testeSegunda temporada de Mindhunter chega em 2019

Se você é como nós e adorou a série Mindhunter, da Netflix, vai gostar de saber algumas novidades sobre a segunda temporada.

Desde que a renovação da série foi anunciada em novembro do ano passado, a produção assinada pelo famoso diretor David Fincher (Garota Exemplar, Zodíaco, Clube da Luta) tem sido mantida em segredo. Ainda se sabe pouco sobre a data oficial de lançamento, mas há rumores de que as gravações tenham começado no final de abril e que a próxima temporada seja lançada em 2019.

Serão menos episódios – oito –, e a produção contará com três diretores: o próprio Fincher, responsável pelo primeiro e último episódios, Andrew Dominik (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford) e Carl Franklin (Por um Triz), à frente dos outros seis.

Existem muitas especulações sobre quais serão os casos apresentados. Tudo indica que um deles será Wayne Williams, conhecido como o assassino de crianças que aterrorizou o sul do estado da Geórgia, nos Estados Unidos, no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980.

Enquanto esperamos, que tal conhecer a história do agente do FBI que inspirou a série? Estamos falando John Douglas, o lendário investigador que revolucionou o serviço de inteligência dos Estados Unidos. Não ficção com elementos de thriller, Mindhunter: O primeiro caçador de serial killers americano narra as memórias do agente que conversou com os assassinos mais assustadores da história. Uma leitura imperdível para os fãs de investigação e ficção policial.

Não deixe de maratonar a primeira temporada e conhecer um pouco mais sobre as investigações na vida real!

 

testePodcast #2 – Mindhunter, Serial Killers e David Fincher

Na segunda edição do Podcast da Intrínseca, falamos sobre Mindhunter: O primeiro caçador de serial killers americano, livro de não-ficção lançado pela Intrínseca e que inspirou a série de David Fincher lançada pela Netflix. Ouça abaixo, ou no seu agregador de podcasts favorito!

Sumário: 
01:31 – Mindhunter, o livro: quem é John Douglas?

07:40 – Serial Killers: características em comum e exemplos.

18:00 – David Fincher: carreira e influências para a série de Mindhunter

Participantes: Bruno, Pedro e Josué

Edição: Manoel Magalhães

Assine o podcast!

 

testeMindhunter: em livro e na TV, a mente de um caçador de serial killers

Por Marco Barbosa*

Quase 40 anos se passaram, mas o caso dos assassinatos de crianças em Atlanta, acontecidos entre 1979 e 1981, ainda assombra o imaginário de muita gente nos Estados Unidos. Foram confirmadas 30 vítimas; 24 eram menores de idade, entre elas uma menina de 7 anos e três garotos de 9. Facadas, estrangulamentos, tiros. A série de crimes ganhou notoriedade internacional, motivou campanhas humanitárias e foi retratada em filmes de ficção e documentários. E também representou a primeira oportunidade de exposição pública para o agente especial John E. Douglas: o investigador que revolucionou o método de rastreamento e captura de assassinos seriais do Bureau Federal de Investigações, o FBI.

“Tudo começou silenciosamente um ano e meio antes, de maneira quase imperceptível. Antes de terminar — se é que realmente terminou —, essa perseguição se tornou a maior e possivelmente mais difundida da história dos Estados Unidos, politizando uma cidade inteira e polarizando todo o país, com cada etapa da investigação mergulhada em polêmica”, conta Douglas em Mindhunter: O primeiro caçador de serial killers americano, escrito em parceria com Mark Olshaker. No livro que inspirou a nova série da Netflix, Douglas emprega uma calculada mescla de suspense policial e realismo brutal (com uma ou outra lição fisgada de Truman Capote, Vincent Bugliosi e outros experts no gênero true crime), com um resultado inquietante.

Estudante medíocre, reservista da Força Aérea, bom nos esportes, a vida de Douglas começou a mudar em 1970, quando foi convencido a tentar uma vaga no FBI. Ele sempre teve um dom inato para, através de uma observação cuidadosa, prever atitudes e entender as motivações das pessoas. Ao aplicar essa capacidade sobre o que aprendeu na Unidade de Ciência Comportamental do FBI, já em meados da década de 1970, desenvolveu técnicas — praticamente — infalíveis para identificar suspeitos e determinar padrões de comportamento de criminosos.

 

Chamado para colaborar no caso das mortes em Atlanta, cravou: o criminoso é um jovem negro, dono de um pastor-alemão, provavelmente ex-policial ou segurança particular. Wayne B. Williams, negro, 21 anos, foi preso em junho de 1981. Ele era obcecado por procedimentos policiais e possuía um pastor-alemão. Não admitiu os crimes, mas foi condenado à prisão perpétua por conta do grande volume de provas contra ele, como testemunhas e fios de cabelo e fibras de tecido deixadas nas cenas dos crimes.

