testeEntre galáxias distantes, Hogwarts e Geekerela

Por Talitha Perissé*

 

Eu nunca tive muitos amigos, mas no início da minha vida algo ficou penosamente claro: eu não gostava dos mesmos assuntos que o pessoal da minha turma. Não que eu fosse excluída no colégio, mas também não tinha muito interesse nas conversas. As pessoas eram legais, só não eram… minhas pessoas.

Aos nove anos, um coleguinha de turma chegou com um livro novo e me contou a história. Na capa, um menino de óculos montava em uma vassoura. Assim que cheguei em casa pedi para o meu pai comprar o livro para mim.

No dia das crianças minha avó me deu Harry Potter e a Pedra Filosofal. Foi amor à primeira página. Nunca vou esquecer de “O Sr. e a Sra. Dursley, da rua dos Alfeneiros, nº 4, se orgulhavam de dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado. Eram as últimas pessoas no mundo que se esperaria que se metessem em alguma coisa estranha ou misteriosa, porque simplesmente não compactuavam com esse tipo de bobagem.”

Foi com Harry Potter que tudo mudou para mim: onde quer que eu abrisse o livro para ler um pouco, conhecia alguém que gostava. Quando entrei na internet, um novo mundo se descortinou: as pessoas gostavam das mesmas coisas que eu!

Eu passei a andar pelos corredores de Hogwarts não mais sozinha! Eles estavam repletos de pessoas interessantes. Conheci gente do Brasil inteiro, discutimos um monte de teorias e escrevíamos fanfics juntos.

Assim como morei em Hogwarts, passei um tempo em uma galáxia muito muito distante e viajei pelo tempo e espaço com um alienígena em uma cabine policial azul que é maior por dentro do que por fora (ele mudava de rosto e de personalidade, o que era esquisito, mas aprendi a gostar de todas elas); e no mundo real conheci uma banda britânica que falava sobre uma menina com cinco cores no cabelo (nunca fui muito fã de normalidade).

Identifiquei essa mesma paixão em Elle, protagonista de Geekerela, de Ashley Poston. Para mim, assim como para Elle, as melhores amizades foram forjadas por esses interesses em comum, pela intensidade da nossa paixão por algo intangível. Caminhamos para Hogsmeade juntos, testemunhamos a Batalha de Hogwarts, choramos por aqueles que perdemos, também escrevemos histórias com os membros das bandas com quem queríamos casar e aguardamos nas filas com cartazes enormes para shows que esperamos anos para acontecer.  

Ler Geekerela foi como fazer uma amiga nova. Elle, apaixonada por Starfield, uma série clássica pouco conhecida, tem medo de que um remake hollywoodiano estrague tudo. Quem de nós nunca sentiu isso? (Estou de olho em você e em seus reboots, Hollywood).

Starfield não é o centro da vida de Elle. Ela trabalha no Abóbora Mágica, o incrível food truck de comida vegana, estuda e faz planos para o futuro: sonha em ser roteirista. Mas a série importa. Porque nesse mundão de sete bilhões de pessoas, naquele microcosmos, Danielle Wittimer se sente parte de algo maior que ela.

Órfã de pai e mãe, Starfield está presente nas memórias mais preciosas que guarda deles. Mesmo sabendo que aqueles que se vão nunca nos abandonam de verdade, é fácil entender por que a série importa tanto para ela. É com Starfield e seus fãs que Elle encontra o conforto que não pode mais encontrar nos pais. E quantos de nós já não se sentiram assim?

Darien Freeman, o galã escalado para estrelar o remake, também conta sua história no livro. Ele é um aficionado pela série que, por não parecer o típico fã, é considerado uma farsa. Sua equipe também acha que é ruim para a imagem de galã demonstrar que gosta tanto de uma série de ficção científica. Ah, se eles soubessem como é bom…

Darien e Elle se conhecem da melhor/pior maneira possível: o ator quer fugir dos compromissos na ExcelsiCon, a convenção para fãs de Starfield criada pelo falecido pai de Elle. Para isso, liga para o número da organização do evento disponível no site (qual é a dificuldade de manter as informações atualizadas em um site?), mal sabendo que é um telefone antigo, que foi herdado pela nossa protagonista. Eles então começam a trocar mensagens. Ele nem desconfia de que a pessoa com quem está trocando mensagens é a maior crítica do filme, e ela nunca ia imaginar que ele representa seus maiores receios em relação ao remake. Mas às vezes é mais fácil expressar o que a gente está sentindo quando as pessoas não têm chance de nos julgar pela aparência. Elle e Darrien descobrem isso do jeito mais adorável, hilário e encantador.

