testeAs extraordinárias memórias do vocalista do Iron Maiden

Show do Iron Maiden em Fortaleza (Fonte)

O Iron Maiden é uma das maiores bandas de todos os tempos e continua lotando shows em todo mundo mesmo depois de 40 anos na estrada. Para milhões de fãs, essa trajetória de sucesso está diretamente associada a um nome e uma voz: Bruce Dickinson, vocalista do grupo há 30 anos.

Não apenas um frontman lendário, Bruce é um homem focado em aprender novas habilidades. Ao longo de sua vida, ele acumulou diversos talentos. É piloto e empreendedor da aviação, cervejeiro, palestrante, roteirista, escritor com dois livros publicados, apresentador de rádio, ator de TV e exímio esgrimista – ou seja, o Iron Maiden é apenas parte de sua rotina.

Conhecido por ser reservado sobre sua vida pessoal, Bruce compartilha em sua autobiografia detalhes de suas memórias extraordinárias, desde eventos marcantes de sua infância até a recente batalha contra um câncer na garganta. Com bastidores e curiosidades inéditos e dois encartes de fotos, o livro foi escrito à mão por Bruce em sete cadernos ao longo de dois anos de turnês. Leitura indispensável para fãs de música e amantes de biografias ou de trajetórias inspiradoras.

testeEnquanto houver champanhe, há esperança recebe o prêmio Jabuti

Enquanto houver champanhe, há esperança: Uma biografia de Zózimo Barrozo do Amaral​, d​e ​Joaquim Ferreira dos Santos, recebeu o prêmio Jabuti​, ​terceiro​ lugar, n​a categoria Biografia​.​

A obra reconstitui a trajetória do jornalista que desnudou a sociedade brasileira entre 1969 e 1997 e revolucionou o colunismo social. Muito além dos registros sociais, Zózimo oferecia um noticiário que flertava com a economia, a política e o esporte (sua paixão), em um estilo elegante e sem qualquer cerimônia. Fez muitos amigos, ganhou uns poucos desafetos e chegou a ser preso duas vezes durante o regime militar.

Joaquim Ferreira dos Santos reconstrói toda a vida do colunista, desde sua infância, no bairro carioca do Jardim Botânico, passando por seu começo de carreira quase acidental no jornalismo, até conquistar uma coluna assinada no Jornal do Brasil, aos vinte e sete anos. Ao seguir a trilha aberta por pioneiros como Álvaro Americano, Jacinto de Thormes e Ibrahim Sued, ele fez escola.

Enquanto se tornava a mais respeitada grife do colunismo no país, Zózimo registrava nas páginas dos jornais as imensas mudanças ocorridas na elite carioca. As festas saíram dos salões dos grã-finos e instalaram-se em casas noturnas como o Regine’s e o Hippopotamus. A animação movida pelo champã ganhou aditivos como a cocaína.

Ao mesmo tempo que retratava o agito social, Zózimo enfrentava os próprios demônios. Viveu amores, momentos de turbulência familiar e sérias questões de saúde. Mas até o final foi um homem apaixonado pela vida, como ele gostava de dizer: “Enquanto houver champanhe, há esperança.”

>> Conheça o site especial de Enquanto houver champanhe, há esperança

teste5 fatos sobre Leonardo da Vinci que você não sabia

Talentoso, gênio e mestre são algumas das palavras que costumamos utilizar para descrever Leonardo da Vinci. Mas o artista era muito mais do que isso. Separamos cinco fatos que você talvez não conheça sobre o pintor da Mona Lisa e de A Última Ceia:

1- Leonardo era filho ilegítimo, e por isso pôde explorar sua criatividade.

Ele foi fruto de um caso do tabelião Piero da Vinci com uma jovem de quem até pouco tempo se conhecia apenas o primeiro nome e cujo passado foi revelado com detalhes apenas neste ano. Ser filho bastardo, entretanto, acabou se provando algo positivo, já que ele não precisou seguir a carreira tradicional da família e pôde explorar e aprender mais sobre temas que lhe agradavam. 

2- Ele era bom em geometria, mas péssimo em aritmética.

Apesar de ter diversos talentos, Leonardo não era excelente em todas as ciências. Um exemplo eram os constantes deslizes na hora de fazer cálculos matemáticos. Não raro algum cálculo não era feito corretamente, inviabilizando o projeto no qual trabalhava. Apesar de não ser muito bom em álgebra nem em aritmética, tinha um talento natural para a geometria, que considerava uma forma de matemática mais aberta para a imaginação.

3- Mesmo após quase 500 anos da morte de Leonardo, seus registros se mantiveram preservados até hoje.

Walter Isaacson é um dos maiores biógrafos contemporâneos. Além de Leonardo da Vinci, o autor escreveu as premiadas biografias de Steve Jobs e Albert Einstein. Mesmo após cinco séculos, a quantidade inacreditável de registros, anotações e cadernos deixada por Leonardo foi preservada em coleções particulares, museus e bibliotecas. Isso mostra o poder do registro impresso, que se mantém por séculos, frente aos registros digitais, mais efêmeros.

Sketch a Flying Machine by Leonardo da Vinci, circa 1495. (Photo by: Universal History Archive/UIG via Getty Images)

4- Leonardo nunca cansava de aprimorar suas obras, mesmo isso gerando problemas com patronos.

