teste10 livros para o Dia das Mães

Confira nossas sugestões de presentes:

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Como eu era antes de você, de Jojo Moyes Lou Clark, uma jovem cheia de vida e espontaneidade, perde o emprego e é obrigada a repensar toda sua vida. Will Traynor sabe que o acidente com a motocicleta tirou dele a vontade de viver. O que Will não sabe é que a chegada de Lou vai trazer de volta a cor à sua vida. E nenhum deles desconfia de que esse encontro irá mudar para sempre a história dos dois.

Depois de emocionar milhares de leitores no mundo todo, o irresistível romance de Jojo Moyes chega aos cinemas em 16 de junho com roteiro adaptado pela própria autora e estrelado por Emilia Clarke (Game of Thrones) e Sam Claflin (Jogos Vorazes). [Leia +] 

Leia também:  Assista ao trailer e confira a trilha sonora do filme
Conheça a nova capa do livro inspirada no cartaz do filme

Alucinadamente feliz: Um livro engraçado sobre coisas horríveis, de Jenny Lawson  Longe de ser uma pessoa comum, Jenny Lawson se considera uma colecionadora de transtornos mentais: depressão altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.

Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e resolve revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para se levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. [Leia +]

Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr —  Marie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o curioso órfão Werner se encanta pelo rádio.

Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível. [Leia +]

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Eu sou o Peregrino, de Terry Hayes  Uma mulher é brutalmente assassinada em um hotel decadente de Manhattan, seus traços dissolvidos em ácido. Um pai é decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita. Na Síria, um especialista em biotecnologia tem os olhos arrancados ainda vivo. Restos humanos ardem em brasas na cordilheira Hindu Kush, no Afeganistão. Uma conspiração perfeita, arquitetada para cometer um crime terrível contra a humanidade, e apenas uma pessoa é capaz de descobrir o ponto exato em que todas essas histórias se cruzam.

Romance de estreia do renomado roteirista britânico Terry Hayes (Mad Max 2 e Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão), Eu sou o Peregrino é uma narrativa ágil, com ritmo alucinante, cujos personagens são construídos de forma primorosa em toda a sua complexidade psicológica. Uma jornada épica e imprevisível contra um inimigo implacável. [Leia +]

É isso que eu faço: Uma vida de amor e guerra, de Lynsey Addario — Após os atentados de 11 de Setembro, a fotojornalista Lynsey Addario foi chamada para cobrir a invasão americana ao Afeganistão. Nesse momento, ela fez uma escolha que se repetiria muitas vezes depois: abrir mão do conforto e da previsibilidade a fim de correr o mundo confrontando com sua câmera as mais duras verdades.

As imagens captadas pelas lentes de Lynsey parecem buscar sempre um propósito maior. No livro, ela retrata os afegãos antes e depois do regime talibã, os cidadãos vitimados pela guerra e os insurgentes no Iraque, expõe a cultura de violência contra a mulher no Congo e narra a ocasião do próprio sequestro, orquestrado pelas forças pró-Kadafi durante a guerra civil na Líbia. [Leia +]

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O amor segundo Buenos Aires, de Fernando Scheller Com largas avenidas, cafés em estilo europeu e bairros charmosamente decadentes, Buenos Aires é o lugar perfeito para histórias de amor inesquecíveis. A capital argentina é cenário e, ao mesmo tempo, personagem do primeiro romance de Fernando Scheller, repórter do jornal O Estado de S. Paulo.

É por amor que Hugo deixa o Brasil rumo à capital argentina. Embora o relacionamento com Leonor não sobreviva, seu fascínio pela cidade resiste à dor da separação e à descoberta de que sofre de uma grave doença. Hugo cria laços com o arquiteto Eduardo e com a comissária de bordo Carolina, que evidenciam o poder regenerador das amizades verdadeiras. Ele se reaproxima de seu pai, Pedro, que troca a rotina de um casamento desgastado por uma vida em que é possível encontrar profundos afetos. [Leia +] Leia também: Colunas de Fernando Scheller publicadas no blog

Uma pergunta por diaTodos os dias criamos uma imensa quantidade de registros em celulares, redes sociais e aplicativos. No entanto, quase nunca temos o hábito de retornar a eles. Às vezes podem parecer só besteiras, mas quantos desses relatos não mostrariam nosso crescimento e nossas mudanças em todos esses anos?

Uma pergunta por dia convida a registrar suas respostas a uma variedade de questões, das mais simples às mais complicadas, como “Para onde você quer fazer sua próxima viagem?” ou “Escreva a primeira linha da sua autobiografia”. Em cada página há espaço para cinco respostas, uma por ano, ao longo de cinco anos. Com o passar do tempo, quando voltar a um dia já anotado, o dono do diário encontrará seus pensamentos anteriores, num exercício divertido e construtivo de recordar e refletir. [Leia +]

Operação Impensável, de Vanessa Barbara — Neste romance, vencedor do Prêmio Paraná de Literatura em 2014, Vanessa Barbara acompanha os cinco anos de relacionamento entre Lia e o programador Tito, um amor pontuado por e-mails espirituosos, vocabulário próprio, muitas sessões de cinema e longas e disputadas partidas de jogos de tabuleiro. Com toques de humor ácido, ela desvenda a lenta desintegração de um casamento. O afeto e a cumplicidade dão lugar à desconfiança, a um clima de tensão e de ameaças implícitas. Como na Guerra Fria, objeto de pesquisa da dissertação de mestrado de Lia, não há um confronto bélico declarado, embora algo sempre pareça prestes a explodir. [Leia +] Leia também: Colunas de Vanessa Barbara publicadas no blog

