testeMergulhe na estranheza com Jeff VanderMeer

Jeff VanderMeer (Fonte)

Alternando pontos de vista, locais e épocas distintas, a série Comando Sul é uma das mais inovadoras obras de ficção científica dos últimos anos. Envolve o leitor em um mundo onde criaturas estranhas e fenômenos incomuns são norma, e cabe ao governo local buscar algum sentido nos acontecimentos em torno da região isolada do resto do mundo conhecida apenas como Área X.

Editor e autor premiado, Jeff VanderMeer já teve seus livros traduzidos para vinte idiomas e garantiram ao escritor três World Fantasy Awards, além de indicações para os prêmios Hugo e Bram Stoker. Ele cresceu nas Ilhas Fiji e hoje mora em Tallahassee, na Flórida, com a esposa. Publicou também pela Intrínseca a trilogia Comando Sul, cujo primeiro volume, Aniquilação, foi vencedor do Nebula de melhor romance em 2014.

Para apresentar a série, que chegará aos cinemas em 2017, fizemos uma entrevista exclusiva com o autor. Confira:

Que autores e obras literárias serviram como fonte de inspiração para a trilogia Comando Sul?

Quase 80% da trilogia reflete e é inspirada em minhas experiências do mundo real. O primeiro livro inteiro, por exemplo, tem como cenário uma trilha de 22 km do St. Marks Wildlife Refuge, aqui na Flórida. Várias experiências estranhas de trabalho influenciaram o segundo livro, Autoridade, e o terceiro volume reflete meu amor por diversos sítios naturais dos Estados Unidos. É difícil pensar em influências literárias, porque é muito provável que sejam todas inconscientes, já que passei anos estudando todo tipo de estrutura de narrativa. Virou tudo adubo para a parte mais profunda do meu cérebro, várias camadas de material sedimentar alimentando minha forma de fazer ficção de um modo que muitas vezes é invisível para mim. Então até posso dizer que amo A montanha morta da vida, de Bernanos; Os salgueiros, de Blackwood; ou qualquer livro de Angela Carter e Nabokov, mas não sei se faria muita diferença. Além disso, a trilogia contém tantos traços de thriller, de ficção científica e de weird fiction que cada leitor vê referências diferentes.

Qual é a sua relação com a produção do filme de Aniquilação? Você recentemente anunciou que Oscar Isaac fará parte do elenco… Tem mais alguma coisa que você possa compartilhar com os leitores brasileiros?

Bem, a expedição do filme de Garland conta com cinco membros, então ainda falta anunciar um ator. Além disso, a versão dele começa na agência Comando Sul, portanto tem mais três ou quatro membros da agência no elenco, e os atores em breve serão anunciados. Vi algumas fotos do set e gravações de testes ainda da pré-produção e acho que pode se tornar um dos filmes com cenários mais estonteantes que já vi. O tom geral e as paisagens serão bem parecidos com os do livro, mesmo que os eventos do roteiro sejam um pouco diferentes.

>> Leia também: filme de Aniquilação chega aos cinemas em 2018!

A série apresenta conceitos e temas que podem parecer muito complexos para quem nunca teve contato com o “New Weird”. Como apresentar a trilogia para novos leitores?

O que é “New Weird”? Nome de um perfume? Uma marca de produtos de supermercado? Bem, independentemente do que isso seja, posso afirmar que meus livros são sobre pessoas honestas tentando compreender o que não conhecem em meio a situações desesperadoras. Os livros tratam de expedições fascinantes em meio à natureza estranhamente “imaculada”, de burocracias ineficazes do governo e dos vários modos que tentamos — e não conseguimos — nos relacionar na era moderna. Além de tratar de como o insólito — o weird — está em todos os aspectos da vida cotidiana, a trilogia Comando Sul é — espero — uma história de aventura e mistério, um suspense que vai se construindo aos poucos.

Outro aspecto importante é a diversidade de personagens, uma vez que a maioria dos livros de ficção cai no clichê do homem branco hétero. O que o levou a quebrar esse padrão?

Nunca aderi ao padrão do personagem homem branco hétero, nem mesmo nos primórdios da minha ficção, durante a adolescência, porque um futuro só com gente branca parece bem bizarro e bastante improvável. No caso de Comando Sul, inclusive na agência secreta, os personagens refletem a diversidade do mundo como eu o vejo — e como o vi durante todos os anos de trabalho formal antes de ser um escritor em tempo integral. É mais uma reflexão do que uma tentativa de afirmação. Não fazer isso seria deixar de lado a diversidade e criar um falso retrato do mundo real. Dito isso, quando no primeiro livro eu ainda tinha quatro personagens sem nome, perguntei a mim mesmo se seriam homens ou mulheres. E achei que seria muito mais interessante se todas fossem mulheres, porque o mais comum é serem vários homens e uma mulher, ou algo do tipo. Então disse a mim mesmo: “Vão ser todas mulheres por enquanto, mas vou reconsiderar isso se as personagens não estiverem completamente formadas em uma semana.” Na manhã seguinte, porém, eu já sabia quem todas elas eram, suas vidas passadas e tudo o mais, então soube que tinha acertado.

 

Em Aniquilação, a bióloga usa seus sentidos para analisar a Área X, o que faz uma grande diferença. As descrições com frequência incluem sinestesia. Isso também é uma coisa que você experimenta, ou foi apenas um recurso para aumentar a sensação de estranhamento?

