testeA história do homem que tinha os pés no chão e foi o primeiro a pisar na Lua

Por James R. Hansen*

Quarenta e cinco anos atrás, tudo o que se sabia sobre Neil Armstrong praticamente se resumia a uma imagem na TV cheia de estática de um homem em um uniforme esquisito de astronauta descendo de uma escada a quase meio milhão de quilômetros de distância, fato que fez dele o primeiro da nossa espécie a colocar os pés em outro corpo celeste. Essa icônica imagem de um astronauta congelada no tempo, em 20 de julho de 1969, se tornou a representação de Armstrong para a maioria das pessoas até a sua morte, 43 anos depois. Felizmente, graças ao fato de Armstrong ter concordado em 2002 com a proposta de eu ser o autor do que ele mesmo viria a considerar sua biografia definitiva, tive o raro privilégio de conhecê-lo como realmente era: um homem pragmático, complexo e brilhante, um ser humano de verdade.

Por que Armstrong me escolheu, um professor universitário da área de história, para escrever sobre sua vida é uma pergunta que nunca ousei lhe fazer. Quanto à razão para Neil ter decidido me dar acesso a seu acervo, me permitindo ouvir 55 horas de entrevistas e me enviando mais de 600 e-mails, talvez eu tenha entrado na sua vida na hora certa. Ambos éramos do Meio-Oeste, filhos de pais que ganharam a vida como fazendeiros. Também parecia ser crucial para Neil que eu não tivesse interesse em dramatizar demais sua vida profissional ou pessoal e que gostasse do que os engenheiros fazem (e como fazem) tanto quanto da parte técnica de suas realizações que ficaram para a história — não só do voo para a Lua. Certamente não fez nenhum mal o fato de ele acreditar que podia confiar em mim. O maior elogio que recebi depois do lançamento de O primeiro homem foi o de que escrevi exatamente o tipo de livro que dissera a ele que escreveria.

Em tudo o que fez na vida, Neil personificou as qualidades essenciais e os valores fundamentais de um ser humano excepcional. Não pergunte apenas aos seus colegas astronautas — pergunte aos seus companheiros da aviação naval do Esquadrão de Caça 51, no qual, apesar de ser apenas um jovem com pouco mais de vinte anos, não só realizou 78 missões de combate na Coreia do Norte como demonstrou níveis extraordinários de todos os traços que faziam dele uma pessoa tão maravilhosa.

Neil contou só para mim uma história sobre um voo que fez na Coreia do Norte durante uma patrulha de combate de madrugada em 1951. Ao passar por uma cordilheira de montanhas baixas em seu jato F9F Panther, Neil viu várias fileiras de soldados norte-coreanos desarmados fazendo exercícios físicos fora das barracas. Ele poderia ter abatido todos eles com a metralhadora, mas preferiu não apertar o gatilho e seguiu seu caminho. Ele me disse: “Pareceu que eles já estavam passando maus bocados suficientes fazendo aqueles exercícios matinais.” Nenhuma das pessoas que entrevistei do seu esquadrão de combate sabia dessa história porque Neil nunca a contou, mas eles acreditaram nela sem hesitar. Todos admitiram que teriam disparado, mas havia algo demasiado honroso em Neil que o impediu de matar homens incapazes de se defender. Neil era tão rígido que não queria que o episódio fosse contado na biografia, e só o estou contando agora, após sua morte, com certa relutância.

Como o primeiro homem que pisaria na Lua 18 anos depois, ninguém mais poderia ter lidado com o furor da fama internacional e da transformação instantânea em ícone cultural e histórico melhor do que Neil.

Neil integrou uma equipe que fez a primeira incursão da espécie humana no espaço profundo — e ele sempre fez questão de salientar o trabalho de equipe de 400 mil americanos que possibilitou o sucesso da missão Apollo. Ele ocupava o topo dessa pirâmide, porém não houve nenhuma predeterminação para que se tornasse o comandante do primeiro pouso lunar ou o primeiro homem a tocar a superfície do satélite. Como ele explicou, tudo se deveu ao acaso, a uma série de circunstâncias contingentes. Ainda assim, fez o que fez e compreendeu o grande sacrifício, o comprometimento absurdo e a incrível criatividade humana essenciais para que o feito se concretizasse. Depois da missão na Lua, levou uma vida ativa com muitas outras proezas — nos campos do ensino, da pesquisa, dos negócios e da indústria e da exploração. E Neil fez tudo isso com honra e integridade, como seria de se esperar de alguém à altura do desafio.

Neil sempre foi um homem de palavra. Depois que O primeiro homem foi lançado em 2005, a Universidade Auburn, do Alabama, na qual sou docente, tentou com afinco convencê-lo a discursar na formatura. Neil disse que não podia. Alguns anos antes ele havia recusado o convite das Irmãs da Misericórdia para que discursasse em uma escola da congregação em Ohio, alegando que não fazia mais discursos em formaturas. Ele não poderia trair as boas irmãs participando da cerimônia em Auburn.

