testeCinquenta tons de cinza vira tema de filme com Jane Fonda e Diane Keaton

Sabe quando um livro muda a sua vida? É justamente isso que acontece com Diane Keaton e Jane Fonda no filme Do jeito que elas querem. E não estamos falando de um livro qualquer, mas de um fenômeno mundial!

Não é nenhuma surpresa que um certo Christian Grey mexeu e ainda mexe com a cabeça de muita gente por aí. Afinal, como esquecer um personagem tão sedutor? E é todo esse charme que vai virar de pernas para o ar a vida de quatro senhoras que decidem ler Cinquenta tons de cinza em seu clube do livro.

Assim como fez com milhões de leitores ao redor do mundo, a história de Anastasia Steele e Christian Grey dá a essas mulheres a coragem e a liberdade de assumirem seus desejos. Depois de se surpreenderem com a leitura, elas decidem que não é tarde para apimentar suas vidas amorosas, o que gera momentos engraçados e emocionantes.

Alguém aí se identificou com essa história?

O filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 14 de junho! Confira o trailer:

testeLeia um trecho em primeira mão da continuação de Grey

Temos uma surpresa! Para os leitores que esperam ansiosamente por Mais escuro: Cinquenta tons mais escuros pelos olhos de Christian, liberamos parte do primeiro capítulo da versão da série de E L James pelo ponto de vista de Grey.

Em entrevista ao blog Happy Ever After, do USA Today, a autora comentou que os leitores podem esperar uma leitura divertida, mas muito emocionante. Ela revelou também que os conflitos de Grey estão evidentes nesse livro e que espera que os fãs gostem das interações e conversas com Dr. Flynn, o psiquiatra do personagem.

A obra, que já está em pré-venda, chega às livrarias em 19 de janeiro.

Leia abaixo:

Quinta-feira, 9 de junho de 2011

Estou sentado. Esperando. Meu coração bate acelerado. São 17h36 e estou olhando fixamente pelo vidro fumê do meu Audi para a porta de entrada do prédio onde ela trabalha. Sei que cheguei cedo, mas passei o dia todo esperando este momento.

Vou vê-la.

Eu me remexo no banco de trás do carro. Parece abafado, e por mais que eu tente manter a calma, a animação e a ansiedade formam um nó em meu estômago e comprimem meu peito. Taylor está sentado no banco do motorista, olhando para a frente, mudo, em sua compostura habitual, enquanto mal consigo respirar. É irritante.

Droga. Cadê ela?

Está lá dentro, na Seattle Independent Publishing. O prédio, do outro lado da calçada ampla e desimpedida, é velho e precisa de uma reforma; o nome da empresa foi gravado de qualquer jeito no vidro e o efeito jateado da janela está descascando. Por trás das portas fechadas poderia haver uma empresa de seguros ou de contabilidade, afinal não há mercadoria em exibição. Bem, posso corrigir isso quando assumir o controle. A SIP é minha. Quase. Já assinei as linhas gerais do acordo.

Taylor pigarreia e seus olhos se voltam por um instante para os meus no retrovisor.

— Vou aguardar lá fora, senhor — diz ele, me surpreendendo, e sai do carro antes que eu possa impedi-lo.

Talvez ele esteja mais afetado com minha tensão do que imaginei. Sou tão transparente assim? Pode ser que ele esteja tenso. Mas por quê? Quer dizer, com exceção do fato de que precisou lidar com meus humores totalmente inconstantes esta semana. Sei que não tenho sido fácil.

Mas hoje foi diferente. Estou esperançoso. É meu primeiro dia produtivo desde que ela me deixou, ou pelo menos é a impressão que eu tenho. O otimismo me deu o estímulo necessário durante as reuniões. Dez horas para vê-la. Nove. Oito. Sete… Minha paciência foi testada pelo relógio que mostrava as horas até meu reencontro com a Srta. Anastasia Steele.

E agora que estou aqui sentado, sozinho, aguardando, a determinação e a confiança que senti o dia todo evaporaram.

Talvez ela tenha mudado de ideia.

Vai ser um reencontro? Ou será que não passo de uma carona para Portland?

Confiro o relógio outra vez.

17h38.

Merda. Por que o tempo passa tão devagar?

Penso em mandar um e-mail para ela avisando que estou aqui fora, mas enquanto procuro o celular percebo que não quero desviar os olhos da porta do prédio. Eu me recosto no banco e repasso na mente os últimos e-mails que recebi dela. Sei todos de cor, são simpáticos e concisos, porém sem qualquer indício de que esteja sentindo minha falta.

Talvez eu seja uma carona.

Afasto o pensamento e olho fixamente para a entrada, desejando que ela apareça.

Anastasia Steele, estou esperando.

A porta se abre e meu coração acelera loucamente, mas então se acalma, decepcionado. Não é ela.

Droga.

Ela sempre me deixa esperando. Um sorriso constrangido ergue os cantos da minha boca: esperei na Clayton’s, no Heathman depois da sessão de fotos e novamente quando mandei os livros de Thomas Hardy para ela.

Tess

Será que ela ainda tem os livros? Queria devolver para mim ou doá-los para uma instituição de caridade.

“Não quero nada que me lembre de você.”

Relembro Ana indo embora; seu rosto pálido e triste marcado por mágoa e confusão. A lembrança não é bem-vinda. É dolorosa.

Por culpa minha ela está tão infeliz. Fui longe demais, rápido demais. E isso me enche de desespero. Esse sentimento se tornou muito familiar desde que ela se foi. Fechando os olhos, tento me centrar, mas confronto meu medo mais profundo e sombrio: ela conheceu outra pessoa. Está dividindo sua cama branca e seu lindo corpo com um desconhecido de merda.

Droga, Grey. Pense positivo.

Não pense nisso. Nem tudo está perdido. Você vai vê-la em breve. Seus planos estão caminhando. Você vai reconquistá-la. Abro os olhos e me concentro novamente na porta do prédio, observando-a através do vidro sombrio do Audi que reflete meu humor. Mais pessoas saem do prédio, porém nada de Ana.

Cadê ela?

Taylor anda de um lado para outro, com os olhos fixos na porta do edifício. Caramba, ele parece tão nervoso quanto eu. Que diferença faz para ele?

Meu relógio marca 17h43. Ela já vai sair. Respiro fundo e puxo os punhos da camisa, então tento endireitar a gravata, mas percebo que não estou usando uma. Droga. Passo a mão pelo cabelo enquanto tento descartar minhas dúvidas, que continuam me assombrando. Será que não passo de uma carona para ela? Será que sentiu minha falta? Será que me quer de volta? Ela tem outra pessoa? Não faço ideia. Isso é pior do que esperar por ela no Marble Bar, e não deixo de notar a ironia. Achei que aquela seria a maior negociação que eu faria com ela, e não consegui o resultado que esperava. Nunca consigo o resultado que espero com a Srta. Anastasia Steele. O pânico mais uma vez se transforma em um nó em meu estômago. Hoje vou tentar uma negociação ainda maior.

Eu a quero de volta.