Não havia mágica nas deduções de Douglas. Havia método. Como o próprio descreve, em uma cena passada ainda no começo de sua carreira: “Havia algo inerente e profundo no psiquismo de um criminoso que o levava a fazer as coisas de determinada maneira. Mais tarde, quando comecei a estudar a mente e as motivações de assassinos em série, e depois, quando passei a analisar cenas de crimes à procura de pistas comportamentais, sempre procurava por aquele elemento isolado ou o conjunto de elementos que levavam o crime e o criminoso a se destacarem do resto, que representava aquilo que ele era.”

No posto de instrutor de Ciência Comportamental (que, na década de 1970, era uma disciplina desacreditada pelos investigadores veteranos), o agente resolveu encarar os criminosos cujos casos eram citados no material didático. “A maioria desses caras sobre quem discutíamos nas aulas ainda estavam vivos, e a maioria passaria o resto da vida na cadeia. A gente poderia ver se conseguia falar com eles; perguntar por que haviam cometido aqueles crimes, descobrir como havia sido a experiência através dos seus olhos. Poderíamos pelo menos tentar. Não importava se ia funcionar ou não.”

Funcionou. Douglas conversou com assassinos de políticos, maníacos sexuais e torturadores seriais — chegou mesmo a visitar Charles Manson, na prisão de segurança máxima Alcatraz, na Califórnia. Ao final da década, o agente já se tornara especialista em análises de perfis de criminosos a partir de evidências, organizando o conhecimento acumulado e suas experiências pessoais. “E, durante esse período, a análise criminal investigativa entrou na era moderna”, descreve ele, sem falsa modéstia. “O que tento fazer em cada caso é absorver todas as provas com as quais posso trabalhar, como os relatos de caso, as fotos e descrições da cena do crime, os depoimentos das vítimas ou protocolos da autópsia, e depois entrar de forma mental e emocional na cabeça do criminoso.”

Os crimes relatados em Mindhunter impressionam sobretudo porque, como costuma acontecer com assassinos em série, o criminoso pode ser um amigo, um parente, um vizinho… E, sem a capacidade de Douglas, nunca perceberíamos por conta própria.

 

Como o caso de Robert Hansen, um padeiro e caçador amador do Alasca que se cansou de atirar em ursos e passou a alvejar prostitutas (“Eram crimes de ódio. Ele se excitava ao ver suas vítimas implorando pela vida”). Ou do boa-praça George Russell Jr., sujeito popular e charmoso, e também culpado pelo espancamento e estrangulamento de três mulheres em menos de um ano (“Não era o tipo de pessoa que imaginaríamos cometendo esses assassinatos terríveis”). Em outras ocorrências, paciência e análises meticulosas — que poderiam se estender por anos — afinal levavam à captura do matador. Foi assim com o assassinato de Karla Brown, bela jovem de uma cidadezinha do estado americano de Illinois, cujo culpado só foi preso quatro anos depois.

Parece coisa de cinema? Não é, mas acabou se transformando. Douglas foi a inspiração para Jack Crawford, agente ficcional do FBI criado pelo escritor Thomas Harris para sua série de livros sobre o matador canibal Hannibal Lecter. Na tela grande, Crawford foi interpretado por Dennis Farina, em Manhunter, de 1987; Scott Glenn, no multipremiado O Silêncio dos Inocentes, de 1991; e por Harvey Keitel em Dragão Vermelho, de 2002.

Na TV, uma adaptação direta de Mindhunter estreou nesse mês de outubro na Netflix. No comando da série, alguém que, como Douglas, entende de serial killers: David Fincher, diretor de Seven – Os Sete Crimes Capitais e Zodíaco. O seriado condensa o universo sombrio do livro em uma narrativa bem amarrada, dividindo o protagonismo entre dois agentes: o novato Holden Ford (Jonathan Groff) e o veterano Bill Tench (Holt McCallany). A primeira temporada recria as jornadas que Douglas fez de prisão em prisão, entrevistando maníacos, e mostra a dupla de federais aplicando na prática as lições aprendidas. A reconstituição de época — a década de 1970 — e as ótimas performances tornam ainda mais palpáveis as investigações narradas por Douglas.

