testeLista de autoras que tratam do universo feminino

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Quantos livros escritos por mulheres vocês leram recentemente? No Dia Internacional da Mulher, convidamos os nossos leitores a conhecer obras de autoras publicadas pela Intrínseca. Os livros abordam questões como empoderamento feminino, violência doméstica, igualdade de gênero e maternidade, temas importantes para discutirmos a data, além de histórias de ficção com personagens femininas fortes.

 

Confira a lista:

A arte de pedir, de Amanda Palmer — Amanda é cantora, produtora, compositora e artista plástica. Nesse livro, ela levanta a bandeira do feminismo, questiona a maneira como lidamos com o casamento e fala abertamente sobre a liberdade das mulheres para fazer o que quiserem com seus corpos. A obra foi inspirada em uma palestra ministrada no TED Talk e narra também a experiência bem-sucedida da autora em campanhas de financiamento coletivo para projetos artísticos. Leia também: A arte de ser Amanda Palmer

Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty — O livro mais recente da autora aborda temas como violência doméstica e sexual e bullying. A obra conta a história de três mulheres que aparentemente têm uma vida perfeita em uma pequena cidade da Austrália. Madeline é forte e passional, Celeste é dona de uma beleza estonteante e Jane é uma mãe solteira recém-chegada na cidade. Os filhos dessas três mulheres estudam na mesma escola, onde acontece uma misteriosa tragédia que as envolve.

Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver — Nesse livro, Lionel constrói uma personagem muito forte e humana, que emocionou milhares de pessoas. Na obra, uma mãe escreve cartas ao pai do seu filho Kevin, na tentativa de compreender o motivo do assassinato em massa cometido pelo adolescente na escola. Ela rememora cada minúcia da vida conjugal e faz o antielogio da maternidade ao explicitar os instintos sombrios, diariamente menosprezados, por trás dos sagrados laços de família.

Não sou uma dessas, de Lena Dunham — Lena já foi considerada a voz de sua geração por falar abertamente de assuntos polêmicos. Criadora, produtora e atriz de Girls, ela conta a história da sua vida e aborda temas como sexo, culto ao corpo, violência sexual, amizade e a luta para ser reconhecida na carreira aos vinte e poucos anos. Leia também: As causas de Lena

P.S.: Ainda amo você, de Jenny Han — SPOILER!
Na continuação de Para todos os garotos que já amei, Lara Jean está em um relacionamento de verdade pela primeira vez na vida, mas ainda está aprendendo a lidar com as dificuldades de um namoro. Nesse segundo livro, Jenny Han aborda o feminismo de uma forma sutil e levanta a questão sobre o vazamento de imagens íntimas.

Primatas da Park Avenue, de Wednesday Martin — Wednesday é ph.D. e lecionou estudos culturais em Yale, onde concluiu o doutorado em literatura comparada e estudos culturais com foco em antropologia e história da psicanálise. No livro, ela analisa a região do Upper East Side, área mais rica de Nova York, e aponta o comportamento das moradoras que sofrem com depressão, vícios e ansiedade por serem as principais responsáveis pela criação dos filhos e terem que se adequar aos padrões rígidos de beleza e status social. Wednesday utiliza seus conhecimentos para questionar a obrigação da mulher de estar sempre perfeita e se dedicar 100% às crianças. Leia também: A tribo escondida por trás dos luxuosos prédios de Nova York

História do Futuro: O Horizonte do Brasil no Século XXI, de Míriam Leitão — A premiada jornalista apresenta dados que ajudam a compreender o atual cenário brasileiro. Resultado de quatro anos de pesquisa, a obra indica tendências e aponta reflexões sobre demografia, política, economia, educação, meio ambiente, temas importantes para as leitoras que querem estar informadas.

A garota que você deixou para trás, de Jojo Moyes — Nessa obra, Jojo apresenta personagens corajosas e determinadas.  O romance conta a história de Sophie, uma francesa obrigada a se separar do marido, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre, durante a Primeira Guerra Mundial.  Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, ela apega-se às lembranças admirando um retrato seu pintado pelo marido. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra.

Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo.

Operação impensável, de Vanessa Barbara — Vanessa é uma jovem e premiada autora brasileira. Com humor ácido e muitas referências sobre cinema, ela narra o fim de um casamento entre a historiadora Lia e o programador Tito marcado por e-mails espirituosos, vocabulário próprio, muitas sessões de cinema e longas e disputadas partidas de jogos de tabuleiro.

Objetos cortantes, de Gillian Flynn — Gillian é conhecida por criar personagens femininas ambíguas e perturbadoras. Em seu livro de estreia, a autora conta a história de uma jovem repórter que investiga casos de assassinato ao mesmo tempo em que tenta sobreviver a uma família completamente disfuncional.

testeQual livro combina com o seu amor?

 

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Assim como na literatura, tudo pode acontecer em uma história de amor. Suspense, comédia, drama, intrigas e reconciliações. Para celebrar o Dia dos Namorados, listamos 15 livros para todos os gostos e queremos saber: que tipo de história combina mais com o seu par?