Era um homem muito modesto, mas em sua modéstia conseguia ser extremamente espirituoso e perspicaz. Certa vez, em um torneio de golfe com amadores e profissionais, uma mulher se aproximou de Neil na grama e perguntou: “Eu não te conheço de algum lugar?” A resposta genial e modesta foi: “Provavelmente não.”

Como epígrafe da primeira edição de O primeiro homem, escolhi uma frase profunda do livro Reflexões sobre a arte de viver, do mitologista americano Joseph Campbell: “O privilégio da vida é sermos quem somos.”

Neil aproveitou esse privilégio, e todos nós devemos nos alegrar que isso tenha acontecido a ele — e a nós.

 

James R. Hansen é especialista em história aeroespacial e em história da ciência e da tecnologia, publicou uma dezena de livros e numerosos artigos sobre assuntos diversos, entre eles os primeiros dias da aviação, a história da engenharia aeroespacial, a história da NASA, dos pousos na Lua, o programa de ônibus espaciais e o papel da China no espaço.

testeOs cultos mais chocantes dos Estados Unidos

Misteriosos, polêmicos e muitas vezes com consequências trágicas, os cultos são fonte de grande inspiração para a cultura pop. Dezenas de livros, séries, filmes e documentários abordam essas histórias intrigantes que beiram o surreal, instigando a nossa curiosidade e provocando reflexões.

Um exemplo é o livro As garotas. O romance de estreia de Emma Cline usa como pano de fundo um dos cultos mais famosos do mundo – a família Manson – para falar sobre vulnerabilidade, amadurecimento feminino e o que a ânsia desenfreada por pertencimento e aceitação pode causar.

Criamos uma lista com os quatro cultos americanos mais conhecidos que já serviram de inspiração para produções literárias e cinematográficas. Descubra se você já ouviu falar em algum desses casos:

1. O culto de Rajneesh

No final dos anos 1950, Osho – também conhecido como Bhagwan Shree Rajneesh – começou a ficar famoso na Índia ao pregar a busca pela liberdade através da meditação. Diferente de outros líderes religiosos, ele não condenava a riqueza e era liberal em relação ao sexo. Em 1981, o interesse de estrangeiros pela nova religião era tão grande que Osho e seus seguidores mais próximos se mudaram para um terreno gigante no deserto do Oregon, nos Estados Unidos, onde começaram a implantar um rancho. Tal ação causou uma guerra de proporções surpreendentes entre os seguidores de Bhagwan e os moradores da região.

Essa história inspirou uma série documental de seis episódios da Netflix, chamada Wild Wild Country. Confira o trailer:

 

2. Charles Manson e sua família

Na década de 1960, Charles Manson ficou famoso ao provocar o assassinato de diversas pessoas, entre elas a atriz Sharon Tate – grávida de oito meses –, sem nunca executar diretamente qualquer um dos crimes. Um homem totalmente manipulador e carismático, Manson foi capaz de distorcer as ideias do movimento hippie e da contracultura. Seus seguidores eram, em sua maioria, mulheres brancas de classe média que faziam parte do culto conhecido como “família Manson”.

A figura de Manson e de suas seguidoras estão presentes no imaginário das pessoas e serviram de inspiração para diversas produções, como o livro As garotas, de Emma Cline. No romance, Evie Boyd fica arrebatada pela visão de um grupo de garotas livres e muito autoconfiantes. Atraída por elas, a jovem passa a frequentar o rancho que serve de moradia para o grupo, e sua história se entrelaça com a da comunidade exótica e seu líder fanático. Confira o trecho:

“Olhei naquela direção por causa das risadas, e continuei olhando por causa das garotas. Primeiro, reparei nos cabelos, longos e despenteados. Depois nas bijuterias que usavam, brilhando ao sol. As três estavam tão longe que só consegui distinguir o contorno de seus traços, mas não me importei com isso – sabia que eram diferentes de todas as outras pessoas no parque. Aquelas garotas de cabelo comprido pareciam pairar acima de tudo o que acontecia à volta delas, trágicas e distantes… como tubarões irrompendo na superfície do mar.”

 

3. David Koresh – O cerco de Waco

Em 1990, David Koresh foi nomeado líder do Ramo Davidiano Adventista. Ele acreditava que era preciso se armar, e foi isso que seus seguidores fizeram. Essa movimentação chamou a atenção do governo americano, que ao tentar encerrar as atividades da seita foi recebido com muita resistência. Começou, então, um cerco em Waco, no Texas, que durou 51 dias e no qual mais de 70 pessoas foram mortas.

Esse ano, a Paramount lançou uma minissérie sobre o caso de Waco, estrelada por Taylor Kitsch e Michael Shannon. Kitsch interpreta o líder do culto, enquanto Shannon faz o papel de Gary Noesner, um negociador do FBI.

