testeO instinto de Jennifer Egan

por Marcelo Costa*

Jennifer Egan decidiu que queria seguir a carreira de escritora no meio de um mochilão pela Europa no começo dos anos 1980, quando tinha dezenove anos. Ela nasceu em Chicago em 1962, cresceu em São Francisco (quem leu Circo invisível percebe isso com facilidade), fez faculdade na Pensilvânia, namorou Steve Jobs (que instalou um Mac em seu quarto) e seguiu a carreira de jornalista, mas nunca abandonou o desejo de ser escritora — atualmente mora no Brooklyn com o marido, diretor de teatro, dois filhos e um gato.

Praia de Manhattan, o novo romance de Egan, acaba de ganhar edição nacional. O processo de escrita envolveu muita pesquisa jornalística e um aprofundamento na história de Nova York durante a Segunda Guerra Mundial. “Um livro de época?”, pergunta o leitor. E a resposta é… mais ou menos. Egan caminhou por tantos modelos de escrita em vinte e poucos anos de carreira que se sentiu à vontade para deixar a história conduzi-la, mesmo que não tivesse esse estilo em boa conta quando começou a escrever. Por isso, talvez seja interessante rememorar como ela chegou até aqui.

Seu romance de estreia, Circo invisível, foi lançado em 1995 (repare: entre o desejo de se tornar escritora e a realização foram quase quinze anos!), atraiu boas críticas e um contrato de adaptação para o cinema (lançado em 2001 e estrelado por Cameron Diaz, o filme Invisible Circus ganhou o nome Uma História a Três no Brasil). A narrativa se desenrola de modo mais tradicional, direto e sem floreios, mas repleta de citações de rock e proto-punk californiano dos anos 1970, refletindo os impactos da contracultura na vida de uma jovem.

Dois mochilões pela Europa (bingo!) movem Circo invisível enquanto a personagem Phoebe tenta recriar os passos da irmã, Faith, encerrados de forma trágica em Cinque Terre, uma das regiões mais belas da Itália. O leitor segue Egan nesse road book trágico, e a escritora parece reforçar a tese de que somos fruto do ambiente em que crescemos, algo que nunca irá se separar de nós (ou, como diria Mano Brown, “você sai do gueto mais o gueto nunca sai de você”), e isso é de suma importância na maneira como cada um lida com o autoconhecimento (bastante profundidade num romance aparentemente tradicional, não é mesmo?).

Passaram-se seis anos até que Jennifer Egan surgisse com um novo livro: lançado em 2001, Olhe para mim foi finalista do National Book Award e avançou no território que a escritora ainda iria desbravar com os livros futuros. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, publicada em setembro de 2017, Egan comentava o quanto a narrativa convencional a incomodava, e, voltando no tempo, fica fácil perceber o motivo da trama multicamadas de Olhe para mim: a escritora não queria se repetir e desejava levar seus personagens a novos caminhos.

Dessa forma, Olhe para mim se apoia no drama e no suspense de seus personagens de modo a mostrar o vazio de um mundo refém das expectativas alheias e da imagem que cada pessoa imagina lhe ser imposta. Quase como uma dupla de doppelgängers, duas mulheres chamadas Charlotte passam por arquétipos de tragédia pessoal: a primeira, mais velha, é uma modelo que sofre um acidente e vê a estrutura de seu rosto ser tomada por oitenta pinos de titânio. A segunda, mais jovem, se apaixona por um homem enigmático, e o leitor imagina o equivalente a outro acidente conforme a garota se apega. São dois desastres (sociais) inquietantes.

Cinco anos separam Olhe para mim de O Torreão (2006), e Egan cria uma reviravolta em sua escrita apoiando-se, desta vez, no romance gótico e experimental. O personagem principal é Danny, um loser que vai ao encontro do primo na Europa, um cara que planeja transformar um velho castelo num resort espiritual. Em outra dimensão encontra-se Ray (o personagem principal… opa!), um homem preso por assassinato que flerta com a professora Holly. Egan pula de um personagem para outro sem perder o poder de condução da narrativa, manipulando o leitor com armadilhas perspicazes em um romance que mistura desespero, ironia e inteligência.

As duas histórias (e os dois personagens principais) se fundem e se separam continuamente em O Torreão, uma mescla de real e imaginário que constrói uma sala de espelhos na cabeça do leitor, que é transportado para dentro de um labirinto literário repleto de “alçapões metaficcionais e de armadilhas”, como pontuou a divertida crítica do The New York Times na época do lançamento do livro, e acrescentou que: “Egan sustenta a consciência de que o texto está sendo manipulado por seu autor ao mesmo tempo em que transmite caráter e história com convicção perfeita e apaixonada.” Uou.

Jennifer Egan iria ainda mais longe com A visita cruel do tempo (2010), um livro que conta cinco décadas na vida de diversos personagens, entrelaçados em pequenos contos. A obra busca exibir as cicatrizes da passagem dos anos e apontar a decadência da cultura norte-americana ao mesmo tempo em que investiga tempo e desejo. O pulo do gato foi o formato. Egan exercita uma pirotecnia técnica maluca que, felizmente, deu muito certo, seja quando a trama é contada através de slides, seja quando o narrador em segunda pessoa assume a voz narrativa. E isso é só o começo…

A visita cruel do tempo transformou Jennifer Egan numa book star, espécie de rock star da literatura (já que a música permeia lindamente as páginas do livro), devido à conquista de prêmios badalados como o National Book Critics Circle Award, o Los Angeles Times Book Prize e o sonhado Pulitzer de ficção, reconhecimento mais que merecido para uma escritora que não havia repetido fórmulas e sempre buscava avançar em sua literatura por caminhos que a instigassem a fugir de uma narrativa convencional. O sucesso de A visita cruel do tempo também a colocou entre os hot writers. Segundo Egan, foi um salto quântico numa carreira que, enfim, chega ao quinto livro: Praia de Manhattan, lançado nos Estados Unidos em 2017.

Na entrevista ao Guardian, Egan conta que pensou em seguir o mesmo modelo que a alçou ao sucesso em A visita cruel do tempo. Em Praia de Manhattan, sua ideia inicial, aliás, era conectar a Segunda Guerra Mundial com 11 de Setembro, o fim de algo que começou com a vitória dos Aliados e a transformação dos Estados Unidos numa superpotência. Porém, as primeiras tentativas de escrita não a empolgaram, e ela logo deixou que a história a levasse, o que fez de Praia de Manhattan um romance de época de mais de 400 páginas (os ingleses vão mais longe e o descrevem como romance vitoriano!).

No centro da trama está Anna, uma garota que precisa lidar com o sumiço do pai enquanto cuida da irmã, se envolve com a máfia e ainda batalha por uma vaga na equipe de mergulhadores do Arsenal de Marinha, um estaleiro utilizado para recuperar navios danificados na Segunda Guerra Mundial. Retornando aos tempos de jornalista, Egan pesquisou o cenário da época por mais de dez anos, e entrevistou pessoas que viviam em Nova York ou trabalharam no estaleiro, assim como ex-marinheiros e até um mergulhador russo.

