teste5 livros para (re)descobrir seu amor pela ciência

Cientistas geralmente não são os primeiros da lista quando pensamos nos principais personagens de histórias incríveis. Quase sempre imersos em pesquisas e estudos, não imaginamos que essas mentes brilhantes possam ter histórias incríveis para contar.

Pensando nisso, separamos livros que vão fazer até mesmo o pior aluno de ciências se apaixonar pelos mistérios do Universo. Confira:

 

Uma breve história do tempo, de Stephen Hawking

Como falar de cientistas fantásticos sem mencionar Stephen Hawking? Considerado um dos mais importantes cientistas da atualidade, ele fez descobertas sobre a natureza do tempo e o funcionamento dos buracos negros. Suas teorias revolucionárias também elevaram seu nome ao patamar de gênios como Galileu, Newton e Einstein. Mesmo sofrendo de esclerose lateral amiotrófica, que o prendeu a uma cadeira de rodas e o privou de todos os movimentos, nada o impediu de se tornar um dos maiores cientistas da história.

Em Uma breve história do tempo, um clássico da divulgação científica, Hawking apresenta ilustrações criativas e bom humor ao desvendar desde os mistérios da física de partículas até a dinâmica que movimenta centenas de milhões de galáxias por todo o Universo.

 

Endurance: Um ano no espaço, de Scott Kelly

Muita coisa pode acontecer em um ano no espaço. Após retornar de um dos maiores períodos a bordo da Estação Espacial Internacional, o astronauta americano Scott Kelly trouxe consigo uma mensagem de esperança que inspirará as próximas gerações.

Em seu relato, a humanidade, a compaixão, o bom humor e a determinação ficam visíveis à medida que ele conta sobre a infância nos Estados Unidos e a inspiração durante a juventude que culminou em sua surpreendente carreira, além da certeza de que Marte é o próximo grande desafio dos Estados Unidos no que se refere ao espaço.

 

História da sua vida e outros contos, de Ted Chiang

Como a ciência pode nos emocionar? Em sua coletânea de contos, Ted Chiang apresenta histórias que vão da Torre de Babel à chegada de alienígenas na Terra. São narrativas incríveis que nos fazem refletir sobre a cultura, a tecnologia, nossos relacionamentos e a sociedade.

O conto “História da sua vida” inspirou o emocionante filme A chegada, com Amy Adams e Jeremy Renner, e é apenas uma das diversas histórias que vão fazer você se apaixonar por esse livro.

 

Matéria escura, de Blake Crouch

Das mais simples às mais complexas, a vida é uma sucessão de escolhas. De bobagens como “Onde vamos almoçar?” até os grandes questionamentos como “Qual curso fazer na faculdade?”, as escolhas alteram nosso futuro. Mas e se a cada vez que tomamos uma decisão, o universo se dividisse: um no qual tomamos a decisão A e outro no qual tomamos a decisão B? Esse é o conceito que o premiado cientista Jason Dessen busca explicar em sua pesquisa secreta.

Em Matéria escura, Blake Crouch, autor da trilogia Wayward Pines, explora as inúmeras possibilidades que a vida pode nos apresentar. No livro, Jason é raptado e se vê em uma realidade que parece outra versão da sua vida. Preso em um laboratório, ele precisa descobrir como recuperar a família que tanto ama.

 

Aniquilação, de Jeff VanderMeer

Na série Comando Sul, um lugar inóspito conhecido como Área X entra em um silêncio misterioso após um incidente. Cabe a uma organização governamental enviar expedições para a região — mas a natureza começa a agir de formas estranhas. Mesclando ficção científica e terror, Aniquilação, o primeiro volume da série, é o relato da décima primeira expedição, na qual nada sai como o esperado. A história chegará aos cinemas em 2018, com Natalie Portman no papel principal.

testeAssista agora ao primeiro trailer de Aniquilação, com Natalie Portman!