 

Toda luz que não podemos ver, de Anthony DoerrMarie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o curioso órfão Werner se encanta pelo rádio. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Toda luz que não podemos ver, premiado com o Pulitzer de Ficção de 2015, narra um tocante romance sobre o que há além do mundo visível. [Confira no Skoob]

link-externoConheça Anthony Doerr

 

Um mais um, de Jojo Moyes — O novo livro da autora de Como eu era antes de você conta a história de Jess, uma mãe solteira e falida que precisa levar a filha Tanzie para a Olimpíada de Matemática na Escócia. Ed Nicholls é um geek milionário e estranho que oferece uma carona até a cidade onde acontecerá a disputa. A engraçada viagem até o destino provará que os opostos se atraem e que é possível encontrar o amor nos lugares mais improváveis. [Confira no Skoob]

 

Lugares escuros, de Gillian Flynn Aos sete anos, Libby Day sobreviveu ao terrível assassinato de sua família e testemunhou contra o irmão, que acabou condenado à prisão perpétua. Vinte e quatro anos depois, a ambígua personagem de Gillian Flynn, autora de Garota exemplar, é procurada por um grupo de pessoas obcecadas pelo crime e começa a investigar o passado. [Confira no Skoob]
link-externoGillian Flynn em defesa das vilãs

 

O capital no século XXI, de Thomas Piketty Nenhum livro sobre economia publicado nos últimos anos provocou o furor causado por esse estudo do francês Thomas Piketty sobre a concentração de riqueza e a evolução da desigualdade. [Confira no Skoob]

 

A arte de pedir, de Amanda Palmer Mobilizadora de multidões on-line, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. No livro, a cantora, compositora, ícone indie e feminista mostra que pedir é digno e necessário. Longe de ser um manual, o livro é uma provocação que incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e pedir ajuda. [Confira no Skoob]
link-externoA arte de ser Amanda Palmer

 

Cidades de papel, de John Green Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que, certo dia, ela invade o quarto dele pela janela, convocando-o a fazer parte de um plano de vingança. E ele, é claro, aceita. [Confira no Skoob]
link-externoO capitão John Green

 

Nós, de David Nicholls Douglas é um bioquímico de 54 anos, casado com Connie e pai de Albie, um jovem que acabou de entrar para a faculdade. Certa noite, ele é acordado pela esposa, que decide pedir o divórcio. Porém, eles estão prestes a embarcar em uma viagem em família pela Europa. Do mesmo autor de Um diaNós traz uma irresistível reflexão sobre relacionamentos. [Confira no Skoob]
link-externoDia de fã: um encontro com David Nicholls

 

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Recebeu o Pulitzer e o National Book Critics Circle Award de 2011. [Confira no Skoob]
link-externoA metáfora de Jennifer Egan ou “tudo começou aqui”

 

Para todos os garotos que já amei, de Jenny Han — Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. São confissões sinceras, sem joguinhos ou fingimentos. Até que, um dia, são misteriosamente enviadas aos destinatários e, de repente, a vida amorosa de Lara Jean se transforma. [Confira no Skoob]

 

Os filhos de Anansi, de Neil Gaiman Embrenhando-se no território da mitologia africana, a narrativa de Neil Gaiman leva o leitor a mergulhar nessa história fantástica e bem-humorada sobre relações familiares, profecias terríveis e divindades vingativas. Nova edição do clássico do autor com conteúdo extra e orelha assinada por Fábio Moon. [Confira no Skoob]
link-externoSobre ter pais constrangedores e se identificar com Neil

 

Salinger, de David Shields e Shane Salerno — A biografia de Salinger foi produzida ao longo de nove anos por David Shields e Shane Salerno, que colheram relatos de mais de 200 pessoas. A personalidade multifacetada do autor do clássico O apanhador no campo de centeio é relatada nas vozes de amigos, colegas do exército, parentes, editores, críticos literários etc. [Confira no Skoob]

 

Navegue a lágrima, de Leticia Wierzchowski Uma casa de praia, num idílico balneário no Uruguai, é o cenário de duas histórias de amor e perdas, separadas no tempo. Ao entrelaçar as lembranças da editora Heloísa à trajetória dos antigos moradores da casa, Leticia Wierzchowski expõe o inexorável desgaste realizado pela passagem do tempo até nas relações mais sólidas. [Confira no Skoob]
link-externoLeia as colunas de Leticia Wierzchowski

 

O árabe do futuro, de Riad Sattouf Filho de mãe francesa, nascida na Bretanha, e de pai sírio, de uma aldeia próxima a Homs, o premiado quadrinista Riad Sattouf retrata, de forma bem-humorada, o choque cultural experimentado por uma criança criada na França socialista de Mitterrand ao vivenciar os regimes autoritários da Síria de Hafez al-Assad e da Líbia de Kadafi. [Confira no Skoob]
link-externoRevivendo o passado através de O árabe do futuro

