testeO renascimento do LSD: a droga dos hippies agora também pode mudar a sua vida

Por João Lourenço*

(Fonte)

 

Antes mesmo de ser lançado, o novo livro de Michael Pollan causou burburinho entre os fãs do escritor. Queridinho dos americanos em busca de uma vida mais saudável, Pollan fez uso de LSD e outras drogas para escrever Como mudar a sua mente: O que a nova ciência das substâncias psicodélicas pode nos ensinar sobre consciência, morte, vícios, depressão e transcendência

O livro levou quase 10 anos para ser finalizado — um tempo longo que reflete muito as incertezas do autor em relação ao tema. Tudo começou em 2010 quando Pollan se deparou com uma manchete curiosa na primeira página do The New York Times: “Alucinógenos voltam a ganhar a atenção dos médicos.” A reportagem informava que, em algumas universidades americanas, médicos começavam a prescrever grandes doses de drogas alucinógenas para pacientes em estado terminal. O uso das substâncias tinha como objetivo aliviar o medo e o estresse diante da morte.

Os médicos concluíram que o LSD altera a parte do cérebro responsável pela região do ego, aquela em que reside autoreflexão e preocupações. A ressonância magnética mostra que, sob a influência de psicodélicos, esse controle do ego entra em modo off-line, permitindo que o cérebro dê espaço para conexões e percepções mais desinibidas. Ou seja: os pacientes conseguem quebrar padrões repetitivos e hábitos negativos. Assim, é possível abraçar uma perspectiva mais positiva. Quanto mais intensa é a viagem, mais duradouros são os benefícios.  

Na imagem: Cérebro com e sem LSD (Fonte)

 

Tempos depois, durante um jantar na casa de amigos, Pollan ouviu o relato de uma pesquisadora e psicóloga que tinha experimentado o LSD. Ele ficou intrigado e decidiu pesquisar sobre o assunto. Além de tratar pacientes com câncer, Pollan descobriu que doses de LSD e psilocibina (substância encontrada em cogumelos) também estavam sendo usadas para ajudar a diminuir e curar problemas como vício, depressão e ansiedade. Foi aí que ele resolveu escrever sobre o tema. 

Para os não iniciados no “culto” Pollan, vale lembrar que o jornalista ficou conhecido nos Estados Unidos como o garoto-propaganda da alimentação saudável, da meditação e da atividade física. Ele é autor de vários best-sellers, como O dilema do onívoro, obra que ajudou toda uma geração a repensar o consumo de alimentos ultraprocessados. Além de lançar livros de sucesso e de toda sua prodigiosa carreira como jornalista, Pollan estrela Cooked, série documental da Netflix inspirada em sua obra Cozinhar, em que traça a história sociocultural da alimentação humana, tendo por base a ligação entre a comida e os quatro elementos naturais: fogo, ar, água e terra.

Mesmo sendo uma das figuras mais populares e carismáticas dos Estados Unidos, Pollan não escapou da polêmica. Muitos questionaram a decisão do jornalista em gastar parte do adiantamento que recebeu pela nova obra para embarcar em “trips” de LSD — uma das drogas mais controversas (e icônicas) da história ocidental. Em Como mudar a sua mente, Pollan conta a história da substância no Ocidente e acompanha de perto as experiências de alguns pacientes tratados com ela. 

No livro, o autor defende que o LSD não deve ser associado apenas à cultura hippie. Para ele, a importância histórica da droga vai muito além do “verão do amor”. Músicos, escritores e artistas plásticos criaram obras fundamentais movidos por drogas psicodélicas como o LSD — substância alucinógena que tem o efeito de “abrir a mente”, expandir a consciência. E foi com essa nova consciência que a geração Paz e Amor acordou para questões importantes como direitos civis, feminismo, racismo etc. Esse despertar, claro, não agradou os governos, e países como Estados Unidos e Inglaterra investiram em grandes campanhas públicas contra a substância. A droga foi acusada de ser responsável por casos de suicídio e psicose, o que desencorajou jovens como Pollan a embarcar nessa “viagem”. 

Na imagem: “Viagem ou armadilha? O que é LSD?” (Fonte

 

O medo relegou o LSD ao esquecimento. Isso começou a mudar no começo dos anos 2000, quando nomes como Bill Gates e Steve Jobs confessaram utilizar com frequência pequenas doses de LSD e mescalina para estimular a criatividade. Hoje, muitos jovens do Vale do Silício fazem uso dessas drogas com o mesmo objetivo: tornarem-se mais produtivos e criativos. Entretanto as pesquisas sobre microdosagem de LSD para aumentar a criatividade ainda não são conclusivas.

