teste[O GRANDE PRINCÍPIO]

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Empolgado com o lançamento de uma animação cinematográfica adaptada de O pequeno príncipe, dias desses reli o clássico da literatura mundial escrito pelo aviador (e poeta!) francês Antoine de Saint-Exupéry. Minha primeira leitura data de muito tempo. Acredito que tenha sido aos nove, dez anos. Confesso que várias vezes senti o desejo de me aventurar novamente nessa história mas, por obrigações cotidianas do mundo adulto, sempre acabava deixando esse sentimento voar longe — talvez pertinho do asteroide B612, onde nosso rapazinho começou sua viagem sensível pelos mais diversos planetas ao seu redor.

Publicado em 1943, O pequeno príncipe é sem dúvida uma obra inclassificável e pode facilmente se encaixar em quase todas as categorias nas prateleiras das livrarias. Autoajuda, filosofia, psicanálise, poesia, design, bem-estar e saúde, religião, fantasia, espiritismo, esoterismo… Todos esses assuntos são discutidos de alguma forma no imenso livrinho. E o principal: tudo é narrado de forma simples e lúdica. Tudo é dito em poucas palavras. Nem tudo precisa ter uma lógica. Nem tudo precisa ser exato. Para o leitor infantil, basta se colocar do jeito que é diante das páginas. Para o leitor mais adulto, será preciso resgatar aquela criança que vive em nós e anda esquecida. Mas ela sempre está lá, pode apostar. A infância é uma menina que nunca morre.

IMG_20150825_144742Mesmo que ninguém saiba, todo mundo tem um pequeno príncipe em casa. Escondido no fundo de uma gaveta, num armário raramente aberto. Tenho certeza de que, em algum desses esconderijos, o nosso pequeno príncipe com seus cabelos dourados, seu traje monarca-fofo e sua espada incapaz de magoar uma rosa sequer espera suas mãos, seus olhos e sua criatividade para embarcar no universo atemporal e para todas as idades. Como diz o autor, o problema não é crescer, é esquecer a criança que somos ou fomos.

Ainda me encanto com os personagens e os simbolismos do livro. O Rei, que vive com a falsa ilusão de que seu reinado é respeitado por todos (mesmo quando está só no seu trono) e se considera maior que o Sol. O Contador, que passa a vida inteira tentando ganhar todas as estrelas do mundo. A Raposa, que, na minha opinião, é a representação da poesia e nos alimenta com palavras bonitas e profundas. A Rosa, que é o amor e o orgulho ao mesmo tempo. Que aprisiona, liberta. Ela é responsável por impulsionar nosso pequeno herói universo afora e fazê-lo entender o coração sentimento adentro. A Serpente, que talvez represente nosso medo ou nossa coragem para enfrentar os asteroides no caminho.

Parece que a vida adulta faz de tudo para enrugar nossa ingenuidade, nossa inocência. O livro justamente lembra que cada um de nós deve cuidar do seu espaço, olhar com seu coração, cultivar sua flor, desenhar seu carneiro, ouvir sua raposa, proteger sua estrela, negar seu rei e ser súdito unicamente do que temos de mais valioso: a imaginação.