 

Caixa de pássaros, de Josh Malerman Há algo que não pode ser visto. Algo que enlouquece as pessoas e as leva a cometer atos violentos seguidos de suicídio. Basta uma olhada para fora e a vida corre risco. A população foi aconselhada a trancar as portas e as janelas e a andar vendada. Com uma narrativa cheia de suspense e terror psicológico, Caixa de pássaros conta a história assustadora de um surto inexplicável em Michigan. [Confira no Skoob]
link-externoPássaros no escuro

 

A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi — Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com oitenta e dois anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida. [Confira no Skoob]
link-externoComo Chaplin enganou a morte

testeA arte de ser Amanda Palmer

Por Letícia Novaes*

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Uma vitrine sem preços para mim é quase uma cena de terror. Uma saia me seduz, me vejo nela, cogito entrar e sondar o preço, mas não consigo. Não consigo pedir uma simples informação: o preço. Tudo parece propício e lógico, mas sou incapaz. Sendo cara, agradeceria e iria embora. Sendo barata, poderia até adquirir serotonina consumista naquela tarde. Mas não consigo.

Tenho uma banda chamada Letuce, e outro projeto musical, só que mais teatral, chamado Tru & Tro com sua Corja. Sempre fui representante de grupo, sempre liderei movimentos (os bestas e alguns importantes), organizo agendas, ensaios, faço escalas alucinantes para que cinco pessoas consigam se encontrar no mesmo momento e lugar. Jurava que essa minha característica designava força e poder, mas ao acabar de ler A arte de pedir, da inclassificável Amanda Palmer (cantora? escritora? feminista? compositora? artista? performer? MARAVILHOSA?), me flagrei extremamente frágil e anos-luz de suas audácias impensáveis, porém possíveis.

link-externoLeia também: Entrevista com Amanda Palmer 

Quantas vezes deixei de tocar no Nordeste por conta do preço da passagem mais a hospedagem mais a alimentação? Nunca me pareceu real poder pedir aos fãs por isso tudo, só pelo ingresso. Amanda Palmer foi além. Ao organizar uma turnê, usava suas mídias para perguntar aos fãs onde ela poderia dormir após cada show. Não só ela. Ela e a banda. Foram pegos em mil aeroportos por fãs, dormiram em centenas de quartos, sofás. Tomaram vários cafés da manhã com fãs, em suas casas. E, não estando em um hotel, seria impossível deitar e dormir — há uma cerimônia, uma conversa, e isso alimenta a moça. Alguns torcem o nariz e julgam como mendicância, mas Amanda diz: “Mendigar é uma função de medo e desespero. Quem mendiga exige nossa ajuda; quem pede tem fé na nossa capacidade de amar e no nosso desejo de compartilhar.”

CAPA_AArteDePedir_WEBDevorei o livro em dois dias e a cada página repetia internamente: “Que mulher corajosa!” Mas a trajetória da coragem não se deu tão facilmente. Amanda passou anos com a voz dos demoniozinhos soprando no seu ouvido: “Você é uma fraude.” Fez faculdade de arte, trabalhou numa sorveteria, foi stripper e um dia virou estátua viva, vestida de noiva, com a cara pintada de branco. Imóvel fisicamente, ela já elaborava as caraminholas artísticas na sua cabeça fértil, enquanto pedestres passavam e deixavam desde um dólar até o grito opressor de “Vai trabalhar!”.

Depois de algum tempo, Amanda sentiu necessidade de movimento, de se mostrar mais, e criou a banda The Dresden Dolls, com o baterista Brian Viglione. A banda logo caiu na graça dos desajustados, dos que bocejam diante do óbvio. E, sendo Amanda essa mulher devastadora, ela nunca se colocou no perigoso pedestal em que alguns artistas adoram ficar. Não ela. Amanda pula na plateia. Manja MOSH? Nada mais revelador do que isso. E essa parte não tem a ver com coragem. Tem a ver com confiança. Amanda confia.

E foi com essa confiança de quem se lança no ar que Amanda começou a pedir ajuda aos fãs. E muitas vezes sem nem pedir, apenas pela sua troca constante. Certa vez, ela recebeu dez dólares de um rapaz, que disse: “Sei que você odeia sua gravadora, então quero que esse dinheiro nem passe por ela. Toma, pra você.” E aos poucos ela foi se livrando de padrões que já não condiziam com sua verdade, como o agente da gravadora que comentou que ela estava passando muito tempo no Twitter e trabalhando pouco. Isso é trabalho, Amanda pensou, e depois esfregou elegantemente na cara desses seres retrógrados que ainda não despertaram para as novas formas de mídia.