O resultado deste mergulho histórico é um livro envolvente com um enorme potencial cinematográfico. Ainda que a escritora tenha abandonado os saltos no tempo e as quebras bruscas de narrativa, isso não quer dizer que Praia de Manhattan seja completamente convencional, já que a escritora alterna temporalmente alguns períodos da narrativa (sem se desvencilhar da verossimilhança característica do estilo) e brinca de maneira inteligente com os personagens que contam a história, seja numa casa pobre de uma família irlandesa no Brooklyn, numa boate frequentada por grandes nomes de Hollywood ou num barco tentando atravessar o Atlântico.

Destaque nas listas de grandes livros de ficção de 2017 do National Book Award e da revista Time, Praia de Manhattan flagra Jennifer Egan se despindo das artimanhas inteligentes que fizeram de A visita cruel do tempo um clássico moderno e mostra uma escritora fiel ao objetivo de não se repetir, mérito raro em um establishment pop que defende a repetição de um êxito até o esgotamento da fórmula. Jennifer Egan, porém, prefere seguir seu instinto, ainda que mantenha o cerne de sua literatura (a ideia de que o ambiente molda a pessoa) em destaque. Para o leitor, mais um grande livro que soa como o final de um grande ciclo e deixa a questão: O que ela irá fazer no próximo? Daqui a cinco anos a gente descobre. Por enquanto, volte no tempo e mergulhe nessa praia.

>> Confira a entrevista com Jennifer Egan sobre Praia de Manhattan

 

Marcelo Costa é editor do site Scream & Yellum dos principais veículos independentes de cultura pop do país. Já passou pelas redações do jornal Notícias Populares e dos portais Zip.NetUOLTerra e iG, além de ter colaborado com as revistas Billboard BrasilRolling Stone e GQ Brasil, entre outras. Participou da Academia do VMB MTV, do júri do Prêmio Multishow e do júri do Prêmio Bravo. Desde 2012 integra a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

testeEm Praia de Manhattan, Jennifer Egan visita o período que transformou os EUA em uma superpotência

Por João Lourenço*

Em 2011, após vencer o Pulitzer de ficção por A visita cruel do tempo, a vida de Jennifer Egan ganhou novas cores e desafios. Com uma obra que transpõe as barreiras narrativas, Egan virou sinônimo de “experimental”, de “diferente”. Mas a fama repentina também trouxe problemas. Afinal, como lidar com os rótulos recebidos pela crítica? Como deixar a repercussão de lado? Foram essas as questões que a autora enfrentou durante o processo de criação de Praia de Manhattan, sua primeira ficção histórica. “Quem disse que eu tenho que ter a mesma sorte e sucesso novamente? É insano pensar assim. Racionalmente, sei disso. Mas, emocionalmente, ainda acredito que todo trabalho novo deve ser tão bom ou superior ao anterior.” Em alguns momentos, a pressão a fez pensar que nunca mais conseguiria publicar outro livro. “Tinha dias que me sentia como uma completa fraude”, confessa a autora. 

Praia de Manhattan demorou seis anos para chegar às livrarias. Ambientado nas décadas de 1930 e 1940, o romance conta a história de Anna Kerrigan, uma mulher que percorre cenários obscuros e perigosos de Nova York para desvendar o desaparecimento do pai. Livro histórico com pitadas de romance policial à Agatha Christie, Praia de Manhattan explora a relação entre pais e filhos, tema recorrente na obra da autora. Egan costuma dizer que não gosta de escrever sobre pessoas próximas e experiências pessoais, mas não há como negar: toda obra de arte expressa um pouco (ou muito) da vida do seu criador. Neste caso, vale lembrar que Egan não teve um bom relacionamento com o pai, e a busca de Anna pode ser vista como a busca da própria autora por respostas. Em uma tarde nublada, enquanto atravessávamos o East River em direção a Manhattan, questionei Egan sobre o tema. Ela demorou um pouco para encontrar as palavras, era como se estivesse pensando no assunto pela primeira vez: “Olha, você tem razão, eu não escrevo sobre minhas experiências, mas talvez eu tenha tentado fazer as pazes com meu pai por meio da ficção.” 

Jennifer Egan por Pieter M. Van Hatten

Jennifer Egan também é conhecida por ser uma grande cronista da sociedade contemporânea. Isso não é diferente em Praia de Manhattan. Apesar de ter nascido décadas após os acontecimentos do livro, Egan relata detalhes e curiosidades como se tivesse presenciado tudo da primeira fila. Esse momento transformador da história dos Estados Unidos, que ajudou o país a se tornar uma superpotência, chega ao leitor em ritmo ágil e único.

Leia a entrevista:

 

A visita cruel do tempo ganhou o Pulitzer e colocou seu nome no mapa literário internacional. Como esse reconhecimento afetou o seu trabalho? 

Tamanha atenção atrapalhou o processo do meu novo livro, Praia de Manhattan. Não estava acostumada com esse tipo de sucesso. As expectativas aumentaram e, com isso, a alegria que tinha em escrever diminuiu um pouco. Após passar mais de um ano na estrada para divulgar o meu último livro, não sabia qual direção seguir. Me senti presa. Tinha a sensação de que nada que eu fizesse seria bom o suficiente. A pressão atrapalhou bastante, a ponto de duvidar dos meus instintos — e eu não tenho nada sem eles. 

 

Parece que você ainda se surpreende com a quantidade de leitores que ganhou nos últimos anos. 

Por muito tempo acreditei que ninguém observava meu trabalho. Tinha o reconhecimento de pessoas próximas, mas pensei que ninguém se importava. Esse é um bom sentimento, pois você se sente livre para fazer qualquer coisa. Quando seu nome está sob o radar de um público maior, as coisas mudam um pouco. A pressão do sucesso me paralisou. Uma pessoa precisa de muita sorte para encontrar sucesso no mundo das artes. Passei a me preocupar demais em não desapontar os leitores, em criar expectativas que não poderia cumprir. Quando entrava nesse buraco negro, cheio de dúvidas e frustrações, dizia para mim mesma que o mundo não iria acabar se eu não escrevesse um bom livro novamente. Tinha dias que me sentia como uma completa fraude.

 

Qual o maior desafio que você enfrentou com Praia de Manhattan

Até então eu já tinha explorado vários malabarismos em termos de estrutura e linguagem, e esse livro pedia algo convencional. Não estava mais acostumada com o estilo tradicional, linear. Esse foi o grande desafio: como escrever um livro com começo, meio e fim, sem me apoiar em experimentações de estrutura. 

 

Praia de Manhattan se passa nas décadas de 1930 e 1940. Isso explica o tom mais convencional que o livro exigiu?

