testeIntrínseca na Flip: conheça os autores que marcaram o festival

A Flip – Festa Literária Internacional de Paraty – já começou, e nós não poderíamos estar mais animados!

Em sua 17ª edição, o festival está recheado de novidades imperdíveis. Além da participação de nossas autoras Mariana Enriquez e Karina Sainz Borgo na programação oficial, a Intrínseca também marca presença na Flip 2019 com um book truck especial do nosso clube do livro, o intrínsecos, e com muitas outras surpresas!

Para você se preparar para esse grande evento, fizemos uma lista dos nossos autores que já participaram do festival literário. Relembre com a gente!

  1. Mariana Enriquez e Karina Sainz Borgo

     

Este ano, a Intrínseca traz duas consagradas autoras latino-americanas para a Festa Literária Internacional de Paraty: Mariana Enriquez e Karina Sainz Borgo.

Autora de As coisas que perdemos no fogo e do lançamento Este é o mar, Enriquez constrói em suas obras cenários fantásticos e sombrios que evidenciam o horror do cotidiano, em uma escrita fluida que prende o leitor do início ao fim.

Karina Sainz Borgo lançou em junho seu primeiro romance pela Intrínseca. Noite em Caracas traz uma poderosa história sobre uma mulher que enfrenta situações extremas, enquanto precisa aceitar a ausência definitiva da mãe, tudo isso em um país que também desaparece aos poucos. A obra, publicada em março na Espanha, se tornou um best-seller em menos de um mês.

Confira a programação da Flip 2019 aqui.

  1. André Aciman

Em 2018, o convidado foi ninguém menos que André Aciman. O autor de Me chame pelo seu nome e Variações Enigma conversou sobre o processo de escrita, o exercício da liberdade de escrever e a escolha de temas tabus ou proibidos – como homoerotismo, sexualidade feminina e religião.

Além disso, Aciman também respondeu algumas perguntas dos leitores durante a sua passagem pelo Brasil! Você pode conferir o vídeo aqui:

 

  1. Marlon James e William Finnegan

A edição de 2017 da Flip contou com a participação de dois autores incríveis: Marlon James e William Finnegan.

Autor de Breve história de sete assassinatos, Marlon James debateu a renovação da tradição americana do romance a partir de seu ponto de vista como jamaicano negro que migrou para os Estados Unidos.

Autor de Dias bárbaros, sua autobiografia vencedora do Prêmio Pulitzer, Finnegan conversou sobre as diferentes motivações de um escritor e a entrega ao trabalho.

  1. Helen Macdonald

Outra escritora que marcou presença na Festa Literária Internacional de Paraty foi Helen Macdonald, autora de F de Falcão. Em sua participação, Macdonald falou sobre como a sua paixão pela falcoaria a ajudou a lidar com o luto por conta da morte súbita do pai.

  1. Riad Sattouf

O renomado quadrinista Riad Sattouf compareceu à Flip em 2015. Ao lado do brasileiro Rafa Campos, o criador de O árabe do futuro participou da mesa “De balões e blasfêmias”.

Em sua série de HQ, que já tem três volumes publicados pela Intrínseca, o autor retrata o choque cultural experimentado durante sua infância. Nascido na França socialista de Mitterand, ele vivenciou as ditaduras da Síria de Assad e da Líbia de Kadafi.

  1. Michael Pollan e Joël Dicker

A Flip de 2014 foi abrilhantada pela presença de dois autores incríveis: Michael Pollan e Joël Dicker.

Em Cozinhar, Michael Pollan convida o leitor a redescobrir a experiência fascinante de transformar os alimentos. Ao relatar suas experiências pessoais com os processos de preparação da comida, Pollan propõe uma redescoberta de sabores e valores esquecidos.

Já em A verdade sobre o caso Harry Quebert, premiado romance policial de Joël Dicker, somos confrontados com um grande mistério. Protagonizado por um jovem e bem-sucedido escritor que passa por um bloqueio criativo, a trama envolve o assassinato de uma menina de 15 anos e a luta contra o tempo em busca do verdadeiro responsável pelo crime.

  1. Jennifer Egan

Em 2012, quem visitou Paraty e participou da Flip foi a norte-americana Jennifer Egan. A autora de A visita cruel do tempo e Praia de Manhattan marcou presença na mesa “Pelos olhos dos outros”, ao lado do autor inglês Ian McEwan.

Egan é vencedora do Pulitzer de Ficção e do National Book Critics Circle Awards de 2011 por A visita cruel do tempo, obra em que tece uma narrativa caleidoscópica, alternando vozes e perspectivas, cenários e personagens, para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida.

  1. Lionel Shriver

Autora do intenso Precisamos falar sobre o Kevin, Lionel Shriver ficou encantada pelo Brasil quando veio à Flip em 2010 para participar da mesa sobre violência e maternidade.

Em seu livro, conhecemos a história de Kevin, que aos 15 anos mata onze pessoas, entre colegas do colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados e nos olhares de julgamento que recebe.

testeEntre o real e o imaginário

Por Elisa Menezes*

“Não quero escutar as histórias de terror do bairro, que são todas inverossímeis e críveis ao mesmo tempo e que não me dão medo, pelo menos de dia.”

