testeNova série da GloboNews, História do Futuro aponta tendências para o Brasil das próximas décadas

Para Míriam Leitão, o Brasil está prisioneiro do imediato. A crise que nos atinge em diversas frentes paralisa e faz com que o país esqueça que possui muitos dos recursos necessários para garantir um futuro melhor às próximas gerações. Em História do Futuro, nova série da GloboNews que estreia nessa quinta-feira, 19, a jornalista percorre o país para mostrar iniciativas inovadoras em áreas como educação, meio ambiente, tecnologia, mercado de trabalho, demografia e cidades.

Com dez episódios, História do Futuro será exibida às quintas-feiras, às 21h30. O projeto é um desdobramento de seu livro homônimo, publicado em 2015 pela Intrínseca e fruto de quatro anos de pesquisas e entrevistas. Tanto no livro como na série, Míriam Leitão se propõe o desafio de mapear os possíveis horizontes do país, olhando sempre além do imediatismo do presente: “Se tivermos clareza dos desafios, das chances e dos riscos que já estão contratados, será mais fácil nos prepararmos para eles.”
 

Saiba mais sobre a série no site especial da GloboNews.

testeGarimpando o passado remoto

 

Num livro, tudo pode parecer rápido, uma página pode contar uma longa espera, mas viver cada minuto de Em nome dos pais foi uma aventura difícil de descrever. Imagine o que foi, por exemplo, a busca pelo delator dos meus pais, que os entregou às mazelas da tortura na ditadura? Eu tinha apenas um nome, precisava saber se estava vivo e onde morava, porque ele sumira havia mais de quarenta anos.

Depois de localizado, o que não foi nem um pouco fácil, aconteceu a viagem até o sítio de sua família, no interior do Espírito Santo. E eu queria que o leitor fosse comigo. Não bastava investigar, mas contar como investiguei. Queria que o leitor tivesse noção de como pode ser demorado mergulhar no passado.

Houve esse momento, depois de muito esforço, em que tudo começou a dar certo. Seguiu-se a viagem até o sítio, que foi realizada durante o dia. Só que, quanto mais eu me aproximava do endereço, mais o sol desaparecia no horizonte. Depois de uma curva numa estrada de terra, vimos um incêndio na mata e o ambiente ganhou cores dramáticas e ares de um livro do J.R.R Tolkien ou de O senhor dos anéis

Já era noite quando, enfim, bati na porta do delator que fora chefe do grupo de estudantes, delatara todos e sumira. O que fazer? Como começar essa conversa perdida no tempo com perguntas nada fáceis, mais de quatro décadas depois? O leitor poderá conferir o resultado no livro.

Em outros momentos a procura era por um papel. Tive de ler e reler cinco volumes e um apenso, o processo que meus pais e seus companheiros responderam na Justiça Militar, até ver o nome que procurava: o do capitão que comandara o departamento de repressão do Exército em Vitória. O nome foi um grande achado, mas havia homônimos, e uma nova barreira se impôs à minha frente.

Por falar em homônimos, um dos militares que teve atuação fundamental no inquérito policial militar tinha 182 deles — uma montanha de pessoas com o mesmo nome do Brasil. Por esse motivo, tive de descartar 181, num longo e desgastante processo de apuração.

Minha busca passou por tentar ouvir os militantes de movimentos contrários à ditadura que atuaram junto com meus pais, passando pelo líder que virou delator, mas também os militares que atuaram na produção do IPM, na repressão e até na tortura aos meus parentes. O livro revela o nome de uma dezena desses militares e um dos capítulos é justamente “Frente a frente com o torturador”.

Foi assim que se construiu Em Nome dos Pais. Estou acostumado a fazer jornalismo investigativo como repórter em Brasília. No livro, porém, eu buscava um passado remoto, o que me fez ter a sensação de procurar agulhas num palheiro.

testeJenny Han confirmada na Bienal do Livro Rio

A autora da série Para todos os garotos que já amei virá ao Brasil pela primeira vez este ano para participar da XVIII Bienal Internacional do Livro Rio, no dia 2 de setembro. Jenny Han vem celebrar com os leitores brasileiros o lançamento de Agora e para sempre, Lara Jean, desfecho da trilogia que já conquistou mais de 100 mil corações no país.