Leitura recomendada a fãs de seriados com C.S.I. e filmes de serial killers, Mindhunter também é indicado a qualquer apreciador de boa ficção policial. Com um acréscimo: os arrepios gerados pelas narrativas são mais agudos, por se tratar de histórias reais…  Douglas, que depois de se aposentar do FBI recomeçou a vida como consultor jurídico e investigativo, ainda se assusta com as próprias recordações.  Mas é preciso encará-las. “Como um homem desse poderia fazer algo tão terrível? Deve haver algum engano ou agravante. É isso que você dirá a si mesmo caso converse com alguns deles; não há como compreender inteiramente a enormidade dos crimes que eles cometeram (…) Se quiser compreender um artista, olhe para sua obra. É isso que sempre falo para o meu pessoal. Não há como afirmar que você compreende e aprecia Picasso sem estudar suas pinturas.”

>> Leia um trecho de Mindhunter

 

Marco Antonio Barbosa é jornalista desde 1996. Passou pelas redações de Jornal do BrasilExtraVeja Rio e Globo.com, escrevendo sobre cultura, mídia e comportamento. Hoje publica textos inéditos em https://medium.com/telhado-de-vidro.

testeDe Se7en e Clube da Luta a Garota Exemplar: conheça os 10 filmes de David Fincher

Por Marcelo Costa*

David Andrew Leo Fincher tem uma carreira invejável. Aos 21 anos trabalhou como assistente em Star Wars: O Retorno de Jedi (1983) e aos 22 estava nos bastidores de Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984). Em 1984 chamou a atenção da indústria com uma propaganda (para a American Cancer Society) em que um feto fumava um cigarro e até 1992 dirigiu algo em torno de 60 clipes para nomes como Madonna (“Vogue”, “Express Yourself”), Roy Orbison (“She’s a Mystery to Me”), Aerosmith (“Janie’s Got a Gun”), George Michael (“Freedom ‘90”), Paula Abdul (“Straight Up”) e Michael Jackson (“Who Is It”), entre outros. Em 1992 ele estreou como diretor de cinema com uma franquia internacional, e a experiência foi traumática.

“Ninguém odeia Alien3 mais do que eu. Até hoje”, contou David Fincher em entrevista ao jornal britânico The Guardian em 2009. Sua estreia na cadeira de diretor foi marcada por brigas sérias sobre orçamento e roteiro entre ele e sua produtora, e, ainda que Alien3 tenha sido um grande sucesso de bilheteria, arrecadando três vezes mais do que custou, a experiência ruim fez com que David Fincher voltasse aos filmes de publicidade e clipes. Em 1994 levou um Grammy pelo vídeo de “Love Is Strong”, que mostra os integrantes dos Rolling Stones em formato gigante andando em uma Nova York em preto e branco.

Daí em diante as coisas se renovaram na vida do cineasta. Ele lançou Se7en em 1995, e o estrondoso sucesso do filme (custou 22 milhões de dólares e arrecadou 327 milhões!) lhe concedeu a almejada independência artística. De lá para cá foram mais nove filmes com duas indicações ao Oscar de Melhor Diretor, um Grammy em vídeo musical (para a canção “Suit & Tie”, de Justin Timberlake e Jay-Z), um Globo de Ouro (Melhor Diretor por A Rede Social, de 2011) e um Emmy de Melhor Direção em Série Dramática, por House of Cards, em 2013. E um recorde pessoal de bilheteria com Garota Exemplar: 368 milhões de dólares.

No total, os 10 filmes de David Fincher custaram algo em torno de 650 milhões de dólares. O retorno em bilheteria foi três vezes mais do que isso: 2,1 bilhões de dólares. Essa segurança financeira aliada a seu cuidado com a produção e seu dom inegável para thrillers de suspense atiçam a ansiedade do espectador pela adaptação de Mindhunter: O primeiro caçador de serial killers americano, não ficção do ex-agente do FBI John Douglas que inspirou a nova série da Netflix dirigida por Fincher (no ar em 10 de outubro). Conheça um pouco mais sobre cada um dos filmes de David Fincher e se prepare para se colocar na posição do caçador: “Comportamento reflete personalidade”, avisa John Douglas.

 

Alien3 (1992)

 

Se há algo que Fincher possa ostentar em sua carreira é o fato de que nenhum de seus filmes deu prejuízo. Nenhum! Mesmo esta estreia problemática e traumática arrecadou 159 milhões de dólares enquanto o custo ficou na casa dos 50 milhões. Lucro é importante, mas não é tudo no cinema, e até hoje o diretor olha com ódio para Alien3, franquia que neste terceiro volume lança a tenente Ellen Ripley (Sigourney Weaver) em um planeta deserto habitado por antigos condenados da prisão de segurança máxima. “Todas as bases dos dois primeiros filmes são arremessadas pela janela devido a um roteiro terrível”, escreveu o crítico Brian McKay, que, no entanto, conclui: “Só vale assistir pela direção de David Fincher.”

