testeOs bastidores da edição de luxo de O Labirinto do Fauno

Se você já assistiu a O Labirinto do Fauno ou é fã de Guillermo del Toro, não pode perder a nossa edição superespecial inspirada no filme! Vencedor de 3 Oscar, o longa-metragem é um marco na carreira do diretor mexicano, e essa história fascinante não poderia ser recontada por outra pessoa senão Cornelia Funke, premiada e talentosa escritora de contos de fadas modernos, autora da série Coração de tinta.

Na história, Ofélia se muda com a mãe para um moinho que serve de abrigo para o padrasto e seus soldados, no norte da Espanha franquista. A menina logo percebe que o novo lar pode ser muito cruel e sombrio. Mas o que ninguém sabe é que a floresta ao redor abriga criaturas mágicas e poderosas, habitantes de um reino subterrâneo repleto de encantos e horrores.

Diante de uma história tão impactante, nossa edição deveria ser mágica, assim como a floresta perto da casa de Ofélia. Confira a lista dos detalhes que tornam essa edição tão especial:

Capa dura e fitilho

 

Ilustração exclusiva na guarda

 

Pintura trilateral e projeto gráfico de miolo exclusivo

 

Contos extras que expandem o universo do filme

 

Ilustrações inéditas de Allen Williams

 

Essa edição não é a coisa mais linda do mundo? ♥

testeSomos como as águas sob aquela ponte

Por Suelen Lopes*

(Fonte: Cmbynmonet)

É muito difícil admitir para nós mesmos e para o mundo que algo não pôde ser. Ou ao menos que não ocorreu exatamente do jeito que tínhamos planejado. E quando isso acontece na vida afetiva, em geral queremos desaparecer por um tempo, desejamos que as palavras sumam. Cada sílaba é um soco, uma lágrima, uma pressão no peito. Nisso somos todos bem parecidos: queremos que a dor passe. Dizem que o tempo cura tudo, mas o tempo também pode ser cruel.

Em Me chame pelo seu nome, André Aciman nos trouxe Elio e Oliver. Os dois nos fizeram mergulhar num mundo de descobertas, apreensões e deslumbramentos. A primeira paixão de Elio dialoga com algo muito íntimo em nós, e precisamos tomar fôlego e secar as lágrimas para seguir em frente. As inseguranças, obsessões e fantasias que o dominam poderiam ser nossas, são traços de uma relação tão intensa que jamais foi ou será esquecida.

Acompanhamos Elio como se caminhássemos por uma ponte. De um lado, temos os pés firmes no chão. Do outro, algo nos chama. Caminhar por essa ponte é apavorante, pois sabemos que o que há sob ela pode abalar estruturas, lançar sobre nós tudo o que nos desespera e, então, nos afogar. E cada um conhece muito bem os próprios medos. Justamente por isso, ninguém é o mesmo quando chega ao outro lado, e ainda se tornará muitos outros naquela vida prestes a começar. É bem possível que cruzemos essa ponte mais de uma vez. Várias vezes, aliás. A vida é implacável como o tempo.

Em Variações Enigma, André Aciman narra a trajetória de Paul, desde sua juventude, quando se apaixonou pela primeira vez na Itália, até seus relacionamentos caóticos, já adulto nos Estados Unidos. Há mais pontes. Caminhamos com ele em suas tentativas amorosas, deparamos com questionamentos que surgem quando estamos fora dos padrões e nos vemos diante da estranha e incômoda solidão que surge mesmo estando cercados de tantas pessoas e possibilidades. A imprevisibilidade dos acontecimentos e das pessoas nos marcam. Com Paul, constatamos como até mesmo o que não vivemos pode nos construir ou nos corroer. As questões se repetem, novidades chegam, a dor nos abraça, a alegria nos consola. Lidar com o outro é uma caixinha de surpresas, e nós mesmos nos tornamos outros a cada outro que encontramos. Portanto, somos também enigmas. Somos instáveis como as águas sob aquela ponte.

