testeNo ano-novo, ligue o f*da-se!

Essa é a época em que nos preparamos para o novo ano, fazemos planos e, é claro, estabelecemos aquelas razoáveis e perfeitamente alcançáveis metas para os próximos doze meses.

No mais puro espírito de A sutil arte de ligar o f*da-se, preparamos uma lista de “antimetas” para o próximo ano. 

  1. “Este ano eu vou emagrecer! Vou entrar na academia! ”

A grande meta de ano-novo: vou ser mais saudável. Mais saudável para quem? Para aquelas revistas de saúde e bem-estar que inventam dietas insanas que ninguém consegue cumprir, exceto seres iluminados que provavelmente nem são deste planeta?

Muitas vezes emagrecer ou conseguir levantar mais peso não quer dizer necessariamente que você está mais saudável. Se seu corpo está funcionando bem e você está feliz com sua forma física, ligue o f*da-se para essa meta.

  1. “Eu vou economizar metade do meu salário todos os meses! ”

Lembra aqueles cadernos com adesivos na primeira página que você nunca usava em lugar nenhum porque estava “guardando para depois”? Temos péssimas notícias, querido leitor: não existe depois.

O mesmo funciona para o dinheiro que você acha que vai conseguir juntar. Na maior parte das vezes, a meta da economia de dinheiro vem acompanhada de algum objetivo impossivelmente caro. Seja uma viagem (para Dubai) ou um carro (zero e importado), sempre miramos alto demais, e a frustração que você terá na virada do ano que vem será ainda pior, e a próxima viagem, ainda mais impossível. Planeje a curto prazo, com objetivos menores, e use os adesivos do caderno de vez em quando.

  1. “Serei uma pessoa mais focada. Vou ser mais organizado. Vou reclamar menos.”

Você sabe de quem é esta mesa de trabalho?

Não? Nós ajudamos: Albert Einstein.

Se uma das mentes mais brilhantes da humanidade trabalhava no que só pode ser descrito como “destroços de um furacão”, por que a sua bagunça ou organização vão ajudá-lo a ter mais foco?

É uma questão muito próxima à da saúde: nós somos levados a acreditar que pessoas organizadas e alinhadas são mais focadas, mas a verdade é que não existe certo ou errado. Seja você um maníaco por limpeza ou um verdadeiro acumulador, o resultado final é o mesmo.

E sobre deixar de expressar seu descontentamento para o mundo, Anansi pode responder isso melhor do que qualquer mortal: 

“Raiva resolve tudo.”

  1. “Este ano, vou beber menos.”

Em 99% dos casos, essa frase é dita na manhã de 1º de janeiro, durante a maior ressaca do ano. Então ela quase não conta como meta para o ano novo, já que você não cumpriu o que prometeu nos primeiros minutos do ano.

  1. “Vou ler muito mais que o ano passado!”

Finalmente uma boa meta para o ano-novo! Que tal começar com um trecho de A sutil arte de ligar o f*da-se?

testeQue 2016 chegue logo!

O ano de 2015 chega ao fim. Na noite do dia 31 para o 1º, bilhões de pessoas vão se juntar em casas, ruas, praças, praias e templos para festejar a virada no calendário gregoriano e saudar a mudança do dígito. Independentemente de crenças, virão momentos de reflexão. Promessas serão (re)feitas; balanços, apurados; projetos, abandonados; metas, dimensionadas; causas, renovadas; amores, prometidos; sonhos, sonhados.

Nos minutos que cercarem a virada, as pessoas vão se abraçar e esquecer as brigas com os próximos e as encrencas com os distantes. Pedirão desculpas, ao vivo ou pelo celular, e o “eu te amo” sairá deslizando — talvez ajudado pelo álcool, é verdade. Mas pouco importa. Que venha, dali, a semente de um ano melhor!

Dois mil e quinze foi o ano em que política virou futebol, futebol virou caso de polícia, polícia virou piada no WhatsApp, WhatsApp foi suspenso por juiz, juiz pegou carro de réu, réu delatou premiado, prêmio de miss não valeu, a Vale amargou o rio Doce, docente apanhou em protesto. Houve protesto de tudo que é gente e gente morreu em ataque. Houve ataque de bomba e mosquito, zika, dengue, racismo e intolerância. Houve Chimbinha e Joelma, mandioca e meta dobrada, Beauvoir e Bolsonaro, Safadão e safadinhas, Chico e Dek, Delcídio e Cunha, Fabíola e Léo, BB King e Lucille no céu.

Eu deveria pensar, na sequência: que 2015 acabe logo! Mas lembro que nem tudo foi mal. Teve acordo global para diminuir a emissão de gases, legalização — lá nos Estados Unidos — do casamento entre pessoas do mesmo sexo, papa Francisco, livro de colorir, bienal dos nacionais, Mineirinho, Star Wars e Rock in Rio. No apagar das luzes, a esperança de dias melhores e a velha lição de que crise e oportunidade andam sempre de mãos dadas. Tudo pode sempre mudar.

Então mudo: que 2016 chegue logo! E venha surpreendendo, com um champanhe debaixo do braço e votos de muita alegria, compreensão, decência, bom senso, tolerância, gentileza, paz e, o mais importante, amor.

Pessoalmente, apenas um pedido, já com a taça levantada: que o novo ano me conserve assim, um eterno e incorrigível otimista.