testeMulheres à beira de um ataque de nervos

Por João Lourenço*

Você tem mania de limpeza? É viciada em calmantes? Sempre está com uma taça de champanhe na mão? Fala alto, conversa sozinha, interrompe as pessoas e gosta de ser o centro das atenções? É hipocondríaca, apresenta instabilidade emocional? Suas amigas te deixam louca? Ou é você quem enlouquece suas amigas? Cuidado, você pode ser uma neurótica! Na verdade, esse termo não tem o mesmo peso que tinha no passado. Em geral, a tal da neurose não se trata mais de algo clínico. Qualquer comportamento exagerado, um pouco fora dos padrões, pode ser tido como neurose… Mas não se preocupe, um pouco de neurose não faz mal a ninguém. Louco é aquele que nunca perde o controle. 

São vários os tipos de neuróticas. As mais comuns são aquelas que têm consciência da condição e abraçam essa característica. Há também as neuróticas enrustidas, aquelas que tentam mudar, controlar a neura. Esse é o caso da Eleanor Flood, protagonista do novo romance de Maria SempleHoje vai ser diferente. Eleanor não é má pessoa — assim como a maioria das neuróticas também não são. Eleanor é o tipo de mulher que faz listas mentais de tudo que precisa ser diferente em sua vida. Ela quer muito mudar: deseja ser uma mãe melhor, uma amiga melhor, uma esposa melhor. Enfim, uma versão melhor de si mesma. Porém, assim como na vida real, muitos imprevistos e surpresas desagradáveis surgem na vida de Eleanor.

Como não pirar quando tudo desmorona? Apesar de tantos obstáculos, Eleanor tenta encontrar soluções inusitadas para os problemas do cotidiano. Ela é uma personagem cativante que garante boas risadas e reflexões sobre as nossas neuroses do dia a dia. Irônico, engraçado e humano, a história de Eleanor está em processo de adaptação para a telinha, tendo Julia Roberts no papel principal — para neurótica nenhuma botar defeito. 

Abaixo, selecionamos seis personagens neuróticas de filmes e seriados de TV. Ame ou odeie-as. 

 

Carrie Bradshaw — Sex and the City

 

A série televisiva Sex and the City abriu o caminho para produções originais que abordam o universo feminino. Quem nunca quis sentar para um brunch com Samantha, Charlotte, Miranda e Carrie? Esta última sempre foi a personagem que mais dividiu opiniões. Carrie é independente, fashionista, assina uma coluna semanal sobre sexo para o jornal The New York Star e mora em um charmoso apartamento no coração de Manhattan. Ela é a it girl que você quer ser amiga e, às vezes, também consegue ser aquela pessoa insuportável que queremos distância: narcisista, egoísta e cheia de manias. É a típica neurótica que fuma um cigarro atrás do outro e não sai de casa até o “contatinho” ligar. Carrie Bradshaw, apesar de boa amiga, sempre quer ser o centro das atenções. 

 

Chris — I love Dick 

 

Por muitos anos, Kathryn Hahn estrelou como coadjuvante em filmes independentes. Na série da Amazon I Love Dick, ela rouba todas as cenas. Chris é uma cineasta que não produz nada original há anos. Frustrada com a profissão, ela decide seguir o marido, Sylvester (Griffin Dunne), para uma cidadezinha no interior do Texas, onde ele ganhou uma bolsa para estudar na famosa instituição do artista plástico Dick (Kevin Bacon). Em proporções diferentes, o casal se apaixona pelo sedutor Dick. Chris cria inúmeras fantasias e conspirações sobre Dick e transforma tudo isso em um diário picante. Para chamar a atenção do seu objeto de desejo, ela imprime o diário e distribui para a cidade inteira ler. Além de perseguir Dick por todos os cantos, a personagem de Chris se humilha, cria cenas que causam vergonha alheia — no espectador e nos outros personagens — e faz jogos mentais com o marido. Ou seja, um prato cheio! Ela é a mulher mais imprevisível da telinha. 

