testeElon Musk, o Homem de Ferro que quer viver em Marte

Por Rennan Setti*

Foto: Getty Images /Justin Sullivan

O futuro do automóvel protagonizou o pregão do último 3 de abril em Wall Street. Naquele dia, o valor de mercado na Bolsa da fabricante de carros elétricos Tesla superou o da Ford, que inventou essa indústria há mais de um século. A ultrapassagem foi entendida não apenas como o marco de uma nova era automotiva, mas também como a redenção de Elon Musk face aos céticos que sempre questionaram suas mirabolâncias. Aos 45 anos e dono de uma fortuna de US$ 14,9 bilhões (cerca de R$ 47 bilhões), o executivo-chefe da Tesla é uma espécie de enfant terrible do Vale do Silício, cuja audácia goza de celebridade proporcional ao espanto que provoca. 

Desde que deixou sua África do Sul natal, no início dos anos 1990, Musk estabeleceu reputação de empreendedor em série. Após ter participado do comando do sistema de pagamentos on-line PayPal — cuja venda ao eBay lhe renderia US$ 165 milhões —, Musk decidiu criar startups que desafiam alguns dos setores mais conservadores da economia. Além da Tesla, Musk fundou a SolarCity com o objetivo de popularizar painéis solares como fonte de energia, enquanto a SpaceX tem a ambição de viabilizar a indústria de viagens interplanetárias.  

Mas Musk chama mais atenção pelo que ainda sonha conquistar. Em setembro do ano passado, deixou boquiaberta a plateia do Congresso Internacional de Astronáutica ao anunciar planos concretos de levar humanos a Marte a partir de 2024. É dele também o projeto do Hyperloop, sistema de transporte por meio de um túnel com pressão reduzida capaz de fazer o trajeto entre Los Angeles e São Francisco em meia hora. No fim de março, o The Wall Street Journal revelou que Musk lançou a Neuralink, companhia dedicada à implantação de eletrodos no cérebro de pessoas, o que permitiria aos usuários interagir com máquinas e com a internet por meio de pensamentos.  

Nada mal para alguém que superou o bullying implacável na escola (após surras sucessivas, precisou fazer uma plástica no nariz), a malária e sinais iminentes de falência, como narra o jornalista Ashlee Vance na biografia Elon Musk. É bem verdade que ainda pairam suspeitas sobre seu sucesso. A maioria de suas empresas, apesar de inovadoras, ainda são máquinas de queimar dinheiro, enquanto os críticos duvidam que seus planos mais heterodoxos serão concretizados. Sua personalidade é controversa. Vance conta no livro que Musk questionou o comprometimento de um funcionário que faltou a uma reunião para acompanhar o nascimento do filho (ele nega), e o empreendedor já se divorciou três vezes, duas delas da mesma mulher, o que garantiu presença constante em tabloides. Também causou polêmica o fato de ele atuar no conselho econômico de Donald Trump, que se elegeu afirmando que as mudanças climáticas são uma falácia e prometendo retirar incentivos à energia limpa, o contrário de tudo o que acreditam os donos do Tesla Model S e dos painéis da SolarCity. 

A favor de Musk estão seu endereço (o Vale do Silício é compreensivo com fracassos e paciente com inovações que custam a dar resultados) e a comunidade de fãs que já estabeleceu. Musk inspirou o Tony Stark “Homem de Ferro”, chegando a fazer uma aparição na sequência do filme, e é considerado por admiradores o sucessor natural de Steve Jobs. Para saber se suas apostas vão dar tão certo quanto a Apple, será preciso esperar, mas ter ciência delas é incontornável no universo tecnológico. Conheça a seguir um pouco mais sobre suas iniciativas.     

 

Tesla, de beira do precipício a modelo de futuro

Model S (via Tesla Motors)

Batizada em homenagem ao inventor Nikola Tesla, a companhia de Palo Alto não foi fundada por Musk mas se tornou indissociável dele. A Tesla nasceu em 2003 como um projeto do veterano Martin Eberhard, com o objetivo de criar veículos que utilizem como combustível apenas energia elétrica.