 

Se7en — Os Sete Crimes Capitais (Se7en, 1995)

 

Traumatizado com o resultado artístico de Alien3, Fincher disse preferir “morrer de câncer a fazer outro filme”. Porém, quem recusaria um roteiro brilhante como o de Se7en? Para o diretor, a questão nem era o filme policial, mas o que ele chamou de “meditação sobre o mal”. Na trama, dois detetives (Brad Pitt e Morgan Freeman) estão à caça de um serial killer (Kevin Spacey) que usa os sete pecados capitais como mantra para seus assassinatos. Fincher trabalhou detalhadamente a luz, o som e a tipografia do filme, e o poderoso resultado final mexe com o espectador, tornando assustador o simples ato de abrir uma caixa. Um clássico moderno que foi indicado ao Oscar na categoria de Edição.

 

Vidas em Jogo (The Game, 1997)

 

Se7en provou (de um a sete) que havia química entre David Fincher e o gênero suspense, o que acabou movendo boa parte de sua carreira. Nesse terceiro filme, um banqueiro (Michael Douglas em grande atuação) recebe um presente misterioso: a participação em um jogo que se integra de maneira estranha com sua vida cotidiana. Entre reviravoltas, momentos cômicos e uma narrativa inteligente, Vidas em Jogo exibe um dilema moral caricato que só ganha força pelo conjunto de atuação e direção. Janet Maslin, do jornal The New York Times, escreveu que tanto Fincher quanto Douglas “mostram verdadeira delicadeza ao brincar com a paranoia dos nossos dias”. No Top 100 de momentos mais assustadores da história do cinema, uma cena de Vidas em Jogo ficou em 44º lugar.

 

Clube da Luta (Fight Club, 1999)

 

Segunda parceria de David Fincher com Brad Pitt, aqui auxiliado por grandes atuações de Edward Norton, Helena Bonham Carter e Jared Leto, Clube da Luta (adaptado do livro de Chuck Palahniuk) é um dos grandes filmes cults do cinema moderno (e um dos melhores filmes dos anos 1990). Fez sucesso mediano, talvez porque cada pessoa que assistiu ao filme tenha levado o mantra de Tyler Durden a sério: “A primeira regra do Clube da Luta é: você não fala sobre o Clube da Luta. A segunda regra do Clube da Luta é: você não fala sobre o Clube da Luta.” Talvez porque fosse violento demais (os extras do DVD, que foi um imenso sucesso de vendas, aprofundam essa discussão). Niilista, Clube da Luta critica o consumismo, satiriza a masculinidade, prevê a decadência da sociedade (que vivemos agora) e louva a melhor canção do Pixies. Mais aqui e aqui.

 

O Quarto do Pânico (Panic Room, 2002)

 

Na virada do século, muitas reportagens nos canais de TV americanos falavam do aumento das construções de quartos do pânico, algo como um cofre de segurança máxima para pessoas, visando protegê-las de assaltos, furacões ou mesmo atentados terroristas. Com esse mote, David Koepp escreveu um roteiro em que mãe (Jodie Foster) e filha (Kristen Stewart) estão presas num desses quartos, sendo que assaltantes querem arrombá-lo para chegar a um cofre. Para Fincher, O Quarto do Pânico reeditava a ideia do clássico O Tesouro da Sierra Madre (1948), em que o dinheiro era algo que atraía as pessoas “pelos motivos errados”. Suspense intenso, O Quarto do Pânico dividiu a crítica, mas foi um grande sucesso de bilheteria. 

 

Zodíaco (Zodiac, 2007)

 

Entre dezembro de 1968 e outubro de 1969, o Assassino do Zodíaco matou sete pessoas na região da baía de São Francisco, nos Estados Unidos. Além dos crimes, o Zodíaco enviava cartas ameaçadoras para a imprensa e a polícia, que nunca conseguiu solucionar o caso. David Fincher se interessou pela história porque vivia na região quando os assassinatos ocorreram e se lembrava de viaturas escoltarem seu ônibus escolar. Ele passou dois anos estudando o caso (por isso a janela de cinco anos entre O Quarto do Pânico e Zodíaco) baseado no livro de Robert Graysmith, e escalou Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo e Robert Downey Jr. para construir outro sucesso de bilheteria, que frustrou parte do público pelo final inconclusivo (inspirado no caso real), mas que continua sendo um bom quebra-cabeça de suspense.