Trabalhar na edição de livros como Me chame pelo seu nome e Variações Enigma faz o tempo passar de um modo diferente. Continuamos lidando com toda a correria do dia a dia, reclamamos de problemas, mas esse novo tempo traz boas emoções à tona. E, no entanto, há sempre algo que dói. Fico extremamente tocada com o traço humano dos personagens de Aciman. Eles apresentam toda sua potência justamente quando assumem suas vulnerabilidades, suas dúvidas, seus sentimentos. A força deles está nesse movimento de se enxergar, de mostrar como amar não é apenas ver o outro. O tempo, de fato, nos dá aquele paliativo para que não lembremos quanto somos quebrados. Então enfaixamos nossas partes despedaçadas na esperança de que voltemos a ser completos.

“Meu lugar era ali, assim como meu lugar era este planeta e suas pessoas, mas com uma condição: sozinho, sempre sozinho”, diz Paul. Estar com o outro e também saber estar sozinho. Editar um livro tem seus momentos solitários. Claro que os colegas estão ali do lado, você pode falar das suas dúvidas e fazer comentários, mas quando editamos convivemos com o texto traduzido e com o original por meses, tomamos decisões, fazemos escolhas, pensamos e sentimos o que todo aquele conjunto envolve. E então nos despedimos, ficamos contentes de ver o livro chegar até vocês. Quando há comentários tão interessantes e emocionados dos leitores, como no caso de Me chame (e já alguns sobre Variações), a voz antes solitária parece enfim ganhar vida. Por isso fica aqui o meu agradecimento por ecoarem essas palavras, por não deixarem morrer as memórias dos dias que vivi junto desses livros, por apaziguarem qualquer crueldade do tempo. Obrigada por me fazerem sentir que ainda vale a pena cruzar essas pontes.

*Suelen Lopes é editora assistente de livro estrangeiros na Intrínseca. Gosta de chá, nuvens e francês, e acredita que dar voz à vulnerabilidade humana ainda vai mudar o mundo.

testeMe chame pelo seu nome mostra como não estamos sozinhos

Por Rodrigo Austregésilo*

Eu sabia que ler Me chame pelo seu nome, livro de André Aciman sobre a primeira paixão de um homem por outro, mexeria comigo. O livro causa uma identificação inegável para qualquer um que já se apaixonou. Mas se você é gay, toda essa assimilação transborda num leque maior de sentimentos. Nem todos positivos, mas todos incríveis.

Amar alguém do mesmo sexo vem, ao mesmo tempo, com dois tipos de emoção: a felicidade de se perceber inteiro e o luto.

Nossa capacidade de amar de todo o coração é o que nos posiciona no mundo. É o que nos faz acreditar que, como humanidade, somos diferentes, especiais, melhores. Amar nos engrandece, nos completa. Mas quando você é um homem que ama um homem, uma mulher que ama uma mulher, alguém que pode amar sem distinção de gênero, ou até mesmo que não se identifica com o gênero com o qual nasceu, o mundo não te vê assim. Nesse caso, o mundo faz você se sentir errado. Você não é especial por amar, até porque as pessoas não enxergam isso como amor. Você é sujo, promíscuo, pecador.

Assim, experimentamos duas noções paralelas: “Essa é a melhor coisa que eu já vivi” e “Estou morto”.

Me percebi diferente ainda criança. Havia um personagem em minha alma que eventualmente tomava o palco e remexia tudo em mim. Mas com 15 anos eu soube, sem chance de contestação: eu amo outro homem. Em Me chame pelo seu nome, Elio se pergunta quando exatamente constatou sua paixão. Tanto para ele quanto para mim, tudo estava se construindo muito antes, desde sempre, mas o golpe da consciência vem sem aviso. Seguido de “O que eu vou fazer?”.

No meu caso, decidi que mataria aquilo. Por anos, tentei esconder que era gay. Não havia a menor possibilidade de eu não ser o que esperavam de mim: o primeiro filho, o primeiro neto, o primeiro sobrinho homem. Aquele que casaria com uma mulher, teria uns três filhos galegos e morreria patriarca.

A sensação é de morte, de fato. É como se você fosse um inseto que alguém mantém agonizando sob o sapato, esmagando aos poucos. Não tem romantismo nisso. Só tristeza.

Em algum momento, entretanto, me dei conta de que lutar contra aquilo era uma batalha perdida. Eu morreria tentando, morreria infeliz. O mundo que apontava o dedo para mim seguiria impassível. Eu iria embora. Lutar contra o amor é desafiar sua essência. Como eu poderia me excluir de mim mesmo?