Sim, um pouco. Ao mesmo tempo, não acredito que o livro precisa ser convencional apenas porque a narrativa acontece no passado. Foi uma combinação de várias coisas. O período me empurrou para o lado tradicional, sim, mas eu também estava cansada de experimentações. Após anos dedicada a testes técnicos, de estrutura e de novas formas de narrativa, foi desafiador escrever um romance nos moldes tradicionais. 

 

Em outra ocasião, você me disse que começa a pensar na narrativa e em personagens apenas após responder as perguntas sobre tempo e espaço. Neste caso, o que levou você a esse período?

Foi a atmosfera. A ideia do livro começou quando pensei em Nova York como uma cidade portuária — algo que não fazemos mais. Você pode morar aqui e nunca prestar atenção na água, nos rios, no significado disso tudo. Em seguida, minha curiosidade me levou ao Arsenal da Marinha do Brooklyn, onde muitas mulheres trabalharam antes e durante a Segunda Guerra Mundial, algo bastante incomum para a época.

 

Quais foram as recompensas do processo de pesquisa?

Parece que parte vital da história da humanidade sempre está morrendo. Praia de Manhattan se passa nas décadas de 1930 e 1940, então, em cerca de dez anos, quase ninguém vai estar vivo para nos contar detalhes daquele período. Entrevistei muitas pessoas que viveram esses anos. Me aproximei delas porque não era suficiente ler relatos em livros. Eu estava interessada em pequenas coisas, queria saber como foi a infância delas, o que faziam. O processo de pesquisa em si foi a grande recompensa que Praia de Manhattan me ofereceu. Isso me enriqueceu como pessoa. Independentemente de como o livro for recebido, essa é uma experiência que ninguém pode tirar de mim. Hoje, vejo a cidade com olhos diferentes. Observo os prédios, as construções, com uma perspectiva diferente.

Você é conhecida por ser uma grande observadora da sociedade americana contemporânea. No novo livro, você escreveu sobre um período distante da sua realidade. Como foi?

Eu tinha o desejo de me sentir conectada a outra época, um passado que não vivi. Esse período me interessa, pois está ligado ao momento em que os Estados Unidos se tornaram uma superpotência. Os eventos que se desencadearam depois da Segunda Guerra Mundial nos colocaram nesse patamar. Saímos da guerra vencedores, fortes e não perdemos nem a metade do que os europeus e os soviéticos perderam. Isso proporcionou uma posição de extremo poder. Muito do que somos hoje, essa noção de “América”, começou naquela época. Infelizmente, agora estamos vendo o outro lado do que significa ser uma superpotência. Pessoalmente, tenho sentimentos conflitantes em relação aos Estados Unidos. Me sinto distante e fascinada ao mesmo tempo.

 

Depois dessa experiência com um romance histórico, o que podemos esperar nos próximos livros: a escritora tradicional ou a experimental?

Experimental. Afinal, já tenho algumas ideias não convencionais em andamento. Acredito que eu precisava de um tempo. Mas agora estou animada com o que vem pela frente. Quero escrever mais rápido. Meus filhos são adolescentes, não precisam tanto de mim. Ou seja, tenho mais tempo para trabalhar. Algo curioso aconteceu durante o processo desse último livro. Como disse, me senti bastante perdida. Então, dividi o dia em dois períodos. Assim, trabalhei em Praia de Manhattan e em outro livro ao mesmo tempo. Já tenho o primeiro rascunho do próximo. 

 

Parece que você está correndo contra o tempo. 

Sim. Pretendo lançar um livro a cada dois ou três anos. Sou muito velha para passar cinco ou seis anos no mesmo livro. Sinto a idade chegando e tenho que ser realista e prática. Estou bem, mas tenho amigos que morreram cedo. Esse tipo de coisa acontece. Então, preciso ser mais rápida. Ainda há tanto que tenho para dizer.

 

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Comemorando o Dia Internacional da Mulher, vamos sortear 3 exemplares de livros escritos por mulheres. 

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– O resultado será anunciado no dia 12 de março, segunda-feira, em nosso perfil no Facebook. Boa sorte! 

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VENCEDORES

teste17 livros para conhecer na Bienal do Livro Rio

A Bienal do Livro Rio é o maior evento literário do país e começa nesta quinta-feira. São muitos autores, encontros, sessões de autógrafos, marcadores, momentos inesquecíveis e, claro, livros com desconto!

Para ajudar os leitores que estarão por lá, selecionamos alguns títulos muito legais para diferentes estilos:

Para quem gosta de livros com histórias românticas:

Amor & Gelato — Paixões, segredos e um verão inesquecível na Itália! Essa é a trama do romance de estreia de Jenna Evans Welch.

Depois da morte da mãe, Lina tem que realizar um último pedido: ir até a Itália para conhecer o seu pai. Do dia para a noite, ela se vê na encantadora paisagem da Toscana, passeando pelos famosos pontos turísticos que no passado marcaram a juventude da mãe. Guiada por um antigo diário, Lina agora vai construir a própria história, descobrir o amor e aprender a lidar com o luto.

 

Os 27 crushes de Molly — De Becky Albertalli, autora de Simon vs. a agenda Homo sapiens, que participou da Bienal do Livro de São Paulo no ano passado.

O livro conta a história de Molly, uma garota que já viveu muitas paixões, mas só dentro da própria cabeça. Aos 17 anos, ela acumulou vinte e seis crushes. Embora sua irmã gêmea, Cassie, viva dizendo que Molly precisa ser mais corajosa, a garota não consegue suportar a ideia de levar um fora. Então, age com muito cuidado. Para ela, garotas gordas sempre têm que ser cautelosas. 

Box de Para todos os garotos que já amei — Vamos lançar o box da trilogia completa de Jenny Han, autora que participa do evento em 2 de setembro.

O box inclui os três livros e um pôster exclusivo autografado para os fãs brasileiros.

Para todos os garotos que já amei conta a história de Lara Jean, uma garota romântica, descendente de coreanos, apaixonada por doces e que gosta de escrever cartas secretas para suas paixões. 

Lara Jean não tem coragem de se declarar e prefere manter essas cartas em segredo. Porém, um dia, elas são enviadas misteriosamente para os destinatários e agora todos vão saber o que ela sempre tentou esconder.

 

Em busca de abrigo — O romance de estreia de Jojo Moyes conta a história de três mulheres que precisam lidar com a quebra de laços familiares aparentemente indestrutíveis.

Joy mora numa mansão fria no sul da Irlanda com seu marido, cuja saúde está se deteriorando depressa. Kate e Sabine, respectivamente filha e neta de Joy, moram no subúrbio da Inglaterra e têm uma relação conturbada. Quando as três mulheres finalmente se reencontram há conflito entre amor e obrigação, mães e filhas e diferentes escolhas de vida.

 

Para quem gosta de bons livros com MUITO desconto:

Teremos muitos livros com preços especiais na Bienal, mas selecionamos alguns títulos que você não pode deixar de conhecer!