Ao entrar em contato com a natureza, eu já tive essa sensação de total epifania e felicidade que a bióloga vivencia em alguns momentos de Aniquilação. Lugares como esses me proporcionam uma fonte de conforto e a sensação de que tudo está correto. Isso acontece sobretudo em paisagens costeiras, porque fui criado em Fiji. Acho relevante dizer que algumas das características e experiências consideradas estranhas em relação à bióloga são coisas que todos nós experimentamos em diversos momentos da vida. Às vezes acho que isso acontece quando entendemos como as coisas deveriam ser e as relacionamos com como elas são, e às vezes acho que é porque, de certa forma, nossos cérebros sabem do que precisamos — temos sentidos tão limitados, e de vez em quando algumas coisas pairam no limiar do alcance desses sentidos nos impelindo a ver o mundo de uma forma mais ampla. Nesses momentos, quando percebemos isso, tudo parece mais brilhante.

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Uma das características mais impressionantes da série é a forma como o ponto de vista muda ao longo dos livros — indo da primeira pessoa em Aniquilação para a terceira em Autoridade, e incluindo muitos pontos de vista diferentes em Aceitação, inclusive a segunda pessoa. Isso foi planejado desde o princípio, ou algo criado no processo? Quão desafiador foi escrever a mesma história de tantas perspectivas?

Em certa medida, eu não tinha como *não* mudar de ponto de vista. Nunca escrevi o mesmo livro duas vezes, e seria chato escrever Aniquilação três vezes, por assim dizer. Além disso, ao criar uma série de livros sobre algo além da capacidade de compreensão humana, queria os personagens mais intrinsecamente falhos — ainda que intensamente humanos — que eu pudesse criar para contrabalancear o desconhecido. E eu queria que o conhecimento do leitor acerca do mistério central fosse se desenvolvendo através das diversas experiências dos personagens. Odeio livros em que tudo acaba muito bem explicado, como uma apresentação. E odeio livros em que um personagem tem uma epifania pouco realista e resolve o mistério do nada. Por isso os diversos pontos de vista ajudaram. A segunda pessoa funcionou bem para narrar um personagem que é basicamente um fantasma, mas, além disso, a composição foi muito importante para o terceiro livro. Não é só um recurso inteligente. De muitas maneiras, é o mais próximo que podemos chegar da Área X.

testeNatalie Portman a caminho do Comando Sul

Texto Aniquilação

Dirigido por Alex Garland, responsável pelo aclamado Ex-Machina: Instinto Artificial, a adaptação cinematográfica de Aniquilação, de Jeff VanderMeer, terá Natalie Portman (Cisne Negro) no papel principal da bióloga da 12ª expedição à Área X.

[Atualizado] Além de Portman, foram confirmados também no filme Jennifer Jason Leigh (Os oito odiados), como a psicóloga, Oscar Isaac (Star Wars – O despertar da força) como o marido da bióloga, Tessa Thompson (Creed: Nascido para Lutar) e Gina Rodriguez (da série Jane the Virgin), em papéis ainda não divulgados.

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Na história, um grupo de quatro mulheres é enviado na décima primeira expedição a uma região conhecida como Área X, que foi isolada do resto do mundo e onde criaturas e fenômenos bizarros apagaram todos os vestígios da presença humana, exceto um misterioso farol. A equipe da expedição é composta por uma bióloga, uma antropóloga, uma topógrafa e uma psicóloga, e o livro aborda a reação das quatro personagens aos fenômenos da região.

Primeira parte da trilogia Comando Sul, Aniquilação tem previsão de estreia em 2017, e será filmado em maio deste ano.

link-externoLeia também: Quando uma Torre é um Túnel

testeLançamentos de março


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Tudo tem uma primeira vez, de Vitória Moraes (Viih Tube) — Como foi o seu primeiro beijo? E a primeira vez que teve coragem de dizer “eu te amo” para alguém? Ou que vacilou feio com uma amiga? Em Tudo tem uma primeira vez, Vitória Moraes, a Viih Tube, fala abertamente e com muito bom humor sobre os grandes (e primeiros) momentos da adolescência.

Viih tem posições firmes e um jeito só seu de contar histórias de meninos e meninas que estão conectados à internet 24 horas por dia e usam as redes sociais para tudo. Com suas palavras, faz um retrato divertido de quem é o adolescente da atualidade. [Leia +]

Todos envolvidos, de Ryan Gattis Na tarde de 29 de abril de 1992, um júri absolveu três policiais brancos do Departamento de Polícia de Los Angeles acusados de usarem força excessiva para controlar um civil negro chamado Rodney King. Menos de duas horas depois, a cidade explodiu em violência. Em seis dias, sessenta pessoas morreram. Mas muitas mortes não foram contabilizadas: fora da zona principal de protestos, algumas gangues se aproveitaram dos tumultos para acertar as próprias contas.

Inspirado nesse momento e narrado do ponto de vista de dezessete personagens, o romance de Ryan Gattis apaga as fronteiras entre vítimas e criminosos e transforma a história dos protestos em uma vívida e eletrizante obra de ficção. Uma narrativa ambiciosa e arrebatadora, um épico sobre crime e oportunismo, vingança e lealdade. [Leia +]

Temporada de acidentes, de Moïra Fowley-Doyle — Acontece todo ano, na mesma época. Todo mês de outubro, inexplicavelmente, Cara e sua família se tornam vulneráveis a acidentes. Algumas vezes, são apenas cortes e arranhões — em outras, acontecem coisas horríveis.  A temporada de acidentes faz parte da vida de Cara desde que ela se entende por gente. E esta promete ser uma das piores.

