testeO Regresso recebe 3 indicações ao Globo de Ouro

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O Regresso, novo filme do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu  — vencedor do Oscar de melhor filme e direção por Birdman (2014) —  acaba de ser indicado a três Globos de Ouro. Além de concorrer aos prêmios de melhor direção e de filme dramático, a história de vingança de um mercador de peles norte-americano no século XIX rendeu a Leonardo DiCaprio sua 11ª nomeação ao prêmio. O ator, que também foi indicado ao SAG Awards pelo papel, já levou dois Globos de Ouro por O Lobo de Wall Street (2013) e O Aviador (2004).

Com estreia prevista para fevereiro nos cinemas brasileiros, O Regresso é inspirado na história real do caçador de ursos Hugh Glass narrada por Michael Punke no livro homônimo que será lançado pela Intrínseca em janeiro.

Protagonizado por Bryan Cranston, astro da série Breaking Bad, Trumbo é outra história real que chegará aos cinemas e às livrarias em 2016. No filme dirigido por Jay Roach (Virada no Jogo), o ator revive Dalton Trumbo, um dos maiores roteiristas da história do cinema, autor de épicos como Exodus, Spartacus e Papillon, conhecido como o homem que rasgou a Lista Negra de Hollywood — mantida pela indústria de entretenimento para boicotar artistas indiciados pelo Comitê de Atividades Antiamericanas, a caça aos comunistas liderada pelo senador McCarthy na década de 1950.

Helen Mirren concorre ao prêmio de melhor atriz coadjuvante pela interpretação da atriz Hedda Hopper na trama. O filme, que também foi indicado nas categorias de melhor elenco, ator e atriz coadjuvante no SAG Awards, chega ao Brasil em fevereiro. O livro de Bruce Cook que o inspirou será publicado em janeiro pela Intrínseca.

Steve Jobs, cinebiografia do cocriador da Apple, concorre nas categorias de melhor ator (Michael Fassbender), roteiro (Aaron Sorkin) e melhor atriz coadjuvante (Kate Winslet). A transformação do jovem gênio detestável no CEO maduro que revolucionou a indústria de tecnologia é narrada em Como Steve Jobs virou Steve Jobs, única biografia do inventor que teve contribuição dos mais altos executivos da Apple, entre eles o atual CEO Tim Cook.

“Love Me Like You Do”, interpretada por Ellie Goulding na trilha sonora de Cinquenta tons de cinza, disputa a categoria de melhor canção original. Já Orange Is The New Black concorre pela terceira vez ao prêmio de melhor série de comédia ou musical. Uzo Aduba, a Crazy Eyes, também recebe sua terceira nomeação para a disputa de melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV. Joanne Froggatt, a Anna Bates de Downton Abbey, que venceu essa categoria na última edição, disputa pela segunda vez.

A cerimônia da 73ª edição do Globo de Ouro acontece em 10 de janeiro. Confira a lista completa dos indicados.

teste[SEU ANTÔNIO, O BIRDMAN TUPINIQUIM]

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Não, prezado leitor, não é nenhuma resenha sobre o premiadíssimo filme Birdman. Não há spoiler nas palavras que virão. É um texto sobre um homem simples que não virou super-herói, muito menos conheceu a glória das estrelas de cinema. Seu brilho está no anonimato. Ali, na garagem do edifício Grace, numa das ruas que cortam o charmoso bairro de Moema, seu Antônio brilha todos os dias, no mesmo horário. Os olhos atentos dos faróis dos carros enfileirados iluminam o palco improvisado. O Fiat Uno parece ser o mais animado dessa plateia motorizada. Dizem os mais antigos moradores que nem o pneu de uma Ferrari teria capacidade de cantar mais afinado do que aquele senhor. Todo dia, logo cedo, ele começa o show. Gratuito. Tem uma alma nobre, não precisa de dinheiro. De noite, responde carinhosamente por seu Antônio, o porteiro-faz-tudo do prédio. De dia, volta à realidade e ganha a fama como o Senhor-Homem-Pássaro da alameda dos Tupiniquins.

Fato é que seu Antônio nasceu muito antes de Riggan Thomson ou de seu intérprete, Michael Keaton. Até os quarenta anos não tinha vocação para soltar a voz. Não tenho dados concretos sobre a data exata do nascimento de sua genialidade sonora, mas é talento nato. Não é algo que se aprenda nas aulas de canto nem em algum workshop promovido pelo reino das aves. É algo que brota do nada. Quando ouvimos, já estamos hipnotizados. Seu Antônio tem um poder que todos gostariam de ter. Talvez o único argumento que o faça entrar algum dia na lista dos grandes heróis da cinematografia seja seu superpoder: o assobio. (Ou seria assovio? Deixo essa dúvida com meu editor). Falo aqui de um herói do cotidiano, um ícone do dia a dia, um gênio sem holofotes, um homem que cantarola suas fraquezas a plenos pulmões. Eis aqui, senhoras e senhores, um pacato cidadão que faz biquinho — será que, além de tudo, também fala francês? — e solta uma encantadora melodia que invade os dez andares do prédio, os quarenta apartamentos, os cento e vinte e três moradores, os duzentos e quarenta e seis ouvidos. Até o síndico seria capaz de derramar uma lágrima e interromper seu espírito ranzinza para pedir um autógrafo ao nosso birdman.

Seu Antônio é um cara (pássaro?) realizado. Recusou um monte de bicos, desculpe o trocadilho, que poderiam mudar sua vida radicalmente. Disse não ao ser convidado para ser o compositor exclusivo da trilha sonora de um jingle fofo de uma marca de celular; negou os pedidos incessantes da equipe de marketing do Metrô Rio para regravar o insuportável canto dos pássaros de algumas estações (era sua chance de brilhar em outro estado, mas ele é feliz com a fiel plateia do edifício Grace); por fim, cagou e voou para o interesse de uma das maiores gravadoras da América Latina — a promessa era lançar um disco que, segundo os especialistas do mercado, venderia mais do que qualquer álbum do Roberto Carlos: Seu Antônio & As Penettes de Ouro. Uma coisa é inegável: seu Antônio não se ilude facilmente e mantém sempre as patas no chão.

Todos os hits dos anos 1980, os maiores sucessos da bossa nova, os grandes êxitos do rockabilly, de Mozart a Mc Melody — tudo, tudo, tudo passa pela traqueia desse nosso homem-pássaro. A única explicação humana para esse fenômeno é que ele tenha engolido uma jukebox quando ainda era passarinho. Tom Jobim ficaria espantado com tamanha afinação da mais nova espécie de pássaro da fauna brasileira. Quantas calopsitas ele levou para o ninho com esse canto sedutor? “Sexual Healing” é pinto perto do talento bucal do nosso Marvin Gaye alado. Mas, apesar de toda a possibilidade de fama, ele prefere brilhar sozinho, sem julgamentos. E, quer saber, ele está certo: algumas coisas ficam mais bonitas quando permanecem intocadas.

 

Encerro meu texto por aqui, querido leitor. Lá embaixo, na garagem, seu Antônio começou a assobiar. (Ou assoviar? Espero que meu editor tenha se decidido).