testeComo derrubar um presidente: 11 pontos sobre o golpe de 1964

Em A ditadura envergonhada, Elio Gaspari reconta como a derrocada de um presidente democraticamente eleito levou o país ao período político mais sombrio de sua história

Por Thadeu C Santos*

Jango no comício da Central, ao lado da primeira-dama Teresa Goulart, em 13 de março de 1964 (Jornal do Brasil)

João Goulart (1961-1964), o Jango, assumiu a Presidência da República em 7 de setembro de 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto, depois de apenas alguns meses no poder. Na eleição que os sancionou, no ano anterior, a escolha do presidente e de seu vice foi decidida em eleições separadas, conforme legislação vigente. Jânio venceu a corrida presidencial utilizando na campanha uma vassoura; Jango sagrou-se o vice que, de acordo com os seguidores do novo presidente, encarnava o lixo a ser varrido.

Houve muita resistência a que Jango assumisse o poder, mesmo tendo sido eleito democraticamente. O conflito entre o presidente, parte da classe política, da sociedade civil e militar, além da pressão da elite por uma solução para a crise econômica, levou o país a um período de instabilidade. Em A ditadura envergonhada, primeiro livro da Coleção Ditadura do jornalista Elio Gaspari, o autor conta como a crise política do governo janguista e a articulação civil-militar que tramou sua derrubada levaram ao golpe militar de 1964. A partir de então, direitos foram suprimidos, as torturas foram elevadas à condição de política do Estado e a censura à imprensa tornou-se oficial. A seguir, alguns pontos sobre o que aconteceu na noite de 31 de março de 1964.

 

1 – UM PRESIDENTE COMUNISTA?

Jango discursa em sua visita diplomática à China comunista, em 1961 (fonte: CPDOC FGV)

Em 1961, quando Jânio renunciou, Jango visitava a China comunista. Jânio usara a renúncia para provocar na sociedade um clamor em torno de seu nome que, assim planejava, o fortaleceria para se manter na Presidência. Não funcionou. Em plena Guerra Fria, Jânio já havia condecorado “Che” Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana, e a aproximação com a China alimentou boatos de que ele e seu vice se inclinariam ao comunismo. Elio Gaspari conta que Jango só assumiu porque aceitou, “depois de uma crise em que o país esteve perto da guerra civil, uma fórmula pela qual se fabricou um humilhante regime parlamentarista, cuja essência residia em permitir que ocupasse a Presidência desde que não lhe fosse entregue o poder”.

 

2 – JANGO REASSEGURA O PODER PRESIDENCIAL

Capa do Última Hora anuncia a vitória do presidencialismo no plebiscito de 1963 (fonte: Última Hora)

O regime parlamentarista, cujo primeiro-ministro era Tancredo Neves, limitou drasticamente a ação do presidente. Em 1963, porém, Jango recuperou os poderes presidenciais em um plebiscito em que o presidencialismo (com 9,5 milhões de votos) venceu o parlamentarismo (com 2 milhões).

 

3 – PRESIDENTE ESTANCIEIRO

Primeira visita de Fidel Castro ao Brasil, em 1959, ao lado do presidente JK e seu vice, Jango, no Palácio Laranjeiras, no Rio. À esquerda, o chanceler Negrão Lima (fonte: Agência O Globo)

De acordo com Elio Gaspari, Jango foi “um dos mais despreparados e primitivos governantes da história nacional”. Sua força política provinha da máquina da Previdência Social e das alianças estabelecidas com a esquerda no controle dos sindicatos. Era dono de grandes terras em São Borja (RS) e de um rebanho de 65 mil animais. “Movia-se no poder por meio daqueles sistemas de recompensas e proveitos que fazem a fama dos estancieiros astuciosos.” Após a consolidação de seu governo, a oposição dos militares se tornou majoritária.

 

4 – JANGO CONTRA-ATACA

Jango discursa no comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964, ao lado da primeira-dama Teresa Goulart (fonte: CPDOC JB)

No contra-ataque, Jango chegou a tentar um golpe, que, sem o apoio da esquerda, frustrou-se. Guinou então o governo em sua direção, anunciando grandes reformas de base. Em 13 de março, num comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, assinou dois decretos. “Um desapropriava as terras ociosas das margens das rodovias e açudes federais. Outro encampava as refinarias particulares de petróleo. No palanque, o líder do governo no Senado disse que ‘se o Congresso Nacional não aprovar as reformas, perderá sua identidade com o povo’. Era um governo em crise, com a bandeira das reformas hasteada no mastro da intimidação”, avalia Elio Gaspari.

 

5 – MILITARES NA RETAGUARDA

Capa do Jornal do Brasil de 14 de março de 1964, noticiando o comício da Central (fonte: Jornal do Brasil)

No discurso de 13 de março, o ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro, que apoiava Jango, foi “cumprimentá-lo à saída do palanque do comício”. Elio Gaspari ressalta que “não havia comando importante em mãos duvidosas”. Mesmo após o comício, o general Costa e Silva, um dos futuros presidentes do regime, sentia o peso da articulação pró-Jango. Elio Gaspari conta que “num encontro em que Cordeiro de Farias o convidou para botar a tropa na rua [contra Jango], [Costa e Silva] reagiu: ‘Você está maluco? Nós não podemos fazer nada’”.