 

O trecho acima pertence ao conto “O menino sujo”, o primeiro dos doze que compõem o livro As coisas que perdemos no fogo, da jornalista e escritora argentina Mariana Enriquez. Não deixa de ser também uma espécie de síntese da obra dessa autora tão habilidosa em mesclar o crível e o inverossímil, extraindo aquilo de aterrorizante que existe no cotidiano. Suas histórias se desenrolam com naturalidade, fluidez e altas doses de humor ácido, mas o que provoca calafrios e tira o sono do leitor é justamente o que existe de real nelas. Voltando-se para situações banais — e banalizadas —, ela prova que a violência urbana, a ditadura militar, a recessão econômica e os feminicídios podem ser muito mais cruéis e assustadores do que qualquer monstro ou distopia.

Nascida em 1973 em Lanús, subúrbio a quinze quilômetros de Buenos Aires, Mariana cursou Comunicação Social em La Plata e se mudou para a capital portenha já adulta. A cidade é um personagem constante nas histórias da autora, que se interessa, contudo, pela faceta marginalizada, e não pelos cartões-postais. Com seu “realismo horror” — termo usado pela própria escritora —, Mariana expõe feridas históricas, ainda abertas e visíveis. São bairros cortados por rios contaminados por dejetos industriais, casas abandonadas em zonas violentas que um dia foram habitadas por famílias abastadas, edifícios onde presos políticos foram torturados, mortos ou “desaparecidos”.

A escritora já tinha oito livros publicados quando As coisas que perdemos no fogo foi editado na Espanha, tornando-a conhecida internacionalmente. Desde então o livro foi traduzido para mais de vinte idiomas e em 2017 recebeu o prêmio Ciutat de Barcelona na categoria “literatura castellana”.

Em sua obra mais recente, o romance Este é o mar, que a Intrínseca acaba de lançar no Brasil, a escritora deixa de lado seu terror moderno e investe na fantasia. Em entrevista à Televisão Pública Argentina, ela contou que sentiu vontade de escrever algo mais terno, aproximar-se dos personagens, e de ambientar uma história fora de seu país. Talvez por isso tenha escolhido falar sobre a relação de êxtase e amor que existe entre fãs e ídolos do rock, algo que ela mesma viveu na juventude.

Fascinada por mitologia desde a infância, a escritora se perguntou o que estariam fazendo hoje as musas, sereias e deusas, essas entidades atraentes e perigosas que inspiram e rodeiam artistas e navegantes. Em Este é o mar descobrimos que existem seres femininos que vivem em movimento perpétuo, nunca dormem e se alimentam da devoção das fãs reais por rock stars. Helena, a protagonista, é uma dessas criaturas que fazem parte do Enxame e que tomam forma humana para se misturar às groupies de carne e osso e incentivar a histeria.

Todas as noites iam gritar em algum show, geralmente em países diferentes. Todos os dias tinham de fazer vigília diante de um hotel, da porta de um teatro ou de um estádio, com o rosto pintado com corações e logomarcas, as mãos agarradas a pôsteres, chorando e esperneando. Deviam ler todas as entrevistas e decorar as respostas, repeti-las, citá-las. Tinham de entrar nas redes sociais, nos fóruns e tumblrs e facebooks e snapchats e instagrams e youtube e twittar e postar, deixar comentários, criar boatos, ameaças de suicídio. Deviam fazer amizade com as fãs reais e conseguir para elas objetos valiosos, discos e fotos autografadas, algum RT ou, melhor ainda, um follow, até uma DM.

Como se vê, o trabalho das herdeiras mitológicas é exaustivo. Por isso Helena deseja evoluir à Luminosa, deixar o Enxame e ganhar o direito de viver na Costa, de ter uma Casa. Antes, porém, precisa fazer uma Estrela e transformar essa Estrela em Lenda. Seu escolhido é o jovem e belo James Evans, vocalista da banda Fallen. No que depender dela, James será o próximo Kurt Cobain, o ícone belo, talentoso e de morte prematura (e misteriosa, para quem aprecia teorias da conspiração). Afinal, por trás de cada lenda do rock — Jim Morrison, Jimi Hendrix, Brian Jones —, há uma Luminosa responsável por seu estrelato e por seu fim.

Se em As coisas que perdemos no fogo os contos são narrados de forma distanciada e às vezes cruel, explorando o terror do cotidiano, em Este é o mar Mariana Enriquez dedica um olhar generoso, compreensivo, às fãs adolescentes, essas musas contemporâneas que inspiram os artistas e os elevam à categoria de deuses. Há ironia, mas também um desejo de mostrar os laços formados entre essas meninas, como eles geram senso de pertencimento, desdobrando-se em experiências coletivas intensas de afeto.

Novamente, a autora costura com maestria o real e o imaginário, jogando com o que existe de surreal nesses sentimentos tão exacerbados e apontando a humanidade que reside no inusitado universo sobrenatural que ela criou. Helena precisa matar o músico escolhido, torná-lo Lenda, para garantir a sobrevivência de sua espécie. Porém, ao conhecê-lo melhor, perceberá que não está imune às emoções que julgava exclusivamente humanas.