No meio de tudo, ainda há segredos de família e verdades dolorosas, que Cara está prestes a descobrir. Neste outubro, ela vai se apaixonar perdidamente e mergulhar fundo na origem sombria da temporada de acidentes. Por quê, afinal, sua família foi amaldiçoada? E por que eles não conseguem se livrar desse mal? [Leia +]

 

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Uma chance de lutar, de Elizabeth Warren — Um dos nomes mais relevantes na corrida presidencial dos Estados Unidos em 2016, a senadora Elizabeth Warren é um retrato perfeito da realização do sonho americano: filha de um zelador e uma telefonista, venceu as dificuldades da família e o lugar-comum da época de que o principal objetivo de toda mulher era conseguir um bom casamento. Ela tornou-se professora em Harvard, atuou como consultora do Congresso americano e assistente do presidente Barack Obama.

Neste relato, Elizabeth deixa transparecer a fibra que a fez chegar aonde está e expõe a abrangência de seus conceitos sobre o endividamento e o sistema financeiro, que extrapolam o cenário norte-americano. [Leia +]

Os irmãos Tapper declaram guerra (um contra o outro), de Geoff RodkeyOs gêmeos Claudia e Reese, de 12 anos, não poderiam ser mais diferentes, mas em uma coisa eles são realmente idênticos: a determinação em sair ganhando na terrível guerra travada entre os dois! No primeiro volume da série, tudo começa com uma polêmica no refeitório da escola, quando Claudia sofreu um ataque cruel e covarde do próprio irmão. Aos poucos, a guerra se acirra e, das ruas de Nova York, passa para o universo ficcional de um jogo on-line.

Com uma narrativa totalmente original, incluindo fotos, capturas de tela dos jogos, registros de chats e muitas mensagens trocadas pelo celular entre os pobres pais dos beligerantes, Os irmãos Tapper declaram guerra (um contra o outro) mostra, de forma autêntica e hilária, os conflitos entre dois irmãos adolescentes numa era saturada de recursos visuais e digitais. [Leia +]

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O árabe do futuro 2: Uma juventude no Oriente médio (1984-1985), de Riad Sattouf — Segundo volume da trilogia que narra o choque cultural vivido por uma criança nascida na França que passou os primeiros anos de vida dividida entre a Líbia, a Bretanha e a Síria. Nessa sequência, o premiado quadrinista Riad Sattouf, ex-colaborador do jornal Charlie Hebdo e que participou da última edição da Flip, relata seu primeiro ano como aluno de uma escola síria, onde enfim aprendeu a ler e escrever em árabe enquanto enfrentava um ambiente rígido e violento.

Comparado aos aclamados Maus e PersépolisO árabe do futuro exibe uma visão reveladora sobre o conflito entre culturas que está definindo o século XXI. Com traço simples e narrativa fluida e divertida, Riad fornece ao mesmo tempo uma análise do embate entre o Ocidente e o mundo árabe e um autorretrato de uma infância tão plural e de cores tão fortes. [Leia +]

Aceitação, de Jeff VanderMeer —  É inverno na Área X, a misteriosa região selvagem que há trinta anos desafia explicações e repele pesquisadores de expedição após expedição, recusando-se a revelar seus segredos. Enquanto sua geografia impenetrável se expande, a agência responsável por investigar e supervisionar a área — o Comando Sul — entra em colapso. Uma última e desesperada equipe atravessa a fronteira, determinada a alcançar uma remota ilha que pode conter as respostas que eles tanto procuram.

Último livro da trilogia de ficção científica Comando Sul, Aceitação conecta os dois livros anteriores, Aniquilação e Autoridade, em capítulos breves e acelerados, narrados da perspectiva de personagens cruciais. Página após página, os mistérios são aos poucos solucionados, mas as consequências e as implicações dos acontecimentos passados jamais serão menos profundas ou aterrorizantes. [Leia +]

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testeDe volta à Área X, pela última vez

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O Comando Sul entrou em colapso. As fronteiras da Área X estão avançando.

Por décadas, a Área X foi um completo mistério. Após apagar os últimos resquícios da presença humana e criar uma barreira invisível que a separa do resto do mundo, a região foi visitada por diversas expedições de uma organização criada pelo governo para controlá-la: o Comando Sul.

Em Aniquilação, primeiro volume da série de Jeff VanderMeer, acompanhamos a 12ª expedição. Ao longo do livro, os fenômenos incomuns vão transformando a missão em um desastre, e apenas a bióloga consegue se manter fiel ao objetivo de investigar a região. A sequência, Autoridade, é focada no Comando Sul, órgão responsável por tentar compreender a Área X e que lentamente se torna tão estranho e bizarro quanto seu objeto de estudo.

Aceitação, último livro da trilogia que chega às livrarias em 24 de março, conecta os dois livros anteriores em capítulos breves e acelerados, narrados da perspectiva de personagens cruciais. Página após página, os mistérios são aos poucos solucionados, mas as consequências dos acontecimentos passados jamais serão menos profundas ou aterrorizantes.