Para todos os garotos que já amei foi lançado em 2015 e desde então vem encantando os românticos de carteirinha. Queridinha dos blogueiros, a série conta a história de Lara Jean, uma menina doce e tímida que vê sua vida virar de cabeça para baixo quando suas cartas de amor mais secretas são enviadas misteriosamente para os respectivos crushes.

Mais informações sobre o evento com Jenny Han na Bienal do Livro Rio serão divulgadas em breve. Infelizmente, a autora fará uma rápida passagem pelo Brasil e não há previsão de eventos em outras cidades.

testeSaiba como participar dos eventos com Jojo Moyes no Rio e em São Paulo

Jojo Moyes virá ao Brasil para conhecer os leitores que se encantaram com as suas obras. Em uma rápida passagem pelo país, a autora de Como eu era antes de você participará de sessões de autógrafos na Saraiva RioSul, no Rio de Janeiro, em 8 de maio, e na Saraiva Pátio Paulista, em São Paulo, no dia 9 de maio.

Para os leitores que não puderem comparecer aos eventos, a Saraiva irá promover uma transmissão exclusiva no dia 10 de maio, às 15h30, no site saraiva.com.br. Os leitores que participarem da LIVE irão concorrer a livros autografados e brindes! As perguntas para a autora poderão ser enviadas, pelo Twitter, através da hashtag #JojoAoVivo.

Confira as regras para participar das sessões:

Rio de Janeiro:

08/05/17, segunda-feira, às 18h
Local: Shopping Rio Sul – Rua Lauro Sodré, 445 – Botafogo, Rio de Janeiro, RJ

 A participação na tarde de autógrafos está limitada a 200 senhas.

 Será autografado 1 livro por pessoa.

 Não serão permitidos autógrafos em itens que não sejam livros, tais como marcadores, papéis soltos, camisas, etc.

 A distribuição de senhas será feita no dia do evento, a partir das 8h na portaria principal do Shopping RioSul.

A senha é pessoal e intransferível.

Uma vez chamada a senha imediatamente posterior ao seu número, em razão da ordem numérica de atendimento, o portador deverá retornar ao final da fila para esperar o atendimento.

A apresentação da senha é obrigatória. No caso de extravio da senha, esta não será substituída e o portador perderá o direito de participar da sessão de autógrafos.

Fotos não serão permitidas. Teremos um fotógrafo profissional que disponibilizará todas as fotos no Facebook da Editora Intrínseca em até três dias úteis após o evento. 

São Paulo:

09/05/17, terça-feira, às 18h
Local:
Shopping Pátio Paulista – Rua Treze de Maio, 1.947 – Bela Vista, São Paulo – SP

A participação na tarde de autógrafos está limitada a 200 senhas.

Será autografado 1 livro por pessoa.

 Não serão permitidos autógrafos em itens que não sejam livros tais como marcadores, papéis soltos, camisas, etc.

 A distribuição de senhas será feita no dia do evento, a partir das 8h na portaria principal do Shopping Pátio Paulista.

A senha é pessoal e intransferível.

Uma vez chamada a senha imediatamente posterior ao seu número, em razão da ordem numérica de atendimento, o portador deverá retornar ao final da fila para esperar o atendimento.

 A apresentação da senha é obrigatória. No caso de extravio da senha, esta não será substituída e o portador perderá o direito de participar da sessão de autógrafos.

 Fotos não serão permitidas. Teremos um fotógrafo profissional que disponibilizará todas as fotos no Facebook da Editora Intrínseca em até três dias úteis após o evento. 

testeJojo Moyes vem ao Brasil em maio!

Sim! Jojo Moyes, a escritora britânica que encantou e levou milhões de leitores às lágrimas, virá em maio ao Brasil. A autora de Como eu era antes de você, livro mais vendido no país em 2016, fará dois eventos na Saraiva restritos a 200 fãs cada, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo.