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A sexta extinção, de Elizabeth Kolbert — Ao longo dos últimos quinhentos milhões de anos, o mundo passou por cinco extinções em massa. Hoje, a sexta extinção vem sendo monitorada, e a causa não é um asteroide ou algo similar, e sim a própria raça humana. Vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015, A sexta extinção explica de que maneira o ser humano tem alterado a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie fez até hoje. Para isso, Kolbert apresenta trabalhos de dezenas de cientistas em diversas áreas e viaja aos lugares mais remotos em busca de respostas. [Leia +]

Miniaturista, de Jessie Burton — Após um casamento arranjado com um ilustre comerciante de Amsterdã, Nella Oortman recebe um extraordinário presente: uma réplica de sua nova casa em miniatura, capaz de ajudá-la a desvendar os segredos — e perigos — da família. Eleito o melhor livro de 2014 pelo Observer e traduzido para 32 idiomas, Miniaturista é uma magnífica história de amor e obsessão, traição e vingança, aparência e verdade. [Leia +]

teste14 livros para as férias

Confira nossa seleção com 14 livros imperdíveis!

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Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr — Nesse romance vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção de 2015, você vai conhecer Marie-Laure, uma garota que ficou cega aos seis anos e que vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural, e Werner, um menino alemão, órfão, que se encanta por um rádio encontrado em uma pilha de lixo e cuja trajetória o leva a uma escola nazista. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Toda luz que não podemos ver é um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

S., de J.J. Abrams e Doug Dorst — Para os fascinados por mistério, J.J. Abrams, a mente por trás de séries como Lost, Fringe e o diretor do último episódio de Star Wars, apresenta um quebra-cabeça literário. Resultado de sua parceria com Doug Dorst, S. vem em uma caixa lacrada, repleta de códigos. Além do enigmático romance O Navio de Teseu, a obra contém, em suas margens, as anotações e investigações de dois leitores sobre V. M. Straka — um escritor cuja biografia nebulosa é repleta de boatos que envolvem conspirações, sabotagens e assassinatos.

História do futuro: O horizonte do Brasil no século XXI, de Míriam Leitão — Em um cenário de crise, a premiada jornalista Míriam Leitão é categórica: em vez de nos abatermos pelo pessimismo, temos que fazer um balanço racional dos muitos acertos e dos vários erros para construir um futuro melhor para o país. Em seu terceiro livro de não ficção, a vencedora do Jabuti apresenta tendências que não podem ser ignoradas em áreas como meio ambiente, demografia, educação, economia, política, saúde, energia, agricultura e tecnologia. Leitura fundamental para entendermos o presente e planejarmos o futuro do Brasil.

A espada do verão, de Rick Riordan — Trolls, gigantes e outros monstros horripilantes estão se unindo para o Ragnarök, o Juízo Final. Para impedir o fim do mundo, Magnus Chase deve empreender uma importante jornada a fim de encontrar uma poderosa arma perdida há mais de mil anos. Com personagens já conhecidos do público, como Annabeth Chase, prima de Magnus, e deuses como Thor e Loki, Rick Riordan nos apresenta uma nova série, agora sobre mitologia nórdica. Mais uma aventura surpreendente, repleta de ação e humor!

Elon Musk: Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro, de Ashlee Vance — Se você quer ter alguma ideia de como será o futuro, precisa conhecer Elon Musk. O empreendedor mais ousado de nosso tempo, que inspirou o Homem de Ferro dos cinemas, decidiu investir sua fortuna gerada em empresas digitais para mudar o mundo. Com a SpaceX, o inventor sul-africano está revolucionando os voos espaciais. Com a Tesla Motors, está trabalhando para popularizar os carros elétricos. Musk, que também está investindo em energia sustentável por meio de painéis solares, é um CEO diferente de todos os outros. Ao apostar em empreendimentos de alto risco, tem se dedicado a criar um futuro ao mesmo tempo magnífico e próximo de uma fantasia de ficção científica.

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Lugares escuros, de Gillian Flynn — Aos sete anos, Libby Day sobreviveu ao terrível assassinato de sua família e testemunhou contra o irmão, que acabou condenado à prisão perpétua. Vinte e quatro anos depois, a ambígua personagem criada por Gillian Flynn, autora de Garota exemplar e Objetos cortantes, é procurada por um grupo de pessoas obcecadas pelo crime e começa a investigar o passado. A história chegou aos cinemas no ano passado, protagonizada por Charlize Theron, e recentemente ganhou uma nova edição, com capa seguindo o padrão dos livros da autora.

Caçadores de trolls, de Guillermo del Toro e Daniel Kraus  Um dos artistas mais visionários da atualidade — diretor, produtor e roteirista que assina sucessos como A Espinha do Diabo, O Labirinto do Fauno e Hellboy —, Guillermo del Toro conta em Caçadores de trolls como o medo pode tomar conta das pessoas. Repleto de monstros assustadores e do encanto de um jovem com um mundo novo, o livro, que tem 10 belíssimas ilustrações de Sean Murray, será adaptado para uma série produzida pelo Netflix.

