testePelo fogo ou pela água, segredos de família sempre vêm à tona

Crises familiares, passados ocultos, mentiras, tribunais e incêndios criminosos: esses são alguns dos temas de Pequenos incêndios por toda parte, novo livro da autora de Tudo o que nunca contei.

Celeste Ng é uma escritora americana de origem asiática que está conquistando milhares de leitores ao explorar os conflitos de família que costumam ficar por baixo dos panos. Em uma linguagem clara, porém sensível, ela aborda assuntos delicados sem a pretensão de causar polêmica, muitas vezes trazendo referências da própria infância nos Estados Unidos. Seus dois trabalhos já publicados alcançaram o topo das listas de livros mais vendidos pelo mundo afora e em breve ganharão versões audiovisuais. Tudo o que nunca contei será adaptado para o cinema pelo produtor Michael De Luca (de A Rede Social) e Pequenos incêndios por toda parte se tornará uma série produzida e estrelada por Reese Witherspoon (de Big Little Lies).

Seu novo romance, Pequenos incêndios por toda parte, chega às livrarias no dia 2 de maio e narra a cadeia de eventos que abalou as estruturas de uma cidade planejada para ser o lugar ideal. Com ênfase nos Richardson – uma família tradicional com pais conservadores –, as relações entre mães e filhos, locatários e inquilinos, mães adotivas e biológicas e entre amigos de diferentes classes sociais trilham o tortuoso caminho repleto das faíscas que levam ao ponto de partida da história: um devastador incêndio criminoso na casa da família protagonista. Confrontando a aparente perfeição que permeia a cidade de Shaker Heights, Celeste explora os fios soltos dos personagens para entender as razões por trás do acontecimento até então inexplicável.

O livro de estreia da autora, Tudo o que nunca contei, foi publicado pela Intrínseca em 2017 e será relançado no próximo mês com uma nova capa. Ele conta a história de uma família de ascendência chinesa nos Estados Unidos da década de 1970 que tem seus segredos mais profundos revelados após o corpo da filha mais nova ser encontrado em um lago.

testeDos amigos e da literatura

livros

Acumulo leitores há anos. Em lugares que desconheço, leitores que desconheço. Alguns deles, eventualmente, aparecem na minha vida em eventos literários, sessões de autógrafos e redes sociais, em corredores de supermercados e bancos de praça. Aparecem em meio à bruma dos dias, com um comentário, uma alegria, um elogio, um carinho inusitado, inesperado — nunca me sinto à altura. Como pode alguém que não me conhece gostar assim de mim? Gostam, é claro, dos meus personagens: Apolinário, Gardênia, Bibico Nunes, Manuela, Flora, Heloísa, Orfeu, Macumba, Miti, Augusto Serrat, o avô Jan. Todos eles têm mais graça do que eu. Todos eles volitam por aí, espalhando encantos em salas, praças, apartamentos, ônibus e parques, em noites de chuva e tardes de sol. Todos eles têm histórias, amores e tragédias para contar. Eles nascem de mim, mas não são eu.

Desde que comecei a ministrar oficinas, porém, um milagre aconteceu: tenho feito amigos. Além dos personagens e dos enredos que escrevi, tenho encontrado pessoas. Pessoas que gostam de livros, que amam a literatura e as viagens que ela nos proporciona. Pessoas com paciência para os jogos lúdicos da construção literária, para as horas à beira do rio das narrativas, naquela espera silenciosa e tensa, tentando pescar uma história, um laivo de um personagem ainda incipiente, a palavra certa, o discurso ideal.

Tenho passado manhãs, tardes e noites com pequenos grupos de homens e mulheres que gostam de escrever. Homens e mulheres de variadas idades e profissões, de sonhos e ansiedades diversos — e me sinto tão feliz (cansada, rouca e ansiosa por transmitir um pouco disso que, não sendo conhecimento exato, eu poderia chamar de experiência, ou intuição…). Todos esses encontros me lembram daquelas tardes de sexta-feira na PUC em Porto Alegre, em 1998, quando aprendíamos com o Assis Brasil. Era tão bom ficar lá no fundo da aula escutando o grande professor falar… E tem sido bom também estar lá na frente: trocando sonhos, sonhando ficção e fazendo vários novos amigos.

testeDiário de Isabela Freitas

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– Fala, Marcos. Achei que não viria mais.
– Pois é, atrasei por causa da Fernanda. Passei lá na casa dela antes.
– A coleira tá apertada, né?
– Que nada, ela é tranquila.
– Mas aposto que já tá te mandando mensagem.
– Normal, pô. A gente conversa o dia todo por mensagem.
– Coisa chata ter que ficar dando satisfação de onde você tá, com quem tá… Não tem saudade da vida de solteiro não, Marcos? Putz, a gente era demais.
– Era bom, mas já passou. Tenho 25 anos nas costas, Bruno. Você tá na hora de arrumar uma namorada também.
– Até parece. Não sou bobo, não. Vou aproveitar e muito minha vida antes de me castrar.
– Fala sério, aproveito da mesma forma que você.
– Lógico que não. Comi três essa semana, você tinha que ver. Cada gostosa…
– Já passei dessa fase.
– Passou nada. Vai falar que você não sente falta de pegar uma cachorrona de vez em quando? Faz falta, mano. Eu sei que faz. Olha aquela loira ali da mesa do lado. que delícia. Imagina só…
– Para com isso, Bruno. Sou feliz com a Fernanda e pronto.
– Tá bem. Mudando de assunto, depois daqui do bar, vamos pra aquele pub novo?
– Ah, não sei… Tô meio desanimado.
– A Fernanda não iria deixar, aposto.
– Deixa sim, é que tô cansadão mesmo. Já trabalhei hoje, malhei… Quero só tomar umas pra relaxar mesmo.
– Tu tá morto, cara.
– Você que parece ligado em uma tomada, tá animado todos os dias.
– Claro! Por isso que te falo, ser solteiro é ser feliz meu amigo.

Assustou-se ao ler esse diálogo? Acredite, ele é recorrente nas mesas de bar ao redor do mundo. Homem é assim, não tem jeito. Se tá solteiro, quer e faz de tudo para que todos os amigos sejam iguais a ele. Ao escrever essa crônica, juro que fiquei com raiva pensando peraí, então é isso que falam pro meu namorado? É. É isso mesmo. Se acalmem, ainda existem homens maduros que não caem nesse conto de fadas do amigo solteiro que é feliz de morrer. Entretanto, nem todos têm maturidade suficiente pra duvidar do amigo, e eu não os julgo, nós mulheres também podemos sofrer influência das amigas solteiras. Ah, vai. Pelo menos uma vez na vida, tenho certeza que já sofremos.

A verdade é que se você tem algum amigo que te incentiva a terminar seu namoro, mesmo sabendo que este namoro te faz muito bem, é porque ele é egoísta e sente um pouco de inveja daquilo que você tem. Desculpe-me a sinceridade. Porque no fundo, no fundo, talvez bem lá no fundo mesmo, todo mundo quer ter alguém para amar. Que coisa chata, né? Então abre o olho com aquela sua amiga que fica te incentivando a trair, com a colega de trabalho que critica seu namorado, com o vizinho que te encoraja a brigar por coisa boba… Todo incentivo para que se desista do amor, é no mínimo suspeito.

Quanto aos que terminaram um namoro por influência dos amigos, meus sentimentos. Suas garotas, incríveis, sem dúvidas, hoje estão nos braços de alguém que as valorizou da forma que mereciam. E quem sofreu influência de “amigos”, bem, é lógico que se arrependeu.