Meu lado voyeur vibrou ao ler também sobre sua relação com os dois homens da sua vida. Anthony, o melhor amigo terapeuta, com conselhos iluminados, e Neil Gaiman, o marido, escritor renomado, o encontro estabanado que tiveram, a lenta aceitação da chegada do amor. Amanda conta como sofreu ao ter que pedir dinheiro ao marido. Os fãs eram outra categoria, eram vários “mecenas”. Estabelecia-se a troca e tudo bem. Pedir ao marido esbarrava em debates feministas, em que ela sempre embarcou e defendeu com unhas e dentes, para não dizer pentelhos e topless.

Em 2012, Amanda Palmer conseguiu arrecadar mais de um milhão de dólares com o crowdfunding do seu novo disco. Foi a maior arrecadação da história do financiamento coletivo para um projeto musical. Ela só pediu por cem mil, mas todos os anos de turnê e de troca real e intensa com os fãs mostraram que o que ela pedisse eles dariam.

Acabei o livro quase triste. Queria saber mais sobre aquela vida tão fora da curva. Revi a palestra dela no TED, ouvi músicas, fucei fotos e me inspirei para o meu próprio crowdfunding. Amanda inspira. É espontânea, tangível, legítima.

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Pedir uma informação, pedir um favor ou ajuda, nada disso pode ser encarado com tanta sisudez. Quem pede também está se esforçando, já que é quase impossível se expor — de verdade — hoje em dia. Estamos todos contando moedas em casa e postando fotos com drinks caros nas mãos. Sou rainha em dizer “Deixa comigo” e chorar no banho pensando em como vou conseguir.

Nunca esqueci do primeiro post no Facebook de pedido de emprego que vi. Era uma atriz de teatro de São Paulo. Fez um post eloquente, disse que poderia fazer outras atividades, já que não era herdeira e precisava comer e pagar contas. Em nenhum momento achei uma exposição negativa. Não lembro o desenvolvimento da história. A gente compartilhou chocada, já que ela era supertalentosa, mas foi a primeira vez que vibrei de verdade com o Facebook. Não é possível aquilo só servir para bobagens.

“Você precisa passar uma imagem estável. Se você expõe que o bicho tá pegando, ninguém vai te chamar pra nada”, já ouvi de muitos (próximos até!). Acho que sempre fui devota de Amanda Palmer sem nem saber, pois nunca caí na tolice da imagem. Minha amiga fotógrafa até briga comigo pois não quero Photoshop em nenhuma foto de divulgação. Minhas veias, minhas rugas, minha depilação atrasadinha. A verdade ama algumas pessoas e Amanda Palmer foi escolhida. Eu e alguns também. É com verdade, coração. Só com ela. De outra forma, a mágica não acontece.

Amanda Palmer faz uma releitura  maravilhosa da música “I want you but I don’t need you”. Amanda quer fãs, mas não precisa deles. Querer é algo poderoso, envolve desejo, vontade. Precisar esbarra na necessidade e também na carência. Amanda Palmer nos quer, nos deseja, e eu e tantos outros (tomara que muitos) sentimos o frisson delicioso que ela causa, seja cantando, escrevendo, sendo estátua ou apenas sendo gloriosa. E a próxima vez que eu tiver curiosidade sobre o preço de uma roupa vou entrar e pedir essa informação, sem medo. Amanda Palmer me ensinou tal coisa. Dizem que é arte. Questiono se pedir é realmente uma ARTE. Tudo é a maneira. Amanda ensina como. E a gente arregala os olhos e bate palmas para a sanidade.

link-externoLeia um trecho de A arte de pedir

 

Letícia Novaes atua, canta e escreve. É vocalista e compositora da banda Letuce e colunista mensal do Segundo Caderno, do jornal O Globo. Letícia está em finalização do crowdfunding do seu primeiro livro Zaralha — abri minha pasta.

testeLeituras para o Dia das mães

lista

Preparamos uma lista com sugestões de livros para presentear mães de diferentes estilos: fashion, cult, alternativa, fofa, apaixonada por culinária, louca por cachorros, sensível, cinéfila, nerd, executiva, que gosta de cozinhar, de arrepiar, nerd e que curte séries.

Mãe fashion: Um brinde a isso, de Betty Halbreich

Betty Halbreich é uma figura única no mundo da moda. Há quase quatro décadas comanda o departamento de compras personalizadas da loja Bergdorf Goodman, ícone do consumo de luxo de Nova York. Em Um brinde a isso, ela fala não só de como construiu a carreira, mas também dos momentos mais difíceis que precisou enfrentar.

link-externoVeja também A Parisiense – O guia de estilo de Ines Fressange

Mãe sensívelToda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr

Marie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o órfão e curioso Werner se encanta pelo rádio. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Anthony Doerr constrói um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

link-externoVeja também Os últimos dias de nossos pais, Navegue a lágrima e Tempos extremos

Mãe cinéfila: A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi

Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com 82 anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida.

link-externoVeja também Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose

Mãe cult: A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. A visita cruel do tempo recebeu o Pulitzer e o National Book Critics Circle Award de 2011.

link-externoVeja também Circo invisível, Lança-chamas e Max Perkins, um editor de gênios