 

6 – DAR O GOLPE OU SER GOLPEADO

Com parcos apoios, Jango tentou costurar saídas para a crise política, como a que envolveria sua reeleição (artifício não previsto na Constituição). “Se o golpe de Jango se destinava a mantê-lo no poder, o outro se destinava a pô-lo para fora. A árvore do regime estava caindo, tratava-se de empurrá-la para a direita ou para a esquerda.”

 

7 – AS REFORMAS DE BASE NO OLHO DO FURACÃO

As reformas de base, contrárias aos interesses da elite econômica e política, contribuíram para intensificar a polarização política que dividia o país entre esquerda e direita e acentuar drasticamente a crise.

                                                                                                               

8 – CONSERVADORES NAS RUAS E NO CONGRESSO

Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, em 19 de março de 1964, São Paulo (fonte: Agência O Globo)

Elio Gaspari menciona que o conservadorismo paulista respondeu “ao comício do dia 13 com uma Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em que se reuniram perto de 200 mil pessoas com faixas ameaçadoras (‘Tá chegando a hora de Jango ir embora’) e divertidas (‘Vermelho bom, só batom’)”. O Congresso, de ampla maioria conservadora, dava demonstrações de que não ia aderir aos projetos de reforma janguistas.

 

9 – ANTICOMUNISMO

Tanques ocupam as ruas do Rio de Janeiro em 1º de abril de 1964 (fonte: Agência O Globo)

Elio Gaspari relata que, à direita, não havia “bases definidas” para o golpe, “mas havia uma senha. Ela seria qualquer ato de força do governo [Goulart], quer contra o Congresso, quer contra os governadores que lhe eram hostis”. Elio Gaspari relembra que “o anticomunismo da roda do pensamento conservador era uma mistura de medo real com uma espécie de industrialização do pavor, a fim de permitir que bandeiras simplesmente libertárias ou reformistas fossem confundidas com o ‘perigo vermelho’”.

 
10 – DOUTRINA DE SEGURANÇA NACIONAL

Primeiro presidente da ditadura militar, o general Castello Branco tomou posse em 15 de abril de 1964. Subiu a rampa do Palácio do Planalto ladeado por Ranieri Mazzilli e pelo general Ernesto Geisel (fonte: Agência O Globo)

Em 31 de março de 1964, todas as tentativas de resistência de Jango se esgotaram. Naquele momento, “para que o presidente vencesse, (…) era indispensável que se atirasse num último lance de radicalismo, límpido, coordenado e violento. (…) Precisaria golpear o Congresso, intervir nos governos de Minas Gerais, São Paulo e Guanabara, expurgar uma parte da oficialidade das Forças Armadas, censurar a imprensa, amparar-se (…) na sargentada e na máquina sindical filocomunista”. Em suma, para salvar seu mandato, Jango teria que provocar “tamanha mudança no poder que, em última análise, (…) tanto o governo (pela esquerda) como os insurretos (pela direita) precisavam atropelar as instituições republicanas”.

 

11 – GOLPE MILITAR

Tanques ocupam a Explanada dos Ministérios, em abril de 1964 (fonte: Agência O Globo)

O suposto contragolpe de Jango não aconteceu. Para Elio Gaspari, faltava ao presidente uma personalidade à altura do enfrentamento: “Não era um covarde, mas se habituara a contornar os caminhos da coragem.” Além disso, “nenhuma força à esquerda do presidente tomou iniciativa militar relevante durante o dia 31”. A imobilidade de Jango e a inação da esquerda tornaram o golpe inevitável, decidido, em seus pormenores, no calor do momento. “Nas altas horas da noite de 31 de março o golpe tinha uma bandeira: tirar Jango do poder, para combinar o resto depois.” A rebelião militar que depôs Jango sequestrou a democracia brasileira por 21 anos.

 

Thadeu C Santos, 29 anos, é editor freelance.

testeA ditadura acabada, de Elio Gaspari, recebe Grande Prêmio da Crítica de Literatura da APCA

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A ditadura acabada, quinto volume da aclamada obra sobre o regime militar no Brasil, acaba de receber o Grande Prêmio da Crítica de Literatura da APCA, Associação Paulista de Críticos de Artes.

Na obra, o jornalista Elio Gaspari examina com riqueza de detalhes o período de 1978 a 1985, desde o final do governo do presidente Ernesto Geisel e a posse de seu sucessor, o general João Baptista Figueiredo, até a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral. São os anos da abertura política, momento decisivo na história do país e repleto de acontecimentos como o fim do AI-5, as manifestações políticas pela anistia e pela volta das eleições diretas para a Presidência, os atentados promovidos por aqueles que se opunham à redemocratização — como o episódio da bomba no Riocentro em 1981 — e uma crise econômica sem precedentes.

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Com uma narrativa fluida e pesquisa profunda, Elio Gaspari compõe um painel fascinante de um país em plena ebulição, em que muitos dos protagonistas se mantêm como parte do noticiário atual. No Epílogo, denominado “500 vidas”, o autor acompanha o destino de quinhentos personagens que sobreviveram ao fim da ditadura, entre militares e militantes, empresários e sindicalistas, torturados e torturadores. Alguns desses sobreviventes chegaram à Presidência da República, como Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.