Com elementos remanescentes do horror cósmico de H.P. Lovecraft, a série de ficção científica de Jeff VanderMeer foi indicada aos maiores prêmios de literatura do gênero, como o Hugo, o Philip K. Dick. Além disso, Aniquilação ganhou o prêmio Nebula, e será adaptado para os cinemas estrelado por Natalie Portman.

Confira abaixo um trecho de Aceitação:

aceitação“Bem ali, fora do alcance, quase perto de você: o avanço e a espuma da arrebentação, o cheiro penetrante do mar, as silhuetas das gaivotas se entrecruzando nos ares, seus gritos bruscos, incômodos. Um dia normal na Área X, um dia extraordinário — o dia da sua morte —, e ali está você, encostada a um banco de areia, meio protegida por um muro em ruínas. O sol quente contra o seu rosto, e acima a visão vertiginosa da torre do farol, iminente em sua própria sombra. O céu tem uma intensidade de cor que não admite nada além da sua prisão azul. Há areia pegajosa reluzindo no corte profundo que atravessa sua testa; há algo picante em sua boca, escorrendo.

Você se sente entorpecida e quebrada, mas há um alívio estranho misturado ao arrependimento: ter percorrido um caminho tão longo, ter parado ali, sem saber o que iria acontecer, e ainda assim… descansar. Vir para descansar. Finalmente. Todos os planos que você concebeu lá no Comando Sul, o medo angustiante e permanente de cometer um erro ou coisa pior, o preço daquilo…

Tudo agora está escorrendo na areia ao seu lado, em pérolas rubras.

A paisagem avulta à sua frente, curvando-se às suas costas para vê-la melhor. Em alguns trechos ela explode em clarões, ou gira em torvelinho, ou se reduz a um ponto luminoso, antes de voltar a entrar em foco. Sua audição também não é mais o que era; enfraqueceu, juntamente com o seu equilíbrio. E então vem essa coisa impossível: uma voz que brota da paisagem e a impressão de que há olhos sobre você, como um truque de mágica. O sussurro é familiar: Sua casa está em ordem? Mas você pensa, seja lá quem está perguntando deve ser um estranho, e você o ignora, não gosta de pensar em quem pode estar batendo à porta.

O latejar no seu ombro, depois daquele encontro na torre, está muito pior. A ferida traiu você, a fez saltar para aquela ardente imensidão azul mesmo contra a sua vontade. Alguma comunicação, algum gatilho embutido entre a ferida e aquela chama que se aproximou dançando por entre os juncos, traiu a sua soberania. Sua casa raras vezes esteve tão desarrumada e, no entanto, você sabe que independentemente do que deixará daí a uns minutos, outra coisa há de ficar. Desaparecer no céu, na terra, na água não é garantia de morte aqui.

Uma sombra une-se à sombra do farol.

Em seguida, chega o rangido de botas e, desorientada, você grita “Aniquilação! Aniquilação!” e se debate até perceber que a aparição ajoelhada à sua frente é a única pessoa insensível a essa senha.

— Sou só eu, a bióloga.

Só você. Apenas a bióloga. Apenas sua arma desafiadora, arremessada contra as paredes da Área X.”

Leia mais

teste10 Livros para todo tipo de geek

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Separamos histórias incríveis, para todos os tipos de geeks. De autores misteriosos à fantasia épica, de deuses nórdicos a video games, são livros e séries imperdíveis:

S., de J.J. Abrams e Doug Dorst Para os fascinados por mistério, J.J. Abrams, a mente por trás de séries como Lost, Fringe e diretor do próximo filme de Star Wars, trás uma narrativa enigmática em S., resultado de sua parceria com Doug Dorst. Uma caixa lacrada, repleta de pistas e códigos, guarda um livro misterioso. Em suas margens, as anotações e conversas de dois leitores formam um intrincado quebra-cabeça.

Série Comando Sul, de Jeff VanderMeer — A trilogia Comando Sul já recebeu alguns dos maiores prêmios de ficção científica, como o Nebula. Na série de livros, a região conhecida como Área X se isolou do restante do mundo, desaparecendo com todos os traços da presença humana, exceto um misterioso farol. Cabe à organização secreta Comando Sul investigar a região e desvendar esse mistério.

Série A Roda do Tempo, de Robert Jordan — Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra, e, de novo, tudo se fragmentará. Uma das mais importantes séries de fantasia épica de todos os tempos.

A guerra dos consoles: Sega, Nintendo e a batalha que definiu uma geração, de Blake J. Harris — Na década de 1990, a Nintendo praticamente monopolizava o mercado de video games. A Sega, por outro lado, era apenas uma empresa instável de fliperamas com grandes aspirações e egos maiores ainda. Mas tudo isso iria mudar com as táticas arrojadas de Tom Kalinske, ex-executivo da Mattel, que transformaram a Sega por completo e levaram a companhia a travar um confronto impiedoso com a Nintendo.

João e Maria, de Neil Gaiman e Lorenzo Mattotti — O prestigiado escritor Neil Gaiman e o brilhante ilustrador Lorenzo Mattotti se encontram para recontar o clássico João e Maria. Familiar como um sonho e perturbador como um pesadelo, o conto narra a saga de dois irmãos que, em tempos de crise e falta de esperança, são abandonados pelos próprios pais e precisam enfrentar com coragem os perigos de uma floresta sombria.