Uma das obras de arte mais importantes do mundo, a Mona Lisa foi trabalhada por Leonardo por mais de dezesseis anos, entre 1503, quando a começou, até 1519, ano de sua morte. Incapaz de abandonar suas obras, Leonardo permaneceu aperfeiçoando-as até o dia de sua morte; razão para vários de seus quadros terem sido encontrados aos pés de sua cama e em seu ateliê, como é o caso da Mona Lisa, após seu falecimento.

5- Vai virar filme e será interpretado por Leonardo… DiCaprio.

Leonardo DiCaprio nasceu para interpretar Leonardo da Vinci. O nome do ator foi escolhido por sua mãe, que, quando grávida, em uma galeria de arte, viu uma pintura do gênio italiano e sentiu o primeiro chute do filho. Anos — e um Oscar — depois, o ator vai dar vida ao artista em uma cinebiografia inspirada no livro de Walter Isaacson, ainda sem previsão de estreia.

>> Leia um trecho de Leonardo da Vinci

testeLançamentos de outubro

 

Confira as sinopses dos lançamentos do mês:

Tartarugas até lá embaixo, de John Green —  Depois de seis anos, o autor de A culpa é das estrelas lança seu primeiro livro inédito.

A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido — quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro — enquanto tenta lidar com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). [Leia +]

 

 

O navio dos mortos, de Rick Riordan — A aguardada conclusão da saga de mitologia nórdica de Rick Riordan chega finalmente às livrarias!

 

Jogo de espelhos, de Cara Delevingne e Rowan Coleman— Cara é modelo, atriz e uma das personalidades mais influentes de sua geração.

Em seu romance de estreia, criou uma história incrível e repleta de suspense sobre quatro adolescentes que são melhores amigos e têm uma banda, a Mirror, Mirror. Juntos eles precisam lidar com os seus próprios segredos e desvendar o desaparecimento misterioso de uma das integrantes do grupo. [Leia +]

 

Leonardo da Vinci, de Walter IsaacsonA biografia definitiva do mestre Leonardo da Vinci, assinada pelo autor dos best-sellers Steve Jobs: A biografia e Einstein: sua vida, seu universo, tece uma narrativa que conecta arte e ciência, revelando as facetas inéditas da história de um dos maiores gênios da história. [Leia +]

 

Destrua este diário: Agora em cores, de Keri SmithEm edição comemorativa dos dez anos da primeira publicação, o novo Destrua este diário combina atividades inéditas e outras já conhecidas dos leitores em páginas totalmente remodeladas. Uma segunda chance de mergulhar no mundo de rascunhos, anotações aleatórias e cores variadas. [Leia +]

A linha, de Keri Smith — Com formato de bloco e ótima opção de presente neste fim de ano, A linha tem uma proposta, a princípio, mais simples: pegue um lápis e comece com um traço. Mas, a partir daí, não espere obviedades. Conforme sua linha se move pelas páginas você vai encontrar um infinito de novas formas de explorar os espaços — por cima, por baixo, pelas bordas, parando, voltando e até mesmo cedendo seu traço a outra pessoa. [Leia +]

 

Rejuvelhecer, de dr. Sergio Abramoff — Você tem medo de ir ao médico? De fazer exames preventivos? Você sabia que um estilo de vida saudável evita mais mortes prematuras do que uma boa genética?

Em Rejuvelhecer, dr. Sergio Abramoff, especializado em medicina preventiva, explica os maiores riscos das transformações sutis e progressivas que a idade promove em nosso organismo, apontando cuidados e atitudes capazes de diminuir ou adiar significativamente o impacto de doenças comuns na velhice, como, por exemplo, o Alzheimer, o câncer e as doenças cardiovasculares e osteomusculares.

testeElon Musk, o Homem de Ferro que quer viver em Marte

Por Rennan Setti*

Foto: Getty Images /Justin Sullivan

O futuro do automóvel protagonizou o pregão do último 3 de abril em Wall Street. Naquele dia, o valor de mercado na Bolsa da fabricante de carros elétricos Tesla superou o da Ford, que inventou essa indústria há mais de um século. A ultrapassagem foi entendida não apenas como o marco de uma nova era automotiva, mas também como a redenção de Elon Musk face aos céticos que sempre questionaram suas mirabolâncias. Aos 45 anos e dono de uma fortuna de US$ 14,9 bilhões (cerca de R$ 47 bilhões), o executivo-chefe da Tesla é uma espécie de enfant terrible do Vale do Silício, cuja audácia goza de celebridade proporcional ao espanto que provoca. 

Desde que deixou sua África do Sul natal, no início dos anos 1990, Musk estabeleceu reputação de empreendedor em série. Após ter participado do comando do sistema de pagamentos on-line PayPal — cuja venda ao eBay lhe renderia US$ 165 milhões —, Musk decidiu criar startups que desafiam alguns dos setores mais conservadores da economia. Além da Tesla, Musk fundou a SolarCity com o objetivo de popularizar painéis solares como fonte de energia, enquanto a SpaceX tem a ambição de viabilizar a indústria de viagens interplanetárias.  