 

Por ser alguém que não curte surpresas, que gosta de ter o controle sobre a própria vida, Pollan demorou a embarcar em “viagens” de LSD. Seu medo também teve a ver com os efeitos da droga, que pode proporcionar a melhor ou a pior experiência da sua vida. Outra questão é que o LSD está na lista de substâncias ilícitas, o que complicou ainda mais a pesquisa do autor. A saída foi apelar para o mercado negro. Precavido, Pollan entrevistou gurus e psicoterapeutas até encontrar a pessoa ideal para conduzi-lo nessa experiência. 

O resultado foi melhor do que o esperado. A experiência de Pollan com o LSD o ajudou a lidar com antigas questões relacionadas aos pais e outros problemas pessoais que ele acreditava já estarem resolvidos. Em entrevista à rádio NPR, disse que descrever a experiência foi uma das tarefas mais difíceis que enfrentou como escritor. Para ele, foi a mesma coisa que contar um sonho para um desconhecido. Quanto mais você tenta explicar, menos o relato parece fazer sentido. 

Se fosse para descrever em poucas palavras, Pollan diria que a droga o presenteou com uma nova dose de esperança. Em Como mudar a sua mente, ele defende que essas substâncias não devem ser desperdiçadas por jovens entediados. O autor teme que o uso abusivo, sem supervisão, pode levar a uma nova campanha contra a droga, prejudicando aqueles que realmente precisam dela.  

 

A narrativa de Como mudar a sua mente beira o místico e o espiritual, algo raramente visto na obra de Pollan e que reforça uma das teses mais interessantes do livro: a de que as fronteiras entre ciência e religião não são tão rígidas como supomos. Enquanto religiões e práticas como a Yoga e o Budismo pregam a dissolução do ego, a experiência com LSD propicia chegar ao estado de transcendência por meio de vias expressas. O resultado é uma mente serena, em paz, repleta de compaixão. A dissolução do ego também pode ser observada em religiões como o cristianismo e o islamismo. No entanto, a recompensa rápida provida pelo LSD ainda não é bem vista por gurus e religiosos. Para eles, o LSD é uma traição quando comparado às técnicas milenares como o Yoga e a meditação, pois você recebe o bônus sem ter que lidar com o ônus.

 

Na obra Michael Pollan não induz o leitor a experimentar drogas. Mas o livro é, sim, capaz de deixar até os mais caretas em dúvida: o que eu seria capaz de alcançar se experimentasse? 

A resposta fica por sua conta e risco. 

 

*João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York escrevendo seu primeiro romance.

testeComo mudar sua mente é eleito um dos 10 melhores livros de 2018

Como mudar sua mente, de Michael Pollan, foi eleito pelo The New York Times um dos dez melhores livros de 2018.

Na obra, Pollan faz um relato elucidativo sobre a revolução médica e científica envolvendo as drogas psicodélicas. Ele parte em busca de uma compreensão aprofundada da psique humana e conta a história do renascimento das pesquisas com esses compostos depois de anos de coibição e esquecimento.

Confira a lista completa dos títulos eleitos (em inglês) aqui

Michael Pollan também é autor de O dilema do onívoro, Em defesa da comida, Regras da comida e Cozinhar, que deu origem à série Cooked, da Netflix.

testeLançamentos de novembro

O ano está quase acabando mas ainda dá tempo de adicionar alguns livros à sua lista! Confira os lançamentos de novembro:

Breves respostas para grandes questões, de Stephen Hawking

O livro inédito de Stephen Hawking responde as perguntas que movem a humanidade, desde seus primórdios até os dias atuais, como a origem do universo, a existência de Deus e até a possibilidade de viajar no tempo. Os textos são resultado do trabalho de uma vida inteira de pesquisas que consagrou Hawking como um gênio da física moderna.

Com prefácio de Eddie Redmayne — que ganhou um Oscar por interpretar o cientista no cinema — e posfácio comovente de Lucy Hawking, sua filha, Breves respostas para grandes questões não é apenas a última mensagem de um grande gênio: é seu presente final para todos nós. Stephen Hawking também é autor de Uma breve história do tempo, O universo numa casca de noz, Buracos negros e Minha breve história.

O último livro escrito por Hawking chega às livrarias a partir do dia 8 de novembro.

Velhos são os outros, de Andréa Pachá

Inspirados em casos judiciais, Andréa Pachá transforma suas vivências no tribunal em um livro de crônicas sobre acasos do tempo, da memória e das relações familiares. A obra é recheada de personagens vívidos com desejos e motivações com os quais todos se identificam.