A ditadura acabada é a conclusão da obra definitiva sobre um dos períodos mais turbulentos da história do Brasil, resultado de uma extensa pesquisa e do acesso a uma documentação até então inédita. Os cinco volumes da Coleção Ditadura foram reunidos em um luxuoso box, também disponível em versão digital.

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Confira a lista completa de vencedores da APCA.

testeLançamentos de junho

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Confira sinopses e trechos dos livros que publicaremos neste mês:

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Loney, de Andrew Michael Hurley – Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era jovem e visitou o lugar. Com personagens ricos e idiossincráticos, um cenário sombrio e a sensação de ameaça constante, Loney é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público. Uma história de suspense e horror gótico, ricamente inspirada na criação católica do autor, no folclore e na agressiva paisagem do noroeste inglês. [Leia +]

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A ditadura acabada, de Elio Gaspari – A mais aclamada obra sobre o regime militar no Brasil chega à conclusão com o livro A ditadura acabada. No quinto volume da Coleção Ditadura, o jornalista Elio Gaspari examina com riqueza de detalhes o período de 1978 a 1985, desde o final do governo do presidente Ernesto Geisel e a posse de seu sucessor, o general João Baptista Figueiredo, até a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral.

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A publicação de A ditadura acabada é a conclusão da obra definitiva sobre um dos períodos mais turbulentos da história do Brasil, resultado de uma extensa pesquisa e do acesso a uma documentação até então inédita. Os cinco volumes da Coleção Ditadura foram reunidos em um luxuoso box, também disponível em versão digital. [Leia +]

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F de falcão, de Helen Macdonald – Best-seller do The New York Times, F de falcão é um livro de memórias nada usual que narra a história de Helen Macdonald a partir do momento em que viaja até a Escócia para comprar um falcão. Devastada por uma forte depressão após a morte de seu pai, Helen se encontra em um abismo e nada mais faz sentido em sua vida. Porém, ao praticar a falcoaria com Mabel, sua nova ave de rapina, e ler os diários de T. H. White, clássico autor da literatura inglesa, ela começa a entender que o luto é um estado que não pode ser evitado, mas que pode ser superado — inclusive com a ajuda de um inusitado açor.

A premiada escritora britânica participará da Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 29 de junho a 3 de julho. Saiba mais

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Liderança, de Alex Ferguson e Michael Moritz – O que é necessário para levar uma equipe ao máximo de sucesso e mantê-la no topo por um bom tempo? Sir Alex Ferguson é um dos poucos líderes que sabem de fato a resposta a essa pergunta. Nos 38 anos em que atuou como técnico de futebol, ele alcançou a impressionante marca de 49 troféus e fez do Manchester United uma das maiores marcas do mundo. Nesse livro franco e inspirador, ele revela os segredos por trás de sua carreira repleta de recordes. [Leia +]

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Gentil como a gente, de Fernanda Gentil – Com leveza e humor, Fernanda Gentil conta uma história de amores vivida por uma família singular e ao mesmo tempo igual à de todo mundo. Mocinha (ou Fernanda?) briga e, com a frequência de eclipses lunares, pede desculpas. Quando quer, sabe ser fofa. E mostra-se craque em entender as diferenças entre o feminino e o masculino, mata no peito, sai de impedimento, bota para escanteio e bate um bolão. Porque o que Fernanda mais quer é fazer e ser feliz. Sem firulas. Gentil. Como a gente. [Leia +]

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Lugar Nenhum, de Neil Gaiman – Publicado pela primeira vez em 1997, a partir do roteiro para uma série de TV, o sombrio e hipnótico Lugar Nenhum, primeiro romance de Neil Gaiman, anunciou a chegada de um grande nome da literatura contemporânea e se tornou um marco da fantasia urbana. Ao longo dos anos, diferentes versões foram publicadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, e Neil Gaiman elaborou, a partir desse material, um texto que viesse a ser definitivo: esta Edição Preferida do autor inclui um texto de introdução assinado por Gaiman, uma cena cortada e um conto exclusivo. [Leia +]

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No reino do gelo, de Hampton Sides – No final do século XIX, o mundo era bem diferente de como o conhecemos hoje. Os Estados Unidos eram um jovem país em acelerado crescimento após a Guerra Civil, invenções tecnológicas apareciam a todo momento e muitas partes do globo ainda continuavam completamente inexploradas. Entre elas estava o Polo Norte. No reino do gelo conta a fascinante história de heroísmo e determinação do navegador George De Long e da tripulação do navio americano USS Jeannette na conquista de um dos locais mais implacáveis do planeta. [Leia +]

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Welcome to Night Vale, de Joseph Fink e Jeffrey Cranor – O podcast Welcome to Night Vale conta as histórias da cidade de Night Vale, uma amistosa comunidade no meio do deserto onde todas as teorias da conspiração são reais. No formato de um programa de rádio, Cecil Palmer, locutor da rádio comunitária, informa a todos as pequenas estranhezas da pacata cidadezinha — onde fantasmas, anjos, alienígenas e agências governamentais misteriosas e ameaçadoras fazem parte do cotidiano dos cidadãos. Desta vez, a chegada de um homem de paletó bege faz com que as vidas de duas mulheres, cada uma com seu mistério, vire de cabeça para baixo. [Leia +]

