testeA nova república

Por Lionel Shriver* Lionel Shriver (c) Suki Dhanda Escrito entre Dupla falta e Precisamos falar sobre o Kevin, A nova república foi concluído em 1998. Naquela época, meu histórico de vendas era um horror. E, o que talvez seja mais importante, meus compatriotas norte-americanos, em sua maioria, descartavam o terrorismo como um Problema Chato dos Estrangeiros. Não consegui despertar interesse pelo manuscrito em nenhuma editora dos Estados Unidos.

Em pouco tempo, essas duas fontes de desincentivo desapareceram. Minhas vendas melhoraram. Depois do 11 de Setembro, os norte-americanos ficaram muito interessados no terrorismo, para dizer o mínimo. Por isso, durante anos após a calamidade em Nova York, fui obrigada a manter o romance na gaveta, porque um livro que tratasse dessa questão com um toque de leveza seria considerado de mau gosto.

Mas o tabu parece haver chegado ao fim. As sensibilidades se robusteceram. Tenho esperança de que este romance — cujos temas só se tornaram mais contundentes desde que ele foi escrito — possa agora ser lançado sem causar melindres. Apesar de revisado com o olhar frio da distância, o livro está sendo publicado mais ou menos como o escrevi originalmente, com um pequenino e irresistível acréscimo no epílogo, que os leitores reconhecerão de imediato.

*Nota da autora em A nova república. Leia um trecho do romance que acaba de ser publicado no Brasil:

testeLionel Shriver apresenta “Grande irmão” aos brasileiros

Grande irmão_blog

Por Lionel Shriver

Sempre penso nos brasileiros como um povo esbelto e sensual, por isso, fiquei surpresa ao saber que a obesidade é uma preocupação crescente no Brasil. A gordura parece ser o preço da prosperidade. O estranho é que, tal como acontece nos Estados Unidos, o excesso de peso entre vocês é, cada vez mais, um problema dos pobres. E isso não faz sentido, faz? Não são os ricos que podem bancar a despesa de comer mais? Minha teoria é que, muitas vezes, comer em demasia é um sinal de deficiências em outras áreas da vida — um sentimento maior de insatisfação, que pilhas de batata frita não têm como remediar.

Grande irmão é um livro sobre comida, sobre gordura — questões sociais que são também profundamente íntimas: como nos sentimos quando nos olhamos no espelho, ou quando vemos uma fotografia nossa. O juízo que fazemos sobre as pessoas, dependendo do quanto elas pesam. O romance pergunta: santo Deus, por que comer ficou tão complicado?

Passei a ter um carinho especial pelos leitores brasileiros desde que estive na FLIP, em Paraty (a melhor festa literária de que já participei, com toda franqueza), e descobri toda uma base da fãs da qual eu não tinha conhecimento. Fiquei sem jeito com a grande generosidade de todos. Eu sempre me impressiono com os leitores estrangeiros, que se dispõem alegremente a dar um salto da imaginação para um romance que se passa em outro lugar. Portanto, em Grande irmão, sejam bem-vindos ao Iowa, o “celeiro” do centro-oeste americano, a pátria da glucose de milho, com seu notório alto teor de frutose. Mas não recomendo a leitura desse livro, em particular, acompanhada de um cremoso brownie. De preferência, deve-se ter à mão um desolador potinho de queijo cottage de baixa caloria e uma bolacha de arroz.

Tradução de Vera Ribeiro

 

testeCasais nada exemplares

Nem todas as histórias de amor terminam — ou se desenvolvem — bem. A verdade inconveniente tanto para os que gostam quanto para aqueles que detestam o Dia dos Namorados povoa o universo criado por Gillian Flynn, escritora norte-americana admirada publicamente pelo mestre do terror Stephen King.  Se para muitos o problema está em acordar e perceber que não conhecemos muito bem a pessoa com quem dividimos a cama, Flynn alerta: o inferno pode ser conhecê-la bem demais.

No aclamado Garota exemplar, Gillian Flynn expõe as consequências psicológicas da deterioração de um relacionamento íntimo. Seus personagens, Amy Elliot e Nick Dunne, fazem parte de uma lista nada lisonjeira: a dos casais nada exemplares. Na ficção, podem facilmente ser acompanhados por Willy e Eric, os complexos protagonistas de Lionel Shriver em Dupla falta, e por Catherine e Lee e sua relação violenta criada por Elizabeth Haynes em No escuro.