Conhecida também por A vida não é justa (2012) e Segredo de Justiça (2014), livros que deram origem à série Segredos de Justiça, do Fantástico, Andréa Pachá constrói histórias delicadas, bem-humoradas e emocionantes sobre a longevidade pela qual tantos de nós anseiam — aquela que trará consigo as alegrias, dores, descobertas e perdas que só quem já caminhou bastante pode experimentar.

Velhos são os outros chega às livrarias a partir de 1º de novembro. Leia um trecho.

Como mudar sua mente, de Michael Pollan

Nos anos 1940, quando o LSD foi descoberto, pesquisadores, cientistas e médicos acreditavam que a substância teria o potencial de revelar os mistérios do inconsciente e oferecer avanços no tratamento de doenças mentais. Poucas décadas depois, o LSD se popularizou como droga recreativa e as pesquisas com a substância foram suspensas.

Após se debruçar sobre a história social dos alimentos em suas obras anteriores (Cozinhar, O dilema do onívoro, Regras da comida e Em defesa da comida), o jornalista Michael Pollan parte em busca de uma compreensão aprofundada da relação entre a psique humana e as substâncias psicodélicas. Como mudar sua mente conta a história do renascimento das pesquisas com esses compostos depois de anos de coibição e esquecimento.

O livro chega às livrarias a partir do dia 9 de novembro.

Caixa de pássaros, de Josh Malerman

Lançado em 2015, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica original da Netflix que será liberada mundialmente no dia 21 de dezembro na plataforma de streaming. Com a estreia do filme se aproximando, adicionamos um adesivo à capa. Caixa de pássaros se passa 5 anos após um misterioso impulso violento dominar algumas pessoas, levando-as a suicidar-se. Malorie e seus dois filhos moram em uma casa isolada para fugir do mundo pós-apocalíptico, mas, após anos trancados, eles precisam enfrentar o mundo em que abrir os olhos pode ser letal. O livro já está disponível. Assista ao trailer:

 

teste10 dicas de presente para o Dia dos Pais

Existe presente melhor que livro? Para ajudar os filhos indecisos, preparamos uma lista com dicas de obras para diversos estilos de pais. Tem opção para todos os gostos!

Para pais que gostam de história e de política:

Em nome dos pais — A obra de Matheus Leitão conta a história dos pais do autor, os jornalistas Marcelo Netto e Míriam Leitão, que foram presos e torturados durante a Ditadura. Resultado de incansáveis investigações, que começaram pela busca do delator e seguiram com a localização dos agentes que teriam participado das sessões de tortura de seus pais, o livro reconstitui com rigor eventos do início dos anos 1970 e, ao mesmo tempo, apresenta a emocionante peregrinação do autor pelo Brasil atrás de respostas.

 

O árabe do futuro — Se seu pai se interessa por outras culturas, política e gosta de artes visuais, nossa dica é a premiada série autobiográfica em quadrinhos de Riad Sattouf.

 Filho de mãe francesa e pai sírio, Riad foi morar na Líbia ainda bem pequeno, e, depois, na Síria. Os primeiros três livros da série englobam os anos entre 1978 e 1987, período em que os dois países árabes passavam por regimes ditatoriais.

Para pais que gostam de fantasia:

Deuses americanos — A obra-prima de Neil Gaiman foi adaptada para a televisão em março e a série já é considerada uma das grandes revelações do ano!

O livro acompanha Shadow Moon, que passou quase três anos na cadeia ansiando por voltar para casa. Dias antes do fim da pena, ele fica sem rumo na vida ao descobrir que a esposa faleceu em um acidente.

Após o velório, ele conhece o sr. Wednesday — um homem com olhar enigmático e que está sempre com um sorriso insolente no rosto  —, que  lhe oferece um emprego. É na nova função que Shadow começa a desvendar a real identidade do chefe e a se dar conta de que os Estados Unidos, ao receberem pessoas de todos os cantos do mundo, também se tornaram a morada de deuses dos mais variados panteões.

 

Para pais que curtem economia:

A grande saída — Para os pais que gostam de entender a sociedade atual, nossa sugestão é o livro de Angus Deaton, vencedor do Prêmio Nobel de Economia e um dos maiores especialistas em estudos sobre bem-estar, desigualdade e desenvolvimento econômico.  

A obra analisa por que as desigualdades ainda são tão presentes no mundo e debate como é possível mudar esse cenário.

 

O projeto desfazer — Para os que se interessam por teorias e ideias revolucionárias, sugerimos o novo livro de Michael Lewis sobre a história da colaboração e amizade de Daniel Kahneman e Amos Tversky, dois psicólogos israelenses.