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A outra história, de Tatiana de Rosnay – Aos vinte e quatro anos, Nicolas Duhamel se depara com um segredo perturbador, há décadas mantido a sete chaves por sua família. Perplexo, ele parte em uma cruzada na busca por suas verdadeiras origens, uma empreitada que o inspira a escrever seu primeiro romance, O envelope. Após três anos do inesperado e estrondoso sucesso mundial do livro, Nicolas é um autor vaidoso, com muitos fãs. Contudo, não consegue mais escrever nem uma linha sequer. Hospedado em um luxuoso resort na Toscana, ele tenta vencer o bloqueio criativo, mas o que Nicolas encontra lá poderá colocar em jogo todo o seu futuro. [Leia +]

testeA ditadura acabada, de Elio Gaspari, chega às livrarias em 1º de junho

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A mais aclamada obra sobre o regime militar no Brasil chega à conclusão com o livro A ditadura acabada. No quinto volume da Coleção Ditadura, o jornalista Elio Gaspari examina com riqueza de detalhes o período de 1978 a 1985, desde o final do governo do presidente Ernesto Geisel e a posse de seu sucessor, o general João Baptista Figueiredo, até a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral. São os anos da abertura política, momento decisivo na história de nosso país e repleto de acontecimentos, como o fim do AI-5, as manifestações políticas pela anistia e pela volta das eleições diretas para a presidência, os atentados promovidos por aqueles que se opunham à redemocratização, como o episódio da bomba no Riocentro em 1981, e uma crise econômica sem precedentes.

Com uma narrativa fluida e pesquisa profunda, Elio Gaspari compõe um painel fascinante de um país em plena ebulição, em que muitos dos protagonistas se mantêm como parte do noticiário atual. No epílogo, denominado “500 vidas”, o autor acompanha o destino de quinhentos personagens que sobreviveram ao fim da ditadura, entre militares e militantes, empresários e sindicalistas, torturados e torturadores. Alguns desses sobreviventes chegaram à presidência da República, como a presa política Dilma Rousseff, o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva e o professor Fernando Henrique Cardoso. É uma conclusão impactante para uma obra fundamental sobre a história recente do Brasil.

A ditadura acabada estará disponível em duas versões de e-book, uma delas com áudios e vídeos acrescentados pelo autor, ambas contendo mais de trinta documentos históricos.

A Coleção Ditadura, com seus cinco volumes, poderá ser encontrada também em um luxuoso box em versão impressa e digital.

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Conheça o site Arquivos da ditadura

testeA ditadura em 50 fatos

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 A DITADURA EM 50 FATOS

O golpe que deu início à ditadura militar completa 50 anos em 1º de abril. O regime durou de 1964 a 1985 e foi tema de quatro livros do jornalista Elio Gaspari – A ditadura envergonhada, A ditadura escancarada, A ditadura derrotada e A ditadura encurralada. A obra apresenta um panorama das mudanças sociais e políticas que o Brasil sofreu nesses vinte anos. Para cumprir tal proeza, GAspari reuniu mais de 2,5 mil documentos, entrevistou protagonistas do regime e pesquisou tudo relacionado ao período nos últimos 30 anos. E não chegou ao fim. Atualmente, Gaspari escreve um quinto livro ainda sem previsão de lançamento.

Abaixo, listamos alguns dos principais episódios da ditadura militar brasileira abordados nos livros de Gaspari:

1)      O presidente João Goulart é deposto e Ranieri Mazzilli assume a presidência do Brasil (1964);

2)      Baixado o primeiro Ato Institucional para legalizar as ações políticas dos militares no poder (1964);

3)      O marechal Humberto de Alencar Castello Branco assume a presidência (1964);

4)      Criação do SNI – Serviço Nacional de Informações (1964);

5)      Baixado o AI-2, que dissolve partidos, torna indireta a eleição presidencial e transfere processos políticos para a Justiça Militar (1965);

6)      Com o AI-3, Castello Branco torna indireta as eleições para os governos estaduais, e os prefeitos passam a ser escolhidos pelos governadores (1965);

7)      Criado o FGTS (1966);

8)      Com o AI-4, a Constituição de 1946 foi totalmente revogada e o Congresso Nacional foi convocado para votar e promulgar novo projeto de Constituição (1966);

9)      Eleição indireta do general Costa e Silva a presidente da República: a linha-dura chega ao poder (1967);

10)   Guerrilha do Araguaia (1967-1974);

11)   Estreia o show Opinião, com Nara Leão, Zé Keti e João do Vale (1968);

12)   Marcha dos 100 Mil (1968);

13)   Morte do estudante Edson de Lima Souto durante manifestação estudantil (1968);

14)   Baixado o AI-5 (1968);

15)   “Milagre econômico”: PIB brasileiro atinge crescimento de quase 10% ao ano (1968);

16)   Carlos Lamarca deserta e cai na clandestinidade (1969);