O que penso hoje é que meu eu adolescente merecia ter lido um livro como Me chame pelo seu nome. Toda pessoa LGBTQ+ merece saber que não está sozinha. Que não ama sozinha. Amar e ser correspondido, nessa hora, é saber que milhões pelo mundo também amam, vivem, sentem como você. E livros como o de André Aciman nos fazem sentir pertencimento.

Quando matei todos os meus demônios, notei que ser gay e fazer parte desse grupo gigantesco de pessoas é a melhor parcela de mim, porque é a minha essência. Se amar nos torna especiais, amar alguém do mesmo gênero e enfrentar tudo por isso nos torna divinos. Quando Elio finalmente se permite sentir e viver seu amor, descreve de forma impecável o sentimento. “Deste momento em diante… tive, como nunca antes, a nítida sensação de ter chegado a um lugar muito estimado, de querer aquilo para sempre, de ser eu, eu, eu, eu e mais ninguém, só eu (…) como se aquilo fizesse parte de mim a vida inteira”.

É isso. Eu nasci para amar dessa forma. Fui feito para isso. É minha iluminação. Minha missão. E eu não estou sozinho.

André Aciman remonta todos os sentimentos de amar uma pessoa do mesmo gênero com uma fidelidade quase cruel. Mas necessária. Merecemos livros como Me chame pelo seu nome. Merecemos não estar sozinhos. E, como cada ser humano que já pisou nessa Terra, merecemos a chance de ser feliz e exercer o melhor em nós.

*Rodrigo Austregésilo é publicitário, escritor, cantor em treinamento e mais orgulhoso de ser gay do que cabe numa bio nesse blog.

testePor que Cinquenta Tons de Liberdade é o melhor filme da trilogia?

Por Nina Lopes*

Para alguns o ano só começou depois do Carnaval. Mas para mim só começou quando finalmente consegui reunir as amigas para ver Cinquenta Tons de Liberdade no cinema. Eu mal podia esperar para ver na telona o desfecho de uma história que comecei a acompanhar lá em 2012.

Então pegamos nossa pipoca e ocupamos uma fileira inteira da sala, bem organizadinhas para assistir à estreia do ano. No fim, todas nós saímos comentando a mesma coisa: esse foi o melhor filme da trilogia! Os motivos eu listo abaixo:

1- Uma história mais ágil

 

São muitos acontecimentos movimentando a trama final de Ana e Grey. Chegou a festa de casamento deles, Jack Hyde está de volta e dessa vez não vai deixar barato, vemos uma perseguição de carro, sequestro, ameaças, uma casa nova, Christian cantando, o uso da palavra de segurança (êpa!), uma notícia inesperada capaz de alterar o futuro do casal… Ufa, com tanta coisa não tem como não ficar atento do início ao fim.

 

2- Todas as roupas de Ana são lindas

 

Ana, querida, como você montou um guarda-roupa tão incrível? Certamente é tudo muito caro, afinal agora ela é a Sra. Grey, mas bem que eu queria o endereço das lojas onde ela faz compras. Para começar, temos o vestido de noiva delicado, clássico e todo rendado. Depois, na lua de mel, Ana desfila pela França com um vestido vermelho bafônico. Os looks formais de trabalho também são de fazer inveja em qualquer mulher antenada. Resumindo: arrasou, Ana!

 

3- Chegou a hora de derrotar os inimigos

 

Nada vem de graça nessa vida, nem o final feliz ao lado do Sr. Grey. Anastasia e Christian vão enfrentar vários desafios nesse filme, pois tem muita gente de olho na fortuna e nas conquistas deles (#chorarecalque). Além disso, ameaça pouca é bobagem, e Ana ainda precisa dar um chega para lá nas mulheres que ignoram a aliança no dedo esquerdo do seu marido.  

 

4- Ana se tornou uma mulher mais forte

 

Falando em dar um chega para lá, notamos claramente o amadurecimento de Ana e como ela passa a ter o controle de várias situações. Ela aprende a se colocar como Sra. Grey, se torna uma profissional reconhecida na editora em que trabalha e entende como a equilibrar a vida profissional e amorosa, reconhecendo a importância de encontrar tempo para o marido, a família e os amigos.

