testeDicas de fantasias para curtir o Bloco da Intrínseca

Todo ano sempre rola aquele dilema: com que fantasia eu vou curtir o Carnaval? Por isso, nós separamos quatro ideias de fantasias inspiradas nos nossos personagens literários favoritos! Assim, você pode cair na folia e ainda ficar juntinho das histórias que mais ama! Anota aí e vem pro Bloco da Intrínseca!

 

1. Lara Jean (Trilogia Para todos os garotos que já amei)

Todo mundo sabe que a Lara Jean é a personagem mais fofa do mundo, né? Para a fantasia ficar perfeita, não esqueça seu elástico de cabelo favorito, prepare uma mochilinha com muita água para se manter hidratado e leve suas cartinhas de amor. Quem sabe você não encontra o seu Peter Kavinsky?

 

2. Lou Clark (Trilogia Como eu era antes de você)

Se tem alguém que sabe tudo sobre roupas divertidas, essa pessoa é a Lou Clark! Com seu estilo único e superoriginal, ela pode ser a sua inspiração nesse Carnaval. Pegue as meias de abelhinha e aposte em cores bem vibrantes!

 

3. Elio (Me chame pelo seu nome)

Surgiu um bloquinho de última hora? Vá de Elio! O protagonista de Me chame pelo seu nome tem um look cool e superfácil de montar com as peças que você já tem no armário. Só não pode esquecer do pêssego!

 

4. Malorie (Caixa de pássaros)

Gosta do perigo? Então a Malorie, de Caixa de pássaros, é a fantasia perfeita para você! O importante é escolher peças bem confortáveis e que te deixem preparado para tudo. Atenção: no livro, ela não pode abrir os olhos, mas nada de ficar vendado correndo risco de se machucar por aí, hein!

teste7 personagens apaixonantes dos livros

Existem muitas coisas que podem tornar um livro especial: uma trama emocionante, as lições de vida que transmite, as reviravoltas surpreendentes… Mas uma das melhores maneiras de um livro se tornar inesquecível é ele ter personagens que conquistem os nossos corações. Afinal de contas, que leitor nunca se apaixonou pelo protagonista de uma história e ficou lamentando por ele não existir no mundo real? Pensando nisso, criamos uma lista com os 7 personagens mais apaixonantes dos nossos livros e que sem dúvida entrarão para a sua lista de “melhores pessoas literárias”. Confira:

 

  1. Louisa Clark (Trilogia Como eu era antes de você)

Como diria o Mc Marcinho, se quiser falar de amor, fale com Louisa Clark. Impossível ler Como eu era antes de você sem ficar completamente encantado por essa menina desajeitada. Com suas roupas exóticas e seu jeito fofo e atrapalhado, Lou conseguiu conquistar o coração do Will (e os nossos) sem muito esforço. O amor pela personagem foi tanto que a história dela ganhou duas sequências: Depois de você e Ainda sou eu, no qual acompanhamos os desafios que ela enfrentou ao se jogar no mundo e se tornar a protagonista da própria história. Mesmo depois de três livros, é difícil dar adeus a uma personagem tão querida.

 

2. August Pullman (Extraordinário)

O Auggie é um daqueles personagens que nos conquistam desde a primeira linha. Ele é um menino inteligente e gentil que nasceu com uma síndrome que o deixou com uma aparência incomum, por isso ele precisa lidar a vida toda com as pessoas o olhando de maneira diferente. Aos dez anos, ele precisou enfrentar o maior dos desafios: ir para a escola pela primeira vez. Com seu jeito bem-humorado, o Auggie nos passa diversas lições de vida e nos ajuda a ver o mundo de um modo mais gentil.

“A única razão de eu não ser comum é que ninguém além de mim me enxerga dessa forma”.

 

3. Simon Spier (Com amor, Simon)

Se ser adolescente já não é nada fácil, imagine então ser um adolescente que guarda um grande segredo? O Simon é gay – ele sente muito orgulho disso, mas tem medo de como as outras pessoas vão reagir. Felizmente ele sempre pode contar com o Blue, seu namorado virtual cuja real identidade ele não conhece, mas com quem tem muito em comum e pode conversar sobre qualquer coisa. O Simon é divertido, fofo, gosta muito de Oreo, dá carona para a galera e está sempre ali quando alguém precisa. Depois de ler a história dele, é impossível não querer um Simon Spier como melhor amigo.

 

               

4. Lara Jean (Trilogia Para todos os garotos que já amei)

Junte 800g de beleza, 1kg de fofura, 500g de roupas estilosas, 400g de amor por culinária e 10 toneladas de cartas de amor: essa é a receita para criar a Lara Jean perfeita! Com um troféu vitalício de Personagem Mais Meiga do Universo, Lara Jean marcou um LJ em muitos corações desde que chegou aqui no Brasil em 2015. Mas este ano, quando sua história se transformou em filme, foi difícil encontrar alguém que tenha resistido aos seus encantos. Atenciosa, apaixonada pela família e muito verdadeira, ela é quase um cupcake rosa em forma de gente. E o prazer de vê-la amadurecer ao longo dos três livros da série faz o leitor sentir ainda mais saudades quando chega na última página.

 

5. Augustus Waters  (A culpa é das estrelas)

Para descrever o personagem que ama metáforas, aqui vai uma: Augustus é como um lindo dia de sol no primeiro dia de férias. Não dá para falar do Gus sem se lembrar de todos os momentos fofos protagonizados por ele, ou vai dizer que só de ver o nome dele já não passa um filme na cabeça? Ele é sensível, sincero, divertido e sabe ver a vida com brilho nos olhos. O Augustus não demorou para se tornar especial para a Hazel, e demorou menos ainda para se tornar inesquecível para a gente. Essa mistura humana de charme e carinho é definitivamente um dos personagens mais apaixonantes de todos os tempos.