Mãe apaixonada por cachorros: Filhotes submarinos, de Seth Casteel

O premiado fotógrafo e ativista em defesa dos direitos dos animais Seth Casteel retrata cachorrinhos na primeira fase da vida, quando ainda estão começando a descobrir o mundo. São mais de 80 cliques inéditos de filhotes cheios de energia e disposição dentro d’água.

link-externoVeja também Cachorros submarinos e Ache Momo

Mãe fofa: Um mais um, de Jojo Moyes

O livro conta a história de Jess, uma mãe solteira e falida, que precisa levar sua filha Tanzie para a Olimpíada de Matemática na Escócia. Ed Nicholls é um geek milionário e estranho que oferece uma carona até a cidade onde acontecerá a disputa. A engraçada viagem até o destino provará que os opostos se atraem e que é possível encontrar o amor nos lugares mais improváveis.

link-externoVeja também Pequenas grandes mentiras

Mãe que curte séries: Orange Is The New Black, de Piper Kerman

Condenada a quinze meses de detenção por um crime que cometeu anos atrás, Piper Kerman é obrigada a trocar a vida com o noivo, a família e os amigos por uma rotina imprevisível e assustadora em uma penitenciária feminina. Orange Is the New Black apresenta a história real que inspirou o popular seriado da Netflix.

link-externoVeja também O mundo de Dowtown Abbey , Homeland: como tudo começou

Mãe que gosta de cozinhar: A pequena cozinha em Paris, de Rachel Khoo

O livro traz versões especiais dos clássicos franceses e vai muito além dos livros de culinária tradicionais. A jovem chefe britânica Rachel Khoo acompanha suas receitas com curiosidades sobre cada prato e detalhes do dia a dia na capital francesa. Do irreverente muffin de croque madame ao frango com limão e lavanda, Rachel celebra e desmistifica a culinária francesa, revelando como é fácil transportar para a nossa casa a beleza e o aconchego parisienses.

link-externoVeja também Cozinhar

Mãe alternativa: A arte de pedir, de Amanda Palmer

Mobilizadora de multidões on-line, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. Em A arte de pedir, a cantora, compositora, ícone indie e feminista mostra que pedir é digno e necessário. Longe de ser um manual, o livro é uma provocação que incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e pedir ajuda.

link-externoVeja também Não sou uma dessas, Listografia e Uma questão de caráter

Mãe de arrepiar: Caixa de pássaros, de Josh Malerman

Há algo que não pode ser visto. Algo que enlouquece as pessoas e as leva a cometer atos violentos seguidos de suicídio. Basta uma olhada para fora e a vida corre risco. A população foi aconselhada a trancar as portas e as janelas e a andar vendada. Com uma narrativa cheia de suspense e terror psicológico, Caixa de pássaros conta a história assustadora de um surto inexplicável em Michigan.

link-externoVeja também Objetos cortantes e Filme noturno

Mãe executiva: O capital no século XXI, de Thomas Piketty

Nenhum livro sobre economia publicado nos últimos anos provocou o furor causado por O capital no século XXI, do francês Thomas Piketty. O estudo sobre a concentração de riqueza e a evolução da desigualdade ganhou manchetes nos principais jornais do mundo e colheu comentários e elogios de diversos ganhadores do Prêmio Nobel.

link-externoVeja também Como o Google funciona e A loja de tudo

Mãe nerd: Uma breve história do tempo, de Stephen Hawking

Qual a origem do universo? Ele é infinito? E o tempo? Houve um começo e haverá um fim? O que vai acontecer quando tudo terminar? Pensadores e cientistas debruçam-se sobre perguntas como essas há séculos, oferecendo teorias nem sempre de fácil compreensão. Em Uma breve história do tempo, o famoso físico Stephen Hawking guia o leitor – em edição revista e atualizada – pelas principais descobertas científicas da humanidade e encanta tanto leigos quanto iniciados.

Vlink-externoeja também Ordem e Os filhos de Anansi

testeAmanda Palmer e a arte de se entregar

Por João Lourenço*

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Ao pensar em Amanda Palmer, a primeira coisa que vem à cabeça é uma boneca russa. São camadas que não acabam mais: poeta, cantora, compositora, artista visual, performer de rua, pioneira do crowdfunding.

Em 2012, cansada de lidar com reclamações e contratos rígidos e limitadores de gravadoras, ela disponibilizou músicas de sua banda de cabaré punk, The Dresden Dolls, na internet. O lema era (e continua sendo!) o seguinte: “Pague quanto puder, quando quiser!” Em sua palestra nos Ted Talks, Amanda explicou: “Foi uma atitude libertadora. Percebi que quando há uma conexão, as pessoas vão te ajudar! Basta saber como pedir.” Em outra ação, criou a banda Amanda Palmer & The Grand Theft Orchestra e deu o pontapé inicial em uma campanha no Kickstarter, site de financiamento coletivo. O objetivo era arrecadar 100 mil dólares para lançar um CD. No total, ela conseguiu mais de 1 milhão de dólares. Cerca de 25 mil pessoas colaboraram. Além de gravar o álbum, Theater is Evil, ela usou o dinheiro da campanha para cair na estrada em uma turnê que deu a volta ao mundo.