Dirigido por Alex Garland, responsável pelo aclamado Ex-Machina: Instinto Artificial, a adaptação cinematográfica de Aniquilação, de Jeff VanderMeer, tem Natalie Portman (Cisne Negro) no papel principal da bióloga da 12ª expedição à Área X. O primeiro trailer foi divulgado, confira:

No livro, um grupo de  mulheres é enviado na décima primeira expedição a uma região conhecida como Área X, que foi isolada do resto do mundo e onde criaturas e fenômenos bizarros apagaram todos os vestígios da presença humana, exceto um misterioso farol. A equipe da expedição é composta por uma bióloga, uma antropóloga, uma topógrafa e uma psicóloga, e o livro aborda a reação das personagens aos fenômenos da região.

O filme de Aniquilação estreia em 2018.

Leia um trecho de Aniquilação.

testeUma semana sobre Matéria escura

Durante a semana, nossos blogs parceiros mergulharam no (múltiplo) universo de Matéria escura, sci-fi de Blake Crouch recém-lançado pela Intrínseca. Ao longo dos dias, eles deram suas opiniões sobre o livro, refletiram sobre escolhas feitas e sugeriram atores para o filme inspirado na obra, já em produção. Foi uma grata surpresa ver a recepção calorosa de todos, e compartilhamos aqui algumas das reações. Confira abaixo:

O blog Mais que livros diz que “a trama criada por Crouch tem um magnetismo incrível que captura a atenção do leitor desde as primeiras páginas”.

A menina que comprava livros mostra que o livro não é convencional e que é essa diferença o que chama a atenção do leitor: “Não é um livro comum, nem pela história, nem pelo final, e foi exatamente esse diferencial que me fez gostar tanto. ”

Mas, se você precisa de uma definição mais direta, as opiniões do Parafraseando livros e do Tédio Social são ideais:

“Sabe quando você termina um livro e fica tão empolgado com ele e quer que TODO MUNDO leia também?! Então, foi assim que me senti!”

“Já estou enchendo o saco dos amigos repetindo ‘leia Matéria escura’, pois o mundo precisa conhecer essa versão de mundo criada pelo autor.”

Além das opiniões sobre o livro em si, convidamos nossos blogueiros a pensar nas próprias escolhas do  passado:

“Quando pensamos em escolha, em livre-arbítrio e em percalços que encontramos no caminho, vem à minha mente a pergunta: E se? E se eu tivesse feito diferente? Que impacto uma escolha do meu passado teria em meu presente?” (Viaje na leitura)

“Já pensei milhares de vezes nisso: como diz o livro, qualquer decisão ao longo da nossa vida poderia ramificar nosso futuro. Desde cortar caminho para ir ao trabalho e decidir ou não sair naquela sexta-feira à noite até aceitar uma proposta de emprego.” (La Vie Est Ailleurs)

“Somos definidos pelas nossas escolhas, elas nos fazem ser quem somos hoje. Cada ação tem uma reação. É algo muito interessante, curioso e perturbador, pois nunca saberemos o que poderia ter acontecido.” (Claquete Literária)

O livro chegará aos cinemas pela Sony, e o responsável por blockbusters como Independence Day, Roland Emmerich, está cotado para dirigir. Alguns nomes para os papéis principais sugeridos por nossos parceiros foram Chris Pratt (Guardiões da Galáxia) ou Gerard Butler (300) como o protagonista Jason, Penélope Cruz (Piratas do Caribe) como sua esposa, Daniela, além de Dianna Agron (Eu Sou o Número Quatro) como a misteriosa Amanda, e o protagonista de O Lar das Crianças Peculiares, Asa Butterfield, foi a principal indicação para Charlie, filho do personagem principal.

O blog Cabana do Leitor buscou as origens da matéria escura de verdade e descobriu mais perguntas do que respostas: “astrônomos não sabem exatamente o que é. Eles sabem que é matéria, porque conseguem medir sua existência por meio da força gravitacional que ela exerce, e escura porque não emite luz nenhuma através dela. Essa segunda propriedade é justamente o que dificulta seu estudo. Todas as observações de corpos no espaço são feitas a partir da luz ou de outro tipo de radiação eletromagnética emitida ou refletida pelos astros. Como a matéria escura não faz nenhuma dessas coisas, é ‘invisível’. Ainda assim, sabe-se que ela está lá.”