Ela disse que me amava…

Meu coração acelera em resposta à adrenalina que invade meu corpo.

Não. Não. Não pense nisso. Ela não pode sentir isso por mim.

Fique calmo, Grey. Concentre-se.

Olho mais uma vez para a entrada da Seattle Independent Publishing e lá está ela, vindo em minha direção.

Porra.

Ana.

O choque me deixa sem fôlego, como se eu tivesse levado um chute no plexo solar. Por baixo de uma jaqueta preta, ela está usando um dos meus vestidos preferidos, o roxo, com botas pretas de salto alto. Seu cabelo, brilhante por causa da luz do sol da tarde, balança ao vento enquanto ela se movimenta. Mas não é sua roupa ou seu cabelo que chama minha atenção. Seu rosto está pálido, quase translúcido. Há olheiras sob seus olhos, e ela está mais magra.

Mais magra.

Sou tomado de dor e culpa.

Meu Deus.

Ela também sofreu.

Minha preocupação com sua aparência se transforma em raiva.

Não. Em fúria.

Ela não tem se alimentado. Perdeu… o quê? Dois ou três quilos nos últimos dias? Ana olha para um sujeito qualquer atrás dela e ele lhe dá um grande sorriso. É um filho da puta bonito, cheio de si. Babaca. A interação casual entre os dois só aumenta minha raiva. Ele a observa com uma franca apreciação masculina enquanto ela se aproxima do carro, e minha fúria aumenta a cada passo de Ana.

Taylor abre a porta e oferece a mão para ajudá-la a entrar. De repente, ela está sentada ao meu lado.

— Quando foi a última vez que você comeu? — pergunto, irritado, me esforçando para manter a compostura.

Seus olhos azuis se voltam para mim, me despindo e me deixando tão atordoado quanto na primeira vez em que a vi.

— Oi, Christian. Bom ver você também — diz ela.

Puta. Que. Pariu.

— Nada de bancar a espertinha — disparo. — Responda.

Anastasia observa as próprias mãos no colo, e não faço ideia do que está pensando, então ela inventa alguma desculpa boba sobre ter comido um iogurte e uma banana.

Isso não é comer!

Eu tento, tento de verdade, controlar meu temperamento.

— Quando foi a última vez que você fez uma refeição de verdade? — insisto, mas ela me ignora, olhando pela janela.

Taylor afasta o carro da calçada e Ana acena para o babaca que a seguiu até o lado de fora do prédio.

— Quem é?

— Meu chefe.

Então aquele é Jack Hyde. Eu me lembro dos detalhes sobre os funcionários, afinal dei uma olhada nisso de manhã: nasceu em Detroit, recebeu bolsa de estudos em Princeton, foi promovido em uma editora de Nova York, mas se mudou várias vezes e já trabalhou em muitas partes do país. As assistentes dele nunca duram; não ficam mais de três meses. Ele está na minha lista de suspeitos, e Welch vai descobrir mais coisas.

Concentre-se no assunto de agora, Grey.

— E então? Sua última refeição?

— Christian, isso não é da sua conta — sussurra ela.

— O que quer que você faça é da minha conta. Fale logo.

Não me dispense, Anastasia. Por favor.

Sou a carona.

Ela suspira, frustrada, e revira os olhos só para me irritar. Então eu vejo: um sorriso discreto erguendo os cantos da sua boca. Ela está tentando não rir. Está tentando não rir de mim. Depois de todo o sofrimento que vivi, isso é tão revigorante que ultrapassa minha raiva. É tão Ana… Percebo que estou espelhando a expressão dela e tento disfarçar meu sorriso.

— E então? — pergunto, com um tom de voz mais suave.

Pasta alla vongole, sexta passada — responde ela com uma voz dócil.

Caramba, ela não come desde nossa última refeição juntos! Quero colocá-la no colo e dar umas palmadas agora mesmo, aqui no banco de trás do carro, porém sei que nunca mais vou poder tocá-la desse jeito.

O que faço com ela?

Ana olha para baixo, examinando as mãos, o rosto mais pálido e triste do que antes. Eu a absorvo, tentando descobrir o que fazer. Uma emoção indesejada invade meu peito, ameaçando me soterrar. Ignorando isso, eu a observo e fica dolorosamente óbvio para mim que meu maior medo é infundado. Sei que Anastasia não ficou bêbada e conheceu alguém. Observando a aparência dela, sei que ficou sozinha, encolhida na cama, chorando sem parar. A descoberta é ao mesmo tempo tranquilizadora e angustiante. Sou responsável pela sua infelicidade.

Eu.

Eu sou o monstro. Fiz isso com ela. Como posso reconquistá-la algum dia?

— Entendo.

As palavras soam inadequadas. De repente, minha tarefa parece muito aterrorizante. Ela nunca vai me querer de volta.

Controle-se, Grey.

Tento conter meu medo e faço um apelo.

— Parece que, desde então, você perdeu pelo menos uns dois quilos, talvez mais. Por favor, Anastasia, volte a comer.

Estou desesperado. O que mais posso dizer?

Ela está sentada sem se mexer, perdida em pensamentos, com o olhar fixo à frente, então aproveito o tempo para observar seu perfil. É tão delicada, doce e linda quanto lembro. Quero esticar o braço e acariciar sua bochecha. Sentir como sua pele é macia… Conferir que ela é real. Eu me viro em sua direção, morrendo de vontade de tocá-la.

— Como você está? — pergunto, porque quero ouvir sua voz.

— Se eu dissesse que estou bem, estaria mentindo.

Droga. Estou certo. Ela está sofrendo… e é tudo culpa minha. Mas suas palavras me dão um pingo de esperança. Talvez tenha sentido minha falta. Quem sabe? Desesperado, me agarro a essa possibilidade.

— Eu também. Sinto sua falta — confesso, e estendo o braço para segurar sua mão porque não posso viver nem mais um minuto sequer sem tocá-la.

Sua mão, envolvida pelo calor da minha, parece pequena e gelada.

— Christian, eu… — Ela se interrompe, a voz falhando, mas não puxa a mão.

— Ana, por favor. Nós precisamos conversar.

— Christian, eu… por favor… Eu chorei muito — sussurra ela.

Ouvir suas palavras e vê-la tentando conter as lágrimas perfuram o que restou do meu coração.

— Ah, baby, não.

Puxo sua mão e, antes que ela possa reclamar, apoio-a no meu colo, passando os braços ao seu redor.

Ah, sentir o corpo dela.

— Senti tanto a sua falta, Anastasia.

Ela está leve demais, frágil demais, e quero gritar de frustração, mas em vez disso enfio o nariz em seu cabelo, imediatamente dominado pelo cheiro inebriante dela. Esse aroma me faz lembrar de tempos mais felizes: um pomar no outono. Risada em casa. Olhos brilhantes, repletos de bom humor, travessura e… desejo. Minha doce, doce Ana.

Minha.