Mosquitolândia — Após o inesperado divórcio dos pais, Mim Malone é arrastada de sua casa em Ohio para morar com o pai e a madrasta no árido Mississippi. Para fugir dessa nova vida e buscar seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, ela embarca em um ônibus e encontra companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho, numa odisseia contemporânea tão hilária quanto emocionante.

 

Perdão, Leonard Peacock — O livro de Matthew Quick, autor que já participou da Bienal em 2013, narra o drama de um estudante que planeja assassinar seu ex-melhor amigo para depois se matar com a arma que pertenceu ao avô no dia do seu aniversário. Antes, no entanto, ele pretende entregar três presentes para três pessoas que lhe são importantes.

 

A visita cruel do tempoNa obra vencedora do Pulitzer, do National Book Critics Circle Award e do LA Times Book Prize no ano de 2011, Jennifer Egan combina diferentes pontos de vista sobre histórias que se entrelaçam de maneiras inesperadas. 

Bennie Salazar é um executivo da indústria fonográfica. Sasha é sua assistente cleptomaníaca. E é a partir da história desses dois personagens que a autora retrata, em uma narrativa caleidoscópica, a passagem do tempo e a transformação das relações. Da São Francisco dos anos 1970 até a Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan cria um romance de estilo ímpar sobre continuidade e rupturas, memória e expectativas.

 

Para quem gosta de romances jovens bem construídos e inesquecíveis:

Enquanto o novo livro de John Green, Tartarugas até lá embaixo, não chega às livrarias, indicamos A culpa é das estrelas e Quem é você, Alasca?, que também estarão com desconto especial no nosso estande! É uma oportunidade de conhecer duas das mais importantes obras do autor.

 

Para quem gosta de livros nerds e geeks:

Geekerela — O divertido romance de Ashley Poston  traz a clássica história da Cinderela para os dias atuais e aborda temas como internet, independência da mulher, indústria do cinema e cultura nerd.

Quando Elle, nerd de carteirinha, descobre que sua série favorita vai ganhar um remake hollywoodiano, ela fica dividida. Antes de morrer, o pai lhe transmitiu a paixão por aquele verdadeiro clássico da ficção científica, e agora ela não quer que suas lembranças sejam arruinadas por astros pop e fãs que nunca ouviram falar da série.

 

Deuses americanos — A obra de Neil Gaiman já foi adaptada para a TV e é um dos livros mais comentados desde então!

O livro acompanha Shadow Moon, que passou quase três anos na cadeia contando os dias para voltar para casa. Pouco antes do fim da pena, ele fica sem rumo na vida ao descobrir que a esposa faleceu em um acidente.

Após o velório, ele conhece o sr. Wednesday — um homem com olhar enigmático e sempre com um sorriso insolente no rosto  —, que  lhe oferece um emprego. É na nova função que Shadow começa a desvendar a real identidade do chefe e a se dar conta de que os Estados Unidos, ao receberem pessoas de todos os cantos do mundo, também se tornaram a morada de deuses dos mais variados panteões.

 

Para quem gosta de mistérios e de narrativas com muitas reviravoltas:

Por trás de seus olhos — Esse é o tipo de livro que não podemos falar muito porque existe um grande risco de soltar um spoiler, mas podemos garantir que você precisa conhecê-lo durante a Bienal.

Um suspense com personagens escorregadios e um desfecho imprevisível e perturbador.

 

Até que a culpa nos separe — Novo romance de Liane Moriarty, autora de Pequenas grandes mentiras e O segredo do meu marido.

A história começa com um convite inesperado para um churrasco de domingo em Sydney, na Austrália. Três famílias resolvem passar uma tarde tranquila em uma bela casa sem imaginar como suas vidas mudariam para sempre a partir daquele dia.

Sem conhecer direito os anfitriões, Clementine, uma mulher casada e com duas filhas, acompanha a amiga de infância, Erika, quando um episódio assustador acontece no evento.

 

Para quem gosta de livros com personagens cativantes e mensagens importantes:

Fantasma — Se você estiver procurando um livro rápido, que pareça com uma série na Netflix e ao mesmo tempo fale sobre temas como bullying, representatividade e preconceito de uma forma sensível, não pode deixar de conhecer a obra de Jason Reynolds!

Fantasma é um garoto que sempre soube que correr era o seu forte, mas nunca levou a atividade muito a sério. Até que, certo dia, ele disputa uma corrida contra um dos melhores atletas de uma equipe que está treinando na pista de atletismo do parque. E vence. O treinador quer que ele entre para a equipe de qualquer jeito. O problema é que Fantasma tem muita raiva dentro de si e também um passado que tenta desesperadamente deixar para trás.

 

Extraordinário — Não tem como fazer uma lista sobre a Bienal e não incluir Extraordinário. O filme inspirado no livro estreia em novembro, e tem muita gente que ainda não se encantou (e chorou) com Auggie.

Extraordinário conta a história de Auggie Pullman, um garoto que tem uma deformidade facial e enfrenta o grande desafio de frequentar a escola pela primeira vez. Com momentos comoventes e outros descontraídos, o livro consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos a seu redor: família, amigos e comunidade.

 

Apenas uma garota — Uma história sobre aceitação e as primeiras experiências de uma adolescente trans!

Prestes a entrar na vida adulta, Amanda Hardy acabou de mudar de cidade, mas a verdadeira mudança de sua vida vai ser encarar algo muito mais importante: a afirmação de sua identidade. Tudo que ela mais quer é viver como qualquer outra garota. E, embora acredite firmemente que toda mudança traz a promessa de um recomeço, ainda não se sente livre para criar laços afetivos.

 

Para quem gosta de thriller psicológico:

Piano vermelhoO novo livro de Josh Malerman, autor que foi destaque na Bienal em 2015 com Caixa de pássaros, nos deixa com medo e assustados o tempo todo!

Escute o áudio e conheça a história:

 

Para quem curte mitologia:

Hotel Valhala: Guia dos mundos nórdicos — Com dados importantes, entrevistas exclusivas e muitas reflexões, o guia foi pensado para ajudar o guerreiro viking recém-chegado ao Hotel Valhala a começar o treinamento para o Ragnarök com o pé direito, evitando qualquer constrangimento desnecessário na pós-vida viking. 

 

Estande da Intrínseca na Bienal
Endereço: Pavilhão Azul (3) entre a rua E e a rua F
Horário de funcionamento:
31 de agosto: 13h às 22h
7 de setembro (feriado): 10h às 22h
Durante a semana: 9h às 22h
Finais de semana: 10h às 22h
Confira o mapa

testeClube de leitura: A visita cruel do tempo

Por Bruno Leite*

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Depois de um ano de clube de leitura, já conversamos sobre várias obras que aguçaram, de muitas formas, nossas percepções do que consideramos “leitura” e do que é “ser leitor”. Muitos livros nos deixaram alucinados, torcendo, chorando, com o coração sangrando e até nos levaram a produzir fanfics — como descobrimos nos nossos encontros sobre os romances de Jojo Moyes, O leitor do trem das 6h27 e A verdade sobre o caso Harry Quebert. Quebramos a cabeça com as intrincadas tramas de Até você ser minha, S., e A febre. Rimos e nos deleitamos com Alucinadamente feliz… Mas acredito que nada nos fará refletir tanto quanto A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan.