Nas conclusões finais, o Free Time Nerd definiu Matéria escura como “Um thriller sci-fi que vai fascinar, superar as expectativas de muitos e saciar corações que há muito não leem uma obra tão bem desenvolvida. Algo tão diferente e ao mesmo tempo tão real que você vai se perguntar se aquilo pode realmente acontecer.”

E o Conjunto da Obra foi direto: “Se você ainda tem alguma dúvida se deve ler ou não esse livro, não tenha: ele é puramente brilhante.”

testeMatéria escura, constantes e variáveis

Das mais simples às mais complexas, a vida é uma coleção de escolhas. De bobagens como “Qual curso fazer na faculdade?” até os grandes questionamentos da vida como “Onde vamos almoçar?”, as escolhas alteram nosso destino, e, após tomada uma decisão, não é possível saber o que aconteceria se optássemos por arquitetura e salada, em vez de publicidade e hambúrguer.

Mas e se fosse possível? E se cada vez que tomamos uma decisão, o universo se dividisse: um no qual tomamos a decisão A e outro idêntico até o ponto no qual a decisão B foi tomada? Esse é o conceito que o cientista premiado Jason Dessen busca explicar em sua pesquisa secreta.

Ao menos em uma versão do universo. Em outra, Jason Dessen teria sido um professor humilde em sua cidade natal de Chicago, um feliz pai de família, que vive à sombra de um ex-colega de faculdade.

Em Matéria escura, Blake Crouch, autor da trilogia Wayward Pines, explora as possibilidades de imaginarmos outras versões de nós mesmos. No livro, Jason é raptado e se vê em uma realidade que parece outra versão da sua vida. Preso em um laboratório, ele precisa descobrir como recuperar a família que tanto ama.

“Se existem mundos infinitos, como faço para encontrar aquele que é singularmente, especificamente, o meu?”

Um thriller de ficção científica irresistível sobre escolhas, caminhos não tomados e até onde somos capazes de ir para conquistarmos a vida que sonhamos, Matéria escura teve seus direitos comprados para o cinema quando ainda era um manuscrito de 150 páginas. O filme será lançado pela Sony Pictures, ainda sem data confirmada. O diretor de blockbusters como Independence Day, Roland Emmerich, está cotado para a produção.

>>Leia um trecho de Matéria escura

testeO universo não se importa. Ainda bem.

Por Bruno Machado*

Buracos negros não se importam com nada. (Fonte)

É comum acreditar que, quando todas as coisas parecem dar errado, existe alguma conspiração universal focada em acabar com os seus planos. Tudo parece desandar, as pessoas horríveis surgem a todo momento e o pessimismo cresce com força total. Nessas horas, é importante lembrar: o universo não está dando a mínima para o que acontece na Terra, e é maravilhoso que ele funcione assim.

Essa informação parece um convite ao pessimismo, mas na verdade é uma verdadeira bênção. Se somos insignificantes perante a magnitude do cosmos, é de se pensar que conspirações, sejam elas divinas ou meramente mundanas, não se apliquem a nós, humanos. E que tudo que fazemos ou deixamos de fazer não depende de sorte ou crença, e sim de trabalho árduo. Lendo o novo livro do físico Stephen Hawking, Buracos negros, é possível perceber que a nossa melhor característica para a galáxia é a irrelevância.

Em duas palestras à BBC, Hawking apresenta uma informação interessante: buracos negros não se importam com nada, e você deveria ser um pouco assim. Depois de anos de teses, artigos, livros, palestras, o objetivo do físico é o mesmo: mostrar que a ciência pode não ser tão complicada assim.

“Dizem que às vezes a realidade é mais estranha que a ficção. Em nenhum lugar isso é mais verdadeiro que no caso dos buracos negros. Os buracos negros são mais estranhos que qualquer coisa já sonhada por escritores de ficção científica, mas são fatos do mundo da ciência.”

No livro, o autor/cientista explica que, até que seja provado o contrário, nada passa despercebido por um buraco negro. Mesmo a luz fica presa no horizonte de eventos (de uma forma resumida, é a “borda” do buraco negro). E o que está dentro de uma dessas estruturas espaciais? Ninguém sabe com certeza. O físico até aponta que, se buracos negros expelissem qualquer tipo de informação, seria algo tão aleatório que a chance de sair uma nave espacial, uma enciclopédia em capa dura ou um vaso de plantas é exatamente a mesma.

