testeConheça a coletânea com doze contos de terror da aclamada Mariana Enriquez

Histórias curtas, sombrias e perturbadoras: assim são os doze contos de As coisas que perdemos no fogo, da aclamada Mariana Enriquez. Com cenas fortes que não saem da cabeça, o livro mistura terror e suspense em narrativas que parecem normais no primeiro momento, mas são macabras e emocionantes.

Na coletânea, o leitor encontra histórias sobre um menino assassino, uma garota que arranca as unhas e os cílios na sala de aula, amigos que parecem destinados à morte, mulheres violentadas que ateiam fogo em si mesmas, casas abandonadas, magia negra e sumiços inexplicáveis. Os personagens e os lugares enganam o leitor o tempo todo ao se mostrarem comuns, mas revelam o horror do cotidiano.

Os contos também abordam temas como desigualdade e violência com um forte teor político. Nascida e criada em Buenos Aires, na Argentina, Mariana Enriquez não ignora fatos do passado — como a ditadura militar no país — e o contexto local em suas obras.  

Considerada uma das principais jovens autoras contemporâneas da América Latina, Mariana vem conseguido destaque internacional. Além de As coisas que perdemos no fogo, traduzido para mais de vinte países, já publicou outros setes livros que conquistaram o público e a crítica. Veículos internacionais como New Yorker, Granta e Electrice Literature já a elegeram como uma das escritoras mais corajosas e surpreendentes da atualidade.

Em entrevistas, Mariana costuma afirmar que suas inspirações vêm de autores como Henry James, Lafcadio Hearn, Emily Brontë e Stephen King, mas também das experiências que vivencia como jornalista. Por isso suas obras mesclam elementos de horror e sobrenatural com o cotidiano.

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testeDicas para harmonizar diferentes tipos de vinhos com pratos especiais

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O mundo dos vinhos parece complicado, mas algumas noções básicas podem deixar a experiência muito mais saborosa e divertida. Aprender como combinar as características do vinho com as dos alimentos, conhecer a região produtora ou saber o melhor jeito de servir são algumas das informações que facilitam a nossa vida.

O guia essencial do vinho: Wine Folly é um bom caminho para aqueles que querem encarar o desafio de entrar nesse universo. Com gráficos e explicações simples, o livro reúne informações que farão até o mais perdido saber escolher um bom vinho na prateleira do supermercado ou em um restaurante.

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Confira algumas informações selecionadas no livro:

Cabernet Sauvignon — Originária da região de Bordeaux, na França, é a uva mais cultivada no mundo. Além da França, é também produzida em países como Chile, Estados Unidos, Austrália, Espanha, China, Argentina, Itália e África do Sul. O aroma típico lembra cereja-negra, cassis, pimentão, especiarias e cedro.

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É um tipo de vinho tinto encorpado, que combina com carne vermelha, brusquetas, molho madeira, risotos e pratos com molho à bolonhesa.  No Brasil, o preço médio das garrafas fica entre R$ 60 e R$ 100.

Malbec — É uma uva original do sudoeste da França, mas é a Argentina que produz os melhores vinhos. A altitude é um indicador-chave para a qualidade do Malbec, por isso a maioria vem da província de Mendoza. Os aromas dominantes são ameixa, mirtilo, baunilha e cacau. Combina com um bom churrasco no estilo argentino!

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Champagne — Símbolo de celebrações de fim de ano e de ocasiões importantes, o Champagne é o tipo de vinho mais famoso entre os espumantes. Harmoniza bem com frutos do mar, salmão, lagosta, camarão, carnes brancas, canapés e até rabanadas!

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Merlot — Em testes cegos, os vinhos Merlot são confudidos muitas vezes com Cabernet Sauvignon. Apesar de terem uvas parecidas, o Merlot é suave e tem uma característica mais macia no paladar. Seus aromas lembram framboesa, cereja-negra, fruta cristalizada, chocolate e cedro.

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É cultivada em países como França, Estados Unidos, Espanha, Itália, Romênia, Bulgária, Chile, Austrália e em outros lugares.

Rosé — Leve e com sabor agradável, o vinho rosé é produzido, principalmente, na França, na Itália, nos Estados Unidos e na Espanha. Perfeito para os dias de verão, o vinho deve ser servido em uma temperatura entre 8º e 11ºC.

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Os aromas dominantes são morango, melão, pétala de rosa, aipo e casca de laranja. Ideal para comer com queijos delicados, peixes, frutos do mar, comida japonesa e paellas. Um dado curioso: o rosé representa 9% de toda a produção mundial de vinho.

testePara reencontrar Buenos Aires

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Cena de O Último Tango (Fonte)

Há duas oportunidades no cinema para reencontrar Buenos Aires sem sair do Brasil. Nos últimos dias, dois filmes me transportaram diretamente para a cidade que ambientou meu primeiro romance, O amor segundo Buenos Aires. Matei saudades de lá assistindo a No fim do túnel e O último tango, mais dois belos exemplares da cinematografia argentina.