 

6. Banguela (Série Como treinar o seu dragão)

Nem sempre os dragões são os seres gigantes e assustadores dos quais ouvimos falar, às vezes eles são como o Banguela: atrapalhados, ingênuos e extremamente fofos. Ele lembra muito os nossos próprios animais de estimação, por isso a conexão é quase instantânea. Desde o primeiro minuto, Banguela ajudou Soluço a enfrentar seus medos e a lutar pelo que acredita, é um amigo para todas as horas e está sempre pronto para proteger as pessoas que o tratam com carinho. O problema mesmo é que com Banguela essa paixão literária é ainda mais platônica, mas seguimos por aí procurando por um dragão bobo e desajeitado para amar no mundo real.  

 

7. Liesel Meminger (A menina que roubava livros)

Muitas vezes associamos personagens apaixonantes àqueles que têm personalidades muito fofas, mas a Liesel é um exemplo daqueles que nos conquistam por outros motivos. Mesmo sendo uma criança na Alemanha Nazista e tendo um judeu escondido na casa de sua família, a Liesel é corajosa, destemida e luta pelo que acredita. Com a ajuda de seu pai Hans, ela descobre o amor pela leitura e é bem nesse ponto que muitos de nós nos identificamos com ela. Embora muitas vezes pareça uma menina fria, ao longo da história descobrimos que ela tem um coração enorme, capaz de proteger as pessoas que ama custe o que custar.

 

E aí: por quais personagens você mais se apaixonou?

 

testeComo Lou Clark virou protagonista da sua própria história

Por Carla Paredes*

“Pensei em como somos moldados pelas pessoas que nos cercam e como precisamos ser cuidadosos ao escolhê-las exatamente por esse motivo. Então pensei também que, apesar de tudo, no fim talvez seja necessário perder todas elas para de fato descobrirmos quem somos.”

Se tem uma frase que me marcou profundamente em todas as quase 400 páginas de Ainda sou eu, eu diria que foi essa. Parece triste, ainda mais se lembrarmos da sua história com Will no primeiro livro, mas não se enganem, não é nada disso! O livro é alegre e arranca diversos sorrisos, e essa frase, na verdade, revela esperança, aconchego, amor-próprio e muito amadurecimento por parte da Lou.

É um resumo da personagem que reencontramos depois da temporada que ela passa perdida em Depois de você. O luto deu lugar a uma reconexão consigo. A ideia dessa frase norteia a história que em meio a reviravoltas, surpresas e delícias nos faz ter certeza que nos conheceremos melhor quanto mais conectados com nós mesmas e menos suscetíveis às opiniões alheias estivermos. Que coisa linda de se ler, de se refletir e de se perceber.

Ainda sou eu traz uma Louisa Clark parecida com a personagem que a gente lembra em Como eu era antes de você: atrapalhada, bem-humorada, meio doidinha, completamente cativante e com um gosto peculiar e todo único para as roupas. Só que a versão de agora vai ficando cada vez melhor, mais madura, mais autoconfiante e disposta a descobrir quem realmente é,  mesmo levando uma vida totalmente nova e diferente depois que decide dar um grande passo e aceitar um convite para trabalhar em Nova York.

 

Mais do que nunca Louisa virou protagonista de sua própria história nesse livro, e nós, como leitoras, nos pegamos torcendo por cada decisão que ela toma, seja seguir em frente, mudar algo totalmente ou até mesmo recuar. Nós observamos, torcendo para que ela seja feliz, e ficamos satisfeitas quando vemos que até as escolhas erradas serviram para alguma coisa.

Para as órfãs de Will Traynor, não se enganem, ele continua muito presente em Ainda sou eu. Aliás, diria que nesse livro há uma relação saudável entre os dois: menos sobre o luto e a dor, mais sobre uma saudade inspiradora. Will aqui é motivação, mola propulsora que ele sempre quis ser.

Não sabemos se terá mais um livro depois desse, mas de qualquer forma Ainda sou eu é o encerramento perfeito da história, faz jus à personagem principal, enriquece personagens secundários e, acima de tudo, é uma injeção de positividade, amadurecimento e autoconfiança. Obrigada, Jojo. Todo mundo deveria ler essa obra sobre a reviravolta de uma mulher que passou por muita coisa e,  onde menos esperava, encontrou a melhor versão de si.

 

*Carla Paredes é blogueira do @futilidades, mãe, fã de hits musicais, filmes blockbusters e livros best-sellers. Tem uma coluna no blog chamada #bookdodia e seu sonho é ter tempo para, de fato, indicar um livro por dia. 

testePlaylist de Ainda sou eu, novo livro de Jojo Moyes

Louisa Clark deixou a Inglaterra para se aventurar em Nova York. Preparada para começar uma nova vida em uma das cidades mais empolgantes do mundo, a nossa querida personagem está determinada a cumprir a promessa que fez para Will: dizer sim para as oportunidades que surgirem. Com muita coragem, ela começa a trabalhar em um novo emprego e cai de paraquedas no mundo dos super-ricos da Big Apple.

Como Nova York é uma cidade que desperta muitos sentimentos, preparamos uma playlist inspirada em Ainda sou eu para fazer com que os leitores viajem junto com a Lou. 

testeComo um cão adotado de 58 quilos mudou minha vida, por Jojo Moyes

*Por Jojo Moyes

A autora do livro Como eu era antes de você conta como sua vida se transformou quando ela ofereceu um lar a um cão de montanha dos Pireneus

(matéria originalmente publicada dia 25 de janeiro de 2018, no The Times)

É uma obviedade dizer que os quarenta e tantos anos são uma idade perigosa. Dois anos atrás, eu me apaixonei por alguém que não era meu marido, mas o inesperado amor da minha vida não é um garotão nem meu primeiro namoradinho que redescobri no Facebook — é uma cadela de montanha dos Pireneus de 58 quilos.

Eu não tinha qualquer intenção de adotar mais um bicho de estimação; estávamos, como diz meu marido, no auge dos animais, com três cavalos, três gatos e um border terrier (além de três filhos). Mas tínhamos acabado de nos mudar para uma casa maior quando um amigo viu uma cadela no site de um abrigo local para animais resgatados. Ela era muito grande e, aos sete anos, velha demais para ser realocada com facilidade. Ninguém quer um cachorro que, muito provavelmente, vai precisar de cuidados veterinários em breve ou algo pior (cães grandes demais não costumam envelhecer muito).