Geekerela é uma grande ode à cultura pop, e também uma homenagem a todos os fandoms que abraçaram seus membros sem julgamentos, a todos nós que encontramos nossas famílias nos lugares mais inusitados.

Depois de ler Geekerela desejei muito que Starfield existisse de verdade. Parece uma série incrível. Mas, enquanto esse sonho não se realiza, aceito fazer amizades verdadeiras com quem mais se encantar com a história da Elle e que esteja disposto a fazer cosplay de tripulação da Prospero.

 

*Talitha Perissé é editora assistente de aquisição infantojuvenil e entusiasta de muitas coisas. Entre novelas, séries de televisão, filmes, bandas britânicas que já deveriam ter lançado seu sexto álbum, livros e HQs, ela gostaria muito de ter o vira-tempo da Hermione. 

testeAs memórias afetivas de Neil Gaiman

Por Mário Feijó*

Neil Gaiman

Neil Gaiman (Fonte)

Neil Gaiman é desconcertante, às vezes incômodo. Quem o acompanha desde os anos 1980 sabe disso. Dos quadrinhos para os livros, da fantasia adulta para a literatura infantil, umas poesias aqui, uns roteiros e contos ali, lá vai Gaiman escrevendo sobre a vida, que é imensa e complicada e não dá nenhum alerta antes de nos ferir. De vez em quando, ele reúne algum material disperso, geralmente contos, e procura seu editor. Assim ganhamos Fumaça e espelhos e, depois, Coisas frágeis. Mas Alerta de risco, publicado em agosto deste ano pela Intrínseca, é melhor. E não só porque nessa antologia Gaiman resolveu mostrar toda a sua versatilidade literária… Cara, tem Doctor Who e Sherlock Holmes!
Todos têm histórias guardadas na memória. Nascemos e crescemos imersos em narrativas mesmo antes de sermos alfabetizados ou de conquistarmos autonomia como leitores. Com o tempo, fazemos releituras, reinterpretamos, permitimos dúvidas e perguntas inconvenientes sobre os personagens que conhecemos tão bem, sobre os universos que amamos. Ou seja, nossas narrativas fundamentais se transformam constantemente, desde a infância até a velhice, e essas transformações podem nos enriquecer de múltiplas formas ­– mas são perturbadoras. Assim como nossas lembranças de família.

Nesta nova antologia, o que o criador de Sandman e Coraline faz é compartilhar lembranças afetivas de suas leituras, usando o estilo precioso e preciso que tanto gosto de elogiar. Na introdução do livro, ele explica a origem de cada texto, de onde veio cada inspiração. Como ele mesmo resume, autores moram em casas construídas por outros autores.

Jack Vance, Ray Bradbury, Arthur C. Clarke, Conan Doyle… A lista de influências é ótima. Como estamos falando de Neil Gaiman, claro que os contos de fada estão lá. Malévola, Branca de Neve e Bela Adormecida habitam o mesmo mundo, em reinos vizinhos. Assim sendo, as personagens podem ultrapassar as montanhas e se encontrar. Os eventos que começam em “Respeitando as formalidades” continuam nas páginas seguintes, em “A Bela e a Adormecida”. No primeiro conto, temos o ponto de vista de Malévola sobre a ofensa recebida da família de Aurora. Esqueça que ela é uma bruxa, ou fada má; pense nela como uma de suas tias. Leia com atenção e carinho, pois isso poderá lhe poupar muitos aborrecimentos um dia desses. Lembre-se das pequenas formalidades nos batizados, casamentos, divórcios e funerais.

No conto seguinte, que se passa muito tempo depois, a maldição do sono iniciada por Malévola está se espalhando para além das fronteiras, ameaçando o reino de Branca de Neve. Por ter sobrevivido a um feitiço semelhante, ela goza de imunidade. Como boa heroína, vai com seus melhores anões cumprir o dever de uma rainha e resolver um mistério. Não se assuste com os sonâmbulos envoltos em teias de aranha; zumbis são bem piores. Essa história, aliás, está disponível em edição ilustrada por Chris Riddell. O mesmo ocorre com A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras, com ilustrações de Eddie Campbell.