A princípio, ela fica tensa e resiste, mas depois de um instante relaxa junto a mim, com a cabeça apoiada em meu ombro. Encorajado, eu me arrisco e, fechando os olhos, beijo seu cabelo. Ela não se esforça para sair do meu abraço, o que é um alívio. Tenho desejado esta mulher. Mas preciso ser cuidadoso. Não quero que ela fuja outra vez. Eu a abraço, curtindo a sensação de tê-la por perto neste momento simples de tranquilidade.

Mas é um breve interlúdio: Taylor chega em tempo recorde ao heliporto do centro da cidade.

— Vamos. — Com relutância, eu a tiro do colo. — Chegamos.

Olhos perplexos buscam os meus.

— Heliporto, no alto deste edifício — explico.

Como ela achava que iríamos a Portland? Demoraríamos pelo menos três horas de carro. Taylor abre a porta e eu saio pelo meu lado do carro.

— Eu preciso devolver seu lenço — diz ela a Taylor com um sorriso tímido.

— Fique com ele, Srta. Steele, com os meus melhores cumprimentos.

Que diabo está acontecendo entre eles?

— Nove? — interrompo, não só para lembrá-lo da hora em que deve nos buscar em Portland, mas para que ele pare de falar com Ana.

— Sim, senhor — diz Taylor baixinho.

Isso mesmo. Ela é a minha garota. Lenços são minha função. Não dele.

Passam pela minha mente flashes de imagens de Ana vomitando no chão e eu segurando seu cabelo. Eu lhe dei um lenço nessa ocasião, e nunca o recuperei. Mais tarde na mesma noite observei-a dormir ao meu lado. Talvez ela ainda tenha o lenço. Talvez ainda use.

Pare. Agora. Grey.

Segurando sua mão — o frio passou, mas a mão de Ana continua gelada —, eu a levo para dentro do prédio. Quando chegamos ao elevador, me lembro do nosso encontro no Heathman. Aquele primeiro beijo.

É. Aquele primeiro beijo.

O pensamento desperta meu corpo.

Mas as portas se abrem, distraindo-me, e relutantemente solto sua mão para que ela entre.

O elevador é pequeno e não estamos mais nos tocando. Mas sinto sua presença.

Toda ela.

Aqui. Agora.

Merda. Engulo em seco.

Será que é porque ela está muito perto? Olhos escurecidos fitam os meus.

Ah, Ana.

Sua proximidade é excitante. Ela inspira de repente e olha para o chão.

— Também estou sentindo — sussurro, segurando novamente sua mão e acariciando os nós dos seus dedos com o polegar.

Ela ergue o olhar na minha direção, seus olhos insondáveis encobertos de desejo.

Merda. Eu a quero.

Ana morde o lábio.

— Por favor, Anastasia, não morda o lábio. — Minha voz sai grave, cheia de desejo.

Será que sempre vou desejá-la tanto assim? Quero beijá-la, prensá-la na parede do elevador como fiz no nosso primeiro beijo. Quero fodê-la aqui e torná-la minha outra vez. Ela pisca, os lábios ligeiramente entreabertos, e eu contenho um gemido. Como ela faz isso? Como me faz perder o controle com um olhar? Estou acostumado a ter controle… mas fico praticamente babando por ela porque seus dentes estão pressionando o lábio.

— Você sabe como me deixa quando faz isso — murmuro.

Agora mesmo, baby, quero possuí-la neste elevador, mas acho que você não vai deixar.

As portas se abrem e a lufada de ar frio me traz de volta ao presente. Estamos no topo do prédio, e, embora o dia tenha sido quente, o vento está mais forte. Anastasia estremece ao meu lado. Passo o braço em torno dela e a puxo para perto. Ela parece magra demais, porém seu corpo esguio se encaixa perfeitamente debaixo do meu braço.

Está vendo? Nós nos encaixamos muito bem, Ana.

Seguimos pelo heliporto em direção ao Charlie Tango. Os rotores giram com delicadeza: o helicóptero está pronto para decolar. Stephan, meu piloto, se aproxima correndo de nós. Trocamos um aperto de mão e eu mantenho Anastasia debaixo do braço.

— Tudo pronto, senhor. Ele é todo seu! — grita Stephan para que seja possível escutá-lo acima do som dos rotores do helicóptero.

— Já fez todas as verificações?

— Sim, senhor.

— Você pode pegá-lo lá pelas oito e meia?

— Sim, senhor.

— Taylor está esperando por você lá embaixo.

— Obrigado, Sr. Grey. Tenha um bom voo até Portland. Senhora.

Ele cumprimenta Anastasia e segue para o elevador, que o aguarda. Nós nos abaixamos para passar pelos rotores e eu abro a porta, segurando a mão dela para ajudá-la a subir.

Enquanto coloco seu cinto, ela prende a respiração. Esse ruído ecoa diretamente na minha virilha. Aperto bastante o cinto, tentando ignorar a reação do meu corpo.

— Isso deve mantê-la segura — balbucio. Um pensamento surge em minha mente, e então percebo que falei em voz alta: — Tenho que admitir que gosto de ver você presa assim. Não toque em nada.

Ela cora. Até que enfim um pouco de cor em seu rosto… e eu não resisto. Passo o dorso do indicador em sua bochecha, acompanhando o rubor.

Meu Deus, como quero essa mulher.

Ela franze a testa, e sei que é porque não pode se mover. Eu lhe entrego fones de ouvido, sento-me e coloco o cinto.

Faço as verificações que antecedem o voo. Todos os instrumentos no painel estão verdes, sem qualquer luz de alerta. Deixo a alavanca em posição de voo, determino o código do transmissor-receptor e verifico que a luz anticolisão está ligada. Tudo parece em ordem. Coloco os fones de ouvido, ligo os rádios e verifico as rotações por minuto do rotor.

Quando me viro para Ana, ela está me observando atentamente.

— Pronta?

— Pronta.

Está animada e de olhos bem abertos. Não consigo conter um sorriso voraz enquanto falo com a torre por radiotransmissão para me assegurar de que estão prestando atenção e escutando.

Quando tenho permissão para decolar, verifico a temperatura do óleo e também as outras medições. Está tudo dentro das faixas normais de operação, portanto ergo a alavanca, e Charlie Tango, como o elegante pássaro que é, sobe suavemente no ar.

Ah, eu amo isso.

Sinto-me um pouco mais confiante conforme ganhamos altitude. Então olho para a Srta. Steele ao meu lado.

Chegou o momento de impressioná-la.

Hora do show, Grey.

— Já perseguimos o amanhecer, Anastasia, agora vamos atrás do crepúsculo.

Eu sorrio e em retribuição recebo um sorriso tímido que ilumina seu rosto. A esperança se agita em meu peito. Eu a tenho aqui, comigo, mesmo achando que tudo estava perdido. Ela parece estar se divertindo e mais feliz do que quando saiu do escritório. Posso ser apenas uma carona, mas vou tentar aproveitar cada minuto desse voo com ela.

O Dr. Flynn ficaria orgulhoso.

Estou vivendo o momento. E estou otimista.

Dou conta disso. Posso reconquistá-la.

Devagar, Grey. Não se precipite.

— E, com o sol da tarde, há mais para ser visto desta vez — digo, quebrando o silêncio. — Ali fica o Escala. Ali é a Boeing, e, lá atrás, dá para ver o Space Needle.