 

5- Vemos uma família sendo formada com muito amor

 

Não quero dar spoilers, então vou apenas dizer que as duas últimas cenas do filme são maravilhosas! Vemos uma Ana mais confiante, forte e sabendo usar sua voz dentro do relacionamento que construiu com o amor da sua vida. E a última cena não poderia ser em outro cenário que não no quarto vermelho, claro! Por fim, encerramos com um vislumbre do futuro lindo e promissor da família que se formou.

Vou sentir muitas saudades de Ana e Christian, mas fico feliz por ter feito parte do time de leitores/espectadores de um dos grandes romances dos últimos tempos. Apesar das polêmicas em torno de Cinquenta tons de cinza, é bom saber que histórias de amor ainda não saíram de moda.

*Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testePor que já estamos empolgados com o filme de Para todos os garotos que já amei

Os fãs da série Para todos os garotos que já amei foram surpreendidos com a notícia do filme na última semana. As gravações já começaram, e não poderíamos estar mais empolgados!

Confira alguns motivos:

1-  A cartinha que a autora Jenny Han publicou no Twitter contando como está alegre de ver uma atriz descendente de asiáticos no papel principal! Representatividade importa.

 

2- A foto de Peter K. e Lara Jean abraçados é a coisa mais fofa dos últimos tempos:

 

3-  Jenny Han parece muito entrosada com as atrizes que vão interpretar as irmãs Song!

 

4-  Os atores Noah Centineo e Israel Broussard como Josh e Peter nos bastidores das gravações:

 

5-  A atriz Lana Condor como Lara Jean:

 

6-  A diversão de John Corbett, que vai interpretar o pai de Lara Jean, e Lana Condor por trás das câmeras:

 

7-  A diretora com o elenco nos bastidores:

 

8-  As fotos mais fofas em Polaroid:

 

9-  Israel Broussard lendo o livro:

 

     Falta muito?

testeEntre galáxias distantes, Hogwarts e Geekerela

Por Talitha Perissé*

 

Eu nunca tive muitos amigos, mas no início da minha vida algo ficou penosamente claro: eu não gostava dos mesmos assuntos que o pessoal da minha turma. Não que eu fosse excluída no colégio, mas também não tinha muito interesse nas conversas. As pessoas eram legais, só não eram… minhas pessoas.

Aos nove anos, um coleguinha de turma chegou com um livro novo e me contou a história. Na capa, um menino de óculos montava em uma vassoura. Assim que cheguei em casa pedi para o meu pai comprar o livro para mim.

No dia das crianças minha avó me deu Harry Potter e a Pedra Filosofal. Foi amor à primeira página. Nunca vou esquecer de “O Sr. e a Sra. Dursley, da rua dos Alfeneiros, nº 4, se orgulhavam de dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado. Eram as últimas pessoas no mundo que se esperaria que se metessem em alguma coisa estranha ou misteriosa, porque simplesmente não compactuavam com esse tipo de bobagem.”

Foi com Harry Potter que tudo mudou para mim: onde quer que eu abrisse o livro para ler um pouco, conhecia alguém que gostava. Quando entrei na internet, um novo mundo se descortinou: as pessoas gostavam das mesmas coisas que eu!

Eu passei a andar pelos corredores de Hogwarts não mais sozinha! Eles estavam repletos de pessoas interessantes. Conheci gente do Brasil inteiro, discutimos um monte de teorias e escrevíamos fanfics juntos.

Assim como morei em Hogwarts, passei um tempo em uma galáxia muito muito distante e viajei pelo tempo e espaço com um alienígena em uma cabine policial azul que é maior por dentro do que por fora (ele mudava de rosto e de personalidade, o que era esquisito, mas aprendi a gostar de todas elas); e no mundo real conheci uma banda britânica que falava sobre uma menina com cinco cores no cabelo (nunca fui muito fã de normalidade).

Identifiquei essa mesma paixão em Elle, protagonista de Geekerela, de Ashley Poston. Para mim, assim como para Elle, as melhores amizades foram forjadas por esses interesses em comum, pela intensidade da nossa paixão por algo intangível. Caminhamos para Hogsmeade juntos, testemunhamos a Batalha de Hogwarts, choramos por aqueles que perdemos, também escrevemos histórias com os membros das bandas com quem queríamos casar e aguardamos nas filas com cartazes enormes para shows que esperamos anos para acontecer.  