17)   Assassinato do líder guerrilheiro Carlos Marighella (1969);

18)   Nomeado por Médici, Geisel assume a presidência da Petrobras (1969);

19)   Costa e Silva sofre uma isquemia cerebral e é substituído por uma junta militar (1969);

20)   Exilados: Caetano Veloso e Gilberto Gil vão para Londres. Chico Buarque segue para Itália (1969);

21)   O papa Paulo VI condena a tortura brasileira (1970);

22)   Médici anuncia a construção da rodovia Transamazônica (1970);

23)   Seleção brasileira de futebol conquista o tricampeonato na Copa do Mundo (1970);

24)   O filme Laranja mecânica é proibido no Brasil (1971);

25)   Carlos Lamarca é assassinado no interior da Bahia (1971);

26)   Caetano e Gil voltam do exílio (1972);

27)   A TV a cores é oficialmente lançada no Brasil, após algumas transmissões experimentais (1972);

28)   O filme O último tango em Paris é proibido no Brasil (1972);

29)   Anistia Internacional divulga relatório com nomes de 472 torturadores e 1.081 torturados (1972);

30)   Médici chama Geisel ao palácio Laranjeiras e diz que ele será seu sucessor (1973);

31)   Sem chances de vitória, Ulysses Guimarães lança-se candidato à Presidência da República (1973);

32)   Geisel é eleito presidente da República (1974);

33)   Inauguração da ponte Rio-Niterói (1974);

34)   A censura proíbe o uso da palavra ‘recessão’ (1974);

35)   Ernesto Geisel anuncia “lenta, gradativa e segura distensão” (1974);

36)   D. Eugênio Sales trata com Geisel de tema delicados: os “desaparecidos” da ditadura (1974);

37)   O MDB elege 16 dos 22 senadores e aumenta de 87 para 160 o número de deputados (1974);

38)   Iniciada construção da usina hidrelétrica de Itaipu, à época a maior do mundo (1975);

39)   Empossados os 22 governadores “biônicos”, todos escolhidos por Geisel (1975);

40)   Geisel firma acordo nuclear com Alemanha para construção de oito usinas, das quais somente Angra 2 saiu do papel (1975);

41)   Morte do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado (1975);

42)   Sônia Braga estrela o filme Dona Flor e seus dois maridos (1976);

43)   Morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1976);

44)   Antes de ser eleito presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter condena a ditadura brasileira em entrevista à Playboy (1976);

45)   O MDB ganha as eleições municipais nas grandes cidades (1976);

46)   Geisel rompe acordo militar com os EUA por conta de um relatório do governo americano a respeito dos direitos humanos no Brasil (1977);

47)   Estudantes vão às ruas de São Paulo em passeata pela primeira vez desde 1968 (1977);

48)   Visita da primeira dama norte-americana Rosalynn Carter ao Brasil (1977);

49)   Instituído o divórcio (1977);

50)   Demissão de Sylvio Frota: Geisel restabelece o primado da residência da República sobre as Forças Armadas com a demissão do ministro do Exército (1977).

testeO ano Gaspari

O ano Gaspari

O que vem por aí? O que me espera nos próximos meses? O começo do ano costuma ser marcado por perguntas como estas.  Essas indagações, no entanto, passaram longe da Intrínseca nos primeiros dias de 2013. Já sabíamos que os doze meses seguintes seriam de muito trabalho e estávamos eufóricos com isso. A razão da alegria veio à público no dia 9 de janeiro, quando uma nota publicada no jornal O Globo anunciava que publicaríamos uma edição revista e ampliada da série de Elio Gaspari sobre a ditadura militar brasileira.

Feito o anúncio, era hora de se preparar para o desafio. Ou melhor, os desafios:  relançar A ditadura envergonhada, A ditadura escancarada, A ditadura derrotada e a A ditadura encurralada até abril de 2014, quando o golpe militar de 1964 completará 50 anos, e colocar no mercado simultaneamente os primeiros e-books dos quatro volumes. Os livros e suas versões eletrônicas ainda viriam acompanhados de um site onde, aos poucos, seriam disponibilizados os documentos e áudios sobre o regime militar recolhidos por Elio ao longo de 30 anos.

Para dar conta da tarefa, foi montada uma equipe que combinou “intrínsecos” com profissionais convidados especialmente para atuar na produção. Coordenei o projeto com a também jornalista Livia de Almeida, nossa editora de livros nacionais, que cuidou da edição dos textos propriamente ditos.  Para supervisionar a parte digital, estabelecendo que documentos, áudios e vídeos deveriam incrementar os ebooks e o site, foi chamada outra jornalista, Adriana Barsotti. Ela reúne duas qualidades difíceis de encontrar numa mesma profissional e que caíam como uma luva no projeto: é uma repórter de política premiada e uma estudiosa dos novos meios digitais, tendo concebido o vespertino digital do jornal O Globo, O Globo a Mais.

O projeto gráfico ficou aos cuidados do experiente designer gráfico Victor Burton. A pesquisa de imagens mais uma vez foi tocada por Vladimir Sacchetta, que exerceu a mesma função na primeira edição da coleção.  Gerente de e-books da Intrínseca, Cindy Leopoldo ficou encarregada de uma das tarefas mais desafiadoras: colocar todas as possibilidades oferecidas pela tecnologia dos e-books, muitas das quais pouco ou nada exploradas por estas bandas e mesmo fora delas, em prol de uma obra riquíssima em documentos, imagens e notas de rodapé.