 

 

4. Jim Jones – O massacre de Jonestown

Maior tragédia da história dos Estados Unidos até o 11 de Setembro, o massacre de Jonestown é um episódio chocante. Jim Jones era o líder do Templo do Povo, uma seita que dizia buscar igualdade racial. No dia 18 de novembro de 1978, ele provocou o suicídio coletivo de cerca de 900 seguidores. Algumas pessoas foram mortas a tiros e facadas, mas a maioria foi instruída a beber um suco misturado com veneno.

O canal A&E produziu um documentário chamado Jonestown: The Women Behind the Massacre, abordando o ponto de vista das mulheres que vivenciaram o caso.

 

testeRuby, o romance que conquistou Oprah Winfrey, conta a luta de uma mulher para sobreviver à violência

“Não é uma história apenas sobre abuso. É sobre sobrevivência”. Assim Cynthia Bond define Ruby, seu romance de estreia. A obra apresenta a vida de uma jovem garota que, depois de passar por sofrimentos inimagináveis durante a infância, decide fugir de sua cidadezinha no sul dos Estados Unidos para recomeçar a vida em Nova York nos anos 1950. Porém, um telegrama urgente a faz voltar para casa, forçando-a a reencontrar pessoas do passado e a reviver momentos perturbadores.

Com uma prosa refinada, Cynthia escreve sobre temas delicados como violência doméstica, abuso e racismo. Apesar de ser uma história de ficção, Ruby foi inspirado em fatos reais vividos pela família da própria autora. A tia de Cynthia foi assassinada no Texas por homens da Ku Klux Klan. A história ficou guardada por um bom tempo até parar no papel, anos depois.

Ruby conquistou elogios do público, da crítica e de personalidades como Oprah Winfrey, que selecionou a obra para o seu Clube de Leitura, e Uzo Aduba, atriz que interpreta a Crazy Eyes de Orange Is the New Black e se encantou com a história de uma mulher que tinha tudo para ser fraca, mas luta para sobreviver à violência e à loucura.

O romance virou best-seller do New York Times e foi finalista do Baileys Women’s Prize, prêmio que elege o melhor livro de ficção escrito por mulheres no Reino Unido. A obra chega às livrarias brasileiras a partir de 13 abril.

testeDrenando as artérias do mundo

Por Octavio Aragão*

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Há quem defenda que a função da ficção científica, enquanto subgênero da ficção fantástica, seja retratar a contemporaneidade sob a capa de uma parábola futurista. Outros afirmam que a principal diferença entre a FC, como é conhecida entre os fãs, e a literatura mainstream é que “as metáforas são reais”. Faca de água, romance de Paolo Bacigalupi, vencedor tanto do Hugo quanto do Nebula, dois dos maiores prêmios da ficção científica literária mundial, corresponde às duas definições e vai além.

Longe do escapismo relacionado ao subgênero pelo público leigo, que insiste nos elementos identificadores mais óbvios, como naves espaciais e robôs, Bacigalupi constrói uma visão de futuro próximo em que a crise do petróleo é sobrepujada pela crise hídrica, responsável, entre outras consequências, pela desunião dos estados norte-americanos – a ponto de sermos apresentados a uma guerra entre a Califórnia, o Texas e o Arizona pela posse das terras às margens do rio Colorado – e pelo surgimento de novos tráficos e máfias multiformes, que mesclam os coiotes fronteiriços, que guiam imigrantes do sul muitas vezes para suas mortes, gangsters de terno e gravata contratados por empresários exploradores de recursos naturais e os “facas de água” do título, espécie de agentes especializados em cortar ou desviar fontes e reservas de água, tudo isso em uma realidade onde Teslas cruzam rodovias americanas e o espanhol ganhou status de segunda língua oficial.

Apesar de focar a ação no território norte-americano, com breves referências aos novos donos do mundo, oriundos da China, cujos engenheiros são responsáveis pela construção de um “oásis” no meio do deserto, onde a vida segue normal para quem pode pagar, a visão apocalíptica – com um estilo que bordeja o jornalístico – do autor cria um cenário crível e bem embasado, graças a uma década de pesquisas extensas a respeito de clima e meio ambiente, mas sem se esquecer de elementos típicos do folhetim do século retrasado, principalmente na forma de um documento centenário que poderia definir a independência econômica de estados inteiros. É na busca, no resgate e na luta por essa “carta roubada” que os três protagonistas do romance se esbarram, se enfrentam e, possivelmente, se apaixonam. Ou não.