A dupla criou uma das mais importantes teorias psicológicas que mudou completamente áreas como medicina, direito, economia, entre outras.

 

Para pais empreendedores e moderninhos:

Sprint: O método usado no Google para testar e aplicar novas ideias em apenas cinco diasSe seu pai tem um projeto na cabeça, mas não sabe como tirá-lo do papel, temos o presente ideal para ajudá-lo. 

Sprint é uma metodologia de trabalho fácil de entender e aplicar, indicada para quem quer desenvolver ideias, novos produtos ou negócios.

 

 

As upstarts: Como a Uber, o Airbnb e as killer companies do novo Vale do Silício estão mudando o mundo Para os pais que gostam de tecnologia e costumam acompanhar as novidades desse mercado,  nossa sugestão é o novo livro de Brad Stone.

A obra traz a história da Uber e do Airbnb, duas empresas gigantes que se tornaram um fenômeno e mudaram o mundo em que vivemos em menos de dez anos. Com detalhes dos bastidores, perfil dos fundadores e uma análise profunda sobre o impacto dessas companhias, As upstarts é considerado um dos melhores livros do ano pela Amazon.

 

Para pais que gostam de thrillers e música:

Piano vermelho — Se seu pai gosta de histórias assustadoras e diferentes, ele precisa conhecer o novo livro de Josh Malerman, autor de Caixa de pássaros.

Os Danes, uma banda de rock que fez muito sucesso em Detroit, são convidados por um misterioso funcionário do governo dos Estados Unidos para embarcar em uma viagem a um deserto na África. O objetivo? Descobrir a origem de um som com enorme poder de destruição!

Ninguém entende muito bem o que está acontecendo e os integrantes da banda estão dispostos a desvendar esse mistério. Só que eles não imaginam que estão prestes a entrar em uma jornada sinistra.

 

Para pais que gostam de livros sobre alimentação:

Cozinhar — A obra de Michael Pollan é perfeita para os pais que se interessam por alimentação, culinária, história e práticas antigas e modernas de cozinha.

O livro fala sobre a experiência fascinante de transformar os alimentos. A partir dos quatro elementos da natureza — fogo, água, ar e terra —, Michael Pollan mostra o calor ancestral do churrasco, o caldo aromático dos assados de panela, a leveza dos pães integrais e a magia da fermentação de um chucrute.

A obra foi adaptada para a Netflix no ano passado.

 

Para pais que gostam de obras literárias e de histórias no estilo Cidade de Deus:

Breve história de sete assassinatos — A partir da tentativa de assassinato a Bob Marley, ocorrida às vésperas das eleições jamaicanas em 1976, a obra explora o instável período histórico do país, quando disputas entre gangues viram uma escalada sem precedentes. O autor, Marlon James, apresenta uma sucessão de personagens — assassinos, traficantes, jornalistas e até mesmo fantasmas — que andaram pelas ruas de Kingston nos anos 1970, dominaram o submundo das drogas de Nova York na década de 1980 e ressurgiram em uma Jamaica radicalmente transformada nos anos 1990.

Vencedor do Man Booker Prize, Marlon James foi um dos grandes destaques da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) neste ano.

teste6 Séries inspiradas em livros que estão na Netflix

Depois da nossa lista de filmes inspirados em livros da Intrínseca disponíveis na Netflix, decidimos que dedicar apenas duas horas a um filme não era o suficiente. Separamos seis séries para os leitores que querem passar mais tempo com seus personagens literários favoritos:

Caçadores de trolls – lançada no final de 2016, a adaptação do livro de Guillermo del Toro mostra a história do jovem Jim e de seu melhor amigo, que descobrem uma sociedade de criaturas que vivem embaixo da terra. Com produção do autor e da DreamWorks, a segunda parte da série tem previsão de estreia em 2017.

How I Met Your Mother – série que originou as obras do irreverente Barney Stinson, O código Bro e Playbook: o manual da conquista, a comédia mostra um pai contando aos filhos, de maneira extremamente detalhada, divertida e prolongada, como ele conheceu a mãe dos dois adolescentes.

Orange Is the New Black – primeiro sucesso original da Netflix, a produção mostra a rotina de um grupo de presidiárias, com foco na autora do livro, Piper Kerman. A quinta temporada da série foi anunciada recentemente, e estreia em 9 de junho.

Cooked – no livro Cozinhar e na série Cooked, o escritor Michael Pollan convida o público a redescobrir a experiência fascinante de transformar os alimentos a partir dos quatro elementos da natureza — fogo, água, ar e terra. Ao relatar suas experiências pessoais com os processos de preparação da comida, Pollan mergulha numa história tão antiga quanto a da própria humanidade e propõe uma redescoberta de sabores e valores esquecidos.

