testeSeis livros para quem curte romances históricos

A humanidade já passou por duas guerras devastadoras, diversas revoluções, conflitos locais e uma disputa entre dois blocos socioeconômicos. Todos esses acontecimentos em escala global são passados de geração em geração e relatados em incontáveis livros, filmes e séries. Mas, tão impactantes quanto estas histórias, são as narrativas das pessoas comuns que as viveram.

Pensem no Titanic. Um dos maiores navios já construídos naufraga e resulta na morte de milhares de inocentes. Mas foi o romance fictício entre Jack e Rose que chamou atenção para esse terrível incidente e emocionou milhões de corações. O mesmo pode ser dito dos clássicos A lista de Schindler e O resgate do soldado Ryan. Tais experiências podem até ser menos conhecidas, mas são igualmente grandiosas em seus detalhes e nuances, justamente por transportar o leitor para determinada época e local.

Listamos alguns livros que têm como cenário esses períodos históricos para criar tramas inesquecíveis. Confira!

Mulheres sem nome

Cenário: Segunda Guerra Mundial
Local: Alemanha, Estados Unidos e Polônia

Recém-lançado, o romance de estreia de Martha Hall Kelly dá voz a três protagonistas femininas em diferentes lugares do mundo enquanto eclodia a Segunda Guerra. A socialite Caroline Ferraday está em Nova York quando Hitler invade a Polônia, em 1939, enquanto a jovem Kasia Kuzmerick se envolve cada vez mais com o movimento de resistência polonês. Levada ao campo de concentração feminino de Ravensbrück, Kasia conhece a médica alemã Herta Oberheuser, responsável por exercer uma medicina terrivelmente controversa nas prisioneiras.

Uma história que atravessa continentes enquanto Caroline e Kasia persistem no sonho de tornar o mundo um lugar melhor, Mulheres sem nome é um livro que aborda a visão das mulheres de uma guerra cujo protagonismo historicamente é masculino. Conheça mais!

 

Um cavalheiro em Moscou

Cenário: Pós-Revolução Russa
Local: Moscou/União Soviética

O autor Amor Towles se inspirou na Rússia dos anos 1920 (na época, União Soviética) para criar a história de Aleksandr Ilitch Rostov, nobre acusado de escrever uma poesia contra os ideais da Revolução Russa. Conhecido como “O Conde”, ele é condenado à prisão domiciliar no sótão do hotel Metropol, lugar de luxo e sofisticação frequentado por artistas, bons-vivants e pela antiga aristocracia de Moscou.

Com sua perspectiva única de prisioneiro de duas realidades distintas, o Conde apresenta ao leitor sua sabedoria e sensibilidade ao abandonar certos hábitos e se abrir para as incertezas de novos tempos que, mesmo com a capacidade de transformar a vida como era conhecida, nunca conseguirão acabar com a nobreza de um verdadeiro cavalheiro.

 

A garota que você deixou para trás

Cenário: Primeira Guerra Mundial
Local: França e Inglaterra

Duas mulheres separadas por um século e unidas pela arte. Na França, durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por ele. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo, inclusive sua vida, na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra.

Na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa, onde destaca-se um retrato de uma bela jovem – presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Misturando ficção com realidade, romances de diferentes épocas e a busca por finais felizes, A garota que você deixou para trás é um dos primeiros sucessos de Jojo Moyes. Conheça mais!

 

Toda luz que não podemos ver

Cenário: Segunda Guerra Mundial
Local: França e Alemanha

Vencedor do Pulitzer, o autor Anthony Doerr constrói em Toda luz que não podemos ver um tocante romance sobre o que há além do mundo visível em meio aos horrores da guerra.

Aos seis anos de idade, a jovem Marie-Laure fica cega. Ela vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável. Para ajudá-la, ele constrói uma maquete em miniatura do bairro para que Marie seja capaz de memorizar os caminhos. Quando os nazistas ocupam Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo um dos mais valiosos tesouros do museu.

Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram no lixo. Com a prática, ele acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, em uma missão especial. Cada vez mais consciente das terríveis consequências de seu trabalho, o rapaz é enviado para Saint-Malo. Lá, seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial. Conheça aqui!

 

A menina que roubava livros

Cenário: O nazismo na Segunda Guerra
Local: Alemanha

Esse livro que dispensa apresentações conta a história da pequena Liesel em meio a uma Alemanha assolada pelo nazismo durante a Segunda Guerra. A jovem é adotada por um casal que vive em um bairro alemão pobre: a mãe, dona de casa e o pai, um pintor de paredes bonachão. Para contornar o medo e a solidão, ela aprender a ler e escrever com o pai e canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.

Enquanto eles tentam sobreviver a um cenário nacional conturbado, Liesel assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança, faz amizade com um menino obrigado a integrar a Juventude Hitlerista e ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar o seu lado da História. Conheça aqui!

 

Breve história de sete assassinatos

Cenário: A Jamaica de 1970 a 1990
Local: Jamaica

Em 3 de dezembro de 1976, às vésperas das eleições na Jamaica e dois dias antes de Bob Marley realizar o show Smile Jamaica para aliviar as tensões políticas em Kingston, sete homens não identificados invadiram a casa do cantor com metralhadoras em punho. O ataque feriu Marley, a esposa e o empresário, entre várias outras pessoas. Poucas informações oficiais foram divulgadas sobre os atiradores. No entanto, muitos boatos circularam a respeito do destino deles.

Breve história de sete assassinatos é uma obra de ficção que explora esse período instável na história da Jamaica e vai muito além. Marlon James cria com magistralidade personagens que andaram pelas ruas de Kingston nos anos 1970, dominaram o submundo das drogas de Nova York na década de 1980 e ressurgiram em uma Jamaica radicalmente transformada nos anos 1990. Um romance épico, brilhante e arrebatador, vencedor do Man Booker Prize de 2015. Conheça aqui!

testeComo a história real de uma mulher esquecida pelo tempo inspirou Mulheres sem nome

É difícil definir de onde vem a inspiração para novas histórias, mas Martha Hall Kelly consegue se lembrar exatamente do momento em que leu uma reportagem sobre Caroline Ferriday, uma ex-atriz da Broadway e socialite americana que trabalhava no Consulado da França em Nova York no ano em que o exército de Hitler invadiu a Polônia, 1939.