Ela estica o pescoço fino para olhar, curiosa como sempre.

— Nunca fui lá — diz.

— Eu levo você, a gente podia comer lá.

— Christian, nós terminamos — afirma ela, com a voz consternada.

Não é isso que quero ouvir, porém tento não reagir de forma exagerada.

— Eu sei. Mas ainda posso levar você lá e alimentar você.

Lanço um olhar penetrante para ela, que cora, seu rosto adquirindo um adorável tom claro de rosa.

— É muito bonito aqui, obrigada — diz ela, e percebo que está mudando de assunto.

— Impressionante, não é? — concordo, pois ela tem razão.

Nunca me canso dessa vista.

— É impressionante que você possa fazer isso.

Seu elogio me surpreende.

— Elogios vindos de você, Srta. Steele? Sou um homem de muitos talentos — provoco.

— Tenho total consciência disso, Sr. Grey — diz ela com amargura.

Contenho um sorriso ao imaginar a que está se referindo. Foi disso que senti falta: sua impertinência me desarmando o tempo todo.

Continue conversando, Grey.

— Como vai o novo emprego?

— Bem, obrigada. É interessante.

— E como é o seu chefe?

— Ah, ele é legal.

Ela não parece nada entusiasmada com Jack Hyde. Será que ele tentou algo com ela?

— Qual é o problema? — pergunto.

Quero saber… Será que o babaca tentou alguma coisa inapropriada? Vou demiti-lo na mesma hora se ele tiver feito algo.

— Fora o óbvio, nada.

— O óbvio?

— Ah, Christian, às vezes você é realmente muito estúpido.

Ela me olha com um desprezo divertido.

— Estúpido? Eu? Não sei se gosto do seu tom, Srta. Steele.

— Bem, problema seu — brinca ela, cheia de si, me fazendo rir.

Gosto que ela zombe de mim e me provoque. É capaz de me fazer sentir minúsculo ou gigante com um simples olhar ou um sorriso… É revigorante e diferente de tudo o que já experimentei.

— Senti saudade do seu atrevimento.

Uma imagem dela de joelhos à minha frente surge na minha cabeça e me remexo no banco.

Merda. Concentre-se, Grey. Ela desvia o olhar, escondendo um sorriso, e observa a região do subúrbio passando lá embaixo enquanto eu verifico a direção: está tudo certo. Estamos a caminho de Portland.

Ana está quieta e de vez em quando olho furtivamente para ela. Seu rosto está iluminado de curiosidade e fascínio enquanto espia a paisagem e o céu opala. Suas bochechas parecem macias e brilham com a luz do entardecer. Apesar de sua palidez e das olheiras — indício do sofrimento que lhe causei —, está deslumbrante. Como posso ter deixado que ela saísse da minha vida?

No que eu estava pensando?

Enquanto avançamos velozmente acima das nuvens, bem alto no céu em nossa bolha, meu otimismo aumenta e o tumulto da semana anterior é atenuado. Aos poucos, começo a relaxar, apreciando uma serenidade que não sentia desde que ela se foi. Poderia me acostumar com isso. Eu me esqueci de como ficava contente na companhia dela. E é revigorante ver meu mundo pelo ponto de vista de Ana.

Mas à medida que nos aproximamos do nosso destino, minha confiança vacila. Estou torcendo para que meu plano funcione. Preciso levá-la a um lugar privativo. Para jantar, talvez. Droga. Eu deveria ter reservado algum restaurante.

Ela precisa ser alimentada. Se eu conseguir levá-la para jantar, então só terei que encontrar as palavras certas. Os últimos dias me mostraram que preciso de alguém… Preciso dela. Quero estar com Ana, mas será que ela vai me aceitar de volta? Será que consigo convencê-la a me dar uma segunda chance?

Só o tempo dirá, Grey… Relaxe. Não a assuste outra vez.

Quinze minutos depois, pousamos no único heliporto de Portland. Enquanto diminuo a velocidade dos rotores do Charlie Tango e desligo o transmissor-receptor, o combustível e os rádios, a insegurança que sinto desde que decidi reconquistá-la volta à tona. Preciso dizer a ela como me sinto, e vai ser difícil… porque não entendo meus sentimentos. Sei que senti sua falta, que fiquei infeliz sem ela e que estou disposto a tentar me relacionar do seu jeito. Mas será que vai ser suficiente para ela? Será que vai ser suficiente para mim?

Converse com ela, Grey.

Depois de tirar o cinto, me inclino para soltar o dela e inalo um pouco da sua fragrância doce. Como sempre, ela está cheirosa. Seu olhar encontra o meu por um instante furtivo, como se estivesse tendo algum pensamento inapropriado. O que será que está passando em sua cabeça? Como de costume, eu adoraria saber, mas não faço ideia.

— Fez boa viagem, Srta. Steele? — pergunto.

— Sim, obrigada, Sr. Grey.

— Bem, vamos lá ver as fotos daquele garoto.

Abro a porta, pulo para descer e estendo a mão para ela.

Joe, o administrador do heliporto, está aguardando para nos cumprimentar. Ele próprio é uma relíquia: é um veterano da guerra da Coreia, mas ainda é tão ágil e perspicaz quanto um homem de cinquenta e tantos anos pode ser. Nada lhe passa despercebido. Seus olhos se iluminam quando abre um sorriso enrugado para mim.

— Joe, tome conta dele para Stephan. Ele vai chegar lá pelas oito ou nove.

— Certo, Sr. Grey. Senhora. Seu carro está esperando lá embaixo, senhor. Ah, e o elevador está quebrado, vão ter que usar a escada.

— Obrigado, Joe.

Enquanto seguimos até a escada de emergência, noto o salto alto de Anastasia e me lembro da sua queda nada glamorosa em meu escritório.

— Usando esses saltos, sorte sua serem só três andares.

Disfarço um sorriso.

— Não gostou das botas? — indaga ela, olhando para os próprios pés.

Uma visão agradável daquelas botas sobre meus ombros me vem à mente.

— Gostei muito, Anastasia — murmuro, torcendo para que minha expressão não revele meus pensamentos lascivos. — Vamos com calma. Não quero que você caia e quebre o pescoço.

Fico grato que o elevador não esteja funcionando, porque isso me dá uma desculpa plausível para abraçá-la. Passo o braço em torno da cintura dela, puxo-a para perto e descemos a escada.

No carro, a caminho da galeria, minha ansiedade aumenta. Estamos prestes a comparecer a uma exposição do seu suposto amigo. O homem que, na última vez que o vi, tentava enfiar a língua dentro da boca de Anastasia. Talvez eles tenham se falado nos últimos dias. Talvez esse seja um encontro pelo qual os dois vêm aguardando ansiosamente há muito tempo.

Merda, eu não tinha pensado nessa possibilidade. Espero que não seja nada disso.

— José é só um amigo — diz Ana baixinho.

O quê? Ela sabe o que estou pensando? Sou tão óbvio assim? Desde quando?

