testeSobre livros e anjos

Sheila Louzada*

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Em meados de 2013, eu trabalhava de casa para algumas editoras quando caiu em minhas mãos Dias de sangue e estrelas. Era uma história fabulosa, com anjos e seres bestiais de outro mundo mergulhados em guerras e magia, um turbilhão mirabolante de fantasias — tudo comprimido na telinha do meu laptop, na quitinete em que eu morava, em pleno interior do interior de São Paulo. Ali, em meu cubículo cinza, começou a surgir uma menina de cabelo azul que tinha sumido numa ponte de Praga e que aparentemente havia se apaixonado por um anjo em uma vida passada e que… Sério, eu não estava entendendo uma linha do que eu lia.

Até que finalmente encontrei o e-mail perdido avisando que aquele era o segundo volume de uma série. Ah, tá. A menina de cabelo azul era Karou, que, antes tão perdida quanto eu, descobre ao final de sua adolescência quem realmente é: uma quimera reencarnada em corpo humano, vinda de um outro mundo, chamado Eretz. Um mundo em que anjos e quimeras vivem em guerra, um mundo em que seu amor proibido a condenou à morte. Em que o anjo que foi sua esperança de paz elimina sua tribo inteira por não conseguir aceitar a morte dela.

Talvez as pessoas que não são do meio editorial não saibam, mas grande parte do trabalho de uma editora é feito por quem está fora do escritório, no conforto de sua casa (ou no desconforto de sua quitinete). Tradução, revisão, copidesque, design de capa etc. Eu, no caso, era copidesque. Fazia uma espécie de revisão da tradução. O cópi olha a tradução, compara o texto em português com o original em inglês, vê o que faltou e o que sobrou, vê se a tradução soa natural, se pode ficar melhor, pesquisa um termo aqui outro ali (mentira, pesquisa alucinadamente), e assim vai, linha por linha. Em resumo, é isso. Só que muito mais trabalhoso do que parece.

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Então lá estava eu, envolvida em um mundo de monstros e seres com asas se matando quando, no meio disso tudo, minha própria vida deu uma cambalhota e caiu meio desengonçada no chão, arfando e babando, a perna meio torta, olhando assim de lado para ver se ainda tinha alguém por perto para acudir.

Foi um colapso pessoal. Voltei para o Rio de Janeiro, fui a vários médicos, arranjei um emprego, fiz novos amigos. Tudo isso enquanto enrolava negociava com o pessoal da editora por um pouco mais de prazo, porque eu não conseguia ter cabeça para terminar o trabalho.

Outros trabalhos vieram, outras coisas vieram. Quase dois anos se passaram e eu estava agora trabalhando dentro da Intrínseca. Estando na editora, eu não fazia mais cópi, fazia o pós-cópi: minha função era pegar o trabalho que o cópi tinha feito no conforto de seu lar e ler tudo de novo, verificando todas as mudanças propostas e fazendo minhas próprias mudanças.

Foi quando tive a oportunidade de trabalhar no terceiro e último livro dessa mesma série, Sonhos com deuses e monstros. Devo confessar que só a imagem do cabelo cor-de-rosa da autora me dava certa náusea, por me lembrar aquela época. Mas qual não foi minha surpresa ao perceber, enquanto acompanhava a tentativa de redenção do anjo Akiva, sua busca por um meio de recuperar o sonho que surgira de seu amor por Karou, que o mesmo acontecia comigo: repassando aqueles dois anos, vi tudo que eu tinha construído a partir de muitos erros e concluí, quase como se não acreditasse, que a redenção é, de fato, possível. Pode não parecer na hora, mas é. “Só sei o que se faz para recuperar a alma”, diz Karou em Sonhos com deuses. “(…) nos permitimos sonhar de novo. (…) Perdoamos.”

 

Sheila Louzada, 30 anos, é editora assistente no setor de ficção infantojuvenil da Editora Intrínseca.

testeEstante Intrínseca – lançamentos de setembro

Na ilha, de Tracey Garvis Graves

Anna Emerson é uma professora de inglês de 30 anos desesperada por aventura. Cansada do inverno rigoroso de Chicago e de seu relacionamento que não evolui, ela agarra a oportunidade de passar o verão em uma ilha tropical dando aulas particulares para um adolescente.