Crepúsculo/Vida e morte, de Stephenie Meyer — Publicado inicialmente nos Estados Unidos em 2005, o livro que originou a série best-seller mundial e uma franquia de filmes que bateu recordes de bilheteria, completou 10 anos! Para comemorar o aniversário da inesquecível história de amor entre Bella e Edward, Stephenie Meyer presenteou os leitores com uma edição dupla. Além de Crepúsculo, a edição especial contém quase 400 páginas de conteúdo extra que inclui Vida e morte, versão em que a autora inverte o gênero dos protagonistas.

A sexta extinção, de Elizabeth Kolbert — Ao longo dos últimos quinhentos milhões de anos, o mundo passou por cinco extinções em massa. Hoje, a sexta extinção vem sendo monitorada, e a causa não é um asteroide ou algo similar, e sim a própria raça humana. Vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015, A sexta extinção explica de que maneira o ser humano tem alterado a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie fez até hoje. Para isso, Kolbert apresenta trabalhos de dezenas de cientistas em diversas áreas e viaja aos lugares mais remotos em busca de respostas.

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Grey, de E L James — Christian Grey controla tudo e todos a seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio — até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. Conheça a história que dominou milhares de leitores ao redor do mundo agora sob um novo e apaixonante ponto de vista.
Mosquitolândia, de David Arnold — Mim Malone não está nada bem. Após o inesperado divórcio dos pais, a apaixonante protagonista de Mosquitolândia é obrigada a ir morar com o pai e a madrasta no árido Mississippi. Para fugir dessa nova vida e buscar seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, ela embarca em uma jornada de mais de mil quilômetros até Ohio e encontra companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho, numa odisseia contemporânea tão hilária quanto emocionante.

O clique de 1 bilhão de dólares, por Filipe Vilicic — O Instagram, aplicativo de compartilhamento de fotos, é uma febre mundial desde seu lançamento em 2010. Comprado pelo Facebook em 2012 pela estonteante quantia de 1 bilhão de dólares, hoje em dia já mobiliza mais de 400 milhões de usuários ativos. O que poucos sabem é que Mike Krieger, um de seus idealizadores, é brasileiro, nascido em São Paulo. A trajetória meteórica do aplicativo e de Krieger, que se tornou milionário aos 26 anos, são detalhadas em O clique de 1 bilhão de dólares pelo jornalista Filipe Vilicic, editor de Ciência e Tecnologia da revista e do site de Veja.

Para todos os garotos que já amei, de  Jenny Han — Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. São confissões sinceras, sem joguinhos ou fingimentos. Até que, um dia, elas são misteriosamente enviadas aos destinatários e, de repente, sua vida amorosa se transforma. Se você ainda não conhece Lara Jean, é melhor correr: a continuação do romance, P.S.: Ainda amo você, chega às livrarias nas próximas semanas.

A guerra dos consoles: Sega, Nintendo e a batalha que definiu uma geração, de Blake J. Harris — Na década de 1990, a Nintendo praticamente monopolizava o mercado de video games. A Sega, por outro lado, era apenas uma empresa instável de fliperamas com grandes aspirações e egos maiores ainda. Mas tudo isso iria mudar com as táticas arrojadas de Tom Kalinske, ex-executivo da Mattel, que transformaram a Sega por completo e levaram a companhia a travar um confronto impiedoso com a Nintendo. Um livro fascinante sobre a guerra que mudou o futuro dos video games e o mercado de entretenimento.

testeO céu nem sempre protege, nem os dinossauros nem a nós

Por Amâncio Friaça*

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Uma camada de argila que revolucionou a ciência

Walter Alvarez tinha um sério problema para o qual precisava da ajuda do pai. Walter era geólogo, e seu pai, o físico Luis Alvarez, foi o vencedor do Prêmio Nobel de Física de 1968 pela descoberta de um grande número de estados de ressonância das partículas elementares — proporcionada pela sua invenção da câmera de bolhas de hidrogênio líquido. Luis era um sujeito que adorava desafios exóticos. Certa vez havia usado um detector de raios cósmicos para descobrir se a pirâmide egípcia de Quéops continha uma câmara secreta, que segundo a lenda estaria repleta de tesouros. No final, verificou que o interior da Grande Pirâmide era pura rocha sólida.

Agora, Luis tinha mais um mistério para solucionar. Quando Walter trabalhava em Gubbio, nos Apeninos italianos, encontrou um paredão especial de calcário que havia sido o fundo do oceano há milhões de anos. Ao escavar, Walter observou uma imensa quantidade de fósseis, em geral quase microscópicos. No entanto, havia uma camada de argila, com pouco mais de um centímetro de espessura, que formava um minideserto geológico. Abaixo dessa camada, ele identificou calcário do último estágio do período cretáceo, no fim da era secundária, a era dos dinossauros.

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Camada de argila em Gubbio, com um bombom marcando o local. Foto: Elizabeth Kolbert

A parede descoberta por Walter estava repleta de foraminíferos, minúsculas criaturas marinhas que possuem conchas dos mais diversos formatos. Os foraminíferos da camada inferior, pertencente ao Cretáceo, eram relativamente grandes e muito diversificados. Na camada seguinte, os foraminíferos simplesmente desapareciam. Eles só voltavam a aparecer nos estratos de calcário acima, já pertencentes ao período terciário, quando os dinossauros estavam extintos. Os foraminíferos de cima eram de espécies diferentes dos que estavam abaixo da lâmina de argila, menores e menos variados. O que intrigou Walter Alvarez foi justamente a transição tão repentina.