Ah, “Um calendário de contos” também faz parte desta seleção. Anos atrás, a BlackBerry convocou artistas para desenvolverem projetos multimídias em parceria com os clientes da empresa. Gaiman entrou no jogo, propondo ideias para microcontos, um para cada mês, a partir das quais os fãs elaboravam frases, que eram retomadas por Gaiman para a construção de sua narrativa. Trabalho colaborativo. Um resultado bastante interessante. E badaladíssimo nos estudos de comunicação e cultura, considerado um marco no uso das mídias sociais para a criação artística.

capa_alertaderisco_webAo mesmo tempo que faz das memórias afetivas sua base de trabalho nesta antologia, o autor não perde a oportunidade para explorar lembranças falhas, imperfeitas ou incompletas. São aquelas histórias guardadas no passado de cada um, ou porque eram segredos ou porque não houve a oportunidade certa para contar. Pode acontecer com seu pai, vide “História de aventura”. Descobrir um pai diferente daquele que você julgava conhecer mudaria sua perspectiva da vida? Nada assustador, veja bem. Ele continuaria a ser o cara legal de sempre, entretanto… Dá para imaginar que o sujeito mais pacato de todos foi um Indiana Jones? Não são os pterodátilos, os astecas ou a garota alemã (que não era alemã) que perturbam o narrador: o impacto é você descobrir que não conhecia o próprio pai, que jamais desconfiou da verdade. De repente, sua vida é uma bolha de ilusões. Os outros sabiam, você não. Uma típica sacanagem de família.

Quanto aos segredos, quanto um garoto pode revelar de verdade sobre sua primeira namorada?  Cassandra é apaixonante, um sonho. Boa demais para ser real? O único jeito de saber é lendo “Detalhes de Cassandra”. Aliás, esta é a prova de que há enredos perfeitos para narrativas curtas.

Quando estiver com Cassandra, lembre que cada um de nós percebe a realidade ao redor de maneira diferente (pois cada um possui uma vivência individual, única e exclusiva). Ainda assim, no entanto, nos esforçamos para construir uma realidade coletiva onde possamos habitar juntos ― quem sabe até ter certa sensação de bem-estar ou alguém a quem amar, alguém que possa corresponder ao nosso amor de preferência. A realidade em que estamos inseridos, portanto, é uma criação coletiva de nossas imaginações, linguagens e narrativas. Criação que começa a ser construída na primeira infância. Ou seja, sacanagens de família importam.

Família sacana é a do Shadow, protagonista do último conto da antologia e também do clássico Deuses americanos (que foi relançado em outubro deste ano, em edição preferida do autor). Se você ainda não leu o romance que mudou a trajetória de Gaiman, tudo bem. “Cão negro” tem unidade de ação, é completo em si mesmo, com início, meio e fim. Aposto que Conan Doyle e Edgar Allan Poe apreciariam, pelo equilíbrio entre mistério, terror e morte. Allan Moore, Stephen King e Clive Barker também. É a única trama inédita da antologia, escrita especialmente para fechar o livro.

Se você ainda não leu Deuses americanos, leia assim que puder. Foi uma revolução em termos de literatura fantástica e quebra de paradigmas. Para os leitores de Sandman, foi a chance de reencontrar o labirinto infinito de mitologias onde todas as divindades coexistem simultaneamente. Para quem descobriu Gaiman nesta obra, Odin e Loki ganharam muito mais significado do que a Marvel pode proporcionar. Pois é, até as famílias de Asgard são sacanas.

É por causa de “Cão negro” que sugiro, ao terminar “Alerta de risco”, aproveitar o embalo e ler (ou reler) “O barril de amontillado”, de Poe. Todo bom escritor remete a outro; estão sempre interligados de alguma maneira. Daí Gaiman fazer questão de Shadow citar Watson ao examinar as pegadas de um gigantesco cão de caça.