 

Madeline — Big Little Lies

 

Além de produtora da badalada série da HBOBig Little Lies, baseada no romance Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty, Reese Witherspoon também encarnou uma das protagonistas: Madeline. Ela é aquela neurótica que sabe que é neurótica, mas não tem nenhuma vontade de mudar. Madeline mora em uma mansão de frente para o mar, tem tudo que o dinheiro pode oferecer, porém sempre está entediada. Ela está no segundo casamento e é mãe de duas filhas. Pense em uma mãe tigre, aquela que se envolve nas brigas das meninas. Ela também não mede esforços para criar climão com quem se mete em seu caminho. Madeline arruma confusão até com o prefeito da cidade. A última palavra é sempre dela e ela não pensa duas vezes antes de te mandar para aquele lugar. Todos temem a sua língua ferina. Madeline é control freak, se apega a pequenos detalhes e sabe da vida de todo mundo. Mas não é só de barraco que ela sobrevive. Madeline também protege e aconselha as amigas desafortunadas.  

 

Brooke Cardinas — Mistress America

 

No tragicômico Mistress America, fica difícil acompanhar a rotina e as ambições da personagem Brooke Cardinas. Interpretada por Greta Gerwig, que coassina o roteiro do longa, Brooke é um retrato irônico da geração millennial. Brooke faz um pouco de tudo, mas não termina nada que começa. Ela pretende abrir um restaurante, mas, enquanto o sonho não se concretiza, trabalha como decoradora, designer de moda, instrutora de SoulCycle e tutora de matemática para adolescentes ricos. Ufa! Brooke acredita que as pessoas só se aproximam dela para roubar as suas ideias. Esse lado supersticioso e neurótico da personagem rende boas gargalhadas. Em tempos de crise, Brooke apela até para clarividentes. Ela é um personagem que não percebe que muitos de seus sonhos são irrealizáveis. Mas ela jura que: “Sei tudo sobre mim mesma, é por isso que não posso fazer terapia.”

 

Jasmine — Blue Jasmine 

 

O diretor do longa Blue Jasmine, Woody Allen, ficou conhecido por criar personagens neuróticos — lembra de Annie Hall? Em todos os filmes de Allen você encontra personagens que apresentam algum tipo de transtorno obsessivo compulsivo: pessoas que falam demais, excêntricas, paranoicas, desconfiadas até da própria sombra. Em Blue Jasmine não é diferente. Jasmine é uma socialite nova-iorquina que tem a vida virada do avesso quando o marido vai preso, deixando ela na rua da amargura. Jasmine começa a sofrer de transtorno delirante, ou seja, ela não aceita a nova realidade. Então faz de tudo para manter as aparências. Ela apresenta todas as características de uma neurótica de carteirinha: fala sozinha, aborda estranhos na rua para conversar sobre a vida privilegiada que tinha com o marido e por aí vai. Ela também apresenta delírios de grandeza e é compulsiva por compras e roupas de grife. Quando nada faz efeito, ela tenta se acalmar com uma mistura poderosa de calmante e champanhe. O papel rendeu o segundo Oscar da carreira de Cate Blanchett. 

 

Aura — Tiny Furniture 

 

Antes de ser a controversa Hannah Horvath, no seriado Girls, Lena Dunham dirigiu e escreveu Tiny Furnitures. No filme independente, Dunham interpreta Aura, uma recém-graduada em Teoria do Cinema que não sabe o que fazer com o diploma — e com a própria vida. Aura explora os conflitos comuns a qualquer pessoa, como a transição da juventude para a idade adulta. Ela volta a morar na casa dos pais, mas percebe que a mãe e a irmã mais nova estão distantes e não precisam dela por perto. Aura também não consegue mais se conectar com os amigos de infância. À deriva, entediada e sozinha, ela começa a fazer amizades com webcelebridades do YouTube e passa a trabalhar como ajudante em um restaurante. Para completar, ela tem aquele famoso “dedo podre” para homens, só se envolve com gente comprometida ou emocionalmente distante. 

 

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York tentando escrever seu primeiro romance.

 

testeSéries para esperar em 2017

2dfss

Em 2016, além dos filmes inspirados em nossos livros, várias obras da Intrínseca foram para a TV. Dentre os principais destaques, tivemos a incrível série documental Cozinhar, com o autor Michael Pollan explorando as diferentes transformações da culinária; Não se apega, não, adaptação do primeiro livro de Isabela Freitas para um quadro do Fantástico; e a ainda vindoura Caçadores de Trolls, série animada em parceria da Netflix com a DreamWorks, que adapta o livro homônimo de Guillermo del Toro, com estreia marcada para 23 de dezembro.