T.J. Callahan não quer ir a lugar algum. Aos 16 anos e com um câncer em remissão, tudo o que ele quer é uma vida normal de novo. Mas seus pais insistem em que ele passe o verão nas Maldivas colocando em dia as aulas que perdeu na escola.

Anna e T.J. embarcam rumo à casa de veraneio dos Callahan e, enquanto sobrevoam as 1.200 ilhas das Maldivas, o impensável acontece. O avião cai nas águas infestadas de tubarão do arquipélago. Eles conseguem chegar a uma praia, mas logo descobrem que estão presos em uma ilha desabitada.

De início, tudo o que importa é sobreviver. Mas, à medida que os dias se tornam semanas, e então meses, Anna começa a se perguntar se seu maior desafio não será ter de conviver com um garoto que aos poucos torna-se homem.

10 bilhões, de Stephen Emmott

A Terra é o lar de milhões de espécies, mas apenas uma domina — nós. Em 2011, de acordo com a ONU, a população humana mundial ultrapassou sete bilhões, e recentes projeções preveem que até o fim deste século ela terá passado de dez bilhões.

Stephen Emmott, consagrado cientista e professor da Universidade de Oxford, alerta para as terríveis consequências de uma população humana muito maior do que o mundo é capaz de sustentar e afirma: estamos vivendo uma emergência planetária sem precedentes.

É tarde demais para salvar o planeta? Emmott acredita que sim. Com a ajuda de gráficos esclarecedores, imagens impactantes e uma linguagem muito acessível, o autor avisa que chegamos a um ponto sem volta e que podemos ter comprometido de modo irreversível os recursos naturais e o clima do planeta. Como chegamos a isso? O que o futuro nos reserva?

Extraordinário, de R. J. Palacio
– Relançado com nova capa e novo preço

Primeiro lugar da lista de best-sellers do The New York Times, eleito um dos melhores títulos YA de 2012 nos Estados Unidos, o premiado livro de estreia da americana R. J. Palacio traz à tona a luta contra o preconceito ao contar a história de August Pullman, um menino de 10 anos que nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial. Prestes a frequentar a escola pela primeira vez, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros. [leia um trecho]

Assista ao book trailer:

O Olho do Mundo, de Robert Jordan

Série A Roda do Tempo (Vol. 1)

Em um universo no qual trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al’Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época dos festejos de final de inverno e, mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira.

Quando a vila é invadida por bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand e seus amigos a escapar dali, como também os apresenta àquela que será a maior de todas as suas jornadas: a desconhecida é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que um dos jovens seja o profético Dragão Renascido — aquele que poderá salvar ou destruir o mundo.

Leia o prólogo e o primeiro capítulo.
Conheça o universo da série A Roda do Tempo.

Mapa A Roda do Tempo

Dias de sangue e estrela, de Laini Taylor
Série Feita de fumaça e osso (Vol. 2)

Karou, uma estudante de artes plásticas e aprendiz de um monstro, por fim encontrou as respostas que sempre buscou. Agora sabe quem é — e o que é. Mas, com isso, também descobriu algo que, se fosse possível, ela faria de tudo para mudar: tempos atrás Karou se apaixonou pelo inimigo, que a traiu, e por sua culpa o mundo inteiro foi punido.

Na deslumbrante sequência de Feita de fumaça e osso, ela terá que decidir até onde está disposta a ir para vingar seu povo. Dias de sangue e estrelas mostra Karou e Akiva em lados opostos de uma guerra ancestral. Enquanto os quimeras, com a ajuda da garota de cabelo azul, criam um exército de monstros em uma terra distante e desértica, Akiva trava outro tipo de batalha: uma batalha por redenção… por esperança.

Como pegar a Joia do Dragão, de Cressida Cowell
Série Como treinar o seu dragão (Vol. 10)

Na última vez em que se soube de Soluço, as coisas não estavam nada boas para o lado dele. A Rebelião dos Dragões havia começado. Malvado Melequento era o novo Chefe da Tribo dos Hooligans Cabeludos, Stoico fora banido e carregava na pele a Marca dos Escravos. Alvin, o Traiçoeiro, conseguira reunir oito das Nove Coisas Perdidas do Rei e se autoproclamara o Rei do Oeste Mais Selvagem.

Mas o que Soluço poderá fazer, agora que está exilado e sozinho, sendo caçado tanto pelos humanos e quanto pelos dragões? Será que ele conseguirá encontrar a Joia do Dragão, última relíquia do Rei e única esperança de salvação da humanidade?