Mediar um bate-papo sobre o romance de Egan (uma vencedora do Pultizer de Ficção!) será um salto muito grande para mim: engasgo toda vez que tento descrever este livro, as palavras me escapam… Mas vamos lá! Simplificando: A visita cruel do tempo apresenta, por meio de inúmeros pontos de vista, as histórias de um grupo de pessoas que têm algum tipo de ligação com o produtor musical Bennie Salazar. Cada capítulo é narrado por um desses personagens, com uma linguagem e em um tempo diferentes, formando assim um grande painel de relatos e de situações ao longo de quase 50 anos. (Esse cálculo é só um chute. Desculpem-me. Sou de humanas.)

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Existe na obra uma unidade musical e, obrigado, Bennie, por isso! O punk, o post punk, o hardcore, está tudo lá, e a trilha sonora vai permeando o livro de som e fúria, fazendo com que as máculas de cada personagem se transformem em combustível para que eles mesmos façam o romance avançar. E vocês: o que vocês acham da trilha? Foi apropriada? Já conheciam alguns dos artistas citados? Tem algum outro a indicar? Aliás, se vocês ainda não ouviram, eu compilei (quase) todos eles nessa playlist:

>> Leia mais sobre Bennie Salazar

Outra força muito importante do livro são as memórias, que nada mais são do que uma maneira orgânica de trazer o tempo passado para o presente e mostrar seus desdobramentos no futuro. Vocês enxergam isso como um recurso da autora para manifestar o estilhaçamento dos sonhos dos personagens? Vale acreditar que as memórias são cruéis com os personagens por fazer com que eles se conscientizem de suas fraquezas?

>> Leia também: Grandes pausas do rock’n’roll, por Jennifer Egan

Notei que a síndrome de impostor tem sido bem divulgada — a saber, aquela pressão que todo mundo sente ao pensar que talvez os outros não nos considerem tão bons, ou, pior, que na verdade somos pura mentira e carão, o que nos força a fazer mais e melhor — e, no linguajar corporativo, ela faz todo sentido. Mas, transpondo isso para a personagem que mais amo nesse livro, a Sasha, vocês acham que o baú de guardados dela, as pressões e as sabotagens a que ela se presta representam isso? O que vocês acharam da Sasha?

No tarô de Marselha, temos a carta do Juízo Final, que, por mais que tenha esse nome medonho, significa que você terá exatamente aquilo que cultivou, que é a hora de colher os frutos da terra. Vocês acreditam que essa carta representa com perfeição o destino de todos os personagens? Houve pessoas que não mereceram a implacável visita do tempo? Para quem ela foi mais generosa?

Essas e outras impressões serão discutidas com muito pó de ouro — sim, providenciaremos! — no dia 11 de agosto, no auditório da Livraria Cultura do Shopping Bourbon. Para se inscrever, vocês já sabem: basta mandar um e-mail para o renato.costa@livrariacultura.com.br informando nome e colocando logo em baixo a palavra SARDAS, com três exclamações.

 

Bruno Leite é estudante de Letras, trabalha há oito anos no mercado editorial e é colaborador no blog O Espanador.

testeAutores que já participaram da FLIP

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A charmosa cidade de Paraty recebe todos os anos autores conhecidos mundialmente durante a Festa Literária Internacional de Paraty. Para relembrar os escritores que já participaram da FLIP, um dos principais eventos literários do país, preparamos uma lista.

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O escritor, diretor e cartunista Riad Sattouf, de O árabe do futuro, é uma das atrações da programação principal da FLIP neste ano. O autor participa da mesa “De balões e blasfêmias” neste sábado, 4 de julho, às 15h.

O árabe do futuro – Nascido na França em 1978, filho de pai sírio e mãe bretã, Riad Sattouf viveu uma infância peculiar. Ele tinha apenas três anos quando o pai recebeu um convite para lecionar em uma universidade da Líbia. Em Trípoli, o menino entrou em contato com uma cultura completamente distinta e precisou superar o estranhamento diante de novos costumes – experiência que se repetiria pouco depois na Síria, quando o pai foi trabalhar lá. Com o olhar inocente de uma criança, Riad oferece um importante relato sobre os contrastes entre a vida na França socialista de Mitterand e os regimes autoritários na Líbia de Kadafi e na Síria de Hafez al-Assad.

A verdade sobre o caso Harry Quebert, de Joël Dicker

Jovem escritor americano sofrendo com bloqueio criativo, Marcus Goldman procura o renomado romancista e seu ex-professor de faculdade Harry Quebert. Surpreendido por um mistério que envolve seu mentor na morte de uma jovem de quinze anos, Marcus precisa correr contra o tempo para tentar inocentar o amigo, descobrir quem matou Nola Kellergan e escrever um livro bem-sucedido.

+ Os últimos dias de nossos pais

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Obra vencedora do Pulitzer, do National Book Critics Circle Award e do LA Times Book Prize no ano de 2011, A visita cruel do tempo é composto por histórias curtas – 13 faixas sobre relações familiares, indústria fonográfica, jornalismo de celebridades, efeitos da tecnologia, viagens e a busca por identidade versus o esfacelamento de ideais -, interligadas pelas memórias de um grupo de personagens em diferentes pontos de suas vidas.

+ Circo invisível

Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver

Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.

+ A nova república

 Cozinhar, de Michael Pollan

Nos dias de hoje, diante de uma vida atribulada, as pessoas pensam cada vez mais em comida, embora dediquem cada vez menos tempo ao preparo de suas refeições. Preocupam-se com a quantidade de calorias ingeridas e com a qualidade dos ingredientes, mas reservam mais horas para assistir aos programas de culinária na TV do que efetivamente passam dentro da cozinha. E enchem a despensa com produtos industrializados supostamente “saudáveis”. Nesse cenário tão contraditório, o escritor Michael Pollan convida o leitor a redescobrir a experiência fascinante de transformar os alimentos. A partir dos quatro elementos da natureza — fogo, água, ar e terra —, ele nos mostra o calor ancestral do churrasco, o caldo perfumado dos assados de panela, a leveza dos pães integrais e a magia da fermentação de um chucrute. Ao relatar suas experiências pessoais com os processos de preparação da comida, Pollan mergulha numa história tão antiga quanto a da própria humanidade e propõe uma redescoberta de sabores e valores esquecidos.

link-externoIntrínseca na FLIP 2015

testeQual livro combina com o seu amor?

 

lista_dia_dos_namorados

Assim como na literatura, tudo pode acontecer em uma história de amor. Suspense, comédia, drama, intrigas e reconciliações. Para celebrar o Dia dos Namorados, listamos 15 livros para todos os gostos e queremos saber: que tipo de história combina mais com o seu par?