E para 2017 temos diversos títulos que serão adaptados para a televisão. Confira:

Pequenas grandes mentiras

Big Little Lies, série baseada no romance Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty, estreia em 19 de fevereiro de 2017. O livro conta a história de três mulheres que aparentemente têm uma vida comum em uma pequena cidade da Austrália. A série, produzida pela HBO, será estrelada por Nicole Kidman, Shailene Woodley e  Reese Witherspoon.

Deuses americanos

Uma mistura de road trip, fantasia e mistério, Deuses americanos mostra a jornada de um ex-detento, Shadow Moon, e seu misterioso empregador, que atravessam os Estados Unidos reunindo um estranho grupo de pessoas para uma guerra que está por vir. O que Shadow logo descobre é que o conflito envolverá divindades antigas e novas. A série será produzida pelo próprio Neil Gaiman, autor do livro, e tem previsão de estreia no primeiro semestre de 2017. Será estrelada por Ricky Whittle (da série The 100) e Ian McShane (Piratas do Caribe e Game of Thrones).

Girls

Criada por Lena Dunham, autora de Não sou uma dessas, a série Girls terá em 2017 sua sexta e última temporada. Em uma entrevista sobre o anúncio da quinta temporada, que estreou em 2016, a autora explicou sobre a decisão de encerrar a série: “Comecei a escrever a série aos 23 anos, e agora vou fazer 30. Me sinto bem em encerrar o programa junto com a minha fase dos 20 anos. É como se eu estivesse pronta pra sair no mundo.”

Objetos Cortantes

4e49c5f4e6e962b0804acb07c6abc3af

A atriz que será protagonsita em Objetos cortantes, Amy Adams (Fonte)

A HBO também leva para a televisão a adaptação do livro de Gillian Flynn, Objetos cortantes. A série terá 8 episódios, que serão exibidos entre o final de 2017 e o começo de 2018. O livro conta a história da repórter Camille Preaker, que, recém-saída de um hospital psiquiátrico, se vê de volta a sua cidade natal, Wind Gap, e a sua família instável, para cobrir o brutal assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra. A produção será estrelada pela atriz Amy Adams, que já participou das adaptações de História da sua vida e outros contos e Tony & Susan.

Orange is the new Black

No livro Orange is the new black, obra de não ficção que inspirou a série original da Netflix, Piper Kerman apresentou casos curiosos, perturbadores, comoventes e divertidos do dia a dia no presídio. Um dos maiores sucessos da Netflix, a série chega à quinta temporada no próximo ano.

Não se iluda, não

Após o sucesso da série que adaptou o primeiro livro de Isabela Freitas, era de se esperar que a continuação fosse inevitável. Ainda sem data de estreia confirmada, Não se iluda, não acompanhará os atores Laura Neiva, Arthur Aguiar, Rafael Vitti e Rodrigo Simas nos mesmos papéis da primeira série.

testeFilmes e séries para assistir em 2016

filmesdoano

O ano ainda está no começo, mas as novidades sobre filmes e séries não param de ser divulgadas. Para ajudar na difícil tarefa de escolher a que assistir, selecionamos atrações para diferentes estilos.

Confira a lista:

Trumbo — O roteirista Dalton Trumbo tem uma trajetória singular em Hollywood: apesar de ter escrito algumas das histórias de maior sucesso de sua época, como A Princesa e o Plebeu (1953), ele se recusou a cooperar com o Comitê de Atividades Antiamericanas do Congresso dos EUA e acabou preso e proibido de trabalhar. Mesmo quando saiu da prisão, Trumbo demorou anos para vencer o boicote do governo, sofrendo com uma série de problemas envolvendo familiares e amigos próximos.

Dirigido por Jay Roach (Virada no Jogo), o filme inspirado na biografia de Dalton Trumbo escrita por Bruce Cook tem no elenco Bryan Cranston, astro da série Breaking Bad, Diane Lane (Infidelidade) e Helen Mirren (A Rainha). O filme está em cartaz nos cinemas.

Imagem_filme

O regresso Grande vencedor do Globo de Ouro 2016, o filme é inspirado no livro homônimo, de Michael Punke. Em 1822, o aventureiro Hugh Glass parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso, ele fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald, que ainda rouba seus pertences. Entretanto, mesmo com todas as adversidades, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança.

Dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu, o papel de Hugh Glass ficou a cargo de Leonardo DiCaprio, vencedor do prêmio de melhor ator principal no Globo de Ouro. O longa está em cartaz nos cinemas.

Orgulho e preconceito e zumbis — A adaptação do livro de Seth Grahame-Smith chega aos cinemas em 25 de fevereiro. Na releitura da clássica história de Jane Austen, Elizabeth Bennet, especialista em artes marciais, está determinada em acabar com todos os zumbis que atravessam seu caminho. Mas tudo muda após a chegada do arrogante Sr. Darcy.

Dirigido por Burr Steers (17 Outra Vez), a produção tem no elenco nomes como Lily James (Cinderela), Elizabeth Bennet, Sam Riley (Malévola), Lena Headey (Game of Thrones), Matt Smith (Doctor Who), Jack Huston (Trapaça), Hermione Corfield (Sr. Holmes), Bella Heathcote (Sombras da Noite) e Charles Dance (Game of Thrones).

Downton Abbey — A sexta e última temporada estreou no último fim de semana, dia 9 de janeiro, no canal GNT. Vencedor de três Globos de Ouro e alguns Emmys, o drama de época conta a luta da família para manter o legado de Downton Abbey.

link-externo

Leia um trecho de O mundo de Downton Abbey

Como eu era antes de vocêA aguardada adaptação do romance de Jojo Moyes chega aos cinemas em junho.  Emilia Clarke (Game of Thrones), Sam Claflin (Jogos Vorazes), Matthew Lewis (Harry Potter), Charles Dance e Jenna Coleman estarão no elenco do longa.

O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares A adaptação do livro de Ransom Riggs acompanha as aventuras de um garoto que, após ser enviado para uma ilha isolada no País de Gales, descobre que no local estão exiladas várias crianças com poderes especiais. Dirigido por Tim Burton, o filme conta com Eva Green e Samuel L. Jackson no elenco. A estreia está prevista para 25 de dezembro. Cidades dos etéreos, sequência do livro que inspirou o longa, será lançado pela Intrínseca em fevereiro.

Girls A quinta temporada da série criada por Lena Dunham, autora de Não sou uma dessas, estreia no dia 21 de fevereiro na HBO. Premiada como a melhor série de comédia no Globo de Ouro em 2013, Girls narra a vida de quatro jovens vinte e poucos anos em Nova York.

Orange is the new black — A quarta temporada da série foi confirmada e estreia em 17 de junho no Netflix.

testeUma vida dedicada ao estilo

betty

Betty Halbreich por Mike McGregor/Getty Images

Se você não é muito ligado no mundo da moda, pode nunca ter ouvido falar em Betty Halbreich. Mas guarde a informação: Betty é muito mais que um ícone fashion. Com 86 anos, a elegante senhora trabalha como personal shopper há quatro décadas na Bergdorf Goodman, uma das lojas mais sofisticadas e charmosas de Nova York.

Além de vestir mulheres anônimas, Betty é conhecida por escolher os looks de celebridades como Meryl Streep e Sarah Jessica Parker e colaborar para programas como Sex and the City e filmes de Woody Allen. No entanto, apesar de todo o glamour, sua vida nem sempre foi fácil.

Capa_Umbrindeaisso_webAntes de se tornar um dos maiores nomes da moda, Betty passou por momentos delicados. Traições, separação e até uma tentativa de suicídio são algumas das situações reveladas em Um brinde a isso, livro que reúne suas memórias como pioneira no serviço de compras personalizadas. Meticulosa e engraçada, ela conta como deu a volta por cima e teve coragem de buscar a independência em um período no qual a maioria das mulheres não trabalhava fora de casa.

link-externoLeia um trecho de Um brinde a isso

A fascinante trajetória de Betty também será adaptada para a TV por ninguém menos que Lena Dunham, criadora, roteirista, diretora e protagonista da série Girls e autora de Não sou uma dessas. A atração ainda não tem data de estreia.

link-externoA voz que faltava: confira o perfil de Lena Dunham

Betty Halbreich e Lena Dunham

Betty Halbreich e Lena Dunham por Joe Schildhorn/BFA

testeA voz que faltava

Por João Lourenço*

Lena dunhan

É outono em Nova York e há um certo senso de urgência no ar. Os ventos gelados do Atlântico anunciam a chegada de mais um longo inverno. Em uma sexta-feira alaranjada, parece que metade de Manhattan decidiu aparecer no mesmo lugar. Trata-se da primeira noite do The New Yorker Festival, evento anual de arte, música, literatura e cinema realizado pela prestigiosa revista The New Yorker. Boa parte dessa multidão está lá para ouvir e ver o rosto desta geração: Lena Dunham.