Ler Geekerela foi como fazer uma amiga nova. Elle, apaixonada por Starfield, uma série clássica pouco conhecida, tem medo de que um remake hollywoodiano estrague tudo. Quem de nós nunca sentiu isso? (Estou de olho em você e em seus reboots, Hollywood).

Starfield não é o centro da vida de Elle. Ela trabalha no Abóbora Mágica, o incrível food truck de comida vegana, estuda e faz planos para o futuro: sonha em ser roteirista. Mas a série importa. Porque nesse mundão de sete bilhões de pessoas, naquele microcosmos, Danielle Wittimer se sente parte de algo maior que ela.

Órfã de pai e mãe, Starfield está presente nas memórias mais preciosas que guarda deles. Mesmo sabendo que aqueles que se vão nunca nos abandonam de verdade, é fácil entender por que a série importa tanto para ela. É com Starfield e seus fãs que Elle encontra o conforto que não pode mais encontrar nos pais. E quantos de nós já não se sentiram assim?

Darien Freeman, o galã escalado para estrelar o remake, também conta sua história no livro. Ele é um aficionado pela série que, por não parecer o típico fã, é considerado uma farsa. Sua equipe também acha que é ruim para a imagem de galã demonstrar que gosta tanto de uma série de ficção científica. Ah, se eles soubessem como é bom…

Darien e Elle se conhecem da melhor/pior maneira possível: o ator quer fugir dos compromissos na ExcelsiCon, a convenção para fãs de Starfield criada pelo falecido pai de Elle. Para isso, liga para o número da organização do evento disponível no site (qual é a dificuldade de manter as informações atualizadas em um site?), mal sabendo que é um telefone antigo, que foi herdado pela nossa protagonista. Eles então começam a trocar mensagens. Ele nem desconfia de que a pessoa com quem está trocando mensagens é a maior crítica do filme, e ela nunca ia imaginar que ele representa seus maiores receios em relação ao remake. Mas às vezes é mais fácil expressar o que a gente está sentindo quando as pessoas não têm chance de nos julgar pela aparência. Elle e Darrien descobrem isso do jeito mais adorável, hilário e encantador.

Geekerela é uma grande ode à cultura pop, e também uma homenagem a todos os fandoms que abraçaram seus membros sem julgamentos, a todos nós que encontramos nossas famílias nos lugares mais inusitados.

Depois de ler Geekerela desejei muito que Starfield existisse de verdade. Parece uma série incrível. Mas, enquanto esse sonho não se realiza, aceito fazer amizades verdadeiras com quem mais se encantar com a história da Elle e que esteja disposto a fazer cosplay de tripulação da Prospero.

 

*Talitha Perissé é editora assistente de aquisição infantojuvenil e entusiasta de muitas coisas. Entre novelas, séries de televisão, filmes, bandas britânicas que já deveriam ter lançado seu sexto álbum, livros e HQs, ela gostaria muito de ter o vira-tempo da Hermione. 

testeConhecendo Paris (e nós mesmos) com Jojo Moyes

Por Nina Lopes*

Tem cidade mais romântica do que Paris? Tem livro mais romântico do que um escrito pela autora-sensação-do-momento Jojo Moyes? Imagine então juntar as duas coisas? Não tem coração que não derreta.

Em três obras de Jojo, passamos por diferentes épocas e histórias de superação, no cenário onde todo mundo sonha em viver um caso de amor. Mas nem tudo são flores, nem mesmo em Paris. Nell, de Paris para um e outros contos, nosso mais novo lançamento da autora, também sonha em passar um fim de semana romântico na Cidade Luz, mas leva um bolo ainda na estação de trem e embarca sozinha e deprimida.

Mas, espera aí, quem foi que disse que não dá para comer croissant e beber champanhe sozinha? Dá, sim, senhor. E é isso que Nell faz. Ela deixa a dor de cotovelo de lado e resolve explorar a cidade que queria tanto conhecer. E mais do que tirar fotos nos pontos turísticos, ela acaba descobrindo coisas novas sobre si mesma, se revelando mais forte do que pensava.

No entanto, com Jojo, também é possível acompanhar o surgimento de histórias de amor em Paris, claro! É lá que Sophie (ai que nome francesinho) conhece Édouard, em A garota que você deixou para trás. Os dois se casam, mas não é nada fácil viver na França ocupada pelos alemães durante a Primeira Guerra Mundial, e o casal é separado pelas circunstâncias do conflito.