Como a maioria dos geólogos até então, a formação de Walter havia sido uniformitarista, linha de pensamento que prega que a extinção de uma espécie acontece de forma gradual. Mas não era isso que aquela camada de argila mostrava. Parecia haver uma descontinuidade real e abrupta entre o Cretáceo e o Terciário. Além disso, era intrigante a coincidência da época da extinção dos grandes foraminíferos com a dos dinossauros. Para começar a resolver o enigma, ele precisava datar a camada de argila.

Coube a seu pai, Luis Alvarez, imaginar um método para determinar a idade da argila: medir a quantidade de irídio — elemento raro do grupo dos metais preciosos, que inclui o ouro e a platina. Quando os resultados vieram, o espanto foi total. O irídio na camada de argila entre o Cretáceo e Terciário vinda da Itália era trinta vezes mais abundante do que o esperado na Terra! Alvarez logo percebeu que o material teria que ter origem extraterrestre, já que o irídio é muito mais abundante em asteroides do que em nosso planeta.

A descoberta levou a uma hipótese extremamente ousada: se um asteroide tivesse se chocado com a Terra na época da extinção dos dinossauros, no final do Cretáceo, ele poderia ser a causa tanto do excesso de irídio como da própria extinção dos animais. Para confirmar, eles buscaram outras amostras de argila da camada de transição Cretáceo-Terciário.

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Foraminíferos têm formas peculiares e, às vezes, extravagantes. Foto: ER Degginger/ Science Source

Fragmentos vindos da Nova Zelândia mostravam um excesso de irídio de vinte vezes, e outros, provenientes da Dinamarca, tinham uma superabundância de 120 vezes! Em todos os casos, as camadas de calcário acima e abaixo da argila na transição apresentavam composição química similar. Com base nesses dados todos, Alvarez, pai e filho, junto com Frank Asaro e Helen V. Michel, do Lawrence Berkeley Laboratory, puderam publicar na renomada revista científica Science seu escandaloso artigo: “Uma causa extraterrestre para a extinção Cretáceo-Terciário”.

As reações ao artigo da Science foram, em geral, de repúdio, já que utilizava argumentos astrofísicos para explicar o fim de toda uma era geológica, o Mesozoico. Geólogos e biólogos também ficaram furiosos com a intromissão de um Nobel de Física no que consideravam um assunto no qual eles eram os especialistas. Além disso, Walter foi acusado pela comunidade científica de se colocar contra o uniformitarismo, visão-padrão dentro da teoria da evolução, abraçada desde Darwin. Alvarez acabou sendo chamado de catastrofista, o que era praticamente um xingamento para os biólogos evolucionistas da década de 1980.

Desenvolvido pelo naturalista francês Georges Cuvier (1769-1832), o catastrofismo defendia o desaparecimento abrupto de várias espécies ao mesmo tempo e foi considerado por grande parte dos geólogos uma doutrina equivocada e inteiramente ultrapassada. Mas Alvarez provou estar certo. Embora a biosfera possa se manter estável em média por uns 100 milhões de anos, ela às vezes sofre um colapso generalizado. A grande extinção que deu fim aos dinossauros, há 65 milhões de anos, foi a quinta de uma série de extinções em massa, a primeira tendo acontecido há 425 milhões de anos. A queda do asteroide que marcou a extinção Cretáceo-Terciário, atualmente conhecida como evento de extinção Cretáceo-Paleógeno (K-Pg), promoveu a extinção em massa de cerca de 75% das espécies de plantas e animais da Terra. O asteroide tinha 10 quilômetros de diâmetro e liberou 100 milhões de megatons na explosão. Para comparar, a bomba de Hiroshima foi de 15 quilotons.

Além da onda de choque que varreu o planeta em horas e de um megatsunami, o impacto seguiu-se de uma chuva de detritos incandescentes que caiu, durante semanas, por toda a superfície da Terra e gerou incêndios globais. Porém, o pior ainda estaria por vir. O local de impacto, a península de Yucatán, no México, continha rochas ricas em enxofre. A colisão criou aerossóis à base de sulfato — extremamente eficazes para bloquear a luz solar. E cerca de sessenta vezes mais matéria do que a do asteroide foi pulverizada e lançada à atmosfera. Após o calor abrasador da queda do material mais pesado, os aerossóis entraram em ação bloqueando a luz e resfriando o planeta. Foi o início de um mortal “inverno nuclear”. A fotossíntese cessou e as temperaturas despencaram. Foram liquidadas as grandes comunidades vegetais típicas da época dos dinossauros e todos os animais terrestres com mais de 20 quilos morreram.

link-externoLeia também: Quatro cientistas que mudaram nossa concepção sobre a origem e o fim da vida

 

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Evento de Tunguska. Foto: Leonid Kulik Expedition, Wikipedia

O céu continua nos ameaçando

O chamado Evento de Tunguska é uma versão atual, em escala menor, do impacto que acabou com os dinossauros. Em 30 de junho de 1908, uma grande explosão ocorreu em Tunguska, bem no meio da Sibéria. A explosão achatou 2 mil quilômetros quadrados de floresta de taiga. Não há registro de vítimas, mas apenas porque a região é pouquíssimo povoada. Porém, testemunhas a centenas de quilômetros do centro da colisão foram arremessadas longe devido à força da onda de choque.