A história sobre Caroline era até então desconhecida para Martha. Na matéria, as fotos da bela casa com jardim onde a socialite havia morado despertaram sua curiosidade. Mas isso era apenas um pequeno detalhe que levaria a escritora a conhecer melhor a vida dessa mulher que lutou tanto em um dos períodos mais tristes da história.

Anos depois, Martha não conseguia esquecer o que havia lido e decidiu conhecer a casa de Caroline pessoalmente. Durante o tour pelo local, a autora descobriu que Caroline foi uma das responsáveis por denunciar os horrores cometidos em Ravensbrück, campo de concentração exclusivamente feminino localizado no norte de Berlim, durante a Segunda Guerra Mundial.

E foi assim, com um simples passeio, que surgiu a ideia de escrever Mulheres sem nome. Durante dez anos, enquanto ainda trabalhava como publicitária, a autora viajou pelos Estados Unidos e por várias cidades da Europa para entender melhor o que se passou em Ravensbrück. O objetivo de Martha era escrever um relato fictício, mas costurado por fatos históricos, sobre três mulheres muito diferentes que merecem ser lembradas.

Em Mulheres sem nome, Martha constrói um romance baseado em duas protagonistas que existiram de verdade — Caroline Ferriday e Herta Oberheuser — e em Kasia, livremente inspirada nos relatos das sobreviventes de Ravensbrück.  

Caroline Ferriday

A autora entrelaça as trajetórias dessas três personagens femininas fortes com os fatos da Segunda Guerra Mundial. No livro, Caroline Ferriday trabalha como voluntária no Consulado da França, quando, depois de invadir a Polônia, o exército de Hitler ameaça invadir a França, país do homem no qual Caroline está interessada.

Herta Oberheuser

Enquanto isso, a jovem polonesa Kasia Kuzmerick vê sua infância perdida quando é enviada para o campo de concentração de Ravensbrück. E é em Ravensbrück que a ambiciosa Herta Oberheuser encontra a oportunidade de trabalhar como médica- cirurgiã a serviço da Alemanha nazista e faz experiências terríveis com mulheres e crianças.

Com uma narrativa que atravessa várias décadas, lugares e histórias, Martha Hall Kelly escreve um romance capaz de mostrar o poder destrutivo da guerra na vida de todos que a viveram e dar voz a mulheres que foram esquecidas pelo tempo.

testeLançamentos de outubro

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Confira as sinopses e trechos dos livros que publicaremos neste mês:

O martelo de Thor, de Rick Riordan: No segundo livro da série Magnus Chase e os deuses de Asgard, o filho do deus Frey descobrirá que casamentos arranjados ainda não saíram de moda: para recuperar o martelo de Thor, que está nas mãos dos inimigos, Loki, o deus da trapaça, propõe uma aliança entre semideuses e gigantes. [Leia +] [Leia um trecho]

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Deuses americanos, de Neil Gaiman: Deuses americanos é, acima de tudo, um livro estranho. E foi essa estranheza que tornou o romance, publicado pela primeira vez em 2001, um clássico imediato. Nesta nova edição, preferida do autor, o leitor encontrará capítulos revistos e ampliados, artigos, uma entrevista com Gaiman e um inspirado texto de introdução. [Leia +] [Leia um trecho]

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A filha perdida, de Elena Ferrante: Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de Leda, uma professora universitária de meia-idade que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide passar férias no litoral sul da Itália. [Leia +] [Leia um trecho]

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Uma noite na praia, de Elena Ferrante: Após ganhar um gatinho de presente do pai, a pequena Mati fica tão fascinada que acaba esquecendo na praia a sua melhor amiga: a boneca Celina. Deixada para trás na areia deserta e sem saber como voltar para casa, Celina vai enfrentar uma noite interminável, cheia de sustos e surpresas, além da companhia indesejada de um salva-vidas cruel e seu terrível ancinho. [Leia +]

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A garota com a tribal nas costas, de Amy Schumer: A atriz, roteirista, comediante vencedora do Emmy e estrela de um filme indicado ao Globo de Ouro Amy Schumer expõe seu passado em histórias sobre a adolescência, a família, relacionamentos e sexo, e divide as experiências que a tornaram quem ela é – uma mulher com a coragem de desnudar a própria alma e se colocar diante do que acredita, tudo isso enquanto faz as pessoas rirem. [Leia +] [Leia também: O que você precisa saber sobre Amy Schumer]

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O hotel na Place Vendôme, de Tilar J. Mazzeo: Em O hotel na Place Vendôme, Tilar Mazzeo investiga a história do Hôtel Ritz, marco cultural desde a sua inauguração na Paris de fin de siècle até a era moderna. Além disso, faz uma crônica extraordinária da vida no Ritz durante a Segunda Guerra Mundial, quando o hotel serviu ao mesmo tempo de quartel-general dos mais graduados oficiais alemães e de lar dos milionários que permaneceram na cidade. [Leia +]

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Como matar a borboleta-azul: Uma crônica da era Dilma, de Monica Baumgarten de Bolle: Conta-se que, na década de 1970, atormentados por uma superpopulação de coelhos, os ingleses adotaram uma política tão bem-intencionada quanto equivocada, que culminou com a extinção da borboleta-azul no sul do país. O triste fim da bela borboleta é a metáfora escolhida pela economista Monica Baumgarten de Bolle para descrever a desconstrução do Brasil durante os anos de Dilma Rousseff (2011-2016) à frente da nação. [Leia +] [Leia também: Por que Borboleta-azul?]