Pensando agora, não sei o que me fez concordar em conhecê-la, mas eu e minha família fomos de carro até uma casinha abarrotada de cães para adoção, e lá estava ela, praticamente um pônei canino, branca e deprimida. Disseram-nos que ela adorava crianças e queijo, ignorava gatos e “não daria trabalho”. Eu disse a mim mesma que era a coisa certa a fazer.

Hoje, tenho uma empatia nova por quem adota uma criança. Fiquei tão nervosa enquanto aguardava a fiscalização da casa para adotar um cachorro que acordei às três da manhã. Moramos em uma propriedade de nove hectares, mas o jardim não é cercado. Será que aquilo pesaria contra nós? Deveríamos ter cercado o lago? Meu cabelo despenteado poderia sugerir uma potencial negligência em relação aos cuidados com o cachorro? Na ocasião, o homem da instituição de caridade se aproximou, olhou a nossa propriedade e disse: “Não sei bem por que estamos fazendo isso. Francamente, eu gostaria que você me adotasse.”

Uma semana depois, eu voltava para casa no meu 4×4 com uma cachorra que duas pessoas juntas demoraram 20 minutos para conseguir içar sobre o banco de trás (ela é velha demais para pular). Ela ganiu durante uma hora inteira, todo o tempo do percurso — um som terrível e lúgubre —, enquanto eu a observava pelo retrovisor e pensava: “O que foi que eu fiz?” Mais tarde, entendi que ela havia sido adotada e devolvida tantas vezes que supôs estar vivendo isso mais uma vez.

Pelo que já sabia, rotina e exercício são a melhor forma de acalmar um animal. Começamos a fazer passeios frequentes e regulares com ela, mas em poucos dias BigDog estava mancando muito. Pesquisei sobre artrite, problemas nas juntas, no quadril — então finalmente olhei suas patas. As solas eram macias e cor-de-rosa, o que é comum entre cães mantidos para reprodução. Caminhamos na grama até suas patas se tornarem mais resistentes, enquanto eu nutria pensamentos sombrios sobre fábricas de filhotes.

As primeiras semanas não foram fáceis. Ela chorou muito, teve infecções urinárias e comeu só de vez em quando. Nossos gatos estavam indignados. Nossos filhos não tiveram qualquer receio: aninhavam-se em seu pelo macio, deitavam-se nela e lhe contavam coisas. Pireneus adoram crianças. Enquanto qualquer visitante adulto em nossa casa é acolhido com uma recepção digna do filme O Regresso, uma criança pode entrar sem hesitar e ela baixa a cabeça, instantaneamente gentil e submissa (o que é peculiar à raça). Conforme os meses foram passando, ela se animou e parou de chorar no carro (encomendamos uma rampa especial para ajudá-la a entrar e sair). Os gatos começaram a nos acompanhar durante os passeios, e eu, de forma inesperada, me apaixonei perdidamente.

Amo todos os meu bichos. Mas BigDog me venera de um jeito para o qual eu não estava preparada. É uma distração, é apaixonante, toma tempo. A maioria dos cães desvia os olhos se você os encara por muito tempo, mas ela continua olhando, como se quisesse absorver você. Quando está descansando, ela ergue a cabeça para saber onde estou, depois dá um grunhido de aprovação. De noite, ela se aproxima de cada membro da família para que sua imensa cabeça macia seja acariciada antes de se recolher para dormir.

Um ano depois de ter vindo morar conosco, ela começou a abanar o rabo (partiu meu coração me dar conta da demora). Ela passou a brincar, jogando habilmente brinquedos no ar ou galopando para cima e para baixo no corredor. Aprendemos que quando isso acontece temos que nos encostar logo numa parede, porque abajures voam, tapetes se dobram e objetos decorativos caem das prateleiras. Maior do que um pônei shetland, ela já derrubou no chão a mim e meu marido (eu fiz a turnê promocional do livro Como eu era antes de você com um ligamento rompido; ele está usando uma joelheira depois de uma recepção um pouco calorosa demais). Recentemente, ela começou a “falar” conosco durante o jantar. Deita-se de lado perto da mesa da cozinha e uiva e grunhe, esperando uma resposta antes de “falar” de novo (há um vídeo disso nas minhas contas no Instagram, jojomoyesofficial e nanookthebigdog).

O prazer inesperado de adotar um animal é vê-lo se abrir, confiar aos poucos em seu entorno e expressar felicidade. Tenho consciência, a cada pulinho no bosque, cada carinho na barriga, que tornei sua vida infinitamente melhor, e, em troca, nos dois anos difíceis em que nossa família enfrentou uma doença séria, uma cirurgia invasiva, os altos e baixos do trabalho, da política e da vida, ela foi uma fonte constante de alegria e afeto.

Desafios são inevitáveis. O limpador de carpete é usado com frequência — ela precisa sair para passear a cada três horas, por causa da bexiga fraca. Ela desaprova ferozmente ciclistas, lambretas e, certa vez (para nossa vergonha completa), uma cadeira de rodas motorizada. Nutre antipatias irracionais e têm de ser afastada para impedir que “encurrale” certos convidados. Já quase deslocou meu ombro, precisa dos cuidados de um tosador especializado e de uma glucosamina cara para suas juntas, e, quando se senta no seu colo, você tem 20 minutos até suas pernas ficarem dormentes e você achar que vai perdê-las.

Assim como a maioria dos Pireneus, BigDog considera a coleira uma afronta à sua dignidade e um chamado como algo opcional. No verão passado, quando meu editor de Nova York veio almoçar aqui, ela simplesmente desapareceu durante a sobremesa. Não consigo imaginar como uma criatura tão grande e branca pode sumir completamente, mas largamos a refeição enquanto vasculhávamos o campo inteiro a pé, de carro e de quadriciclo. Depois de duas horas fiquei bastante histérica; semelhante a quando nosso filho, com dois anos, desapareceu rapidamente em um supermercado.

