teste130 anos de República: Uma perspectiva geral

Por Pedro Malan*

Os textos reunidos em 130 anos: Em busca da República tratam da trajetória da República brasileira desde seus primeiros momentos, 130 anos atrás. São 13 décadas, 12 economistas, 14 advogados, 12 historiadores e cientistas sociais, cada qual responsável por uma década na sua área de especialidade. Os organizadores esperam que o inédito mosaico resultante, com suas lições e “teimosas permanências”, possa ser visto pelo leitor como mais que a soma das partes.

Os autores conhecem, por certo, a necessidade de perspectiva. De entender o presente como história e esta como um infindável diálogo entre passado e futuro. Um passado que está sempre sendo revisitado, reinterpretado, por vezes reescrito, à luz das exigências interrogativas do presente, bem como de sonhos e temores sobre o futuro. Um futuro que antes de converter-se em passado realiza ensaios sob a forma de sonhos e desejos, os quais, quer se realizem, quer não, constituem, no presente, conforme escreveu Jorge Luis Borges, a “memória do futuro”.

Ao longo destes 130 anos de República, não sabíamos (como não sabemos hoje) se ao caminhar estávamos pisando nas cinzas do passado ou nas sementes do futuro (Musset, 1835), juntas e misturadas, como sempre, sob nossos pés e em nossas memórias. Sempre conviveremos com o peso do passado e a promessa do futuro — e ambos têm traços de teimosa permanência. Como, entre nós, a ideia de República, aí incluídos seus “pecados originais” (Carvalho, 2017).

Na longa busca de sua República, o Brasil procurou incorporar, pragmaticamente, as duas concepções de “republicanismo”: a concepção unitária e centralizadora de uma só República; e a concepção federalista, a favor de estados (repúblicas) unidos em uma única federação. Contudo, resguardando certas autonomias no âmbito local, através de um pacto federativo que foi assumindo formas constitucionais variadas ao longo dos últimos 130 anos.

Cabe nesta Introdução um breve comentário sobre a relação entre democracia e República, já que a busca a que se refere o título deste livro foi— e continua sendo — a busca pela construção de um país republicano e democrático. Todavia, a busca da democracia e a busca da República não querem, necessariamente, dizer a mesma coisa. A democracia é — na frase imorredoura de Churchill — “o pior de todos os regimes, com exceção de todos os outros que foram experimentados de tempos em tempos”. Por quê?

Porque apenas em um regime democrático são possíveis a aceitação e o elogio da diversidade; o reconhecimento da legitimidade e da fecundidade dos conflitos de razão e de interesse; a absoluta liberdade de opinião; o ideal da tolerância (em oposição a crenças cegas na própria verdade e na capacidade de impô-la); o ideal da não violência — apenas em democracias é possível livrar-se de governantes sem derramamento de sangue e resolver conflitos sem o recurso à força. Apenas em democracias é possível a renovação gradual da sociedade pelo livre debate de ideias e pela mudança de mentalidades. Apenas em democracias é reconhecida a necessidade de antepor limites ao poder, mesmo quando esse poder é o da maioria que o conquistou pela força do voto (Bobbio, 2000).

Um dos organizadores deste livro refere-se ao que escreveu um religioso que vivia no Brasil em meados do século XVII — “nenhum homem desta terra é repúblico, nem vela ou trata do bem comum, senão cada um de seu bem particular” — para apresentar uma breve lista de exemplos do que é ou seria “ser republicano”. Vale citar alguns: “é crer na igualdade civil de todos, sem distinção de qualquer natureza; é crer na lei como garantia de liberdade; é saber que o Estado não é uma extensão da família, um clube de amigos, um grupo de companheiros; é repudiar práticas patrimonialistas, clientelistas e corporativistas; é acreditar que o Estado não tem dinheiro, que ele apenas administra o dinheiro pago pelo contribuinte; é saber que quem rouba o dinheiro público é ladrão do dinheiro de todos; é considerar que a administração eficiente e transparente do dinheiro público é dever do Estado e direito seu” (Carvalho, op. cit.). Essa lista, não exaustiva, talvez possa ajudar o leitor em sua própria avaliação, permitindo-lhe compreender por que o título dado a este livro por seus organizadores traz a expressão “em busca da República” após seus primeiros “130 anos”. A busca continua.

Nessa busca, lembremos que as interações — na prática, ainda que não na teoria — entre os mundos da economia, da política, do direito (e da psicologia social) nunca deixaram de existir. Afinal, são todas “disciplinas contíguas”, como afirmou Ronald Coase (1994), prêmio Nobel de Economia em 1991, durante muitos anos professor de Direito na Chicago Law School e autor do clássico The Problem of Social Cost (1960), um dos mais citados artigos sobre economia em todos os tempos. A relevância dos trabalhos interdisciplinares, como em Albert Hirschman, por exemplo, é cada vez mais amplamente reconhecida.

O livro que o leitor terá em mãos, ou em sua tela, é uma tentativa de mostrar que talvez as interações entre economistas, cientistas sociais/políticos, historiadores e advogados possam gerar perspectivas que cada disciplina, por si só, é incapaz de prover. Cabe ao leitor julgar se a tentativa foi exitosa, em especial no sentido de entender um pouco mais a longa e árdua jornada que nos trouxe até onde estamos, após 130 anos de busca por uma República digna desse nome.

