teste14 livros para as férias

Confira nossa seleção com 14 livros imperdíveis!

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Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr — Nesse romance vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção de 2015, você vai conhecer Marie-Laure, uma garota que ficou cega aos seis anos e que vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural, e Werner, um menino alemão, órfão, que se encanta por um rádio encontrado em uma pilha de lixo e cuja trajetória o leva a uma escola nazista. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Toda luz que não podemos ver é um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

S., de J.J. Abrams e Doug Dorst — Para os fascinados por mistério, J.J. Abrams, a mente por trás de séries como Lost, Fringe e o diretor do último episódio de Star Wars, apresenta um quebra-cabeça literário. Resultado de sua parceria com Doug Dorst, S. vem em uma caixa lacrada, repleta de códigos. Além do enigmático romance O Navio de Teseu, a obra contém, em suas margens, as anotações e investigações de dois leitores sobre V. M. Straka — um escritor cuja biografia nebulosa é repleta de boatos que envolvem conspirações, sabotagens e assassinatos.

História do futuro: O horizonte do Brasil no século XXI, de Míriam Leitão — Em um cenário de crise, a premiada jornalista Míriam Leitão é categórica: em vez de nos abatermos pelo pessimismo, temos que fazer um balanço racional dos muitos acertos e dos vários erros para construir um futuro melhor para o país. Em seu terceiro livro de não ficção, a vencedora do Jabuti apresenta tendências que não podem ser ignoradas em áreas como meio ambiente, demografia, educação, economia, política, saúde, energia, agricultura e tecnologia. Leitura fundamental para entendermos o presente e planejarmos o futuro do Brasil.

A espada do verão, de Rick Riordan — Trolls, gigantes e outros monstros horripilantes estão se unindo para o Ragnarök, o Juízo Final. Para impedir o fim do mundo, Magnus Chase deve empreender uma importante jornada a fim de encontrar uma poderosa arma perdida há mais de mil anos. Com personagens já conhecidos do público, como Annabeth Chase, prima de Magnus, e deuses como Thor e Loki, Rick Riordan nos apresenta uma nova série, agora sobre mitologia nórdica. Mais uma aventura surpreendente, repleta de ação e humor!

Elon Musk: Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro, de Ashlee Vance — Se você quer ter alguma ideia de como será o futuro, precisa conhecer Elon Musk. O empreendedor mais ousado de nosso tempo, que inspirou o Homem de Ferro dos cinemas, decidiu investir sua fortuna gerada em empresas digitais para mudar o mundo. Com a SpaceX, o inventor sul-africano está revolucionando os voos espaciais. Com a Tesla Motors, está trabalhando para popularizar os carros elétricos. Musk, que também está investindo em energia sustentável por meio de painéis solares, é um CEO diferente de todos os outros. Ao apostar em empreendimentos de alto risco, tem se dedicado a criar um futuro ao mesmo tempo magnífico e próximo de uma fantasia de ficção científica.

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Lugares escuros, de Gillian Flynn — Aos sete anos, Libby Day sobreviveu ao terrível assassinato de sua família e testemunhou contra o irmão, que acabou condenado à prisão perpétua. Vinte e quatro anos depois, a ambígua personagem criada por Gillian Flynn, autora de Garota exemplar e Objetos cortantes, é procurada por um grupo de pessoas obcecadas pelo crime e começa a investigar o passado. A história chegou aos cinemas no ano passado, protagonizada por Charlize Theron, e recentemente ganhou uma nova edição, com capa seguindo o padrão dos livros da autora.

Caçadores de trolls, de Guillermo del Toro e Daniel Kraus  Um dos artistas mais visionários da atualidade — diretor, produtor e roteirista que assina sucessos como A Espinha do Diabo, O Labirinto do Fauno e Hellboy —, Guillermo del Toro conta em Caçadores de trolls como o medo pode tomar conta das pessoas. Repleto de monstros assustadores e do encanto de um jovem com um mundo novo, o livro, que tem 10 belíssimas ilustrações de Sean Murray, será adaptado para uma série produzida pelo Netflix.

Crepúsculo/Vida e morte, de Stephenie Meyer — Publicado inicialmente nos Estados Unidos em 2005, o livro que originou a série best-seller mundial e uma franquia de filmes que bateu recordes de bilheteria, completou 10 anos! Para comemorar o aniversário da inesquecível história de amor entre Bella e Edward, Stephenie Meyer presenteou os leitores com uma edição dupla. Além de Crepúsculo, a edição especial contém quase 400 páginas de conteúdo extra que inclui Vida e morte, versão em que a autora inverte o gênero dos protagonistas.