Paguei para que um táxi levasse o editor de volta a Londres e expliquei que não poderia ir a lugar nenhum enquanto BigDog estivesse desaparecida. Finalmente a localizamos, uma hora depois, exausta, felicíssima e preta, após ter nadado na vala mais intragável e fedida da cidade. Eu chorei de alívio (e chorei de novo quando vi a conta do tosador).

Não sou só eu que a amo. É impossível dar dez passos na minha cidade sem que as pessoas parem para falar com ela e sorriam. É uma das clientes preferidas do café onde escrevo, os funcionários evitam tropeçar nela sem reclamar. Quando estou com BigDog, não sou mais a escritora, sou um apêndice dela (para que fique registrado, as respostas são: não, ela não come tanto assim, só baba quando está estressada e na verdade os resultados do número dois são do mesmo tamanho que os de qualquer cachorro, graças a deus).

Meus filhos adolescentes brincam dizendo que sinto mais a falta dela do que a deles quando estou viajando. Só é engraçado porque eles também sentem mais saudades dela do que de mim (criaram uma conta no Instagram dedicada a ela). Até mesmo meu marido, que não é o homem mais expressivo do mundo, vira uma manteiga derretida quando está perto dela, como descobri quando o ouvi dizer: “Não quer seu café da manhã? Não? Quer que eu coloque parmesão ralado em cima?” (O cachorro no meu novo livro, Ainda sou eu, também adquiriu esse hábito culinário.)

Ainda sou eu, continuação de Como eu era antes de você e Depois de você.

Sem saber, ela melhorou minha coluna, porque sou obrigada a deixar a escrivaninha quatro vezes ao dia. Aproximou meu marido e eu — caminhamos juntos ao amanhecer. Nem o adolescente mais irritadiço consegue conter uma risadinha diante do seu respeito tímido frente à nossa gata idosa e feroz, ou ao observá-la mexer as patas enquanto sonha.

Quando trouxemos BigDog para casa, dissemos às crianças que, devido a sua idade, ela seria, no máximo, nossa cadela por quatro anos. Eu me senti quase indiferente ao dizer isso. Dois anos depois, fico chorosa só de pensar no que isso significa e observo cada manqueira, cada tombo exausto, com preocupação.

No entanto, talvez a lição que aprendemos com os animais seja mesmo essa: o amor é fugaz, muitas vezes inesperado, e deve ser apreciado quando surge. Até agora, uma imensa cachorra de expressão triste me ensinou a viver no presente e simplesmente aproveitar cada dia que temos. Acima de tudo, o que nós, enquanto família, aprendemos com cães adotados é que é de fato dando que se recebe.

E se alguém tiver interesse, o Santuário de Animais Heathlands, em Hertfordshire, está procurando um lar para Glenda, uma são-bernardo de seis anos de aspecto particularmente tristonho. Aposto que ela é maravilhosa.

*Matéria originalmente publicada dia 25 de janeiro de 2018, no The Times. Traduzido por Julia Sobral Campos.

Saiba mais sobre o novo livro da autora, Ainda sou eu, continuação de Como eu era antes de você e Depois de você.

testeLeia um trecho de Ainda sou eu, novo livro de Jojo Moyes

Lou Clark está longe de casa agora. Sem medo de recomeçar a vida em um novo país, ela embarcou para Nova York para trabalhar como assistente pessoal da esposa de um homem muito rico.

Em Ainda sou eu, continuação de Como eu era antes de você e Depois de você, nossa querida personagem está disposta a viver corajosamente, como Will aconselhou, e se envolve em situações muito divertidas, algumas até vergonhosas, sem deixar de viver momentos emocionantes e encantar a todos nós mais uma vez.

Leia um trecho do livro. 

Foi o bigode que me lembrou de que eu não estava mais na Inglaterra: uma centopeia sólida e cinzenta escondendo bem o lábio superior do homem; um bigode à la Village People, de caubói, uma miniatura de vassoura que passava muita seriedade.

Na Inglaterra não se vê esse tipo de bigode. Eu simplesmente não conseguia tirar os olhos dele.

— Senhora?

A única pessoa que eu já tinha visto com um bigode daqueles na Inglaterra foi o Sr. Naylor, nosso professor de matemática, que colecionava migalhas de biscoito nele — a gente costumava contá-las durante a aula de álgebra.

— Senhora?

— Ah. Desculpe.

O homem de uniforme fez um gesto com o dedo atarracado para que eu me aproximasse. Não tirou os olhos da tela. Aguardei no guichê, o suor da espera secando lentamente no meu vestido. Ele estendeu a mão, flexionando quatro dedos gordos. Depois de vários segundos, percebi que estava pedindo meu passaporte.

— Nome.

— Está aí — retruquei.

— Seu nome, senhora.

— Louisa Elizabeth Clark.

Espiei por cima do balcão.

— Mas eu nunca uso o Elizabeth. Porque minha mãe percebeu depois de me registrarem que meu apelido ficaria Lou Lizzy. E, se você disser isso rápido, soa como tolice. Embora meu pai diga que é meio apropriado. Não que eu seja tola. Quer dizer, você não iria querer pessoas tolas no seu país. Ha!

Minha voz reverberou nervosamente no painel de acrílico. O homem olhou para mim pela primeira vez. Tinha ombros firmes e um olhar capaz de imobilizar você feito uma arma de eletrochoque. Não sorriu. Ele esperou até que o meu sorriso se esvaísse.

— Desculpe — falei. — Pessoas de uniforme me deixam nervosa.

Olhei para o saguão da imigração, atrás de mim, para a fila que serpenteava com tantas voltas que se tornara um mar agitado e impenetrável de pessoas.

— Acho que estou me sentindo meio estranha por ter passado tanto tempo na fila. Sinceramente, foi a fila mais demorada que já encarei. Já estava me perguntando se deveria começar a fazer minha lista de compras de Natal.

