testeOs diários da crise anunciada

Em seu novo livro, Míriam Leitão analisa a situação econômica do país

Para Míriam Leitão, a crise poderia ter sido evitada. A jornalista, que faz análises econômicas diariamente sobre o país, vinha alertando sobre as decisões do governo em suas colunas publicadas em O Globo nos últimos seis anos. Em seus textos, Míriam anunciava os riscos que o país estava correndo.

Agora os leitores poderão conferir esse material em A verdade é teimosa: diários da crise que adiou o futuro, livro que chega às livrarias a partir de 10 de fevereiro. Com uma criteriosa seleção de mais de cem colunas, a obra aborda temas como descontrole fiscal, inflação, crise política, a concessão da licença da hidrelétrica de Belo Monte, entre outros fatos que explicam como o país chegou à situação atual.  

Em entrevista ao blog, Míriam Leitão conta por que resolveu reunir o material e como, apesar da crise econômica, ainda devemos ter confiança no futuro. Leia:

Intrínseca: Você analisa diariamente as notícias sobre a economia do país em diferentes mídias. Por que você decidiu reunir as colunas em A verdade é teimosa? Qual foi o critério de seleção desse material?

Míriam: Fazer coluna diária é um trabalho desafiador. Quem escreve tem que ir além do noticiário. É preciso analisar, antecipar as tendências, dar a dimensão dos eventos. Essa é a pior crise da história recente do Brasil e, na coluna, eu fiz muitos alertas sobre os riscos que o país estava correndo. A ideia do livro nasceu de uma conversa minha com Luciana Villas Boas sobre as lições que essa crise traz. Ela poderia ter sido evitada e podemos prevenir outros erros como os que foram cometidos. O critério para tirar 118 colunas das 1.800 analisadas foi exatamente traçar um diário da crise.

Intrínseca: Qual foi o momento que você percebeu a dimensão da crise econômica do país? E por que você acredita que é importante voltar ao passado nesse livro?

Míriam: Em vários momentos. Em 2010 eu escrevi que o governo estava começando a fazer truques contábeis. Ao longo dos anos seguintes mostrei os riscos de alta da inflação, crise de energia, e descontrole fiscal. No começo de 2015, eu escrevi: “Vai ser longo o inverno”, falando da recessão. Estava começando. E ela já foi, até agora, um dos mais longos períodos recessivos da história econômica.

Intrínseca: Como a leitura de A verdade é teimosa  pode compreender melhor a realidade do país?

Míriam: O importante de um livro é ser relevante para o leitor. Por isso minha preocupação é que quem leia tenha uma visão mais ampla da sucessão recente dos eventos. O Brasil tem uma história muito intensa, e por isso é preciso às vezes parar e refletir um pouco. Meu sonho é que o livro seja esse momento de parar e entender como foi que entramos nesse momento tão difícil.

Intrínseca:  Na obra, você diz que “o pior da crise é adiar o futuro”. Você acredita que ainda é possível ter esperança nas análises apresentadas em História do futuro?

Míriam: Claro que sim. Por mais duro que seja este momento, o futuro não foi revogado. Foi adiado apenas. Podemos influenciar nele, podemos explorar melhor todas as nossas chances, podemos evitar novos atrasos. Minha obsessão nos últimos anos tem sido pensar o futuro, o mapa do caminho para realizar nosso projeto do país. Foi isso que fiz em História do futuro, e foi o que de novo fiz em A verdade é teimosa.

 

Eventos de lançamentos de A verdade é teimosa

Rio de Janeiro

Data: 15/02/2017 (quarta-feira)
Horário: 20h
Local: Livraria da Travessa Leblon
Míriam Leitão participa de um bate-papo com a jornalista Carolina Morand, editora assistente de país de O Globo, antes da sessão de autógrafos, às 19h. 
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São Paulo

Data: 22/02/2017
Horário: 19h
Local: Livraria Saraiva Higienópolis
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Curitiba
Data: 10/03/2017
Horário: 19h30
Local: Livrarias Curitiba ParkShopping Barigui 
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testeLançamentos de fevereiro

Confira as sinopses e trechos dos livros que publicaremos neste mês:

Paris para um e outros contos, de Jojo MoyesCom mais de 20 milhões de livros vendidos em todo o mundo, Jojo Moyes se consagrou autora de grandes romances. Paris para um e outros contos apresenta um novo lado da criadora de Como eu era antes de você com dez histórias divertidas e apaixonantes.