A sexta extinção, de Elizabeth Kolbert — Ao longo dos últimos quinhentos milhões de anos, o mundo passou por cinco extinções em massa. Hoje, a sexta extinção vem sendo monitorada, e a causa não é um asteroide ou algo similar, e sim a própria raça humana. Vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015, A sexta extinção explica de que maneira o ser humano tem alterado a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie fez até hoje. Para isso, Kolbert apresenta trabalhos de dezenas de cientistas em diversas áreas e viaja aos lugares mais remotos em busca de respostas.

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Grey, de E L James — Christian Grey controla tudo e todos a seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio — até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. Conheça a história que dominou milhares de leitores ao redor do mundo agora sob um novo e apaixonante ponto de vista.
Mosquitolândia, de David Arnold — Mim Malone não está nada bem. Após o inesperado divórcio dos pais, a apaixonante protagonista de Mosquitolândia é obrigada a ir morar com o pai e a madrasta no árido Mississippi. Para fugir dessa nova vida e buscar seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, ela embarca em uma jornada de mais de mil quilômetros até Ohio e encontra companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho, numa odisseia contemporânea tão hilária quanto emocionante.

O clique de 1 bilhão de dólares, por Filipe Vilicic — O Instagram, aplicativo de compartilhamento de fotos, é uma febre mundial desde seu lançamento em 2010. Comprado pelo Facebook em 2012 pela estonteante quantia de 1 bilhão de dólares, hoje em dia já mobiliza mais de 400 milhões de usuários ativos. O que poucos sabem é que Mike Krieger, um de seus idealizadores, é brasileiro, nascido em São Paulo. A trajetória meteórica do aplicativo e de Krieger, que se tornou milionário aos 26 anos, são detalhadas em O clique de 1 bilhão de dólares pelo jornalista Filipe Vilicic, editor de Ciência e Tecnologia da revista e do site de Veja.

Para todos os garotos que já amei, de  Jenny Han — Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. São confissões sinceras, sem joguinhos ou fingimentos. Até que, um dia, elas são misteriosamente enviadas aos destinatários e, de repente, sua vida amorosa se transforma. Se você ainda não conhece Lara Jean, é melhor correr: a continuação do romance, P.S.: Ainda amo você, chega às livrarias nas próximas semanas.

A guerra dos consoles: Sega, Nintendo e a batalha que definiu uma geração, de Blake J. Harris — Na década de 1990, a Nintendo praticamente monopolizava o mercado de video games. A Sega, por outro lado, era apenas uma empresa instável de fliperamas com grandes aspirações e egos maiores ainda. Mas tudo isso iria mudar com as táticas arrojadas de Tom Kalinske, ex-executivo da Mattel, que transformaram a Sega por completo e levaram a companhia a travar um confronto impiedoso com a Nintendo. Um livro fascinante sobre a guerra que mudou o futuro dos video games e o mercado de entretenimento.

testeIntrínseca na Comic Con Experience [atualizado]

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Pela primeira vez participaremos da Comic Con Experience, grande celebração do universo geek e da cultura pop que acontece de 3 a 6 de dezembro no São Paulo Expo, (antigo Expo Imigrantes). #VaiSerÉpico

Além do estande e da programação para nerd nenhum colocar defeito, levaremos para o evento o lançamento S., quebra-cabeça literário de J. J. Abrams, e outros títulos imperdíveis como Autoridade, segundo livro da Trilogia Comando Sul, de Jeff VanderMeer; A guerra dos consoles, de Blake J. Harris; Os filhos de Anansi e João & Maria, de Neil Gaiman; Magnus Chase e os deuses de Asgard, de Rick Riordan, e muitos outros.

Confira nossa programação e prepare o seu cosplay!

 

Sexta-feira, dia 04/12, especial para os fãs de Rick Riordan:

Os três melhores cosplays dos personagens do autor ganharão kits inesquecíveis!

Para participar, basta ir até o estande da Intrínseca, tirar uma foto caracterizado e postar no Instagram com a tag #SemideusesNaCCXP até as 18h. Prêmios:

1º lugar — Série Os heróis do Olimpo + série As crônicas dos Kane + A espada do verão + botton + marcadores + camiseta
2º lugar — Série Os heróis do Olimpo + A espada do verão + botton + marcadores + camiseta
3º lugarA espada do verão + botton + marcadores + camiseta

Sábado, dia 05/12, especial para os fãs de games:

Os 5 primeiros cosplayers dos personagens de jogos famosos da Sega e da Nintendo que forem ao nosso estande no sábado ganham um exemplar do livro A guerra dos consoles, de Blake J. Harris.