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O guia essencial do vinho: Wine Folly, de Madeline Puckette e Justin Hammack: Com explicações claras e acessíveis, O guia essencial do vinho: Wine Folly reúne informações imprescindíveis sobre as uvas mais cultivadas do planeta, apresenta as características de cada uma – afinal, qual é a diferença entre Cabernet Sauvignon e Pinot Noir? –, ensina sobre harmonização com alimentos e até mesmo a degustar e a servir a bebida. Tudo isso com um projeto gráfico inteligente e intuitivo que é um verdadeiro convite a uma taça. [Leia +]

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Tony e Susan, de Austin Wright: Há vinte e cinco anos, Susan Morrow deixou Edward Sheffield, seu primeiro marido. Certo dia, ela recebe um embrulho que contém o manuscrito do primeiro romance de Edward, que pede que ela o leia. Susan se vê às voltas com seu passado, obrigada a encarar a própria escuridão e a dar um nome para o medo que corrói seu futuro e que vai mudar sua vida. O livro será adaptado para os cinemas em Animais Noturnos. [Leia +][Leia um trecho]

Sully – o herói do rio Hudson, de Chesley B. “Sully” Sullenberger com Jeffrey Zaslow: Em 15 de janeiro de 2009, o comandante Sullenberger habilidosamente deslizou um Airbus sobre o rio Hudson, em Manhattan, após perder os dois motores da aeronave, salvando todas as 155 vidas a bordo. O incidente inspirou o comandante a contar a própria história: uma trajetória de dedicação, esperança e prontidão, que revela as importantes lições aprendidas por ele na infância, durante o serviço militar e depois, trabalhando como piloto da aviação civil.

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testeComo um caramujo

Por Vanessa Corrêa* 

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Resolver um quebra-cabeça sem conseguir enxergar as peças parece uma tarefa impossível? Não para Marie-Laure LeBlanc, que perdeu completamente a visão aos seis anos e se acostumou a ser desafiada pelos intrincados mecanismos que seu pai construía em peças de madeira.

No mundo de Marie-Laure as distâncias são calculadas em passos e os caminhos são memorizados por meio de esquinas, bueiros, ralos nas calçadas e cruzamentos de ruas. É assim que a menina aprende a voltar para casa após passar mais um dia entre os corredores do Museu Nacional de História Natural de Paris, onde seu pai trabalha. E é assim também que ela vencerá a distância entre a Rue Vauborel até a padaria de Saint-Malo, quando o caos da Segunda Guerra tornar necessária sua ajuda para a resistência francesa.

As ruas e os edifícios de Paris que não podem ser vistos pelos olhos de Marie-Laure são reconhecidos por seus dedos em uma detalhada maquete de madeira construída por seu pai. É também por meio das pontas dos dedos que a menina absorve as histórias de Júlio Verne nos livros que ganha de presente. Tendo como únicos amigos o pai e os funcionários do museu, ela encontra no capitão Nemo e no professor Aronnax, do livro 20 mil léguas submarinas, novos companheiros, que despertam sua paixão pelos mistérios das criaturas marinhas.

É no mar que Marie-Laure acaba encontrando consolo após ter sua vida virada de cabeça para baixo pela guerra. Fugindo da ocupação nazista em Paris, ela acaba se refugiando com o pai na pequena cidade de Saint-Malo, no norte da França, e em poucos meses perde todas as referências de sua antiga existência, até restarem somente lembranças e tristezas.

Ajudada pela corajosa governanta Madame Manec, a garota encontra forças no contato com a areia, com conchas, moluscos, algas e as águas geladas do oceano Atlântico. Marie-Laure sonha em ser um caramujo. Mas a menina não quer viver encolhida e escondida de todos. O que ela quer, e o que inveja no caramujo com sua concha, é um refúgio, onde possa estar protegida dos horrores que já enfrentou e dos que ainda estão por vir.

>> Leia um trecho de Toda luz que não podemos ver

 

Vanessa Corrêa é jornalista, já trabalhou na Folha de S.Paulo e no portal UOL e é apaixonada por livros, cinema e fotografia.

teste10 livros para o Dia das Mães

Confira nossas sugestões de presentes:

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Como eu era antes de você, de Jojo Moyes Lou Clark, uma jovem cheia de vida e espontaneidade, perde o emprego e é obrigada a repensar toda sua vida. Will Traynor sabe que o acidente com a motocicleta tirou dele a vontade de viver. O que Will não sabe é que a chegada de Lou vai trazer de volta a cor à sua vida. E nenhum deles desconfia de que esse encontro irá mudar para sempre a história dos dois.

Depois de emocionar milhares de leitores no mundo todo, o irresistível romance de Jojo Moyes chega aos cinemas em 16 de junho com roteiro adaptado pela própria autora e estrelado por Emilia Clarke (Game of Thrones) e Sam Claflin (Jogos Vorazes). [Leia +] 

Leia também:  Assista ao trailer e confira a trilha sonora do filme
Conheça a nova capa do livro inspirada no cartaz do filme

Alucinadamente feliz: Um livro engraçado sobre coisas horríveis, de Jenny Lawson  Longe de ser uma pessoa comum, Jenny Lawson se considera uma colecionadora de transtornos mentais: depressão altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.

Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e resolve revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para se levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. [Leia +]

Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr —  Marie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o curioso órfão Werner se encanta pelo rádio.

Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível. [Leia +]

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Eu sou o Peregrino, de Terry Hayes  Uma mulher é brutalmente assassinada em um hotel decadente de Manhattan, seus traços dissolvidos em ácido. Um pai é decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita. Na Síria, um especialista em biotecnologia tem os olhos arrancados ainda vivo. Restos humanos ardem em brasas na cordilheira Hindu Kush, no Afeganistão. Uma conspiração perfeita, arquitetada para cometer um crime terrível contra a humanidade, e apenas uma pessoa é capaz de descobrir o ponto exato em que todas essas histórias se cruzam.