Durante sua temporada em território brasileiro, Jojo vai autografar nos dias 8 e 9, respectivamente, no Rio e em São Paulo. Mais detalhes sobre como participar dos eventos serão divulgados em breve!

Com dez livros lançados no país — sendo o mais recente, de fevereiro deste ano, a coletânea Paris para um e outros contos —, a escritora é best-seller internacional e presença constante nas listas de mais vendidos dos veículos nacionais. O sucesso da autora entre os brasileiros gerou tanta repercussão que foi destaque em matérias na edição deste ano da Bookseller, a revista diária da Feira do Livro de Londres. Só no Brasil, Jojo já vendeu mais de dois milhões de exemplares; ao redor do mundo, a soma ultrapassa a marca de 29 milhões.

No início de março, a autora anunciou mais uma novidade: em 2018, sai o terceiro título sobre Louisa Clark, a protagonista de Como eu era antes de você e da sequência Depois de você. Desde 2001, após atuar por mais de uma década no meio jornalístico, Jojo se dedica exclusivamente à carreira de escritora e hoje é um dos poucos autores a ter emplacado três livros ao mesmo tempo na lista de best-sellers do The New York Times.  Seus títulos publicados no Brasil são A última carta de amor, A garota que você deixou para trás, Baía da Esperança, Como eu era antes de você, Depois de você, Nada mais a perder, O navio das noivas, O som do amor, Paris para um e outros contos e Um mais um.

testeComo se tornar um campeão

Adriano de Souza, o Mineirinho

Disciplina, foco, obstinação e resiliência.

São essas algumas das palavras quando se pensa na vida de Adriano de Souza. Nascido em uma sexta-feira 13, num barraco de madeira na comunidade de Santo Antônio, no Guarujá, ele já chamava a atenção desde pequeno por sua dedicação e persistência nas ondas da praia aonde ia com seu irmão mais velho, Ângelo.

A ideia de Ângelo ao comprar uma prancha de 30 reais para o garoto era tentar afastá-lo da violência na favela. Mas o investimento rendeu muito mais frutos do que o esperado. Aos doze anos, Mineirinho – apelido herdado do irmão – já embarcava rumo ao Havaí, para conhecer mais do esporte que o tornaria famoso.

Adriano coleciona títulos dentro e fora do Brasil – incluindo o tão sonhado campeonato mundial, em 2015. É o atleta brasileiro que se mantém há mais tempo na elite do surfe, sendo considerado o líder da Brazilian Storm – a leva de surfistas nacionais que desde 2011 invadiu o ranking de melhores do mundo e da qual fazem parte fenômenos como Gabriel Medina e Filipe Toledo –, e o único a vencer o Billabong Pipe Masters, a lendária etapa disputada nas perigosas ondas de Pipeline, no Havaí.

Em Como se tornar um campeão, a jornalista Márcia Vieira faz um mergulho profundo na história desse jovem apaixonado pela vitória e revela como ele desenvolveu ao longo dos anos um raro conjunto de habilidades que o tornaram um campeão no mar e fora dele. A improvável vida de Adriano demonstra que se pode agarrar uma oportunidade – no caso dele, uma prancha de surfe – e reinventar o destino. A luta pode ser difícil, mas vencer é possível.

Além do livro, que chega às livrarias em 10 de abril, a carreira de Adriano será tema da série Alma Salgada, do Canal Off. A produção, em seis episódios, acompanha o surfista dentro e fora do mar nas praias de Fiji, África do Sul, Havaí e Califórnia e vai ao ar todas as quartas-feiras, às 21h30.

testeO Departamento de História

Recentemente estive na PUC-Rio, na Gávea, onde me formei em história, para um evento especial. Era a “aula de despedida” do professor Antonio Edmilson Rodrigues. Ele lecionou ao longo de quatro décadas no Departamento de História da universidade e está se aposentando. Edmilson fez uma palestra sobre a história do Rio de Janeiro, do fim do Império aos dias de hoje.