Durante todos os dias da CCXP:

Todos os cosplayers (de qualquer personagem) que tirarem uma foto no estande da Intrínseca e postarem no Instagram com a tag #IntrínsecaNaCCXP concorrem a 5 kits com 3 livros à escolha da nossa lista de obras geeks (com exceção de S.).

As fotos devem ser postadas até domingo, às 23h59. O resultado do sorteio será divulgado na segunda-feira, 07/12, às 17h.

Promoções especiais do estande

Os semideuses que comprarem A espada do verão, novo livro de Rick Riordan, ganharão uma camiseta exclusiva do Hotel Valhala (válida para todos os dias da feira enquanto durar o estoque).

Na compra de S., quebra-cabeça literário de J.J. Abrams, ganhe um cubo mágico exclusivo do livro (válida para todos os dias da feira enquanto durar o estoque).

Os leitores que levarem Caçadores de trolls para casa, de Guillermo del Toro, receberão um botton exclusivo (válida para todos os dias da feira enquanto durar o estoque).

 

Visite a Intrínseca na CCXP 2015

Nosso estande ficará na Rua F.
A CCXP acontece na Rod. dos Imigrantes, Km 1,5 – Água Funda, São Paulo.

Horários:
Quinta-feira, 03/12/2015 – 12h às 22h
Sexta-feira, 04/12/2015 – 10h às 22h
Sábado, 05/12/2015 – 10h às 22h
Domingo, 06/12/2015 – 10h às 20h

 

Sobre a CCXP – Comic Con Experience

A CCXP – Comic Con Experience acontece no Brasil nos moldes das comic cons realizadas em diversas partes do mundo, que reúne fãs e profissionais de quadrinhos, cinema, TV, games, anime, RPG, memorabilia, ficção científica e colecionáveis para conhecerem as últimas novidades dessas áreas em uma grande celebração do universo geek e da cultura pop. O evento é organizado pelo Omelete, Chiaroscuro Studios e Piziitoys. Em 2014, a CCXP reuniu 97 mil pessoas e as principais empresas e artistas do mercado, tornando-se o maior evento do gênero na América Latina. Em 2015, acontecerá de 3 a 6 de dezembro no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center. Os ingressos de sábado, domingo e os pacotes de ingressos para 4 dias já estão esgotados, mas ainda é possível adquirir ingressos para quinta, sexta e, em quantidades limitadas, pacotes de ingressos Full Experience, que inclui a entrada para sábado e domingo. Para saber mais, acesse: www.ccxp.com.br

teste10 dos “melhores” anúncios sobre video games de todos os tempos

Antes de participarem dos mesmos jogos, Mario e Sonic brigavam entre si através de propagandas constrangedoras.

Antes de participarem dos mesmos jogos, Mario e Sonic brigavam em propagandas constrangedoras.

Além de alguns dos jogos mais divertidos das décadas de 1980 e 1990, a guerra entre Nintendo e Sega criou alguns dos comerciais mais estranhos já vistos na história da publicidade. De carros de Fórmula 1 com televisões a pessoas vestidas de robôs espaciais, as duas empresas fizeram de tudo para chamar a atenção de novos consumidores. Separamos uma lista com dez anúncios que são incríveis de uma forma nada convencional:

1- Um dos primeiros anúncios do tipo foi o de lançamento do slogan da Nintendo “Now you’re playing with power” (Agora você está jogando com poder). Listando todas as novidades do Nintendo Entertainment System (NES) ao som de trovões e música dos anos 1980, é uma das propagandas mais “comportadas” da lista:

2- Antes mesmo da chegada de Tom Kalinske, personagem central de A guerra dos consoles, à presidência da Sega dos Estados Unidos, a empresa já estava focada em combater tudo o que a concorrência fazia. Isso criou um dos mais constrangedores slogans de todos os tempos, “Genesis does what Nintendon’t” (O Genesis faz o que a Nintendo não):

3- Como anunciar um video game portátil? Que tal usar um robô alienígena, que faz um jovem aparecer em um planeta em chamas para jogar Tetris? Aparentemente, foi essa a resposta que deu origem ao anúncio do Game boy:

4- Novamente buscando responder à concorrência diretamente, a Sega anunciou a tela colorida de seu portátil Game Gear comparando os donos do Game Boy a um cachorro e dizendo que o outro portátil tinha “cor de espinafre”:

5- Seguindo o lançamento do Super Nintendo, a empresa apostou em uma dinâmica mais jovem, e acabou sendo uma das primeiras aparições do ator Paul Rudd (de Homem-Formiga):

6- Como mostrar que seu personagem é legal para adolescentes? Colocando uma mãe preocupada reclamando de sua atitude em oposição à do bom moço Mario. Foi assim que o Sonic foi anunciado para o público:

7- Um dos acessórios mais concorridos do NES foi a Power Glove, o primeiro controle de movimento da história, que apareceu no filme O rei do video game, de 1989. Ainda que prometesse uma revolução, o produto só acabou sendo lembrado por anúncios como esse:

8- Para tentar batalhar pelo primeiro lugar no mercado de video games, a Sega decidiu que ia apostar no público jovem, se distanciando das crianças. De alguma forma inexplicável, isso se traduziu em imagens desconexas e um constante grito do nome da empresa:

9- Tentando vender mais jogos, as empresas acabavam abordando características que muitas vezes não tinham a menor relação com o produto em questão. É o caso desse anúncio que mostra Super Mario World, um jogo no qual se lutava contra tartarugas gigantes como um jogo “mais realista”:

10- Na mesma linha do anúncio anterior, a Sega anunciava orgulhosa que seu console possuía Blast Processing. A resposta para “o que seria isso?” envolve um carro em alta velocidade:

Em A guerra dos consoles, Blake J. Harris revela os oponentes, as estratégias e os diversos fronts de batalha da grande guerra entre esses colossos do entretenimento eletrônico. Um verdadeiro thriller que mostra os bastidores de uma batalha épica pelo coração e pelo dinheiro de gamers do mundo inteiro e como tudo isso mudou e marcou definitivamente a cultura pop.

Leia também: Sobre quando éramos jovens, por Pablo Miyazawa

 

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Por Pablo Miyazawa*

Ilustração de Matt Leunig (http://scrapedknee.com/1986-art-print-zelda-variant/)

Ilustração de Matt Leunig (Fonte)

Na virada da década de 1980 para 1990, jogar videogame era uma atividade típica e exclusiva de crianças e adolescentes. Adultos pouco se aventuravam nessa experiência, mas tinham um papel essencial no processo: comprar o console que as crianças iriam jogar. E, naquele momento específico, a questão era relativamente simples, ainda que de solução complexa: ou você preferia a Nintendo, ou preferia a Sega.

Pelo menos era assim que a situação se definia no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Mas o enfrentamento entre marcas podia ser considerado mais “variado” por esses lados. No caso dos produtos da Sega, a responsabilidade de lançá-los no país era da fábrica de brinquedos Tec Toy, que entre 1989 e 1991 colocou no mercado os consoles Master System e Mega Drive, além do portátil Game Gear. Já a Nintendo só passou a ter um representante definido a partir de 1993 — no caso, a Playtronic, uma joint venture entre a Gradiente e a Estrela. Antes disso, diversos fabricantes de eletrônicos lançaram no Brasil suas versões não oficiais do console homônimo da Nintendo, como a própria Gradiente (rebatizando-o de Phantom System), a Dynacom (Dynavision) e a CCE (Top Game).

Abrindo um parêntese: (Por força do marketing e do apelo dos comerciais de TV, ganhei um Phantom System no Natal de 1989, apesar de o Master System ter mais jogos disponíveis. Em 1991, preferi um Mega Drive a um Super Nintendo, também convencido pelos comerciais. Pelo menos no meu caso, preferi a Nintendo e a Sega — simultaneamente.)

Apesar de intensa e divisora de águas, a guerra dos consoles à brasileira não chegou aos pés daquela que se desenrolou do outro lado do mundo. Nos Estados Unidos, o embate entre as japonesas Nintendo e Sega foi uma intensa batalha de nervos em muitos níveis, de números e campanhas de marketing agressivos a provocações juvenis e mascotes sorridentes. No início dos anos 1990, a Nintendo abraçava quase 90% do mercado norte-americano de videogames. A Sega, cansada de ser a eterna coadjuvante, armou-se com um console mais potente — o Genesis (Mega Drive no resto do mundo) — e com uma poderosa campanha de marketing inédita no segmento. O objetivo era virar o jogo e arrancar da Nintendo a liderança impossível. Deu certo, pelo menos por um curto período de tempo. E essa história rendeu um livro sensacional em 2014, que chega agora ao Brasil.