Romance de estreia do renomado roteirista britânico Terry Hayes (Mad Max 2 e Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão), Eu sou o Peregrino é uma narrativa ágil, com ritmo alucinante, cujos personagens são construídos de forma primorosa em toda a sua complexidade psicológica. Uma jornada épica e imprevisível contra um inimigo implacável. [Leia +]

É isso que eu faço: Uma vida de amor e guerra, de Lynsey Addario — Após os atentados de 11 de Setembro, a fotojornalista Lynsey Addario foi chamada para cobrir a invasão americana ao Afeganistão. Nesse momento, ela fez uma escolha que se repetiria muitas vezes depois: abrir mão do conforto e da previsibilidade a fim de correr o mundo confrontando com sua câmera as mais duras verdades.

As imagens captadas pelas lentes de Lynsey parecem buscar sempre um propósito maior. No livro, ela retrata os afegãos antes e depois do regime talibã, os cidadãos vitimados pela guerra e os insurgentes no Iraque, expõe a cultura de violência contra a mulher no Congo e narra a ocasião do próprio sequestro, orquestrado pelas forças pró-Kadafi durante a guerra civil na Líbia. [Leia +]

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O amor segundo Buenos Aires, de Fernando Scheller Com largas avenidas, cafés em estilo europeu e bairros charmosamente decadentes, Buenos Aires é o lugar perfeito para histórias de amor inesquecíveis. A capital argentina é cenário e, ao mesmo tempo, personagem do primeiro romance de Fernando Scheller, repórter do jornal O Estado de S. Paulo.

É por amor que Hugo deixa o Brasil rumo à capital argentina. Embora o relacionamento com Leonor não sobreviva, seu fascínio pela cidade resiste à dor da separação e à descoberta de que sofre de uma grave doença. Hugo cria laços com o arquiteto Eduardo e com a comissária de bordo Carolina, que evidenciam o poder regenerador das amizades verdadeiras. Ele se reaproxima de seu pai, Pedro, que troca a rotina de um casamento desgastado por uma vida em que é possível encontrar profundos afetos. [Leia +] Leia também: Colunas de Fernando Scheller publicadas no blog

Uma pergunta por diaTodos os dias criamos uma imensa quantidade de registros em celulares, redes sociais e aplicativos. No entanto, quase nunca temos o hábito de retornar a eles. Às vezes podem parecer só besteiras, mas quantos desses relatos não mostrariam nosso crescimento e nossas mudanças em todos esses anos?

Uma pergunta por dia convida a registrar suas respostas a uma variedade de questões, das mais simples às mais complicadas, como “Para onde você quer fazer sua próxima viagem?” ou “Escreva a primeira linha da sua autobiografia”. Em cada página há espaço para cinco respostas, uma por ano, ao longo de cinco anos. Com o passar do tempo, quando voltar a um dia já anotado, o dono do diário encontrará seus pensamentos anteriores, num exercício divertido e construtivo de recordar e refletir. [Leia +]

Operação Impensável, de Vanessa Barbara — Neste romance, vencedor do Prêmio Paraná de Literatura em 2014, Vanessa Barbara acompanha os cinco anos de relacionamento entre Lia e o programador Tito, um amor pontuado por e-mails espirituosos, vocabulário próprio, muitas sessões de cinema e longas e disputadas partidas de jogos de tabuleiro. Com toques de humor ácido, ela desvenda a lenta desintegração de um casamento. O afeto e a cumplicidade dão lugar à desconfiança, a um clima de tensão e de ameaças implícitas. Como na Guerra Fria, objeto de pesquisa da dissertação de mestrado de Lia, não há um confronto bélico declarado, embora algo sempre pareça prestes a explodir. [Leia +] Leia também: Colunas de Vanessa Barbara publicadas no blog

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A sexta extinção, de Elizabeth Kolbert — Ao longo dos últimos quinhentos milhões de anos, o mundo passou por cinco extinções em massa. Hoje, a sexta extinção vem sendo monitorada, e a causa não é um asteroide ou algo similar, e sim a própria raça humana. Vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015, A sexta extinção explica de que maneira o ser humano tem alterado a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie fez até hoje. Para isso, Kolbert apresenta trabalhos de dezenas de cientistas em diversas áreas e viaja aos lugares mais remotos em busca de respostas. [Leia +]

Miniaturista, de Jessie Burton — Após um casamento arranjado com um ilustre comerciante de Amsterdã, Nella Oortman recebe um extraordinário presente: uma réplica de sua nova casa em miniatura, capaz de ajudá-la a desvendar os segredos — e perigos — da família. Eleito o melhor livro de 2014 pelo Observer e traduzido para 32 idiomas, Miniaturista é uma magnífica história de amor e obsessão, traição e vingança, aparência e verdade. [Leia +]

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Eu sou o Peregrino, de Terry HayesUma mulher é brutalmente assassinada em um hotel decadente de Manhattan, seus traços dissolvidos em ácido. Um pai é decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita. Na Síria, um especialista em biotecnologia tem os olhos arrancados ainda vivo. Restos humanos ardem em brasas na cordilheira Hindu Kush, no Afeganistão. Uma conspiração perfeita, arquitetada para cometer um crime terrível contra a humanidade, e apenas uma pessoa é capaz de descobrir o ponto exato em que todas essas histórias se cruzam.

Romance de estreia do renomado roteirista britânico Terry Hayes (Mad Max 2 e Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão), Eu sou o Peregrino é uma narrativa ágil, com ritmo alucinante, cujos personagens são construídos de forma primorosa em toda a sua complexidade psicológica. Uma jornada épica e imprevisível contra um inimigo implacável. [Leia +]

 

O amor segundo Buenos Aires, de Fernando Scheller — Com largas avenidas, cafés em estilo europeu e bairros charmosamente decadentes, Buenos Aires é o lugar perfeito para histórias de amor inesquecíveis. A capital argentina é cenário e, ao mesmo tempo, personagem do primeiro romance de Fernando Scheller, repórter do jornal O Estado de S. Paulo que já passou pelas redações de Gazeta do Povo, TV Globo e Deutsche Welle, na Alemanha.