 

Toda luz que não podemos ver, de Anthony DoerrMarie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o curioso órfão Werner se encanta pelo rádio. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Toda luz que não podemos ver, premiado com o Pulitzer de Ficção de 2015, narra um tocante romance sobre o que há além do mundo visível. [Confira no Skoob]

link-externoConheça Anthony Doerr

 

Um mais um, de Jojo Moyes — O novo livro da autora de Como eu era antes de você conta a história de Jess, uma mãe solteira e falida que precisa levar a filha Tanzie para a Olimpíada de Matemática na Escócia. Ed Nicholls é um geek milionário e estranho que oferece uma carona até a cidade onde acontecerá a disputa. A engraçada viagem até o destino provará que os opostos se atraem e que é possível encontrar o amor nos lugares mais improváveis. [Confira no Skoob]

 

Lugares escuros, de Gillian Flynn Aos sete anos, Libby Day sobreviveu ao terrível assassinato de sua família e testemunhou contra o irmão, que acabou condenado à prisão perpétua. Vinte e quatro anos depois, a ambígua personagem de Gillian Flynn, autora de Garota exemplar, é procurada por um grupo de pessoas obcecadas pelo crime e começa a investigar o passado. [Confira no Skoob]
link-externoGillian Flynn em defesa das vilãs

 

O capital no século XXI, de Thomas Piketty Nenhum livro sobre economia publicado nos últimos anos provocou o furor causado por esse estudo do francês Thomas Piketty sobre a concentração de riqueza e a evolução da desigualdade. [Confira no Skoob]

 

A arte de pedir, de Amanda Palmer Mobilizadora de multidões on-line, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. No livro, a cantora, compositora, ícone indie e feminista mostra que pedir é digno e necessário. Longe de ser um manual, o livro é uma provocação que incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e pedir ajuda. [Confira no Skoob]
link-externoA arte de ser Amanda Palmer

 

Cidades de papel, de John Green Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que, certo dia, ela invade o quarto dele pela janela, convocando-o a fazer parte de um plano de vingança. E ele, é claro, aceita. [Confira no Skoob]
link-externoO capitão John Green

 

Nós, de David Nicholls Douglas é um bioquímico de 54 anos, casado com Connie e pai de Albie, um jovem que acabou de entrar para a faculdade. Certa noite, ele é acordado pela esposa, que decide pedir o divórcio. Porém, eles estão prestes a embarcar em uma viagem em família pela Europa. Do mesmo autor de Um diaNós traz uma irresistível reflexão sobre relacionamentos. [Confira no Skoob]
link-externoDia de fã: um encontro com David Nicholls

 

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Recebeu o Pulitzer e o National Book Critics Circle Award de 2011. [Confira no Skoob]
link-externoA metáfora de Jennifer Egan ou “tudo começou aqui”

 

Para todos os garotos que já amei, de Jenny Han — Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. São confissões sinceras, sem joguinhos ou fingimentos. Até que, um dia, são misteriosamente enviadas aos destinatários e, de repente, a vida amorosa de Lara Jean se transforma. [Confira no Skoob]

 

Os filhos de Anansi, de Neil Gaiman Embrenhando-se no território da mitologia africana, a narrativa de Neil Gaiman leva o leitor a mergulhar nessa história fantástica e bem-humorada sobre relações familiares, profecias terríveis e divindades vingativas. Nova edição do clássico do autor com conteúdo extra e orelha assinada por Fábio Moon. [Confira no Skoob]
link-externoSobre ter pais constrangedores e se identificar com Neil

 

Salinger, de David Shields e Shane Salerno — A biografia de Salinger foi produzida ao longo de nove anos por David Shields e Shane Salerno, que colheram relatos de mais de 200 pessoas. A personalidade multifacetada do autor do clássico O apanhador no campo de centeio é relatada nas vozes de amigos, colegas do exército, parentes, editores, críticos literários etc. [Confira no Skoob]

 

Navegue a lágrima, de Leticia Wierzchowski Uma casa de praia, num idílico balneário no Uruguai, é o cenário de duas histórias de amor e perdas, separadas no tempo. Ao entrelaçar as lembranças da editora Heloísa à trajetória dos antigos moradores da casa, Leticia Wierzchowski expõe o inexorável desgaste realizado pela passagem do tempo até nas relações mais sólidas. [Confira no Skoob]
link-externoLeia as colunas de Leticia Wierzchowski

 

O árabe do futuro, de Riad Sattouf Filho de mãe francesa, nascida na Bretanha, e de pai sírio, de uma aldeia próxima a Homs, o premiado quadrinista Riad Sattouf retrata, de forma bem-humorada, o choque cultural experimentado por uma criança criada na França socialista de Mitterrand ao vivenciar os regimes autoritários da Síria de Hafez al-Assad e da Líbia de Kadafi. [Confira no Skoob]
link-externoRevivendo o passado através de O árabe do futuro

 

Caixa de pássaros, de Josh Malerman Há algo que não pode ser visto. Algo que enlouquece as pessoas e as leva a cometer atos violentos seguidos de suicídio. Basta uma olhada para fora e a vida corre risco. A população foi aconselhada a trancar as portas e as janelas e a andar vendada. Com uma narrativa cheia de suspense e terror psicológico, Caixa de pássaros conta a história assustadora de um surto inexplicável em Michigan. [Confira no Skoob]
link-externoPássaros no escuro

 

A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi — Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com oitenta e dois anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida. [Confira no Skoob]
link-externoComo Chaplin enganou a morte

testeLeituras para o Dia das mães

lista

Preparamos uma lista com sugestões de livros para presentear mães de diferentes estilos: fashion, cult, alternativa, fofa, apaixonada por culinária, louca por cachorros, sensível, cinéfila, nerd, executiva, que gosta de cozinhar, de arrepiar, nerd e que curte séries.

Mãe fashion: Um brinde a isso, de Betty Halbreich

Betty Halbreich é uma figura única no mundo da moda. Há quase quatro décadas comanda o departamento de compras personalizadas da loja Bergdorf Goodman, ícone do consumo de luxo de Nova York. Em Um brinde a isso, ela fala não só de como construiu a carreira, mas também dos momentos mais difíceis que precisou enfrentar.

link-externoVeja também A Parisiense – O guia de estilo de Ines Fressange

Mãe sensívelToda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr

Marie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o órfão e curioso Werner se encanta pelo rádio. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Anthony Doerr constrói um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

link-externoVeja também Os últimos dias de nossos pais, Navegue a lágrima e Tempos extremos

Mãe cinéfila: A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi

Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com 82 anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida.

link-externoVeja também Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose

Mãe cult: A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. A visita cruel do tempo recebeu o Pulitzer e o National Book Critics Circle Award de 2011.

link-externoVeja também Circo invisível, Lança-chamas e Max Perkins, um editor de gênios

