testeA vida mentirosa dos adultos, novo livro de Elena Ferrante, chega ao Brasil em setembro

Uma das maiores vozes da literatura contemporânea, cuja identidade permanece em segredo, Elena Ferrante retorna com seu primeiro romance em cinco anos.

A vida mentirosa dos adultos, que teria lançamento simultâneo em mais de 20 países no mês de junho, teve a data de publicação postergada para setembro de 2020. No Brasil, a obra chegará às livrarias brasileiras pela Intrínseca.

Ferrante é autora da Tetralogia Napolitana, que vendeu mais de 12 milhões de exemplares em todo o mundo e deu origem à série A amiga genial, da HBO. Ela também assina romances já publicados pela Intrínseca, entre eles A filha perdidaUm amor incômodo e Uma noite na praia, além do livro de não ficção Frantumaglia. Em suas obras, ela explora os conflitantes, e por vezes perturbadores, sentimentos que perpassam a maternidade, o casamento e as relações femininas.

Sobre a mudança de data de publicação do novo livro, Eva Ferri, publisher italiana de Ferrante, compartilha sua comoção com os leitores:

“Todos queremos que os leitores vivam a experiência plena da alegria deste lançamento ― juntos, nas livrarias, com seus livreiros de confiança. E é mais provável que isso  aconteça em setembro, quando o mercado mundial estará mais forte. Estimo muitíssimo os esforços e a compreensão de todos os editores ao redor do mundo que se juntam a nós neste lançamento. A vida mentirosa dos adultos é uma história sobre amadurecimento e creio que, depois desta experiência, todos teremos amadurecido um pouco e aprendido muito. Espero ansiosamente o momento de celebrar isso, e o livro da Elena, com todos ao redor do mundo.”

O novo livro narra o crescimento de Giovanna, uma jovem moradora de um respeitável bairro de classe média de Nápoles, no período de seus 12 a 16 anos. Ambientado na década de 1990, A vida mentirosa dos adultos se inicia com um comentário do pai de Giovanna, que compara a falta de beleza da filha com a de Vittoria, tia da menina, sua irmã. Figura lendária na família e afastada do convívio de seu núcleo por motivos incertos, Vittoria desperta a curiosidade de Giovanna, que hesita entre considerar o comentário um insulto, uma condenação ou uma profecia. Explorando as periferias de Nápoles, ela parte em busca dessa mulher misteriosa.

Leia um trecho:

“Dois anos antes de sair de casa, meu pai disse à minha mãe que eu era muito feia. A  frase foi  proferida entre sussurros, no apartamento que os dois, recém-casados, haviam comprado em Rione Alto, no início da Via San Giacomo dei Capri. Tudo ― as ruas de Nápoles, a luz azul de um fevereiro muito frio, aquelas palavras ― permanece inalterado. Mas eu escapei, ainda estou escapando, através destas linhas cuja intenção é delinear a minha história, mesmo que na verdade eu não seja nada, nada que me pertença, nada que tenha começado de verdade ou sido levado a cabo: apenas um nó cego, e que ninguém, nem mesmo a pessoa que neste momento escreve, saiba dizer se esse nó contém o fio certo para guiar uma história ou se não passa de uma confusão embolada de sofrimentos, sem redenção.”

 

Na trama, acompanhamos Giovanna percorrer a transição crucial entre a juventude e a vida adulta, quando verdades e lições de vida são evidenciadas, algumas vezes de forma dolorosa. A vida mentirosa dos adultos é uma cativante história sobre o que ganhamos e perdemos com a passagem do tempo.

Conheça os livros da autora

 

testeThe Outsiders: Vidas sem rumo retorna às livrarias em edição de luxo

Clássico de S. E. Hinton estará disponível a partir de 16 de abril

O ano é 1967, e S. E. Hinton, uma menina de apenas 17 anos, está prestes a lançar seu primeiro livro, The Outsiders: Vidas sem rumo. A história de Ponyboy e seus amigos começou a ser escrita quando a autora tinha 15, mas talvez a ideia estivesse em sua mente muito tempo antes disso.

Hinton era de família humilde e, quando subitamente foi transferida para uma sala com alunos de classe média, descobriu que havia na escola uma tensão social muito maior do que imaginara. Você conhece essa história, talvez já tenha vivido isso, mas para a autora foi um choque de realidade. Um choque pior ainda foi quando um de seus amigos levou uma surra apenas por ser pobre. Dessa indignação nasceu a trama sobre a eterna rivalidade entre os Greasers, jovens pobres e delinquentes, que amam seus cabelos com brilhantina e protegem seu bando custe o que custar, e os Socs, riquinhos que têm todas as oportunidades do mundo e conseguem se safar das piores situações.

The Outsiders: Vidas sem rumo revolucionou a literatura jovem e passou a ser adotado em muitas escolas. Uma história complexa e profunda sobre uma juventude marginalizada em um cotidiano sombrio e violento, o livro conquistou de adolescentes a professores, de presidiários a policiais, de assistentes sociais a avós.

Da esquerda para a direita: Tom Cruise, Rob Lowe, C. Thomas Howell, Matt Dillon, Ralph Macchio, Emilio Estevez e Patrick Swayze

O sucesso foi tanto que, anos depois, Francis Ford Coppola, diretor de obras-primas como O Poderoso Chefão e Apocalypse Now, recebeu um exemplar do livro junto a uma carta assinada por 300 alunos de uma escola da Califórnia. Nela, eles imploravam que ele adaptasse o livro de Hinton para as telas de cinema. A história sobre jovens rebeldes da década de 1960 não se parecia em nada com que o consagrado diretor já havia feito em sua carreira, mas ele aceitou o desafio e, em 1983, Vidas Sem Rumo chegava aos cinemas com elenco estrelar (contando com nomes como Patrick Swayze, Tom Cruise e Matt Dillon, ainda em início de carreira).