O resultado é um romance curto e ágil, repleto de referências mitológicas e da cultura pop, povoado por personagens femininas fortes — com espaço para uma história de amor. Este é o mar é um livro que fala do fim de uma era em vários sentidos. É uma espécie de adeus da autora à sua juventude e também ao tempo em que os ídolos eram universais.

 

*Elisa Menezes traduziu Este é o mar. É jornalista, editora e tradutora.

testeKarina Sainz Borgo e Mariana Enriquez na Flip 2019

A Festa Literária Internacional de Paraty promete debates importantes na edição de 2019. O homenageado deste ano será o escritor Euclides da Cunha, autor de Os sertões, e os temas discutidos serão, entre outros, o embate entre os indivíduos e os diversos tipos de opressão, desdobramentos da obra do autor carioca.

A Flip acontece entre os dias 10 e 14 de julho em Paraty e traz entre os destaques duas autoras da Intrínseca.

 

Venezuelana radicada em Madri, Karina Sainz Borgo é autora de Noite em Caracas, sua estreia na ficção. O livro, publicado em março na Espanha, logo se tornou um best-seller e ganhou cinco reimpressões em seu país de origem em menos de um mês.

Na trama, violência e anarquia ditam o ritmo da cidade de Adelaida Falcón. Após a morte de sua mãe, ela se depara com sua casa ocupada por um grupo paramilitar de mulheres e, de repente, perde todos os seus bens.

Durante seu processo de luto enquanto vive em um país que desaparece aos poucos, a narradora relata sua saga entremeando lembranças de um passado não muito distante, de uma vida simples como filha de professora em um grande centro urbano, com um presente no qual resistir se torna um ato de amor e coragem.

“Sainz Borgo consegue combinar as qualidades de jornalista às de romancista, criando um livro que é, ao mesmo tempo, uma experiência imaginativa e um retrato da violência de um país”, disse Fernanda Diamant, curadora do evento.

A autora divide a mesa Jeremoabo com Miguel Del Castillo na sexta-feira, 12/7, às 17h.

 

Aclamada pela crítica, a argentina Mariana Enriquez publica Este é o mar, seu segundo livro pela Intrínseca. Em seu novo romance, a autora de As coisas que perdemos no fogo constrói um retrato visceral da adolescência e traça na esfera do mitológico os aspectos mais perturbadores e indizíveis da essência humana.

Na trama, estrelas do rock se tornam inesquecíveis quando são alçadas à Lenda pelas Luminosas, seres femininos atemporais que se alimentam de devoção.

Helena é uma das responsáveis por manter a engrenagem do fanatismo pelos rockstars a todo vapor, incitando os jovens fãs humanos a darem tudo de si e a consumirem seu ídolo. Mas ela não quer ser apenas uma abelha operária, quer se tornar uma Luminosa e, para isso, precisa criar uma nova Lenda. Tendo a morte como aliada, sua missão é eternizar James Evans, o vocalista da banda Fallen — uma difícil tarefa em meio à era de carreiras meteóricas e das redes sociais.

Na Flip, a autora divide a mesa Santo Antônio da Glória com Braulio Tavares no domingo, 14/7, às 10h30.

testeAs variações do amor de acordo com André Aciman

Por João Lourenço*

Autor do sucesso Me chame pelo seu nome, André Aciman foi destaque na última edição da Flip. Ele veio ao Brasil para discutir os temas mais marcantes da sua obra: memória, desejo e busca de identidade. E também apresentou  seu novo romance, Variações Enigma

Acompanhei o evento pelo canal oficial da Flip no YouTube. Até então, não tinha visto nenhuma entrevista com o autor. A primeira impressão que tive foi a de estar diante de um conhecido. Aciman é generoso e humilde em suas observações. Veja só: temos aqui um dos maiores estudiosos da obra do grande escritor francês Marcel Proust. Mesmo assim, ele fala com os leitores com naturalidade, sem aquela linguagem rebuscada dos acadêmicos. Ele entende que o autor precisa criar pontes e não barreiras. 

***

Em Variações Enigma, Aciman retoma temas que fizeram sucesso em Me chame pelo seu nome. O narrador, Paul, está em busca de sua identidade, e esse processo é marcado principalmente pelo desejo sexual e pelas descobertas emocionais. Seria o protagonista gay ou bissexual? De acordo com André Aciman, ele é fluido. O autor acredita em uma identidade livre. “No fim das contas, a sexualidade de todo mundo é fluida”, respondeu a seus leitores. 

Esse é um dos diferenciais de André Aciman. Apesar de ser casado com uma mulher, ele não tem medo de ficar conhecido como um escritor de temática LGBTQ. Digo isso pois ainda temos autores gays que fogem desse título, que não discutem a questão e que temem que o rótulo “gay” possa afastar o público mais conservador. Em contrapartida, Aciman usa qualquer rótulo a seu favor. Ele entende que, em tempos sombrios, o artista deve se posicionar. A interferência possível e relevante é a sua voz, sua palavra. É isso que encontramos nos romances do autor, uma literatura plural e inclusiva — sem espaço para julgamentos.   