Em 2008, quando estourou a crise financeira global, a empresa estava à beira da falência, e Musk teve que tirar dinheiro do próprio bolso para sustentá-la. Aquele ano, aliás, seria lembrado por Musk como o pior de sua vida (além da Tesla, a SpaceX e o casamento de Musk também passavam por sérias dificuldades). Mas Musk, que passou a ocupar o cargo de CEO, conseguiu reequilibrar a empresa. Em 2010, ela foi a primeira montadora desde a Ford, em 1956, a lançar ações na Bolsa americana, levantando US$ 226 milhões.

 

Dificuldades em inovação solar

SolarCity (via Forbes)

Criada em 2006, a SolarCity produz e presta serviços de instalação e manutenção de painéis de energia solar. Musk teve a ideia original e ofereceu parte do capital inicial para a companhia, que seria fundada por seus primos Lyndon Rive e Peter Rive. Musk ocuparia o cargo de presidente do conselho de administração.

Hoje, a SolarCity é a maior empresa do segmento nos EUA, com mais de 300 mil clientes, mas continua enfrentando dificuldades para sair do vermelho. Em oito dos últimos 12 trimestres, a firma registrou prejuízo. A dramaticidade da situação levou a Tesla a adquiri-la no fim de 2016, por US$ 2,6 bilhões. 

 

O caminho mais rápido para o planeta vizinho

Nasa/Getty Images

Desde criança, Musk sonhava com o espaço. A SpaceX foi fundada por ele em 2002 para satisfazer esse fascínio. Seu principal objetivo é reduzir drasticamente o custo de viagens espaciais e, em algum momento, permitir a colonização de Marte. Na verdade, Musk sempre condicionou a abertura do capital da SpaceX ao pleno funcionamento de uma espaçonave capaz de levar pessoas àquele planeta.

A companhia se estabeleceu como uma importante prestadora de serviço para a Nasa. Em 2012, a SpaceX se tornou a primeira firma privada a levar uma cápsula à Estação Espacial Internacional. Para o futuro, a companhia tem mais de 70 lançamentos planejados, uma promessa de US$ 10 bilhões em contratos. Apesar de falhas notáveis em alguns lançamentos, a SpaceX obteve um feito em março deste ano: lançou o primeiro foguete reutilizado da história, o Falcon 9. A façanha é a chave para permitir o barateamento das viagens espaciais e, logo, a eventual colonização de Marte.        

Musk estima que um foguete à altura estaria pronto em 2024 — e deseja que a primeira espaçonave se chame “Heart of Gold” em homenagem ao Guia dos Mochileiros da Galáxia. Cada voo poderia levar cem passageiros, e as viagens ocorreriam a cada 26 meses, quando a Terra e Marte estão mais próximos entre si. O empreendedor projeta que o preço por viagem poderia cair para algo entre US$ 100 mil e US$ 200 mil por pessoa e que cerca de 10 mil voos seriam necessários para estabelecer uma colônia autossuficiente no planeta vizinho.  

 

Insurgência contra a distopia da inteligência artificial

Shutterstock

O fascínio de Musk por Marte não é resultado apenas de literatura de ficção científica em excesso. Na verdade, o empresário realmente acredita que a raça humana corre risco de extinção na Terra, e, dessa forma, a colonização de outro planeta poderia ser uma garantia de sobrevivência. Apesar de ser um notório entusiasta de tecnologias futuristas, Musk teme que os computadores exterminem os seres humanos.

Por isso, no fim de 2015, ele fundou a OpenAI, uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é desenvolver uma plataforma de inteligência artificial que não caia na tentação de se virar contra seus criadores e aniquilar a humanidade. O objetivo da organização — que conta com o suporte de outros magnatas, como Peter Thiel (PayPal) e Reid Hoffman (LinkedIn) — é disponibilizar ferramentas de IA de código aberto que atendam esses requisitos. 

Saiba mais sobre a vida e as realizações do homem mais audacioso do Vale do Silício em Elon Musk, um exame profundo do significado da carreira de Musk para a indústria tecnológica.