CAPA_AArteDePedir_WEBO mais recente empreendimento de Amanda é o livro de memórias e confissões A arte de pedir. “De certa forma, a palestra que dei nos Ted Talks inspirou o livro. Uma editora viu o vídeo e me procurou no final de 2013, quando estava no fim da minha turnê. Eu nunca tinha escrito nada parecido, não sabia se aceitava o convite. Parecia uma tarefa quase impossível.” Mas ela mudou de ideia após conversar com o marido, o escritor Neil Gaiman. “Ele me deu força para ir em frente. O tempo era curto, tive que escrever tudo em quatro meses.”

link-externoLeia um trecho de A arte de pedir

Amanda conta que A arte de pedir começou como um livro sobre os perrengues que ela passou nas ruas, quando ainda se apresentava como uma estátua viva vestida de noiva. Acabou se transformando em um tratado sobre a condição humana. Na obra, Amanda discute a nova relação entre artista e público, seus próprios medos, e conceitos como desconforto, amizade, feminismo e casamento. O maior trunfo da autora é a confiança e energia que deposita nos fãs e em todos que cruzam seu caminho. Ela defende que o simples ato de pedir cria um momento valioso de conexão entre as pessoas. “Ainda temos problemas para falar sobre dinheiro. Não é um assunto confortável. Às vezes, mal conseguimos pedir ajuda emocional. O ato de pedir, seja qual ajuda for, ainda é visto como algo humilhante. Quando essas barreiras de medo e desconforto caírem, a relação entre arte e público vai mudar drasticamente. Não só isso: a relação entre seres humanos mudará.”

Por telefone, de Nova York, onde estava de passagem, Amanda Palmer conversou com a Intrínseca.

Intrínseca: Primeiro, parabéns pela gravidez. Está nervosa?
Amanda Palmer: Obrigada! Eu vivo cansada, mas acho que isso é normal (risos). Também percebo que estou nervosa e assustada, mas esse tipo de sentimento não é novidade para mim. Afinal, já passei por muita coisa. Talvez o que mais me incomode agora seja a luta para dividir meu tempo entre ser artista, mãe e esposa.

I: A troca de energia entre você e os fãs parece ser vital para o seu trabalho. Porém, alguns críticos costumam dizer que é necessário haver um espaço entre artista e público. O que você acha disso?
AP: Eu não consigo pensar assim, pois não traço linhas divisórias entre a minha vida e a minha arte. Para mim, tudo está interligado. Conheço pessoas como eu, tatuadores que se pintam dos pés à cabeça, artistas que dedicam meses a uma performance de longa duração. Esses são os que vivem a arte ao extremo, mas nem todos conseguem ser assim — o que é normal! Não se trata de uma hierarquia, de quem é “mais artista” ou “menos artista”. Na minha opinião, a beleza da arte é que o artista e o público estão por trás desse tipo de decisão. Ainda mais hoje, nesta era superconectada, cada um escolhe como liberar sua arte e se comunicar com o público. E o público também pode escolher como se conectar com o artista, como ajudá-lo. É um processo bastante democrático, não? (Risos.) A dança entre arte e realidade acontece em uma linha tênue. Há muito mais arte em sua vida do que você imagina. E também há muita realidade na arte. Os maiores artistas são aqueles capazes de nos chocar, de nos tirar de nossas zonas de conforto e nos fazer lembrar que a beleza existe. Arte é uma manifestação da vida. É a criação de algo que não existia antes. Eu não poderia fazer nada disso se não tivesse o apoio e o contato do meu público.

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I: Você não segue tendências, não se preocupa em ser cool e popular, escreve letras emotivas e honestas. O mesmo pode ser percebido no seu livro — é como se sempre seguisse a sua intuição. Pode nos contar um pouco mais sobre o seu processo de escrita?
AP: Essa é uma questão interessante. Cresci ouvindo todos os tipos de música. Pense em Beatles, Beach Boys, ABBA, Madonna, entre outros. Percebi logo cedo que as músicas extremamente poéticas e honestas me instigavam, me faziam pensar em possibilidades. Lembro de ouvir as canções da Tori Amos e me questionar: “Ela acabou de dizer isso? Isso é mesmo possível? É permitido ser assim, honesta e vulnerável?” (Risos.) Esse tipo de reflexão me desafiou bastante, demorei um tempo para me permitir ser honesta. Sabe, não é fácil expor algumas feridas para o público. Não importa que tipo de artista você é e que tipo de arte faz, você paga um preço alto quando escolhe ser honesto. Tentar encaixar a sua arte nas tendências atuais não vai te levar muito longe. Enquanto isso, a honestidade ajuda a construir algo duradouro. Quando você revela medos, problemas e coisas que o envergonham, isso se reflete no público. E quando alguém se identifica com essa dor, acredite, você tem um fã pela vida inteira (risos). Então, eu também decidi ser honesta no livro. Acho que a boa arte é capaz de atingir o coração das pessoas. Se consigo ou não fazer isso, não sei.