Série Magnus Chase e os heróis de Asgard, de Rick Riordan — Trolls, gigantes e outros monstros horripilantes estão se unindo para o Ragnarök, o Juízo Final. Para impedir o fim do mundo, Magnus Chase deve empreender uma importante jornada até encontrar uma poderosa arma perdida há mais de mil anos. Com personagens já conhecidos do público, como Annabeth Chase, prima de Magnus, e deuses como Thor e Loki, Rick Riordan nos apresenta mais uma aventura surpreendente, repleta de ação e humor.

O árabe do futuro: uma juventude no Oriente Médio (1978 – 1984), de Riad Sattouf — Um relato literário pleno em forma de graphic novel, com traço simples e narrativa fluida e descontraída. Riad fornece ao mesmo tempo uma análise antropológica do embate entre o Ocidente e o mundo árabe e um autorretrato de sua própria infância plural.

 

testeIntrínseca na Comic Con Experience [atualizado]

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Pela primeira vez participaremos da Comic Con Experience, grande celebração do universo geek e da cultura pop que acontece de 3 a 6 de dezembro no São Paulo Expo, (antigo Expo Imigrantes). #VaiSerÉpico

Além do estande e da programação para nerd nenhum colocar defeito, levaremos para o evento o lançamento S., quebra-cabeça literário de J. J. Abrams, e outros títulos imperdíveis como Autoridade, segundo livro da Trilogia Comando Sul, de Jeff VanderMeer; A guerra dos consoles, de Blake J. Harris; Os filhos de Anansi e João & Maria, de Neil Gaiman; Magnus Chase e os deuses de Asgard, de Rick Riordan, e muitos outros.

Confira nossa programação e prepare o seu cosplay!

 

Sexta-feira, dia 04/12, especial para os fãs de Rick Riordan:

Os três melhores cosplays dos personagens do autor ganharão kits inesquecíveis!

Para participar, basta ir até o estande da Intrínseca, tirar uma foto caracterizado e postar no Instagram com a tag #SemideusesNaCCXP até as 18h. Prêmios:

1º lugar — Série Os heróis do Olimpo + série As crônicas dos Kane + A espada do verão + botton + marcadores + camiseta
2º lugar — Série Os heróis do Olimpo + A espada do verão + botton + marcadores + camiseta
3º lugarA espada do verão + botton + marcadores + camiseta

Sábado, dia 05/12, especial para os fãs de games:

Os 5 primeiros cosplayers dos personagens de jogos famosos da Sega e da Nintendo que forem ao nosso estande no sábado ganham um exemplar do livro A guerra dos consoles, de Blake J. Harris.

Durante todos os dias da CCXP:

Todos os cosplayers (de qualquer personagem) que tirarem uma foto no estande da Intrínseca e postarem no Instagram com a tag #IntrínsecaNaCCXP concorrem a 5 kits com 3 livros à escolha da nossa lista de obras geeks (com exceção de S.).

As fotos devem ser postadas até domingo, às 23h59. O resultado do sorteio será divulgado na segunda-feira, 07/12, às 17h.

Promoções especiais do estande

Os semideuses que comprarem A espada do verão, novo livro de Rick Riordan, ganharão uma camiseta exclusiva do Hotel Valhala (válida para todos os dias da feira enquanto durar o estoque).

Na compra de S., quebra-cabeça literário de J.J. Abrams, ganhe um cubo mágico exclusivo do livro (válida para todos os dias da feira enquanto durar o estoque).

Os leitores que levarem Caçadores de trolls para casa, de Guillermo del Toro, receberão um botton exclusivo (válida para todos os dias da feira enquanto durar o estoque).

 

Visite a Intrínseca na CCXP 2015

Nosso estande ficará na Rua F.
A CCXP acontece na Rod. dos Imigrantes, Km 1,5 – Água Funda, São Paulo.

Horários:
Quinta-feira, 03/12/2015 – 12h às 22h
Sexta-feira, 04/12/2015 – 10h às 22h
Sábado, 05/12/2015 – 10h às 22h
Domingo, 06/12/2015 – 10h às 20h

 

Sobre a CCXP – Comic Con Experience

A CCXP – Comic Con Experience acontece no Brasil nos moldes das comic cons realizadas em diversas partes do mundo, que reúne fãs e profissionais de quadrinhos, cinema, TV, games, anime, RPG, memorabilia, ficção científica e colecionáveis para conhecerem as últimas novidades dessas áreas em uma grande celebração do universo geek e da cultura pop. O evento é organizado pelo Omelete, Chiaroscuro Studios e Piziitoys. Em 2014, a CCXP reuniu 97 mil pessoas e as principais empresas e artistas do mercado, tornando-se o maior evento do gênero na América Latina. Em 2015, acontecerá de 3 a 6 de dezembro no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center. Os ingressos de sábado, domingo e os pacotes de ingressos para 4 dias já estão esgotados, mas ainda é possível adquirir ingressos para quinta, sexta e, em quantidades limitadas, pacotes de ingressos Full Experience, que inclui a entrada para sábado e domingo. Para saber mais, acesse: www.ccxp.com.br

