de rapina de fato, um animal que pode chegar a ter sessenta centímetros, que habita a copa alta das árvores e que vê o mundo literalmente de cima. Um açor não obedece cegamente a ordens, e até mesmo a autora diz que, em determinados momentos, quando a ave decide permanecer em uma árvore, é o treinador que é obrigado a ficar esperando por ela pelas horas que forem necessárias. A falcoaria é, acima de tudo, um exercício de persistência e paciência.

De certa forma, vencer o luto é a mesma coisa.

capa_F de Falcao_frente_Tudo que Macdonald escreveu em F de falcão me encantou. Sou fascinado por falcoaria há muitos anos, apesar de nunca ter tido a oportunidade de praticá-la. Então, esse livro para mim foi um prazer — e mais uma vez digo que sou sortudo por ter tido a oportunidade de trabalhar nele. Porém, o que me marcou de forma mais profunda talvez tenha sido as descrições que ela faz do pai e de como sente a falta dele. Eu não sei o que é perder um pai, todos os meus três estão bem. No entanto, durante o final da minha adolescência e início da minha vida adulta, um dos meus pais teve câncer. Pela terceira vez. Foi um processo longo, difícil e doloroso, cujas consequências são sentidas até hoje. Eu tentei me manter forte, para dar apoio a ele e a todos que precisavam de ajuda. Eu me preparei mais de uma vez para ver meu pai morrer. Mas a verdade é que, no fundo, você nunca está preparado para isso. É impossível se preparar para viver sem alguém que você ama.

Eu poderia dizer que agora que estou nos meus trinta anos, entendo melhor meus sentimentos e concluir que eu não tinha maturidade para encarar aquela situação e responsabilidade tão cedo na vida. Mas eu estaria mentindo. Ainda sou completamente imaturo e tenho bastante dificuldade de processar tudo que passei. No entanto, vejo o meu pai, agora saudável, mas ainda tendo que viver com algumas consequências da doença, e penso nele como um verdadeiro herói. Vejo minha mãe, que aguentou o peso do mundo nas costas sem reclamar nem um pouco, e sonho em ser forte como ela um dia. E vejo a mim mesmo, uma bagunça completa de sentimentos, tentando lidar com tudo isso até hoje.

Se você perguntar a qualquer um que me conheça, seja por alguns minutos, seja por uma vida inteira, essa pessoa vai dizer: o Ulisses é um imbecil. E ela tem razão. Eu tento a todo custo não demonstrar sentimentos. Contudo, Helen Macdonald me mostrou que a confusão que sinto é normal. Ela me mostrou que eu posso ser vulnerável. Que o luto é um processo difícil, mas que também é possível se recuperar dele. E que, quando o inevitável acontecer a um ente querido, nós sempre teremos a vida que passamos juntos.

Ulisses Teixeira, eleito por sete anos seguidos “o sorriso mais bonito do Méier”, abandonou cedo demais a carreira de modelo para se dedicar ao mercado editorial.

P.S.: No intuito de homenagear a rainha Xuxa, Ulisses Teixeira sugeriu o título A de açor, B de baixinho para o livro de Helen Macdonald. Após uma resposta violenta da equipe, Ulisses se recupera bem.

testeA arte de perder

Por Roberto Jannarelli*

Bosque_FdeFalcao

A arte de perder não é nenhum mistério.1 Não tenho certeza de quando nem como esse verso de Elisabeth Bishop chegou a mim, mas chuto que já faça mais de uma década que o ouvi/li pela primeira vez. É possível que o tenha lido em algum canto de biblioteca, ouvido em algum filme, ou até mesmo o tenha conhecido por alguma namoradinha imaginária no final da minha adolescência. Nem com muito esforço consigo ter certeza, mas podemos ficar com a terceira hipótese se ela soar melhor para o leitor — o cliente tem sempre razão. Eu me lembro com muita segurança de que o verso me intrigou porque, bem, para mim era bastante claro que a arte de perder não era exatamente fácil de lidar.

Não pensava nisso por uns bons anos, até que recebi a incumbência de trabalhar em F de falcão, uma grande aposta de não ficção da editora. Vencedor de prêmios. Best-seller do New York Times. Escolhido livro do ano por não-sei-quantos-mas-muitos prestigiados veículos estrangeiros. Em suma: coisa muito importante.