No conto que dá título ao livro, a jovem Nell planeja um final de semana romântico em Paris com o namorado e fica sabendo, já na estação, que ele desistiu de acompanhá-la. Sozinha em um país estrangeiro, Nell descobre uma nova versão de si mesma, independente e corajosa. Já em “Lua de mel em Paris”, que fecha a coletânea, Jojo Moyes brinda os leitores com um reencontro com as personagens do best-seller A garota que você deixou para trás, Liv e Sophie, que, separadas por algumas décadas, acreditam que o casamento é apenas o início de suas histórias de amor. [Leia +] [Leia um trecho]

A viúva, de Fiona BartonUm marido amoroso ou um assassino cruel? Em seu celebrado romance de estreia, a jornalista Fiona Barton reconstrói um crime imperdoável por meio de três perspectivas diferentes (a viúva do suspeito, o detetive que lidera a investigação e a jornalista que cobre o caso) ao mesmo tempo em que faz uma análise impiedosa de um relacionamento complexo.

Na trama, Jean Taylor deixou de contar, ao longo dos anos, muitas coisas sobre o terrível crime que o marido era suspeito de ter cometido. No entanto, após um acidente cheio de enigmas, o marido está morto, e Jean não precisa mais representar o papel de esposa perfeita.

Leitura indicada para quem gosta de thrillers como Garota exemplar, de Gillian Flynn. [Leia +] [Leia um trecho]

Pequenas grandes mentiras — edição especial com capa inspirada na série, de Liane MoriartyA história de três mulheres, cada uma diante de sua encruzilhada particular, chegará às livrarias em uma edição especial com capa inspirada no cartaz da nova série da HBO: Big Little Lies.

A adaptação do romance de Liane Moriarty tem estreia na TV marcada para 19 de fevereiro e conta com a produção de Reese Witherspoon e Nicole Kidman que, com Shailene Woodley, também interpretam as protagonistas. A direção é de Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas e Livre). [Leia +] 

A verdade é teimosa: diários da crise que adiou o futuro, de Míriam Leitão Com 25 anos de colunismo diário em O GloboMíriam Leitão está acostumada a ver além dos acontecimentos. Para a jornalista, a crise pela qual o Brasil passa hoje já estava anunciada havia muito tempo, pois o governo fechou os ouvidos a todos os alertas e a todas as críticas, enquanto fazia escolhas desastrosas.

Em seu novo livro, A verdade é teimosa, Míriam apresenta 118 textos produzidos desde 2010, quando falar em crise econômica parecia um verdadeiro atrevimento, até novembro de 2016, quando o governo Temer atravessava momentos de grande instabilidade política. Com uma linguagem clara, a obra examina os antecedentes que levaram à recessão, à desordem fiscal e à inflação, bem como aos momentos mais agudos da crise em si. [Leia +] 

Matéria escura, de Blake Crouch Você é feliz com a vida que tem? Essas são as últimas palavras que Jason Dessen ouve antes de acordar num laboratório, preso a uma maca. Neste novo mundo, ele leva outra vida. Sua esposa não é sua esposa, seu filho nunca nasceu e, em vez de professor numa universidade mediana, ele é um gênio da física quântica que conseguiu um feito inimaginável. Algo impossível. Será que este é mesmo seu mundo, e o outro é apenas um sonho? E, se esta não for a vida que ele sempre levou, como voltar para sua família e tudo que ele conhece por realidade?

Com ritmo veloz e muita ação, Matéria escura é uma criação de Blake Crouch, também autor da trilogia Wayward Pines, que deu origem à série de TV exibida pela FOX.  [Leia +] [Leia um trecho]

Às urnas, cidadãos!, de Thomas PikettyAutor do impactante O capital no século XXI, Piketty revolucionou para sempre o pensamento econômico contemporâneo. Nas mais de cinquenta crônicas que compõem Às urnas, cidadãos!, ele analisa de modo incisivo assuntos de extrema relevância para a economia mundial, como as dívidas nacionais, a redistribuição de recursos e a fragmentação do bloco europeu.

Diante de países que pouco se importam com seus vizinhos, qual seria a solução? Para responder a essa e a outras perguntas, Piketty critica os egoísmos nacionais, lança um amplo olhar sobre a economia global e acompanha a escalada da desigualdade além da Europa, ao discutir a situação de Estados Unidos, África do Sul, Brasil, Índia, Oriente Médio e China. [Leia +] 

Eu e você no fim do mundo, de Siobhan VivianEnquanto alguns se preocupam com o presente, fazem planos para o futuro e passam os dias empacotando suas coisas para mudar de cidade, Keeley e seus colegas do ensino médio decidem aproveitar ao máximo o tempo que ainda têm juntos em Aberdeen. Para ela, é o momento perfeito para tomar coragem e se declarar para o garoto que sempre amou, Jesse Ford.