testeQuando uma Torre é um Túnel

A inusitada arquitetura narrativa de Jeff VanderMeer na série Comando Sul

Por Octavio Aragão*

inspiration well, quinta da rigaleira, sintra, portugal

A ficção científica tem diversas faces. Para muitos não iniciados, o termo pode remeter a histórias rasas, cheias de naves espaciais barulhentas e robôs falastrões. Mas a verdade é que talvez não exista um subgênero da literatura fantástica mais plural e mutante que a ficção científica, capaz de se mesclar a estilos aparentemente incompatíveis para gerar narrativas instigantes e de profundidade incontestável. Das distopias sociais ao cyberpunk, que ajudou a desenhar boa parte de nosso mundo contemporâneo pós-moderno, passando pelo retrofuturismo do steampunk, que revive os temas e cenários de Julio Verne e H. G. Wells em outra roupagem, e pelo eventual tiroteio da space opera, a ficção científica deixou de ser voltada apenas à antecipação, por vezes superficial, do futuro para firmar-se como um espaço literário dedicado ao estudo de nossos anseios, sonhos e medos — por mais estranhos que eles sejam. E no caso do escritor Jeff VanderMeer, autor dos já publicados Aniquilação  e Autoridade, estranho é a palavra de ordem.

Essa fabulação do estranho pode ser agrupada em uma vertente da ficção científica chamada weird fiction. Seu pai ideológico e conceitual foi o americano Howard Phillips Lovecraft, mas o nome veio do título de uma das publicações populares impressas em papel barato  vendidas em banca de jornal, a revista Weird Tales. Publicado entre 1923 e 1954, o periódico era constituído por contos recheados do que se habituou chamar de “horror cósmico”: histórias que misturavam conceitos inspirados em descobertas científicas com um clima herdado da literatura gótica. Dessa forma, criaturas alienígenas ancestrais ao homem ganhavam contornos de monstros míticos, casas mal-assombradas viravam nexos espaço-temporais com linha direta para outros universos incompatíveis e espíritos obsessores eram encarados como a memória de civilizações perdidas. Segundo Lovecraft, o objetivo era alçar o leitor a um estado de maravilhamento ao aproximá-lo do “inusitado e do macabro”.

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O universo criado por Jeff VanderMeer faz parte de uma variante do weird fiction, o new weird, e é marcado por um “surrealismo” mais controlado. Trata-se de um meio-termo entre a fábula e a ficção científica soft, com ênfase em ciências humanas, mas sem descuidar da verossimilhança tecnológica (ou tecnocrática). O inusitado e o macabro ainda reinam, mas não sem o auxílio de um senso de causa e efeito — e até de humor. A linguagem é menos rebuscada que a dos escritores antecessores, mas, em compensação, os recursos narrativos são explorados ao máximo, com flashbacks entremeados à linha principal ou mudanças constantes de discurso. Todos esses elementos, ancorados por uma prosa enxuta, aparecem em Aniquilação e Autoridade, dois terços da trilogia Comando Sul.

Aniquilação - CapaO primeiro romance, Aniquilação, narra a missão quase suicida de uma equipe de especialistas ao cerne da Área X — um território onde as leis da física nem sempre obedecem ao senso comum — em busca de respostas para mistérios não desvendados por onze expedições anteriores. A partir da perspectiva da bióloga da equipe, testemunhamos a desintegração física e mental das cientistas, consumidas por um local que explora memórias e reflexos condicionados. O auge da busca, que rapidamente se transforma em uma caçada humana, é a Torre (que para a psicóloga, comandante da expedição, parece um túnel). Essa estrutura, cheia de andares aprofundados no solo e onde as ameaças se esgueiram, pode ser interpretada como uma metáfora para o inconsciente. E é aí que a narradora começa, num jogo bem azeitado de analogias e contraposições, a recordar os motivos pelos quais ingressou na missão.

A ausência de nomes próprios para as personagens de VanderMeer é típica de contos de fadas. Como nas histórias caucionárias, cheias de princesas, príncipes e bruxas anônimas, as personagens encarnam suas funções — a saber, a bióloga, a psicóloga, a antropóloga e a topógrafa. No entanto, ao mesmo tempo em que a ausência de identificação pode distanciar o leitor das personagens, principalmente das que não são narradoras, o fato de o livro ser narrado em primeira pessoa o aproxima ao máximo da protagonista. É por intermédio da bióloga que percebemos as nuances da trama, as pluralidades do cenário e também a possibilidade de estarmos lidando com uma locutora pouco confiável. A instabilidade emocional da protagonista e suas ações cada vez mais violentas são progressivamente perceptíveis, até que o leitor passa a questionar a coerência de certas atitudes, possivelmente exageradas.

link-externoLeia um trecho de Aniquilação

Durante a leitura de Aniquilação, duas referências saltam aos olhos e remetem a obras de autores bem diferentes. Em primeiro lugar, a conformação de um grupo investigando uma área proibida e de origem inexplicável, sofrendo alterações mentais durante o trajeto, se assemelha ao plot de Piquenique à beira da estrada, romance russo de ficção científica criado pelos irmãos Boris e Arcady Strugatsky, cuja versão cinematográfica, Stalker, foi dirigida por Andrei Tarkovsky. Além disso, há uma proximidade com o romance Nas montanhas da loucura, de Lovecraft, que mostra outra expedição às voltas com pistas de civilizações ancestrais e de animais deformados por forças desconhecidas durante uma visita ao ártico. Outra característica curiosa é a configuração geometricamente questionável da “Torre que é um Túnel”, que recorda as construções paradoxais da novela O chamado de Cthulhu, também escrita por Lovecraft.