Se você ficou sem internet e sem TV nos últimos anos, um pequeno resumo: Lena é produtora, roteirista, atriz e show runner da série Girls, do canal HBO. Ela também acaba de lançar o livro Não sou uma dessas, em que relata seus fracassos, desejos, paranoias e obsessões, tudo em tom cômico e depreciativo, mas corajoso.

Não sou uma dessas - FRENTE FINALAntes de começar a sabatina, Lena deixa um recado para a plateia: “Sempre fui um livro aberto. Abro a boca e acabo entregando tudo, nunca me senti confortável com aquelas coisas que nossos pais ou a sociedade nos aconselham a manter para nós mesmos. Sempre acreditei que o conceito de segredo pode ser bastante destrutivo. Meus pais tentavam controlar a minha língua, pois eu era o tipo de criança que falava tudo que vinha à cabeça. Ainda sou assim!”

Como um prelúdio do que estava para acontecer, Lena Dunham teve uma infância bastante agitada. Filha do pintor Carroll Dunham e da designer e fotógrafa Laurie Simmons, Lena cresceu entre os artistas boêmios do SoHo e do Brooklyn, em Nova York. “Sempre vi esse universo com um olhar de romance.” Para desenvolver uma linguagem artística própria, deixou a casa dos pais e se mudou para o estado de Ohio, onde estudou escrita criativa. Lá, começou a escrever e dirigir os primeiros curta-metragens, tudo no esquema colaborativo entre amigos de faculdade. Dessa fase universitária, destaca-se o web show Delusional Downtown Divas, uma sátira ao mundo da arte.

Quando voltou para Nova York, cansada de enfrentar audições para papéis secundários, Lena convidou alguns amigos e a própria família para estrelarem o primeiro longa que dirigiu, Tiny Furnitures. Ela fez o papel principal e explorou conflitos comuns a qualquer pessoa, como a transição da juventude para a idade adulta. Indicado a vários prêmios do cinema independente, o longa chamou a atenção de Judd Appatow. Conhecido por ter produzido o filme Missão Madrinha de Casamento e dirigido O Virgem de 40 Anos, Appatow convidou Lena para um projeto de série de TV. Meses depois, eles surgiram com o seriado Girls, sucesso imediato entre público e crítica. De acordo com Lena, a série é uma mistura de ficção com experiências próprias — ora trágicas, ora cômicas. “Às vezes me sinto uma fraude, pois coloco muito do que acontece comigo na série. Quando esse sentimento começa a me perseguir, mudo o tom do roteiro e tento deixar minha vida de lado. No geral, não tenho problemas com amigos próximos. Não é como se eu fosse jantar com uma amiga e, no dia seguinte, escrevesse tudo que ela me contou para depois usar na série. O processo de criação é mais complexo do que isso.”

Cena de "Tiny Furniture"

Cena de “Tiny Furnitures”

Em Girls, Lena manteve a mesma postura corajosa dos trabalhos anteriores. Temas tabus como sexo, aborto e racismo já foram discutidos na série. Ela escreve sobre mulheres que, apesar de nem sempre escolherem a melhor opção, buscam maneiras de se sentirem confortáveis na própria pele. “Acho engraçado o fato de que muitas pessoas, quando me encontram na rua, agem como se me conhecessem profundamente. Não me incomoda. Sabe, nessas situações, eu tento agir da mesma forma, como se fossem pessoas que eu também conhecesse. Isso me mostra que já existe uma conexão honesta com o público.” A tal conexão de que Lena está falando lhe rendeu dois Globos de Ouro — melhor atriz e melhor série de comédia — em 2013, além de indicações ao Emmy, maior premiação da TV americana. No mesmo ano, Lena entrou para a lista anual das pessoas mais influentes da revista Time. Muito desse prestígio está ligado a seu lado político e ativista. Na última eleição presidencial nos Estados Unidos, ela apareceu em rede nacional para pedir a participação dos jovens na política. Sem medo de críticas, Lena também defende causas sociais, como o casamento gay. Namorada do guitarrista Jack Antonoff, da banda Fun, ela disse que só vai se casar quando o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo for aprovado em todos os estados americanos.