Na vida real, casais problemáticos costumam preencher as páginas de tabloides. Assim foi com o conturbado relacionamento entre Madonna e Sean Penn. Marcado por brigas e escândalos, a união terminou em 1989 com boatos de violência — em um deles, Sean Penn teria mantido a cabeça da estrela do pop dentro do forno por algumas horas.

Alguns casos se desenrolam no tribunal, como o de Chris Brown e Rihanna.  Em 2009, a cantora se pronunciou em público sobre as agressões do então namorado — que responde a um processo criminal.

Em 1978, uma das paixões mais loucas da história do rock terminou em tragédia em um dos quartos do Hotel Chelsea, em Nova York. No apartamento de número 100, Nancy Laura Spungen foi encontrada morta a facadas. O acusado foi seu namorado Sid Vicius, baixista da banda Sex Pistols.

E você? Que casais incluiria nessa lista?

Leia também: Homem de verdade não bate em mulher

testeEstante Intrínseca – Lançamentos de Maio

5/5 – Memórias de um vendedor de mulheres, de Giorgio Faletti — Em seu novo livro, o, fenômeno mundial da literatura italiana contemporânea Giorgio Faletti recria as insanas noites milanesas da década de 1970 sob a perspectiva de Bravo, um negociante de mulheres. Entre cabarés e cassinos clandestinos, este homem enigmático compartilha suas noites em claro com mulheres desesperadas, viciados e membros da máfia. Dotado de avidez, rancor e cinismo — as três características que julga fundamentais para a função que exerce —, Bravo não questiona seus atos até que eles o levam a viver um pesadelo: ser caçado pela polícia, pelo crime organizado e pelos militantes das Brigadas Vermelhas. Falleti também é autor dos best-sellers Eu mato e Eu sou Deus.
Leia o primeiro capítulo.

12/5 – No jardim das feras, de Erik Larson — Em 1933, o professor William E. Dodd, da Universidade de Chicago, é convidado a assumir a embaixada dos Estados Unidos na Alemanha de Hitler. Sem experiência diplomática, ele se muda para Berlim acompanhado pela mulher e pelos dois filhos adultos Bill Jr. e Martha — uma jovem que se envolve com alguns homens do Terceiro Reich, como o primeiro chefe da Gestapo, Rudolf Diels. A partir da perspectiva dessa família norte-americana — registrada em documentos oficiais e em diários —, o mestre da narrativa de não ficção Erik Larson reconstituí a crescente tensão em Berlim e a intimidade de personagens históricos como Göring, Goebbels e o próprio Hitler.
Leia o primeiro capítulo.

21/5 – Tempo é dinheiro, de Lionel Shriver — Shep Knacker sempre economizou para a “Outra Vida”: um retiro idílico no Terceiro Mundo onde a correria da cidade grande seria substituída por tempo livre e horas de sono suficientes. Quando ele vende sua empresa e a realização de seu sonho parece próxima, sua mulher descobre que está doente e os custos incrivelmente altos do tratamento consomem, diariamente, suas economias. Em uma pesada crítica aos sistemas de saúde, a premiada escritora Lionel Shriver — autora de Precisamos falar sobre o Kevin, O mundo pós-aniversário e Dupla falta se atreve a fazer a temida pergunta: quanto custa a vida de uma pessoa?
Leia o primeiro capítulo.

Ficção para jovens

2/5 – Parasita vermelho, Andrew Lane — Na segunda aventura da série, o jovem Sherlock Holmes atravessa o oceano em direção à misteriosa América e a uma trama mortal. Leia mais
Leia o primeiro capítulo.

7/5 – O filho de Netuno, de Rick Riordan – Na aguardada continuação de O herói perdido, Percy Jackson desperta sem memória, agarrado apenas às lembranças de sua namorada, Annabeth, e a uma certeza: os dias de jornadas e batalhas não terminaram. Leia mais.
Leia o primeiro capítulo

testeBem-vindo 2012! Veja o que 2011 lhe reservou

Uma lista com os melhores livros publicados em 2011 nos apresenta mais do que uma retrospectiva do ano que se despede, é também um indicativo das expectativas reservadas para o próximo. Além da habitual seleção entre as obras já publicadas, escolhidas conforme a recepção do público e da crítica, as listas internacionais de final de ano são um bom termômetro para medir o impacto do que chegará por aqui. Em meio aos livros destacados por alguns dos veículos de maior prestígio em 2011, estão alguns títulos que publicaremos: The Art of Fielding, de Chad Harbach, presente nas listas do The New York Times e da Amazon; State of Wonder, de Ann Patchett, destaque na Publishers Weekly, no The Washington Post e na revista Time; In the Garden of Beasts (No jardim das feras), de Erik Larson, o 10° livro de não ficção mais vendido nos EUA e indicado na seleção da Amazon; The Night Circus (O circo da noite), de Erin Morgenstern, também entre os 10 mais da Amazon; e Inferno, de Max Hastings, presente na lista da Time.