Acredita-se que a explosão tenha sido causada pela queda de um pequeno asteroide ou um fragmento de cometa. Contudo, nenhuma cratera de impacto foi encontrada. O objeto deve ter explodido em pleno ar a uma altitude de 5 a 10 quilômetros em vez de se chocar com a superfície da Terra. As estimativas de diâmetro variam de 60 a 190 metros, dependendo se o meteoro era um fragmento de cometa, cujo principal constituinte é gelo, ou um asteroide, composto de rocha de maior densidade. É o maior evento de impacto na Terra registrado pela história. A energia da explosão foi entre 10 e 30 megatons.

E a história se repetiu — ao menos na Rússia. No dia 15 de fevereiro de 2013, um meteoro gigante (ou bólido) explodiu sobre a cidade russa de Chelyabinsk, na região dos montes Urais. Embora o evento tenha deixado um saldo de ao menos mil feridos e grandes danos materiais — o enorme teto de uma fábrica foi arrancado —, felizmente ninguém morreu. E isso apesar da energia do impacto ter sido de 440 quilotons.

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Passagem do meteoro em Chelyabinsk. Foto: AP

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Local do impacto do meteoro em Chelyabinsk. Foto: AP

Para a sorte dos moradores de Chelyabinsk, a explosão ocorreu na alta atmosfera, 24 quilômetros acima da cidade. Foi uma surpresa total para a comunidade científica, que aguardava para o mesmo dia a aproximação máxima com a Terra do asteroide 2012DA14, que passaria — e passou — a apenas 27.700 quilômetros acima de Sumatra. Na verdade, essa foi a maior aproximação de um asteroide já registrada. Passou tão perto da Terra que cruzou a órbita dos satélites geoestacionários, a 36 mil quilômetros do nosso planeta.

Porém, os dois eventos não estavam relacionados. O asteroide 2012DA14 passou em uma direção alinhada à órbita terrestre, enquanto o bólido que atingiu a Terra vindo da direção do Sol seguiu uma trajetória que quase tocava a órbita de Vênus. O meteoro tinha diâmetro de 18 metros, peso de 11 mil toneladas e velocidade de aproximação da Terra de 67 mil quilômetros por hora. Já o asteroide tinha um diâmetro de 30 metros, massa de 40 mil toneladas e velocidade relativa de 28 mil quilômetros por hora. Se tivesse penetrado a atmosfera terrestre, teria produzido uma explosão de 700 quilotons a uma altitude de 16 quilômetros. A maior energia do impacto e a menor altura resultariam em consequências muito mais graves do que as do bólido de Chelyabinsk.

O fato de o meteoro de Chelyabinsk não ter sido percebido antes da entrada na atmosfera é um alerta para o perigo que nos ronda no espaço. Há muitos asteroides que passam muito perto da Terra, os chamados NEOs (da sigla em inglês, Near-Earth Objects, ou Objetos Próximos à Terra). Alguns deles passam tão perto de nós quanto a órbita da Lua. A monitoração dos NEOs é importante se quisermos evitar catástrofes no futuro. Mesmo os bólidos, os meteoros gigantes, que são menores que os asteroides, já geram uma quantidade de energia considerável ao impactar com a atmosfera terrestre, e a grande maioria até agora não tem sido detectada.

Segundo informações divulgadas pelo Programa de NEOs da NASA, entre 1994 e 2013 556 eventos de bólidos de níveis variados de energia foram registrados. O bólido de Chelyabinsk foi o com maior energia de impacto da lista, e catorze tinham uma energia maior do que 2,5 quilotons. O monitoramento continuado dos NEOs é essencial para a prevenção de catástrofes que atinjam nosso planeta e a humanidade.

 

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Talvez a grande ameaça esteja bem aqui

Porém, talvez a maior ameaça à vida na Terra não seja extraterrestre, mas sim nós mesmos. Desde a Revolução Industrial, a atividade humana tornou-se o principal motor de mudança ambiental planetária e está prejudicando a estabilidade da vida no planeta.

Entramos numa nova época, o Antropoceno, o período da Humanidade — termo cunhado em 2000 por Paul Crutzen, Prêmio Nobel de Química de 1995 por seu trabalho sobre a destruição da camada de ozônio. As pressões que exercemos na Terra ultrapassam, em muitos casos, a capacidade de recuperação do planeta. Todos conhecem o aquecimento global causado pela queima de combustíveis fósseis, porém, a maior transgressão que estamos cometendo é contra a biodiversidade. Um certo grau de extinção é totalmente natural. No entanto, a ação humana está causando uma taxa de extinção de espécies de cem a mil vezes maior ao nível pré-industrial.

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A sexta extinção - CAPA E LOMBADA.inddA humanidade deu início à sexta extinção em massa dos últimos 500 milhões de anos. Vivemos em tempos muito perigosos. Com as espécies que desaparecem, perdemos recursos fundamentais para a nossa sobrevivência. Contudo, perdemos muito mais. Cada ser vivo que vai embora leva um pedaço do nosso mundo simbólico. São extintas também várias espécies de beleza, do que é admirável e do que é sublime.

Em A sexta extinção, livro vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015, Elizabeth Kolbert explica de que maneira o ser humano alterou a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie o fizera até hoje. Para isso, lança mão de trabalhos de dezenas de cientistas nas searas mais diversas e vai aos lugares mais remotos em busca de respostas. Eleito um dos melhores livros do ano pelo The New York Times, o livro trata de temas complexos de forma simples e acessível, e é indicado tanto para estudiosos quanto para leigos no assunto. 