I: Recentemente, você defendeu em seu perfil no Facebook que não acredita em “feminismo ruim”. Você poderia explicar melhor essa opinião?
AP: Infelizmente, sinto que as mulheres estão sempre julgando umas às outras. O mesmo tipo de comportamento pode ser observado no feminismo. Quando você cria regras específicas, acaba afastando as pessoas. Acredito que cada um tem que viver de acordo com as próprias vontades. Em um contexto global, as nossas decisões são muito diferentes. Não acho legal quando alguém me diz como devo gastar meu dinheiro, o que devo vestir e se devo ou não fazer cirurgia plástica. Essas e outras decisões cabem a mim e a mais ninguém. E o que percebo é que essas regras autoritárias geralmente acompanham a bandeira do feminismo. Para mim, o feminismo de verdade está na liberdade de escolha. Não devemos nos culpar por nossas decisões, por isso volto a repetir: não há feminismo ruim, ponto! Se você quer ser mãe solteira, viver nas ruas, não ter uma carreira, vá em frente. Essa escolha é sua! A melhor forma de redefinir o feminismo é deixar as mulheres se definirem.

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I: Além de cantora, escritora, futura mãe, você também é casada com o Neil Gaiman. Como ele influencia o seu trabalho?
AP: Na maior parte do tempo, a influência do Neil é indireta. Nós dois nos influenciamos muito apenas por estar um ao lado do outro. Existe também uma influência mais concreta, na qual criticamos e editamos o trabalho um do outro. É mais como um desafio constante. Neil me desafia a não cair na mesmice, me incentiva, diz que não posso ficar preguiçosa. Acho que uma das coisas mais bonitas da nossa relação é que lutamos para não desapontarmos um ao outro. Essa fórmula, de sempre querer surpreender o outro, também está presente em uma boa base de fãs e em uma grande amizade. É extremamente importante ter um público, mesmo que pequeno. Pode ser sua mãe, marido, amigos ou fãs, não importa — você precisa de alguém para te dizer a verdade, sem enrolação. Quem gosta de você não vai te enganar. Os maiores críticos são sempre as pessoas mais próximas. Então, posso dizer que me sinto grata por ter esse tipo de conexão e troca com o Neil. Ele também me apresenta para amigos e pessoas que me ajudam a pensar de forma diferente. No começo da nossa relação, ele me deu um livro da Kathy Acker, uma de suas escritoras favoritas. O trabalho dela mudou totalmente a minha forma de pensar sobre escrita, me inspirou a ser uma pessoa mais forte. Não sei se respondi muito bem a sua pergunta, mas é essa a nossa relação (risos). Acima de tudo, nos influenciamos através do convívio diário, através da arte que compartilhamos.

I: Você trabalha com diversas mídias e plataformas e parece sempre pronta para abraçar novas tecnologias. Como pessoa e artista, do que você mais sente falta do período anterior à era da internet?
AP: Agora que estou prestes a ter um filho, esse é outro tópico interessante. Eu me pego pensando no futuro, em como as crianças de hoje terão dificuldades em entender um mundo pré-smartphone, Google e redes sociais. Ao mesmo tempo que entendo que as coisas eram mais simples e puras antes da internet, aceito os avanços da tecnologia. Senti na pele os benefícios da internet, que considero uma ferramenta de conexão incrível. Arrecadei dinheiro através dela e é por meio da rede que mantenho contato direto com fãs do mundo inteiro. Antes, esse tipo de comunicação seria impossível. Só que nem tudo é um mar de rosas. Assim como qualquer invenção, a internet também apresenta um lado muito perigoso. Acho que vou poder dar uma resposta melhor após o fim da gravidez. Vou aprender muito sobre a internet com meu filho, não tenho dúvida disso. É preciso abraçar a mudança; não quero me transformar em uma pessoa amarga. Só que, ao mesmo tempo, não serei o tipo de mãe que deixa o filho pequeno mexendo num tablet o dia inteiro (risos).

I: Para os artistas que estão começando qual conselho você daria?
AP: É um pouco clichê o que vou dizer, mas algo parecido me foi dito no passado e funcionou. Eu diria que é importante prestar atenção na reação das pessoas. Não importa o que seja, se a sua arte provocar e deixar as pessoas irritadas, incomodadas, acredite: você provavelmente está no caminho certo (risos). Se as pessoas não reagem, não pensam, não discutem o que você está fazendo, então é melhor rever os conceitos. É preciso se arriscar para seguir em frente.


João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFW MAG!, colaborou com a Harper’s Bazaare com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Agora, está em NYC tentando escrever seu primeiro romance.