Confesso que fiquei tocado de voltar ao quinto andar do prédio de Ciências Sociais. Na sala 502, aproximadamente sessenta pessoas — entre professores da casa, amigos e alunos de diferentes gerações — se deleitaram com uma verdadeira “aula-espetáculo”. Edmilson não só falou sobre o processo de modernização da capital fluminense como resgatou um pouco da história da pesquisa sobre a cidade.

Relembrou o caráter inovador do Departamento de História da PUC, que, no início da década de 1980, lançou a pesquisa A polícia na Corte e no Distrito Federal (1831-1930), realizada pelos professores Imar, Margarida, Berenice, Gizlene, Werneck, Falcon e o próprio Edmilson. Recordou o papel pioneiro do grupo de estudo que se reunia no Solar Grandjean de Montigny, um dos espaços da universidade, sob a liderança da professora Giovanna Rosso del Brenna. Tudo foi muito emocionante!

Fico feliz que Os Guinle, um livro que nasceu em parte por conta desse fértil ambiente intelectual, narre um pouco da história do Rio de Janeiro e do Brasil, ainda que não seja uma obra acadêmica. A saga da família Guinle tem muitas ramificações na construção da alma do carioca médio de hoje, amante do futebol, do samba, das delícias da cultura praiana, da gastronomia local e do Carnaval. Valeu, PUC! Valeu, Edmilson!

testeA educação é vital para transformar o Brasil em um país mais justo

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A educação é tema central para o Brasil se tornar um país melhor. Todas as demais questões que analiso em meu livro História do futuro: o horizonte do Brasil no século XXI dependem, de alguma forma, do avanço da educação para se realizarem.

É interessante destacar que um assunto dessa importância só ganhou atenção especial a partir dos anos 1990, na democracia. A lacuna deixada pelos governos militares ainda nos assombra. Nem mesmo durante o “milagre econômico” houve avanços significativas nos índices educacionais, pelo contrário.

Os números do IBGE traduzem o que tem sido a jornada brasileira pela educação: em 1970, em plena ditadura, 32,78% das crianças de 7 a 14 anos estavam fora da escola. Em 1980, eram 32,87%, um aumento absoluto de 1,1 milhão de meninos sem aulas na década em que o Brasil mais cresceu. Em 1991, a proporção dos que não estavam estudando caiu para 22%. Nos difíceis anos 1990, com suas crises econômicas, o governo conseguiu a maior inclusão. O número de crianças sem aula despencou de 6,2 milhões para 1,5 milhão. Em proporção, a queda foi de 22% para 5,5%, em 2000. Na década seguinte, até 2010, a taxa dos sem escola caiu para 3,1%.

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O aumento no número de matriculados nas escolas é uma vitória, mas é grande demais o que ainda precisa ser feito. Este é o momento de trabalhar mais fortemente para transpor obstáculos históricos e preparar o futuro. Uma vantagem é a percepção dos brasileiros sobre a educação.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Data Popular, em 2013, mostrou que as famílias estavam dispostas a gastar com educação e viam nisso um forte significado: 71% concordaram com a frase “a minha prioridade é a educação dos meus filhos”; e 95% concordaram com a frase “é o meio mais seguro para alcançar um bom futuro”.

A dedicação das famílias na formação dos filhos começa a mudar também nossos números sobre o tempo de vida escolar. Segundo o IBGE, os brasileiros com 65 anos ou mais têm 4,2 anos de estudo, em média; os que estão entre 25 e 64 anos têm 8,3 anos de estudo, em média.

No entanto, estamos falhando na melhora da qualidade. Ainda temos que aprimorar o ensino das duas disciplinas básicas, português e matemática, diminuir a evasão do ensino médio e, cada vez mais, usar novidades tecnológicas para tornar o estudo mais interessante.

Em geral quando falo sobre os dilemas nacionais em palestras, há sempre uma concordância de que a educação é um tema central. Todos sabemos que é assim. Se o país está em recessão, poderemos recuperar pontos no PIB nos próximos anos, mas se perdermos o cérebro de uma geração perderemos o futuro. No meu livro tentei passar esse senso de urgência que sei, caros leitores, que compartilhamos.