Solange Rodrigues, assistente do Elio, encarou uma tarefa espinhosa: escanear cerca de 2.500 documentos, que seriam esmiuçados então por Adriana. Cerca de 200 deles foram parar nos e-books. Foi um pouco mais de um ano de trabalho, com viagens quase que semanais para São Paulo, onde fica o escritório de Elio (a Intrínseca está na Gávea, no Rio). Do outro lado da ponte-aérea, encontrei não só o Elio das colunas dos jornais e dos livros como também um entusiasta, como poucos conheci, das possibilidades das novas tecnologias. Entre cafés e histórias saborosas sobre quase tudo, os e-books e o site, logo batizado de www.arquivosdaditadura.com.br, foram ganhando forma. É com a mesma alegria do dia da nota do Globo que eu vejo agora os livros chegando nas livrarias, os e-books nas lojas on-line e o site virando notícia.

*Bruno Porto é editor de aquisições da Intrínseca.

testeFormadores de opinião definem a obra de Elio Gaspari

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No dia 19 de fevereiro, no ano em que serão lembrados os 50 anos do golpe militar, os leitores terão a oportunidade de mergulhar em um dos períodos mais conturbados da história do Brasil. Publicados originalmente entre 2002 e 2004, os títulos A ditadura envergonhada, A ditadura escancarada, A ditadura derrotada e A ditadura encurralada têm como base de pesquisa um arquivo com mais de 15 mil itens, que vão desde notas manuscritas até áudios inéditos e relatórios governamentais.

A obra chega às livrarias com o respaldo de alguns formadores de opinião e jornalistas, como Renata Lo Prete, que trata principalmente dos e-books: “O que existe para ser mostrado de áudio de vídeo e de documentos é quase uma outra leitura.” Outra colaboração é de Carlos Heitor Cony, que considera a coleção fundamental e definitiva: “Esse período da história ficará centrado em Gaspari para o resto da vida.” Mario Sergio Conti relembra que Elio não tinha a intenção de produzir uma obra sobre a ditadura quando o processo começou: “Pela força que ele recolheu ao longo de décadas, falando com as pessoas, pesquisando arquivos, falando com torturadores, com estudantes, com sindicalistas e todas as informações deram a dimensão ao livro de uma história da ditadura”.

Completam o time de depoimentos, Aluizio Maranhão, José Arthur Gianotti, José Paulo Cavalvanti e Maria Adelaide Amaral. Todos atestam a relevância da Coleção Ditadura em teasers de até dois minutos disponíveis no site Arquivos da Ditadura (www.arquivosdaditadura.com.br). Os vídeos na íntegra estão disponíveis aos leitores dos e-books com exclusividade.

Conheça os teaseres:

Renata Lo Prete (jornalista)

José Paulo Cavalcanti (advogado) e Maria Adelaide Amaral (escritora)

Carlos Heitor Cony (escritor) e José Arthur Giannotti (professor de filosofia)

Aluizio Maranhão (jornalista) e Mario Sergio Conti (jornalista)

testeConteúdo completo do chat sobre livros nacionais da Intrínseca

Estreamos no ano passado a editoria de livros nacionais com Filho teu não foge à luta, não ficção do jornalista Fellipe Awi sobre o MMA. Em julho deste ano, chegou a vez de Sal, de Leticia Wierzchowski, nosso primeiro romance nacional. Além do livro da autora gaúcha, serão lançados os novos títulos de ficção de Edney Silvestre, Vidas provisórias, em 13 agosto, e do escritor Miguel Sanchez Neto, em 2014. O catálogo nacional contará ainda com obras de não ficção de nomes de peso como Elio Gaspari, Miriam Leitão, Joyce Pascowitch e Adriana Falcão. Blogueira, escritora e estudante de Direito, Isabela Freitas, de 22 anos, será a primeira autora brasileira a publicar um livro de ficção juvenil pela Intrínseca.

Para marcar esse momento, na última segunda-feira, 5 de agosto, nossos editores de livros nacionais conversaram com os leitores sobre como funciona o processo de publicação de uma obra nacional pela Intrínseca.

Confira abaixo o que foi discutido no chat:

Pergunta – Antônio Augusto: Olá. Gostaria de saber quando e por que a Intrínseca resolveu começar a investir em livros nacionais?

Resposta da Intrínseca: Oi Antônio, tudo bem? A Intrínseca começou pequeninha em 2003. Aprendemos muito nesse tempo e, a partir de 2010, chegamos à conclusão de que poderíamos dar o nível de atenção e cuidado que os autores nacionais merecem.

P – Francine Porfirio: A Editora Intrínseca aceitará envio de originais para análise?

R – Intrínseca: Olá, Francine, como vai você? Por enquanto, estamos dando prioridades a projetos que têm a nossa cara, que a gente mesmo vem idealizando. No futuro, provavelmente, a gente vai ganhar uma estrutura mais robusta e ter um departamento para leitura e avaliação de originais. Quando tivermos essa estrutura e pudermos ler os originais, a gente vai avisar vocês na mesma hora.