Mesclando referências sutis e outras mais diretas a estruturas narrativas pouco convencionais, Aniquilação é uma leitura rápida: são 196 páginas cheias de ação e de situações-limite. Trata-se de um cenário bem diferente do que o leitor encontra no livro seguinte. Com 384 páginas, Autoridade explora os intestinos do Comando Sul, a agência voltada para a pesquisa da Área X. Em lugar da exploração de campo, vemos as batalhas burocráticas enfrentadas por John Rodriguez, que também atende pelo codinome Controle, ao assumir seu novo cargo de chefia. Sai de cena o protagonismo feminino — e talvez não seja exagero dizer feminista — em prol da visão de um personagem masculino, mas de origem étnica bem diferente do tradicional herói WASP (branco, anglo-saxão e protestante). Aliás, a preocupação de VanderMeer com a diversidade de seu elenco é um dos pontos altos de sua obra, divergindo da tradicional miopia reinante na ficção científica anglo-saxã.

blogSe o ambiente da Área X já era ameaçador em Aniquilação, o prédio do Comando Sul, onde grande parte da trama de Autoridade se desenrola, parece uma selva tão ou mais perigosa, com armadilhas e terrenos instáveis. Outra vez estamos em uma Torre que parece um túnel, mas agora as profundezas escuras são as dúvidas a respeito de quem realmente manda no Comando Sul e sobre quais são suas reais e, provavelmente nefastas, intenções. Outro ponto reconhecível na obra de VanderMeer, e presente em obras de ficção científica cyberpunk, é a desconfiança a respeito do poder, governo, representado aqui pelo Comando Sul e seus meandros.

Por que existe a Área X? Por que é imprescindível explorar seu território incessantemente? O que a separou do ambiente ao seu redor? Algumas dessas perguntas são respondidas, outras são postergadas, mas nada é mais instigante do que a imagem dos inúmeros coelhos com câmeras enxertadas, cuja ilustração não por acaso é parte importante do projeto gráfico do livro, e de quem o destino coletivo parece estar diretamente ligado ao cerne do mistério.

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Leia um trecho de Autoridade

A última (e mais marcante) diferença entre Autoridade e Aniquilação é a mudança da pessoa narrativa. No segundo livro da trilogia, o discurso em primeira pessoa é substituído pelo narrador onisciente, que usa a terceira pessoa — o que torna a leitura mais fluida para um romance mais volumoso. Enquanto acompanhamos a jornada de Controle pelo Comando Sul tentando decifrar o enigma deixado pelas últimas expedições à Área X, compreendemos parte da metáfora kafkiana que permeia os dois romances. Afinal, quando uma torre também é um túnel? A resposta é de uma simplicidade aterradora, como sempre acontece nas melhores charadas.

Uma torre é um túnel quando, uma vez no topo, depois de uma longa escalada, olhamos para dentro do edifício, verticalmente, e percebemos que lá embaixo, no fim do abismo interno, há uma luz. E ali, de pé sobre a escuridão e de costas para o nada, em equilíbrio precário, rezamos para que ela não venha em nossa direção.

 

 

Octavio Aragão é designer gráfico, pesquisador e professor de Jornalismo Gráfico na ECO-UFRJ. É autor dos romances de ficção científica A mão que cria (Mercuryo, 2006) e Reis de todos os mundos possíveis (Draco, 2013), além da HQ Para tudo se acabar na quarta-feira (Draco, 2011).

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História do futuro: O horizonte do Brasil no século XXI, de Míriam Leitão — Somente a jornalista mais premiada do país seria capaz de aceitar o desafio de olhar para além do imediatismo do presente e mapear o que está por vir. O resultado é História do futuro, que compila pesquisas, análises, entrevistas e depoimentos para apresentar, de forma acessível, tendências e perspectivas para os próximos anos. [Leia +]
link-externoLeia também: É possível pensar no futuro, entrevista com Míriam Leitão

Como Steve Jobs virou Steve Jobs, de Brent Schlender e Rick Tetzeli – Única biografia de Jobs com depoimentos dos executivos da Apple, entre eles o CEO Tim Cook, o livro apresenta um retrato íntimo e detalhado sobre um dos líderes mais emblemáticos de nosso tempo e revela o processo de reinvenção do jovem arrogante em um gestor maduro, capaz não apenas de salvar a companhia do fracasso, mas elevá-la a patamares jamais imaginados. [Leia +]

A sexta extinção: Uma história não natural, de Elizabeth Kolbert — Ao longo dos últimos quinhentos milhões de anos, o mundo passou por cinco extinções em massa. Hoje, a maior de todas as extinções vem sendo monitorada, e a causa não é um asteroide ou algo similar, e sim a própria raça humana. O surpreendente relato de qual pode ser o legado final da humanidade recebeu o prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015. [Leia +]

A sorte do agora, de Matthew Quick — Bartholomew passou seus quase 40 anos de vida morando com a mãe. Quando ela adoece e morre, ele descobre que não faz ideia de como viver sozinho. Até que um dia ele encontra, na gaveta de calcinhas dela, uma carta de Richard Gere. Convencido de que o ator vai ajudá-lo, ele começa a escrever uma série de cartas íntimas para Gere. Espirituoso e original, A sorte do agora é construído com a mesma inteligência e sensibilidade de O lado bom da vida[Leia +]


Deixado para morrer, de Beck Weathers — Em 1996, um grupo de alpinistas empenhava-se em escalar o Everest até que uma inesperada tempestade atingiu a montanha, separando-os. Quando uma tentativa de resgate foi possível, Beck Weathers foi considerado sem chances de sobreviver e se viu abandonado na neve. O livro, um dos relatos que inspiraram o filme Evereste, mostra a luta pela vida em uma das montanhas mais perigosas do mundo.