 

Amâncio Friaça é astrônomo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo. Trabalha em astrobiologia, cosmologia, evolução química do universo e nas relações entre astronomia, cultura e educação. Foi o responsável pela revisão técnica da edição revista de Uma breve história do tempo, lançada em 2015 pela Intrínseca.

 

testeQuatro cientistas que mudaram nossa concepção sobre a origem e o fim da vida

Por Bernardo Barbosa*

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A Terra existe há 4,5 bilhões de anos e o Homo sapiens moderno está por aí há mais ou menos duzentos mil. Mas não faz nem três séculos que o ser humano começou a ter conhecimentos embasados sobre a origem e o fim das espécies. Conheça alguns dos estudiosos que nos deram algumas das melhores pistas sobre como é habitar este planeta.

 

1 – Georges Cuvier (batizado Jean-Léopold-Nicolas-Frédéric Cuvier) (1769-1832)

cuvier009O naturalista francês especializou-se no estudo de fósseis, interpretando-os com uma precisão sem precedentes. Graças a ele, o grande público conheceu o mastodonte, a preguiça-gigante e o pterodáctilo, entre outras espécies. A partir dos fósseis, Cuvier chegou à teoria de que havia seres sem representantes no presente, gerando a ideia até então inédita de extinção ainda no fim do século XVIII. Na época, ninguém acreditava, ao menos abertamente, que Deus poderia criar seres vivos passíveis de desaparecimento.

No entanto, para Cuvier a extinção das espécies se devia exclusivamente a grandes catástrofes que assolavam a Terra de tempos em tempos. Ele refutava a noção de evolucionismo, defendendo que cada organismo só poderia funcionar como um todo; a mutação de uma espécie a inviabilizaria. Sua noção de catastrofismo viria a ser superada em seguida pelas teorias de Lyell e Darwin, mas retomada no século XX com o desenvolvimento dos estudos sobre as extinções em massa.

 

2 – Charles Lyell (1797-1875)

Charles_Lyell_printO britânico Lyell era advogado e ficou famoso como geólogo. Rejeitava o catastrofismo e defendeu o uniformitarismo, ou seja, a noção de que a Terra é moldada por processos constantes e semelhantes ao longo de grandes espaços de tempo. Tais mudanças, segundo Lyell, são imperceptíveis para os seres humanos, cuja vida tem uma duração ínfima em termos geológicos. Ele conseguiu comprovar, por exemplo, mudanças graduais no nível dos oceanos.

A aparente estabilidade da sequência de processos que moldam a Terra também levou Lyell a defender que o mesmo se aplicaria aos seres que habitam o planeta; era essa a sua ideia de evolução das espécies. No entanto, o britânico não abraçou a noção de seleção natural, que marcou a teoria de seu contemporâneo e amigo Charles Darwin.

 

3 – Charles Darwin (1809-1882)

220px-Charles_Darwin_seated_cropApesar de Lyell não concordar com a teoria da seleção natural, sua obra influenciou o britânico Charles Darwin de forma decisiva. A bordo do navio Beagle, em que rodou o planeta ao longo de cinco anos, ele devorou a obra do geólogo e assimilou a tese de um fluxo permanente e gradual de mudanças ao longo de um extenso período de tempo.

Darwin passou praticamente duas décadas desenvolvendo sua teoria de origem e evolução das espécies. Só publicou suas ideias em meados do século XIX, mas revolucionou a biologia ao estruturar os mecanismos que agem no processo evolutivo.

 

4 – Walter Alvarez (1940)

841163Filho de um vencedor do Prêmio Nobel de Física, o geólogo americano encontrou evidências para a extinção que varreu os dinossauros da Terra. No fim dos anos 1970, durante pesquisas de campo na Itália, Alvarez encontrou uma camada de terra com 65 milhões de anos de idade com concentrações incomuns de irídio, mineral raro no planeta mas muito abundante em asteroides.

A descoberta do geólogo e de sua equipe levou à teoria de que um asteroide atingiu a Terra, causando a criação de uma nuvem de detritos que cobriu o planeta e levou a uma extinção em massa — foi o fim de 75% das espécies da Terra, incluindo os dinossauros. Nos anos seguintes, mais de cem depósitos de irídio em alta concentração foram detectados nos mais diversos pontos do planeta. Além disso, foi encontrada uma gigantesca cratera no México causada pelo impacto de um asteroide, local que hoje é tido como o ponto original dessa extinção em massa.

 

A sexta extinção - CAPA E LOMBADA.inddAs descobertas de Cuvier, Lyell, Darwin e Alvarez levam à explicação do paleontólogo David Raup, citado em A sexta extinção sobre a história da vida na Terra: “Longos períodos de tédio interrompidos pelo pânico ocasional.”

Em A sexta extinção, vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015, Elizabeth Kolbert explica de que maneira o ser humano alterou a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie o fizera até hoje. Para isso, lança mão de trabalhos de dezenas de cientistas nas searas mais diversas e vai aos lugares mais remotos em busca de respostas. Eleito um dos melhores livros do ano pelo The New York Times, o livro trata de temas complexos de forma simples e acessível, e é indicado tanto para estudiosos quanto para leigos no assunto.

link-externoLeia outro artigo sobre A sexta extinção

 

Bernardo Barbosa é jornalista, ser humano e, por isso, teme as retaliações do mundo natural. Trabalhou no jornal O Globo e na agência de notícias EFE.

testeNotas sobre o mercado editorial e a extinção em massa

Por Pedro Staite*

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Há algumas certezas para quem ganha a vida como editor assistente.