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Cada um dos três protagonistas também tem uma função importante na estrutura narrativa: representar três das quatro classes sociais que flutuam por esse mundo sedento. Maria é uma jovem que sobrevive na base da pirâmide social, vendendo água e, eventualmente, a si mesma. Lucy é a jornalista ganhadora do Pulitzer prestes a descobrir aquele que provavelmente é o furo jornalístico de sua vida, mas que pode acarretar sua morte por revelar as engrenagens por trás da Grande Seca. Angel é o “faca de água”, um mercenário das grandes corporações, assassino brutal e eficiente, mas que, como nos melhores romances noir de Raymond Chandler e Dashiell Hammett, possui uma consciência boa demais para sua profissão.

CAPA_FacaDeAgua_MAINPairando sobre todos, onipresente por intermédio de ligações telefônicas, está Catherine Case, a patroa de Angel, mulher parcialmente responsável pelo redesenho dos mapas hidrográficos dessa parte da América, uma representante dos “cinco dígitos”, que é como os miseráveis se referem àqueles cujo faturamento mensal é alto o suficiente para não precisarem se preocupar com o abastecimento pessoal de água.

É nas relações entre esses personagens que o autor constrói com clareza a trama do romance, utilizando ora um, ora outro como porta-voz de seus temores e certezas sociais, econômicas e ecológicas. Cada um deles sofre na carne por seus ideais, sejam éticos ou céticos, factíveis ou infrutíferos, e a empatia de Lucy, Angel e Maria, em contraponto à ausência implacável de Catherine Case, nos cativa e convence da inexorabilidade desse futuro incerto, mas plausível. Afinal, como o autor não cansa de nos dar a entender, a água é o sangue do planeta, e, nesse mundo inóspito onde drenamos mais do que podemos repor, para que alguns bebam, alguém tem de sangrar.

Faca de água, como os melhores exemplares da ficção científica literária, não nos apresenta uma metáfora para amanhã, mas abre nossos olhos secos e vítreos para uma versão possível, árida e arenosa, do presente.

*Octavio Aragão é designer gráfico, pesquisador e professor de Jornalismo Gráfico na ECO-UFRJ. É autor dos romances de ficção científica A mão que cria (Mercuryo, 2006) e Reis de todos os mundos possíveis (Draco, 2013), além da HQ Para tudo se acabar na quarta-feira (Draco, 2011).

testeA batalha entre Davi e Golias

Senadora democrata por Massachusetts, Elizabeth Warren mescla em livro dilemas da vida pessoal à emaranhada batalha que decidiu travar contra Wall Street por uma Lei de Falências justa

Por Marsílea Gombata*

A senadora americana Elizabeth Warren

A senadora americana Elizabeth Warren (Fonte: Vogue)

A falência pessoal não é fruto do fracasso de um indivíduo, mas culpa de um sistema que se aproveita da ignorância e da dificuldade de muitas pessoas. Agentes de uma das crises financeiras mundiais mais catastróficas da história, os bancos foram em 2008 os grandes vilões, responsáveis — somente nos Estados Unidos — por mais de cinco milhões de americanos terem perdido suas casas, nove milhões terem ficado sem emprego e quase 13 trilhões de dólares de economias familiares terem ido para o ralo.

chancedelutargrandeÉ à luta contra esse monstro encarnado nas grandes instituições financeiras que a senadora americana Elizabeth Warren dedicou mais de vinte anos de sua vida. Antes mesmo de os jovens ouvirem Bernie Sanders vociferar contra Wall Street nas primárias da eleição americana, Elizabeth já empunhava a bandeira contra privilégios que as organizações financeiras mantêm sobre os cidadãos comuns. Apesar de não ser candidata à corrida democrata para disputar a Casa Branca neste ano, Elizabeth, há quem diga, tem influenciado o pensamento e o discurso de Hillary Clinton, que dentro do Partido Democrata dispõe de mais recursos.

Especialista na Lei de Falências americana, Elizabeth se projetou nos círculos acadêmico e político comprovando através de pesquisas qualitativas e outros dados que a falência não é fruto exclusivamente das escolhas erradas daqueles que estão endividados, mas também é culpa dos abusos cometidos pelas instituições financeiras. Sua trajetória pode ser encarada por muitos como uma verdadeira ousadia: na terra do capitalismo selvagem, a luta de um indivíduo contra todo o sistema, ou a batalha entre Davi e Golias — imagem que ela própria gosta de resgatar ao dimensionar a “encrenca” na qual resolveu se meter desde os tempos em que dava aulas de direito na Universidade do Texas.

De lá para cá, o envolvimento com a situação dos endividados só cresceu: além de atuar como professora entusiasmada em ensinar a questão da falência, ela passou a integrar o grupo de trabalho responsável por supervisionar as atividades do Congresso na área, o Congressional Oversight Panel (COP, ironicamente a mesma palavra usada para se referir a “policial” em inglês). Depois, tornou-se professora em Harvard e foi chamada pela Casa Branca para atuar como consultora do Congresso e assistente do presidente Barack Obama na implantação da Agência de Proteção Financeira ao Consumidor, órgão com autoridade e poder para garantir que regulamentações de proteção ao consumidor fossem elaboradas de maneira justa e fiscalizadas com rigor. Em 2012, aos 62 anos, elegeu-se senadora pelo estado de Massachusetts.