Brincadeiras à parte, Hawking explica que a ciência dos buracos negros é algo tão complexo e colossal que, se um dia formos capazes de entender o funcionamento de uma dessas coisas, a humanidade dará início a uma nova era, na qual a compreensão e o debate sensato substituirão o espetáculo de sandices e absurdos que vivemos hoje.

Então, enquanto a ciência não conseguir explicar algo que mais parece saído de um livro de ficção científica, seguiremos flutuando pelo espaço em nosso planeta quase-não-tão-azul-assim. Nossas brigas, disputas e sentimentos continuarão não importando nem um pouco, e talvez seja uma boa ideia repensar o tamanho daquela discussão que você teve com seus pais ou o quanto o estresse do trabalho influencia a sua vida. Enquanto isso, o universo segue seu caminho como o esperado. Ainda bem.

>> Leia um trecho de Buracos negros

 

* Bruno Machado é um ser da espécie Homo sapiens que habita o planeta Terra e que por acaso trabalha como assistente de mídias sociais na Intrínseca e nunca conseguiu ir num planetário mesmo que a editora seja do lado de um. Coincidência, não?

testeA empolgação com o desfecho de Os Legados de Lorien

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Para comemorar o lançamento do aguardado Unidos somos um, último livro da série Os legados de Lorien, convidamos nossos blogueiros para uma semana especial. Como a ansiedade era quase incontrolável, enviamos os exemplares em primeira mão assim que chegaram à editora! Depois de alguns dias, nossa equipe começou a receber mensagens assim:

A-MAN-DO! Sempre gostei de Os Legados de Lorien!

Sabe quando você descobre algo e quer que todo mundo leia também?

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A empolgação era grande, mas o desafio de apresentar uma série com sete livros físicos e quinze e-books também. Os Legados de Lorien conta a história de nove jovens alienígenas que fugiram do planeta Lorien, ameaçado de destruição pelos mogadorianos, para se esconder na Terra. À medida que foram crescendo, começaram a desenvolver poderes. Mas os invasores não desistem e estão dispostos a pegá-los. A questão é que isso precisa acontecer na sequência certa, já que eles são reconhecidos por números.

Seres alienígenas, aventuras, guerra, jovens com poderes e muita ação já seriam razões suficientes para embarcar no universo criado por Pittacus Lore, mas o blog Recanto da Mi e Crescendo em flor foram além e listaram mais cinco motivos para se apaixonar pela trama. Com o lançamento de Unidos somos um, a série está finalmente completa e todos os exemplares estão disponíveis. Ou seja, é possível ler tudo na sequência!

Além disso, o Recanto da Mi destacou que a trama é tão bem escrita que é impossível não se envolver na batalha entre os lorienos e os mogadorianos. Enquanto Lorien representa aquele mundo onde a vida segue em perfeita harmonia, todos se respeitam e o amor prevalece; Mogadore simboliza o ódio, a ganância e a necessidade de sobrepujar os outros em benefício próprio.

Ainda não estão convencidos de que vale a pena ler?  Nossos blogueiros escreveram também sobre os personagens favoritos da série. Para evitar spoilers, De cara nas letras listou as características mais interessantes dos personagens dos primeiros livros. Em seu Instagram, @QueriaSerAlice disse que gostaria de ser como Seis, uma jovem extremamente girl power, forte e destemida. 