— Coloque a mão no escâner.

— É sempre desse tamanho?

— O escâner?

Ele franziu o cenho.

— A fila.

Mas, ele não estava mais prestando atenção. Observava algo na tela. Coloquei os dedos no aparelho e então meu celular apitou.

Mãe: Já pousou?

Comecei a digitar uma resposta com a mão livre, mas ele se virou abruptamente para mim.

— Senhora, o uso de aparelhos celulares não é permitido nesta área.

— É só a minha mãe. Ela quer saber se cheguei.

Discretamente mandei o emoji do polegar erguido enquanto escondia o telefone dele.

— Motivo da viagem?

O que é isso? A resposta de minha mãe chegou na mesma hora. Ela tinha se adaptado incrivelmente bem ao universo das mensagens de texto e agora digitava mais depressa do que falava — ou seja, fazia isso na velocidade da luz. Você sabe que meu celular não mostra as imagenzinhas. É um SOS? Louisa, me diga que você está bem.

— Motivo da viagem, senhora? — O bigode se remexeu com irritação e ele acrescentou lentamente: — O que você veio fazer nos Estados Unidos?

— Tenho um emprego novo.

— Que é…?

— Vou trabalhar para uma família em Nova York. No Central Park.

As sobrancelhas do homem talvez tenham brevemente se erguido um milímetro.

Ele olhou o endereço no meu formulário, confirmando a informação.

— Que tipo de emprego?

— É um pouco complicado. Eu sou uma espécie de acompanhante remunerada.

— Uma acompanhante remunerada.

— É assim: eu costumava trabalhar para um homem. Era a acompanhante dele, mas também dava remédios e comida para ele, além de levá-lo para passear. Aliás, não é tão estranho quanto parece: ele não mexia as mãos. Não era algo pervertido. Na verdade, acabou virando mais do que isso, porque é difícil não se aproximar das pessoas de quem você cuida, e o Will, o homem, era maravilhoso e a gente… Bem, a gente se apaixonou.

Tarde demais, tive a sensação familiar dos olhos se enchendo de lágrimas.

Limpei-os rapidamente.

— Então acho que vai ser mais ou menos igual. Menos a parte de se apaixonar. E de dar comida.

O funcionário da imigração estava me encarando. Tentei sorrir.

— Na verdade, eu não costumo chorar quando falo de trabalho. Não sou uma tola de verdade, apesar do meu nome. Ha! Mas eu o amava. E ele me amava. Aí ele… Bem, ele escolheu dar fim à própria vida. Então isto é meio que minha tentativa de recomeço.

As lágrimas agora escorriam implacável e vergonhosamente dos cantos dos meus olhos. Não conseguia contê-las. Não conseguia conter nada.

— Desculpe. Deve ser o jet lag. São tipo duas da manhã no horário normal, certo? Além disso, eu não falo mais sobre ele. Quer dizer, estou namorando. E meu namorado é ótimo! É paramédico! E um gato! É como ganhar na loteria dos namorados, não é? Um paramédico gato!

Vasculhei minha bolsa em busca de um lenço. Quando levantei a cabeça, o homem estava estendendo uma caixa para mim.

— Obrigada. Enfim, de qualquer forma, meu amigo Nathan, que é da Nova Zelândia, trabalha aqui e me ajudou a arranjar esse emprego, e não sei bem do que se trata ainda, além de cuidar da esposa de um homem rico que fica deprimida. Mas decidi que desta vez vou fazer o que Will queria que eu fizesse, porque antes eu não fiz direito. Acabei indo trabalhar em um aeroporto.

Congelei na hora.

— Não… hum… que haja algo de errado em trabalhar em um aeroporto! Com certeza atuar na imigração é um trabalho muito importante. Muito importante.

Mas eu tenho um plano: vou fazer algo novo a cada semana que passar aqui e vou dizer sim.

— Dizer sim?

— Para coisas novas. Will sempre dizia que eu me fecho para novas experiências. Então esse é meu plano.

O funcionário examinou a minha papelada.

— A senhora não preencheu direito a parte do endereço. Preciso do código postal.

Ele empurrou o formulário na minha direção. Olhei o número no papel que havia imprimido e o escrevi com dedos trêmulos. Olhei para minha esquerda, onde as pessoas da fila para o meu guichê estavam ficando impacientes. À frente da fila ao lado, uma família chinesa era questionada por dois funcionários. Quando a mulher protestou, foram todos levados para uma sala. De repente, eu me senti muito sozinha.

O funcionário da imigração deu uma olhada nas pessoas que aguardavam na fila. Então do nada carimbou meu passaporte.

— Boa sorte, Louisa Clark — disse.

Eu o encarei.

— É só isso?

— É só isso.

Sorri.

— Ah, obrigada! É muita gentileza sua. Quer dizer, é bem estranho estar do outro lado do mundo sozinha pela primeira vez, e agora sinto que conheci a primeira pessoa legal e…

— A senhora precisa prosseguir.

— Ah, sim. Desculpe.

 

Reuni meus pertences e afastei do rosto uma mecha suada de cabelo.

— E, senhora…

— Sim?

Fiquei me perguntando o que havia feito de errado desta vez. Ele não tirou os olhos da tela.

— Tenha cuidado para o que diz sim.

Nathan estava esperando no setor de desembarque do aeroporto, como havia prometido. Varri a multidão com os olhos, me sentindo estranhamente constrangida, certa de que ninguém viria, mas lá estava ele, com a mão imensa acenando acima dos corpos que se moviam ao seu redor. Ele ergueu o outro braço, com um sorriso largo no rosto, e abriu caminho até mim, me levantando do chão com um abraço apertadíssimo.

— Lou!

Ao vê-lo, algo dentro de mim se contraiu de forma inesperada — algo ligado a Will, à perda e à emoção crua que vêm de ficar sentada em um voo um pouco turbulento demais por sete horas — e fiquei feliz por ele estar me abraçando com força, dando-me um instante para me recompor.

— Bem-vinda a Nova York, baixinha! Pelo visto você não perdeu sua noção de estilo.