Homeland – O livro Homeland: onde tudo começou mostra o passado da protagonista da série de sucesso, Carrie Mathison (Interpretada por Claire Danes). A atração chegará a sua sexta temporada em 2017. Indispensável para todos os fãs de thrillers de espionagem.

Como treinar o seu dragão – Além da série de livros, que chega ao fim em Como combater a fúria de um dragão, e da série de filmes de mesmo nome, a Netflix produziu uma série que conta histórias inéditas de Soluço e seu companheiro Banguela. Dragões: corrida até o limite mostra o que aconteceu entre os dois primeiros filmes da série.

testeA liberdade de comer sem sofrer

Com tantas informações e regras, comer simplesmente virou um inferno, com tudo controlado e altamente racionalizado. Mas onde foi parar a alegria de comer? A felicidade em compartilhar uma refeição com quem amamos? Neste texto, nossa editora assistente Luana Freitas conta como Cozinhar, de Michael Pollan, a libertou desse emaranhado sufocante.

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(fonte)

Lá fui eu para uma consulta com uma nutricionista. A terceira de toda a minha vida. Em mais uma das incontáveis tentativas de ser saudável e, sim, de emagrecer… horrores. Eu fiquei ali, respondendo às perguntas de sempre, ouvindo as recomendações que conhecia de cor.

As únicas novidades para aquela consulta eram as taxas alteradíssimas do exame de sangue e a raiva. Sim, raiva, muita raiva. Eu me culpava por ter me permitido engordar aqueles dezoito quilos (a meta da vez), pois não havia desculpa. Já li por conta própria e revisei vários livros de reeducação alimentar, dieta, nutrição e doenças ligadas à alimentação, já trabalhei em diversos livros de receitas saudáveis. Sabia claramente o que deveria fazer e cortar e quais eram as consequências dos meus maus hábitos. Então por que a frustação, a culpa, a sensação de impotência?

Por mais curioso que possa parecer, eu, que trabalho há tanto tempo com livros, não precisei encontrar a dieta, a clínica ou o médico certo para eliminar todos esses sentimentos ruins. Precisei apenas encontrar o livro certo. Na verdade, o escritor. Foi apenas por trabalho que descobri o Cozinhar, do jornalista Michael Pollan. Ainda bem, pois teoricamente eu poderia ter sido levada ao grande erro de achar que o livro tratava apenas sobre o ato de cozinhar e jamais abri-lo (nunca tive muita paciência para cozinhar, esperar os três minutos do macarrão instantâneo já me irritava profundamente).

cozinhar211x319Sendo obrigada a ler o livro, descobri o que me faltava: encantamento, diversão e, por que não, sedução. Pois é simplesmente impossível não se deixar levar pela empolgação de Pollan pela cozinha. As descrições dele para os métodos de preparo dos pratos que aparecem no livro são uma forma requintada de tortura. Quando a obra virou série da Netflix, a cena mais aguardada de todos os tempos foi a do preparo do bendito porco inteiro assado lentamente. Também fiquei ansiosa para ver uma personagem fazer um cozido. Sim, um cozido. A coisa mais simples de se fazer. Mas esse é o poder de Pollan: ao realçar toda a beleza e poesia do ato de cozinhar, de preparar a própria comida, ele nos leva a abrir nossos olhos para o que esteve sempre ali, para toda a gama de sabores e texturas da comida de verdade.

O ponto-chave para minha mudança foi adotar a estratégia do autor: em vez de pensar no negativo, investir numa agenda positiva, empolgante e social. Na sua prosa simples, direta e bem humorada, Pollan nos mostra aos poucos como o ato da alimentação envolve todos a nossa volta, interfere radicalmente na forma como nos relacionamos com os outros e conosco. Instigada pelo livro, encontrei conforto nas receitas da minha mãe: doce de abóbora e de laranja-da-terra, bertalha na sopa, vaca atolada, empadão de frango, batata-doce cozida. Passei a cozinhar mais, a conversar com meu marido sobre receitas que poderíamos experimentar. Também descobrimos vários alimentos. Na série, há várias cenas de Pollan na cozinha ou no quintal de casa, preparando pão, cerveja, cozido e um churrasco, o que representa bem a minha fantástica descoberta de que é bem mais legal fazer as refeições em família, todo mundo em casa, cozinhando e conversando.