 

Mais um post da semana especial sobre Os Legados de Lorien, em parceria com a @intrinseca! ⠀ ⠀ Quem leu no mínimo o primeiro livro já sabe dos poderes que os personagens possuem, mas, pra quem quer saber um pouquinho sobre, lá vai: os lorienos trazidos à Terra vão, conforme o tempo passa e o perigo aumenta, adquirindo poderes que um humano não poderia desenvolver. Os poderes, chamados de legados, são milhares e cada um acaba adquirindo um ou mais.⠀ ⠀ Pra não conter muitos spoilers por aqui, vou citar somente alguns legados e a quem eles pertencem: John, o número Quatro, possui telecinesia e produz lúmen e fogo pelas mãos e Seis possui o legado da invisibilidade, controla o clima e tem super velocidade.⠀ ⠀ Se eu pudesse escolher um legado, eu gostaria de ter invisibilidade, cura, telepatia e telecinesia. Pera aí… era só um? Desculpa, não consegui! São tantos e a cada livro vão surgindo mais, impossível não imaginar “e se eu conseguisse fazer isso? “. ⠀ ⠀ Os mogadorianos, ao contrário dos lorienos, não desenvolvem legados. Não naturalmente. ⠀ E vocês? Qual legado escolheriam? ⠀ #book #livro #intrinseca #oslegadosdelorien #pittacuslore #eusouonumeroquatro

Uma foto publicada por Annie (@queriaseralice) em

O site Host Geek não deixou ninguém esquecer de que o universo da série exibe fatores presentes em nossa sociedade: a busca implacável por riquezas, o fanatismo religioso, a sede de poder e o quanto a guerra pode mudar uma pessoa… pois é, cada vez mais percebemos que essas questões não estão só nos livros de ficção científica.

Ficaram curiosos? Confira os posts completos:

Media Geek| De tudo um pouquinho| Burn book| Queria ser Alice| Viaje na leitura| Cabana do leitor| Além da contracapa|  Viagem literária| Recanto da Mi | Host Geek| Fleur de lune| Livros e citações| De cara nas letras| Crescendo em flor| House of chick|

testeA Chegada: até onde vamos para entender o diferente?

*Por Bruno Machado

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Cena de A Chegada (Fonte)

Quando fomos informados de que A Chegada, adaptação de um dos contos da coletânea História de sua vida e outros contos seria o filme de abertura do Festival do Rio de 2016, a reação na editora foi de grande surpresa. Não pela qualidade do texto que serviu de inspiração para a produção cinematográfica, e sim pelo fato de um filme de ficção científica ter sido escolhido para a sessão de gala do festival.

frente_historia-da-sua-vida_pt-br-pNão é uma declaração bombástica dizer que a ficção científica é um gênero de nicho, seja ele literário ou cinematográfico. Claro, muitas pessoas consideram Star Wars ficção científica, mas não basta para o sci-fi que uma história seja contada no espaço. A saga da família Skywalker é muito mais próxima de uma fantasia que aconteceu “Há muito tempo atrás, em uma galáxia distante”.

Animada com o prestígio dado ao filme, lá foi a equipe da Intrínseca para a Cidade das Artes, assistir ao filme em meio a atores globais e toda sorte de profissionais do cinema nacional. Dirigido por Denis Villeneuve (de Sicario: Terra de Ninguém e Os Suspeitos), a produção já surpreende nos primeiros minutos. Não há naves espaciais bonitas, alienígenas assustadores nem um discurso emocionante do presidente dos Estados Unidos no Quatro de Julho. A Chegada é basicamente uma história sobre mãe e filha.

No filme, doze objetos voadores não identificados que se assemelham a gigantescos monólitos ovais surgem em cantos aleatórios do planeta. A chegada das naves não é detectada por nenhuma agência do mundo, e elas se mantêm impressionantemente estacionadas no céu, como se esperassem por algo. Rapidamente os governos dos países “visitados” começam a tomar providências, e China e Rússia são as duas nações mais propensas a atacar primeiro e perguntar depois.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, uma linguista – interpretada por Amy Adams, que aparentemente vai estrelar todas as adaptações dos livros da Intrínseca (vide Tony & Susan que se chamará Animais Noturnos, e Objetos cortantes) – é convocada para ajudar a decifrar o que as criaturas pretendem em nosso planeta. Ao longo da história, vemos como seria o trabalho de tentar entender criaturas que não pensam, não se comportam e nem parecem conosco. E quanto mais próximo da grande revelação do filme – que não falaremos aqui, obviamente –, mais percebemos que as criaturas sequer existem da mesma forma que nós. E apenas a linguista parece compreender isso, com consequências surpreendentes para a trama.