É por amor que Hugo deixa o Brasil rumo à capital argentina. Embora o relacionamento com Leonor não sobreviva, seu fascínio pela cidade resiste à dor da separação e à descoberta de que sofre de uma grave doença. Hugo cria laços com o arquiteto Eduardo e com a comissária de bordo Carolina, que evidenciam o poder regenerador das amizades verdadeiras. Ele se reaproxima de seu pai, Pedro, que troca a rotina de um casamento desgastado por uma vida em que é possível encontrar profundos afetos. [Leia +]

Em O amor segundo Buenos Aires, Scheller oferece a cada personagem a chance de narrar suas escolhas e percepções sobre diferentes formas de amor, como entre pai e filho, um homem e uma mulher, dois homens e também entre amigos.

Leia as colunas de Fernando Scheller no blog

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Alucinadamente feliz: Um livro engraçado sobre coisas horríveis, de Jenny Lawson Longe de ser uma pessoa comum, Jenny Lawson se considera uma colecionadora de transtornos mentais: depressão altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.

Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e resolve revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para se levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. [Leia +]

 

É isso que eu faço: Uma vida de amor e guerra, de Lynsey Addario — Após os atentados de 11 de Setembro, a fotojornalista Lynsey Addario foi chamada para cobrir a invasão americana ao Afeganistão. Nesse momento, ela fez uma escolha que se repetiria muitas vezes depois: abrir mão do conforto e da previsibilidade a fim de correr o mundo confrontando com sua câmera as mais duras verdades.

As imagens captadas pelas lentes de Lynsey parecem buscar sempre um propósito maior. No livro, ela retrata os afegãos antes e depois do regime talibã, os cidadãos vitimados pela guerra e os insurgentes no Iraque, expõe a cultura de violência contra a mulher no Congo e narra a ocasião do próprio sequestro, orquestrado pelas forças pró-Kadafi durante a guerra civil na Líbia.

Apesar da presumível bravura, Lynsey não é de todo destemida. Do medo, ela tira o olhar de empatia essencial à profissão. Quando entrevista vítimas de estupro, fotografa um soldado alvejado em combate ou documenta a trágica vida das crianças famintas na Somália, é essa empatia que nos transporta para os lugares onde ela esteve, e então começamos a entender como o ímpeto de retratar a verdade triunfa sobre o terror. [Leia +]

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A agenda antiplanos, de Keri Smith — Com espaços sem data e distribuídos aleatoriamente para você fazer um resumo do mês que desejar, o novo projeto da autora de Destrua este diário funciona como um diário criativo, que vai ajudar o leitor a estruturar os pensamentos de uma forma nada limitada nem previsível.

A agenda antiplanos parte do princípio de que a busca pela organização e pelo perfeccionismo, tão exaltada na cultura moderna, é na verdade um grande empecilho ao processo criativo. O estilo, a forma e a proposta pouco convencional do livro entretêm e levam à reflexão. Capturando momentos e estados de espírito, ele convida o leitor a controlar menos e experimentar mais, a deixar de levar tudo tão a sério e, simplesmente, viver. E o principal: a se divertir! [Leia +]

 

Baía da Esperança, de Jojo Moyes No quinto romance da autora de Como eu era antes de você, a melancólica e reservada Liza McCullen é a responsável por um barco de observação de baleias e golfinhos em Silver Bay, na Austrália, onde também administra com a tia o Hotel Baía da Esperança, que já viu dias melhores.

Hospedado no hotel de Liza, Mike Dormer está lá a negócios: depende dele o pontapé inicial do projeto de um resort de luxo. Enquanto sua noiva, em Londres, finaliza os planos do casamento, Mike tem de conseguir a licença para a construção do empreendimento, algo que terá profundo impacto na fauna de Silver Bay e consequências drásticas para a vida dos moradores.

Quando o mundo de Mike e Liza colidem de forma irremediável, eles precisam encarar os próprios medos para salvar o que amam. Com personagens cativantes em um cenário encantador, Baía da Esperança é um romance comovente e irresistível, repleto do humor e da generosidade que marcam as obras de Jojo Moyes.

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O mistério do mapa (volume 1 da série Poptropica), de Kory Merritt e Jack Chabert — Quando decidiram embarcar em um passeio de balão, Oliver, Mya e Jorge nunca poderiam imaginar que acabariam caindo em uma ilha desconhecida habitada por animais exóticos e uma horda de vikings raivosos. Bem-vindo a Poptropica: um arquipélago completamente fora dos mapas, cuja existência é mantida em segredo do restante do mundo.

Neste primeiro volume da história, inspirada no jogo infantil educativo on-line, os três amigos encontram um mapa mágico e se aventuram em uma perigosa jornada para tentar encontrar o caminho de volta para casa. Porém, os habitantes da ilha — incluindo o assustador líder dos vikings, Erik, o Vermelho — estão nos calcanhares deles, e Octavian, o capitão do balão, responsável por estarem presos naquela ilha, quer seu mapa de volta. Será que Oliver, Mya e Jorge vão conseguir fugir das garras dos sanguinários vikings e encontrar um jeito de escapar da ilha e de Octavian? [Leia +]

 

Solteirona: O direito de escolher a própria vida, de Kate Bolick — “Com quem se casar e quando: essas duas questões definem a existência de toda mulher”, provoca a autora logo no início de Solteirona. Em uma análise inteligente e bem-vinda dos prazeres e possibilidades de ficar solteira, a jornalista e crítica cultural Kate Bolick parte da própria experiência para ponderar o porquê de mais de cem milhões de americanas hoje preferirem ficar solteiras.