Nathan me afastou de si, sorrindo. Ajeitei o vestido dos anos setenta com estampa de tigre. Achei que ele me deixaria parecida com Jackie Kennedy, nos Anos Onassis. Isto é, se Jackie Kennedy tivesse derramado no colo metade do café servido no avião.

— É tão bom ver você.

Ele pegou as minhas malas de chumbo como se estivessem repletas de plumas.

— Vamos embora. Vamos para a casa. O Prius está no conserto, então o Sr. G me emprestou o carro dele. O trânsito está horrível, mas você vai chegar lá com classe.

O carro do Sr. Gopnik era preto e lustroso, do tamanho de um ônibus, e as portas se fecharam com aquele tum enfático e discreto que indicava um preço de seis dígitos. Nathan colocou a bagagem no porta-malas e eu me instalei no banco do passageiro com um suspiro. Olhei o celular, respondi as quatorze mensagens da minha mãe com uma, dizendo simplesmente que estava no carro e ligaria para ela no dia seguinte, depois respondi à de Sam, na qual ele dizia que estava com saudades, com Pousei. Bjs.

— Como vai o cara? — perguntou Nathan, olhando para mim.

— Ele está bem, obrigada.

Acrescentei mais alguns bjs, só para garantir.

— Ele não ficou muito chateado por você ter vindo para cá?

Dei de ombros.

— Ele achou que eu precisava vir.

— Todos nós achamos. Você só demorou um pouco para encontrar seu caminho, só isso.

Guardei o celular, recostei-me no assento e olhei os nomes desconhecidos que surgiam ao longo da estrada: Loja de Pneus Milo, Academia Richie, as ambulâncias e os caminhões de mudança, as casas maltratadas com a tinta descascando e os degraus instáveis, as quadras de basquete, os motoristas com copos de plástico gigantescos. Nathan ligou o rádio e ouvi alguém chamado Lorenzo falar sobre um jogo de beisebol, então tive a breve impressão de estar em uma espécie de realidade suspensa.

— Então, você tem o dia de amanhã para se organizar. Quer fazer alguma coisa? Acho que seria bom deixar você dormir, depois arrastá-la para um brunch. Você tem que ter a experiência completa de uma lanchonete em Nova York no primeiro fim de semana aqui.

— Acho ótimo.

— Eles só vão voltar do clube amanhã à noite. Houve um pouco de conflito esta semana. Contarei os detalhes depois que você tiver dormido.

Eu o encarei.

— Sem segredos, ok? Isso não vai ser…

— Eles não são como os Traynor. São só uma família multimilionária e disfuncional

comum.

— Ela é legal?

— É ótima. Ela… dá trabalho. Mas é ótima. Ele também.

Era o máximo de informação sobre o caráter de alguém que eu poderia arrancar de Nathan. Ele ficou em silêncio — não era muito de fofoca — e eu fiquei sentada no ar condicionado do Mercedes GLS macio, lutando contra as ondas de sono que ameaçavam tomar conta de mim. Pensei em Sam, que àquela altura devia estar no décimo sono, a vários quilômetros, no vagão de trem. Pensei em Treena e Thom, acomodados no meu pequeno apartamento de Londres. Então a voz de Nathan interrompeu meus devaneios:

— Aí está.

Ergui os olhos com determinação e lá estava, do outro lado da Brooklyn Bridge: Manhattan, brilhando feito um milhão de cacos de luz, estonteante, atraente, impossivelmente compacta e linda, uma visão tão familiar por causa da televisão e dos filmes que meio que não consegui assimilar que via a versão real.

Eu me endireitei no assento, abismada, enquanto nos aproximávamos dela, a metrópole mais famosa do planeta.

— Essa vista nunca cansa, não é? É um pouco mais grandiosa do que Stortfold.

Acho que eu não tinha me dado conta de fato até aquele instante. Meu novo lar.

— Oi, Ashok. Como vai?

Nathan arrastou minhas malas pelo saguão de mármore enquanto eu analisava os azulejos pretos e brancos, os corrimões de bronze, tentando não tropeçar, com os passos ecoando no espaço cavernoso. Parecia a entrada de um grandioso hotel um tantinho antiquado: o elevador de cobre envelhecido, o chão coberto de carpete estampado nos tons vermelho e dourado, a recepção um pouco mais escura do que seria confortável. Tinha cheiro de cera de abelha, de sapatos engraxados e de dinheiro.

— Eu estou bem, cara. Quem é essa?

— Esta é Louisa. Ela vai trabalhar para a Sra. G.

O porteiro uniformizado saiu de trás da mesa e estendeu a mão para que eu a apertasse. Tinha um sorriso amplo e olhos que pareciam já ter visto de tudo.

— É um prazer, Ashok.

— Uma inglesa! Um primo meu está em Londres. Em Croydon. Você conhece Croydon? Mora perto de lá? Ele é um sujeito grande, se é que me entende.

— Não conheço Croydon muito bem — respondi.

Quando a expressão dele murchou, acrescentei:

— Mas vou ficar de olho na próxima vez que estiver lá.

— Bem-vinda ao Lavery, Louisa. Se precisar de algo, ou quiser saber alguma coisa, é só me falar. Estou aqui vinte e quatro horas por dia, todos os dias.

— Ele não está brincando — observou Nathan. — Às vezes acho que ele dorme embaixo dessa mesa.

Ashok indicou o elevador de serviço, as portas de um cinza fosco, localizado perto dos fundos do saguão.

— Três filhos com menos de cinco anos, cara — disse ele. — Acredite em mim, ficar aqui é o que me mantém são. Já não posso dizer o mesmo sobre a minha mulher.

Ele sorriu.

— Sério, Srta. Louisa. Qualquer coisa de que precisar, estou ao seu dispor.

— Ele está falando de drogas, prostitutas, bordéis? — sussurrei para Nathan quando as portas do elevador de serviço se fecharam à nossa frente.