A primeira é passar pelo aparente desgosto de ver a sociedade, em específico a sua família, nunca acertar o nome da sua profissão. Minha mãe, por exemplo, já me chamou de jornalista, produtor, analista, revisor e produtor (a cada cinco ocasiões, duas são “produtor”). Se eu falar “Oi, mãe, sou editor assistente do setor de não ficção” ou “Oi, mãe”, dá no mesmo — ela responde “Oi”.

Outra é que a produção editorial, embora mexa com o mundo glamoroso dos livros, na prática alcança mais ou menos o mesmo glamour de uma reunião de condomínio. É quase como trabalhar em contabilidade, só que com letras. No entanto, pode ser bem divertido, mesmo sabendo que nunca vai existir alguma organização legal tipo Editores Assistentes sem Fronteiras.

Outra certeza é a de que nem sempre será possível trabalhar com livros cujos assuntos você domina. Para mim é ótimo, porque não domino quase nenhum (talvez só turfe, Beatles e MMA). Há algum tempo, comecei meu vínculo com a Intrínseca trabalhando em uma obra que trazia alguns temas nos quais sou um santo ignorante: ecologia, paleontologia, química e uma borrifada de matemática. “Que bom, a data de fechamento do livro passa do período de experiência”, pensei, amedrontado, ao receber da Carol Leocadio, minha subeditora, a incumbência de preparar o texto de A sexta extinção.

A sexta extinção - CAPA E LOMBADA.inddA ideia de começar num emprego novo com um livro desse tipo era pavorosa, mesmo sabendo que a obra pode ser de um assunto complexo mas de fácil explanação (Thomas Piketty não me deixa mentir). Graças aos astros alinhados de maneira favorável ou às divindades reservadas à produção editorial, A sexta extinção é acessível, cheio de curiosidades e muito engenhoso.

A autora, Elizabeth Kolbert, explica o que foram as cinco grandes extinções, eventos em que a biodiversidade caiu de maneira violenta nos últimos quinhentos milhões de anos. Todo mundo conhece a extinção mais famosa: a do asteroide que matou Fran, Charlene, Bob, Dino e Baby. Estamos vivendo a sexta extinção, que, por outro lado, tem sido causada por um elemento mais prosaico que um asteroide: nós! Sim, se você fica aflito por não fazer parte de algo realmente grandioso, agora tem o consolo de compor um grupo que está destruindo a vida no planeta. É um grande feito, vai.

Enquanto preparava o texto do livro, colhi algumas informações que podem ajudar você na excelente leitura de A sexta extinção.

 

Toque 1 ― Se quiser destruir rápido alguma coisa, chame a espécie humana

Se a história inteira da Terra fosse representada em apenas um dia, o homem mais “evoluído” só daria o ar da graça às 23h59min56s. Passaria os momentos seguintes sem fazer muita besteira e começaria a corroer o planeta exponencialmente nos últimos milésimos. Ou seja, a humanidade partilha com o planeta uma fração ridícula da história e já é mais do que suficiente para acidificar os oceanos, entupir a atmosfera de carbono, dizimar uma quantidade absurda de espécies e passar o rodo nas florestas. O Homo sapiens pode não se reproduzir tão rápido quanto um coelho nem ser tão adaptável quanto uma bactéria, mas é o Campeão Mundial de Destruição.

 

Toque 2 ― O sapo não é o marido da rã

Sapos e rãs são bichos diferentes. Na minha abençoada ignorância, rã era apenas o feminino de sapo e uma boa solução para fazer 10 pontos na categoria “animal” na adedanha escrita, pois as pessoas sempre colocam “rato” ou “rinoceronte”. Mas não. Rãs e sapos não são apenas de espécies e gêneros diferentes, mas de famílias diferentes. Na letra fria da taxonomia, eu sou mais próximo de um chimpanzé do que uma rã é de um sapo.

 

Toque 3 ― Você vai ter pena de bichos improváveis como sapos, morcegos e araus-gigantes

Todas as pessoas que trataram do texto comigo, como a Carol Leocadio, que avaliou a primeira revisão, e o Ulisses Teixeira, que avaliou a segunda, me disseram em algum momento “Tadinho do sapo/morcego/arau-gigante” (esse último, tadinho mesmo, já está extinto, mas não vou dizer como, é tocante demais). Uma das revisoras, Rayssa Galvão, me mandava mensagens de solidariedade aos bichinhos e de ódio aos seres humanos quase todo dia. Se a Isabela Freitas não tivesse lançado Não se apega, não com a gente, teríamos um título quase tão apropriado quanto A sexta extinção. Na passagem sobre o fim de uma população de morcegos, cheguei a sentir dor na alma.

Você pode se considerar a pessoa mais leiga do seu bairro, mas garanto que vai aprender muito com A sexta extinção. Vai ter pena dos bichos e vergonha dos humanos na mesma medida. Vai se afeiçoar por corais e mamutes (RIP). Vai querer adotar um morceguinho. Vai, ao menos discretamente, perpetuar um pouco menos o banzé no oeste que estamos fazendo aqui. E isso já não seria ótimo?

link-externoLeia também: O inferno somos nós

 

 

Pedro Staite, 28 anos, é editor assistente no setor de não ficção da Intrínseca e desenvolveu uma relação toda especial com a rã-dourada-do-panamá (que Deus a tenha).

testeO inferno somos nós

Por Bernardo Barbosa*

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É como se estivéssemos à beira de um abismo e, sem muita noção do que estamos prestes a fazer, continuássemos seguindo adiante. A sexta extinção: Uma história não natural, livro de Elizabeth Kolbert vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção em 2015, investiga como o ser humano se firmou como “espécie daninha” na Terra a ponto de provocar uma extinção em massa — fenômeno capaz de alterar drasticamente a vida no planeta que só ocorre em intervalos de dezenas de milhões de anos. No atual ritmo, as indicações são de que caminhamos rumo ao nosso próprio extermínio.