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Em seu Uma chance de lutar, a senadora mescla vida pessoal (com direito a trechos detalhados sobre, por exemplo, o ataque cardíaco que fez com que seu pai descesse na hierarquia da empresa em que trabalhava e levou a família à derrocada econômica) com trajetória profissional para dar corpo a uma obra na qual se retrata como a perfeita realização do sonho americano: filha de um zelador e uma dona de casa que se viu obrigada a trabalhar fora como telefonista, Elizabeth venceu as limitações financeiras da família e desafiou padrões de uma época em que o principal objetivo da maioria das mulheres era conseguir um bom casamento. “Eu queria ser uma boa esposa e uma boa mãe, mas também desejava fazer algo mais. Sentia-me profundamente envergonhada por não querer ficar em casa o dia inteiro com minha alegre e adorável filha”, conta no livro.

É, portanto, ao fazer um retrospecto do passado meritocrático, mas também de uma vida virtuosa embalada por um tipo de proteção social que o Estado americano se preocupava em ofertar outrora, que Elizabeth é taxativa: “Hoje o jogo está viciado — viciado para beneficiar quem tem dinheiro e poder. Grandes empresas contratam exércitos de lobistas para obter brechas de bilhões de dólares no sistema fiscal e convencer seus amigos no Congresso a apoiar leis que mantenham o jogo vantajoso para elas”, alerta. “A classe média americana está sob ataque. E, o que é pior, não está sendo atacada por uma força incontrolável da natureza. Ela se encontra em apuros porque o jogo está sendo deliberadamente fraudado.”

A grande briga da senadora democrata, no entanto, não é apenas contra os bancos, mas contra o fato de eles terem carta branca para destruir a vida de milhões de cidadãos ao destilar fraudes e mentiras (vide os títulos podres na crise das hipotecas subprime) e levar o país e boa parte do mundo para o buraco. A guerra pelo retorno a um contexto no qual os banqueiros passavam por muitas salvaguardas para que não emprestassem dinheiro a quem não pudesse devolver, dinâmica que ficou em vigor até o fim dos anos 1980, quando a usura e a falta de regulamentação voltaram a imperar, levando instituições a terem como público-alvo indivíduos que mal se sustentavam. Essa situação já pavimentava a crise de 2008, quando milhares de americanos se afundaram em financiamentos de hipotecas de alto risco, o que culminou no estouro da bolha imobiliária.

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Recentemente, em discurso no Senado em 21 de janeiro, Elizabeth Warren fez um apelo pela erradicação da influência do dinheiro na política. “Temos um problema: o dinheiro. O dinheiro inunda o nosso sistema político, o dinheiro que permite que um punhado de bilionários decida quem entra no Congresso, e talvez decida quem se senta na Casa Branca”, afirmou ao acusar o Congresso de favorecer os bilionários em vez de escutar as necessidades do povo americano. Em 29 de janeiro, voltou a polemizar ao publicar um artigo no The New York Times no qual lembrava falhas do governo federal, como a falta de punição adequada a grandes corporações e executivos quando infringem a lei: “Justiça não pode significar uma sentença de prisão para um adolescente que rouba um carro e simplesmente nada para um CEO que na surdina arquiteta o roubo de bilhões de dólares.”

O recado de Elizabeth é claro e parece fazer eco em uma das atuais bandeiras da legenda democrata. Além de Sanders, que fala em quebrar os grandes bancos, Hillary também quer maior controle sobre as grandes instituições financeiras.  “Meu plano propõe uma legislação que imponha uma nova taxa de risco em dezenas dos maiores bancos — aqueles com mais de 50 bilhões de dólares em ativos — e outras instituições financeiras sistemicamente importantes para desencorajar o tipo de comportamento perigoso que poderia induzir a uma nova crise”, escreveu em dezembro no The New York Times.

O artigo lhe rendeu o apoio de Elizabeth, que, no Facebook, disse concordar com o seu plano. O objetivo, afinal, parece retomar aquilo que norteia a senadora e é exposto em Uma chance de lutar: “Nós, o povo, precisamos de um governo que trabalhe para as pessoas. Não estou falando da diferença entre um governo centralizador, intervencionista, e outro liberal, pouco regulador. Estou falando da diferença entre um governo que só trabalhe para os ricos e poderosos e outro que trabalhe para todos.”