Por último, mas não menos importante, Louisa Clark, minha protagonista preferida de todos os tempos, vai para Paris recomeçar a vida e se redescobrir depois de enfrentar uma perda irreparável e aprender que é preciso respeitar os desejos dos outros. A cena de Emilia Clarke, que interpreta a personagem no filme Como eu era antes de você, sentada num café parisiense lendo aquela carta inesquecível de Will é uma das mais marcantes para mim. Mostra que é possível se abrir para novas possibilidades, cortar laços com o passado e perder o medo de arriscar, porém sem deixar a essência de lado (as meias de abelhinha representam isso).

Para as personagens de Jojo que passam por Paris, a cidade significa muito mais do que uma viagem romântica: marca a reviravolta do destino, a arte de se reinventar e não se acomodar. Com esses livros, aprendi que sair da zona de conforto é difícil, contudo se arriscar e se abrir às novas possibilidades pode ser ainda mais interessante.

A narrativa de Jojo é quase tão poética quanto a própria Paris, e só ela é capaz de mostrar um lado diferente da cidade: força, amadurecimento e independência superam o romantismo. Enquanto lia essas histórias, eu aprendi a ser desapegada como a Nell, a ser corajosa como a Louisa e sensível como a Sophie. Vamos ser destemidos, vamos em frente, quem sabe não acabamos em Paris?

*Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeDuas perguntas por dia

Se você acompanha a Intrínseca nas nossas redes sociais, já deve ter visto alguma foto de Uma pergunta por dia para mães – como esta:

 

Essa e todas as outras imagens foram feitas com a participação de uma das mamães de primeira viagem da editora e seus gêmeos lindos, que renderam o dobro de respostas no livro! Para contar um pouco sobre a experiência com a maternidade e sobre Uma pergunta por dia para mães, chamamos nossa coordenadora de marketing, Carol Nunes, para um bate-papo. Confira:

 

Por que você começou a preencher o livro? 

Como meus filhos ainda são bebês e estão se desenvolvendo super-rápido, achei que seria uma oportunidade incrível de guardar um registro do dia a dia deles durante este período, que é o de maior mudança na vida de alguém. Quero que em 30 anos eles possam saber como foi o início da vida deles.

 

Quando você começou? Já tinha o primeiro livro e passou para o Uma pergunta por dia para mães ou está preenchendo os dois?

Comecei a partir do dia 1º de janeiro, já que as lembranças ainda estavam bem vívidas e eu queria guardar toda aquela fase do comecinho. Tenho o primeiro, mas ele ficou um pouco sem sentido porque o grande tema da minha vida agora são os meninos e eu estava me repetindo loucamente ao escrever nos dois, hahaha!

 

Começou a responder depois do nascimento deles ou já durante a gravidez?

Depois do nascimento dos gêmeos. Inclusive, quando recebi o e-mail informando que íamos publicá-lo, deixei de lado minha licença-maternidade só para responder a nosso editor de aquisições dizendo o quanto tinha ficado feliz com aquela notícia. O livro saiu quando eu já estava de volta, e peguei um dos primeiros exemplares. <3

 

Como você preenche o livro? Diariamente ou respondendo a várias perguntas de uma vez?

Eu tento preencher todo dia, mas ser mãe de gêmeos dá muito trabalho! Hahaha!

Tô gostando tanto que tiro, quase sempre, 15 minutos no fim do dia para escrever naquelas páginas fofas. Esta pausa diária acabou se tornando meu ritual favorito.

 

Já teve alguma surpresa revendo as respostas de dias passados?

Já, sim! É demais acompanhar o desenvolvimento deles através do livro. E o mais incrível é rever os mínimos detalhes que a rotina me faz esquecer.

 

Tem alguma pergunta que você já esteja ansiosa para ver as respostas dos próximos 4 anos?

Pode ser duas? =) O que eu mais quero é cair no mundo com os meninos. Aguardando muito as respostas do dia 4 de setembro: “O lugar mais legal onde estive com meu filho/minha filha este ano foi…” e também a do dia 30 de outubro: “Qual foi o último lugar aonde você foi com seu filho/sua filha?”