Mas Musk chama mais atenção pelo que ainda sonha conquistar. Em setembro do ano passado, deixou boquiaberta a plateia do Congresso Internacional de Astronáutica ao anunciar planos concretos de levar humanos a Marte a partir de 2024. É dele também o projeto do Hyperloop, sistema de transporte por meio de um túnel com pressão reduzida capaz de fazer o trajeto entre Los Angeles e São Francisco em meia hora. No fim de março, o The Wall Street Journal revelou que Musk lançou a Neuralink, companhia dedicada à implantação de eletrodos no cérebro de pessoas, o que permitiria aos usuários interagir com máquinas e com a internet por meio de pensamentos.  

Nada mal para alguém que superou o bullying implacável na escola (após surras sucessivas, precisou fazer uma plástica no nariz), a malária e sinais iminentes de falência, como narra o jornalista Ashlee Vance na biografia Elon Musk. É bem verdade que ainda pairam suspeitas sobre seu sucesso. A maioria de suas empresas, apesar de inovadoras, ainda são máquinas de queimar dinheiro, enquanto os críticos duvidam que seus planos mais heterodoxos serão concretizados. Sua personalidade é controversa. Vance conta no livro que Musk questionou o comprometimento de um funcionário que faltou a uma reunião para acompanhar o nascimento do filho (ele nega), e o empreendedor já se divorciou três vezes, duas delas da mesma mulher, o que garantiu presença constante em tabloides. Também causou polêmica o fato de ele atuar no conselho econômico de Donald Trump, que se elegeu afirmando que as mudanças climáticas são uma falácia e prometendo retirar incentivos à energia limpa, o contrário de tudo o que acreditam os donos do Tesla Model S e dos painéis da SolarCity. 

A favor de Musk estão seu endereço (o Vale do Silício é compreensivo com fracassos e paciente com inovações que custam a dar resultados) e a comunidade de fãs que já estabeleceu. Musk inspirou o Tony Stark “Homem de Ferro”, chegando a fazer uma aparição na sequência do filme, e é considerado por admiradores o sucessor natural de Steve Jobs. Para saber se suas apostas vão dar tão certo quanto a Apple, será preciso esperar, mas ter ciência delas é incontornável no universo tecnológico. Conheça a seguir um pouco mais sobre suas iniciativas.     

 

Tesla, de beira do precipício a modelo de futuro

Model S (via Tesla Motors)

Batizada em homenagem ao inventor Nikola Tesla, a companhia de Palo Alto não foi fundada por Musk mas se tornou indissociável dele. A Tesla nasceu em 2003 como um projeto do veterano Martin Eberhard, com o objetivo de criar veículos que utilizem como combustível apenas energia elétrica.

Em 2008, quando estourou a crise financeira global, a empresa estava à beira da falência, e Musk teve que tirar dinheiro do próprio bolso para sustentá-la. Aquele ano, aliás, seria lembrado por Musk como o pior de sua vida (além da Tesla, a SpaceX e o casamento de Musk também passavam por sérias dificuldades). Mas Musk, que passou a ocupar o cargo de CEO, conseguiu reequilibrar a empresa. Em 2010, ela foi a primeira montadora desde a Ford, em 1956, a lançar ações na Bolsa americana, levantando US$ 226 milhões.

 

Dificuldades em inovação solar

SolarCity (via Forbes)

Criada em 2006, a SolarCity produz e presta serviços de instalação e manutenção de painéis de energia solar. Musk teve a ideia original e ofereceu parte do capital inicial para a companhia, que seria fundada por seus primos Lyndon Rive e Peter Rive. Musk ocuparia o cargo de presidente do conselho de administração.

Hoje, a SolarCity é a maior empresa do segmento nos EUA, com mais de 300 mil clientes, mas continua enfrentando dificuldades para sair do vermelho. Em oito dos últimos 12 trimestres, a firma registrou prejuízo. A dramaticidade da situação levou a Tesla a adquiri-la no fim de 2016, por US$ 2,6 bilhões. 

 

O caminho mais rápido para o planeta vizinho

Nasa/Getty Images

Desde criança, Musk sonhava com o espaço. A SpaceX foi fundada por ele em 2002 para satisfazer esse fascínio. Seu principal objetivo é reduzir drasticamente o custo de viagens espaciais e, em algum momento, permitir a colonização de Marte. Na verdade, Musk sempre condicionou a abertura do capital da SpaceX ao pleno funcionamento de uma espaçonave capaz de levar pessoas àquele planeta.

A companhia se estabeleceu como uma importante prestadora de serviço para a Nasa. Em 2012, a SpaceX se tornou a primeira firma privada a levar uma cápsula à Estação Espacial Internacional. Para o futuro, a companhia tem mais de 70 lançamentos planejados, uma promessa de US$ 10 bilhões em contratos. Apesar de falhas notáveis em alguns lançamentos, a SpaceX obteve um feito em março deste ano: lançou o primeiro foguete reutilizado da história, o Falcon 9. A façanha é a chave para permitir o barateamento das viagens espaciais e, logo, a eventual colonização de Marte.        

Musk estima que um foguete à altura estaria pronto em 2024 — e deseja que a primeira espaçonave se chame “Heart of Gold” em homenagem ao Guia dos Mochileiros da Galáxia. Cada voo poderia levar cem passageiros, e as viagens ocorreriam a cada 26 meses, quando a Terra e Marte estão mais próximos entre si. O empreendedor projeta que o preço por viagem poderia cair para algo entre US$ 100 mil e US$ 200 mil por pessoa e que cerca de 10 mil voos seriam necessários para estabelecer uma colônia autossuficiente no planeta vizinho.  