 

Marsílea Gombata é jornalista e doutoranda em ciências políticas na USP, onde estuda política social como instrumento de política externa na América Latina. Foi chefe de reportagem no jornal O Estado de S. Paulo e editora no Jornal do Brasil. Atualmente edita o Carta Educação, site de CartaCapital dirigido a educadores, estudantes e interessados no tema.

testeLigado ao presente, antenado no futuro

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Durante a grande depressão americana, ninguém poderia imaginar que os Estados Unidos seriam a maior potência do mundo. (Fonte: Life)

No ano de 1933, em Buenos Aires, o poeta espanhol Federico García Lorca esteve com o escritor argentino Jorge Luis Borges. Foi o primeiro, e único, encontro entre eles. Os dois tiveram uma discussão sobre quem seria o personagem que simbolizaria os Estados Unidos. O sisudo Borges argumentou que poderia ser o ex-presidente Abraham Lincoln ou o escritor Edgar Allan Poe. Irreverente, Lorca, que se definia apenas como “um andaluz profissional”, decretou: é o Mickey Mouse. Borges ficou tão decepcionado com a escolha do personagem de desenho animado, que se levantou, foi embora e passou a acusar Lorca de farsante.

No início da década de 1930, os Estados Unidos estavam longe de ser o império político e econômico dos dias de hoje. O país estava afundado em uma de suas maiores crises econômicas, provocada pela quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. Portanto, não era óbvio para ninguém que os americanos tirariam dos europeus, em especial dos ingleses, franceses, alemães e italianos, a supremacia econômica e cultural. A América do Norte só se tornaria uma potência inconteste após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

E quando será que, ao longo da primeira metade do século XX, ficou claro que os Estados Unidos seriam o império do futuro? Quem fez a melhor análise de seu tempo, Borges ou Lorca? O escritor Edgar Allan Poe, o mestre da literatura de terror, viveu em meados do século XIX. Ele deve muito da sua fama internacional aos franceses. Fez sucesso na Europa, em especial na França, graças às versões de seus contos feitas pelo poeta Charles Baudelaire. Será mesmo que Poe é, ou já foi, um símbolo da cultura americana?

O Mickey Mouse, personagem cem por cento americano criado por Walt Disney, estreou no cinema em 1928. E não foi uma estreia trivial: pela primeira vez se lançava um desenho animado sonorizado. Quem então teria feito a melhor avaliação sobre os Estados Unidos: Borges, com Poe; ou Lorca, com Mickey?  Uma coisa é certa, quem conseguiu antever que os Estados Unidos seriam a maior potência da segunda metade do século XX obteve algum tipo de vantagem.

Os Guinle, por exemplo, se aproximaram da América do Norte em 1901. Eduardo Guinle, o primogênito do casal Eduardo e Guilhermina, foi estudar em Nova York e, ao regressar para o Brasil, trouxe a representação de algumas empresas estratégicas: General Electric, de material elétrico; RCA Victor, gravadora de discos; e a American Locomotive, do setor de transportes. Uma opção que seria óbvia nos dias de hoje, mas que, naquele tempo, foi uma aposta visionária em um país que não tinha nenhuma tradição em desenvolvimento tecnológico. Tanto que o grupo americano Light, arquirrival dos Guinle na fabricação de energia elétrica, usava equipamento comprado da Siemens, uma empresa alemã.

Ao longo do século XX, poucos foram capazes de perceber em que ponto o passado terminava e o futuro começava. Aqui no Brasil, os Guinle foram protagonistas na construção do futuro.

testeHugh Glass, a lenda americana

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A representação de Hugh Glass antes de ser interpretado por Leonardo DiCaprio (fonte)

Intepretado por Leonardo DiCaprio no filme O Regresso, Hugh Glass foi uma figura real da história dos Estados Unidos. Um dos muitos desbravadores do oeste americano, ele ficou famoso por sobreviver a um ataque de uma ursa-cinzenta e ao posterior abandono de seus parceiros de expedição.

Mas o caçador foi muito mais do que um sobrevivente. Ao longo de sua vida, diversos momentos contribuíram para o tornar uma verdadeira lenda. Listamos abaixo alguns de seus maiores feitos:

Pintura da tribo dos Arikara

Pintura da tribo dos Arikara (fonte)

Uma das grandes ironias de sua vida é que o ataque brutal só aconteceu graças a um momento de sorte. Dias antes do encontro com a ursa, a Companhia de Peles Montanhas Rochosas havia sido atacada pela tribo Arikara. Glass, ferido com um tiro não letal, foi um dos poucos que continuou a jornada rumo à região do rio Yellowstone, e ao destino que o tornaria famoso.

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Mural sobre a história do bando do pirata Jean Lafitte, o qual Glass fez parte (fonte)

Antes de ser um caçador e desbravador do oeste americano, o explorador foi capitão de um cargueiro da Rawsthorne & Sons, empresa que transportava rum e açúcar de Cuba para os Estados Unidos. Em uma das viagens, o navio foi atacado pelo pirata Jean Lafitte. Com a opção de sobreviver em troca de fazer parte do bando que o atacara, Hugh Glass foi um pirata por dois anos. Seu tempo no mar se encerrou quando o governo americano decidiu atacar o reduto de Lafitte, uma ilha na baía de Galveston, causando a debandada do grupo.