Tenho endereço certo em Londres: Baker Street, 221B. Assim sendo, cometi o pecado de não ler a antologia na sequência concebida pelos editores, fui direto para “Caso de morte e mel”, a versão Gaiman para Sherlock Holmes. Foi inevitável imaginar o hilário diálogo entre Mycroft e Sherlock interpretado pelos atores Mark Gatiss e Benedict Cumberbatch. Foi gratificante embarcar na pergunta fundamental: por que Holmes dedicou sua velhice à apicultura? Por que mel seria algo tão importante? Aqui cabe meu próprio alerta: quem leu O último adeus de Sherlock Holmes (His last bow) conhece o desfecho dado por Doyle para a vida de desafios de seu detetive. Gaiman, portanto, começa de onde o cânone parou. Entretanto, aqueles que leram apenas as primeiras aventuras, ou as mais famosas, talvez se surpreendam com as premissas usadas em “Caso de morte e mel”. Desnecessário. Deixem para se surpreender no final.

Gaiman nos bastidores da série britânica Doctor Who (Fonte)

Quanto ao nosso longevo Doutor Who, este é o décimo primeiro, aquele que foi interpretado por Matt Smith. O autor faz questão de definir em qual momento exato da cronologia do Senhor do Tempo seu conto é ambientado. Como fã desde menino da série da BBC e, mais tarde, um de seus roteiristas, Neil estava em casa, na boa — e se divertindo —, ao escrever “Hora nenhuma”. Embarque na TARDIS, pois é hora de salvar o continuum. Mesmo quem não é britânico ou fã de ficção científica vai curtir a viagem.

Sim, Gaiman é desconcertante, por mexer tanto em memórias e famílias; é incômodo quando perturba nossos afetos, questiona o que sabemos sobre as pessoas que amamos – vivas ou mortas. Mesmo assim, ele nos faz querer confiar, querer acreditar. Viver não é mera existência, embora alguns precisem estar no limite, ou diante do sobrenatural, para entender isso. A vida pede sentido e propósito, o que garante bastante complicação para qualquer um de nós. Para isso, é preciso escolher o que lembrar ou o que esquecer. Eis um dilema fundamental, que fica cada vez mais evidente ao longo da jornada. A literatura de Gaiman pode ser excelente companheira e conselheira, mas não espere encontrar nela um lugar seguro.

 

* Mário Feijó é doutor em Letras e professor da Escola de Comunicação da UFRJ, onde ministra a disciplina complementar “Gaiman: do terror ao infantil”.

testeSe você gosta de… vai gostar de…

Lista Gosta gosta

Em algumas ocasiões, ficamos sem um bom livro para ler, seja por finalmente acabarmos de ler aquela pilha de leituras atrasadas ou por não termos certeza de que o livro que vimos na livraria é realmente interessante. Pensando nisso, separamos algumas recomendações de acordo com outros livros, séries e filmes que você pode gostar.

– Gosta de Extraordinário? Você vai gostar de Pax

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A tocante história de Peter e sua raposa de estimação Pax tem tudo para agradar aos fãs do menino Auggie. Com importantes lições sobre amizade e crescimento, o livro de Sara Pennypacker emociona o leitor desde a primeira página. Natureza e humanidade se encontram nessa obra-prima sobre lealdade e amor.

– Gosta de A menina que roubava livros? Você vai gostar de Toda luz que não podemos ver

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É inegável o papel transformador da Segunda Guerra Mundial na história. Mesmo fora do front de batalha, o impacto do conflito afetou de forma drástica a vida dos milhões de civis que viviam na Europa, inclusive à das crianças. Se você se emocionou com a história de Liesel em A menina que roubava livros, o vencedor do Pulitzer Toda luz que não podemos ver é a pedida ideal.

– Gosta de Curtindo a Vida Adoidado, As Vantagens De Ser Invisível ou A culpa é das estrelas? Você vai gostar de O dia da morte de Denton Little.

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Livros como A culpa é das estrelas e filmes como As Vantagens De Ser Invisível mostraram que é possível escrever para jovens e abordar assuntos delicados como morte e depressão. Adicione a essa temática a atmosfera hilária e irreverente de filmes clássicos como Curtindo a Vida Adoidado, e será impossível não se encantar por O dia da morte de Denton Little.

– Gosta de O Guia Do Mochileiro Das Galáxias, Twin Peaks ou Gravity Falls? Você vai gostar de Welcome to Night Vale.

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Você se interessa por coisas surreais, hilárias e ligeiramente assustadoras? Então você precisa conhecer Welcome to Night Vale. Localizada no meio do deserto americano, Night Vale é lar de teorias da conspiração e criaturas bizarras e vai agradar em cheio os fãs de esquisitices literárias.