 

O enigma do amor ou o “vinho da vida”

André Aciman conquistou espaço nas prateleiras dos leitores com o romance Me chame pelo seu nome. O livro recebeu prêmios, foi adaptado para o cinema, indicado a quatro Oscar e levou o de Melhor Roteiro Adaptado.

A semelhança entre seu novo livro e Me chame pelo seu nome já pode ser percebida logo no primeiro capítulo. Em Variações Enigma também temos um adolescente passando as férias de verão em uma grande casa na Itália. O jovem da vez tem 12 anos e descobre que está apaixonado pelo carpinteiro da cidade. Em outro capítulo, o veremos apaixonado por uma mulher, agora em Nova York, em uma época e uma vida diferentes.  Seja por mulheres ou homens, a incontrolável força do desejo será o fio condutor do romance.  

Em uma obra menos linear, como se fossem peças de um quebra-cabeça que nem sempre se encaixam, Variações Enigma acompanha, sem pressa, momentos específicos da vida de Paul. O autor não está interessado em ligar os pontos: ele deixa as elipses para o leitor completar. Por sinal, André Aciman, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, diz que não acredita em “encerramentos”, seja na ficção ou na vida real. Para o autor, “a vida é apenas uma grande solução em suspenso, não há solução”. Cru na dosagem certa, André Aciman oferece sonhos quase reais para os leitores.

 

Título emprestado 

O título Variações Enigma foi inspirado na peça de música clássica homônima composta pelo inglês Edward Elgar, em 1899. Conta a lenda que, depois de um longo dia de estudos, Elgar começou a improvisar no piano. Uma das melodias chamou a atenção de sua esposa. Para entretê-la, ele explorou variações (quatorze, no total) sobre essa melodia, cada uma imitando o estilo de algum amigo. As variações representam um retrato emotivo de algumas das relações mais íntimas do compositor.

 

Variações sobre o mesmo tema

Assim como o compositor Elgar, André Aciman também teve a intenção de apresentar variações sobre a mesma melodia ou o mesmo tema — neste caso, a sexualidade, a busca de si e por paixões arrebatadoras —, aquilo que Edith Wharton chamou de “vinho da vida”. Paul narra em cinco capítulos (ou seriam cinco variações?) as maiores paixões que viveu — da adolescência à maturidade. 

 

Linguagem 

O grande truque de André Aciman é oferecer um tom e ritmo diferentes para cada capítulo de Variações Enigma, de acordo com as transições de idade e das emoções do narrador. Assim, cada conquista de Paul é contada por meio de vozes que não se repetem: fluxo de consciência, longos diálogos, trechos de e-mails e cartas. Alguns capítulos podem ser lidos como contos isolados. Variações Enigma acaba sendo aquele livro em que o leitor decide como classificá-lo: é um romance ou uma coleção de contos que conversam entre si? Você decide! 

 

A ficção imita a vida 

André Aciman, foto por: Matthew Leifheit

Em Me chame pelo seu nome, os personagens se expressavam em várias línguas. Na casa de André Aciman não era diferente. Nascido em Alexandria, no Egito, o autor cresceu rodeado de culturas e povos diferentes. Pense em uma casa onde se comunicavam em francês, italiano, grego e árabe. Assim como outras famílias de origem judaica, os Aciman foram expulsos do Egito e procuraram exílio na Itália. Em seguida, eles se mudaram para os Estados Unidos, onde André se formou em literatura comparada em Harvard. Antes de ser escritor, ele foi professor de literatura francesa. Atualmente, após quatro romances publicados, ele leciona no The Graduate Center em Nova York, nos Estados Unidos.

 

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York tentando escrever seu primeiro romance.

 

testeSomos como as águas sob aquela ponte

Por Suelen Lopes*

(Fonte: Cmbynmonet)

É muito difícil admitir para nós mesmos e para o mundo que algo não pôde ser. Ou ao menos que não ocorreu exatamente do jeito que tínhamos planejado. E quando isso acontece na vida afetiva, em geral queremos desaparecer por um tempo, desejamos que as palavras sumam. Cada sílaba é um soco, uma lágrima, uma pressão no peito. Nisso somos todos bem parecidos: queremos que a dor passe. Dizem que o tempo cura tudo, mas o tempo também pode ser cruel.

Em Me chame pelo seu nome, André Aciman nos trouxe Elio e Oliver. Os dois nos fizeram mergulhar num mundo de descobertas, apreensões e deslumbramentos. A primeira paixão de Elio dialoga com algo muito íntimo em nós, e precisamos tomar fôlego e secar as lágrimas para seguir em frente. As inseguranças, obsessões e fantasias que o dominam poderiam ser nossas, são traços de uma relação tão intensa que jamais foi ou será esquecida.

Acompanhamos Elio como se caminhássemos por uma ponte. De um lado, temos os pés firmes no chão. Do outro, algo nos chama. Caminhar por essa ponte é apavorante, pois sabemos que o que há sob ela pode abalar estruturas, lançar sobre nós tudo o que nos desespera e, então, nos afogar. E cada um conhece muito bem os próprios medos. Justamente por isso, ninguém é o mesmo quando chega ao outro lado, e ainda se tornará muitos outros naquela vida prestes a começar. É bem possível que cruzemos essa ponte mais de uma vez. Várias vezes, aliás. A vida é implacável como o tempo.