Como assisti ao filme antes de ler o conto “História da sua vida”, a reviravolta do enredo me pegou completamente de surpresa. É daqueles momentos como em O Sexto Sentido, Planeta dos Macacos ou Clube da Luta, no qual uma revelação muda sua ideia do filme por completo. E a forma como Chiang faz isso na prosa e Villeneuve no filme são igualmente emocionantes. Foi impossível chegar ao fim da sessão sem ficar com os olhos cheios d´água, precisando de um tempo para pensar na experiência que acabou de acontecer, como em outro recente sci-fi, Interestelar.

Uma das principais características da ficção científica é provocar reflexão. Seja ao atravessar um buraco de minhoca para encontrar um novo mundo para a raça humana ou tentar entender o incompreensível, o gênero é responsável por nos fazer pensar em limites. Até onde você estaria disposto a ir para entender o diferente? Quanto você gostaria de aprender para ser alguém melhor? Seja em A Chegada, “História da sua vida” ou nos outros contos da coletânea de Ted Chiang, boas histórias definitivamente nos tornam pessoas melhores.

> Leia um trecho de História da sua vida e outros contos.

 

* Bruno Machado é assistente de mídias sociais no departamento de Marketing e acha que só faltam alienígenas aparecerem por aqui para 2016 ser o ano mais louco de todos os tempos.

testeAs histórias das muitas vidas de Ted Chiang

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Um dos autores de mais destaque no cenário da ficção científica, Ted Chiang pode ser descrito como um escritor pouco prolífico: tem apenas quinze trabalhos publicados, entre contos e novelas curtas. A pequena produção contrasta com sua expressiva quantidade de premiações: os oito textos reunidos em sua coletânea História da sua vida e outros contos, que será lançada em novembro pela Intrínseca, ganharam no total nove dos mais importantes prêmios literários dedicados a textos de ficção científica.

Publicados originalmente em volumes diversos, as oito histórias de Chiang apresentam rigor científico aliado a uma narrativa muito bem escrita e humana. Com uma prosa límpida e ideias às vezes desconcertantes, Chiang utiliza a ciência como expressão dos questionamentos mais profundos de seus personagens.

Entre os contos estão “A torre da Babilônia”, no qual um minerador sobe a famosa torre com a missão de escavar a abóbada celeste; “Divisão por zero”, uma reflexão precisa e devastadora sobre o fim da esperança e do amor, e “História da sua vida”, texto que dá nome à coletânea e mostra a jornada de uma linguista para aprender um idioma alienígena, o que transforma sua vida para sempre.

“História da sua vida” foi adaptado para o cinema como A Chegada, produção dirigida por Denis Villeneuve, estrelada por Amy Adams e Jeremy Renner, e indicada aos prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Direção no Festival de Veneza e selecionada como o filme de abertura do Festival do Rio. A Chegada estreia no Brasil em grande circuito em 24 de novembro.  Assista ao trailer abaixo.

testeImaginando o pior: o futuro árido de Faca de água pode ser real

*Por Josué de Oliveira

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Qualquer ser humano pensa e especula sobre o futuro. Como você se imagina daqui a cinco anos? Onde gostaria de estar trabalhando? Esse futuro pessoal está sempre passeando em nossos pensamentos; fazemos planos, traçamos metas, tentamos nos preparar para os anos à frente.

Ao fazer isso, automaticamente damos algumas coisas como certas. Não imaginamos um cenário apocalíptico onde perdemos o acesso a necessidades básicas, como alimentação e moradia, ou um governo totalitário cerceando nossas liberdades de ação e pensamento. A maioria de nós, acredito, não conta com essas variáveis ao refletir sobre como as coisas serão no tempo que virá.

Mas não tem problema: a literatura faz isso por nós. Faca de água, ficção científica do norte-americano Paolo Bacigalupi, imagina um futuro nada promissor em que uma das coisas mais essenciais para nossa sobrevivência está em perigo: a água. Estados norte-americanos lutam entre si para canalizar as fontes ainda não esgotadas pela seca mais severa que a humanidade já presenciou; nas ruas poeirentas de cidades outrora limpas e desenvolvidas, a luta pela sobrevivência ceifa as vidas dos mais pobres, enquanto aqueles com dinheiro o suficiente se mantêm a salvo no inferno que o território americano se tornou.

facadeaguagrandeA história acompanha três personagens falhos e nada exemplares em suas tentativas de lutar contra essa terrível conjuntura.