– Gosta de Para todos os garotos que já amei? Você vai gostar de Isla e o final feliz.

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Se você gosta de personagens femininas fortes e de romances complicados, os principais ingredientes de Para todos os garotos que já amei, é hora de dar uma chance a Isla e o final feliz. Enquanto o terceiro livro de Jenny Han não chega às livrarias brasileiras, você vai se deliciar com os encontros e desencontros de Isla e Josh.

– Gosta de Downton Abbey e filmes de época como Desejo e Reparação? Você vai gostar de Belgravia e Miniaturista.

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Fãs de dramas de época, carentes após o fim do sucesso de crítica e público que foi Downton Abbey, podem comemorar, pois temos duas recomendações imperdíveis: a primeira é Belgravia, série em folhetim do mesmo autor de Downton Abbey, Jullian Fellowes, ambientada nos anos 1840, na véspera da Batalha de Waterloo. A segunda é Miniaturista, de Jessie Burton, trama que se passa na elitista sociedade da Amsterdã do século XVII.

– Gosta de mistérios como Lost e Stranger Things? Você vai gostar de S.

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Recentemente a série da Netflix Stranger Things mostrou que ainda existe espaço para os fãs de mistérios surpreendentes. Responsável pela série Lost, J.J. Abrams se estabeleceu em Hollywood como uma espécie de mestre dos suspenses criativos e originais, e foi o responsável por trazer Star Wars de volta aos cinemas. Abrams também se aventurou no mundo dos mistérios literários junto de Doug Dorst e concebeu S., um livro-jogo com diversas histórias e segredos, em que o leitor é mais do que sujeito passivo da história, atuando diretamente na descoberta dos mistérios da obra.

– Gosta de O oceano no fim do caminho, Deuses americanos e Doctor Who? Você vai gostar de Lugar Nenhum.

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Neil Gaiman é um dos escritores mais criativos da atualidade. Se você gostou de best-sellers do autor, como Deuses americanos e o recente O oceano no fim do caminho, é hora de conhecer Lugar Nenhum. Com pitadas de surrealismo similares à série Doctor Who, o livro apresenta um mundo secreto escondido nos subterrâneos de Londres.

 

testeA rainha da Teoria da Colher

Por Mariana Calil*

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Enrolei algumas semanas para entregar este texto.

Eu sei, é muito feio isso, afinal, é trabalho. Mas também era esse o problema: como eu ia falar de Alucinadamente feliz de forma profissional, sem cair no piegas de me expor no blog da empresa?

Tentei lembrar de coisas que tivessem acontecido durante a preparação do livro, fora os eventuais chafarizes nasais de café com uma piada inesperada. Foram necessárias algumas pesquisas acerca de uma ou outra questão de cultura americana e também sobre alguns distúrbios e manias. Por exemplo, ficamos na dúvida entre usar “dermatotilexomania” ou “dermatilomania” (a quem possa interessar: obsessão por puxar ou arrancar a própria pele). Optamos por usar o segunda, por ter a grafia mais simples e um número de resultados satisfatório entre publicações acadêmicas e leigas, mas os dois estão certos. Mas nada disso seria capaz de explicar POR QUE o livro me empolgou tanto.

Então vamos à própria Jenny Lawson e a incrível Teoria da Colher. Funciona assim: todo dia, você acorda e ganha UM MONTE DE COLHERES. Parece um número infinito. Aí você levanta, e lá se foi uma colher. Toma banho, e foi outra. Escova os dentes, e mais outra. É como se o dia fosse um freezer de sorveteria abarrotado e você pudesse aproveitar tudo que está nele — só que toda vez que experimentasse um sabor com uma colher, ela teria que ser descartada. A melhor parte é que não é necessário economizar muito; um novo carregamento de colheres chega a cada manhã.

Capa_AlucinadamenteFeliz_GOu não. Porque é essa a grande questão: quando ficam doentes ou sofrem, as pessoas não recebem o mesmo número de colheres que receberiam num dia em que estivessem saudáveis. Quem tem doenças crônicas recebe menos colheres que quem não tem. E se você sofrer de um transtorno emocional… Talvez possa acordar e descobrir que só tem as colheres que sobraram do dia anterior, mesmo.