>> Leia um trecho de História do futuro

testeCanções para corações partidos em Buenos Aires

Música sempre foi e será uma grande fonte de inspiração. Ao escrever O amor segundo Buenos Aires, todos os iPods e telefones celulares do mundo pareciam não ser suficientes para armazenar as canções que compunham o clima do romance. Algumas músicas me ajudaram muito a encontrar o tom dessa história de amores perdidos, reencontros e surpresas que, se a gente ficar atento e mantiver o coração aberto, podem aparecer no meio do caminho.

Eis sete músicas fundamentais nos cinco anos em que Hugo, Eduardo, Daniel, Charlotte, Carolina, Pedro e Martín me acompanharam, da concepção da trama à publicação.

 

Cat Power, “Sea of Love”

Uma pequena beleza dos anos 1960, reeditada por um fiozinho de voz pela cantora Cat Power. Escutei essa versão num café de Buenos Aires, na primeira vez que visitei a cidade. Ela foi importante especialmente para a concepção do início do livro. “I wanna tell how much I love you” (Eu quero dizer quanto te amo), um dos versos da canção, parece ser um bom resumo do primeiro capítulo de O amor segundo Buenos Aires.

 

Bersuit Vergarabat, “El tiempo no para”

Essa foi outra versão que escutei pela primeira vez em Buenos Aires — até cito isso no livro. Não é tão boa quanto a original, de Cazuza, mas tem uma cadência gostosa e é interessante ver que não foi preciso adaptar quase nada para traduzi-la ao espanhol. E, além do mais, os versos “eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades” sempre foram um de meus favoritos de todos os tempos.

 

Creedence Clearwater Revival, “Midnight special”

O Creedence é um dos grupos dinossauros do rock e sempre gostei muito dessa versão da música folk (popular), que surgiu entre os prisioneiros negros do Sul dos Estados Unidos. O “midnight special” se refere a um trem que passava na ferrovia próxima à prisão. Não parece muito romântico, certo? Mas tem uma história por trás dessa música. Ouvi-a pela primeira vez num CD que ganhei há muitos anos, de um amigo que hoje vive do outro lado do mundo, e não pude acreditar quando o cantor da estação Carlos Pellegrini, Tom Moore, cantou essa versão do Creedence um dia. Logo essa música virou sinônimo de Buenos Aires para mim.

 

Otis Redding, “Try a little tenderness”

Muito antes de começar a escrever O amor segundo Buenos Aires, esta sempre foi uma das minhas músicas prediletas. Sobreviveu a walkmans, MP3 players, iPods e chegou ao meu telefone celular, redescoberta em “repeat” enquanto escrevia um dos capítulos do livro. Otis Redding morreu tragicamente, aos 26 anos, em 1967. Essa música foi muito regravada, mas jamais com a mesma força. Fiquemos com Otis. (O vídeo abaixo foi supostamente gravado no dia anterior ao acidente de avião que causou a morte de Otis e de quase toda a sua banda)

 

Nina Simone, “I wish I knew how it would feel to be free”

Uma confissão a fazer: conheci Nina Simone por meio de um CD roubado — daqueles que você pega emprestado e se esquece de devolver. Essa música se refere ao movimento negro pelo fim da segregação nos Estados Unidos, mas acho que pode muito bem ser adaptada a qualquer tipo de luta — coletiva ou, no caso do livro, o desafio pessoal que o personagem central, Hugo, enfrenta. Trecho favorito: “I wish I could break all the chains holding me” (Eu desejo poder quebrar todas as correntes que me prendem). Para refletir.

 

The Pretenders, “Back on the chain gang”

Chrissie Hynde, a vocalista dos Pretenders, tem uma das vozes mais emocionantes do mundo. A música, que fala de lembranças de amor, daquele momento que desapareceu no tempo e que é impossível de resgatar, está totalmente relacionada ao tema do livro. Lá pelos dois minutos e meio do vídeo, quando Chrissie entoa com toda a dor do mundo os versos “I found a picture of you (oh oh oh), those were the best days of my life” (Eu achei uma foto sua, aqueles foram os melhores dias da minha vida), é demais para aguentar. Se você vai ficar pensando no passado, melhor pensar na companhia de Chrissie. Dor de cotovelo com classe.