No livro, Bolick também apresenta um elenco de personalidades femininas do último século que, pela genialidade e determinação, são inspirações para sua escolha: a colunista Neith Boyce, a ensaísta Maeve Brennan, a visionária social Charlotte Perkins Gilman, a poeta Edna St. Vincent Millay e a escritora Edith Wharton. Ao destacar a trajetória nada convencional dessas mulheres, Bolick faz lembrar quão atemporal é o dilema a respeito de se casar e ter filhos e levanta uma pauta ainda mais crucial nessa discussão: o direito da mulher de escolher a própria vida. [Leia +]

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Conheça nossos livros publicados em março

 

testeFome e abandono

Por Mário Feijó*

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Neil Gaiman é o autor que tornou a Morte pop. Na década de 1980, os fãs de quadrinhos se dividiam: de um lado, a Morte na sua versão Marvel, a clássica senhora com sua foice, assustadora e macabra, amante infiel do vilão Thanos; já na DC, a editora concorrente, na série Sandman, havia a irmã do Sonho, e ela era a mais descolada dos Perpétuos, era uma garota legal, uma amiga bacana que te espera o tempo que for preciso. Boa conselheira, ela sabia dar as melhores dicas sobre o significado da vida. Logo se tornou um símbolo pop entre os jovens daquela década. De lá para cá, Gaiman continuou escrevendo sobre viver e morrer, sobre medo e esperança, sobre identidades e famílias, sobre amor e confiança, sobre mitologias e folclores. Para leitores de diversas idades.

Em João e Maria, adaptação do clássico dos irmãos Grimm publicada pela Intrínseca, Gaiman mostra seu talento como adaptador, sendo fiel ao enredo consagrado pela tradição, mas renovando a linguagem da narrativa com seu estilo preciso e precioso.

Crianças não têm medo da morte, é uma abstração incompreensível para elas. O verdadeiro medo infantil é o abandono; também conhecido como a morte em vida. A solidão, aliás, é uma poderosa metáfora para o abandono, que é uma situação de pura vulnerabilidade. Crianças dependem dos adultos e quanto menores, mais dependentes são. Ser abandonado em um mundo que todos sabemos ser hostil e impiedoso, com fome, sede, sono, sujo, sem qualquer proteção contra possíveis abusos, é um pesadelo recorrente no imaginário infantil. E Neil Gaiman sempre foi um mestre em explorar medos primordiais.

Escrever sobre abandono em João e Maria, ou em Coraline, é escrever sobre medos básicos que qualquer criança tem. Inclusive aquela que habita adolescentes, jovens e idosos. Aliás, quanto mais a idade avança, mais o ser humano tende a valorizar suas vivências infantis, a relembrar antigos sonhos e pesadelos. Uma vida longa, bem longa, provavelmente nos fará depender dos filhos ou dos netos tanto quanto um dia dependemos de nossos pais. Assustador. Mas Gaiman sabe como transformar narrativas assustadoras em lições de sabedoria. É o que manda a melhor tradição da literatura infantil.

O filósofo Walter Benjamin, em 1936, escreveu que contar histórias sempre foi a arte de contá-las de novo. E que há uma grande perda quando as histórias antigas não são mais conservadas. Ele estava pensando na tradição da oralidade, nas narrativas que passavam de uma pessoa para capa_joaoemaria_Goutra, geração após geração, e então afirmava: o primeiro e verdadeiro narrador para todos nós é o conto de fadas. Benjamim fazia a defesa das narrativas que permanecem, daquelas que estão mais profundamente enraizadas no povo. O chamado conto de fadas, esse tal narrador primeiro e verdadeiro, veio de onde? Das histórias que camponeses contavam uns para os outros, reciclando outras histórias ouvidas em outros tempos e em outros lugares. Quase sempre eram contos de terror…

Antigos e populares, eles eram narrativas ouvidas desde os primeiros anos de vida, faziam parte da formação daquelas crianças que viviam no campo. Tinham a ver com alertar e instruir acerca de perigos, intrigas, injustiças, invejas, mentiras, enganos e terríveis crueldades. Começam assim: “Era uma vez…” ou “Foi há muito tempo…” Os enredos eram simples, sobre crianças que costumavam ter nomes comuns, famílias complicadas e desafios a superar.

Sabemos que o primeiro registro sobre os irmãos João e Maria (ou Hansel e Gretel, no original) data de 1812, quando a Alemanha ainda não existia como país, embora possuísse riquíssima tradição oral que muitos julgavam ameaçada pela urbanização e pelo progresso acelerado. Sendo assim, os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm decidiram que era necessário e urgente coletar e registrar por escrito os contos dos camponeses, pastores, barqueiros, viajantes e soldados. Assim, naquele ano de 1812, foi publicada a primeira edição de Contos para a criança e para o lar, a obra que imortalizaria os irmãos: os adultos Grimm e as crianças João e Maria.

No texto de Gaiman, não sabemos onde ou quando a narrativa se passa. Não faz diferença. Os bons tempos foram antes da guerra, antes da fome. Antes, não importava se a mãe, mesmo sendo muito jovem, era uma mulher amarga; havia comida. Depois, mesmo sem a família saber qual o motivo da guerra, ou entender quem estava contra quem, ou por que as colheitas eram queimadas e os fazendeiros mortos, a fome passou a ser a companheira de cada dia e de cada noite. Até que a mãe resolveu convencer o pai de que era melhor morrerem dois do que quatro. Questão de matemática. Bastava abandonar as crianças na floresta. Talvez fossem encontradas por alguém que as acolhesse e alimentasse. No futuro, o casal poderia ter outros filhos, em tempos melhores.

Para aquela jovem mãe, as últimas cerejas na cozinha eram mais importantes do que as crianças. Mesmo assim, os dois irmãos preferiam voltar para casa, para o único lar que conheciam, a ficar lá fora no escuro, com frio, com medo de ursos e lobos, ou o que mais houvesse na floresta. Havia uma bruxa, é claro. E ela também tinha fome. De carne. João e Maria continua um conto assustador duzentos anos depois.

Crianças vão gostar? Sim, elas ficam apavoradas e fascinadas.