A vida de Keeley está prestes a virar de cabeça para baixo, e a sensação de que não há nada a perder é perfeita para dar a ela a coragem de fazer o que normalmente não faria. Ou falar o que não falaria. E o risco quase sempre vale a recompensa. Quase sempre. [Leia +] [Leia um trecho]

testePor que borboleta-azul?

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Esta é a primeira de uma série de colunas sobre Como matar a borboleta-azul. O livro trata da era Dilma, mas não consigo referir-me a ele de outra forma. Para mim, trata-se da borboleta, a linda borboleta-azul, que não resistiu à pesada interferência humana no frágil e complexo ecossistema do sul da Inglaterra.

Na década de 1970, os coelhos infestavam as plantações do país europeu e os homens resolveram matá-los — não todos, mas alguns. A população dos animais caiu, a grama que os bichinhos mantinham baixa cresceu. Na grama baixa vivia uma formiga especial, responsável por carregar os ovos da borboleta-azul para os formigueiros e cuidar das larvas até que se tornassem adultas. Com a relva alta, as formigas especiais foram sumindo. Com elas, foi-se a proteção, até que um dia não havia mais borboletas.

Os homens não queriam matar o belo inseto, mas acabaram por fazê-lo ao insistir em controlar os coelhos. Da mesma forma, Dilma não queria matar o crescimento da economia brasileira, mas acabou por fazê-lo ao adotar medidas que desarrumaram o país.

O governo Dilma foi marcado por tentativas e mais tentativas, espécie de hiperatividade econômica, cujo objetivo era manter a economia aquecida, os empregos abundantes e a renda em alta. A cada nova interferência, eu pensava na borboleta-azul. Cheguei a usá-la como metáfora num artigo escrito em 2012 que tratava do aumento de impostos sobre produtos importados que o governo anunciara na ocasião.

Quando vi a lista de produtos, fiquei impactada com o grau de detalhamento, a ingerência levada às últimas consequências, o micróbio da pulga da orelha do coelho. Espironolactona. Na lista do governo havia Espironolactona. Evidentemente, eu não sabia o que era a substância nem o motivo pelo qual o governo deveria taxá-la. Hoje sei que se trata de um diurético. Continuo sem entender, contudo, por que o governo Dilma, com tantos problemas para resolver, achou que devia dar atenção especial ao produto.

O que sei é que a forma como Dilma atuou para ajudar o Brasil a seu modo levou à destruição de outro ecossistema frágil e complexo: a economia brasileira. É esse mistério que o livro procura desvendar em bom português, fugindo do insondável economês. Torço para que leitores e leitoras o considerem útil para a compreensão da tragédia brasileira.

testeA crise da OSB e a incompetência da elite política do país

Muitos amigos meus têm dificuldade de reconhecer que a crise moral, ética, política e econômica no Brasil é fruto da incompetência da elite política do país. A enrascada em que nos metemos foi um veneno para dois setores sensíveis: educação e cultura. Recentemente, foram divulgados os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, e os resultados foram decepcionantes. Na área cultural, o quadro não está diferente.

No Rio de Janeiro a crise atingiu em cheio a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Com um rombo de R$ 15,5 milhões, os músicos não recebem em dia e o pagamento de seus planos de saúde também está atrasado. A fundação mantenedora da OSB chegou a pensar em cancelar a parte final da temporada de 2016, mas, após votação, decidiu-se por seguir mantendo parcialmente a agenda. Alguns concertos no Theatro Municipal, por exemplo os destinados a estudantes da rede pública, foram cancelados por falta de recursos para o aluguel do teatro.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, se prontificou a dar uma ajuda de R$ 2,5 milhões e a interferir junto ao BNDES. É bom lembrar que se trata de uma ajuda que não resolve o problema.

Quem já leu o livro Os Guinle sabe que os problemas de custeio da OSB são antigos. Quem ainda não leu, terá a chance de conhecer a luta de Carlos e Arnaldo Guinle em prol dos músicos populares e eruditos brasileiros. Os dois irmãos sempre se preocuparam em criar um ambiente favorável ao desenvolvimento musical no Brasil. E, independentemente da crise, hoje o país carece de empresários com esse tipo de preocupação.