Última retrospectiva de 2011 — Os melhores títulos publicados

Entre os 50 títulos publicados em 2011, A lebre com olhos de âmbar — relato de Edmund de Waal sobre a trajetória de sua família que tem como ponto de partida uma coleção de netsuquês (miniaturas japonesas entalhadas em madeira) — foi considerado pela crítica nacional um dos melhores livros do ano. Em meio aos personagens dessa história real está Charles Ephrussi, merchant que serviu de inspiração para Marcel Proust na criação do esteta Swann de Em busca do tempo perdido. Proust também é referência em Como Proust pode mudar sua vida, livro do filósofo Alain de Botton, reeditado em 2011, que analisa os ensinamentos presentes na obra e na correspondência do autor francês. De Botton, a propósito, esteve em novembro no país para lançar o inédito e polêmico Religião para ateus, uma defesa ao reconhecimento de conceitos religiosos como importantes aliados para mudanças culturais na sociedade contemporânea.

Grito de guerra da mãe-tigre, da sino-americana Amy Chua, também foi destaque no ano. A professora de Direito da Universidade de Yale chocou a opinião pública ao apresentar os métodos rígidos utilizados na educação das duas filhas, estudantes brilhantes. Mais um relato real, só que direto da zona de conflito, é Guerra, do jornalista Sebastian Junger. Além do livro, sua experiência de quinze meses no Afeganistão, ao lado das tropas americanas, resultou no documentário Restrepo, indicado ao Oscar. Outras disputas norte-americanas, agora nos bastidores da corrida presidencial, foram retratadas em Virada no jogo – Como Obama chegou à Casa Branca, de John Heilemann, colunista da revista NewYork, e Mark Halperin, da Time.

Entre as ficções que se sobressaíram, muitas foram — ou estão sendo — adaptadas para o cinema. É o caso da história do casal Dexter e Emma, personagens do romance Um dia, de David Nicholls, cuja versão cinematográfica estreou recentemente em circuito nacional. Precisamos falar sobre o Kevin, romance de Lionel Shriver vencedor do Prêmio Orange de 2005, entra em cartaz em 27 de janeiro, e a protagonista, Tilda Swinton, está concorrendo ao Globo de Ouro de melhor atriz. Em 2011 publicamos outro livro da autora, Dupla Falta, que explora a relação de um casal de tenistas e as consequências da competição extrema entre marido e mulher. Já a adaptação do thriller O hipnotista é dirigida pelo sueco Lasse Hallström e tem estreia prevista para este ano. No primeiro título da trilogia de Lars Kepler, a única testemunha de um massacre está traumatizada demais para falar e, na tentativa de solucionar o caso, o detetive Joona Linna recorre a um ex-hipnotista.

Em  2011 também tivemos Bienal do Livro no Rio de Janeiro, em que Alyson Noël  lançou Infinito, o sexto e último título da série Os imortais. A autora, que já vendeu mais de 300 mil exemplares no Brasil, embarcou em uma turnê de lançamentos pelas cidades de Brasília, Campinas, Curitiba, Salvador e São Paulo. Ainda para os jovens leitores, foram publicadas duas obras de Rick Riordan, o ex-professor de história que se transformou em fenômeno editorial. As aventuras foram O herói perdido, da série Os heróis do Olimpo, e O trono de fogo, de As crônicas dos Kane.