No fim do túnel, embora se passe em apenas um ambiente — um casarão em um bairro de classe média alta de Buenos Aires —, lembrou-me da cadência da linguagem dos portenhos e foi uma incrível diversão. Trata-se de um thriller, gênero considerado comercial, mas vi o filme com muito mais satisfação do que qualquer produção brasileira a que tenha assistido este ano (incluindo o bom, contudo longo demais, Aquarius).

Como indicam meu romance e os comentários sobre outros livros que tenho postado aqui, sou atraído mais por trama do que por estilo. Pois No fim do túnel tem os dois. Leonardo Sbaraglia (que já havia sido destaque em um dos episódios de Relatos selvagens) interpreta aqui o dono do casarão, um homem que perdeu o movimento das pernas após o acidente automobilístico que matou sua mulher e sua filha.

Em uma noite de chuva, uma misteriosa mulher (Clara Lago, um estouro) chega, acompanhada da filha, para alugar um quarto que ele havia anunciado na internet. Mais ou menos ao mesmo tempo, ele se dá conta de que criminosos estão cavando um túnel sob a casa para assaltar um banco próximo bem no dia de Natal.

Daqui em diante, não cabe revelar mais, mas é necessário dizer que o desenrolar da história é exemplar: inventivo, surpreendente e carregado de humor negro. O escritor e roteirista Rodrigo Grande sabe se desvencilhar rapidamente dos ganchos óbvios da narrativa, revelando “charadas” que são meio fáceis de adivinhar em questão de poucos minutos. Ele sabe deixar o melhor para o fim.

Outra delícia em cartaz é O último tango, do argentino radicado na Alemanha German Kral. Ainda que seja um documentário,  amarra muito bem os conflitos do mais famoso casal de dançarinos de tango da Argentina. O enredo coleciona sentimentos: amor, ressentimento, mágoas e paixão pela dança.

Além disso, o filme tem tomadas plásticas de Buenos Aires, costuradas com cenas de dança de tirar o fôlego. Com mais de oitenta anos, Juan Carlos Copes e principalmente María Nieves Rego mostram que ainda corre sangue muito quente em suas veias.

testeCanções para corações partidos em Buenos Aires

Música sempre foi e será uma grande fonte de inspiração. Ao escrever O amor segundo Buenos Aires, todos os iPods e telefones celulares do mundo pareciam não ser suficientes para armazenar as canções que compunham o clima do romance. Algumas músicas me ajudaram muito a encontrar o tom dessa história de amores perdidos, reencontros e surpresas que, se a gente ficar atento e mantiver o coração aberto, podem aparecer no meio do caminho.

Eis sete músicas fundamentais nos cinco anos em que Hugo, Eduardo, Daniel, Charlotte, Carolina, Pedro e Martín me acompanharam, da concepção da trama à publicação.

 

Cat Power, “Sea of Love”

Uma pequena beleza dos anos 1960, reeditada por um fiozinho de voz pela cantora Cat Power. Escutei essa versão num café de Buenos Aires, na primeira vez que visitei a cidade. Ela foi importante especialmente para a concepção do início do livro. “I wanna tell how much I love you” (Eu quero dizer quanto te amo), um dos versos da canção, parece ser um bom resumo do primeiro capítulo de O amor segundo Buenos Aires.

 

Bersuit Vergarabat, “El tiempo no para”

Essa foi outra versão que escutei pela primeira vez em Buenos Aires — até cito isso no livro. Não é tão boa quanto a original, de Cazuza, mas tem uma cadência gostosa e é interessante ver que não foi preciso adaptar quase nada para traduzi-la ao espanhol. E, além do mais, os versos “eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades” sempre foram um de meus favoritos de todos os tempos.

 

Creedence Clearwater Revival, “Midnight special”

O Creedence é um dos grupos dinossauros do rock e sempre gostei muito dessa versão da música folk (popular), que surgiu entre os prisioneiros negros do Sul dos Estados Unidos. O “midnight special” se refere a um trem que passava na ferrovia próxima à prisão. Não parece muito romântico, certo? Mas tem uma história por trás dessa música. Ouvi-a pela primeira vez num CD que ganhei há muitos anos, de um amigo que hoje vive do outro lado do mundo, e não pude acreditar quando o cantor da estação Carlos Pellegrini, Tom Moore, cantou essa versão do Creedence um dia. Logo essa música virou sinônimo de Buenos Aires para mim.

 

Otis Redding, “Try a little tenderness”

Muito antes de começar a escrever O amor segundo Buenos Aires, esta sempre foi uma das minhas músicas prediletas. Sobreviveu a walkmans, MP3 players, iPods e chegou ao meu telefone celular, redescoberta em “repeat” enquanto escrevia um dos capítulos do livro. Otis Redding morreu tragicamente, aos 26 anos, em 1967. Essa música foi muito regravada, mas jamais com a mesma força. Fiquemos com Otis. (O vídeo abaixo foi supostamente gravado no dia anterior ao acidente de avião que causou a morte de Otis e de quase toda a sua banda)

 

Nina Simone, “I wish I knew how it would feel to be free”

Uma confissão a fazer: conheci Nina Simone por meio de um CD roubado — daqueles que você pega emprestado e se esquece de devolver. Essa música se refere ao movimento negro pelo fim da segregação nos Estados Unidos, mas acho que pode muito bem ser adaptada a qualquer tipo de luta — coletiva ou, no caso do livro, o desafio pessoal que o personagem central, Hugo, enfrenta. Trecho favorito: “I wish I could break all the chains holding me” (Eu desejo poder quebrar todas as correntes que me prendem). Para refletir.