Bruno Bettelheim considera que a fantasia aumenta o conhecimento da criança sobre o mundo e sobre os seres humanos, organiza emoções e pensamentos, ajuda a formar a personalidade. Experimentar o medo faz parte deste processo. Narrativas mágicas ajudam a criança a subir um degrau na sua maturidade psicológica. De uma boa história com mães malvadas e bruxas, essa criança capta as lições implícitas de confiança na vitória, de confiança em si mesma, apesar das barreiras aparentemente intransponíveis.

Outro trabalho importantíssimo sobre a permanência e o apelo dos contos folclóricos é o do crítico literário Wladimir Propp. Estudando principalmente os contos russos, ele decodificou uma estrutura quase imutável: a quebra da harmonia familiar, a busca da solução para o problema, os elementos mágicos, a volta para casa, a conquista da harmonia. E aqui está, talvez, o grande segredo: em última instância, o que as crianças mais querem é a harmonia familiar. Elas têm fome de proteção.

Talvez a sentença definitiva sobre o assunto seja a opinião atribuída a Cecília Meireles: as crianças pedem contos de fadas porque gostam.

Impossível os pais não gostarem do texto de Gaiman. E quem lê livros para os filhos sabe: eles vão pedir para você ler de novo, de novo e de novo. Será um prazer.

 

Mário Feijó é doutor em Letras e professor da Escola de Comunicação da UFRJ, onde ministra a disciplina complementar “Gaiman: do terror ao infantil”.

testeOs últimos dias de nossos pais

Por Joël Dicker
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Escrevi Os últimos dias de nossos pais em 2009, quando tinha 24 anos. Naquela época, eu estava terminando a faculdade de direito, mas queria me tornar escritor. Em 2010, inscrevi o manuscrito do livro no Prêmio dos Escritores de Genebra, que a cada três anos recebe textos inéditos de ficção. Para minha surpresa, ganhei o prêmio e, em seguida, recebi de uma editora suíça a proposta de publicar o livro. Após seu lançamento na França, em 2012, a obra foi agraciada com uma menção especial do Prêmio Literário do Exército ‒ Erwan Bergot.

Os últimos dias de nossos pais conta a história pouco conhecida do surgimento da Executiva de Operações Especiais (SOE), uma seção do serviço secreto britânico criada durante a Segunda Guerra Mundial. Winston Churchill teve a ideia de recrutar membros para a SOE diretamente dos países onde desejava se infiltrar. Então, levou esses jovens até a Inglaterra, onde passaram por um treinamento intensivo, antes de mandá-los de volta aos territórios ocupados para atuarem despercebidos.

link-externoLeia um trecho da obra 

A narrativa acompanha a vida de diversos recrutas. Em um primeiro momento, quando são apenas desconhecidos que seguem juntos para o treinamento no interior da Inglaterra, e, depois, quando se separam para executar suas missões individualmente. São homens cujas vidas se unem pelo sentimento de amizade e pelo desejo comum de liberdade e de um mundo justo.

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Fico feliz que Os últimos dias de nossos pais tenha chegado aos meus leitores brasileiros. Estou ansioso para saber suas impressões e opiniões sobre o livro!

Leia também:
Entrevista com Neill Lochary, autor de Brasil: os frutos da guerra
Conheça o vencedor do Pulitzer Anthony Doerr

teste#3 Testemunhas do Holocausto: a escritora Irène Némirovsky

Entre 1939 e 1945, mais de setenta milhões de pessoas morreram em consequência do maior conflito da Terra. Em Inferno, Max Hastings — um dos maiores historiadores militares do mundo, agraciado com o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico pelo conjunto de sua obra e vencedor do Pritzker Military Library Literature Award —, reúne o testemunho de pessoas comuns que vivenciaram, direta e indiretamente, a Segunda Guerra Mundial.

O que viram as testemunhas de batalhas, ataques aéreos, massacres e afundamentos de navios? Por quais provações, medos e incertezas passaram civis, soldados e militares de alto escalão? Nesta nova seção do blog, Relatos do Inferno, destacaremos algumas das histórias narradas por Hastings, testemunhos capazes de revelar ao leitor do século XXI como foi viver, lutar e morrer em um mundo em guerra.

Testemunhas do Holocausto — a escritora Irène Némirovsky:

Muitos importantes testemunhos de vítimas do Holocausto foram preservados, mas um entre os mais espantosos foi revelado ao mundo apenas sessenta anos depois da morte de sua autora. Irène Némirovsky nasceu em Kiev, em 1903, filha de um rico banqueiro que deixara os guetos e pogroms ucranianos para se instalar em uma grande mansão em São Petersburgo. Ela cresceu num ambiente de luxo solitário, viajando com regularidade para a França com a família. Fugiram da revolução em 1917, passando por sofrimentos consideráveis até chegarem a Paris, dois anos depois, onde o pai refez sua fortuna. Irène escrevia desde os quatorze anos. Em 1927, publicou seu primeiro conto; quando a guerra começou, era uma figura literária estabelecida na França, autora de nove romances, um deles transformado em filme, além de casada e mãe de duas meninas. Em 1940, quando os alemães ocuparam Paris, retirou-se para uma casa alugada na aldeia de Issy-l’Eveque, em Saone-et-Loire. Ali, no ano seguinte, iniciou o que planejava ser uma trilogia sobre a guerra, com a escala épica de Guerra e paz. Irène tinha poucas ilusões sobre seu provável fim e escreveu com desespero em 1942: “Que isso termine, de uma forma ou de outra!” Embora convertida ao catolicismo, não houve como escapar ao flagelo imposto pelos nazistas: em 13 de julho, foi detida pela polícia francesa e deportada para Auschwitz, para ser assassinada em Birkenau, em 17 de agosto. Seu marido foi morto pouco depois.