Fechando o ano, A parisiense – O guia de estilo de Ines de la Fressenge, de Ines de la Fressange e Sophie Gachet, tornou-se o hit do verão. No guia, que já vendeu mais de 300 mil exemplares em todo o mundo, a modelo exclusiva de Chanel nos anos 1980, atual rosto internacional da L’Oréal e ícone da elegância na França conta o que aprendeu sobre estilo e beleza durante décadas de experiência na indústria da moda.

testeEstante Intrínseca

Conheça os títulos que foram lançados em julho pela Intrínseca:

Estrela da noite, de Alyson Noël
Lançamento 12/7

No quinto e penúltimo volume de Os imortais, Haven está certa de que Ever é responsável pela morte de Roman, e está determinada a destruí-la. Seu primeiro passo é separá-la de Damen, e, para isso, conta com a arma ideal: um segredo terrível sobre suas vidas passadas. [+] Leia o primeiro capítulo.

O lançamento do último livro da série, Infinito, será na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro e contará com a presença da autora. Acompanhe as notícias sobre a autora e suas séries em www.serieosimortais.com.br

 

Dupla falta, Lionel Shriver
Lançamento 15/7

A vida de Willy Novinsky é o tênis, e amá-la significa amar seu jogo. Willy conduz à desconcertante incursão psicológica de Lionel Shriver em Dupla falta, que expõe o universo de um casal de tenistas profissionais e a delicada relação de marido e mulher que estão em lados opostos da rede. Originalmente publicado em 1998, nos Estados Unidos, Dupla falta apresenta os sentimentos inconfessáveis que se tornaram a marca da escritora em obras posteriores, como Precisamos falar sobre o Kevin — vencedor do Prêmio Orange de 2005 — e O mundo pós-aniversário. [+] Leia o primeiro capítulo.

Leia a entrevista de Lionel Shriver concedida ao jornal O Globo sobre o romance.

 

Antes que eu vá, Lauren Oliver
Lançamento 19/7

No romance de estreia de Lauren Oliver, que também é autora da série Delirium, Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no colégio. Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, deveria ser apenas mais um dia de sua vida mágica e perfeita. Em vez disso, acaba sendo o último. Mas ela ganha uma segunda chance. Sete “segundas chances”, na verdade. E, ao reviver aquele dia vezes seguidas, Samantha desvenda o mistério que envolve sua morte — descobrindo, enfim, o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder. [+]

Leia o primeiro capítulo.

 

O jovem Sherlock Holmes: Nuvem da morte, de Andrew Lane
Lançamento 27/07

Nuvem da morte é o primeiro volume da nova série publicada pela Intrínseca: O jovem Sherlock Holmes, cuja versão foi autorizada pela Conan Doyle Estate Ltd. e pelos parentes ainda vivos do autor.
Em Nuvem da morte, o ano é 1868 e Sherlock Holmes tem catorze anos. Com a designação do pai, que é soldado do Exército britânico, para enfrentar rebeldes na Índia, Sherlock é obrigado a passar férias em uma cidade distante e enfrenta sua primeira missão: desvendar duas mortes misteriosas. [+]

Leia o primeiro capítulo.

 

Próximos lançamentos:

Brilhos, de Sophia Bennett
Lançamento em 3/8

Em Brilhos, segundo volume da série Linhas, de Sophia Bennett, em meio à euforia com a chegada da primeira coleção de Crow às lojas que vestem as garotas mais antenadas de Londres, surgem sérios rumores de que as tão cobiçadas roupas vêm sendo produzidas à custa do trabalho escravo de crianças na Índia. Na dúvida, as amigas inseparáveis topam ir conferir. Lá, elas não só descobrem a explosão de cores e brilhos de uma cultura que ainda não conheciam, mas também deparam com uma grande questão: o que vale mais, seus sonhos ou seus ideais? [+]

Leia o primeiro capítulo.

 

Tony & Susan, de Austin Wright
Lançamento em 10/8

Há vinte e cinco anos, Susan Morrow deixou Edward Sheffield, seu primeiro marido. Certo dia, instalada confortavelmente na casa em que mora com os filhos e o segundo marido,  ela recebe, pelo correio, o manuscrito do primeiro romance de Edward. Ele lhe pede que leia seu livro: Susan sempre foi sua melhor crítica, justifica. Tony e Susan, de Austin Wright, publicado originalmente nos Estados Unidos em 1993, ganha nova edição, dezoito anos depois de seu lançamento, por se tratar, segundo seus editores, da “mais impressionante obra de arte da ficção americana desde Revolutionary Road, de Richard Yeats”, publicado no Brasil como Foi apenas um sonho. [+] Leia o primeiro capítulo.