 

Insurgência contra a distopia da inteligência artificial

Shutterstock

O fascínio de Musk por Marte não é resultado apenas de literatura de ficção científica em excesso. Na verdade, o empresário realmente acredita que a raça humana corre risco de extinção na Terra, e, dessa forma, a colonização de outro planeta poderia ser uma garantia de sobrevivência. Apesar de ser um notório entusiasta de tecnologias futuristas, Musk teme que os computadores exterminem os seres humanos.

Por isso, no fim de 2015, ele fundou a OpenAI, uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é desenvolver uma plataforma de inteligência artificial que não caia na tentação de se virar contra seus criadores e aniquilar a humanidade. O objetivo da organização — que conta com o suporte de outros magnatas, como Peter Thiel (PayPal) e Reid Hoffman (LinkedIn) — é disponibilizar ferramentas de IA de código aberto que atendam esses requisitos. 

Saiba mais sobre a vida e as realizações do homem mais audacioso do Vale do Silício em Elon Musk, um exame profundo do significado da carreira de Musk para a indústria tecnológica.

 

Rennan Setti é jornalista.

testeUm banho de futebol

* Por Pedro Staite

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A ciência tem tarefas mais importantes a desempenhar, mas, se estivesse com tempo e ideias inúteis de sobra, comprovaria que eu sou um caso excepcional do futebol. Excepcionalmente lamentável. Minha coordenação tem lacunas constrangedoras, já perdi o fôlego uma vez jogando Banco Imobiliário (mesmo tendo ficado seis rodadas seguidas descansando na cadeia) e não tenho aquela gana animal para executar desarmes no ponto futuro. Na verdade, às vezes me falta gana até para atravessar a rua.

A introdução é só para deixar bem claro que eu sou péssimo em futebol. É imprescindível que a raça humana nunca dependa dos meus gols.

Mas, por algum motivo, adoro futebol. A vida tem disso mesmo, é sempre muito revelador acompanhar alguém fazendo alguma coisa que você não sabe fazer. É por isso que eu adoro reality shows de culinária, shows de rock e pessoas que enriquecem.

Um dos livros com os quais entrei em contato nos últimos meses aqui na Intrínseca foi o Liderança, de Sir Alex Ferguson, treinador escocês que fez história no Manchester United. A obra foi produzida pela Luana Luz, uma fonte cristalina de conhecimento a um braço meu de distância. Fiz uma das revisões do livro: a ideia era verificar termos futebolísticos, porque, embora a obra discorra sobre liderança e as experiências de gestão do autor, o estofo é todo envolto no relvado. É recheado de bastidores, números e causos de futebol, e isso é lindo.

untitledAlex Ferguson foi técnico do Manchester United por quase 27 anos, ou 1.500 jogos, e o que ele tem de títulos eu não chego a ter de dentes (sim, ele conseguiu a proeza de ganhar mais de 32 títulos no Manchester, e eu tirei os sisos). Isso sem contar a carreira de sucesso que ele já tinha na Escócia, onde treinou a seleção do país e o Aberdeen na década de 1980 — um raro momento no século passado em que algum time ofuscou o brilho dos gigantes Celtic e Rangers. Dos quatro títulos que o Aberdeen tem em sua história no Campeonato Escocês, Ferguson conquistou três. O pessoal de lá deve amar muito o cara. Ainda mais se esmagarmos os números para observarmos suas entranhas:

— O Campeonato Escocês já teve 121 edições.

— O Celtic e o Rangers ganharam, juntos, 101 vezes. (Sim, só há 16,53% de chances de qualquer outro time ganhar o Escocesão. Não sei de onde os torcedores tiram esperança no início de cada temporada.)

— O maior intervalo NA HISTÓRIA sem título de um dos dois foi de apenas três anos (da temporada 1982-83 até a 1984-85). Ali, o Aberdeen de Ferguson conseguiu dois títulos. Na verdade, depois disso, nenhum outro time foi campeão, só o Celtic e o Rangers.

Ou seja, Sir Alex Ferguson sempre pareceu saber o que estava fazendo. E muitas das estratégias que comprovam isso estão nos causos de Liderança.

 

O banho de banheira que trouxe Cantona

Em 1992, depois de um jogo contra o Leeds, alguns jogadores do Manchester United fizeram algo que a maioria das pessoas vão morrer sem fazer (como se jogar no Manchester United já não fosse o suficiente): tomaram um banho de banheira com o chefe. É por isso que o futebol é maravilhoso; isso nunca aconteceria num escritório de arquitetura.

Durante o banho pós-jogo, Steve Bruce e Gary Pallister, dois pilares do time na época, contaram para Ferguson que o Leeds tinha um atacante francês muito perigoso chamado Éric Cantona. “De algum modo, esses comentários plantaram uma semente que pouco depois nos levou a comprar o atacante francês”, conta Ferguson no livro.

Foi um banho de banheira abençoado: Cantona fez mais de oitenta gols e ajudou o time a ganhar nove títulos nos quatro anos seguintes. Portanto, a moral do parágrafo é a seguinte: escute os conselhos de quem toma banho com você.