A grande jogada está na tomada de consciência gerada pelo livro, a revelação de tudo de que abrimos mão quando delegamos a corporações o preparo do que consumimos. Ao permitirmos que grande parte da nossa alimentação seja baseada em produtos industrializados, nós entramos no modo comida pela comida, nós deixamos de reservar um tempo para nós mesmos e para compartilharmos momentos com nossos familiares, amigos e até com os produtores locais.

Depois que passei a lutar para ter mais comida de verdade no meu prato, muita gente veio me falar de restrição, sofrimento por não poder comer certas coisas. O engraçado é que para mim esse mergulho nos livros e no pensamento de Pollan significou liberdade, me trouxe uma calma inigualável. Não preciso mais contar calorias, decifrar informações de tabelas nutricionais ou classificar os alimentos em grupos como proteínas e carboidratos. Cozinhar abriu a minha mente para simplesmente comer e fazer desse ato algo magnífico.

Minha relação com a comida melhora conforme compreendo o meu papel na cadeia de produção de alimentos, a forma como a indústria alimentícia me vê, a maneira como a refeição impacta a minha relação com quem divide a mesa comigo e como a alimentação tem um poder agregador subestimado. Quando substituí as dietas pelo mantra “comer comida de verdade”, tudo se encaixou e fluiu naturalmente. Não há mais sofrimento, frustração ou culpa, e as relações melhoraram, já que tudo melhora quando a gente cuida do que come.

Para mim é complexo escrever sobre a importância de Pollan, pois os livros dele, sobretudo o Cozinhar, não são sobre emagrecer, comer melhor ou a indústria alimentícia em si. São mais sobre o nosso lugar no mundo, sobre que posição assumimos nele e o que queremos para nós mesmos. Em última instância, é um pedido para darmos uma parada na agitação da vida cotidiana e refletirmos sobre quem de fato somos; um pedido para que olhemos para o passado e tomemos consciência de como estamos permitindo que nossos laços se enfraqueçam, que nosso corpo seja destruído, que viremos apenas consumidores passivos, sem consciência nem voz. Mas, acima de tudo, os livros e a série de Pollan são a celebração do que nos diferencia dos animais, o que nos torna únicos: a criatividade e a curiosidade que nos movem a criar e transformar com o que encontramos na natureza. Não à toa, meu capítulo favorito do livro e da série é o do Ar. Você já parou para pensar quão belo e louco é conseguir criar um pão a partir de farinha, água e fermento?

>> Confira a entrevista com  Michael Pollan sobre Cozinhar
>> Leia um trecho do livro Cozinhar

 

Luana Freitas é editora assistente de ficção e não ficção estrangeiras, além de viciada em programas de culinária e ótima com receitas doces.

testeCozinhar é o que nos torna humanos

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Do costume de uma tribo australiana de cozinhar lagartos direto no fogo ao tradicional churrasco de porco inteiro no Sul dos Estados Unidos, Michael Pollan busca em Cozinhar a essência de nossa identidade como seres humanos. Baseada no livro homônimo, a série documental Cooked estreia mundialmente hoje na Netflix.

Dividida em quatro episódios focados nos elementos primordiais — fogo, água, terra e ar —, a produção introduz alguns dos princípios defendidos pelo celebrado jornalista, autor de obras de referência como O dilema do onívoro e Em defesa da comida. Para ele, retornar à cozinha é hoje um ato político um protesto contra uma economia de consumo altamente especializada e alienante e uma das atividades mais recompensadoras e prazerosas que podemos exercer.

cozinhar211x319Pollan reforça que a ascensão do fast-food e o declínio da comida caseira causam impactos que vão além dos males à nossa saúde. Porque cozinhar é o que nos torna humanos, tanto cultural como biologicamente: ao passar a ingerir alimentos cozidos, o Homo erectus mudou o destino da nossa espécie. Enquanto primatas dispõem de sistemas digestivos enormes e passam até metade do tempo acordados mastigando alimentos crus, especialistas defendem que a nova dieta (com maior densidade energética e de mais fácil digestão) fez com que nossos cérebros aumentassem de tamanho e nossos intestinos encolhessem — além de nos propiciar muitas horas livres para atividades mais interessantes do que mastigar.

“Cozinhar é uma atividade primordial, profundamente enraizada em nossa mente”, defende o autor em entrevista ao blog da Intrínseca, e essa prática faz parte hoje de um intrigante paradoxo. Passamos cada vez menos tempo preparando nossa comida e mais tempo assistindo a programas de culinária na televisão o tempo médio gasto com o preparo das refeições nos Estados Unidos é de 27 minutos por dia, muito menos do que o necessário para assistir a um único episódio da franquia MasterChef.