Em Variações Enigma, André Aciman narra a trajetória de Paul, desde sua juventude, quando se apaixonou pela primeira vez na Itália, até seus relacionamentos caóticos, já adulto nos Estados Unidos. Há mais pontes. Caminhamos com ele em suas tentativas amorosas, deparamos com questionamentos que surgem quando estamos fora dos padrões e nos vemos diante da estranha e incômoda solidão que surge mesmo estando cercados de tantas pessoas e possibilidades. A imprevisibilidade dos acontecimentos e das pessoas nos marcam. Com Paul, constatamos como até mesmo o que não vivemos pode nos construir ou nos corroer. As questões se repetem, novidades chegam, a dor nos abraça, a alegria nos consola. Lidar com o outro é uma caixinha de surpresas, e nós mesmos nos tornamos outros a cada outro que encontramos. Portanto, somos também enigmas. Somos instáveis como as águas sob aquela ponte.

Trabalhar na edição de livros como Me chame pelo seu nome e Variações Enigma faz o tempo passar de um modo diferente. Continuamos lidando com toda a correria do dia a dia, reclamamos de problemas, mas esse novo tempo traz boas emoções à tona. E, no entanto, há sempre algo que dói. Fico extremamente tocada com o traço humano dos personagens de Aciman. Eles apresentam toda sua potência justamente quando assumem suas vulnerabilidades, suas dúvidas, seus sentimentos. A força deles está nesse movimento de se enxergar, de mostrar como amar não é apenas ver o outro. O tempo, de fato, nos dá aquele paliativo para que não lembremos quanto somos quebrados. Então enfaixamos nossas partes despedaçadas na esperança de que voltemos a ser completos.

“Meu lugar era ali, assim como meu lugar era este planeta e suas pessoas, mas com uma condição: sozinho, sempre sozinho”, diz Paul. Estar com o outro e também saber estar sozinho. Editar um livro tem seus momentos solitários. Claro que os colegas estão ali do lado, você pode falar das suas dúvidas e fazer comentários, mas quando editamos convivemos com o texto traduzido e com o original por meses, tomamos decisões, fazemos escolhas, pensamos e sentimos o que todo aquele conjunto envolve. E então nos despedimos, ficamos contentes de ver o livro chegar até vocês. Quando há comentários tão interessantes e emocionados dos leitores, como no caso de Me chame (e já alguns sobre Variações), a voz antes solitária parece enfim ganhar vida. Por isso fica aqui o meu agradecimento por ecoarem essas palavras, por não deixarem morrer as memórias dos dias que vivi junto desses livros, por apaziguarem qualquer crueldade do tempo. Obrigada por me fazerem sentir que ainda vale a pena cruzar essas pontes.

*Suelen Lopes é editora assistente de livro estrangeiros na Intrínseca. Gosta de chá, nuvens e francês, e acredita que dar voz à vulnerabilidade humana ainda vai mudar o mundo.

testeConheça o novo livro do autor de “Me chame pelo seu nome”

No cinema e na literatura, Me chame pelo seu nome emocionou fãs do mundo inteiro e deixou a sua marca na cultura pop. André Aciman foi consagrado pela sua narrativa intensa e sensorial, focada nos sentimentos atordoantes da primeira paixão e na descoberta da sexualidade.

Variações Enigma, novo livro do autor, retoma alguns desses temas com um novo olhar. Agora com um toque mais maduro, André Aciman explora a busca pelo amor, os dilemas do desejo, o poder avassalador do tempo e a fluidez da sexualidade.

O livro acompanha as relações da vida de Paul: desde o sul da Itália, quando se apaixonou por um jovem marceneiro do vilarejo onde passava seus verões, até Nova York, onde acredita estar sendo traído pela namorada e se interessa por seu parceiro de tênis. Não importa onde ou quando, suas relações são caóticas, transitórias e marcadas pela força do desejo. Diante dos recortes da vida de Paul, entendemos como é impossível restringir uma pessoa a uma única linha melódica e como a busca por amor e a busca por nós mesmos se entrelaçam.

André Aciman participa da Festa Literária Internacional de Paraty, que ocorre entre os dias 25 e 29 de julho em Paraty, Rio de Janeiro. Ele divide a mesa “Interdito” com Leïla Slimani. Na conversa marcada para sexta-feira, 27 de julho, às 17h30, eles discutem o exercício da liberdade de escrever e a escolha de temas tabus ou proibidos, como homoerotismo, sexualidade feminina e religião.

Variações Enigma chega às livrarias a partir de 9 de julho. Leia um trecho.

testeConfira a programação da Intrínseca na Flip

Amor, sexo, morte, Deus, finitude e transcendência: essas são algumas das palavras escolhidas para descrever a edição de 2018 da Festa Literária Internacional de Paraty. A homenageada desse ano será a escritora Hilda Hilst. A Flip acontece entre os dias 25 e 29 de julho, em Paraty, e traz entre os destaques André Aciman, autor de Me chame pelo seu nome.