 

O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008)

 

Demorou para que a Academia reconhecesse o trabalho de David Fincher. Fora uma ou outra indicação esporádica, seus filmes até então haviam passado batido pelo Oscar, até que sua sétima produção, inspirada num conto de 1921 de F. Scott Fitzgerald que contava a história de um bebê que nascia velho e rejuvenescia ao longo dos anos, arrebatou nada menos do que 13 indicações (levou três: Direção de Arte, Mixagem de Som e Efeitos Visuais). Com Brad Pitt estrelando e Eric Roth (de Forrest Gump) escrevendo, os dois também indicados, Fincher entrou para a seleta lista dos grandes diretores indicados ao Oscar (perdeu para Danny Boyle, por Quem Quer Ser Um Milionário) com um filme bonito, delicado e impecável (e sem nenhum suspense) que arrecadou mais de 330 milhões de dólares.

 

A Rede Social (The Social Network, 2010)

 

Com a porteira aberta por Benjamin Button, Fincher agarrou o roteiro de um livro (Bilionários por acaso, de Ben Mezrich, lançado pela Intrínseca), que contava a história de um jovem programador de softwares que estudava em Harvard e criou um império na internet, o Facebook. A Rede Social é um filme vertiginoso, empolgante e inteligente que recebeu 8 indicações ao Oscar (novamente ganhou três: Roteiro Adaptado, Trilha Sonora e Edição), incluindo melhor diretor (desta vez a estatueta ficou com Tom Hooper, por O Discurso do Rei). O sucesso foi enorme: custo de 40 milhões de dólares e bilheteria batendo nos 220 milhões. A Rede Social foi ainda o filme do ano para críticos das revistas Rolling Stone e The New Yorker e dos jornais The New York Times, The Washington Post e The Telegraph.

 

Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo, 2011)

 

O nono filme de David Fincher se ancorou no primeiro volume dos best-sellers de Stieg Larsson (1954-2004), que já havia ganhado uma adaptação sueca, por Niels Arden Oplev, em 2009, mas ressurgiu muito mais impactante. A linha do roteiro dos dois filmes é bem parecida, mas Fincher saltou à frente acrescentando violência (um tema que ele domina) e visceralidade. De bônus, Rooney Mara foi responsável por uma interpretação poderosa que a levou a uma indicação ao Oscar (no total, o filme concorreu a cinco estatuetas, levando para casa a de Edição). Pela terceira vez consecutiva, um filme de David Fincher ultrapassou a marca dos 200 milhões de dólares de bilheteria. Não é pouca coisa, não.

 

Garota Exemplar (Gone Girl, 2014)

 

Após adaptar histórias de Stieg Larsson, Ben Mezrich, F. Scott Fitzgerald, Robert Graysmith e Chuck Palahniuk, pela primeira vez David Fincher utiliza a obra de uma mulher, Gillian Flynn, que não só cedeu os direitos de seu livro Garota exemplar (também lançado no Brasil pela Intrínseca) para o diretor, como assinou o roteiro desta brilhante adaptação. Na trama, Ben Affleck encarna um autêntico machista enquanto Rosamund Pike (merecidamente indicada ao Oscar) é a adorável garotinha mimada pelo pai. O casal vive problemas no casamento até que a esposa desaparece, situação que permitiu a David Fincher conduzir com maestria a arte que melhor domina: o thriller de suspense. Tenso, crítico ao sensacionalismo barato da imprensa e com final apoteótico, Garota Exemplar bateu o recorde de bilheteria do diretor: 368 milhões de dólares, com um custo de 61 milhões. Investimento sem riscos? David Fincher é o nome.

 

Marcelo Costa é editor do site Scream & Yell, um dos principais veículos independentes de cultura pop do país. Já passou pelas redações do jornal Notícias Populares, e dos portais Zip.NetUOLTerra e iG, além de ter colaborado com as revistas Billboard BrasilRolling Stone e GQ Brasil, entre outras. Participou da Academia do VMB MTV, do júri do Prêmio Multishow e do júri do Prêmio Bravo. Desde 2012 integra a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

testeComo funciona a mente dos serial killers

Intrínseca publica Mindhunter: o primeiro caçador de serial killers americano, livro que inspirou a nova série da Netflix

 

A partir de 29 de setembro, chega às livrarias Mindhunter: o primeiro caçador de serial killers americano, livro que inspirou a nova série da Netflix. A atração, cuja primeira temporada estreia em 13 de outubro, é dirigida por David Fincher, que atuou em produções como House of Cards, Garota Exemplar, Clube da Luta, Millennium e A Rede Social.

Durante os 25 anos em que trabalhou na Unidade de Apoio Investigativo do FBI, o agente especial John Douglas tornou-se uma figura lendária. Em uma época em que a expressão serial killer, assassino em série, nem existia, Douglas foi um oficial exemplar na aplicação da lei e na perseguição aos mais conhecidos e sádicos assassinos de nosso tempo. Como Jack Crawford em O Silêncio dos Inocentes, Douglas confrontou, entrevistou e estudou dezenas de serial killers e assassinos, incluindo Charles Manson, Ted Bundy e Ed Gein, que chegou a se vestir com a pele das pessoas que matava.