A ficção científica de Bacigalupi passa longe das imagens mais comumente associadas ao gênero, como exploração espacial e alienígenas. O assunto de Faca de água é a Terra e sua (possível) degradação futura. Um pouco como em Neuromancer, romance de William Gibson considerado um dos nascedouros do subgênero cyberpunk, a humanidade não está mais com os olhos voltados para o céu conjecturando acerca da vida em outros planetas, mas atenta a qualquer movimento brusco à sua volta, pois o caos urbano ocasionado pelo pesadelo climático gera formas cada vez mais difundidas de violência.

Encontramos paralelos com a obra de Gibson também na maneira como outras organizações tão poderosas quanto os governos (e, por vezes, praticamente integradas a eles) decidem todos os dias o destino de milhares de pessoas, assim como nas descrições vertiginosas tanto das metrópoles sombrias — sobretudo Phoenix, onde grande parte da ação ocorre — como das grandiosas arcologias.

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As arcologias merecem um destaque à parte. Baseadas num conceito real, proposto pelo arquiteto ítalo-americano Paolo Soleri, estas construções titânicas são verdadeiras cidades autocontidas, lugares ecologicamente sustentáveis de grande densidade populacional onde os mais ricos encontram todo o conforto que o dinheiro pode comprar, protegidos da seca e das tempestades de areia que assolam a terra. Os olhos dos personagens voltam-se a todo momento para essas edificações colossais, construídas por impensáveis impressoras 3D, enormes e distantes dos que lutam para chegar vivos ao dia seguinte.

As arcologias são parte de um universo habilmente construído por Bacigalupi, que o apresenta de modo gradual e fluído ao leitor, sem tentar chamar atenção para os detalhes de sua criação de maneira gratuita. À medida que a trama avança, vemos que a energia solar faz carros e casas funcionarem; entendemos que a China tomou o lugar dos Estados Unidos como a grande potência mundial; acompanhamos o drama e as tensões dos refugiados texanos, espalhados por diversos cantos do país após o colapso do estado em que nasceram; presenciamos ataques militares contra estações de água que se recusam a ser vendidas às pessoas que controlam o curso das coisas. Esses e diversos outros elementos compõem o nebuloso e inconvenientemente verossímil futuro de Faca de água.

Bacigalupi nos apresenta um mundo corroído por uma catástrofe natural que ninguém esperava, e consegue ainda mostrar, através da interação entre seus personagens, a forma como as relações humanas são reconfiguradas num ambiente tão hostil. No dia a dia de uma terra devastada, o terrível e o desumano não estão longe nem mesmo dos mais virtuosos. Teria a humanidade secado como os reservatórios? O que aconteceria se um cenário como esse realmente se concretizasse?

E se…? é, por definição, a pergunta da ficção científica. E Bacigalupi tenta fazê-la atento às pistas (climáticas, culturais, tecnológicas) que o presente nos dá. Faca de água é um lembrete de que nossas vidas dependem de coisas que podemos perder. Como você se imagina se a água do mundo acabar?

>> Leia um trecho

*Josué de Oliveira é assistente de edições digitais na Intrínseca. Lê e escreve histórias policiais. Vive papagaiando sobre o assunto, às vezes é até meio chato. Colabora com o Literatura Policial, site totalmente dedicado ao gênero, e com o Colofão, onde fala sobre livros digitais.

testeDrenando as artérias do mundo

Por Octavio Aragão*

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Há quem defenda que a função da ficção científica, enquanto subgênero da ficção fantástica, seja retratar a contemporaneidade sob a capa de uma parábola futurista. Outros afirmam que a principal diferença entre a FC, como é conhecida entre os fãs, e a literatura mainstream é que “as metáforas são reais”. Faca de água, romance de Paolo Bacigalupi, vencedor tanto do Hugo quanto do Nebula, dois dos maiores prêmios da ficção científica literária mundial, corresponde às duas definições e vai além.