Desde que ela me desarmou totalmente. Desde que descobri que preciso dela.

Ana me encara e meu estômago se revira.

— Esses lindos olhos estão grandes demais no seu rosto, Anastasia. Por favor, prometa-me que você vai comer.

— Prometo que vou comer, Christian — responde ela, mas não parece muito sincera.

— Estou falando sério.

— Ah, é?

Seu tom de voz é sarcástico, e quase fico sem reação.

Que se dane.

Está na hora de me declarar.

— Não quero brigar com você, Anastasia. Quero você de volta, e quero você saudável.

Fico honrado com sua expressão de choque e seus olhos arregalados.

— Mas nada mudou — diz ela, sua expressão sendo substituída por um cenho franzido.

Ah, Ana, mudou, sim… Senti um abalo sísmico dentro de mim.

Estacionamos diante da galeria e percebo que antes do evento não terei tempo de explicar.

— Chegamos. Na volta a gente conversa.

Antes que ela possa dizer que não está interessada, desço do carro, dou a volta até o seu lado e abro a porta. Ela parece brava ao sair.

— Por que você faz isso? — reclama ela, exasperada.

— Isso o quê?

Merda… Sobre o que ela está falando?

— Você fala uma coisa dessas e depois para.

É só isso? Por esse motivo ela está brava?

— Anastasia, nós chegamos. No lugar em que você queria estar. Agora nós vamos entrar, e depois conversamos. Eu realmente não quero fazer uma cena no meio da rua.

Ela comprime os lábios formando um biquinho petulante, então diz, com má vontade:

— Certo.

Seguro sua mão e entro depressa na galeria. Ela me segue, atrapalhada.

O espaço é iluminado e arejado. É um daqueles armazéns reformados que estão na moda, com piso de madeira e paredes de tijolos. Os entendedores de arte de Portland bebericam vinho barato e conversam aos sussurros enquanto admiram a exposição.

Uma jovem nos cumprimenta.

— Boa noite e bem-vindos à exposição de José Rodriguez.

Ela me encara.

Isto aqui é só fachada, querida. Olhe para outro lugar.

Ela fica confusa, mas parece se recuperar quando vê Anastasia.

— Ah, Ana, é você. Nós também vamos querer a sua opinião a respeito disso tudo.

Ela lhe entrega um folheto e nos indica o bar improvisado. Ana franze a testa, formando aquele pequeno v que eu adoro acima do nariz. Quero beijá-lo, como já fiz.

— Você a conhece? — pergunto.

Ela balança a cabeça, franzindo ainda mais a testa. Dou de ombros. Bem, isso é Portland.

— O que você quer beber?

— Vinho branco, obrigada.

Enquanto sigo para o bar, ouço um grito animado.

— Ana!

Eu me viro e vejo aquele cara com os braços em volta da minha garota.

Que inferno.

Não consigo ouvir o que estão conversando, mas Ana fecha os olhos, e por um instante terrível acho que vai começar a chorar. Mas ela mantém a compostura enquanto ele a segura com os braços esticados, observando-a.

Sim, ela está magra desse jeito por minha causa.

Tento conter a culpa que sinto, embora tenha a impressão de que ela está tentando tranquilizá-lo. Por outro lado, ele parece interessado para cacete nela. Interessado demais. A raiva irrompe no meu peito. Ana diz que José é só um amigo, mas é evidente que não é assim que ele se sente. Ele quer mais.

Cai fora, cara, ela é minha.

— O trabalho dele é impressionante, não acha?

Um jovem calvo com uma camisa espalhafatosa me distrai.

— Ainda não olhei direito — respondo, e me viro para o barman. — É só isso que vocês têm?

— Aham. Tinto ou branco? — pergunta ele, parecendo desinteressado.

— Duas taças de vinho branco — resmungo.

— Acho que você vai ficar impressionado. Rodriguez tem um olhar único — diz o idiota com aquela camisa irritante.

Eu o ignoro e dou uma olhada em Ana. Ela está me encarando, os olhos grandes e brilhantes. Meu sangue ferve, e é impossível desviar os olhos. Ela é um farol na multidão, e estou perdido em seu olhar. Ela está sensacional. O cabelo emoldurando o rosto e caindo em uma cascata deslumbrante que ondula sobre os seios. O vestido, mais largo do que eu lembrava, destaca suas curvas. Talvez ela o tenha escolhido de propósito. Sabe que é meu favorito, não sabe? Vestido sensual, botas sensuais…

Porra. Controle-se, Grey.

Rodriguez faz uma pergunta a Ana, que é forçada a interromper o contato visual comigo. Percebo que ela reluta em fazer isso, o que me agrada. Mas, que droga, o cara tem dentes perfeitos, ombros largos e usa um terno elegante. É um filho da puta bonitão para um maconheiro, preciso admitir. Ela assente para alguma coisa que ele diz, dando um sorriso simpático e despreocupado.

Eu gostaria que ela sorrisse assim para mim. Ele se inclina e lhe dá um beijo na bochecha. Maldito.

Olho com raiva para o barman.

Vamos logo, cara. Ele está demorando uma eternidade para servir o vinho, esse idiota incompetente.

Finalmente ele termina. Pego as taças, ignoro o cara ao meu lado que está falando sobre outro fotógrafo ou qualquer merda do tipo, e vou até Ana.

Pelo menos, Rodriguez a deixou em paz. Ela está distraída, contemplando uma das fotos. É uma paisagem, um lago, e não deixa de ter seu mérito, suponho. Ela me olha com uma expressão cautelosa quando lhe entrego a taça. Dou um gole rápido na minha. Caramba, que horror, um chardonnay quente e acarvalhado demais.

— Presta? — Ela parece fazer graça, mas não sei a que está se referindo… à exposição? Ao prédio? — O vinho — esclarece.

— Não. Raramente presta neste tipo de evento. — Mudo de assunto: — O garoto é bom, não é?

— Por que outro motivo você acha que pedi a ele para fotografar você?

Seu orgulho pelo trabalho dele é óbvio. Isso me irrita. Ela o admira e se interessa pelo seu sucesso porque gosta dele. Gosta demais. Um sentimento desagradável e amargo surge no meu peito. É ciúme, uma emoção nova que só senti com ela — e da qual não gosto nem um pouco.

— Christian Grey? — Um homem vestido como um mendigo enfia uma câmera na frente do meu rosto, interrompendo meus pensamentos sombrios. — Posso tirar uma foto, senhor?

Malditos paparazzi. Quero mandar ele se foder, mas resolvo ser educado. Não quero que Sam, meu assessor, tenha que lidar com uma reclamação da imprensa.

— Claro.

Estico o braço e puxo Ana para o meu lado. Quero que todos saibam que ela é minha… se me aceitar de volta.

Não se precipite, Grey.

O fotógrafo faz alguns cliques.

— Obrigado, Sr. Grey. — Pelo menos, parece grato. — Senhorita…? — pergunta ele, querendo saber o nome dela.

— Ana Steele — responde ela, timidamente.

— Obrigado, Srta. Steele.