Apesar de não se identificar com o título de “voz de sua geração”, uma coisa é certa: seja da telinha, das telonas ou das prateleiras, Lena Dunham não vai embora tão cedo.

 Leia um trecho de Não sou uma dessas

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFW MAG!, colaborou com a Harper’s Bazaare com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Agora, está em NYC tentando escrever seu primeiro romance.

testeEla está em todos os lugares

Lena Dunham não para. Sempre pronta para dizer algo, as criações da autora de Não sou uma dessas estão em todos os lugares: nas livrarias, na internet e, em janeiro, estarão de volta à TV com os episódios inéditos da série Girls. Exibida pela HBO, a quarta temporada da atração estreia de dia 11 de janeiro nos Estados Unidos.

Confira o primeiro pôster divulgado e o trailer da série.

girls-4atemporada-poster

Leia um trecho de Não sou uma dessas.

testeAS CAUSAS DE LENA

lenapostcausas

Lena Dunham não tem medo de se expor e dizer o que pensa. Como boa representante de sua geração, ela usa a influência nas redes sociais para defender seus ideais e mobilizar seguidores em prol das causas em que acredita.

Conheça cinco bandeiras defendidas pela autora de Não sou uma dessas:

Feminismo: Para a autora, criadora e protagonista da série Girls, exibida pela HBO, essa é a principal bandeira. Defensora dos direitos femininos, Lena acredita que a igualdade de gênero é uma das causas mais urgentes e importantes. Ela afirma que todas as mulheres deveriam ser livres para escolher o que querem para suas vidas, sem serem criticadas por isso.

Política: Democrata declarada, Lena já foi alvo de polêmica quando anunciou em um vídeo que votaria no então candidato Barack Obama. Engajada, a autora aborda assuntos como o sistema de saúde público americano e faz críticas sobre o modelo atual.  Porém, uma das suas principais missões é incentivar a participação dos jovens na política. Usuária do Twitter e do Instagram, ela aproveitou as redes para apoiar campanhas como a da organização Planned Parenthood Action Fund, responsável por montar uma lista com todos os candidatos que já se propuseram a lutar pelos direitos femininos. Para chamar atenção à causa, ela tirou a camisa e postou uma foto com a hashtag do projeto estampado no corpo.

Casamento gay: Assim como defende o direito de fazer suas próprias escolhas, Lena é a favor da causa LGBT. A autora já declarou que só vai subir ao altar quando o casamento gay for 100% liberado nos Estados Unidos.

Padrões de beleza: Lena é contra a ditadura dos padrões de beleza atual. A autora admite que já fez dietas malucas para tentar ter o corpo dito como ideal, mas acredita que as mulheres não deveriam ter vergonha de não estar dentro do modelo imposto pela sociedade.

Fotos vazadas na internet: Como feminista assumida, Lena se posiciona abertamente sobre as fotos íntimas que vazam na rede. Quando atrizes como Jennifer Lawrence tiveram a privacidade invadida, a autora voltou a expressar sua opinião declarando que pessoas que divulgam essas imagens não são hackers, mas, sim, agressores sexuais.

Seja diante das câmeras, na internet ou agora nas livrarias, Lena Dunham é o tipo de garota que não passa despercebida. Com opiniões fortes, ela desperta não só atenção, mas respeito.

link-externoLeia também: A voz que faltava

testeGirls, de Lena Dunham, leva Bafta de melhor produção internacional

Série da HBO vencedora do Globo de Ouro, Girls rendeu mais um troféu para o currículo de Lena Dunham, no último domingo: o Bafta — prêmio da Academia Britânica de Artes da Televisão e Cinema — de melhor produção internacional. Roteirista, criadora e estrela do programa que retrata a vida de um grupo de mulheres na faixa dos 25 anos em Nova York, Lena foi eleita a pessoa mais legal de 2012 pela revista Time.

Seus conselhos “francos e engraçados sobre tudo, desde sexo até alimentação, incluindo viagens e trabalho”, estão sendo reunidos no livro de ensaios Not That Kind of Girl: A Young Woman Tells You What She’s Learned, que será publicado no Brasil pela Intrínseca (ainda sem previsão de data).