Na entrevista a seguir, Michael Pollan reflete sobre nosso fascínio por programas de culinária na TV, o processo de adaptação de seu livro e como, ao deixarmos de cozinhar, perdemos a conexão com o mundo e com o que faz de nós humanos.

 

Como o ato de cozinhar pode ser um convite para repensar nosso papel em uma economia de consumo altamente especializada, dependente e alienante?
Michael Pollan: Numa época em que o mercado quer que você apenas consuma passivamente a comida preparada pela indústria, cozinhar é um ato político porque torna-se uma espécie de protesto, uma afirmação da sua identidade como produtor e não mero consumidor. Quando cozinhamos, defendemos nossas cozinhas e nossos jantares em família dos esforços da indústria em comercializá-los.

Como foi o processo de adaptação do livro para uma série de TV?
MP: É sempre fascinante observar o processo de adaptação de um livro, já que o que funciona em um meio nem sempre funciona em outro. Enquanto o livro enfatiza informações de caráter histórico, científico e antropológico, a série destaca personagens, locais e histórias. Também queríamos realçar na série o fato de que cozinhar faz parte de uma história universal, global. Assim, cada episódio dedica tempo considerável a outros países: Austrália, Índia, Marrocos e Peru. Cozinhar diz respeito a nossa humanidade, e, embora cozinhemos de maneiras diferentes em lugares diferentes, certos elementos nunca mudam — incluindo o uso do fogo, da água, do ar e da terra (com os micróbios) para transformar a matéria natural em cultura.

Quais são as novidades que os leitores encontrarão na série em relação ao livro?
MP: Para quem leu o livro, a série oferece uma perspectiva mais global e apresenta algumas práticas culinárias surpreendentes, como mulheres que mastigam raízes ricas em amido para produzir cerveja com a própria saliva, uma tribo de caçadores que cozinha lagartos diretamente sobre o fogo e famílias marroquinas que fazem pão todos os dias assando a massa em um forno comunitário.

Em Cozinhar você ressalta o Paradoxo do Cozinhar: passamos cada vez menos tempo preparando nossas refeições e mais tempo assistindo a programas de culinária na TV. Como você explicaria nosso fascínio em ver outras pessoas cozinhando fora de nossas casas, na TV?
MP: Acredito que somos atraídos por imagens e histórias envolvendo culinária, quer na TV ou em outros lugares, porque cozinhar é uma atividade primordial, profundamente enraizada em nossa mente. Quando assistimos a outra pessoa cozinhando, antecipamos o prazer de comer e trazemos à memória nossos familiares preparando alimentos para nós. Cozinhar é a essência de nossa identidade como seres humanos, então não é de se admirar que sejamos sempre atraídos para as chamas de um fogão, não importa onde ele esteja — mesmo na TV!

Leia um trecho de Cozinhar: uma história nacional da transformação

testeMichael Pollan na Netflix

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A transformação pela comida vem sendo cada vez mais discutida nos dias de hoje, e Michael Pollan, autor, jornalista, ativista e professor, é uma das referências na área. Pollan é defensor da criação de uma consciência por trás dos pratos e autor de Cozinhar: uma história natural da transformação, obra que inspirou a série Cooked.

A atração, produzida pela Netflix, estreia em 19 de fevereiro e será dividida em quatro episódios. Assim como o livro, a série será focada nos quatros elementos da natureza: terra, ar, fogo e água.

Pollan também abrirá sua cozinha para ensinar receitas, mostrará a importância de preparar a própria comida e compartilhará suas experiências.

Alex Gibney, de Um Táxi para a Escuridão e Steve Jobs: The Man in the Machine, será o produtor executivo da atração.

testeAutores que já participaram da FLIP

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A charmosa cidade de Paraty recebe todos os anos autores conhecidos mundialmente durante a Festa Literária Internacional de Paraty. Para relembrar os escritores que já participaram da FLIP, um dos principais eventos literários do país, preparamos uma lista.

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O escritor, diretor e cartunista Riad Sattouf, de O árabe do futuro, é uma das atrações da programação principal da FLIP neste ano. O autor participa da mesa “De balões e blasfêmias” neste sábado, 4 de julho, às 15h.

O árabe do futuro – Nascido na França em 1978, filho de pai sírio e mãe bretã, Riad Sattouf viveu uma infância peculiar. Ele tinha apenas três anos quando o pai recebeu um convite para lecionar em uma universidade da Líbia. Em Trípoli, o menino entrou em contato com uma cultura completamente distinta e precisou superar o estranhamento diante de novos costumes – experiência que se repetiria pouco depois na Síria, quando o pai foi trabalhar lá. Com o olhar inocente de uma criança, Riad oferece um importante relato sobre os contrastes entre a vida na França socialista de Mitterand e os regimes autoritários na Líbia de Kadafi e na Síria de Hafez al-Assad.

