testeA adaptação de “Tartarugas até lá embaixo” encontrou sua diretora!

A Fox 2000 acabou de anunciar que Hannah Marks, atriz que interpretou Amanda Brotzman na série Dirk Gently’s Holistic Detective Agency, da Netflix, será a diretora da adaptação cinematográfica de Tartarugas até lá embaixo, o mais recente livro de John Green.

O roteiro está nas mãos de Elizabeth Berger e Isaac Aptaker, responsáveis pela adaptação de Com amor, Simon e por alguns episódios da série This is Us.

John Green é produtor-executivo junto com Rosianna Halse Roja, que também cuidou de A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel.

Só lembrando que um dos maiores sucessos de Green, Quem é você, Alasca?, também vai virar uma série produzida pelo Hulu e já escalou seus protagonistas.

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testeEu, John Green e os infinitos dentro de nós

Por Leticia Vallecilo*

Existem histórias que passam rápido, outras que ficam por um tempo, mas tem aquelas que nunca realmente vão embora, que nos acompanham desde a primeira leitura até as adaptações cinematográficas e que nos deixam morrendo de vontade de ler todos os livros do autor. Certa vez, um escritor entrou na minha vida em forma de metáforas, amor e lágrimas, and this, kids, is How I Met John Green (caso não tenha entendido a referência, deixarei um texto para você nas sugestões lá no final).   

Se alguém me pergunta por que ler um livro do John Green, a resposta vem fácil: porque ter um livro dele nas mãos é como estar com um amigo. Eles te fazem rir, emocionam, fazem o tempo passar mais rápido naqueles momentos chatos, ensinam lições importantes, mostram pontos de vista diferentes e, quando você termina, quando finalmente precisa deixá-los, a vontade que fica é de abraçá-los com força e não largar nunca mais. Mas, como acontece com todo bom amigo, os anos de distância não diminuem o sentimento.

Eu tinha 18 anos, fazia faculdade do outro lado da cidade e passava muita raiva nos transportes públicos quando decidi que era hora de trazer Hazel Grace e Augustus Waters para me ajudarem a enfrentar essa odisseia diária. Eu posso até não lembrar o que jantei ontem ou quem disputou a semifinal da Copa do Mundo, mas é impossível esquecer onde estava quando a cena da capela me fez chorar compulsivamente em público. “POR QUE FAZ ISSO COMIGO?”, pensei, em caps lock. “Sabe de nada, inocente”, respondeu a versão imaginada do John Green na minha cabeça. 

As cento e vinte três caixas de lenços de papel foram só uma amostra do novo mundo que se abriria para mim, e não demorou muito para que eu desse gargalhadas com o Colin de O teorema Katherine (que tem uma habilidade sobre-humana de se apaixonar por meninas chamadas Katherine). Alguns anos depois, esbarrei com uma edição de Cidades de papel na estante da casa de uma prima. Eu pedi umas quarenta vezes, o que pode ou não ter envolvido tentativas de chantagem emocional, mas ela não quis me emprestar, porque era o “xodó” dela. Não teve jeito, eu precisei seguir a vida me contentando em assistir à adaptação de A culpa é das estrelas (e chorar nas mesmas cenas) mais um milhão de vezes e em ver a Cara Delevingne sendo linda no filme inspirado em Cidades de papel.

Foi aí que eu entrei na Intrínseca e Quem é você, Alasca? logo cruzou o meu caminho. Uma ida de ônibus para São Paulo e eu já estava arrebatada: nossa, que história! (Muitas pessoas me diziam que Alasca era melhor que Culpa, mas, como uma cinéfila que não consegue escolher entre Titanic e E.T., recomendo que leiam os dois.) Pouco mais de um ano depois, recebemos o grande e esperado lançamento do autor, Tartarugas até lá embaixo (que eu li antes da minha prima porque o mundo dá voltas), e é obvio que após tantos livros e filmes inspirados nas obras dele eu já era uma fã de carteirinha (ou Nerdfighter, if you know what i mean).

De todos os livros do John Green, Tartarugas foi o único com o qual tive a oportunidade de trabalhar no departamento de marketing. Foi uma sensação totalmente diferente, porque me apaixonar pela Aza junto com tantos leitores tornou essa história ainda mais especial. Se tinha algo que faltava para o John marcar um “J” no meu coração, agora está tudo mais que completo. E, embora seja difícil encontrar quem veja o mesmo mundo que o meu, graças a ele eu encontrei milhares.

Por isso digo que os livros do John são aqueles amigos que ficam para sempre. Faz cinco anos desde que aprendi que “Alguns infinitos são maiores que outros”, e, mesmo depois de tanto tempo, de conhecer a complexidade da Alasca, de rir com as confusões do Colin, de explorar os mistérios da Margo e de mergulhar nos pensamentos da Aza, aqueles Hazel e Gus do primeiro livro estarão sempre convidados para cruzar a cidade — e a vida — junto comigo, porque o nosso infinito é maior que aquele entre 0,1 e 1.000.000.