Como falei em um texto anterior aqui no blog, a gente tem o costume de pesquisar sobre os livros estrangeiros no início do processo de preparação do texto. Ler críticas, resenhas, essas coisas. Isso ajuda a entrar no clima, a entender alguns detalhes das histórias e a conhecer a linguagem do autor. Em F de falcão, porém, as sinopses apontavam para: Livro de memórias de professora universitária que perde o pai, entra em depressão e resolve praticar a falcoaria para superar a melancolia do luto. E mais: desafia todos os gêneros, um tratado de história natural com uma história de desenvolvimento pessoal, uma linguagem descritiva sem paralelos na literatura moderna.

(Quero ver falar que não tem mistério agora, Sra. Bishop.)

capa_F de Falcao_frente_Passado o momento de hesitação, confirmei que o livro era de fato muito interessante. Helen Macdonald, a autora, divide com o leitor o luto pela morte do pai — sua pessoa preferida no mundo — e mostra que o caminho para superação nem sempre é o que parece mais fácil. Ou mais simples. Mas se você estiver ao lado de um açor (o mais feroz dentre os falcões), certamente será o mais autêntico. Pode ser um pouco clichê, mas não é exagero dizer que nunca li um livro nem sequer parecido com F de falcão. É de fato uma história única.

Certa vez me perguntaram por que então eu achava que o livro tinha feito tanto sucesso (de crítica e vendas) no exterior, e minha resposta saiu meio de supetão: Porque as pessoas, assim como se identificam com histórias de amor, também se identificam com histórias de dor. Do mesmo jeito que quase todo mundo já amou alguém, quase todo mundo já perdeu alguém. Não sei se essa é uma relação de causa e efeito simples assim, mas acho que faz algum sentido.

Mas a autora tem grande mérito em fazer com que os leitores se identifiquem com uma história tão peculiar — convenhamos que não é fácil fazer isso em um contexto de falcoaria. A linguagem simbólica com que ela conta tudo é importante, porque permite que façamos nós mesmos as nossas comparações.

Além da linguagem cheia de beleza, metáforas e muita sensibilidade, o livro tem muitas outras virtudes. Talvez não seja proposital, mas Helen conta tudo com um certo cinismo que me cativou. Por exemplo: em um dado momento, ela conta que saiu para jantar com uma amiga logo depois de receber a notícia da morte do pai. Superando a reação de “dane-se a reserva do restaurante, volte para a Inglaterra agora!”, o modo como ela conta esse primeiro momento de uma refeição sabendo que o pai não está mais vivo é muito curioso. Ela passa uma sensação de “ok, vamos racionalizar, eu não posso fretar um voo agora e, bem, mesmo que ele tenha morrido eu ainda preciso me alimentar”.

Autora e leitores sabem que isso não vai acontecer, mas ela sabe que precisa tentar. É então que, tentando ajudar, a amiga aproveita um momento em que Helen se ausenta para ir ao banheiro e pede uma bela sobremesa de chocolate. Helen agradece, olha para aquele doce lindo, mas divide com o leitor seu pensamento de que “meu pai morreu, não é uma sobremesa de chocolate que vai me fazer feliz”. Ela agradece, retribui o carinho, mas o leitor consegue sentir sua angústia por não ter a capacidade de compreender a real amplitude da sua dor, mas sabe que uma sobremesa não resolve o problema.

Outro momento em que esse cinismo se mostra acontece quando uma espécie de DETRAN entra em contato com ela para cobrar uma multa, porque o pai de Helen havia deixado o carro em um local de difícil acesso e não voltou para buscá-lo. O carro foi rebocado, e, como o dono não fora ao depósito para retirá-lo, Helen precisou explicar, com certa dose de ironia, que o proprietário do carro havia morrido e que “não era intenção dele deixar o carro lá, ele só tinha morrido, mas realmente não tinha a intenção de deixar o carro lá”. E ainda foi preciso procurar o atestado de óbito para contestar a multa. Eu não sei se o cinismo é a forma mais saudável de lidar com o luto, mas tenho certeza de que eu não teria forças para lidar com uma situação dessas assim. Por esses e outros motivos, admiro muito a força que Helen mostra no livro.

Assim, se eu tivesse que resumir F de falcão em uma frase simples, diria que é a história de superação de uma mulher muito forte. Nesse ponto podemos dizer que é um livro bastante contemporâneo, ainda que de fato bastante inusitado.

Não sei se, ao final da história, Helen Macdonald concordaria com Elisabeth Bishop, mas acho que ambos, poema e livro de memória, são exemplos de como a literatura pode se mostrar como um ímpeto de superação — e depois de ler F de falcão a arte de perder fica bem menos difícil de lidar.

>> Leia um trecho de F de falcão

 

Roberto Jannarelli é editor-assistente de livros estrangeiros da Intrínseca. Nunca teve vontade de treinar falcões, mas já desviou de vários pombos no centro do Rio de Janeiro.