 

Rennan Setti é jornalista.

testeAs 5 dicas de Elon Musk para o sucesso

Se você quer ter alguma ideia de como será o futuro, precisa conhecer Elon Musk. O empreendedor mais ousado de nosso tempo, que inspirou o Homem de Ferro dos cinemas, decidiu investir sua fortuna gerada em empresas digitais para mudar o mundo. Com a SpaceX, o inventor sul-africano está revolucionando os voos espaciais. Com a Tesla Motors, está trabalhando para popularizar os carros elétricos. Musk, que também está investindo em energia sustentável, a partir de painéis solares, é um CEO diferente de todos os outros. Ao apostar em empreendimentos de alto risco, tem se dedicado a criar um futuro ao mesmo tempo magnífico e próximo de uma fantasia de ficção científica.

Em 2014, Musk fez um discurso para os estudantes da Universidade do Sul da Califórnia e explicou suas cinco dicas para o sucesso. Confira:
ElonMusk_Blog1

A primeira coisa que você precisa fazer é realmente trabalhar. Mas se você quiser ser muito bom ou se estiver começando o seu próprio negócio, você terá que trabalhar muito! Mas o que significa “trabalhar muito”?

Quando Musk e o irmão estavam abrindo a primeira empresa, em vez de alugarem um apartamento, os dois conseguiram um pequeno escritório e passaram a dormir ali mesmo, no sofá. Eles tomavam banho em uma academia próxima e trabalhavam dia e noite, sete dias por semana. Para Musk, a conta é simples: se alguém trabalha cinquenta horas por semana e você cem, significa que a sua empresa terá feito o dobro.

ElonMusk_Blog2

Se você está entrando em uma empresa ou criando uma, a coisa mais importante é atrair as melhores pessoas. Uma empresa nada mais é do que um grupo que está criando, em conjunto, um produto ou um serviço. Logo, o sucesso do empreendimento depende diretamente de quão talentosa, comprometida e bem direcionada é a equipe. Dessa forma, faça tudo o que puder para ter as melhores pessoas com você.

ElonMusk_Blog3

Foque no objetivo e não se distraia. Para Elon Musk muitas companhias acabam se confundindo e gastando dinheiro em coisas que na verdade não contribuem para melhorar o produto que elas oferecem.

Por exemplo, a Tesla Motors, sua empresa de carros elétricos, não gasta com publicidade. A companhia investe seus recursos em pesquisa e desenvolvimento, além de tecnologia e designer, para criar o melhor carro possível.

Para qualquer tipo de negócio, a lógica de Musk é sempre a mesma: os esforços que estão sendo feitos resultam em um produto ou em um serviço melhor? Se a resposta for não, pare com eles.

ElonMusk_Blog4

Não se restrinja a seguir tendências. Elon Musk acredita que é melhor pensar sob a abordagem dos princípios fundamentais da física. Significa que, em vez de raciocinar por analogia, é mais proveitoso dissecar, resumir determinada ideia e encontrar a sua essência, o seu cerne — e construir a partir daí.

Para o inventor esta é uma boa maneira para descobrir se uma coisa faz mesmo sentido ou se é algo que simplesmente todo mundo está fazendo. Pode ser difícil pensar dessa maneira, mas se você quer fazer alguma coisa diferente esse é um método poderoso, usado por físicos para desvendar conceitos que fogem do senso comum, como a mecânica quântica.

ElonMusk_Blog5

Assuma riscos. Conforme vamos envelhecendo, as obrigações crescem. Uma vez que você tiver filhos e construir uma família, os riscos não serão só seus, mas também de toda a família. Acaba sendo muito mais difícil se dedicar a projetos que podem dar certo ou não.

Então, assuma os riscos hoje, enquanto você não tem essas obrigações. Faça algo ousado — você não vai se arrepender.

Assista aqui o discurso completo de Elon Musk (em inglês).