Com uma habilidade fantástica de se colocar no lugar tanto da vítima quando no do criminoso, Douglas analisa cada cena de crime, revivendo as ações de um e de outro, definindo seus perfis, descrevendo seus hábitos e, sobretudo, prevendo seus próximos passos.

Com a força de um thriller, ainda que terrivelmente verdadeiro, Mindhunter é um fascinante relato da vida de um agente especial do FBI e da mente dos mais perturbados assassinos em série que ele perseguiu.

 

testeMulheres atraídas pela morte

Por Vanessa Corrêa*

Rosamund Pike e Ben Affleck em cena de Garota exemplar

O que você seria capaz de fazer para morar em uma casa perfeita?

Jane estava disposta a fazer uma série de mudanças na vida para se tornar a moradora da casa de número 1 da Folgate Street, em Londres. Ela abriu mão de ter animais de estimação, de deixar a louça do jantar na pia para ser lavada no dia seguinte ou de espalhar suas coisas pela casa. Aceitou se submeter a testes psicológicos e ter seus hábitos e sua saúde monitorados. Confiou em um sofisticado sistema de tecnologia capaz de sugerir o melhor momento para acordar ou a melhor seleção musical para ouvir.

Para Jane, todas as regras valiam a pena, pois em troca lhe foi concedido o privilégio de viver em um lugar considerado um ícone da arquitetura moderna, a tradução máxima do conceito de minimalismo. Ela só não conseguiu ignorar a misteriosa morte da inquilina que ocupou o endereço antes dela.

Desaparecimentos e assassinatos estão no centro da trama da maioria dos best-sellers de suspense, mas é o papel de destaque dado às mulheres na história que mais aproxima Quem era ela, de JP Delaney, de alguns dos sucessos mais recentes do gênero no Brasil. Assim como Rachel, a protagonista de A garota no trem, de Paula Hawkins, Jane decide investigar por conta própria a morte de outra mulher. Ambas têm em comum também o fato de estarem passando por momentos difíceis em suas vidas: enquanto Rachel luta para superar o fim de um relacionamento amoroso e o alcoolismo, Jane se esforça para seguir em frente após dar à luz um bebê morto.

Emily Blunt em A Garota no Trem

O clima intenso de suspense e a sensação de que ninguém é quem parece ser também levaram leitores a comparar o livro de JP Delaney com o best-seller de Gillian Flynn, Garota exemplar. Emma, que divide com Jane o posto de protagonista de Quem era ela, tem muito em comum com Amy, a antiheroína de Flynn. Ambas são capazes de usar a beleza para conseguir o que querem e se envolvem em relacionamentos marcados pela obsessão.

Com personagens femininos tão complexos, era de se esperar que Quem era ela tivesse sido escrito por uma mulher, como é o caso de Garota exemplar e A garota no trem. Mas, na verdade, a história surgiu da imaginação do autor britânico Tony Strong, que em entrevista ao jornal The New York Times declarou se sentir “realmente agradecido” que muitos leitores — incluindo esta jornalista — acreditaram, pelo modo como a história foi escrita pela perspectiva de duas mulheres, que se tratava da obra de uma autora.

Tramas cheias de reviravoltas com personagens que fazem o leitor desconfiar de suas intenções a cada momento são ideais para serem levadas às telas de cinema. Dirigido por David Fincher, Garota Exemplar arrecadou quase US$ 370 milhões e rendeu à protagonista Rosamund Pike uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 2015. A Garota No Trem, que foi dirigido por Tate Taylor e estrelado por Emily Blunt, não recebeu os mesmos elogios da crítica cinematográfica, mas também teve bom desempenho nas bilheterias.

Os direitos de Quem era ela foram comprados pelo estúdio Universal e o filme baseado no thriller de JP Delaney deve ser dirigido por Ron Howard, conhecido por sucessos como Uma Mente Brilhante e O Código Da Vinci. Ainda não se sabe o elenco, mas uma coisa é certa: os ambientes minimalistas da casa número 1 da Folgate Street terão tanto destaque quanto os personagens da história.

 

Vanessa Corrêa é jornalista, já trabalhou na Folha de S.Paulo e no portal UOL e é apaixonada por livros, cinema e fotografia.

testeOs lugares escuros de Gillian Flynn ou Não apague a luz

Por Bruno Capelas*

gillian

Quando Libby Day tinha sete anos, um massacre arrasou sua família. Com requintes de crueldade e toques de satanismo, sua mãe, Patty, e as duas irmãs mais novas, Debby e Michelle, foram assassinadas. O irmão mais velho da garota, Benjamin Day, foi acusado pelo crime. Única sobrevivente daquela noite de 1985 além dele, Libby tinha tudo para se tornar uma menina (e mulher) indefesa, superprotegida pelo mundo. Mas ao conhecermos a protagonista de Lugares escuros, segundo romance de Gillian Flynn, nos deparamos com um cenário bem diferente.