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A Segunda Pátria, de Miguel Sanches Neto — Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas alia-se ao Terceiro Reich. Neste cenário alternativo, o escritor paranaense desenvolve uma surpreendente história de amor enquanto subverte os fatos para criar um Brasil que não está nos livros de história, mas que nem por isso deixa de ser assustadoramente plausível. [+]
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link-externoLeia também: Biografia de um livro

Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty — Em seu novo romance, a autora do best-seller O segredo do meu marido coloca em cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos familiares para nos lembrar das perigosas meias verdades que contamos a nós mesmos para sobreviver. [+]
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Circo invisível, de Jennifer Egan — O surpreendente romance de estreia de Jennifer Egan, escritora norte-americana que recebeu o Prêmio Pulitzer de Ficção pelo livro A visita cruel do tempo, em 2011, narra a história de uma família marcada pelos extremos dos anos 1960 e aborda os impactos provocados pela morte, pela utopia e pelo tempo. [+]
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Ordem, de Hugh Howey — No segundo volume da trilogia Silo, a história volta a um período anterior, explicando como o mundo de Juliette foi transformado. O livro revela as decisões, tomadas por alguns poucos poderosos, que foram o estopim das bilhões de mortes que deixaram a humanidade em vias de extinção. [+]
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A arte de pedir, de Amanda Palmer — Cantora, compositora, ícone indie e feminista, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. Em A arte de pedir, ela incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e de pedir ajuda. [+]
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link-externoLeia também: conheça Amanda Palmer

Selva de Gafanhotos, de Andrew Smith — Um mal resolvido triângulo amoroso-sexual, insetos gigantes, um cientista louco, um fabuloso bunker subterrâneo e muita confusão. Engraçado, intenso e complexo, Selva de Gafanhotos fala de um jeito inovador sobre a adolescência. [+]
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Um brinde a isso, de Betty Halbreich com Rebecca Paley — Há quase 40 anos, Betty Halbreich comanda o departamento de compras personalizadas da loja Bergdorf Goodman, ícone do consumo de luxo de Nova York. Combinando moda com relatos sobre sua vida pessoal, Betty mostra que o verdadeiro estilo de uma mulher não está impresso nos cortes, tecidos e etiquetas que ela veste, mas na história que tem para contar. [+]

A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi — Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. Com 82 anos e desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida. [+]
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Filhotes submarinos, de Seth Casteel — Depois do sucesso de Cachorros submarinos, o premiado fotógrafo e ativista em defesa dos direitos dos animais Seth Casteel retrata cachorrinhos na primeira fase da vida. São mais de 80 cliques inéditos de filhotes cheios de energia e disposição dentro d’água. [+]
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Dentista sinistra, de David Walliams — Alfie tem 12 anos e um coração enorme, tão grande quanto seu medo de dentista. Ele não sabe o que fazer quando o obrigam a se consultar com a nova dentista da cidade: uma mulher mais arrepiante que prova de matemática. [+]
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testeDe estátua viva a mobilizadora de multidões

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Vestida de noiva e com o rosto pintado de branco, Amanda Palmer oferecia flores aos que passavam pela Harvard Square, um movimentado cruzamento em Cambridge. Durante anos, a cantora — considerada um ícone indie — pagava as contas com o dinheiro que conseguia como estátua viva. Muito mais que uma simples forma de sobrevivência, as performances na rua despertaram em Amanda um novo modo de levar a vida.

Começava ali sua conexão direta com desconhecidos. O contato com pessoas com quem ela nunca tinha falado antes, mas que eram capazes de deixar alguns trocados no chapéu que ficava no chão. Durante esse período, Amanda entendeu que existe uma confiança implícita entre quem apresenta sua arte e aquele que deseja retribuir— ou pagar o quanto quiser — por ela.

Com a bagagem adquirida nas ruas, Amanda se aventurou como balconista, escritora e diretora de peças de teatro, garçonete, vendedora de brechó e stripper até se tornar uma cantora, compositora, diretora e blogueira de renome internacional (além de esposa de Neil Gaiman).

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As atividades em diferentes áreas lhe ensinaram muitas coisas, principalmente a saber pedir. Sem medo de se mostrar vulnerável, ser rejeitada ou ser considerada fraca, Amanda Palmer se tornou a cantora que dorme na casa dos fãs, que conta com eles para arrecadar dinheiro para a produção do álbum de sua banda, que fala abertamente sobre a importância e a dificuldade de pedir ajuda, seja ao marido famoso ou a um desconhecido.

Tudo isso está revelado em A arte de pedir, que chega às livrarias em março. Mobilizadora de multidões online, Amanda comenta desde a intimidade com marido até a experiência bem- sucedida no Kickstarter, site de financiamento coletivo, através do qual arrecadou mais de 1 milhão de dólares para seu projeto musical, recorde que chamou atenção tanto da imprensa como da indústria fonográfica.

Longe de ser um manual, a obra mostra que pedir é digno e necessário e que a conexão entre quem dá e quem recebe é uma das coisas que mais enriquecem a vida humana.

Neil Gaiman e Amanda