 

Tem alguma pergunta cuja resposta gostaria que não mudasse nesses cinco anos?

Sim, é a pergunta do dia 25 de fevereiro: “Como você se sente como mãe?” E a resposta é simples e curtinha: a cada dia mais feliz. =)

 

 

 

testeAntes e agora: os mistérios de Quem era ela

No thriller Quem era ela, Emma e Jane queriam uma nova vida e viram na mudança para uma casa inusitada em Londres a possibilidade de tê-la. Elas se depararam com inúmeros segredos por trás daquelas paredes e viveram situações ameaçadoras até desvendarem todos os mistérios escondidos ali.

Carol e Nina são duas meninas de setores diferentes da Intrínseca que trabalharam no livro. Elas se uniram para dividir suas experiências e comentar sobre os processos de antes e depois da publicação dessa obra.

 

ANTES: NINA
Oi, gente! Eu sou a Nina, trabalho no departamento editorial da Intrínseca e adoro ler romances e thrillers. Quanto mais amor e mistério melhor! E fui a pessoa responsável por cuidar da preparação do texto do mais novo thriller da editora: Quem era ela.

AGORA: CAROL
Oi! Sou a Carol, trabalho no marketing e, assim como a Nina, adoro thrillers! Eu participei da elaboração da campanha de divulgação do livro, depois que ele já estava quase pronto para ser distribuído nas livrarias.

Kit de divulgação. [Foto: Leitora Compulsiva]

ANTES: NINA
Eu lembro que, quando recebemos a informação da compra do livro pela Intrínseca, o pessoal do setor de aquisições estava muito animado. Mas eu não me convenço assim tão fácil! Quando comecei a trabalhar no texto traduzido, fui com pouca expectativa, mas, ó: se me pedissem para recomendar um único livro de suspense para alguém, com certeza seria esse! A história é tão surpreendente e bem construída, que é preciso ler de cabo a rabo. Não seja o apressadinho que pula algumas páginas aparentemente pouco importantes: há revelações em cada parte do livro, inclusive no prefácio e nos agradecimentos. #ficaadica

AGORA: CAROL
Verdade! Depois que o livro é traduzido, revisado e entra na programação de lançamento, nós, do marketing, sempre fazemos uma reunião mensal para decidir quem ficará responsável por cada campanha. Quando li a sinopse e vi o booktrailer de Quem era ela, logo pedi para ler e participar. A história me intrigou muito! Conforme ia avançando na leitura, fiquei encantada com a criação e o desenvolvimento das duas personagens principais, Emma e Jane.

ANTES: NINA
E o que mais me encantou na história foi a duplicidade dessas mulheres. Duas personagens com personalidade e estilo de vida tão diferentes que acabam enfrentando os mesmos fatos inusitados no mesmo lugar: a casa minimalista e cercada de mistério de um arquiteto renomado em Londres. Jane, a atual moradora, precisa correr contra o tempo para descobrir a verdade sobre o destino trágico de Emma, a antiga residente, antes que tenha um desfecho similar. É preciso montar as peças de um grande enigma para saber quem era ela e ter a chance de escapar.

AGORA: CAROL
Nina só se esqueceu de dizer que o arquiteto e proprietário da casa, Edward, parece bastante com um personagem que ela adora, né?! (Christian Grey, gente!)

Ele é controlador e, além de fazer os candidatos a inquilino preencherem uma ficha com um monte de perguntas bizarras, os moradores que passassem pela avaliação dele teriam que abdicar de inúmeros objetos, como livros, móveis e todo tipo de decoração para viver a experiência de morar naquela casa da Folgate Street.

ANTES: NINA
Menina, é aí que mora o charme da história. Imagina colocar alguém parecido com Christian Grey numa casa misteriosa com mulheres cheias de segredos? Melhor ideia de todas! Só lendo para descobrir o que pode acontecer.

Além disso, nossa edição está linda, quebramos muito a cabeça para pensar no melhor título para esse livro, a Carol e a equipe do marketing criaram uma campanha incrível e agora estou doida para saber a opinião dos leitores!

AGORA: CAROL
Nós queríamos tanto aguçar a curiosidade de vocês, que criamos um questionário, bem semelhante ao do livro, com perguntas para verificar se os leitores estavam aptos a encarar nosso novo thriller. Todo mundo ficou enlouquecido e deu super certo! Depois que divulgamos a resposta de “Que livro é esse?!”, a recepção foi LINDA nas redes sociais e com nossos blogueiros! <3 Também, né? Como não amar e se envolver com Quem era ela?