Na abertura do livro (e também do filme homônimo, que estreou na última semana nos cinemas brasileiros), Libby tem mais de 30 anos, não trabalha nem demonstra propensão para qualquer profissão. Rebelde, vive às custas de um fundo de doações que recebeu após o crime parar nas páginas dos jornais. Mas seu tempo está acabando: depois de mais de duas décadas, seus recursos estão chegando ao fim e ela precisa arranjar dinheiro. É nesse ponto que a trama de Flynn — sempre cheia de reviravoltas — começa a se desenrolar. Em vez de procurar um emprego, Libby aceita se envolver (e até extorquir) com um grupo de aficionados por crimes que quer entender melhor o passado de sua família.

CAPA_LugaresEscuros_MAIN (2)Mesmo antes dos assassinatos a família Day já era protagonista de uma grande tragédia. É o que Gillian Flynn deixa claro ao estruturar o romance, dividindo os capítulos entre o presente de Libby Day e o ponto de vista da mãe e do irmão nos momentos que antecederam o crime. Com obsessão pelos detalhes, a autora conta sobre a infância pobre de Libby, seu pai ausente e explorador e as brigas entre a mãe e o irmão mais velho da garota, além da devoção do rapaz por bandas de black metal e o namoro quase doentio com uma garota rica e mais velha. A força dos detalhes nas relações pessoais afirmam a todo momento que, às vezes, crimes hediondos se constroem não apenas com armas e sangue, mas também com palavras e falta de afeto. Mais do que isso, mostra como todos nós temos lugares escuros em nossa memória.

 

As marcas de Gillian Flynn

Em livro ou na telona, Lugares escuros tem tudo para agradar não só a quem já leu os outros livros da autora (Garota exemplar e Objetos cortantes) como também aos iniciantes em sua obra. Gillian Flynn — que começou a carreira como jornalista da Entertainment Weekly, uma das mais importantes revistas de cultura dos Estados Unidos — dispõe de três ingredientes interessantes: tramas carregadas de suspense, o tempo e as relações pessoais como condutores da narrativa e a presença de personagens femininas marcantes.

O suspense talvez seja a característica mais evidente da obra de Flynn: em Garota exemplar, o foco está no desaparecimento (sequestro?) de Amy Dunne, enquanto em Objetos cortantes, a trama gira em torno da jornalista Camille Preaker, que se vê obrigada a voltar a sua cidade natal para investigar um suposto serial killer. Mas, ao contrário do que costuma acontecer na maioria dos romances policiais, os crimes nem sempre são as questões mais terríveis. Em Garota exemplar, por exemplo, o casamento de Amy com o jornalista Nick Dunne é tão suspeito quanto o próprio sumiço da protagonista. Já Camille Preaker tem que lidar não só com a busca pelo assassino de duas garotas, mas também com o reencontro com sua mãe arrogante, exigente e ardilosa.

link-externoLeia também: Desconstruindo Amy

Rosamund Pike e Ben Affleck em cena de “Garota exemplar”

Rosamund Pike e Ben Affleck em cena de “Garota exemplar”

Boa literatura de suspense escrita por mulheres não é novidade (um abraço, Agatha Christie!), mas é raro ver protagonistas (e antagonistas) mulheres tão bem-construídas como as de Gillian Flynn. Em seus três livros, podemos ver homens costumeiramente relegados ao segundo plano — é o que acontece com Benjamin Day em Lugares escuros e com o padrasto de Camille Preaker em Objetos cortantes.

Com perspicácia, a escritora não deixa suas personagens femininas se transformarem em donzelas em perigo ou em damas imersas em martírios pessoais. Cheias de ambivalências, elas são praticamente anti-heroínas — Camille Preaker gosta de retalhar o próprio corpo e Amy Dunne cultiva uma relação repleta de mentiras. Já Libby Day é cleptomaníaca — algo que, quando descrito pela própria personagem, ganha um tom trivial e até mesmo irônico.

Essas características, somadas aos trunfos de Flynn — como a ambientação de suas histórias em cidades aparentemente pacatas do interior dos Estados Unidos e a riqueza de descrições psicológicas —, fazem de seus romances ótimos objetos para adaptações cinematográficas. Foi o que aconteceu com Garota exemplar (dirigido por David Fincher, de Seven – Os sete crimes capitais e Clube da luta), e com o recente Lugares escuros, dirigido pelo francês Gilles Paquet-Brenner (de A chave de Sarah).