— Não. Está falando de ingressos para o teatro, mesas em restaurantes, os melhores lugares para mandar lavar suas roupas a seco. Estamos na Quinta Avenida. Meu Deus. O que você andou fazendo em Londres?

testeTerceiro livro da sequência Como eu era antes de você será lançado em fevereiro

Depois de emocionar milhares de leitores com Como eu era antes de você e Depois de você, Jojo Moyes apresenta a última parte da história de Lou. Em Ainda sou eu, Lou Clark chega em Nova York pronta para recomeçar a vida, confiante de que pode abraçar novas aventuras e manter seu relacionamento a distância.

Jogada no mundo dos super-ricos Gopnik — Leonard e a esposa bem mais nova, e um sem-fim de empregados e puxa-sacos, ela  está determinada a extrair o máximo dessa experiência, por isso se lança no trabalho e, antes que perceba, está inserida na alta sociedade nova-iorquina, onde conhece Joshua Ryan, um homem que traz consigo um sopro do passado de Lou.

como eu era antes de você, depois de você

Enquanto tenta manter os dois lados de seu mundo unidos, ela tem que guardar segredos que não são seus e que podem mudar totalmente sua vida. E, quando a situação atinge um ponto crítico, ela precisa se perguntar: Quem é Louisa Clark? E como é possível reconciliar um coração dividido?

Em um anúncio oficial, Jojo Moyes revelou que foi uma alegria revisitar o mundo de Lou e colocá-la em um país totalmente novo e em uma casa cheia de segredos.

O livro já está em pré-venda e chega às livrarias em 8 de fevereiro. 

testeLaços que não se desfazem

Complicadas relações entre mãe e filha costuram a trama de Em busca de abrigo, romance de Jojo Moyes com diversos elementos autobiográficos

Por Vanessa Corrêa*

 

A delicada e difícil relação entre mãe e filha é o tema central de Em busca de abrigo, livro de estreia de Jojo Moyes relançado agora pela Intrínseca. Dez anos antes de se tornar mundialmente conhecida com o best-seller Como eu era antes de você, a escritora já dava pistas do estilo que a tornaria um sucesso mundial.

Acompanhando a trajetória de quatro gerações de mulheres da mesma família, Em busca de abrigo  traz elementos que mais tarde ficaram recorrentes nas tramas de Moyes: personagens femininas fortes, heroínas que se sentem fora dos padrões, amores difíceis de serem concretizados e segredos que podem transformar vidas.

Em Hong Kong, então colônia do Império Britânico, Joy e Edward se conhecem durante uma festa em comemoração à coroação da jovem rainha Elizabeth II, em 1953. Envolvido por uma paixão fulminante, para ficar junto, o casal enfrenta a resistência da mãe de Joy, Alice, e a distância imposta pela carreira militar de Edward. Vistos com admiração por todos devido à relação duradoura, os dois escondem uma trajetória difícil e um doloroso segredo.

 

O sofrimento e a mágoa impostos pelas constantes reprovações de Alice não fizeram com que Joy virasse uma mãe mais amorosa e compreensiva. Sua filha, Kate, prefere manter-se a distância em outro país a ter que lidar com a frieza da mãe e a sensação de que foi uma decepção para a família. Para piorar as coisas, Kate coleciona uma série de fracassos amorosos e encontra pouquíssimo consolo na relação com a própria filha, a adolescente Sabine, que trata a mãe com uma dureza semelhante àquela da avó.

Moyes lançou mão de muitos elementos autobiográficos para escrever Em busca de abrigo. A história de amor de Joy e Edward foi inspirada no romance dos avós da escritora, Betty e Eric McKee, que ela define como “extraordinário” nos agradecimentos do livro. A escolha de Hong Kong como um dos principais cenários da trama também não foi aleatória: a escritora passou um ano na cidade em meados da década de 1990, trabalhando como repórter do jornal South China Morning Post.

“Morar em Hong Kong me deu acesso a um mundo totalmente diferente e uma perspectiva mais ampla, que só adquirimos quando vivemos em uma cultura que não se assemelha em nada com a nossa”, disse Moyes em uma entrevista concedida ao seu antigo jornal muitos anos depois.

“Eu amava tudo em Hong Kong”, continuou Moyes. Para ela, a comida e a “busca descarada pelo sucesso, que pode ser desaprovada no Reino Unido”, seu país natal, eram duas das coisas que mais a agradavam na cidade. “A energia de Hong Kong ficou impressa em mim”, declarou.

As “coincidências” com a vida real não param aí. Sabine cresceu em Hackney, bairro de Londres em que Moyes passou a infância e a adolescência, e o amor por cavalos também foi transportado da vida da escritora para a ficção.

Quando tinha 14 anos, Moyes usou o dinheiro que economizou trabalhando como ajudante de limpeza na empresa do pai para comprar um pônei, batizado de Bombardier. “Cheguei em casa e avisei minha mãe de que havia comprado o Bombardier. Quando ela finalmente se deu conta de que era verdade, mandou na mesma hora que eu o devolvesse, mas teimosamente me recusei”, contou a escritora ao jornal britânico Telegraph. “Muito tempo depois, ela disse que no fundo ficou orgulhosa da minha determinação em manter o cavalo”, continuou.

 

Para escrever a história de Joy, Kate e Sabine, Jojo Moyes consultou diversas vezes seu passado, mas é possível também que tenha sem querer previsto parte de seu futuro. Assim como Joy deixou a cosmopolita Hong Kong e escolheu uma propriedade no interior da Irlanda para viver com Edward e criar seus animais, anos depois da publicação do livro, Moyes deixaria Londres para morar com o marido e os três filhos em uma fazenda em Essex, no interior da Inglaterra.

A publicação de Em busca de abrigo foi um momento decisivo na vida de Moyes. Entre 1995 e 2000, ela escreveu três romances, todos recusados por editoras. Na época, ela trabalhava como jornalista na publicação britânica The Independent e recorda como foi difícil ver uma colega do jornal passar de colunista a escritora de sucesso, enquanto suas obras eram ignoradas.