 

O mesmo Cantona e a bicuda de kung fu

O francês sempre foi conhecido por ter um pavio inexistente. Em um jogo inesquecível contra o Crystal Palace, Cantona se irritou com um torcedor do time adversário. Em vez de dizer “Meu senhor, suas ofensas são injustificadas e não me agradam, por favor, pare com a bravata”, Cantona correu até o cara e desferiu uma VOADORA nele (e ainda tentou dar uns socos, eu vi no YouTube).

A completa falta de verniz social do francês lhe rendeu uma suspensão de oito meses. O sábio Ferguson, depois das broncas que devem ter balançado o Paraíso e o Inferno, reforçou a importância da lealdade no time: “Foi natural ele se sentir isolado e esquecido. Eu me esforcei muito para que soubesse que nos importávamos com ele, e, no fim das contas, quando ele estava prestes a se transferir para a Itália, nossa lealdade o fez ficar no Manchester United.”

 

Bons, bonitos, ricos e pelo menos um sem caspa (segundo o anúncio)

Cristiano Ronaldo e David Beckham são duas traduções do sucesso completo no futebol. Estão entre os melhores jogadores da história, são as coisas mais bonitas em que já pus os olhos, viraram chamarizes das marcas mais conceituadas do planeta e não entram no cheque especial desde o início da década de 1990. À semelhança de Sérgio Chapelin em frente ao telão do Globo Repórter, me pergunto: “Qual é o segredo deles?”

(Evidentemente várias pessoas talentosas seguem os mesmos caminhos, mas acabam não vicejando na profissão, então devemos complementar com o fator “sorte” tudo o que vier escrito em seguida.)

Ferguson tem algumas respostas sobre Cristiano Ronaldo: “Ele tinha uma verdadeira ânsia de se tornar o melhor jogador do mundo e estava determinado a alcançar tal objetivo. Também tinha um cuidado tremendo com a alimentação, um hábito anterior à sua mudança para a Inglaterra (…) [Cristiano Ronaldo] Não chega nem perto de bebidas alcoólicas.” Se eu jogasse bem assim, também ficaria longe de bebidas alcoólicas. Mas eu — esquisito, beberrão, pereba, usuário do xampu do anúncio dele e simpático — sou o completo oposto do Cristiano Ronaldo.

Beckham, que chegou molequinho ao Manchester United, também é conhecido por sua dedicação febril. Nas palavras do autor de Liderança, “[ele] também era extraordinário. Quando se juntou a nós, morava em um alojamento, e não treinava apenas de manhã e à tarde, mas também aparecia à noite para praticar com os meninos da escolinha”. Poucos são os que usam tão bem a sorte a favor.

 

Futebol não é só bola

E isso é uma das razões que tornam Liderança tão divertido. No livro a gente acompanha, por exemplo, como o Manchester (que, embora bem estruturado, não conta com o macete de dinheiro infinito que Chelsea, Real Madrid e Manchester City têm) lutou para contratar vários craques. Um spoiler da vida real: em várias ocasiões, Ferguson levou a pior. O Lucas, por exemplo, que jogou no São Paulo (no Google, é o segundo Lucas que aparece na caixa de buscas. O primeiro é o Lucas Lucco), quase foi para o Manchester, mas acabou preferindo o dinheiro infinito do Paris Saint-Germain. Esse jogo de xadrez chamado “janela de transferência junto com muito time rico por perto” é esmiuçado várias vezes, e sempre dá uma sensação de “ooolha isso, gente, eu não sabia!”.

Brigas de bastidores, reviravoltas impossíveis dentro de campo, rivalidades e lealdades para uma vida inteira, as impressões sobre os melhores jogadores da história… A vida de Sir Alex Ferguson no Manchester United é um recorte não só de uma lenda da bola, como também da bola em si. É ao mesmo tempo um relato autobiográfico e uma biografia do futebol. Uma homenagem ao futebol, para falar a verdade.

>> Leia um trecho de Liderança

 

Pedro Staite é editor-assistente de livros estrangeiros da Intrínseca e é uma lenda do handebol amador, pena que a editora não tem livros sobre esse esporte. Escreveu um livro chamado Memorial leve, que não tem nada a ver com futebol (nem handebol, claro).

testeCom quanto suor e lágrimas se faz uma criação de Steve Jobs

Por Tatiana Dias*

Steve Jobs e Steve Wozniak

Eu cobria tecnologia em um dos maiores jornais do país e estava relativamente tranquila com a rotina de lançamentos e inovações. A agenda era quase sempre previsível. “A única emergência”, nós pensávamos, “vai ser se Jobs morrer”. Esse dia chegou. Repórteres voltaram correndo e, naquela semana, o jornal rodou um caderno especial com a íntegra do famoso discurso em Stanford, aquele em que ele disse aos formandos para “continuarem famintos, continuarem tolos”. Que discurso. Que gênio. Gênio? Não demoraram para surgir análises relativizando a genialidade de Jobs e mostrando seu lado egocêntrico, perverso e babaca. Metade gênio, metade babaca.

Mas como foi que um babaca capaz de erros grotescos — como negar a paternidade da própria filha, destratar funcionários e afundar projetos a ponto de ser chutado da própria empresa — conseguiu se tornar um ícone de uma indústria e inspiração para gerações? Mais: como alguém de personalidade tão controversa chegou a receber de um funcionário — ninguém menos do que Tim Cook, atual CEO da Apple — a oferta de um pedaço do fígado para tentar salvar sua vida enquanto esperava na fila do transplante?