A tribo Pawnee, famosa por atacar os grupos que desbravavam o oeste americano. (fonte)

A tribo Pawnee, famosa por atacar os grupos que desbravavam o oeste americano. (fonte)

Após seu tempo no mar, ele vagou pelas planícies do Texas com outro sobrevivente do massacre aos piratas: Alexander Greenstock, que também havia sido capturado, e foi seu companheiro na busca de civilização. Os dois foram cercados pela tribo canibal Pawnee, quando Greenstock foi morto por tentar atacar os índios. Glass só conseguiu sobreviver assustando os índios, pintando seu rosto com uma pasta de cinábrio em pó e gritando a única coisa que conseguiu lembrar no momento: a oração do pai-nosso. A tribo, assombrada com o homem branco que mudara de cor, o deixou vivo e seu líder o adotou por quase um ano.

A região percorrida por Glass após o ataque não era exatamente o lugar mais agradável dos Estados Unidos (fonte)

A região percorrida por Glass após o ataque não era exatamente o lugar mais agradável dos Estados Unidos (fonte)

Após se recuperar do ataque visceral da ursa, Hugh Glass foi atrás de suas armas e de quem o havia abandonado. A lenda conta que ele chegou ao forte onde seus antigos companheiros estavam em plena noite de Natal, completamente coberto de neve. Não se sabe como ele caminhou pelas florestas afastadas em pleno inverno, logo após o ataque. Mas a história prova que ele não era uma pessoa como qualquer outra.

A saga de Glass vai muito além desses fatos. Em O regresso, Michael Punke mostra como ele foi capaz de sobreviver e ir atrás de sua vingança. O livro inspirou o filme de mesmo nome, estrelado por Leonardo DiCaprio e que estreia no dia 4 de fevereiro. Assista ao trailer:

testeCorações e Mentes

Nêmesis, de Peter Evans, mostra uma época em que os homens mais poderosos do mundo eram personagens mais… humanos. 

Por Bruno Capelas*

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Vinte e quatro horas antes da morte do presidente John Kennedy, Jackie posa ao lado do marido numa tentativa de consertar os danos políticos causados pelo cruzeiro com Onassis. Foto: BETTMANN/CORBIS

Jackie era mulher de John, que tinha um caso com Lee, que era irmã de Jackie. John também amava Marilyn, que mantinha um affair com Bobby, que era irmão de John. Bobby, por sua vez, odiava Aristóteles, que tinha um caso com Lee e outro com Jackie — e quis transformar Marilyn na mulher de Rainier, o príncipe de Mônaco. John e Bobby foram assassinados, Lee ficou para titia, Jackie se casou com Aristóteles, Marilyn foi encontrada morta e Rainier III se casou com Grace Kelly, que nada tinha a ver com a história.

Parece confuso? Pois é nada menos que a vida real — como o jornalista Peter Evans conta em Nêmesis: Onassis, Jackie O e o triângulo amoroso que derrubou os Kennedy. Biógrafo do armador grego Aristóteles Onassis, um dos homens mais poderosos do mundo nos anos 1950 e 1960, Peter Evans volta a falar sobre ele nesse livro, publicado recentemente no Brasil pela Intrínseca.

Na primeira vez em que escreveu sobre Onassis, no livro de 1986 Ari: The Life and Times of Aristotle Socrates Onassis, Evans pintou um retrato de múltiplas cores do empreendedor que começou sua fortuna na Argentina e de lá tomou o mundo. Em Nêmesis, no entanto, o foco é outro: escancarar a trama por trás das relações entre Onassis, Bobby Kennedy e Jackie Kennedy Onassis, que, segundo a tese central do autor, teriam levado, em 1968, à morte do ex-senador americano a mando do grego.

NEMESIS2 - 2015-04-24.inddCom minúcia de detalhes, pesquisa nos arquivos americanos e muitas entrevistas com amigos e pessoas próximas ao trio principal de Nêmesis, Evans faz um longo retrospecto da rivalidade entre os dois a partir de 1952, quando Bobby Kennedy, na época ocupando um cargo menor no Departamento de Justiça dos Estados Unidos, prejudicou uma negociação de Onassis relacionada ao transporte do petróleo árabe durante uma crise político-econômica no canal de Suez (Egito).