 

*Pedro Malan foi ministro da Fazenda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, presidiu o Banco Central na implementação do Plano Real e foi o negociador responsável pela reestruturação da dívida externa brasileira no início da década de 1990. É autor de Uma certa ideia de Brasil: entre passado e futuro e um dos organizadores de 130 anos: Em busca da República.

testeLançamentos de junho

Confira os lançamentos do mês!

Mister, E L James

A autora de Cinquenta tons de cinza está de volta! Desta vez, após ultrapassar a marca de 7 milhões de livros vendidos no Brasil, E L James vai nos apresentar a Maxim Trevelyan.

Rico, bonito, solteiro e herdeiro de um título de nobreza, assim como de todas as propriedades da família Trevelyan, Maxim é um inglês irresistível e cobiçado. Quando conhece a enigmática Alessia, sua nova diarista, ele vai enfrentar um desafio muito maior do que as responsabilidades de um conde: vai se apaixonar perdidamente.

Uma história de amor repleta de romance, ação e suspense, com toques de Cinderela do século XXI e o inconfundível estilo sedutor de E L James, Mister promete arrebatar o coração dos leitores neste mês dos namorados.

O livro chega às livrarias no dia 7 de junho.

 

Este é o mar, Mariana Enriquez

Em Este é o mar, segundo livro de Mariana Enriquez publicado pela Intrínseca, a escritora argentina constrói um universo sombrio onde se tornar uma verdadeira lenda do rock envolve entregar a própria vida a seres mitológicos femininos, as Luminosas.

Helena é uma das responsáveis por manter a engrenagem do fanatismo a todo vapor, incitando os jovens fãs humanos a darem tudo de si e a consumirem seu ídolo. Para se se tornar uma Luminosa, ela precisa criar uma nova Lenda. Agora, sua missão é eternizar James Evans, o vocalista da banda Fallen – uma tarefa difícil em meio a uma era em que o sucesso é cada vez mais passageiro.

Mariana Enriquez participará da 17ª Flip, festival literário que acontecerá de 10 a 14 de julho em Paraty, no Rio de Janeiro. Veja a programação completa aqui.

Este é o mar chega às livrarias em 6 de junho.

 

Noite em Caracas, Karina Sainz Borgo

Também autora convidada da 17ª Flip, esse é o primeiro romance de Karina Sainz Borgo.

Em Noite em Caracas acompanhamos a saga de Adelaide Falcón, uma mulher que enfrenta situações extremas, enquanto precisa aceitar a ausência definitiva da mãe homônima, em um país que também desaparece aos poucos. Com uma narrativa que mistura as lembranças de um passado não muito distante e um presente no qual resistir é um ato de amor e coragem, o livro é uma história poderosa e muito emocionante.

Noite em Caracas chega às livrarias em 10 de junho.

 

130 Anos: Em busca da República, Edmar Bacha, José Murilo de Carvalho, Joaquim Falcão, Marcelo Trindade, Pedro Malan e Simon Schwartzman (organizadores)

No dia 15 de novembro comemoraremos 130 anos da Proclamação da República no Brasil. Para analisar esses mais de cem anos de história, 38 pensadores brasileiros identificam os desafios, avanços e retrocessos da nossa República em textos curtos e escritos de forma acessível ao grande público.

Cada capítulo do livro cobre uma década e é composto por três textos que privilegiam um dos eixos temáticos: sociedade e política; Estado e direito; e governo e economia.

Através da ótica dos principais economistas, cientistas sociais e advogados do Brasil, o leitor poderá juntar as peças do mosaico apresentado e entender o processo que culminou com a República como a conhecemos em 2019 e os desafios que se anunciam para o futuro.

130 anos: em busca da república chega às livrarias em 25 de junho.

 

E se fosse a gente?, Becky Albertalli e Adam Silvera

Becky Albertalli, autora do fofíssimo Com amor, Simon, se une a Adam Silvera para contar uma nova história de amor inesquecível.

Arthur está de férias em Nova York e acredita que ainda vai viver uma aventura digna de um musical da Broadway antes de voltar para casa. Já Ben acabou de passar por seu primeiro término. Ele só quer dar um tempo no drama e seguir em frente, mas antes precisa se livrar da caixa com todas as lembranças do ex-namorado.

Quando eles se conhecem em uma agência dos correios, parece que o universo está mandando um recado. Mas será? E se a vida não for como os musicais e os dois não estiverem destinados a ficar juntos? E se estiverem? Só temos uma certeza: você vai amar esse livro!

E se fosse a gente? já teve os direitos de adaptação comprados e chega às livrarias no dia 18 de junho.

 

Ponti, Sharlene Teo

Ambientado na eletrizante Cingapura, a autora estreante Sharlene Teo narra uma história sobre amizade e memória no breve espaço de algumas décadas.

Szu é uma adolescente solitária que vive à sombra da mãe, Amisa, uma ex-atriz fracassada. Quando Szu conhece Circe, as duas começam uma intensa amizade, até algo dar muito errado. Através da perspectiva dessas três mulheres, Ponti nos mostra a história sobre a relação delas, sedimentada pela solidão.

Os assinantes do intrínsecos, o clube do livro da Intrínseca, receberam uma edição exclusiva do livro antes de todo mundo. Agora, Ponti chega às livrarias no dia 17 de junho.