 

O ladrão de raios: Graphic Novel
Lançamento em 17/8

Adaptação: Robert Venditti /  Arte: Attila Futaki / Cor: José Villarrubia

Nessa adaptação do primeiro livro da série Percy Jackson e os olimpianos, de Rick Riordan, Percy Jackson é um garoto problemático que, aos doze anos, já foi expulso de seis escolas. Mas esse acaba se revelando o menor de seus problemas: ao descobrir que é um semideus — filho de Poseidon, deus do Olimpo com uma mortal — ele também percebe que alguns desses personagens mitológicos, por algum motivo, estão bastante irritados com ele. [+]

 

testeUma pitada sobre Lionel Shriver

Por Juliana Cirne*

“Invejo você por estar em Paraty!”, disse-me Lionel Shriver na semana passada, quando eu estava na Festa Literária Internacional de Paraty e a contatei por ocasião do lançamento de seu novo livro, Dupla falta. É parte da minha rotina trocar e-mails com os nossos escritores, geralmente sob demanda de entrevistas jornalísticas. Recebê-los também está entre minhas incumbências: quando um deles vem ao Brasil, fica aos meus cuidados — é aí que sabemos com quem realmente estamos lidando. Há surpresas, boas e más. Lionel Shriver foi um presente. Acabamos de publicar seu novo livro; precisamos falar sobre ela.

Ano passado, acompanhei Lionel e o marido, o músico boa-praça Jeff, na FLIP e por alguns dias no Rio. Breve descrição (para lá de conhecida) de seu currículo: escritora norte-americana radicada em Londres, cujo sétimo romance, Precisamos falar sobre o Kevin, valeu a ela o prestigioso prêmio Orange em 2005, é considerada a nova Virgínia Woolf pela crítica literária internacional. Tem 54 anos e desde os 15 deixou de atender pelo delicado nome de Margaret Ann Shriver, registrado pelos pais religiosos. Formada e pós-graduada pela Universidade de Columbia, viveu em Nairóbi, Bangcoc e Belfast, e é colunista do jornal britânico The Guardian.

Imagine a figura: 1,60m de altura, 50kg, loura, olhos verdes e feições finas… Pensou numa pessoa fofa, coberta de joias e toda trabalhada no cor-de-rosa? Errou feio! Seu acessório mais engraçadinho é uma luva preta com setas brancas nos dedos indicadores. Lionel é austera (principalmente consigo) e simples (quase espartana). Nas primeiras horas após conhecê-la, no almoço de boas-vindas à FLIP, ouvi reclamação até sobre o fato de meu telefone não parar de tocar. Pensei que viveria um pesadelo…

Até que nos sentamos para almoçar e, sem exagero, observei-a dissecar, usando apenas o paladar, um bobó de camarão, ingrediente a ingrediente, modo de preparo, tudo. Acontece que Lionel Shriver é cozinheira de forno e fogão! O fato talvez não seja tão novo para quem leu atentamente O mundo pós-aniversário, em que a protagonista, Irina, tem o hábito de cozinhar para o marido. Bem, o livro é ficção, mas muito inspirado na vida da autora. Ela aliás já declarou que escreve para refletir sobre suas questões — Kevin trata de seus fantasmas sobre a maternidade; Dupla falta, de sua imensa competitividade; o próximo, que ainda está escrevendo, reflete sobre a obesidade, problema de saúde que matou seu irmão mais querido no final de 2009.

Reconhecida por desnudar seus personagens diante dos leitores com incursões psicológicas que revelam sentimentos inconfessáveis, Lionel esmiuçou e acertou os ingredientes de todas as comidas brasileiras que provou: bobó, moqueca, pão de queijo, farofa — apelidada carinhosamente de eatable sand. O fascínio da escritora por comida é tamanho que ela carrega o próprio pote de pimenta-calabresa na bolsa! Por isso, presenteamos o casal com comestíveis, desde vários tipos de pimentas (sua fixação) até camarão defumado e muitos sacos de farinha de mandioca, que ela sabiamente deduziu ser a base da nossa alimentação, tal qual o milho é nos Estados Unidos.

Entre um compromisso e outro, conversamos sobre literatura, educação, história e política. Ficamos amigas. Ela me deixou uma lembrança: um pingente de pimenta-malagueta, que ostento orgulhosamente. Dei a ela um livro — nunca vi ninguém tão feliz ao receber de presente um livro de receitas.