Némirovsky havia concluído os dois primeiros volumes de sua obra notável. As filhas, que sobreviveram à guerra escondidas, preservaram, milagrosamente, os originais, escritos numa letra minúscula que refletia a escassez de tinta e de papel vivida pela autora. As moças só conseguiram ler esse exclusivo memorial mais de meio século depois. Então uma delas, Denise, transcreveu penosamente os originais, com a ajuda de uma lupa, e, hesitante, entregou o texto a um editor. Suíte francesa, publicado na França em 2004, tornou-se uma sensação mundial. O primeiro volume descreve a experiência francesa em junho de 1940 e as aflições de milhões de refugiados. O segundo concentra-se no relacionamento entre um soldado alemão do exército de ocupação e uma francesa. O pathos é extraordinário, de uma judia condenada a morrer retratando com aguda simpatia os sentimentos e o comportamento daqueles que seriam seus assassinos. O relato da sociedade francesa sob ocupação, seus sofrimentos e as manifestações silenciosas de coragem e de traição moral compõem um dos mais impressionantes legados literários da guerra. A análise fria e irônica e acompanhada por uma calorosa compaixão, demonstrada enquanto a autora aguardava uma morte em que, ela sabia, o povo francês era cúmplice dos alemães. Némirovsky passou a ser reconhecida como uma extraordinária testemunha de sua época e da tragédia de seu povo.

Leia outros Relatos do Inferno:
#1 Uma pintora russa retrata a agonia de sua cidade
#2 A glamorização da mão de obra feminina: Rosie, a rebitadeira, e Wendy, a soldadora

testeBem-vindo 2012! Veja o que 2011 lhe reservou

Uma lista com os melhores livros publicados em 2011 nos apresenta mais do que uma retrospectiva do ano que se despede, é também um indicativo das expectativas reservadas para o próximo. Além da habitual seleção entre as obras já publicadas, escolhidas conforme a recepção do público e da crítica, as listas internacionais de final de ano são um bom termômetro para medir o impacto do que chegará por aqui. Em meio aos livros destacados por alguns dos veículos de maior prestígio em 2011, estão alguns títulos que publicaremos: The Art of Fielding, de Chad Harbach, presente nas listas do The New York Times e da Amazon; State of Wonder, de Ann Patchett, destaque na Publishers Weekly, no The Washington Post e na revista Time; In the Garden of Beasts (No jardim das feras), de Erik Larson, o 10° livro de não ficção mais vendido nos EUA e indicado na seleção da Amazon; The Night Circus (O circo da noite), de Erin Morgenstern, também entre os 10 mais da Amazon; e Inferno, de Max Hastings, presente na lista da Time.

Última retrospectiva de 2011 — Os melhores títulos publicados

Entre os 50 títulos publicados em 2011, A lebre com olhos de âmbar — relato de Edmund de Waal sobre a trajetória de sua família que tem como ponto de partida uma coleção de netsuquês (miniaturas japonesas entalhadas em madeira) — foi considerado pela crítica nacional um dos melhores livros do ano. Em meio aos personagens dessa história real está Charles Ephrussi, merchant que serviu de inspiração para Marcel Proust na criação do esteta Swann de Em busca do tempo perdido. Proust também é referência em Como Proust pode mudar sua vida, livro do filósofo Alain de Botton, reeditado em 2011, que analisa os ensinamentos presentes na obra e na correspondência do autor francês. De Botton, a propósito, esteve em novembro no país para lançar o inédito e polêmico Religião para ateus, uma defesa ao reconhecimento de conceitos religiosos como importantes aliados para mudanças culturais na sociedade contemporânea.

Grito de guerra da mãe-tigre, da sino-americana Amy Chua, também foi destaque no ano. A professora de Direito da Universidade de Yale chocou a opinião pública ao apresentar os métodos rígidos utilizados na educação das duas filhas, estudantes brilhantes. Mais um relato real, só que direto da zona de conflito, é Guerra, do jornalista Sebastian Junger. Além do livro, sua experiência de quinze meses no Afeganistão, ao lado das tropas americanas, resultou no documentário Restrepo, indicado ao Oscar. Outras disputas norte-americanas, agora nos bastidores da corrida presidencial, foram retratadas em Virada no jogo – Como Obama chegou à Casa Branca, de John Heilemann, colunista da revista NewYork, e Mark Halperin, da Time.

Entre as ficções que se sobressaíram, muitas foram — ou estão sendo — adaptadas para o cinema. É o caso da história do casal Dexter e Emma, personagens do romance Um dia, de David Nicholls, cuja versão cinematográfica estreou recentemente em circuito nacional. Precisamos falar sobre o Kevin, romance de Lionel Shriver vencedor do Prêmio Orange de 2005, entra em cartaz em 27 de janeiro, e a protagonista, Tilda Swinton, está concorrendo ao Globo de Ouro de melhor atriz. Em 2011 publicamos outro livro da autora, Dupla Falta, que explora a relação de um casal de tenistas e as consequências da competição extrema entre marido e mulher. Já a adaptação do thriller O hipnotista é dirigida pelo sueco Lasse Hallström e tem estreia prevista para este ano. No primeiro título da trilogia de Lars Kepler, a única testemunha de um massacre está traumatizada demais para falar e, na tentativa de solucionar o caso, o detetive Joona Linna recorre a um ex-hipnotista.

Em  2011 também tivemos Bienal do Livro no Rio de Janeiro, em que Alyson Noël  lançou Infinito, o sexto e último título da série Os imortais. A autora, que já vendeu mais de 300 mil exemplares no Brasil, embarcou em uma turnê de lançamentos pelas cidades de Brasília, Campinas, Curitiba, Salvador e São Paulo. Ainda para os jovens leitores, foram publicadas duas obras de Rick Riordan, o ex-professor de história que se transformou em fenômeno editorial. As aventuras foram O herói perdido, da série Os heróis do Olimpo, e O trono de fogo, de As crônicas dos Kane.

Fechando o ano, A parisiense – O guia de estilo de Ines de la Fressenge, de Ines de la Fressange e Sophie Gachet, tornou-se o hit do verão. No guia, que já vendeu mais de 300 mil exemplares em todo o mundo, a modelo exclusiva de Chanel nos anos 1980, atual rosto internacional da L’Oréal e ícone da elegância na França conta o que aprendeu sobre estilo e beleza durante décadas de experiência na indústria da moda.