1 Do poema “One art”, de Elisabeth Bishop. Tradução de Paulo Henriques Britto.

testeLançamentos de junho

EstanteIntrinsecaMar16_DestaquesBlog

 

Confira sinopses e trechos dos livros que publicaremos neste mês:

EstanteIntrinseca_Maio16_BLOG_Pa¦üginasInternas9

Loney, de Andrew Michael Hurley – Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era jovem e visitou o lugar. Com personagens ricos e idiossincráticos, um cenário sombrio e a sensação de ameaça constante, Loney é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público. Uma história de suspense e horror gótico, ricamente inspirada na criação católica do autor, no folclore e na agressiva paisagem do noroeste inglês. [Leia +]

EstanteIntrinseca_Maio16_BLOG_Pa¦üginasInternas

A ditadura acabada, de Elio Gaspari – A mais aclamada obra sobre o regime militar no Brasil chega à conclusão com o livro A ditadura acabada. No quinto volume da Coleção Ditadura, o jornalista Elio Gaspari examina com riqueza de detalhes o período de 1978 a 1985, desde o final do governo do presidente Ernesto Geisel e a posse de seu sucessor, o general João Baptista Figueiredo, até a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral.

EstanteIntrinseca_Maio16_BLOG_Pa¦üginasInternas2

A publicação de A ditadura acabada é a conclusão da obra definitiva sobre um dos períodos mais turbulentos da história do Brasil, resultado de uma extensa pesquisa e do acesso a uma documentação até então inédita. Os cinco volumes da Coleção Ditadura foram reunidos em um luxuoso box, também disponível em versão digital. [Leia +]

EstanteIntrinseca_Maio16_BLOG_Pa¦üginasInternas4

F de falcão, de Helen Macdonald – Best-seller do The New York Times, F de falcão é um livro de memórias nada usual que narra a história de Helen Macdonald a partir do momento em que viaja até a Escócia para comprar um falcão. Devastada por uma forte depressão após a morte de seu pai, Helen se encontra em um abismo e nada mais faz sentido em sua vida. Porém, ao praticar a falcoaria com Mabel, sua nova ave de rapina, e ler os diários de T. H. White, clássico autor da literatura inglesa, ela começa a entender que o luto é um estado que não pode ser evitado, mas que pode ser superado — inclusive com a ajuda de um inusitado açor.

A premiada escritora britânica participará da Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 29 de junho a 3 de julho. Saiba mais

EstanteIntrinseca_Maio16_BLOG_Pa¦üginasInternas5

Liderança, de Alex Ferguson e Michael Moritz – O que é necessário para levar uma equipe ao máximo de sucesso e mantê-la no topo por um bom tempo? Sir Alex Ferguson é um dos poucos líderes que sabem de fato a resposta a essa pergunta. Nos 38 anos em que atuou como técnico de futebol, ele alcançou a impressionante marca de 49 troféus e fez do Manchester United uma das maiores marcas do mundo. Nesse livro franco e inspirador, ele revela os segredos por trás de sua carreira repleta de recordes. [Leia +]

EstanteIntrinseca_Maio16_BLOG_Pa¦üginasInternas3

Gentil como a gente, de Fernanda Gentil – Com leveza e humor, Fernanda Gentil conta uma história de amores vivida por uma família singular e ao mesmo tempo igual à de todo mundo. Mocinha (ou Fernanda?) briga e, com a frequência de eclipses lunares, pede desculpas. Quando quer, sabe ser fofa. E mostra-se craque em entender as diferenças entre o feminino e o masculino, mata no peito, sai de impedimento, bota para escanteio e bate um bolão. Porque o que Fernanda mais quer é fazer e ser feliz. Sem firulas. Gentil. Como a gente. [Leia +]

EstanteIntrinseca_Maio16_BLOG_Pa¦üginasInternas6

Lugar Nenhum, de Neil Gaiman – Publicado pela primeira vez em 1997, a partir do roteiro para uma série de TV, o sombrio e hipnótico Lugar Nenhum, primeiro romance de Neil Gaiman, anunciou a chegada de um grande nome da literatura contemporânea e se tornou um marco da fantasia urbana. Ao longo dos anos, diferentes versões foram publicadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, e Neil Gaiman elaborou, a partir desse material, um texto que viesse a ser definitivo: esta Edição Preferida do autor inclui um texto de introdução assinado por Gaiman, uma cena cortada e um conto exclusivo. [Leia +]