A teoria é de uma amiga dela, Christine Miserandino, mas é claro que Jenny precisava explicar o conceito no livro. Porque se essa teoria fosse entrar numa enciclopédia, a ilustração poderia ser: Jenny vestida de canguru junto com uma horda deles na Austrália; Jenny fazendo rodeios com um guaxinim empalhado na cozinha; as listas de suprimentos que ela fez para o caso de um apocalipse zumbi. Veja bem, não basta ter depressão, transtorno de ansiedade grave, distúrbio de automutilação e mais uma série de problemas, Jenny também tem artrite reumatoide e doenças autoimunes. Ou seja, tem dias que ela acorda e percebe que não tem mais que meia dúzia de colheres.

E, para mim, é isso que faz dela a rainha soberana da Teoria da Colher. Porque provavelmente nós recebemos algumas dezenas de colheres todas as manhãs, fora as que sobraram do dia anterior, e nos damos por satisfeitos com colheradinhas de baunilha, limão e de vez em quando chocolate. É clássico e repetitivo, mas esses sabores não vão decepcionar. Já Jenny, mesmo com suas poucas colherinhas, vai em busca das misturas mais alucinadas e memoráveis. Sorvete de biscoito para cachorro. Sorvete de cabeça de urso empalhada. Sorvete de pé humano com queijo.

(Juro que você vai entender as referências se ler o livro.)

Foi aí que a leitura me deu uma colher extra. Não uma colher comum, que pode ser usada em qualquer dia, mas uma colher ornamentada e vitalícia que eu posso pendurar na minha parede e dizer para mim mesma: não importa quão mal eu me sinta, ou quantas colheres tenha. O importante são os sabores que vão enchê-las. E sabores não faltam nesse livro. Seja no Japão, com ninjas atrapalhados tentando invadir o quarto, ou em casa, em meio a uma maratona de Doctor Who, Jenny Lawson sabe degustar o que há de melhor quando tudo parece um caos sem fim.

E nossa, como precisamos aprender isso com ela.

>> Leia um trecho de Alucinadamente feliz

Mariana Calil é assistente editorial na Intrínseca. Tem um gosto muito louco para leitura, que vai de livros infantis a memórias de guerra, passando por literatura policial e ficção especulativa.

teste9 fatos inusitados sobre Magnus Chase

Depois de muitos meses de espera, o dia chegou! A espada do verão, primeiro livro de Magnus Chase e os deuses de Asgard, a nova série sobre mitologia nórdica do incrível Rick Riordan, finalmente está entre nós, mortais e semideuses.

Para comemorar o lançamento do livro, separamos 9 fatos inusitados sobre o morador de rua que descobre ser filho de um deus.

1- Não foi só você que achou Magnus um pouco familiar. Até mesmo a mãe dele o acha parecido com Kurt Cobain.

“Você parece o Kurt Cobain, minha mãe dizia, para me provocar.” – A espada do verão, página 102

2- Ele é fã da série inglesa Doctor Who, e acha os detalhes na ponte Longfellow parecidos com os Daleks.

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3- Magnus é canhoto. E isso o atrapalha bastante na hora de desembainhar sua espada e lutar.

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4- Apesar de ser filho de um deus nórdico, Magnus teve asma quando criança. 

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5- Mesmo morando nas ruas de Boston, ele gosta muito de ler, especialmente obras de terror e de fantasia. Entre seus autores favoritos está Stephen King, criador de O iluminado.

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6- Além de livros, ele é fã de quadrinhos! Suas HQs favoritas são Scott Pilgrim, de Bryan Lee O’Malley, Sandman, de Neil GaimanWatchmen, de Alan Moore, e Saga, de Brian K. Vaughan.

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7- Por conta de um trauma do passado, nosso herói tem pavor de lobos.

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8- Magnus odeia Frank Sinatra. Especialmente em elevadores — e em norueguês.

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9- Como o sobrenome entrega, ele é primo de Annabeth Chase. O que pouca gente lembra é que ele já foi mencionado em O sangue do Olimpo.

“E a família do meu pai… Fazia anos que eu não pensava neles. Tenho um tio e um primo em Boston.” – O sangue do Olimpo, página 329

“E a família do meu pai… Fazia anos que eu não pensava neles. Tenho um tio e
um primo em Boston.” – O sangue do Olimpo, página 329

E aí, o que acharam de conhecer o Magnus melhor?

link-externoLeia um trecho de A espada do verão, de Rick Riordan