P.S.: Todas as referências de Cidades de papel deste texto foram baseadas no filme, pois apesar dos anos e das voltas do universo, Julia jamais me emprestou seu exemplar.

Leticia Vallecilo tem uma prima egoísta, já assistiu a How I Met Your Mother quatro vezes e felizmente não precisa mais cruzar a cidade todos os dias.

testeNovo Livro de John Green, Tartarugas até lá embaixo, vai virar filme

Apaixonados por Hazel e Gus, mais uma história inesquecível de John Green será adaptada para os cinemas! A Fox 2000 acaba de comprar os direitos de Tartarugas até lá embaixo, novo livro do autor, que conta a história de Aza Holmes, uma garota de 16 anos que sofre de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e tenta se libertar das espirais de pensamento que a aprisionam.

Essa será a terceira adaptação cinematográfica de John Green. Lançado em 2014, A Culpa é das Estrelas se tornou um fenômeno mundial, arrecadando 307,2 milhões de dólares e transformando Shailene Woodley e Ansel Elgort em grandes estrelas. Em 2015, Cidades de Papel teve estreia mundial aqui no Brasil com a presença do próprio John Green! Protagonizado por Nat Wolff e Cara Delevingne, o longa arrecadou 85,4 milhões de dólares no mundo todo.

No canal que divide com o irmão Hank, Vlogbrothers, o autor falou sobre suas expectativas para o filme e já perguntou aos leitores: que atriz seria perfeita para interpretar Aza Holmes?

testeEspelho, espelho meu: existe alguém mais ferrado do que eu?

Estreia da atriz Cara Delevingne na literatura, Jogo de espelhos é um romance reconfortante e inspirador

Por Pedro Martins*

É cada vez mais difícil encontrar histórias jovens que não pequem pela mesmice. Felizmente, não é o caso de Jogo de espelhos, romance de estreia da atriz Cara Delevingne em parceria com a escritora Rowan Coleman, que retratam a adolescência por uma lente genuína e inspiradora.

Ser jovem não é fácil. Muitos esquecem, mas trata-se de um período em que olhar para o espelho e se sentir bem chega a ser questão de sorte. Afinal, na maioria das vezes, aquele reflexo nem sequer lhe representa. É só uma farsa; um escudo cuidadosamente projetado, construído e reformado a cada dia. É compreensível que muitos prefiram fechar as cortinas para se manter a salvo da crueldade do mundo.

Mas este não é o caso de Naomi, Rose, Leo e Red, que são obrigados a formar uma banda para um projeto escolar e, por ironia do destino, chegam ao sucesso. Tão diferentes entre si, através da música eles encontram um caminho para enfrentar seus problemas: a amizade.

No entanto, tudo desmorona quando Naomi desaparece misteriosamente e, semanas depois, é encontrada entre a vida e a morte no rio Tâmisa. Em coma, ela não pode revelar aos amigos e aos familiares seus porquês. Todos sabem que Naomi costumava fugir de casa, mas dessa vez foi diferente. A dúvida que paira no ar é: teria sido uma tentativa de suicídio ou um ataque?

Premissa parecida com a de Cidades de Papel, certo? Errado! As motivações para os sumiços de Margo e Naomi não têm nada em comum. Enquanto John Green se propõe a contar uma história despretensiosa e poética de amor juvenil, Delevingne vai de alcoolismo a transtornos mentais. Suas metáforas, poucas e certeiras, não romantizam as situações.

Profunda em sua leveza, a escrita de Cara e Rowan empresta grande verdade à história. No ritmo da própria adolescência, os diálogos e os dilemas saltam às páginas, fazendo a trama avançar em tom de urgência. Apesar de não impressionar, o enredo investigativo tampouco decepciona, entrelaçando-se com o que há de melhor no livro: os personagens. Com suas explosões emocionais, Red, Leo e Rose em poucas páginas despertam empatia do leitor e tornam a história encantadora – mesmo que de maneira angustiante.

Em Jogo de espelhos há pouco espaço para o riso. Faz sentido: na juventude, não são raros os momentos que vivemos mergulhados no medo e no suspense. E isso de forma alguma torna o livro chato. Pelo contrário: através da escrita, Delevingne encontrou o caminho para a empatia, sentimento que tanto falta ao que a indústria do entretenimento tem produzido.

Alcoolismo, drogas, conflitos de sexualidade, ausência paterna, abusos, bullying, depressão… As figuras carimbadas do universo adolescente estão por toda a trama, mas escritas sob um olhar fresco que as afasta do clichê. Delevingne definitivamente não está preocupada em cumprir a check-list da duramente criticada geração mimimi. Nada soa forçado ou está para uma falsa militância. Acima de tudo, Jogo de espelhos traz conforto e inspiração àqueles que se sentem perdidos – para quem Cara dedica o livro.

*Pedro Martins descobriu a magia da leitura aos oito anos por meio dos livros de J.K. Rowling. Essa paixão o levou a ser gerente de conteúdo do Potterish.com e o empurrou em direção ao jornalismo, possibilitando-o escrever sobre literatura para diversos portais, do britânico The Guardian ao brasileiro Omelete.