Leia um trecho da biografia de Elon Musk.

testeLançamentos de Setembro

EstanteIntrinseca_Set2015_600x442

Grey, de E L James — Christian Grey controla tudo e todos a seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio — até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. A história que dominou milhares de leitores ao redor do mundo sob um novo ponto de vista. [Leia +]

Surpreendente!, de Maurício Gomyde — Pedro Diniz tem um desafio: produzir o filme perfeito! Diagnosticado na adolescência com uma doença degenerativa que o condenaria à cegueira, ele contraria a lógica da medicina quando a perda de sua visão estaciona de forma inexplicável. A perspectiva idealista de Pedro, porém, sofre sérios abalos. Atormentado por um segredo, ele parte com os amigos em uma longa e inesquecível viagem. [Leia +]

link-externo

Leia também: Surpreendente! não é filme, mas poderia ser, por Maurício Gomyde

Elon Musk: Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro, de Ashlee Vance — Elon Musk é o empreendedor mais ousado de nosso tempo. Mais do que qualquer outro empresário da atualidade, ele tem investido sua energia e sua fortuna na missão de criar um futuro ao mesmo tempo magnífico e tão longe de ser alcançado quanto uma fantasia de ficção científica.

João e Maria, de Neil Gaiman e Lorenzo Mattotti — O prestigiado escritor Neil Gaiman e o brilhante ilustrador Lorenzo Mattotti se encontram para recontar a clássica história de João e Maria. Familiar como um sonho e perturbador como um pesadelo, o conto narra a saga de dois irmãos que são abandonados pelos pais e precisam enfrentar com coragem os perigos de uma floresta sombria. [Leia +]

A guerra dos consoles: Sega, Nintendo e a batalha que definiu uma geração, de Blake J. Harris — Em 1990, a Nintendo monopolizava o mercado de video games. A Sega, por outro lado, era apenas uma empresa instável de fliperamas com grandes aspirações e egos maiores ainda. Mas tudo isso iria mudar com as táticas arrojadas de Tom Kalinske, um ex-executivo da Mattel, que transformaram a Sega por completo e levaram a empresa a travar um confronto impiedoso com a Nintendo. [Leia +]

Sr. Holmes, de Mitch Cullin — Aposentado há décadas, Sherlock Holmes mora numa fazenda em Sussex, onde cria abelhas com a ajuda do filho de sua empregada. Além do apiário, o velho detetive gosta de passar o tempo relembrando casos, que registra diligentemente em um diário. Com isso, tenta juntar os fragmentos remotos de uma de suas aventuras mais marcantes, ocorrida há mais de cinquenta anos. [Leia +]

Sonhos partidos, de M. O. Walsh — Baton Rouge, nos Estados Unidos, é uma cidade conhecida por seus churrascos no jardim, tardes quentes de verão, barris de cerveja gelada e muitos fãs de futebol americano. Mas no verão de 1989, quando Lindy Simpson, uma das garotas mais bonitas do bairro e estrela das pistas de corrida, é estuprada perto de casa, fica claro que os subúrbios também têm um lado obscuro. [Leia +]

Titia terrível, de David Walliams — Em uma mansão rural remota vive Stella, uma menininha que não sabe que perdeu os pais num acidente de carro, pois passou meses dormindo. Ao acordar, ela vai precisar escapar das tramoias da tia, uma mulher malvada, que perdeu todo o dinheiro em jogos de tazo e anda sempre acompanhada de uma coruja mal-humorada. [Leia +]

O leitor do trem das 6h27, de Jean-Paul Didierlaurent — Operário discreto de uma usina que destrói encalhe de livros, Guylain Vignolles leva uma vida monótona e solitária. Todos os dias, esse amante das palavras salva algumas páginas da máquina que opera. A cada trajeto até o trabalho, ele lê no trem das 6h27 os trechos que escaparam do triturador na véspera, até que um dia encontra textos misteriosos que vão fazê-lo buscar cores diferentes para seu mundo e escrever uma nova história para sua vida. [Leia +]

Uma história do mundo, de Andrew Marr — O entendimento da história mundial se transforma à medida que novas descobertas são feitas em todos os continentes e velhos preconceitos são desafiados. Nessa jornada verdadeiramente global, Andrew Marr revisita os relatos épicos tradicionais, desde a Grécia e a Roma clássicas até a ascensão de Napoleão, entremeando-os com histórias menos conhecidas, do Peru à Ucrânia, da China ao Caribe. Assim, o autor encontra ecos e paralelos surpreendentes que atravessam vastas distâncias e muitos séculos.