EstanteIntrinseca_Maio16_BLOG_Pa¦üginasInternas7

No reino do gelo, de Hampton Sides – No final do século XIX, o mundo era bem diferente de como o conhecemos hoje. Os Estados Unidos eram um jovem país em acelerado crescimento após a Guerra Civil, invenções tecnológicas apareciam a todo momento e muitas partes do globo ainda continuavam completamente inexploradas. Entre elas estava o Polo Norte. No reino do gelo conta a fascinante história de heroísmo e determinação do navegador George De Long e da tripulação do navio americano USS Jeannette na conquista de um dos locais mais implacáveis do planeta. [Leia +]

EstanteIntrinseca_Maio16_BLOG_Pa¦üginasInternas8

Welcome to Night Vale, de Joseph Fink e Jeffrey Cranor – O podcast Welcome to Night Vale conta as histórias da cidade de Night Vale, uma amistosa comunidade no meio do deserto onde todas as teorias da conspiração são reais. No formato de um programa de rádio, Cecil Palmer, locutor da rádio comunitária, informa a todos as pequenas estranhezas da pacata cidadezinha — onde fantasmas, anjos, alienígenas e agências governamentais misteriosas e ameaçadoras fazem parte do cotidiano dos cidadãos. Desta vez, a chegada de um homem de paletó bege faz com que as vidas de duas mulheres, cada uma com seu mistério, vire de cabeça para baixo. [Leia +]

EstanteIntrinseca_Maio16_BLOG_Pa¦üginasInternas10

A outra história, de Tatiana de Rosnay – Aos vinte e quatro anos, Nicolas Duhamel se depara com um segredo perturbador, há décadas mantido a sete chaves por sua família. Perplexo, ele parte em uma cruzada na busca por suas verdadeiras origens, uma empreitada que o inspira a escrever seu primeiro romance, O envelope. Após três anos do inesperado e estrondoso sucesso mundial do livro, Nicolas é um autor vaidoso, com muitos fãs. Contudo, não consegue mais escrever nem uma linha sequer. Hospedado em um luxuoso resort na Toscana, ele tenta vencer o bloqueio criativo, mas o que Nicolas encontra lá poderá colocar em jogo todo o seu futuro. [Leia +]

testePremiada escritora britânica Helen Macdonald na Flip 2016

cartaz_flip_2016

Cartaz animado da Flip 2016 criado pelo ilustrador Jeff Fisher

A Festa Literária Internacional de Paraty acaba de anunciar a programação completa de sua 14ª edição, que acontece entre os dias 29 de junho a 3 de julho. A premiada escritora britânica Helen Macdonald, autora de F de falcão, participará da mesa “O falcão e a fênix”, ao lado de Maria Esther Maciel, no sábado, 2, às 17h30.  Os ingressos para o evento serão vendidos a partir de 3 de junho, às 12h, no site Tickets for Fun. Confira a programação completa.

Após a súbita perda do pai, vítima de um ataque cardíaco em 2007, a escritora, poeta, ilustradora e historiadora Helen Macdonald decide se reaproximar de uma antiga paixão: a falcoaria. A partir da delicada relação com um açor, ave de rapina das mais selvagens, a autora reflete de maneira original sobre amor e luto em F de Falcão, livro que recebeu alguns dos mais prestigiosos prêmios literários de 2014. Vencedora do Samuel Johnson Prize e do Costa Book Awards de 2014, a obra foi finalista do National Book Critics Circle Award e chega ao Brasil em junho, publicada pela Intrínseca.

capa_F de Falcao_frente_

testePremiada escritora britânica Helen Macdonald é presença confirmada na Flip

helen_Marzena Pogorzaly_blog

Após a súbita perda do pai, vítima de um ataque cardíaco em 2007, a escritora, poeta, ilustradora e historiadora Helen Macdonald decide se reaproximar de uma antiga paixão: a falcoaria. A partir da delicada relação com um açor, ave de rapina das mais selvagens, a autora reflete de maneira original sobre amor e luto em F de Falcão, livro que recebeu alguns dos mais prestigiosos prêmios literários de 2014. Vencedora do Samuel Johnson Prize e do Costa Book Awards de 2014, a obra foi finalista do National Book Critics Circle Award e chega ao Brasil em maio, publicada pela Intrínseca.

No final de junho, a autora britânica virá ao Brasil como convidada da Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 29 e 3 de julho. Macdonald, que atua pesquisadora afiliada ao Departamento de História e Filosofia da Ciência da Universidade de Cambridge, também é autora de Falcon, uma importante obra sobre a história cultural dos falcões, e de três coletâneas de poesia.

capa_F de Falcao_frente_