untitledA guerra dos consoles: Sega, Nintendo e a batalha que definiu uma geração, de Blake J. Harris, não é o que pode se chamar de uma obra isenta, já que é um relato dos fatos sob o ponto de vista dos azarões (o que é algo positivo, visto que livros sobre a trajetória vitoriosa da Nintendo existem aos montes). A Sega tem uma história incrível que merece ser contada, mesmo que hoje a empresa seja mais uma entre as muitas que vivem das glórias do passado e investem cada vez menos em um mercado transformado e imprevisível. Entretanto, há 25 anos, ela foi a protagonista de uma inacreditável saga de Davi e Golias definida por detalhes que geram consequências até hoje. O que A guerra dos consoles deixa claro é que se não fosse por aquela cruzada suicida da Sega contra a Nintendo, a história dos videogames teria uma trajetória completamente diferente.

Mesmo não primando pela imparcialidade, A guerra dos consoles é um marco no jornalismo investigativo sobre videogames (quem lá pensaria que isso pudesse existir um dia?). Duas centenas de testemunhas oculares foram entrevistadas de ambos os lados do conflito, o que deu a Blake J. Harris a tranquilidade para contar uma história que se prova interessante até para quem conhece pouco sobre o assunto. A investigação é séria e a reconstituição histórica é precisa, mas a narrativa só funciona graças à luz humana que o autor joga sobre cada um de seus personagens: entendemos as motivações de cada um, torcemos pelo sucesso deles e ficamos surpresos quando lembramos que aquelas pessoas cheias de defeitos existiram de verdade.

link-externoVídeo: Blake J. Harris explica A guerra dos consoles

Escolher o ponto de vista do underdog acaba sendo a grande jogada de gênio do autor de A guerra dos consoles. Mas, pensando bem, seria a única maneira possível de relatar essa história com a franqueza necessária — afinal, pessoas só gostam de falar sobre seus fracassos quando fica claro que não poderiam ter feito nada para evitá-los. No caso, o fio condutor do livro é Tom Kalinske, um executivo veterano da indústria de brinquedos que um belo dia vê o cargo de presidente da Sega of America cair no seu colo.

Tom Kalinske, ex-presidente da SEGA

Tom Kalinske, ex-presidente da SEGA (Fonte)

Naquele momento, a Sega buscava um milagre para conseguir incomodar a colossal compatriota Nintendo. E esse milagre veio pelas mãos e atitudes ousadas de Kalinske, um homem de negócios carismático e criativo que sabia que precisaria desconstruir dogmas e pensar fora da caixa para vencer. Ainda que digna de aplausos, a revolução iniciada pela Sega tem relação direta com a maneira como os produtos eram marqueteados e vendidos, e não necessariamente com a qualidade dos títulos em si. Dessa época, o exemplar mais memorável e bem-sucedido foi o Sonic The Hedgehog, um jogo de ação bidimensional que mais chamava a atenção pela velocidade com que o protagonista percorria a tela do que pela originalidade. Antes do estouro do Sonic, a Sega mal fazia cócegas no império construído de maneira metódica e restritiva pela Nintendo. Sob o comando de Kalinske, porém, a Sega passou a questionar esse estilo na prática até conseguir incomodar de verdade.

A batalha dos videogames permanece ativa ainda hoje, mesmo que estrelada por outros protagonistas — Sony e Microsoft na ponta, com a Nintendo correndo por fora. Se a indústria do entretenimento eletrônico atualmente se parece um colosso poderoso e inquebrável, muito é por conta da sucessão de acontecimentos ocorridos naqueles cinco anos que abalaram o mundo. Com requintes cinematográficos, descrições fiéis de diálogos-chave e reviravoltas emocionantes, A guerra dos consoles vai além de ser um relato rico e instigante sobre a relevância dos videogames. É também a fabulosa história de seres humanos falíveis que adoram jogar e não se conformam em perder.

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Leia também: Elon Musk almeja um futuro longe do digital

link-externoLeia também: Stephen Witt explica a mudança sem volta da música digital

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Pablo Miyazawa atua desde 1996 no mercado brasileiro de games e atualmente é o editor-chefe do portal IGN Brasil (br.ign.com). Ao longo da carreira, editou publicações especializadas como EGM Brasil, Nintendo World, Herói e o blog Gamer.br, além de ter comandado a edição brasileira da revista Rolling Stone.