A verdade sobre o caso Harry Quebert, de Joël Dicker

Jovem escritor americano sofrendo com bloqueio criativo, Marcus Goldman procura o renomado romancista e seu ex-professor de faculdade Harry Quebert. Surpreendido por um mistério que envolve seu mentor na morte de uma jovem de quinze anos, Marcus precisa correr contra o tempo para tentar inocentar o amigo, descobrir quem matou Nola Kellergan e escrever um livro bem-sucedido.

+ Os últimos dias de nossos pais

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Obra vencedora do Pulitzer, do National Book Critics Circle Award e do LA Times Book Prize no ano de 2011, A visita cruel do tempo é composto por histórias curtas – 13 faixas sobre relações familiares, indústria fonográfica, jornalismo de celebridades, efeitos da tecnologia, viagens e a busca por identidade versus o esfacelamento de ideais -, interligadas pelas memórias de um grupo de personagens em diferentes pontos de suas vidas.

+ Circo invisível

Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver

Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.

+ A nova república

 Cozinhar, de Michael Pollan

Nos dias de hoje, diante de uma vida atribulada, as pessoas pensam cada vez mais em comida, embora dediquem cada vez menos tempo ao preparo de suas refeições. Preocupam-se com a quantidade de calorias ingeridas e com a qualidade dos ingredientes, mas reservam mais horas para assistir aos programas de culinária na TV do que efetivamente passam dentro da cozinha. E enchem a despensa com produtos industrializados supostamente “saudáveis”. Nesse cenário tão contraditório, o escritor Michael Pollan convida o leitor a redescobrir a experiência fascinante de transformar os alimentos. A partir dos quatro elementos da natureza — fogo, água, ar e terra —, ele nos mostra o calor ancestral do churrasco, o caldo perfumado dos assados de panela, a leveza dos pães integrais e a magia da fermentação de um chucrute. Ao relatar suas experiências pessoais com os processos de preparação da comida, Pollan mergulha numa história tão antiga quanto a da própria humanidade e propõe uma redescoberta de sabores e valores esquecidos.

link-externoIntrínseca na FLIP 2015

testeRegulamento da ação exclusiva para o Instagram e o Twitter: #DesafioCozinhar

Regulamento redes

“Existe atividade menos egoísta, trabalho menos alienado, tempo menos desperdiçado do que aquele gasto preparando algo delicioso e nutritivo para quem você ama?”

“À medida que fui me sentindo cada vez mais à vontade na cozinha, descobri que, a exemplo do que ocorre com a jardinagem, a culinária costuma ser agradável e cativante sem exigir demais do intelecto.”

“Acima de tudo, o que descobri em frente ao fogão é que cozinhar faz com que estabeleçamos conexões.’’

Michael Pollan, autor de Cozinhar, entre outros sucessos, é um entusiasta da comida não processada. Pollan defende bravamente a importância de que todos preparem suas próprias refeições sempre que possível. Ele acredita que o ato de cozinhar pode unir as pessoas e transformá-las em seres mais conscientes. Para incentivar os nossos leitores, propomos um concurso cultural no Instagram e no Twitter da Intrínseca (@intrinseca) com a hashtag #DesafioCozinhar.

Vejam as regras:

Mecânica: Os leitores vão soltar a imaginação para registrar momentos na cozinha, e vamos escolher as postagens mais criativas. Somente fotos serão aceitas. A ação ocorrerá no dia 20 de agosto.

Como participar: Basta seguir o perfil da Intrínseca no Instagram, marcar a editora e usar a hashtag #DesafioCozinhar. No caso do Twitter, basta seguir o perfil da Intrínseca (@intrinseca) e no tuíte citar o perfil do autor (@michaelpollan) e a hashtag #DesafioCozinhar.

O que o leitor vai ganhar: um livro da Intrínseca de sua escolha e um exemplar autografado de Cozinhar. Serão desclassificadas postagens com conteúdo obsceno e que ferirem as regras de ortografia e gramática. Apenas ganhadores residentes em território brasileiro serão contemplados. Os resultados serão divulgados no dia 20 de agosto, às 19h, no Instagram e no Twitter da Intrínseca ─ serão quatro ganhadores para cada rede social. Os contemplados deverão entrar em contato pelo e-mail imprensa@editoraintrinseca.com.br em até sete dias úteis a partir da data de divulgação do resultado, informando seus endereços completos. A entrega dos kits será realizada em até 30 dias úteis após a divulgação do resultado.