Como Steve Jobs virou Steve Jobs CAPA E LOMBADA.inddA oferta de Cook, narrada pela primeira vez na biografia  Como Steve Jobs virou Steve Jobs, dos jornalistas Rick Tetzeli e Brent Schlender, ajuda a colocar em perspectiva a complexidade do fundador da Apple. Jobs é mesmo tudo aquilo que sua biografia autorizada e posterior adaptação cinematográfica contaram. Mas é muito mais. O veterano Schneler conheceu Jobs em 1986 e, desde então, criou com ele aquela relação jornalista-fonte que quase chega à amizade (mas que, quando chega perto, é colocada em seu devido lugar pelo dominante na história que é, óbvio, Jobs). Tetzeli é editor da Fast Company. Todo o trabalho de pesquisa e escrita do livro foi realizado anos após a morte do personagem principal — por isso é de se esperar mais liberdade editorial neste livro do que na biografia oficial escrita por Walter Isaacson. A experiência de Tetzeli e Schlender também oferece ao leitor um rico panorama para além do protagonista: o da indústria de inovação e tecnologia que ele ajudou a criar e a formatar.

É fascinante percorrer a trajetória de Jobs e ver que seu próprio amadurecimento coincide com o amadurecimento da indústria. Os hackers pioneiros do Homebrew Computer Club (onde Jobs conheceu seu parceiro Steve Wozniak) tinham interesse e inteligência, mas não tinham a menor ideia de como transformar o hobby de programar e mexer em computadores (até então estranhas máquinas) em um negócio. Jobs também era um jovem brilhante — foi ele quem pensou em vender os computadores junto com Woz —, mas não tinha a menor ideia sobre como gerir uma empresa. E cometeu erros gravíssimos, no aspecto pessoal e no profissional, que o lapidaram e o fizeram amadurecer passadas mais de três longas décadas.

Jobs foi um babaca do tipo que nega a paternidade da filha. Do tipo que destratava funcionários, gritava em reuniões e, se julgasse que alguém não era intelectualmente do seu nível, batia os pés, mostrava impaciência e fazia questão de ostentar sua superioridade. Quando a Apple deixou a garagem e virou uma empresa de verdade, sua imaturidade e arrogância o fizeram colecionar fracassos nos projetos que liderou, além, é claro, de lhe terem criado desafetos. Ele sabia pressionar os subordinados até conseguir que um projeto saísse do jeito que queria — mesmo que isso resultasse em um fracasso comercial, como aconteceu com o Apple III. Todo esse processo de criação e desenvolvimento é narrado em detalhes no livro — o leitor consegue contar com quanto suor e lágrimas se fazia uma criação de Steve Jobs.  E Tetzeli e Schlender não poupam críticas à primeira fase de Jobs como gestor.

Jobs falhou, mas persistiu. Ele poderia ter se aposentado milionário ao deixar a Apple em 1984 (e ele nem tinha 30 anos), mas sua personalidade o impeliu a fundar uma nova empresa: a NeXT, voltada para a criação de supercomputadores para fins educacionais. A lábia de Jobs lhe propiciou investimentos e boa recepção do mercado — embora ele nunca tenha entregado as máquinas de US$ 3 mil que havia prometido; elas saíram por US$ 10 mil. A graça é que, depois da incrível apresentação de Jobs, todo mundo acreditou que aquilo era genial. O próprio Schlender confessa que, no lançamento, publicou no Wall Street Journal que a máquina era “deslumbrante” e “relativamente barata”. No livro, em perspectiva, ele reconhece: o produto estava longe de estar pronto. Mas vendeu.

Na NeXT, porém, o lado gestor de Jobs degringolou. Não havia um CEO ou um conselho para segurar seus ataques de fúria; ele estava solto. Sua capacidade de ouvir e gerir só amadureceu com outra empreitada, comprada por US$ 5 milhões de George Lucas: a Pixar. Mas até a transação foi conturbada: ao negociar o valor, Jobs não poupou um “vai se foder” a um membro da equipe de Lucas. Ouviu de volta: “você não pode falar assim com um de nossos vice-presidentes”. E respondeu: “vai se foder você também”. Mesmo assim a transação foi bem-sucedida e a maneira como ele viu a equipe competente e coesa da Pixar trabalhar lhe ensinou muito sobre gestão (e a sua habilidade levou a Pixar a ser o enorme estúdio de animação que é hoje). Lá ele aprendeu a resistir à pressão, a confiar nos outros e a ceder responsabilidades — competências necessárias para o seu triunfal retorno à Apple.

A NeXT foi comprada pela Apple (combinando a produção de hardware e software), e, voltando para lá, Jobs selou a paz com a Microsoft (deu fim a um processo que a Apple movia por violação de propriedade intelectual, claro, mediante um bom pagamento de Bill Gates e o lançamento do Office para o Mac). Mas a volta foi mesmo marcada pelo enxugamento dos produtos, uma genial campanha de marketing (“Think Different”) e um lançamento que mudou tudo: o iMac, o computador pessoal com design inovador que se tornou sonho de consumo de uma geração.