 

André Aciman na Flip:

  • 26 de julho:

Às 20h, Aciman participará da primeira noite do sarau na Casa Hilda Hilst, lendo um trecho da obra da autora.

  • 27 de julho:

O autor divide a mesa “Interdito” com Leïla Slimani, escritora marroquina radicada na França e ganhadora do Prêmio Goncourt. Na conversa marcada para sexta-feira, 27 de julho, às 17h30, eles discutem o exercício da liberdade de escrever e a escolha de temas tabus ou proibidos – como homoerotismo, sexualidade feminina e religião.

  • 28 de julho:

André Aciman participará da Programação Amazon na Casa Santa Rita da Cássia, às 15h, falando sobre o processo de escrita, construção de personagens e histórias.

Me chame pelo seu nome inspirou o filme dirigido por Luca Guadagnino, aclamado em festivais em todo o mundo e indicado a quatro categorias do Oscar 2018. A obra acompanha Elio, filho de um importante professor universitário, cuja família hospeda um escritor diferente todo ano em sua casa de veraneio. E é assim que eles recebem Oliver, um pós-graduando trabalhando em seu livro. Elio se encanta pelo americano espontâneo e atraente de 24 anos e, em meio às lindas paisagens da Riviera italiana, os dois descobrem a beleza e a intensidade da primeira paixão. Uma experiência inesquecível que os marcará para o resto da vida.

testeViolência, política e música na Jamaica de Marlon James

Marco Antonio Barbosa*

Esta é a história dos foras da lei de West Kingston. Um faroeste precisa de um mocinho para usar o chapéu branco e um bandido para usar o preto, mas, na verdade, a realidade da periferia está mais próxima do que Paul McCartney disse sobre o Dark Side of the Moon, do Pink Floyd. Tudo é sombrio. Cada guerreiro é um caubói sem casa, e cada rua tem um tiroteio escrito com sangue em alguma canção.

A vida humana parece valer pouco em Kingston, capital da Jamaica. Até pouco tempo, o país detinha a mais alta taxa de assassinatos per capita do mundo. Na década de 1970, a vida valia ainda menos. Nessa época, as disputas entre gangues iniciadas pouco depois da independência da Jamaica, em 1962, viram uma escalada de violência sem precedentes — uma guerra que incluía disputas políticas, interferência da CIA e a expansão de uma lucrativa rede de tráfico de drogas. Tudo isso em um momento que o país ganhava inesperada relevância global com a ascensão do reggae, movimento liderado por Bob Marley e The Wailers.

É com essa Kingston dos anos 1970 que Marlon James abre Breve história de sete assassinatos, obra que explora as últimas quatro décadas de história da Jamaica em mais de 700 páginas. O romance não poupa o leitor (e muito menos os personagens) ao descrever a miséria e a violência reinantes na periferia da capital e as ligações perniciosas entre a “cidade baixa” (onde ficam as favelas) e a “cidade alta” (onde vivem os ricos e poderosos). Dezenas de personagens dão voz à narrativa, em uma alternância de pontos de vista que revela uma complexa rede de motivações e sentimentos conflitantes. A coragem do escopo, a contundência da trama e a ambiciosa polifonia valeram a Marlon James o Man Booker Prize de 2015, o mais prestigiado prêmio literário do Reino Unido. O autor, nascido em Kingston em 1970, foi o primeiro jamaicano a receber a honraria. (Há anos, James não vive mais na Jamaica; a violência o fez emigrar.)

Marlon James por Jeffrey Skemp

 

A menção a Bob Marley no início deste texto não foi gratuita. O rei do reggae — ou melhor, o Cantor, nome que James usa para se referir a Marley no livro — é um dos personagens mais importantes do capítulo inicial. O autor destaca em toda a obra a importância da música popular como válvula de escape para a pobreza; não por acaso, as partes que compõem o livro são batizadas com títulos de clássicos do reggae. Além de ser o jamaicano mais famoso do mundo nos anos 1970, Marley detinha grande influência entre políticos e criminosos em Kingston.

James explora essas conexões no primeiro capítulo, que culmina com o atentado à vida do astro, ocorrido em 3 de dezembro de 1976. Como muitos dos principais acontecimentos do romance, trata-se de uma história nebulosa que une criminalidade e política, apresentada sob várias perspectivas. Bob Marley preparava-se para um grande show ao ar livre, o festival Smile Jamaica, e o evento tinha o intuito de apaziguar a violência na periferia e unir o povo. Dois dias antes da apresentação, homens armados invadiram a casa do cantor (ou Cantor) e o balearam, atingindo também sua esposa Rita e seu empresário Don Taylor. Ninguém morreu, ninguém foi preso, e até hoje, ao menos oficialmente, a identidade dos atiradores ainda é desconhecida.