Longe do escapismo relacionado ao subgênero pelo público leigo, que insiste nos elementos identificadores mais óbvios, como naves espaciais e robôs, Bacigalupi constrói uma visão de futuro próximo em que a crise do petróleo é sobrepujada pela crise hídrica, responsável, entre outras consequências, pela desunião dos estados norte-americanos – a ponto de sermos apresentados a uma guerra entre a Califórnia, o Texas e o Arizona pela posse das terras às margens do rio Colorado – e pelo surgimento de novos tráficos e máfias multiformes, que mesclam os coiotes fronteiriços, que guiam imigrantes do sul muitas vezes para suas mortes, gangsters de terno e gravata contratados por empresários exploradores de recursos naturais e os “facas de água” do título, espécie de agentes especializados em cortar ou desviar fontes e reservas de água, tudo isso em uma realidade onde Teslas cruzam rodovias americanas e o espanhol ganhou status de segunda língua oficial.

Apesar de focar a ação no território norte-americano, com breves referências aos novos donos do mundo, oriundos da China, cujos engenheiros são responsáveis pela construção de um “oásis” no meio do deserto, onde a vida segue normal para quem pode pagar, a visão apocalíptica – com um estilo que bordeja o jornalístico – do autor cria um cenário crível e bem embasado, graças a uma década de pesquisas extensas a respeito de clima e meio ambiente, mas sem se esquecer de elementos típicos do folhetim do século retrasado, principalmente na forma de um documento centenário que poderia definir a independência econômica de estados inteiros. É na busca, no resgate e na luta por essa “carta roubada” que os três protagonistas do romance se esbarram, se enfrentam e, possivelmente, se apaixonam. Ou não.

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Cada um dos três protagonistas também tem uma função importante na estrutura narrativa: representar três das quatro classes sociais que flutuam por esse mundo sedento. Maria é uma jovem que sobrevive na base da pirâmide social, vendendo água e, eventualmente, a si mesma. Lucy é a jornalista ganhadora do Pulitzer prestes a descobrir aquele que provavelmente é o furo jornalístico de sua vida, mas que pode acarretar sua morte por revelar as engrenagens por trás da Grande Seca. Angel é o “faca de água”, um mercenário das grandes corporações, assassino brutal e eficiente, mas que, como nos melhores romances noir de Raymond Chandler e Dashiell Hammett, possui uma consciência boa demais para sua profissão.

CAPA_FacaDeAgua_MAINPairando sobre todos, onipresente por intermédio de ligações telefônicas, está Catherine Case, a patroa de Angel, mulher parcialmente responsável pelo redesenho dos mapas hidrográficos dessa parte da América, uma representante dos “cinco dígitos”, que é como os miseráveis se referem àqueles cujo faturamento mensal é alto o suficiente para não precisarem se preocupar com o abastecimento pessoal de água.

É nas relações entre esses personagens que o autor constrói com clareza a trama do romance, utilizando ora um, ora outro como porta-voz de seus temores e certezas sociais, econômicas e ecológicas. Cada um deles sofre na carne por seus ideais, sejam éticos ou céticos, factíveis ou infrutíferos, e a empatia de Lucy, Angel e Maria, em contraponto à ausência implacável de Catherine Case, nos cativa e convence da inexorabilidade desse futuro incerto, mas plausível. Afinal, como o autor não cansa de nos dar a entender, a água é o sangue do planeta, e, nesse mundo inóspito onde drenamos mais do que podemos repor, para que alguns bebam, alguém tem de sangrar.

Faca de água, como os melhores exemplares da ficção científica literária, não nos apresenta uma metáfora para amanhã, mas abre nossos olhos secos e vítreos para uma versão possível, árida e arenosa, do presente.

*Octavio Aragão é designer gráfico, pesquisador e professor de Jornalismo Gráfico na ECO-UFRJ. É autor dos romances de ficção científica A mão que cria (Mercuryo, 2006) e Reis de todos os mundos possíveis (Draco, 2013), além da HQ Para tudo se acabar na quarta-feira (Draco, 2011).