A terceira temporada de Girls já está sendo gravada e deve estrear em 2014.

testeIndicado a sete Oscars, Argo é o grande vencedor do Globo de Ouro

Jennifer Lawrence fatura estatueta de melhor atriz por O lado bom da vida, filme que concorre a oito prêmios da academia

Entre os filmes baseados em livros da Intrínseca que foram indicados ao Globo de Ouro de 2013, Argo foi o principal vencedor, com os prêmios de melhor filme e melhor diretor (para Ben Affleck) na categoria drama. O thriller inspirado no livro de não ficção homônimo de Antonio Mendez e Matt Baglio ainda concorre a sete Oscars, incluindo melhor filme e melhor roteiro adaptado.

Jennifer Lawrence, que atuou no filme O lado bom da vida, recebeu o Globo de Ouro de melhor atriz de comédia/musical. A produção, baseada no romance de Matthew Quick, também foi indicada a oito Oscars, entre eles melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado. 

Nas categorias televisivas, Girls levou o prêmio de melhor série de comédia ou musical e também deu à sua criadora, diretora, roteirista e estrela Lena Dunham a vitória como melhor atriz. A segunda temporada da série, aclamada pela crítica por retratar com honestidade a vida de um grupo de mulheres na faixa dos 25 anos em Nova York, estreia no Brasil no próximo domingo, dia 20, às 22h, na HBO. Eleita a pessoa mais legal de 2012 pela revista Time, Dunham está reunindo seus conselhos “francos e engraçados sobre tudo, desde sexo até alimentação, incluindo viagens e trabalho”, no livro de ensaios Not That Kind of Girl: A Young Woman Tells You What She’s Learned, que será publicado no Brasil pela Intrínseca (ainda sem previsão de data).

Baseado em Virada no jogo — como Obama chegou à Casa Branca, best-seller dos jornalistas John Heilemann (New York Magazine) e Mark Halperin (Time Magazine), o telefilme Game Change faturou os prêmios de melhor minissérie ou telefilme, melhor ator coadjuvante de série (para Ed Harris) e melhor atriz para Julianne Moore, que interpreta a ex-candidata a vice-presidente dos Estados Unidos, Sarah Palin.

Pela brilhante atuação em Downton Abbey, Maggie Smith, a Condessa Violet da série de TV britânica, recebeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante da categoria. Para os fãs do programa e todos os interessados na vida, na política, na moda e nas relações sociais da Inglaterra do início do século XIX, O mundo de Downton Abbey, guia oficial das duas primeiras temporadas, conta a história da aristocrática família Crawley e de seus criados, em uma suntuosa residência campestre da Inglaterra.

Confira abaixo a lista com todos os filmes e minisséries relacionados a livros da Intrínseca que foram premiados no Globo de Ouro de 2013:

Argo
Melhor filme (drama)
Melhor diretor (drama) – Ben Affleck

O lado bom da vida
Melhor atriz (comédia/ musical) – Jennifer Lawrence

Girls
Melhor série de comédia/musical
Melhor atriz de série de comédia/musical – Lena Dunham

Game change
Melhor minissérie ou telefilme
Melhor atriz de minissérie ou telefilme – Julianne Moore
Melhor ator coadjuvante de série, minissérie ou telefilme – Ed Harris

Downton Abbey
Melhor atriz coadjuvante de série, minissérie ou telefilme – Maggie Smith

Confira também as listas do SAG AwardsProducers Guild Awards e Spirit Awards.

Leia também:
Segunda temporada de Girls estreia em 20 de janeiro na HBO 

testeSegunda temporada de Girls estreia em 20 de janeiro na HBO

A segunda temporada de Girls, série aclamada pela crítica por retratar com honestidade a vida de um grupo de mulheres na faixa dos 25 anos em Nova York, estreia no próximo domingo, dia 20, a partir das 22h, na HBO. Com 26 anos, Lena Dunham é roteirista, criadora e estrela do programa vencedor do Globo de Ouro nas categorias de melhor série e de melhor atriz em musical ou comédia.

Eleita a pessoa mais legal de 2012 pela revista Time, Dunham está reunindo seus conselhos “francos e engraçados sobre tudo, desde sexo até alimentação, incluindo viagens e trabalho”, no livro de ensaios Not That Kind of Girl: A Young Woman Tells You What She’s Learned, que será publicado no Brasil pela Intrínseca (ainda sem previsão de data).