Agora resta só saber a opinião de vocês. Contem pra gente! Eu e Nina vamos amar saber.

Beijos e até a próxima!

>> Conheça o nº1 da Folgate Street

testeComo Cinquenta tons de cinza nos trouxe liberdade

Por Nina Lopes*

Cinquenta tons de cinza foi lançado em 2012. Em 2017, a adaptação cinematográfica do segundo livro da série acabou de chegar aos cinemas. Ou seja, cinco anos depois Grey continua com tudo. Porque, vamos combinar, ele é eterno, doa a quem doer. E para entender um pouco melhor sobre sua permanência nas listas de mais vendidos e a importância dessa obra é preciso voltar um pouco no tempo.

Vamos começar no Antigo Regime, que cobre um período entre os séculos XV até início do XVIII. Nessa época, os livros com conteúdo erótico não tinham permissão da Igreja e do Estado para serem publicados, portanto eram vendidos de forma clandestina. As poucas escritoras femininas preferiam o anonimato e o uso de pseudônimos para evitar o julgamento alheio e a perseguição que sofriam caso assumissem a autoria. Inclusive, elas eram consideradas incapazes de descrever cenas sensuais com a mesma precisão que os homens. Acreditavam que só eles entendiam do assunto e por isso eram os únicos aptos a escrever sobre o tema. Chocante, né?

Já no século XVIII, as mulheres tinham muito tempo livre em casa e gostavam de ler romances. Nesse momento, o gênero já sofria críticas por ser uma leitura de diversão. No século seguinte, o romantismo se expandiu com a chegada dos folhetins e passou a ser chamado de “literatura de massa”, atingindo as camadas populares. Mas nem tudo é fácil e a crítica não deixava barato, afinal de contas a elite intelectual não aceitava ter a mesma preferência literária que os emergentes.

A temática do sexo já fazia sucesso, mas esses livros eram chamados de “romances para homens”. Não era bem-visto que as mulheres lessem essas histórias, pois eram consideradas má influência. Mas elas não eram bobas e compravam escondidas ou liam o exemplar do marido enquanto ele não estava em casa. Contudo, era impensável assumir que gostavam desse gênero ou ler esses livros em público.

No século XX, a sexualidade foi incorporada pelo capitalismo para gerar lucro. E a mulher, nesse novo contexto, passou a ser vista como objeto sexual, sem voz ativa. Mas nem tudo estava perdido e no final do século conquistamos a libertação feminina, e a literatura erótica passou a ser majoritariamente produzida por mulheres. Porém, essa produção ficava confinada aos livros de bolso vendidos em bancas de jornal, nada de destaque nas vitrines das livrarias ou aposta nos catálogos das editoras. E foi só no século XXI que Cinquenta tons de cinza tirou a literatura erótica desse “esconderijo” e a colocou sob os holofotes.

Portanto, fica claro que o obsceno na literatura sempre foi condenado e repreendido. Além disso, a visão do homem era predominante. A produção feminina começou tarde e enfrentou desafios, e quem quebra paradigmas é sempre criticado. A crítica mantém sua postura, afinal não quer perder a autoridade intelectual. Mas já está na hora de entender que o público leitor é heterogêneo.

Foi com a coragem de autoras como E L James que conseguimos transgredir uma repressão que durou muito tempo, nos permitindo alcançar a liberdade que temos hoje. Cinquenta tons de cinza retrata o momento em que vivemos ao contar uma história romântica moderna, com as mulheres assumindo a autoria, as fantasias e lendo textos eróticos em público.

Acima de tudo, E L James decidiu contar uma história de amor. O problema é que o prazer e o amor são simples, e por isso mesmo desprezados. Mas não só no campo literário, como em outros aspectos da vida, o ato de espalhar o amor precisa ser mais valorizado. Então, que chorem as inimigas, que chorem os críticos, eu tenho muito orgulho de fazer parte da geração que dá voz às mulheres, que coloca uma escritora falando tão abertamente sobre amor e sexo no topo das listas de mais vendidos do mundo todo. Segue o show, Grey!

 

*Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.