P – Elimar Andrade Moraes: Quais são os critérios da Intrínseca para escolher títulos nacionais? São os mesmos dos títulos internacionais?

R – Intrínseca: Estamos investindo em boas histórias, em especial nos projetos de não ficção, que precisam de muito tempo de desenvolvimento. E para cuidar desses projetos estamos convidando autores que a gente acha que têm a nossa cara. Alguns desses autores já publicaram antes, mas muitos deles vão fazer sua estreia em livro conosco. Foi o caso do Fellipe Awi, que escreveu Filho teu não foge à luta, que a gente publicou no ano passado. O Awi, que é jornalista, estreou como autor com a gente.

P – Marcos Antônio de Souza: Olá! Acho que, atualmente, a maioria dos livros que eu compro é da Intrínseca. Vocês têm ótimas obras estrangeiras! Agora, queria saber quais são os lançamentos nacionais da editora.

P – Carlos Yuri: Qual a principal aposta da editora para essa nova linha de nacionais?

R – Intrínseca: Olá Marcos, olá Carlos! Acabamos de lançar Sal, romance da Letícia Wierzchowski e no dia 13 de agosto, sai Vidas provisórias, do Edney Silvestre.

R – Intrínseca: No início do ano que vem vamos lançar a nova edição da série do Elio Gaspari sobre a ditadura, em quatro volumes.

P- tiagoodesouza: Esse processo mais tardio é importante tanto para a empresa quanto para o autor, correto? Porque é preciso fazer uma boa análise do mercado, se ele pede aquele livro naquele momento etc, e também para não frustrar o “sonho” do autor. Tem editora que investe uma vez e parece esquecer do autor depois.

R – Intrínseca: Ok, Tiago, concordamos com você.

P – Fernanda Rodrigues: Boa tarde, Intrínseca. Eu tenho uma dúvida. Se vocês ainda não possuem um departamento de avaliação de originais nacionais, como autores, como Isabela Freitas, tiveram a oportunidade de publicar um primeiro livro com vocês?

R – Intrínseca: Oi, Fernanda. Aqui na Intrínseca vivemos ligados no que está acontecendo. A gente procura aquelas pessoas que têm uma voz própria, uma identidade marcante, que se destacam como a Isabela.

P – Bebeletes: Ansiedade define! Quero logo o meu Não se apega, não

P – Yasmin Garcia: Quando será lançado o livro da Isabela Freitas?

R – Intrínseca: Calma, Bebeletes! Estamos trabalhando com muito carinho no livro da Isabela. Você não perde por esperar!Yasmin, o livro deverá ser publicado no ano que vem.

P – PolianaRTC: Como funciona a edição? Sempre fui curiosa sobre essa mediação. Tenho planos de terminar meus próprios projetos, como seria o papel do editor nesse processo? Há um acompanhamento durante toda a criação, ou é somente e após a conclusão da estória?

P – tiagoodesouza: O processo de produção do livro nacional é maior do que do livro estrangeiro?

R – Intrínseca: Poliana e Tiago, ótimas perguntas. O trabalho do editor varia em cada caso. Existem projetos que começam aqui na editora e que a gente acompanha cada minuto dele junto com o autor. É o caso, por exemplo, do livro que estamos preparando sobre a família Guinle, do Clóvis Bulcão. O mesmo aconteceu com o livro do Fellipe Awi, quando acompanhamos toda a pesquisa dele, demos apoio para que ele pudesse viajar e fazer entrevistas com os lutadores. Os projetos de não ficção nacional são trabalhosos, exigem muito tempo, pesquisa, boas ideias, objetividade.

P – Marcos Antônio de Souza: Vocês planejam algum encontro com autores na Bienal no Rio?

R – Intrínseca: Oi, Marcos! Com toda certeza nossos autores estarão no estande da Intrínseca na Bienal do Rio. Em breve divulgaremos toda a programação

P – Carlos Yuri: Então se eu escrever uma boa história, que comece a ganhar público on-line, tenho uma chance de ter um livro publicado por vocês?

R – Intrínseca: Quem sabe, Carlos? Boa sorte!

P – PolianaRTC: Quem sabe um dia não terei a sorte de ter um editor da Intrínseca? Sonhar é de graça, não é?

R – Intrínseca: O importante é persistir, Poliana, e não abrir mão de seus sonhos.

P – Iago Sátiro: Olá, sou adolescente e ainda estou escrevendo minha primeira obra. Queria saber se a Intrínseca analisa projetos de ficção? E se vocês dão oportunidades para novos escritores?

R – Intrínseca: Olá, Iago. Boa sorte com seu primeiro livro. No momento, estamos investindo em projetos que foram idealizados por nós e ainda não estamos fazendo análise de originais. Essa é uma perspectiva para o futuro.

P – tiagoodesouza: A tiragem de Sal foi de 20 mil exemplares, certo? Vidas provisórias seguirá pelo mesmo caminho? Essa será a tiragem média dos futuros nacionais?

