testeBullying e representatividade em Fantasma

Finalista do National Book Award de 2016 — um dos prêmios literários de maior relevância no mercado — na categoria de literatura jovem, Fantasma, de Jason Reynolds, é um dos grandes lançamentos de YA do segundo semestre da Intrínseca.  A obra aborda temas como desigualdade, bullying, invisibilidade social, amizade e racismo, além de discutir a importância do esporte na vida dos jovens, tudo isso em uma narrativa verossímil e sensível.

No livro, Fantasma é um garoto que sempre soube que correr era o seu forte, mas nunca levou a atividade muito a sério. Até que, certo dia, ele disputa uma corrida contra um dos melhores atletas de uma equipe que está treinando na pista de atletismo do parque. E vence. O treinador percebe que Fantasma tem talento de sobra e quer que o menino entre para sua equipe de qualquer jeito. O problema é que Fantasma também tem muita raiva e um passado que tenta desesperadamente deixar para trás.

Em entrevista, o autor, Jason Reynolds, explicou que gosta de escrever sobre pessoas, famílias e bairros que ninguém conhece ou que estão à margem da sociedade. Para ele, independentemente da cor da pele ou do lugar de onde veio, todos têm uma história incrível para contar.  Jason declarou também que escreveu Fantasma para todos os jovens que se sentem sufocados, exaustos e traumatizados de tanto tentar fugir dos problemas.

A obra chega às livrarias a partir de 10 de agosto.

testeSonhos partidos constroem corações mais fortes

Por Suelen Lopes*

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Existe alguém que nunca teve o coração partido ou um sonho que foi por água abaixo? Acho que a resposta é não. Se por acaso eu estiver enganada e você pertencer ao seleto grupo de pessoas que, até agora, passou impune pela vida, sinto muito, mas isso não é motivo para comemorações. Desejo apenas boa sorte, porque quanto mais tarde essa hora chegar, pior. O sofrimento faz parte da vida. Ainda bem.

As nossas memórias — e o esquecimento — muitas vezes nos protegem do sofrimento. Ninguém quer se lembrar o tempo todo de uma situação ruim. E isso é normal. O importante é nos darmos conta de como nossas lembranças são construídas, pois é comum termos a impressão de que a memória é algo quase documental, como um jornal antigo que fica guardado em uma gaveta que você pode abrir a qualquer momento. Não é bem assim. Talvez não haja nada mais pulverizado e ficcional do que a memória.

sonhospartidosgrandeEm Sonhos Partidos, de M. O. Walsh, o narrador, já adulto, parte de suas lembranças da adolescência para contar como o passado influenciou sua vida. A construção da memória foi importante para que ele se tornasse quem é. Nossas lembranças são subjetivas, não uma simples fixação da realidade; basta pensar que uma mesma situação pode ser irrelevante para uma pessoa e marcar para sempre a vida de outra. Quem nunca ouviu alguém contar uma história que também presenciou e começou a se perguntar se realmente haviam estado no mesmo lugar, na mesma hora?

A narrativa de Walsh se passa em Baton Rouge, capital do estado da Louisiana, nos Estados Unidos. E no verão de 1989, Lindy Simpson, uma das garotas mais bonitas do bairro, é estuprada perto de casa. Os subúrbios bucólicos de Baton Rouge aparentemente também têm um lado obscuro, assim como nossa memória. Guardamos entre nossas lembranças diversos acontecimentos alegres e lúdicos: brincadeiras de infância, saídas com amigos, viagens, amores. No entanto, há também, em um canto sombrio, as recordações obscuras: os entes queridos que se foram, a família destruída, violência, decepções, tristezas, traições, pessoas que te abandonaram — levando uma parte sua junto. É a combinação desses dois lados que constrói nossa personalidade.

Um dos melhores livros que li nos últimos tempos, Sonhos partidos também arrebatou o coração de pessoas da equipe e de outros departamentos da editora. Apesar da linguagem simples, as reflexões de Walsh estão longe de qualquer simplicidade. Enquanto trabalhava no texto, eu separava diversas frases, porque sabia que era o tipo de obra que não se lê apenas uma vez. O narrador nos transporta para uma vida que não é nossa, mas que qualquer um poderia ter vivido. Crime, sexualidade, culpa, bullying, paixão, medo, descobertas, família, obsessão, amor. É um livro sobre viver.