Ele vai embora, e Anastasia também se afasta do meu abraço. Fico desapontado ao soltá-la, então cerro os punhos para resistir ao desejo de tocá-la outra vez.

Ela me olha com curiosidade.

— Procurei na internet por fotos suas com outras mulheres, e não existe nenhuma. É por isso que Kate achava que você era gay.

— Isso explica a pergunta indecorosa.

Não consigo conter o sorriso ao me lembrar do constrangimento dela no nosso primeiro encontro: sua falta de habilidade para entrevistas, suas perguntas. O senhor é gay, Sr. Grey? E a minha irritação.

Isso parece ter sido há tanto tempo… Balanço a cabeça e continuo:

— Não, eu não saio com qualquer uma, Anastasia, só com você. Mas você sabe disso.

E eu queria muito, muito mais.

— Então, você nunca saiu com as suas… — ela abaixa o tom de voz e dá uma olhada por cima dos ombros para conferir se não tem alguém ouvindo — submissas?

Fica pálida ao dizer essa palavra, constrangida.

— Às vezes. Mas nunca para um encontro. Para fazer compras, você sabe.

Aqueles passeios ocasionais eram só uma distração, talvez uma recompensa por um bom comportamento submisso. A única mulher com quem quis compartilhar mais… é Ana.

— Só você, Anastasia — sussurro, e quero contar meu lado da história, perguntar sobre a minha proposta, saber o que ela acha, se vai me aceitar de volta.

No entanto, a galeria é um lugar público demais. Suas bochechas exibem aquele tom rosado delicioso que adoro, e ela observa as próprias mãos. Espero que seja porque está gostando das minhas respostas, mas não tenho certeza. Preciso tirá-la daqui e ficar sozinho com ela. Assim poderemos conversar com seriedade e comer. Quanto mais rápido virmos o trabalho do garoto, mais rápido poderemos ir embora.

— Seu amigo parece mais um cara de paisagens do que de retratos. Vamos dar uma olhada.

Estendo a mão e, para a minha alegria, ela a segura.

Caminhamos pela galeria, parando brevemente diante de cada fotografia. Por mais que eu não goste do garoto nem dos sentimentos que tem por Ana, preciso admitir que ele é muito bom. Viramos no corredor… e paramos.

Lá está ela. Sete retratos de Anastasia Steele em toda sua glória. Está estonteante de linda, natural e à vontade — rindo, fazendo careta, beicinho, pensativa, entretida, e, em um deles, melancólica e triste. Enquanto analiso os detalhes de cada fotografia, eu sei, sem sombra de dúvida, que ele quer ser muito mais do que um amigo.

— Parece que não sou o único — resmungo.

As fotografias são uma homenagem a ela — como cartas de amor — e estão espalhadas por toda a extensão da galeria para qualquer babaca admirar.

Ana as observa em silêncio, impressionada, tão surpresa quanto eu ao vê-las. Bem, não tem a menor chance de outra pessoa comprá-las. Eu quero as fotos. Espero que estejam à venda.

— Com licença.

Abandono Ana por um instante e me dirijo à recepção.

— Posso ajudá-lo? — diz a mulher que nos cumprimentou na chegada.

Ignorando suas piscadelas e seu sorriso provocativo, com um batom vermelho exagerado, pergunto:

— Os sete retratos pendurados lá atrás estão à venda?

Ela exibe uma expressão decepcionada, mas logo a substitui por um grande sorriso.

— A coleção Anastasia? Trabalho incrível.

Modelo incrível.

— Claro que estão à venda. Vou só conferir os preços — diz, entusiasmada.

— Quero todos — informo, pegando a carteira.

— Todos? — Ela fica surpresa.

— Sim.

Mulher irritante.

— A coleção custa quatorze mil dólares.

— Quero que sejam entregues o quanto antes.

— Mas elas devem ficar à mostra até o fim da exposição — diz ela.

Inaceitável.

Abro meu melhor sorriso, e ela acrescenta, afobada:

— Mas tenho certeza de que podemos resolver isso.

Ela se atrapalha ao passar meu cartão de crédito.

Quando volto para Ana, encontro um cara louro conversando com ela, tentando a sorte.

— Estas fotos estão fantásticas — diz ele.

Coloco a mão no cotovelo dela de maneira possessiva e lhe dirijo meu melhor olhar de “dê o fora agora”.

— Você é um cara de sorte — acrescenta o rapaz, dando um passo atrás.

— Sou mesmo — respondo, dispensando ele e guiando Ana para a parede.

— Você acabou de comprar uma das fotos?

Ana aponta com a cabeça para os retratos.

— Uma das fotos? — pergunto com escárnio.

Uma? Sério?

— Você comprou mais de uma?

— Comprei todas, Anastasia.

Sei que soo condescendente, mas nem consigo imaginar outra pessoa comprando e apreciando essas fotografias, está fora de questão. Seus lábios se entreabrem numa expressão de surpresa, mas tento não deixar que isso me distraia.

— Não quero estranho nenhum cobiçando você na privacidade de sua casa.

— E você prefere que seja você? — retruca ela.

Sua resposta, embora inesperada, me diverte. Ela está me censurando.

— Para falar a verdade, sim — respondo no mesmo tom.

— Pervertido — articula ela sem emitir som, e morde o lábio, suspeito que para conter o riso.

Meu Deus, ela é desafiadora, engraçada e está certa.

— Aí está algo que não posso negar, Anastasia.

Copyright © E L James 2017

testePor que estamos tão ansiosos para Cinquenta Tons de Liberdade

O terceiro filme inspirado na série Cinquenta tons de cinza estreia em fevereiro de 2018, mas já estamos morrendo de saudades de Christian Grey, nosso milionário favorito. Cinquenta Tons de Liberdade acompanha o casal mais comprometido e apaixonado, lutando para superar seus problemas e manter o relacionamento saudável. Separamos quatro motivos para pularmos de ansiedade com o lançamento do último filme da série. Confira:

1. Os trechos que nunca vamos esquecer


Sabemos que, às vezes, a adaptação não faz jus ao livro, mas ver nossas cenas favoritas na telona do cinema dá uma emoção, né? Com o último trailer, vimos que algumas partes mais românticas e emocionantes do livro conquistaram espaço no filme. O casamento e a lua de mel de Christian e Ana fizeram nosso coração palpitar, então mal podemos esperar para ver todos os detalhes no filme.

2. Mulheres gostam de sexo, sim!

Tratada como tabu e reprimida por séculos, a literatura erótica era motivo de vergonha e timidez para muitas mulheres. E L James transgrediu e fez com que o assunto fosse falado com mais liberdade. Afinal, não há nada de errado em mulheres falando sobre e expressando sua sexualidade. Graças à autora, a literatura erótica nunca esteve em tanta evidência.

3. Nosso adeus ao casal 

Depois de chorarmos com os altos e baixos desse relacionamento, finalmente vemos tudo dando certo. Christian revela seu lado mais romântico e feliz, mas sem deixar de lado as cenas picantes. Descobrimos os segredos mais obscuros de seu passado e como ele luta para superar isso e ficar com Ana. Vamos sentir falta desse casal.