Mãe apaixonada por cachorros: Filhotes submarinos, de Seth Casteel

O premiado fotógrafo e ativista em defesa dos direitos dos animais Seth Casteel retrata cachorrinhos na primeira fase da vida, quando ainda estão começando a descobrir o mundo. São mais de 80 cliques inéditos de filhotes cheios de energia e disposição dentro d’água.

link-externoVeja também Cachorros submarinos e Ache Momo

Mãe fofa: Um mais um, de Jojo Moyes

O livro conta a história de Jess, uma mãe solteira e falida, que precisa levar sua filha Tanzie para a Olimpíada de Matemática na Escócia. Ed Nicholls é um geek milionário e estranho que oferece uma carona até a cidade onde acontecerá a disputa. A engraçada viagem até o destino provará que os opostos se atraem e que é possível encontrar o amor nos lugares mais improváveis.

link-externoVeja também Pequenas grandes mentiras

Mãe que curte séries: Orange Is The New Black, de Piper Kerman

Condenada a quinze meses de detenção por um crime que cometeu anos atrás, Piper Kerman é obrigada a trocar a vida com o noivo, a família e os amigos por uma rotina imprevisível e assustadora em uma penitenciária feminina. Orange Is the New Black apresenta a história real que inspirou o popular seriado da Netflix.

link-externoVeja também O mundo de Dowtown Abbey , Homeland: como tudo começou

Mãe que gosta de cozinhar: A pequena cozinha em Paris, de Rachel Khoo

O livro traz versões especiais dos clássicos franceses e vai muito além dos livros de culinária tradicionais. A jovem chefe britânica Rachel Khoo acompanha suas receitas com curiosidades sobre cada prato e detalhes do dia a dia na capital francesa. Do irreverente muffin de croque madame ao frango com limão e lavanda, Rachel celebra e desmistifica a culinária francesa, revelando como é fácil transportar para a nossa casa a beleza e o aconchego parisienses.

link-externoVeja também Cozinhar

Mãe alternativa: A arte de pedir, de Amanda Palmer

Mobilizadora de multidões on-line, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. Em A arte de pedir, a cantora, compositora, ícone indie e feminista mostra que pedir é digno e necessário. Longe de ser um manual, o livro é uma provocação que incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e pedir ajuda.

link-externoVeja também Não sou uma dessas, Listografia e Uma questão de caráter

Mãe de arrepiar: Caixa de pássaros, de Josh Malerman

Há algo que não pode ser visto. Algo que enlouquece as pessoas e as leva a cometer atos violentos seguidos de suicídio. Basta uma olhada para fora e a vida corre risco. A população foi aconselhada a trancar as portas e as janelas e a andar vendada. Com uma narrativa cheia de suspense e terror psicológico, Caixa de pássaros conta a história assustadora de um surto inexplicável em Michigan.

link-externoVeja também Objetos cortantes e Filme noturno

Mãe executiva: O capital no século XXI, de Thomas Piketty

Nenhum livro sobre economia publicado nos últimos anos provocou o furor causado por O capital no século XXI, do francês Thomas Piketty. O estudo sobre a concentração de riqueza e a evolução da desigualdade ganhou manchetes nos principais jornais do mundo e colheu comentários e elogios de diversos ganhadores do Prêmio Nobel.

link-externoVeja também Como o Google funciona e A loja de tudo

Mãe nerd: Uma breve história do tempo, de Stephen Hawking

Qual a origem do universo? Ele é infinito? E o tempo? Houve um começo e haverá um fim? O que vai acontecer quando tudo terminar? Pensadores e cientistas debruçam-se sobre perguntas como essas há séculos, oferecendo teorias nem sempre de fácil compreensão. Em Uma breve história do tempo, o famoso físico Stephen Hawking guia o leitor – em edição revista e atualizada – pelas principais descobertas científicas da humanidade e encanta tanto leigos quanto iniciados.

Vlink-externoeja também Ordem e Os filhos de Anansi

testeA metáfora da esperança de Jennifer Egan ou “tudo começou aqui”

Por Marcelo Costa*

Jennifer Egan

1978 em São Francisco. Phoebe O’Connor tem 18 anos, acabou de completar o ensino médio e está prestes a entrar na faculdade. Sua vida, porém, parou no tempo, mais precisamente no começo dos anos 70, quando a perda trágica de sua irmã mais velha, Faith, jogou Phoebe e sua família em uma espécie de limbo, em que a dor da perda se sobrepõe e até cega a inevitabilidade do agora. Phoebe e Faith são as personagens principais de Circo invisível, primeiro romance de Jennifer Egan, lançado originalmente em 1995 e agora (20 anos depois) republicado no Brasil pela Intrínseca. O tempo só fez bem à prosa de Jennifer Egan.

Elevada ao posto de bookstar com A visita cruel do tempo (romance de 2010 que, entre outros prêmios, levou a escritora a ganhar o National Book Critics Circle Award e o sonhado Pulitzer de ficção), Jennifer Egan delineou sua carreira de modo a não se repetir ao longo dos anos. Assim, enquanto A visita cruel do tempo é um romance de várias camadas (a autora gosta de enfatizar que a trama é composta por contos interligados) e O torreão (2006) se agarra (e se inspira) no formato de romance gótico, Circo invisível é seu romance mais tradicional, tanto na forma quanto na mensagem.

Capa_CirculoInvisivel.inddDespida de todas as artimanhas geniais que transformaram A visita cruel do tempo em um clássico moderno, a prosa de Jennifer Egan em Circo invisível soa mais direta e, por isso, mais universal. Porém, assim como os contos de A visita cruel do tempo são intensamente marcados pelo período em que se passa a história, Circo invisível é fruto indissociável da visão de Phoebe O’Connor (e da própria escritora, que, em 1978, tinha 16 anos e morava em São Francisco), uma jovem que vivencia o conflito entre as memórias nostálgicas de sua irmã no verão do amor do final dos anos 60 e a longa bad trip que se seguiu nos anos 70.

link-externoLeia um trecho de Circo invisível 

 

Não à toa, a primeira citação musical (já tradicional na obra da escritora) de Circo invisível é Jefferson Airplane, banda ícone da psicodelia californiana dos anos 60. O álbum Surrealistic Pillow (1967) funciona como trilha sonora das primeiras páginas do livro e entrega o bastão na passagem para os anos 70 ao não menos mítico In The Court of Crimson King, esforço prog do King Crimson cuja capa, genial e assustadora, soa como um prenúncio da derrocada hippie. Nos anos 1970, por sua vez, ecoam hinos punk, de Iggy Pop a Sid Vicious até nomes underground da cena de São Francisco — como The Tazmanian Devils e Pearl Harbor and the Explosions.

O título do livro inspira-se em um evento real organizado pelos Diggers, um grupo anarquista de São Francisco que pregava uma sociedade livre combinando teatro de rua e happenings. Durante três dias em 1967 (de 24 a 27 de fevereiro), os Diggers realizaram o Invisible Circus em São Francisco, um evento de contracultura realizado dentro de uma igreja, com diversas atividades (entre shows, festas e debates movidos a ácido e LSD) ocorrendo ao mesmo tempo. Faith participou do Circo Invisível com o namorado, e a memória feliz de Phoebe (ela tinha apenas sete anos na época) ao encontrar a irmã e outros hippies na cozinha de sua casa após o evento contrasta com o desfecho triste da irmã (e dela mesma).