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Grey, de E L James — Christian Grey controla tudo e todos a seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio — até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. A história que dominou milhares de leitores ao redor do mundo sob um novo ponto de vista. [Leia +]

Surpreendente!, de Maurício Gomyde — Pedro Diniz tem um desafio: produzir o filme perfeito! Diagnosticado na adolescência com uma doença degenerativa que o condenaria à cegueira, ele contraria a lógica da medicina quando a perda de sua visão estaciona de forma inexplicável. A perspectiva idealista de Pedro, porém, sofre sérios abalos. Atormentado por um segredo, ele parte com os amigos em uma longa e inesquecível viagem. [Leia +]

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Leia também: Surpreendente! não é filme, mas poderia ser, por Maurício Gomyde

Elon Musk: Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro, de Ashlee Vance — Elon Musk é o empreendedor mais ousado de nosso tempo. Mais do que qualquer outro empresário da atualidade, ele tem investido sua energia e sua fortuna na missão de criar um futuro ao mesmo tempo magnífico e tão longe de ser alcançado quanto uma fantasia de ficção científica.

João e Maria, de Neil Gaiman e Lorenzo Mattotti — O prestigiado escritor Neil Gaiman e o brilhante ilustrador Lorenzo Mattotti se encontram para recontar a clássica história de João e Maria. Familiar como um sonho e perturbador como um pesadelo, o conto narra a saga de dois irmãos que são abandonados pelos pais e precisam enfrentar com coragem os perigos de uma floresta sombria. [Leia +]

A guerra dos consoles: Sega, Nintendo e a batalha que definiu uma geração, de Blake J. Harris — Em 1990, a Nintendo monopolizava o mercado de video games. A Sega, por outro lado, era apenas uma empresa instável de fliperamas com grandes aspirações e egos maiores ainda. Mas tudo isso iria mudar com as táticas arrojadas de Tom Kalinske, um ex-executivo da Mattel, que transformaram a Sega por completo e levaram a empresa a travar um confronto impiedoso com a Nintendo. [Leia +]

Sr. Holmes, de Mitch Cullin — Aposentado há décadas, Sherlock Holmes mora numa fazenda em Sussex, onde cria abelhas com a ajuda do filho de sua empregada. Além do apiário, o velho detetive gosta de passar o tempo relembrando casos, que registra diligentemente em um diário. Com isso, tenta juntar os fragmentos remotos de uma de suas aventuras mais marcantes, ocorrida há mais de cinquenta anos. [Leia +]

Sonhos partidos, de M. O. Walsh — Baton Rouge, nos Estados Unidos, é uma cidade conhecida por seus churrascos no jardim, tardes quentes de verão, barris de cerveja gelada e muitos fãs de futebol americano. Mas no verão de 1989, quando Lindy Simpson, uma das garotas mais bonitas do bairro e estrela das pistas de corrida, é estuprada perto de casa, fica claro que os subúrbios também têm um lado obscuro. [Leia +]

Titia terrível, de David Walliams — Em uma mansão rural remota vive Stella, uma menininha que não sabe que perdeu os pais num acidente de carro, pois passou meses dormindo. Ao acordar, ela vai precisar escapar das tramoias da tia, uma mulher malvada, que perdeu todo o dinheiro em jogos de tazo e anda sempre acompanhada de uma coruja mal-humorada. [Leia +]

O leitor do trem das 6h27, de Jean-Paul Didierlaurent — Operário discreto de uma usina que destrói encalhe de livros, Guylain Vignolles leva uma vida monótona e solitária. Todos os dias, esse amante das palavras salva algumas páginas da máquina que opera. A cada trajeto até o trabalho, ele lê no trem das 6h27 os trechos que escaparam do triturador na véspera, até que um dia encontra textos misteriosos que vão fazê-lo buscar cores diferentes para seu mundo e escrever uma nova história para sua vida. [Leia +]

Uma história do mundo, de Andrew Marr — O entendimento da história mundial se transforma à medida que novas descobertas são feitas em todos os continentes e velhos preconceitos são desafiados. Nessa jornada verdadeiramente global, Andrew Marr revisita os relatos épicos tradicionais, desde a Grécia e a Roma clássicas até a ascensão de Napoleão, entremeando-os com histórias menos conhecidas, do Peru à Ucrânia, da China ao Caribe. Assim, o autor encontra ecos e paralelos surpreendentes que atravessam vastas distâncias e muitos séculos.