O que se sabe é que o Smile Jamaica foi usado pelo então primeiro-ministro jamaicano, Michael Manley (do Partido Nacional Popular) como arma política — o que certamente desagradou seu principal adversário, o Partido Trabalhista da Jamaica. Tanto o PNP quanto o PTJ tinham braços armados, recrutados entre os gângsteres da periferia. Os Estados Unidos também estavam de olho no cenário, fornecendo armas aos “militantes” do PTJ (que se opunha às políticas esquerdistas de Manley). Bob Marley desejava que o show não tivesse conotações partidárias, mas não só fracassou nesse intuito como quase morreu. É em meio a esse furacão caribenho que Marlon James traça Breve história de sete assassinatos.

A narrativa de Breve história de sete assassinatos se inicia em West Kingston, a área mais barra-pesada de uma das capitais mais perigosas do mundo. Marlon James toma algumas liberdades criativas, mas dá a noção exata da pobreza e da violência que dominam a região.

 
 
 

…E SUAS PERSONAGENS

Além de Bob “Cantor” Marley, Marlon James se apropria livremente de outras pessoas para criar alguns personagens:

 

A experiência de ler a obra de Marlon James dialoga com outros universos conhecidos, como o mundo cão de Cidade de Deus, de Paulo Lins. Além disso, a riqueza da linguagem, que incorpora as gírias e expressões próprias do gueto jamaicano, evoca a liberdade semântica de autores como Roddy Doyle (outro vencedor do Man Booker Prize) e Irvine Welsh (com sua recriação dos dialetos proletários da Escócia). Breve história de sete assassinatos é uma leitura única, em que a confluência de vozes, as motivações e a contundência descritiva amplificam a humanidade dos personagens.

>> Confira a participação de Marlon James na Flip

>> Ouça a playlist inspirada em Breve história de sete assassinatos

 

Marco Antonio Barbosa é jornalista desde 1996. Passou pelas redações de Jornal do Brasil, Extra, Veja Rio e Globo.com, escrevendo sobre cultura, mídia e comportamento. Hoje publica textos inéditos em https://medium.com/telhado-de-vidro.

testeUma vida de aventuras pelas ondas e culturas ao redor do mundo

Você não precisa ser surfista para gostar de Dias bárbaros, de William Finnegan, o livro mais fascinante sobre surfe já publicado

Por Adrian Kojin*

 Finnegan surfando em Fiji [Foto: Arquivo Pessoal]

Um livro sobre surfe premiado com o prestigioso Prêmio Pulitzer? Um dos mais renomados jornalistas políticos da conceituada revista americana The New Yorker contando como desbravou algumas das melhores ondas do planeta e viveu o auge da cultura hippie numa ilha havaiana? Sem dúvida soa um pouco estranho, meio fora de lugar. O próprio William Finnegan admitiu ao jornal inglês The Guardian no lançamento de sua autobiografia que “estava relutante em sair do armário como surfista”.

Surfista dos bons, é importante ressaltar, daqueles que “botam pra baixo” em ondas enormes e cruzam o globo em busca do efêmero prazer que só quem já experimentou a sensação de deslizar sobre uma onda perfeita entende. Algo tão obsessivo que permeou toda a vida do autor de Dias bárbaros, ao ponto de se tornar o fio condutor de sua autobiografia. Seus dias como correspondente de guerra e repórter investigativo que denunciou o racismo na África do Sul, os cartéis da droga no México e a pobreza nos Estados Unidos, entre outros assuntos de forte cunho social, estão no livro, mas o que prevalece é sua paixão por uma atividade que ele mesmo classifica como “deliberadamente inútil, um improdutivo culto à natureza, uma devoção a deuses estranhos”.

Pois é justamente esse paradoxo entre a trajetória de surfista itinerante e a de jornalista premiado que faz de Dias bárbaros um relato tão especial. Tendo passado a infância na Califórnia e no Havaí, berço do surfe, ele desde cedo surfava o máximo possível. O surfe acabou por guiá-lo por uma vida repleta de aventuras, mas que apesar disso, ou talvez por isso mesmo, era permeada por um constante questionamento sobre qual deveria ser seu papel na sociedade e no mundo.

Em Maui, ele flertou com a morte surfando a icônica baía de Honolua sob efeito de drogas psicodélicas. Nas ilhas do Pacífico Sul, acumulou um vasto conhecimento antropológico sobre os povos locais de forma empírica. Ao aportar em Fiji, foi um dos pioneiros de Tavarua, uma minúscula ilha com duas das ondas mais perfeitas do planeta. Por anos ele manteria segredo sobre a valiosa informação de como chegar a Cloudbreak e Restaurants, picos que hoje em dia estão entre os mais cobiçados do mundo. Já na Indonésia ele faria parte da primeira leva de surfistas a experimentar o poder dos tubos de Grajagan, onde pôde sentir o gosto do inferno em pleno paraíso.

Enquanto descreve a intimidade quase sensual que tinha com o oceano, Finnegan também envolve o leitor nas suas relações amorosas e na dificuldade em mantê-las quando as ondas o chamavam. Quem desejasse viver ao seu lado deveria aceitar sua condição de surfista, já que ele mesmo não conseguia escapar dela. A honestidade do autor em não querer fazer do surfe mais do que ele é, mas ao mesmo tempo deixando claro que continuar surfando era imprescindível para sua própria existência, é um dos grandes trunfos do livro.