R – Intrínseca: Oi, Tiago. Vidas provisórias terá uma tiragem inicial de 30 mil exemplares. A gente analisa caso a caso. Mas nossas tiragens costumam ser mais altas do que a média no mercado.

P – solarkiwi: Vocês falaram sobre projetos que tivessem a cara da editora, eu gostaria de saber quais são as preferências de vocês, qual é a proposta da Intrínseca.

R – Intrínseca: A gente tem como filosofia publicar poucos e bons livros. Isso também vale para os títulos nacionais. A gente publica aquilo que nos apaixona.

P – criscat: Algumas editoras estão apostando na publicação de contos avulsos em versão digital. A Intrínseca tem planos de enveredar por esse caminho também?

R – Intrínseca: Oi Cris, a gente está fazendo uma coisa um pouquinho diferente. Estamos lançando e-books com material inédito dos nossos autores. O exemplo é o que aconteceu com Sal. A gente lançou um e-book onde os personagens do livro faziam suas apresentações. E esperem grandes novidades em matéria de e-books para o ano que vem. Estamos com muitas ideias!

P – João Pedro F. Gomes: Quais são as diferenças de trabalhar com autores nacionais e internacionais? (Além de ter que desenvolver a tradução da obra.)

R – Intrínseca: Oi João Pedro. Você fez uma ótima pergunta. É o seguinte, no caso dos projetos nacionais, a gente acompanha tudo desde o início, o desenvolvimento, a pesquisa, a criação, o texto. Nos casos dos livros estrangeiros, eles já chegam praticamente prontos. Precisam de tradução, revisões técnicas, pesquisa. Ficamos sempre em contato com nossos autores. No caso dos estrangeiros, isso também é possível, mas é mais difícil.

P – Mayara Sena: Muito legal vocês investirem nos autores nacionais, afinal tem vários talentos no Brasil também. Mas tenho uma pergunta: vai ser traduzido em outros idiomas?

R – Intrínseca: Oi Mayara. A gente está na maior torcida para que isso aconteça!

P – Michael Josh: A Intrínseca publica livros que os apaixonam, mas como funciona a busca desses títulos? Existe algum tipo de feira onde há vendas de direitos autorais?

R – Intrínseca: Oi Michael. A gente vive ligado no que está acontecendo. Estamos sempre de olho.

P – Fernanda Rodrigues: Como são feitas as escolhas das obras internacionais? Como vocês escolhem os títulos que publicam? E, no caso das obras nacionais, elas também são lançadas no mercado internacional?

P – solarkiwi: Editoras brasileiras traduzem obras nacionais e vendem em outros países ou apenas detêm os direitos da obra e a vendem se alguma editora internacional se interessar?

R – Intrínseca: Oi Fernanda. Nos casos das obras internacionais, as feiras de livro ajudam bastante, assim como o contato com os agentes literários e nossos “olheiros”.  Solarkiwi, alguns dos nossos autores têm agentes literários que os representam no mercado internacional. Outros são representados por nós mesmos.

P – Nestor Vidal de Oliveira: Como vocês encontram novos escritores?

R – Intrínseca: Oi Nestor. Como a gente já disse anteriormente, a gente procura ficar ligado em tudo o que está acontecendo. Estamos sempre de olho.

P – Hingrett Katherine: O que a equipe Intrínseca espera de um livro? E o que a faz descartar imediatamente?

R – Intrínseca: Oi! O que a gente espera de um livro é que ele seja emocionante. Que seja capaz de enriquecer, de alguma forma a vida do leitor. E que nunca lhe cause indiferença

Intrínseca: Pessoal, foi ótimo papear com vocês. Espero que vocês fiquem muito felizes com as novidades que vêm por aí em livros nacionais!

testeNa primeira fila, por Joyce Pascowitch

O cotidiano e as histórias inusitadas dos poderosos pelo olhar de quem assiste a tudo da primeira fila: Joyce Pascowitch narra em primeira pessoa o que aprendeu com a convivência com personalidades e com a própria experiência de empresária, no livro (ainda sem título) que será publicado em 2014 pela Intrínseca.

Colunista social da Folha de S.Paulo por 14 anos, Joyce Pascowitch foi colaboradora da revista Época entre 2001 e 2005 e diretora de redação da revista Quem entre 2005 e 2008. Atualmente, comanda o Grupo Glamurama, que publica o site Glamurama, e edita mensalmente as revistas Joyce Pascowitch, PODER, Modo de Vida e MODA.

Além da rotina profissional no jet set, Pascowitch escreverá sobre viagens e curiosidades dos bastidores do mundo dos negócios. Mais um nome de peso para o catálogo nacional de não ficção da Intrínseca, que contará com obras dos jornalistas Elio Gaspari e Miriam Leitão.

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testeElio Gaspari na Intrínseca

Os quatro livros de Elio Gaspari sobre a ditadura militar serão relançados em edição revisada e ampliada pela editora Intrínseca em 2014. Além de A ditadura envergonhada, A ditadura escancarada, A ditadura encurralada e A ditadura derrotada, será publicado um quinto volume, ainda sem data de lançamento, para completar a série sobre o período.

“É uma honra publicar a maior obra sobre a história recente do Brasil”, disse Jorge Oakim, publisher da Intrínseca.

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