Autoridade, de Jeff VanderMeer — Por décadas, o Comando Sul foi responsável por enviar expedições à Área X, uma região isolada de toda influência humana e cercada por uma barreira invisível. Com o fim da conturbada décima segunda expedição, um novo diretor é nomeado para a instituição, com o objetivo de organizar o caos instaurado. Mas a cada descoberta, novos fatos perturbadores sobre a Área X e o Comando Sul ameaçam ainda mais a ordem. [Leia +]
link-externoLeia também: O Comando Sul precisa de Controle

A febre, de Megan Abbott — Deenie, Lise e Gabby formam um trio inseparável. Quando uma das três sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio da sala de aula, ninguém sabe como reagir… até que outras meninas começam a exibir sintomas similares. Envolto em teorias e especulações, o pânico se alastra pela cidade, e ameaça a frágil sensação de segurança de todos os envolvidos.

Casa de praia com piscina, de Herman Koch – Um médico renomado e extremamente cínico é convidado a levar a família para passar férias na casa de um de seus clientes, o famoso ator Ralph Meier. Depois de alguns dias monótonos, um grave incidente interrompe as férias e marca a vida de todos para sempre. [Leia +]

Minha professora é um monstro! (Não sou, não.), de Peter Brown — Beto tem a pior professora do mundo. Ela ruge, bate o pé e pode até te deixar sem recreio. Ela é um monstro! No livro, o autor e ilustrador Peter Brown ensina uma importante lição de forma leve e bem-humorada: Nem sempre as pessoas são o que parecem. [Leia +]

A ascensão da sombra, de Robert Jordan — Os lacres de Shayol Ghul se enfraquecem e a sombra se ergue para encobrir definitivamente a humanidade. Declarado o escolhido da antiga profecia, Rand al’Thor precisa seguir em frente e cumprir seu destino: proteger o mundo do retorno do Tenebroso. Quarto volume da série A Roda do Tempo. [Leia +]

O mundo imaginário de…, de Keri Smith — Outra contribuição às mentes criativas, o livro propõe a criação de um mundo completamente novo e inusitado, no qual o leitor deve cumprir uma série de tarefas para criar todos os detalhes de um universo particular. [Leia +]

Destrua este diário em qualquer lugar, de Keri Smith — Novamente questionando as convenções, o novo livro de Keri Smith tem como proposta levar a destruição criativa para todos os lugares. Com instruções simples, atividades novas e algumas das páginas clássicas de Destrua este diário, a obra celebra a imperfeição e a exploração. [Leia +]

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testeO Comando Sul precisa de Controle

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John Rodriguez não sabe se realmente queria estar ali. Depois de um histórico de missões problemáticas para a Central, o funcionário também conhecido como Controle recebeu uma tarefa que pode ser sua chance de redenção na organização: assumir o posto de diretor do Comando Sul, agência do governo que há décadas tenta desvendar os segredos e mistérios da anomalia conhecida como Área X. Entre arquivos sem fim, um quadro de funcionários incapazes e as polêmicas decisões da ex-diretora, que culminaram em seu desaparecimento, Controle tenta reestruturar uma organização que parece perdida no tempo, sem saber que os perigos da Área X podem estar mais perto do que ele imagina.

O ambiente de trabalho em que Rodriguez se vê preso é repleto de situações incomuns: uma assistente que tenta a todo custo impedir o bom funcionamento da agência; funcionários com comportamentos bizarros; Capa_Autoridade_211x319registros oficiais escritos em listas de compras; portas que dão em lugar nenhum; interrogatórios que subvertem a lógica de quem está sendo interrogado; tecnologias de décadas passadas e diversos outros obstáculos parecem empilhados diante do objetivo de Controle.

Na continuação de Aniquilação, Jeff VanderMeer muda completamente o foco da narrativa. Se antes vivíamos a experiência desumanizadora da décima segunda expedição pelos relatos da bióloga, o segundo livro, Autoridade, passa a acompanhar a rotina da organização que tenta encontrar respostas para o estranho fenômeno biológico. Mesmo tendo como cenário a sede burocrática do Comando Sul, o livro mantém o ritmo de paranoia e terror latente da obra anterior.

link-externoLeia um trecho de Aniquilação

O primeiro título da série, Aniquilação, venceu a da edição de 2014 do Nebula, que premia os melhores livros de ficção científica e fantasia publicados nos Estados Unidos. Além disso, teve os direitos comprados de adaptação cinematográfica comprados pela Paramount Pictures e será dirigido por Alex Garland, de Ex-Machina, com Natalie Portman cotada para estrelar os filmes.

O segundo capítulo da trilogia Comando Sul é fascinante e repleto de questionamentos: qual é o papel do farol da Área X? Quais são suas reais fronteiras? Por que o Comando Sul continua a enviar pessoas para lá? Quem são as pessoas que retornaram da décima segunda expedição? E, principalmente, até onde se deve ir em busca de respostas?

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