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Brent Schlender, Bill Gates e Steve Jobs na histórica entrevista realizada em 1991 para a Fortune, na casa de Jobs © George Lange

Jobs não pensava em tecnologia: ele queria criar “o produto”. E foi assim também com o iPod, o iPhone, o iPad. Grandes produtos que combinaram uma série de tecnologias pré-existentes em uma bela embalagem, com design inovador e um sensacional apelo de marketing — sempre capitaneado pelo próprio Jobs. Essa, aliás, foi a função que ele não soube delegar: Jobs fazia questão de ser o único a apresentar os produtos, além de falar apenas com veículos de imprensa selecionados.

Essa preocupação com a imagem foi fundamental também quando ele topou o convite para ser o orador na turma de formandos de 2005 em Stanford. Ele não frequentava conferências (preferia jantar em casa, como Tim Cook conta). Topou o convite, mas falaria apenas em uma formatura: e seria em Stanford. E seria inesquecível. Ele contou até com a ajuda de um roteirista para escrever o famoso discurso. Jobs ficou nervoso. Mas a emocionante apresentação, combinada a sua habilidade como showman, levou uma geração inteira a se curvar a seus pés. Jobs falou sobre sua história, seus fracassos e seus recomeços. Ele falou que é preciso confiar: “de alguma forma, os pontos vão se ligar no futuro”. Em Como Steve Jobs virou Steve Jobs, Rick Tetzeli e Brent Schlender têm razão quando dizem que o jovem Jobs, ansioso e arrogante, jamais teria pensado nisso. As criações de Jobs são reflexo de muitas experiências, muitos fracassos, muitas tecnologias alheais e, sobretudo, muito trabalho de outras pessoas geniais.

E é por isso que o livro é tão rico e importante, principalmente para complementar a visão clássica do “metade gênio, metade babaca”, que todos nós ouvimos falar, e entender os contextos das criações de Jobs. A revista do MIT publicou um artigo recente sobre como o culto à grandes personalidades de tecnologia é potencialmente danoso para a indústria — além de injusto com as outras pessoas que trabalharam duro para inovar, o que pode ajudar a minar a estrutura necessária para a inovação futura. Afinal, toda inovação é uma combinação de uma ideia, um contexto, financiamento e um time capacitado para colocá-la em prática. O iPhone é uma combinação de diversas tecnologias pré-existentes. Jobs as empacotou e transformou em um produto útil e bonito. A inovação não está presa apenas aos grandes gênios — eles são apenas uma peça na engrenagem.

Como Steve Jobs se tornou Steve Jobs é uma obra que vai além do personagem principal — é muito rica para entender como o mercado de tecnologia se tornou o que é hoje. E também para tirar o gênio de seu pedestal — ao ler um jornalista veterano escrevendo sobre as jogadas de mestre e fracassos de Jobs narrados de forma sincera, e em uma perspectiva histórica, o leitor aprende muito sobre o contexto e sobre todos os pontos que o levaram a ser como era. E também sobre por que ele foi a maior personalidade da indústria da tecnologia — aquela que fez todos os jornais pararem no dia de sua morte, e cuja trajetória ainda é relevante para quem quer entender como chegamos até aqui.

Leia um trecho de Como Steve Jobs se tornou Steve Jobs
Leia também: Stephen Witt, autor de Como a música ficou grátis, explica como o digital mudará ainda mais nossa relação com a cultura

Tatiana Dias, jornalista, cobre tecnologia e cultura digital desde 2007. Passou pelas redações da revista IstoÉ, do Estado de S. Paulo e da revista Galileu e editou os blogs no Brasil Post.

testeComo Steve virou Steve Jobs

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Brent Schlender, Bill Gates e Steve Jobs na histórica entrevista realizada em 1991 para a Fortune, na casa de Jobs © George Lange

Na primeira vez em que entrevistou Steve Jobs, Brent Schlender foi aconselhado a vestir um colete à prova de balas. Era abril de 1986, e, aos 31 anos, Jobs já era uma celebridade mundial e lenda entre os jornalistas. Comentava-se na redação do The Wall Street Journal que era mais fácil entrar em uma batalha do que fazer perguntas ao cofundador da Apple.

Para surpresa de Schlender, o encontro correu bem e, durante os 25 anos seguintes, ele e Jobs desfrutaram de um relacionamento estreito. Das conversas frequentes, o jornalista conseguia as informações de que precisava para capas do Journal e, mais tarde, da revista Fourtune. Mas além das inovações tecnológicas, Brent Schlender acompanhou de perto outro processo fascinante: a reinvenção do jovem arrogante que acabou banido da Apple em um gestor maduro, capaz não apenas de salvar a companhia do fracasso, mas elevá-la a patamares jamais imaginados.

Como Steve Jobs virou Steve Jobs CAPA E LOMBADA.inddAo lado de Rick Tetzeli, editor-executivo da Fast Company que dedicou três anos a entrevistas e pesquisas, Brent Schlender escreveu Como Steve Jobs virou Steve Jobs, única biografia do inventor que teve contribuição dos mais altos executivos da Apple, entre eles o CEO Tim Cook.

Com lançamento marcado para 11 de agosto no Brasil e já em pré-venda, a biografia parte de entrevistas com amigos, familiares, parceiros e concorrentes de Jobs para apresentar um retrato íntimo e detalhado do empresário. Desde a fundação da Apple, passando pelos anos em que Jobs criou e presidiu a NeXT e comprou a Pixar, até o retorno à empresa que o consagrou, o que se vê é uma jornada de sucesso e lampejos de genialidade, mas também de fracassos homéricos e inúmeros golpes de sorte.