Tudo que foi vivenciado provavelmente ainda está em você. Cada cena, cada frase, cada pessoa. Nada passa sem nos tocar de alguma forma. Assim, criamos nossas próprias narrativas. E vida e linguagem caminham lado a lado, confluem, para esgotar tabus, dor, e possibilitar as vivências em toda a sua natureza humana. As vulnerabilidades são elementos fundamentais para a nossa força e sensibilidade, e não há nada mais paralisante que o medo de errar. O medo da possibilidade de sofrer. Evitar o sofrimento é evitar a felicidade. A verdade é que a gente nunca sabe o que vai acontecer lá na frente. Ainda bem.

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Leia um trecho do livro

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Leia também: As delicadas formas de pensar | Por Rebeca Bolite 
Não deixe passar o trem que pode mudar a sua vida | Por Suelen Lopes
Amber Appleton e o poder da música | Por Rachel Rimas

*Suelen Lopes é editora assistente no setor de ficção estrangeira da Intrínseca. Gosta de chá, golden retriever e francês, e acredita que dar voz à vulnerabilidade humana ainda vai mudar o mundo.

testePrecisamos falar sobre Yaqui Delgado

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Nossa editora de ficção jovem, Cristhiane Ruiz, ficou tão apaixonada por Yaqui Delgado quer quebrar a sua cara que se incumbiu da tarefa de divulgar a história. O tema é delicado, mas, justamente por isso, necessário: o bullying. Infelizmente, esse tipo de agressão verbal e física está presente na vida de muitos jovens, seja nas escolas, nas ruas ou nos bairros onde moram.

untitledÉ preciso falar sobre isso, e um dos instrumentos para o diálogo é a literatura.

O objetivo da Cristhiane é que esse livro alcance os adolescentes e os ajude a refletir, a discutir o problema. Para isso, ela escolheu se dirigir aos professores, elaborando um guia de leitura que visa facilitar a abordagem em sala de aula.

Nesse guia, você vai encontrar sugestões de questões que estimularão a discussão dessa história realista e repleta de nuances, em que a emoção e o suspense estão presentes em cada página.

Se ainda não leu o livro, atenção: contém spoilers!

Confira aqui o Guia de leitura para Yaqui Delgado quer quebrar a sua cara

Leia um trecho do romance de Meg Medina

testeEscolha a gentileza

August Pullman seria um menino como tantos outros, não fosse sua aparência incomum. Portador de uma severa deformidade facial, Auggie está prestes a enfrentar um grande desafio: ir à escola pela primeira vez. Para ajudar os Auggies da vida real, às vésperas da volta às aulas, foi lançada nos Estados Unidos a campanha antibullying Choose Kind, que compartilha a bela mensagem contida no livro Extraordinário e estimula a prática de atos de bondade no cotidiano.

Além de juntar-se ao esforço nacional de combate ao bullying nos EUA, a campanha, veiculada no site www.choosekind.tumblr.com, busca atingir a marca de 20 mil assinaturas para obter apoio de instituições que financiam viagens para cirurgias, materiais educativos e retiros para as famílias que, assim como Pullman, convivem com a síndrome de Treacher Collins, uma doença rara que afeta o desenvolvimento dos ossos da face enquanto o bebê ainda está no útero. A iniciativa teve seu auge em uma ação organizada em plena Times Square, em Nova York, e já conta com mais de 10 mil assinaturas.

Para divulgar a Choose Kind, a escritora norte-americana R. J. Palacio, autora do premiado Extraordinário, concedeu entrevistas a diversos veículos de comunicação e ministrou palestras em escolas que apoiaram a causa. Recomendado para leitores de todas as idades, positivo e inspirador, o livro dá uma linda lição de amor e ajuda pais e educadores a abordar temas como preconceito, respeito e tolerância com seus filhos e alunos.

Leia também: Mensagens extraordinárias 

 

Fonte (em inglês): http://www.ccakidsblog.org/