“Ainda me lembro da noite em que um dos editores circulou pela redação dizendo que queria uma coluna bem-humorada sobre a vida de uma jovem. Não me ofereci a tempo e, quando percebi, Helen Fielding estava fazendo o trabalho de forma brilhante. Tentei não me castigar muito por isso depois”, lembrou Moyes em entrevista ao Telegraph, citando a criadora de Bridget Jones.

Mas Jojo persistiu, e, na quarta tentativa, a história teve um fim diferente. Os primeiros capítulos de Em busca de abrigo provocaram uma acirrada disputa entre nada menos que seis editoras, e o contrato fechado por Moyes permitiu que ela abandonasse o jornalismo para dedicar-se exclusivamente à literatura.

Desde então, a escritora publicou outros 13 livros e teve suas obras traduzidas para 30 idiomas. Como eu era antes de você  já vendeu mais de 8 milhões de cópias em todo o mundo e teve sua história transformada em filme. O romance entre Will e Lou deu origem ainda à sequência Depois de você, publicada em 2016, e um terceiro livro já está confirmado para fevereiro de 2018.

Uma história de superação com final feliz, digno de um romance de Jojo Moyes.

*Vanessa Corrêa é jornalista, já trabalhou na Folha de S.Paulo e no portal UOL e é apaixonada por livros, cinema e fotografia.

teste11 livros para todo tipo de mãe

Seja empreendedora, romântica ou independente, sugerimos livros para um dia das mães especial! Confira nossa seleção de títulos para 2017!

Mães românticas: Livros de Jojo Moyes

Depois da visita da autora ao Brasil no começo de maio, é impossível não indicar para as mães de todos os tipos os livros de Jojo Moyes. Seja o sucesso Como eu era antes de você e sua sequência Depois de você, ou a coletânea de contos Paris para um, alguma das obras da britânica vai encantar sua mãe.

>> Saiba mais sobre os livros de Jojo Moyes!

 

 

Mães que gostam de listas: Uma pergunta por dia para mães

Toda mãe gosta de acompanhar as transformações pelas quais passa o filho ou a filha ao longo dos anos. Mas e quanto aos momentos simples, que passam despercebidos, sem espaço no álbum? Em Uma pergunta por dia para mães, as pequenas situações do cotidiano são registradas todos os dias ao longo de cinco anos, criando um livro de memórias único.

>> Conheça também Uma pergunta por dia

 

Mães que gostam de ciência: Livros de Stephen Hawking

Para as mães que não gostam de romance e drama, que tal ler sobre os mistérios do universo? O físico Stephen Hawking mostra o lado mais legal da ciência em O universo numa casca de noz, no recente Buracos negros ou no best-seller Uma breve história do tempo.

>> Leia um trecho de Buracos negros

 

Mães que curtem aventuras: série O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares

Viagens no tempo, mulheres que se transformam em aves, crianças com dons inusitados e monstros à espreita. Bem-vindo ao lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, um fascinante mundo novo pronto para ser descoberto.

>> Saiba mais sobre a série!

 

Mães que… ( ͡° ͜ʖ ͡°): Grey

Christian Grey controla tudo e todos a seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio – até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. Christian tenta esquecê-la, mas em vez disso acaba envolvido num turbilhão de emoções que não compreende e às quais não consegue resistir.

>>Leia um trecho de Grey

 

Mães que gostam de segundas chances: Antes que eu vá

Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no colégio que frequenta. Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, acaba sendo seu último dia de vida – mas ela ganha uma segunda chance. Sete “segundas chances”, na verdade. Ao reviver aquele dia vezes seguidas, Samantha vai tentar desvendar o mistério que envolve a própria morte – e, finalmente, descobrir o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder.

>> Conheça a edição especial de Antes que eu vá

 

Mães que gostam de história: O Papa e Mussolini

Desafiando a narrativa histórica convencional que retrata a Igreja Católica como forte opositora do regime fascista, o livro traz uma visão cruelmente verdadeira sobre um capítulo obscuro da história mundial, fartamente documentada, narrada com extrema perícia e reconhecida, em 2015, com o Prêmio Pulitzer de biografia.

>> Leia um trecho do livro

 

Mães que gostam de suspense: Pequenas grandes mentiras

Todos sabem, mas ainda não se elegeram os culpados. Enquanto o misterioso incidente se desdobra nas páginas de Pequenas grandes mentiras, acompanhamos a história de três mulheres, cada uma diante de sua encruzilhada particular. Best-seller do The New York Times, o livro foi adaptado para a TV pela HBO.

>> Saiba mais sobre Big Little Lies!

 

Mães empreendedoras: Sprint

Como inovar? Por onde começar? Como montar uma boa equipe? Que forma terá uma ideia quando for colocada em prática? Sprint serve para equipes de todos os tamanhos, de pequenas startups até os maiores conglomerados, e pode ser aplicado por qualquer um que tenha uma grande oportunidade, problema ou ideia e precise começar a trabalhar já.

>> Leia um trecho

 

Mães que gostam de thrillers: Quem era ela

É preciso responder a uma série de perguntas, passar por um criterioso processo de seleção e se comprometer a seguir inúmeras regras para morar no nº 1 da Folgate Street, uma casa linda e minimalista, obra-prima da arquitetura em Londres. Jane é incapaz de resistir aos encantos da casa, mas, pouco depois de se mudar, descobre a morte trágica da inquilina anterior. Há muitos segredos por trás daquelas paredes claras e imaculadas. Com tantas regras a cumprir, tantos fatos estranhos acontecendo ao seu redor e uma sensação constante de estar sendo observada, o que antes parecia um ambiente tranquilo na verdade se mostra ameaçador.

>> Leia um trecho

 

Mães independentes: livros de Elena Ferrante

Com narrativas poderosas, a misteriosa escritora italiana Elena Ferrante é uma das principais vozes femininas da atualidade. Em seus livros A filha perdida e Um amor incômodo, a autora explora questões sobre o que é ser mulher na sociedade do mundo moderno.              
>> Conheça os livros da autora