Perspicaz na composição de seus quadros literários, Jennifer Egan coloca seus personagens, tal qual peças de xadrez, em um tabuleiro de fatos históricos. De Patty Hearst, neta do magnata das comunicações William Randolph Hearst (Cidadão Kane, lembra?), que se tornou famosa em 1974 quando foi sequestrada por membros do Exército Simbionês de Libertação, sofrendo lavagem cerebral e juntando-se aos sequestradores num assalto a banco, até Rudi Dutschke (um dos líderes do movimento estudantil alemão nos anos 1970) e Ulrike Meinhof (jornalista fundadora da organização armada alemã de extrema-esquerda Fração do Exército Vermelho), entre outros, Jennifer Egan povoa as entrelinhas com interessantes dilemas morais.

The Invisible Circus Diggers Artists Liberation Front 1967 Feb 24 Dave Hodgers

(Dave Hodges, 1967)

Porém, mais do que uma crítica aos anos 60 (um texto de pós-graduação de uma Ph.D. de Belfast, publicado na página da Associação Britânica de Estudos Americanos, diz que “o trabalho de Egan — em O Circo Invisível — não reconhece o impacto real da contracultura dos sixties”, sem se ater ao fato de que a narrativa se passa na cabeça de uma jovem diante da falência de um sonho no final dos anos 70), Circo Invisível é, um-dois-três, uma história clássica de redenção: enclausurada (por vontade própria) em uma cápsula do tempo metafórica (o quarto da irmã), Phoebe precisa sair da sombra de Faith, e é isso que move a trama.

Para olhar o mundo com os próprios olhos, Phoebe precisa (sem saber, ou fingindo não querer saber) necessariamente se desapegar da irmã. Faith O’Connor cresceu explorando limites com a intenção de impressionar o pai, um pintor sem sucesso que adorava andar com a turma da contracultura em São Francisco nos anos 1960, mas trabalhava em uma grande empresa para sustentar a família. A influência do pai sobre os três filhos (além de Faith e Phoebe, há um menino, Barry) é enorme, e sua morte repentina é a primeira fila de tijolos desmoronando na estrutura familiar.

Sem seu ponto focal familiar e movida pelo desejo de ir além dos limites das pessoas comuns, Faith se desgoverna (uma situação amplificada pelo consumo abusivo de drogas) sob o olhar admirado da irmã mais nova e parte para uma viagem sabática pela Europa da qual não voltará. Sua morte paralisa Phoebe (“Ela matou nós duas”, desabafa a irmã mais nova em certo momento), que, oito anos depois, recolhe as migalhas deixadas pela irmã (através de cartões-postais enviados durante sua viagem de final trágico) e decide ir atrás de respostas (e de si mesma, ainda que ela não saiba disso) em cada uma das cidades visitadas por Faith numa espécie de via crucis travestida de road movie.

Adaptado para o cinema em 2001 com roteiro e direção de Adam Brooks (que não repete aqui o acerto do ótimo Definitely, Maybe, de 2008 — Três Vezes Amor no Brasil) e Cameron Diaz no elenco (como Faith), a versão cinematográfica de Circo invisível baseia-se em um romance secundário da história reduzindo drástica e penosamente a proposta da escritora em observar a derrocada de uma família diante da morte, um exemplo claro de filme que falha em capturar a alma da obra original. Jennifer Egan propõe muito mais, ainda que tal romance (no geral) e o sexo (em particular) tenham função decisiva (e também metafórica) no desabrochar de Phoebe.

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Cameron Diaz (Faith) em cena de “Uma História a Três” (2001)

Uma das epígrafes escolhidas pela escritora para abrir Circo invisível cita o filósofo alemão Ludwig Feuerbach, que, em 1846, questionava a sacralidade da ilusão (para ele através da essência da religião; para Egan através da morte, do verão do amor e da família): “Para a era atual, que prefere o retrato à coisa retratada, a cópia ao original, a imaginação à realidade, ou a aparência à essência (…), apenas a ilusão lhe é sagrada”. De maneira exemplar, Jennifer Egan expõe um personagem saindo de um coma autoinduzido na busca pelo seu próprio eu. Ao sair da sombra da irmã, Phoebe O’Connor está pronta para olhar o mundo com seus próprios olhos. A expectativa de uma nova década (os anos 80) surge no horizonte. O dia seguinte como metáfora de esperança.

Não deixa de ser emocionante ler Jennifer Egan de trás para a frente: entre a grandiosidade de A visita cruel do tempo e a objetividade de Circo invisível (separados por nada menos que quinze anos) reside uma talentosa observadora da sociedade, que parece bater insistentemente na tecla de que somos fruto do ambiente em que vivemos, e que, ao se dar conta disso, podemos tatear com mais clareza (a dor e a delícia do) nosso próprio eu. Focado na maturidade — aliás, admiradores de Marcelo Rubens Paiva, fiquem atentos: há vários paralelos interessantes com Blecaute (1986) e Ua Brari (1990) —, Circo invisível deve tanto conquistar fãs de A visita cruel do tempo quanto ampliar o séquito. A vida (felizmente) segue.

Ouça a playlist de Circo invisível, por Marcelo Costa:

Playlist “Circo invisível”, de Jennifer Egan by Intrinseca on Mixcloud

01 – Grateful Dead – The Only Time Is Now
02 – Jefferson Airplane – Somebody To Love
03 – King Crimson – Moonchild
04 – Janis Joplin – Summertime
05 – The Jimi Hendrix Experience – House Burning Down
06 – The Who – Baby Don’t You Do It (Live San Francisco 1971)
07 – Iggy Pop – The Passenger
08 – Tazmanian Devils – The Pressure (Live San Francisco 1981)
09 – Pearl Harbor & The Explosions – Drivin
10 – Romeo Void – Never Say Never
11 – Liz Phair – Miss Mary Mack
12 – Sid Vicious – My Way


Ouça também:
Playlist de A visita cruel do tempo
Edição especial de Um dia + mixtape para Emma Morley 

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Grandes pausas do rock’n’roll
Melhores momentos da mesa com Jennifer Egan e Ian McEwan na Flip
Os livros preferidos de Jennifer Egan

Marcelo Costa é editor do site Scream & Yell, um dos principais veículos independentes de cultura pop do país. Já passou pelas redações do jornal Noticias Populares, e dos portais Zip.Net, UOL, Terra e iG, além de colaborar com as revistas Billboard Brasil, Rolling Stone e GQ Brasil, entre outras. Participou da Academia do VMB MTV, do júri do Prêmio Multishow e do júri do Prêmio Bravo. Desde 2012 integra a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).