4. A volta do vilão


Se você leu Cinquenta tons mais escuros, sabe que Jack, ex-chefe de Ana, é um ótimo antagonista para Christian, mesmo querendo separar nossos recém-casados. Sua volta à trama traz alguns incidentes que vão pôr em risco a vida de Grey e desenterrar mistérios do passado.

 

testeNovo trailer de Cinquenta Tons de Liberdade

O terceiro e último filme baseado na trilogia Cinquenta tons de cinza estreia em fevereiro de 2018, mas o novo trailer acaba de ser divulgado.

Com cenários maravilhosos e cenas quentíssimas, o trailer de Cinquenta tons de liberdade nos dá mais informações sobre o rumo da história e sobre o relacionamento de Ana e Grey.

Confira:

testeContinuação de Grey chega às livrarias brasileiras em 2018

Depois de quase dois anos de espera, E L James, autora da série Cinquenta tons de cinza, anunciou em seu Instagram que está pronta a continuação do livro Grey: Cinquenta tons de cinza pelos olhos de Christian.

O livro, ainda sem capa ou título definidos em português, chega às livrarias brasileiras no início de 2018. Na sequência de Grey, o personagem que arrebatou o coração de Anastasia Steele contará os acontecimentos de Cinquenta tons mais escuros do seu ponto de vista.

Enquanto o livro não chega, podemos assistir ao trailer do filme Cinquenta Tons de Liberdade, cuja edição especial com capa inspirada no pôster do filme será lançada em janeiro de 2018. Confira: 

testeO primeiro teaser de Cinquenta tons de liberdade

Se você não terminou de ler a trilogia, cuidado! Este post contém spoiler!

O terceiro e último filme inspirado na trilogia Cinquenta tons de cinza só estreia em fevereiro de 2018, mas as novidades sobre o longa já começaram a ser divulgadas!

No primeiro teaser do filme podemos ver as imagens do casamento de Ana e Grey e da lua de mel do casal na Europa!

Confira:


  

 

 

 

teste10 livros para aproveitar o Carnaval

Para curtir entre um bloco e outro, para levar na bagagem ou para fugir da agitação: separamos dez leituras para você aproveitar esses cinco dias de Carnaval.

 

Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty

Um misterioso crime aconteceu em uma festa à fantasia. Enquanto as investigações e fofocas transcorrem, acompanhamos a história de três mulheres, cada uma diante de sua encruzilhada particular. Reunindo na mesma cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos domésticos, o romance de Liane Moriarty inspirou a nova série da HBO: Big Little Lies, com Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley. A trama explora com habilidade os perigos das meias verdades que todos contamos o tempo inteiro. [Leia +]

 

A viúva, de Fiona Barton

Leitura perfeita para quem gosta de thrillers como Garota exemplar, de Gillian Flynn. O celebrado romance de estreia da jornalista Fiona Barton reconstrói um crime imperdoável por meio de três perspectivas diferentes (a viúva do suspeito, o detetive que lidera a investigação e a jornalista que cobre o caso) ao mesmo tempo em que faz uma análise impiedosa de um relacionamento complexo.

Na trama, Jean Taylor deixou de contar, ao longo dos anos, muitas coisas sobre o terrível crime do qual o marido era suspeito. No entanto, após um acidente cheio de enigmas, o marido está morto, e Jean não precisa mais representar o papel de esposa perfeita. [Leia +]

 

Uma pergunta por dia

Há quem diga que o ano só começa depois do Carnaval. Então se você ainda não está registrando suas memórias de 2017, o momento não poderia ser melhor!

Uma pergunta por dia convida o leitor a anotar, todos os dias, suas respostas a uma variedade de questões, das mais simples às mais complicadas, como “Para onde você quer fazer sua próxima viagem?” ou “Escreva a primeira linha da sua autobiografia”. Em cada página há espaço para cinco respostas, uma por ano, ao longo de cinco anos. Com o passar do tempo, quando voltar a um dia já anotado, você encontrará seus pensamentos anteriores, num exercício divertido e construtivo de recordar e refletir. 

 

Paris para um e outros contos, de Jojo Moyes

Nada melhor para relaxar do que dez histórias divertidas e apaixonantes escritas por Jojo Moyes, autora de romances inesquecíveis como A última carta de amor e Como eu era antes de você.

No conto que dá título ao livro, a jovem Nell planeja um final de semana romântico em Paris com o namorado e fica sabendo, já na estação de trem, que ele desistiu de acompanhá-la. Sozinha em um país estrangeiro, Nell descobre uma nova versão de si mesma, independente e corajosa. Já em “Lua de mel em Paris”, que fecha a coletânea, Jojo Moyes brinda os leitores com um reencontro com as personagens do best-seller A garota que você deixou para trás, Liv e Sophie, que, separadas por algumas décadas, acreditam que o casamento é apenas o início de suas histórias de amor.

 

Como eu era antes de você, de Jojo Moyes

Falando em Jojo Moyes, se você ainda não leu Como eu era antes de você aproveite o feriado! A história de amor de Will e Lou emocionou leitores do mundo inteiro e chegou aos cinemas ano passado em uma adaptação bem fiel estrelada por Emilia Clarke e Sam Claflin.

Mas se você já leu, nossa dica é a continuação Depois de você. [Leia +]

 

Matéria escura, de Blake Crouch 

Você é feliz com a vida que tem? Essas são as últimas palavras que Jason Dessen ouve antes de acordar num laboratório, preso a uma maca. Neste novo mundo, ele leva outra vida. Sua esposa não é sua esposa, seu filho nunca nasceu e, em vez de professor numa universidade mediana, ele é um gênio da física quântica que conseguiu um feito inimaginável. Algo impossível. Será que este é mesmo seu mundo, e o outro é apenas um sonho? E, se esta não for a vida que ele sempre levou, como voltar para sua família e tudo que ele conhece por realidade?

Com ritmo veloz e muita ação, Matéria escura é uma criação de Blake Crouch, também autor da trilogia Wayward Pines, que deu origem à série de TV exibida pela FOX. [Leia +]

 

Cinquenta tons mais escuros, de E L James

Para celebrar a estreia da segunda parte do romance de Christian Grey e Anastasia Steele nos cinemas, lançamos uma edição especial de Cinquenta tons mais escuros com capa inspirada no cartaz do filme. Além disso, a nova edição tem fotos e comentários de E L James sobre os bastidores das gravações e um trecho antecipado de Cinquenta tons mais escuros pelos olhos de Christian, próximo romance da autora. [Leia +]

 

Aconteceu naquele verão, organizado por Stephanie Perkins

Bem-vindos à estação mais ensolarada e apaixonante de todas! No verão, somos todos iguais, diz um dos personagens do conto “Mil maneiras de tudo isso dar errado”. Em qualquer lugar do mundo, uma coisa é certa: no verão, nossos corações ficam mais leves, mais corajosos, impetuosos e confiantes — talvez por isso esta seja a estação perfeita para se apaixonar…

Ideal para quem adora história de amor, Aconteceu naquele verão reúne doze contos apaixonantes e surpreendentes de doze escritores amados como Cassandra Clare e Veronica Roth. Com as mais diversas referências que agradam desde o leitor mais romântico até os fãs do seriado Black Mirror. [Leia +]

Série O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares

Com fotografias sinistras e uma narrativa emocionante, o sombrio universo criado por Ransom Riggs conta a história de Jacob Portman, um garoto de 16 anos, que precisa superar a misteriosa morte do avô e parte em busca de respostas.