 

Mama Cass (The Mamas & The Papas), “Dream a little dream of me”

Outra cantora que se foi muito cedo, em 1974, Mama Cass (ou Cass Elliot), que fez parte do grupo The Mamas & The Papas nos anos 1960, é daquelas que passam uma sensação de paz e plenitude, felicidade que parece que nunca vai acabar. Não sei se a intenção de quem escreveu a canção foi essa, mas é como me sinto ao ouvi-la. E ela foi essencial no processo de finalização de O amor segundo Buenos Aires, um ritmo a seguir, que ajudou a manter o tom do livro, o sentimento que eu desejava que as pessoas tivessem ao lê-lo.

testeOde à alegria

Esplanada murada - Maurício Gomyde

Esplanada murada – Foto por Maurício Gomyde

Não adianta fugir, não adianta fingir que não é comigo, menos ainda tentar tapar o sol com a peneira. Estamos na semana mais importante do Brasil desde o fim do período militar, e é impossível ficar indiferente a tudo o que está acontecendo. Para um escritor em temporada de escrita de livro, é mortal. Semana passada, falei aqui sobre como as redes sociais roubam nossa atenção. Pois a conjuntura política e social tem sido o capo da operação Ladrões de Tempo deflagrada. Para cada parágrafo escrito, dez sites de política acessados. Não sei quanto tempo vai durar, e espero que tudo seja resolvido logo, de um jeito ou de outro, da melhor maneira possível e sem convulsão social, para que voltemos a pensar em todas as outras coisas importantes que fazem parte da vida.

Moro em Brasília e, diariamente, vou para o trabalho pela Esplanada dos Ministérios. Puseram um muro ali, ao longo do enorme gramado. Dividiram-na, literal e ideologicamente, em “lado esquerdo” e “lado direito”. Os pró do lado esquerdo e os contra do lado direito. Ou vice-versa, dependendo do foco que dermos ao tema. Jamais imaginei que veria isso. Para mim, esse muro é uma vergonha, uma tristeza inenarrável. Como chegamos a esse ponto? Não adianta culparmos um ou outro. A culpa é nossa, é de todo mundo. A autocrítica deve ser feita o quanto antes. Olhando para aquele muro, eu me pergunto: “Tem como voltar atrás?” Infelizmente, vai ser difícil. Já houve a ruptura. Mas, ainda que haja para sempre uma cicatriz, o machucado há de ser curado. Temos o mesmo sangue, não nos esqueçamos.

Não estarei em Brasília no domingo, e sim em Belo Horizonte. Quis o destino que minha tarde de autógrafos na Bienal de Minas fosse exatamente durante a votação. Entenderei como uma dica para minha vida: há outras coisas que podem deixá-lo imensamente feliz. Ficar no meio dos leitores, respirar livros, trocar ideias sobre romances, dar risada, reencontrar amigos escritores. Somos muitos, todos empurrando para a frente a roda da vida. Porque é disto que se trata, em última instância: viver.

Somos brasileiros! Não combinamos com muros. Já temos que matar um leão por dia e, agora, derrubar um muro por dia? Tenho fé em que vamos superar as imensas dificuldades, não importa como nem com quem. Só o que desejo, hoje, é que daqui a um ano eu esteja lançando meu novo livro num contexto de paz, esperança e harmonia. E que tudo o que esteja acontecendo agora seja apenas parte de um profundo processo de transformação, principalmente interior.

Meu novo livro trata disto: felicidade genuína. Talvez todo esse período seja uma lição e me forneça elementos maravilhosos para incorporar à minha história. Escritores somos assim: tentamos captar as coisas no ar, e, quanto mais “ao vivo e agora”, melhor. No que depender de mim, esse livro será uma ode à alegria, assim como minha vida.