 

The Pretenders, “Back on the chain gang”

Chrissie Hynde, a vocalista dos Pretenders, tem uma das vozes mais emocionantes do mundo. A música, que fala de lembranças de amor, daquele momento que desapareceu no tempo e que é impossível de resgatar, está totalmente relacionada ao tema do livro. Lá pelos dois minutos e meio do vídeo, quando Chrissie entoa com toda a dor do mundo os versos “I found a picture of you (oh oh oh), those were the best days of my life” (Eu achei uma foto sua, aqueles foram os melhores dias da minha vida), é demais para aguentar. Se você vai ficar pensando no passado, melhor pensar na companhia de Chrissie. Dor de cotovelo com classe.

 

Mama Cass (The Mamas & The Papas), “Dream a little dream of me”

Outra cantora que se foi muito cedo, em 1974, Mama Cass (ou Cass Elliot), que fez parte do grupo The Mamas & The Papas nos anos 1960, é daquelas que passam uma sensação de paz e plenitude, felicidade que parece que nunca vai acabar. Não sei se a intenção de quem escreveu a canção foi essa, mas é como me sinto ao ouvi-la. E ela foi essencial no processo de finalização de O amor segundo Buenos Aires, um ritmo a seguir, que ajudou a manter o tom do livro, o sentimento que eu desejava que as pessoas tivessem ao lê-lo.

testeLigado ao presente, antenado no futuro

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Durante a grande depressão americana, ninguém poderia imaginar que os Estados Unidos seriam a maior potência do mundo. (Fonte: Life)

No ano de 1933, em Buenos Aires, o poeta espanhol Federico García Lorca esteve com o escritor argentino Jorge Luis Borges. Foi o primeiro, e único, encontro entre eles. Os dois tiveram uma discussão sobre quem seria o personagem que simbolizaria os Estados Unidos. O sisudo Borges argumentou que poderia ser o ex-presidente Abraham Lincoln ou o escritor Edgar Allan Poe. Irreverente, Lorca, que se definia apenas como “um andaluz profissional”, decretou: é o Mickey Mouse. Borges ficou tão decepcionado com a escolha do personagem de desenho animado, que se levantou, foi embora e passou a acusar Lorca de farsante.

No início da década de 1930, os Estados Unidos estavam longe de ser o império político e econômico dos dias de hoje. O país estava afundado em uma de suas maiores crises econômicas, provocada pela quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. Portanto, não era óbvio para ninguém que os americanos tirariam dos europeus, em especial dos ingleses, franceses, alemães e italianos, a supremacia econômica e cultural. A América do Norte só se tornaria uma potência inconteste após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

E quando será que, ao longo da primeira metade do século XX, ficou claro que os Estados Unidos seriam o império do futuro? Quem fez a melhor análise de seu tempo, Borges ou Lorca? O escritor Edgar Allan Poe, o mestre da literatura de terror, viveu em meados do século XIX. Ele deve muito da sua fama internacional aos franceses. Fez sucesso na Europa, em especial na França, graças às versões de seus contos feitas pelo poeta Charles Baudelaire. Será mesmo que Poe é, ou já foi, um símbolo da cultura americana?

O Mickey Mouse, personagem cem por cento americano criado por Walt Disney, estreou no cinema em 1928. E não foi uma estreia trivial: pela primeira vez se lançava um desenho animado sonorizado. Quem então teria feito a melhor avaliação sobre os Estados Unidos: Borges, com Poe; ou Lorca, com Mickey?  Uma coisa é certa, quem conseguiu antever que os Estados Unidos seriam a maior potência da segunda metade do século XX obteve algum tipo de vantagem.

Os Guinle, por exemplo, se aproximaram da América do Norte em 1901. Eduardo Guinle, o primogênito do casal Eduardo e Guilhermina, foi estudar em Nova York e, ao regressar para o Brasil, trouxe a representação de algumas empresas estratégicas: General Electric, de material elétrico; RCA Victor, gravadora de discos; e a American Locomotive, do setor de transportes. Uma opção que seria óbvia nos dias de hoje, mas que, naquele tempo, foi uma aposta visionária em um país que não tinha nenhuma tradição em desenvolvimento tecnológico. Tanto que o grupo americano Light, arquirrival dos Guinle na fabricação de energia elétrica, usava equipamento comprado da Siemens, uma empresa alemã.

Ao longo do século XX, poucos foram capazes de perceber em que ponto o passado terminava e o futuro começava. Aqui no Brasil, os Guinle foram protagonistas na construção do futuro.