Em O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, Jacob segue as pistas deixadas pelo avô que o levam a um casarão abandonado numa remota ilha do País de Gales. O local abrigava crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine. Nas sequências Cidade dos etéreos e Biblioteca de almas acompanhamos a batalha de Jacob e seus companheiros na batalha pela sobrevivência dos peculiares.

 

Não se enrola, não, de Isabela Freitas

“Enrolar-se: pensar de um jeito e fazer exatamente o contrário.” Após Não se apega, não e a sequência, Não se iluda, não, Isabela Freitas mostra em seu terceiro livro os primeiros passos de seus personagens na vida adulta, com toda a independência e as responsabilidades que ela proporciona. [Leia +]

testeCenas que me fizeram suspirar ou que me deixaram #chateada em Cinquenta tons mais escuros

Por Nina Lopes*

Como boa fã de Cinquenta tons de cinza, esperei ansiosamente pelo segundo filme. Portanto, assim que estreou, corri para marcar uma sessão de cinema com vários amigos. Chegando lá, pegamos nossa pipoca (afinal de contas, Grey gosta que a gente esteja sempre alimentada) e nos preparamos para curtir a sequência de uma das histórias de amor mais emblemáticas dos últimos tempos.

Confesso que adorei o filme, mas minha expectativa também era muito alta e fiquei um pouco frustrada com alguns detalhes. Não podia ser diferente, pois tudo o que envolve o Grey é polêmico, e a gente gosta mesmo de babado e confusão!

Segue abaixo uma pequena lista com os altos e baixos do filme, com base apenas na minha opinião. Aproveitem também para comentar e dizer o que amaram ou não no filme!

Cinquenta tons de alegria plena:

  1. A cena do pedido de casamento. Que cenário mais romântico! Minha deusa interior ficou boquiaberta.
  2. Christian Grey malhando. Não, não a cena que aparece no trailer. A que ele está no cavalo com alças. Multiplica, senhor!
  3. O embate de Anastasia com as inimigas: a ameaça de Leila, que dá um tom realmente assustador ao filme, e a cena em que Ana diz as verdades que Elena precisa ouvir.
  4. As revelações de Christian sobre seu passado. Adoro ver o lado sensível dele. Ai, assim meu coração não aguenta!

 

Cinquenta tons de esperava mais:

  1. Estou até agora me perguntando por que Christian Grey não conseguia tirar aquela calça jeans…
  2. As cenas de conflito duram muito pouco. No livro, os obstáculos que os dois precisam superar parecem muito mais desafiadores. Caprichem mais nas tretas, gente!
  3. A cena do sorvete de baunilha ficou de fora para a nossa tristeza.
  4. Os diálogos dos protagonistas no primeiro filme tinham mais comentários irônicos e bem-humorados. E nós amamos o lado sarcástico de Grey!

 

*Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeComo Cinquenta tons de cinza nos trouxe liberdade

Por Nina Lopes*

Cinquenta tons de cinza foi lançado em 2012. Em 2017, a adaptação cinematográfica do segundo livro da série acabou de chegar aos cinemas. Ou seja, cinco anos depois Grey continua com tudo. Porque, vamos combinar, ele é eterno, doa a quem doer. E para entender um pouco melhor sobre sua permanência nas listas de mais vendidos e a importância dessa obra é preciso voltar um pouco no tempo.

Vamos começar no Antigo Regime, que cobre um período entre os séculos XV até início do XVIII. Nessa época, os livros com conteúdo erótico não tinham permissão da Igreja e do Estado para serem publicados, portanto eram vendidos de forma clandestina. As poucas escritoras femininas preferiam o anonimato e o uso de pseudônimos para evitar o julgamento alheio e a perseguição que sofriam caso assumissem a autoria. Inclusive, elas eram consideradas incapazes de descrever cenas sensuais com a mesma precisão que os homens. Acreditavam que só eles entendiam do assunto e por isso eram os únicos aptos a escrever sobre o tema. Chocante, né?

Já no século XVIII, as mulheres tinham muito tempo livre em casa e gostavam de ler romances. Nesse momento, o gênero já sofria críticas por ser uma leitura de diversão. No século seguinte, o romantismo se expandiu com a chegada dos folhetins e passou a ser chamado de “literatura de massa”, atingindo as camadas populares. Mas nem tudo é fácil e a crítica não deixava barato, afinal de contas a elite intelectual não aceitava ter a mesma preferência literária que os emergentes.

A temática do sexo já fazia sucesso, mas esses livros eram chamados de “romances para homens”. Não era bem-visto que as mulheres lessem essas histórias, pois eram consideradas má influência. Mas elas não eram bobas e compravam escondidas ou liam o exemplar do marido enquanto ele não estava em casa. Contudo, era impensável assumir que gostavam desse gênero ou ler esses livros em público.

No século XX, a sexualidade foi incorporada pelo capitalismo para gerar lucro. E a mulher, nesse novo contexto, passou a ser vista como objeto sexual, sem voz ativa. Mas nem tudo estava perdido e no final do século conquistamos a libertação feminina, e a literatura erótica passou a ser majoritariamente produzida por mulheres. Porém, essa produção ficava confinada aos livros de bolso vendidos em bancas de jornal, nada de destaque nas vitrines das livrarias ou aposta nos catálogos das editoras. E foi só no século XXI que Cinquenta tons de cinza tirou a literatura erótica desse “esconderijo” e a colocou sob os holofotes.

Portanto, fica claro que o obsceno na literatura sempre foi condenado e repreendido. Além disso, a visão do homem era predominante. A produção feminina começou tarde e enfrentou desafios, e quem quebra paradigmas é sempre criticado. A crítica mantém sua postura, afinal não quer perder a autoridade intelectual. Mas já está na hora de entender que o público leitor é heterogêneo.

Foi com a coragem de autoras como E L James que conseguimos transgredir uma repressão que durou muito tempo, nos permitindo alcançar a liberdade que temos hoje. Cinquenta tons de cinza retrata o momento em que vivemos ao contar uma história romântica moderna, com as mulheres assumindo a autoria, as fantasias e lendo textos eróticos em público.

Acima de tudo, E L James decidiu contar uma história de amor. O problema é que o prazer e o amor são simples, e por isso mesmo desprezados. Mas não só no campo literário, como em outros aspectos da vida, o ato de espalhar o amor precisa ser mais valorizado. Então, que chorem as inimigas, que chorem os críticos, eu tenho muito orgulho de fazer parte da geração que dá voz às mulheres, que coloca uma escritora falando tão abertamente sobre amor e sexo no topo das listas de mais vendidos do mundo todo. Segue o show, Grey!

 

*Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.