O êxito assombroso de Jobs em criar os produtos certos — iMac, iPod, iPhone e iPad — teve como aliado em seus últimos anos de vida o foco no aprimoramento da empresa. E é esse estilo de gerenciamento maduro, combinado à inerente paixão irrefreável de Jobs, que, segundo os autores, deu origem a uma empresa única, cuja identidade até hoje se confunde com a de seu criador.

Confira um trecho inédito de Como Steve virou Steve Jobs:

Depois da morte de Steve, seguiram-se resmas de tratados sobre ele: matérias, livros, filmes e programas de TV. Com frequência, tais peças ressuscitavam velhos mitos a seu respeito, utilizando estereótipos criados na década de 1980, quando a imprensa descobriu o prodígio de Cupertino. Naqueles primeiros anos, Steve era suscetível à bajulação da imprensa e abriu a si mesmo, e a sua empresa, aos repórteres. Estava em sua fase mais indisciplinada e destemperada. Por mais que se mostrasse um gênio para imaginar produtos inovadores, também era capaz de demonstrar uma mesquinhez e indiferença perturbadoras para com seus funcionários e amigos. Então, quando começou a limitar o acesso e a cooperar com a imprensa apenas quando precisava promover seus produtos, as histórias desses primeiros tempos na Apple se tornaram o senso comum sobre sua personalidade e sua maneira de pensar. Talvez por isso a cobertura póstuma tenha refletido tais estereótipos: Steve era um gênio com uma queda pelo design, um xamã cujo poder de contar histórias era capaz de gerar algo mágico e maléfico chamado “campo de distorção da realidade”; era um idiota pomposo que desconsiderava a todos em sua busca obstinada pela perfeição; achava que era mais esperto do que todo mundo, nunca ouvia conselhos e era meio gênio e meio babaca de nascença.

Nada disso se compara à minha experiência com Steve, que sempre me pareceu mais complexo, mais humano, mais sentimental e ainda mais inteligente do que o homem a respeito de quem li em outros lugares. Poucos meses depois de sua morte, comecei a vasculhar antigas anotações, fitas e arquivos das matérias que fiz a seu respeito. Havia muitas coisas que eu esquecera: notas improvisadas que eu escrevera sobre ele, histórias que ele me contara durante as entrevistas mas que eu não poderia usar no momento por uma razão ou por outra, antigas trocas de e-mails, até algumas fitas que eu nunca transcrevera. Encontrei uma fita cassete que ele gravara para mim e era uma cópia da fita que lhe fora dada pela viúva de John Lennon, Yoko Ono, com todas as várias versões de “Strawberry Fields Forever” gravadas durante o longo processo de composição. Tudo isso estava guardado em minha garagem, e desenterrar esse material desencadeou várias lembranças ao longo dos anos. Após remexer tais relíquias pessoais por semanas, decidi que não bastava apenas reclamar dos mitos unidimensionais sobre Steve que estavam se calcificando na mente do público. Eu queria oferecer uma imagem mais completa e um entendimento mais profundo do homem que eu cobrira de forma tão intensa, de um modo que não fora possível quando ele estava vivo. Cobrir Steve fora fascinante e dramático. Sua história era verdadeiramente shakespeariana, repleta de arrogância, intriga e orgulho, de conhecidos vilões e tolos desastrados, de sorte ultrajante, boas intenções e consequências inimagináveis. Havia tantos altos e baixos em tão pouco tempo que fora impossível traçar a ampla trajetória de seu sucesso enquanto ele estava vivo. Naquele momento, eu queria dar uma visão de longo prazo do homem que eu cobrira por tantos anos, o homem que se dizia meu amigo.

testeBIOGRAFIA DE J.D. SALINGER SERÁ PUBLICADA PELA INTRÍNSECA

JD-Salinger. Enquanto muitos autores buscam os holofotes, J.D. Salinger fugiu deles após o estrondoso sucesso que seu livro O apanhador no campo de centeio fez a partir do lançamento em 1951. O diretor e roteirista Shane Salerno (Selvagens) passou os últimos nove anos coletando informações sobre a vida do autor recluso e acaba de lançar nos Estados Unidos o documentário Salinger, juntamente com o livro de mesmo título escrito em coautoria com David Shields.

Entre as revelações da biografia — negociada pela Agência Riff e que a Intrínseca publicará em janeiro de 2014 — está um cronograma de novos trabalhos do autor que trarão ao público personagens conhecidos como Holden Caulfield e a família Glass, além de materiais inéditos.

Abaixo, trailer do documentário (sem previsão de estreia no Brasil):

testeCourtney Love em livro

Com atitudes controversas, nos palcos e nos bastidores, dona de uma língua ferina, reconhecida por sua inteligência e humor sagazes, Courtney Love, que esteve recentemente no Brasil para um show de sua banda Hole, prepara o que promete ser uma autobiografia bombástica. Escrita em parceria com o jornalista Anthony Bozza, ghostwriter da biografia do ex-guitarrista do Guns N’ Roses Slash, a obra revelará detalhes da vida conturbada da viúva de Kurt Cobain e do cenário pop/rock dos Estados Unidos dos anos 1990. O título, que ainda não tem previsão de lançamento, terá edição brasileira da Intrínseca.