Certamente foi esse olhar inteligente, capaz de oferecer uma visão de dentro e de fora da bolha do surfe, que fez com que Dias bárbaros conquistasse um feito de certa maneira até mais desafiador do que receber o Prêmio Pulitzer de melhor biografia/autobiografia de 2016. A aprovação dos ilustres jurados indicados pela Universidade de Colúmbia, de Nova York, é prova da indiscutível qualidade literária de qualquer obra que seja agraciada com essa distinção, mas o livro de William Finnegan foi mais longe ainda, ao agradar ao mesmo tempo leitores surfistas e leigos, algo muito difícil de acontecer quando o assunto é surfe. A impressão que costuma ficar na leitura de outras obras sobre o tema é a de que elas são tão específicas que se tornam restritas aos iniciados, ou tão genéricas que estes as desprezam. Não dessa vez. Essa onda é para todos.

>> Leia um trecho de Dias bárbaros
>> Confira detalhes sobre a participação de William Finnegan na Flip e pós-Flip

 

Adrian Kojin é jornalista especializado em surfe. Foi editor da versão brasileira da conceituada publicação californiana The Surfer’s Journal e por mais de uma década dirigiu a revista Fluir. Também colaborou com diversas outras publicações, como as revistas Surfer e Surfing, da Califórnia. Traduziu para o português as biografias de Kelly Slater, Mick Fanning e Shaun Tomson, e editou os livros Arpoador Surf Club, Pororoca — A onda da Amazônia, entre outros. Atualmente é o editor para o Brasil do maior site especializado em surfe no mundo, o Surfline.com, e colaborador do site da World Surf League. É autor de Alma panamericana.

testeConfira a programação da Intrínseca na Flip e pós-Flip

Ilustração : Fernanda Pio
Fotografia : Alexandra Jaguaribe
 

Com mais escritoras mulheres do que homens e 30% de autores negros entre os convidados, a edição de 2017 promete ser a de maior diversidade da Festa Literária de Paraty em 15 anos. O homenageado da vez será o escritor Lima Barreto. A Flip acontece entre os dias 26 e 30 de julho, em Paraty, e traz entre os destaques dois autores que são publicados pela Intrínseca.

 

Marlon James na Flip:

Primeiro escritor jamaicano a vencer o Man Booker Prize, principal prêmio da literatura britânica e um dos mais reconhecidos da literatura internacional, Marlon James é autor do monumental Breve história de sete assassinatos. A partir da tentativa de assassinato a Bob Marley, ocorrida às vésperas das eleições jamaicanas em 1976, a obra explora o instável período histórico do país e apresenta uma sucessão de personagens — assassinos, traficantes, jornalistas e até mesmo fantasmas — que andaram pelas ruas de Kingston nos anos 1970, dominaram o submundo das drogas de Nova York na década de 1980 e ressurgiram em uma Jamaica radicalmente transformada nos anos 1990.

Na Flip, o autor divide a mesa “O grande romance americano” com Paul Beatty, autor originalmente publicado pela mesma editora independente de James e que também recebeu o Man Booker Prize. Na conversa marcada para sábado, 29, às 21h30, eles discutem a renovação da tradição americana do romance a partir de seus pontos de vista particulares, o de um americano negro e o de um jamaicano negro que migrou para os Estados Unidos, onde ambos lecionam escrita criativa. 

Após a Festa Literária, Marlon James participa de bate-papo e sessão de autógrafos na terça-feira, 1º de agosto, às 19h, na Saraiva do Pátio Paulista, em São Paulo. O autor conversa com o tradutor de seu romance, André Czarnobai, com mediação do jornalista Álvaro Pereira Jr. Confirme sua presença.

 

William Finnegan na Flip:

Repórter da revista The New Yorker, o premiado correspondente de guerra William Finnegan chega ao Brasil junto com a publicação de sua autobiografia vencedora do Prêmio Pulitzer. Em Dias bárbaros, o escritor americano narra, a partir de sua trajetória no surfe, as histórias da época em que pertencia a uma gangue de meninos brancos no Havaí, a loucura que impregnou jovens e adultos na década de 1960, sua vivência das ondas mais famosas do mundo e tudo o que aprendeu com elas — do pesar de ter usado LSD para desbravar a baía de Honolua, em Maui, à satisfação intensa de atravessar os recifes da Polinésia de mapa em punho para descobrir uma das maiores ondas que existem.

O jornalista, que cobriu conflitos na África enquanto, nas horas vagas, praticava obsessivamente o surfe, participa da mesa “Por que escrevo” ao lado da sul-africana Deborah Levy. No debate, que acontece na sexta-feira, 28, às 21h30, eles discutem as diferentes motivações de um escritor e a entrega ao ofício. 

Após a Flip, Finnegan participa de sessão de autógrafos e de bate-papo com Rafael Mellin e Arnaldo Bloch na segunda-feira, 31 de julho, a partir das 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro. Confirme sua presença

Clarice Freire na Flip:

A autora de Pó de Lua, participa de bate-papo com Rafael Coutinho, no Centro Cultural Sesc Paraty na quinta-feira, 27, a partir das 14h.