“Não é algo que fazemos porque nossa espécie é gananciosa ou má. Acontece porque humanos são humanos. Muitas das qualidades que nos tornaram bem-sucedidos — somos espertos, criativos, móveis e colaborativos — podem ser destrutivas para a natureza”, afirmou Kolbert ao The New York Times.

Em A sexta extinção, a autora traduz em termos práticos e em linguagem acessível o que está em jogo — ou ao menos deveria estar — nas convenções mundiais sobre o clima e outros eventos do gênero. Cada capítulo parte da extinção de uma determinada espécie para exemplificar as consequências da interferência humana (caça predatória, desmatamento, mudança climática etc.) e revelar como conseguimos subjugar, intencionalmente ou não, todas as outras formas de vida da Terra. Ao mesmo tempo, mostra que o ser humano é capaz de esforços inimagináveis pela preservação de outras espécies que não a sua. É o caso, por exemplo, da cientista do zoológico de San Diego que se dedica a tentar fazer com que o corvo-do-havaí Kinohi ejacule e seu esperma seja usado para inseminar fêmeas também mantidas em cativeiro (a espécie está extinta na natureza e sobrevive com cerca de cem exemplares em centros de pesquisa).

A sexta extinção - CAPA E LOMBADA.inddKolbert rodou o mundo para colher casos concretos do que o homem fez e faz de bom e de mau. O extraordinário esforço de reportagem (ela fez carreira na redação do jornal The New York Times e hoje integra a equipe da revista The New Yorker) rendeu o prêmio Pulitzer, e ninguém menos que Barack Obama resolveu incluir o livro em sua lista de leituras de férias. Do presidente americano aos meros mortais, qualquer leitor de A sexta extinção poderá aprender sobre diversas vertentes do vandalismo humano: desde o extermínio do arau-gigante, um pássaro gigante que não voava e virou fonte fácil de alimento no Atlântico Norte, entre os séculos XVI e XIX; passando pela contaminação fatal de diversas espécies de anfíbios ao redor do mundo por um fungo que pegou carona em grandes deslocamentos humanos; até chegar à acidificação dos oceanos que está acabando com a Grande Barreira de Corais, cuja existência poderá se resumir a “bancos de pedra em erosão acelerada” já em 2050, segundo um artigo científico publicado pela revista Nature e citado no livro.

E, no entanto, Kolbert ressalta como até algumas centenas de anos atrás parecia que o homem mal sequer acreditava no conceito de extinção; a ideia aparece entre o fim do século XVIII e o começo do XIX com os estudos do naturalista Georges Cuvier. A possibilidade de uma extinção em massa causada ou acelerada por um agente externo — uma grande catástrofe ou uma “espécie daninha” — ainda demoraria muito para ser aceita. Só no começo da década de 1990 se pôde comprovar que a quinta extinção em massa — a que varreu, entre outras espécies, os dinossauros há cerca de 66 milhões de anos — ocorreu após a queda de um asteroide. Se não temos o mesmo impacto imediato da queda de um corpo extraterrestre, o que estamos fazendo não fica nada longe se levarmos em conta a escala de tempo do planeta, medida em milhões de anos.

“Eles (os outros seres vivos) não estavam prontos para nós”, disse E. O. Wilson, renomado biólogo americano e um dos principais estudiosos da ação humana na Terra, em entrevista a Kolbert anterior à publicação de A sexta extinção. “Em outras palavras, somos únicos enquanto destruidores. Em escala global, nunca houve nada como o ser humano”, acrescentou.

De fato, até onde se sabe, não há trajetória no planeta comparável à nossa. O ser humano começou a transformar o ambiente para valer há mais ou menos dez mil anos, quando dominamos a agricultura e deixamos de ser nômades. Kolbert descreve como nos espalhamos pelo mundo em velocidade admirável, nos adaptando a praticamente todo tipo de variação ambiental e carregando conosco inúmeros invasores. Junte isso ao fato de que, de acordo com dados da ONU e do governo americano, desde o começo do século XX a população humana se multiplicou por quatro e nossa expectativa de vida dobrou. Para a natureza, essa conta está cada vez mais longe de fechar.

Somos a única espécie que tem consciência dos caminhos que pode seguir e depende basicamente das próprias escolhas. Somos a espécie responsável pela sexta extinção e, ao mesmo tempo, a única que pode tentar interrompê-la. Em entrevista à National Geographic, Kolbert resumiu:

“A história de Kinohi aparentemente reúne todas as qualidades do ser humano que, de alguma forma, são o assunto do livro. É sobre a incrível inteligência e preocupação das pessoas, de seus esforços heroicos para salvar partes do mundo natural — e ao mesmo tempo ele persiste com ataques cada vez maiores.”

link-externoLeia um trecho de A sexta extinção: uma história não natural

Bernardo Barbosa é jornalista, ser humano e, por isso, teme as retaliações do mundo natural. Trabalhou no jornal O Globo e na agência de notícias EFE.