No entanto, mais do que os bons momentos de explicação a respeito de contratos e do lobby feito nos bastidores políticos, o que o autor faz melhor em Nêmesis é contar que, no mundo do poder nas décadas de 1950 e 1960, as disputas não eram só na base dos cifrões, mas também do sexo. A principal dessas disputas é, de fato, a que o livro tenta (des)mitificar. Ao se envolver com Jackie Kennedy, Aristóteles Onassis matava dois coelhos com uma cajadada: além de satisfazer seu apetite sexual-amoroso, o grego também deu um golpe na autoestima da tradicional família do Partido Democrata, selando uma união que Bobby Kennedy disse que só ocorreria debaixo de seu cadáver.

link-externoLeia um trecho de Nêmesis: Onassis, Jackie O e o triângulo amoroso que derrubou os Kennedy

Evans descreve essa relação entre os dois clãs com inúmeros detalhes picantes — em especial, ao falar sobre como o bon vivant Onassis conquistava donzelas (nem tão) inocentes ao convidá-las para um passeio pelo Mediterrâneo em seu iate Christina. Era uma receita simples, mas eficaz: joias caras, um passeio nostálgico pela Grécia, onde o armador cresceu, bebida da melhor qualidade e cabines privativas, com serviçais discretos. O resultado era um clima de “odor salino de oceano e sexo”, como foi descrito por Richard Burton, um dos principais convivas de Onassis no Christina — na lista de frequentadores do iate estava até mesmo o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

Convidada para uma semana a bordo após perder um filho natimorto, a então primeira dama americana Jackie Kennedy foi apenas uma das últimas conquistas de Onassis no Christina, em uma lista que inclui a irmã de Jackie, Caroline Lee Bouvier, Athina Livanos (a primeira esposa de Onassis e mãe de seus dois filhos) e até mesmo a soprano Maria Callas. Ao lado de Aristóteles Onassis, Callas foi uma das maiores personalidades gregas de sua época, e o breve e explosivo affair dos dois é considerado por muitos críticos como o responsável pelo declínio dela, uma das maiores cantoras de ópera da história.

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Aristóteles Onassis e Maria Callas. Foto: GETTY IMAGES/HULTON ARCHIVE

Outro ponto alto do livro, ainda no tema sexo, é narrar o relacionamento intrincado de Jackie com o presidente John Kennedy, um casamento em que amor era a menos valorizada das moedas correntes — e no qual as infidelidades não eram apenas toleradas, mas às vezes até incentivadas. (É chocante a forma como Evans descreve ao longo do livro a predileção de JFK por orgias e por mulheres cheias de aventuras eróticas.) Além disso, se destaca a atenção que a obra dá para personagens coadjuvantes — como Stanislaw Radziwill, príncipe polonês que foi casado com a irmã de Jackie; Starvos Niarchos, o principal rival de Onassis no mundo dos negócios; ou até mesmo Marilyn Monroe.

É a respeito de Marilyn que surgem algumas das melhores (e mais curiosas) histórias do livro. Uma delas é a insinuação feita pelo autor de que a atriz de O Pecado Mora ao Lado tenha tido casos amorosos com os dois irmãos Kennedy. Além disso, Peter Evans contribui para a polêmica que diz que a atriz não teria se matado, mas sim sido assassinada a mando dos Kennedy, que temiam chantagens políticas. Outra boa passagem é a que conta que o plano inicial de Onassis — que comandava boa parte dos negócios da ilha de Mônaco — era oferecer Monroe como candidata a esposa de Rainier III, o líder local que acabaria se casando com Grace Kelly. Questionada certa vez se conseguiria conquistar o príncipe, Monroe respondeu apenas: “Dê-me dois dias a sós com ele, e é claro que ele vai querer se casar comigo.”

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Aristóteles Onassis. Foto: COSTAS HARITAKIS

Controverso, Nêmesis há anos aguarda uma adaptação para o cinema — o brasileiro Fernando Meirelles já foi por diversas vezes mencionado como diretor do possível longa-metragem, mas o projeto não avança em Hollywood. Vale lembrar que, ainda hoje, os Kennedy continuam a ser uma família poderosa dos Estados Unidos — Ted Kennedy, irmão de Bobby e JFK, foi senador até sua morte, em 2009, e o clã inclui até Arnold Schwarznegger, ator e ex-governador da Califórnia.

Seja como for, ao longo de 368 páginas, Nêmesis é ao mesmo tempo uma aula de história de política e um livro cheio de passagens deliciosas sobre os bastidores sórdidos do poder. Mas, mais do que isso, é o retrato de uma época em que os homens e as mulheres mais célebres do mundo eram personagens mais humanos — mostrando (ou não sabendo esconder) seus principais vícios, em trajetórias conflituosas para corações e mentes, violência e paixão.

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Bruno Capelas é repórter do IGN Brasil, a versão brasileira do maior site de games do mundo. Formado em jornalismo pela USP, já foi repórter do portal iG e do Link, a editoria de tecnologia do jornal O Estado de S. Paulo. Além disso, edita o blog Pergunte ao Pop e colabora desde 2010 com o Scream & Yell, um dos principais veículos independentes de cultura pop do país.