Charlize Theron em "Lugares escuros"

Charlize Theron em “Lugares escuros”

Enxugando a obsessão da autora pelos detalhes sem perder a profundidade da trama, o filme se mostra uma rara adaptação no cinema contemporâneo, buscando ser bastante fiel à obra em que é baseado. Junto ao ótimo trio de atuações — Christina Hendricks (Patty Day, a mãe de Libby), Nicholas Hoult (Lyle Wirth, do grupo de aficionados por crimes) e Charlize Theron (a Libby do presente) — Paquet-Brenner leva o romance de Flynn para outro lugar, fazendo-o ganhar ritmo e dramaticidade.

Para quem se acostumou a ver Christina Hendricks como a independente Joan Harris em Mad Men, a atriz surpreende ao aparecer como a frágil mãe da história. Nicholas Hoult, por sua vez, tem o tom perfeito para o pálido e esquisito Lyle, com direito a todas as manias que um fã de serial killers deve ter. Charlize Theron está ainda mais crua e propensa a ações intempestivas que em seu último filme, Mad Max, e foi a escolha certa para o papel de protagonista de Lugares escuros: uma mulher chocante, sempre à beira de um ataque de nervos. Na penumbra do quarto, ao ler antes de dormir, ou no escurinho do cinema, as histórias de Gillian Flynn têm tudo para deixá-lo ligado por dias. Só tome cuidado ao apagar a luz.

link-externoLeia também: Em defesa das vilãs

link-externoLeia também: Sonhamos com Hollywood quando a vida, na verdade, é Galveston 
Bruno Capelas é repórter do IGN Brasil, a versão brasileira do maior site de games do mundo. Formado em jornalismo pela USP, já foi repórter do portal iG e do Link, a editoria de tecnologia do jornal O Estado de S. Paulo. Além disso, edita o blog Pergunte ao Pop e colabora desde 2010 com o Scream & Yell, um dos principais veículos independentes de cultura pop do país.

testeNovas imagens de Garota Exemplar

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A revista Empire e o blog The Playlist revelaram imagens inéditas do filme Garota Exemplar. Além dos protagonistas Amy e Nick Dune, interpretados por Rosamund Pike e Ben Affleck, as imagens mostram Tyler Perry como Tanner Bolt e Neil Patrick Harris como Desi Collins. Há também uma imagem de bastidores em que David Fincher dirige Rosamunde Pike para que ela pareça um cadáver boiando.

Antes de estrear no Brasil em 2 de outubro, o filme será exibido no Festival do Cinema de Nova York em 26 de setembro.

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testeEDIÇÃO ESPECIAL DE GAROTA EXEMPLAR

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Antes de chegar aos cinemas, Garota exemplar, o livro que consagrou Gillian Flynn como uma das mais aclamadas autoras de suspense da atualidade, retorna às livrarias dia 11 de setembro em edição limitada com capa inspirada no pôster do filme. A superprodução da Twentieth Century Fox é dirigida por David Fincher, com Ben Affleck e Rosamund Pike no papel do casal portagonista. O roteiro é assinado pela própria Gillian Flynn.

Na manhã do quinto aniversário de casamento, Amy desaparece da nova casa, às margens do Rio Mississippi. Tudo indica se tratar de um sequestro, e Nick imediatamente chama a polícia, mas logo as suspeitas recaem sobre ele. Exibindo uma estranha calma e contando uma história bem diferente da relatada por Amy em seu diário, Nick parece cada dia mais culpado, embora continue a alegar inocência. À medida que as revelações sobre o caso se desenrolam, porém, fica claro que a verdade não é o forte do casal.

O filme estreia nos cinemas brasileiros dia 2 de outubro. Assista ao trailer:

testeUM TRAILER EXEMPLAR

A música passa o recado:

She may be the beauty or the beast, may be the famine or the feast, may turn each day into a heaven or a hell (…) (Ela pode ser a bela ou a fera, pode ser a fome ou o banquete, pode transformar cada dia em um paraíso ou em um inferno).

E, nesse ritmo, David Fincher apresenta o trailer da adaptação cinematográfica de Garota Exemplar, de Gillian Flynn, que conta a história do desaparecimento de Amy na manhã do quinto aniversário de casamento dela com Nick, o principal suspeito pelo sumiço da esposa. Para quem leu o livro, o preview traz detalhes da narrativa como os que destacamos abaixo.

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Visite também o site do filme: http://goo.gl/3zQ9x0. Garota Exemplar estreia em 3 de outubro nos Estados Unidos.