 

* Gerente de Comunicação da Intrínseca.

testeEstante Intrínseca

Conheça os títulos que foram lançados em junho pela Intrínseca:

 

Amanhã você vai entender, Rebecca Stead
Lançamento 06/06

Miranda está em meio a um grande enigma. Um estranho pode ter invadido sua casa, seu melhor amigo foi agredido na rua e uma série de bilhetes, que ela não compreende nem sabe quem escreve, alerta sobre a morte de alguém. Alguém que ela poderá ajudar a salvar. Miranda é a protagonista de Amanhã você vai entender, uma surpreendente fantasia ambientada na Nova York do final da década de 1970, que recebeu a Medalha Newbery, prêmio da American Library Association destinado às mais importantes contribuições norte-americanas à literatura jovem. [+]

Leia o primeiro capítulo.

 

Guerra, Sebastian Junger
Lançamento 07/06

Durante quinze meses, Sebastian Junger acompanhou um pelotão de infantaria do exército dos Estados Unidos baseado numa remota área do leste do Afeganistão. A intenção era ao mesmo tempo simples e ambiciosa: transmitir a experiência dos que lutam em um campo de batalha, contar como se sente quem participa de uma guerra. Da vivência resultaram o o livro Guerra, escrito por Junger, e o documentário Restrepo, vencedor do Grand Jury Prize do Festival de Sundance e indicado ao Oscar de melhor documentário de 2010.  [+]

Leia o primeiro capítulo.

 

 

Os pinguins do Sr. Popper, Richard e Florence Atwater
Lançamento 09/06

Originalmente publicado em 1938, Os pinguins do Sr. Popper é um clássico da literatura infantil norte-americana escrito pelo casal Richard e Florence Atwater. Vencedor do Prêmio Newbery Honor de 1939, lançado pela primeira vez no Brasil pela Intrínseca, com ilustrações assinadas por Robert Lawson.

A adaptação cinematográfica da história, Os Pinguins do Papai, protagonizada por Jim Carrey, estreiou em 1° de junho nos cinemas brasileiros. [Assista ao trailer] [+]

Leia o primeiro capítulo.

 

 

Axolotle atropelado, Helene Hegemann
Lançamento 20/06

Romance de estreia da alemã Helene Hegemann, Axolotle atropelado é uma obra feroz que conquistou a crítica literária e se transformou em fenômeno editorial. A narrativa das experiências de uma jovem de 16 anos, radicalmente influenciadas pelo uso de drogas, mescla alucinações e realidade, em uma sucessão de acontecimentos paradoxais e incomuns. [+] Leia o primeiro capítulo.

 

 

 

 

Próximos lançamentos:


Estrela da noite, de Alyson Noël
Lançamento 12/07

No quinto livro da série Os imortais, Haven está certa de que Ever é responsável pela morte de Roman e está determinada a destruí-la. Seu primeiro passo é separá-la de Damen, e, para isso, conta com a arma ideal: um segredo terrível sobre suas vidas passadas, que lançará uma nova luz sobre o relacionamento de Ever e Jude.

Obrigada a enfrentar seus maiores medos com relação ao companheiro que escolheu para a eternidade, Ever é lançada em um combate mortal contra Haven, que poderá significar a destruição de todos. [+]
Leia o primeiro capítulo.

 

Dupla falta, Lionel Shriver
Lançamento 15/07

A vida de Willy Novinsky é o tênis, e amá-la significa amar o seu jogo. Willy conduz à desconcertante incursão psicológica de Lionel Shriver em Dupla falta, que expõe o universo de um casal de tenistas profissionais e a delicada relação em que marido e mulher estão em lados opostos da rede. Originalmente publicado em 1998, nos Estados Unidos, Dupla falta apresenta os sentimentos inconfessáveis que se tornaram a marca da escritora em obras posteriores como Precisamos falar sobre o Kevin — vencedor do Prêmio Orange de 2005 — e  O mundo pós-aniversário. [+]
Leia o primeiro capítulo.

 

Antes que eu vá, Lauren Oliver
Lançamento 19/07

Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no colégio. Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, deveria ser apenas mais um dia de sua vida mágica e perfeita. Em vez disso, acaba sendo o último. Mas ela ganha uma segunda chance. Sete “segundas chances”, na verdade. E, ao reviver aquele dia vezes seguidas, Samantha desvenda o mistério que envolve sua morte — descobrindo, enfim, o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder. [+]
Leia o primeiro capítulo.