Mais de cinquenta anos se passaram desde a publicação do livro de Hinton, mas a gangue de Ponyboy, Sodapop e cia continua inspirando gerações. Agora, o livro está de volta às livrarias brasileiras em uma edição de luxo com capa dura, pintura trilateral, ilustrações e imagens dos bastidores do filme. A edição conta ainda com uma carta da autora e prefácio de Ana Maria Bahiana.

Mesmo que os anos tenham passado e os nomes tenham mudado, a eterna rivalidade entre grupo de jovens permanece viva até hoje, seja entre os alunos de escola pública e os de escola particular ou entre CDFs e valentões — se sentir deslocado é uma experiência universal.

testeLivro sobre a gripe espanhola chega às livrarias em maio

Entre os anos de 1918 e 1920, a humanidade viveu aquela que até hoje é considerada uma das pandemias mais mortais de todos os tempos. Um novo vírus influenza, até então restrito às aves, passou a se manifestar em humanos e se espalhou rapidamente, infectando milhões de pessoas. A hipótese mais aceita é a de que o vírus tenha se originado no Kansas, nos Estados Unidos, porém, durante a Primeira Guerra Mundial, o continente europeu foi quem sofreu o maior impacto. Estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas tenham morrido daquela que entraria para a história como gripe espanhola.

No livro A grande gripe, o historiador e pesquisador John M. Barry descreve os eventos que desencadearam o surto da doença, mostrando os esforços da comunidade científica para combatê-la. Além disso, faz uma análise extremamente atual sobre como situações desse tipo estão diretamente relacionadas à política, ao poder, à ciência e, em especial, ao acesso à informação.

Confira aqui a reportagem feita pelo Fantástico, com entrevista do autor.

A obra, premiada pela Academia Nacional de Ciência do Estados Unidos, chega às livrarias em 18 de maio, mas você já pode garantir seu exemplar em pré-venda.

testeLivros digitais gratuitos para baixar

Quando passamos muito tempo dentro de casa, precisamos criar ou fortalecer hábitos para nos tranquilizarmos. A leitura é uma ótima pedida para quem procura isso e, em tempos tão incertos, esse hábito se torna essencial.

Pensando nisso, reunimos alguns e-books e contos que você pode ler de graça. Confira:

Belgravia: Dançando para a batalha, de Julian Fellowes

Do criador de Downton Abbey, Julian Fellowes, Belgravia tem início no famoso baile oferecido em Bruxelas na véspera da Batalha de Waterloo, em 1815.

Durante a festa, interrompida pela iminência do confronto que resultaria na derrota da França e na morte de milhares de oficiais, somos apresentados a James Trenchard, comerciante que fez fortuna negociando suprimentos em tempos de guerra, e sua bela filha Sophia.

A garota é objeto das atenções do jovem oficial Edmund Bellasis, herdeiro de uma família de nobres britânicos. Ao fim do baile, uma revelação envolvendo o rapaz e Sophia terá impacto sobre o destino de todos os personagens da trama e terá repercussões vinte e cinco anos depois, quando as duas famílias se encontrarem no bairro de Belgravia.

Divida em 11 capítulos publicados semanalmente, a saga recriou a experiência de acompanhar um folhetim vitoriano. Você pode conferir o primeiro gratuitamente aqui.

 

Aqueles tempos, de Edney Silvestre

Em Aqueles tempos, Edney Silvestre abre os arquivos de suas pesquisas e apresenta um pouco mais do universo criado no livro Vidas provisórias.

No e-book gratuito, o autor explora suas inspirações para a trama de Paulo e Barbara, dois imigrantes brasileiros, forçados a deixar o país em momentos históricos diferentes.

Em 1970, Paulo é perseguido pela ditadura militar e foge do país para escapar da prisão e da tortura. Já Barbara parte em 1991, com medo da crescente violência urbana, e instala-se nos Estados Unidos como imigrante ilegal.

O vencedor do Prêmio Jabuti 2010 de Melhor Romance também explica como entrelaçou a própria história com a trama do livro, falando sobre sua prisão durante a ditadura militar e os doze anos que passou nos Estados Unidos atuando como correspondente internacional.

Baixe o e-book gratuitamente.

 

Excesso de luz, de Christian McKay Heidicker

O conto do autor de Bem-vindo à vida real apresenta três crianças que decidem investigar uma casa misteriosa no fim da rua. Os moradores são conhecidos apenas por “sr. e sra. C.”, pois a letra é a única identificação na caixa de correio, e nunca foram vistos pelos vizinhos.

A casa é tão estranha quanto seus donos, e é revestida de materiais esquisitos, como mantas de isolamento térmico. Olhando de fora, mais parece uma embarcação pronta para zarpar do que uma casa.

Quando, certa noite, os três amigos tomam coragem e entram na casa, eles conhecem a sra. C. e desvendam o mistério por trás daqueles vizinhos tão diferentes, mas vão precisar tomar uma decisão muito, muito importante.

Baixe o e-book gratuitamente.

 

Sal, um prólogo, de Leticia Wierzchowski

Em seu romance Sal, Leticia Wierzchowski entrelaça oito vozes, sob oito perspectivas diferentes, para compor os integrantes da família Godoy, que tem a rotina permanentemente rompida após a chegada de um forasteiro na afastada ilhota em que residem.

Os leitores podem conhecer esses personagens no e-book gratuito Sal, um prólogo. Leticia Wierzchowski delega aos próprios personagens a tarefa de apresentar seus pares — e acrescenta novas vozes e cores à história.

São 12 textos extras que esmiúçam a trajetória de uma família; 12 exemplares da linguagem poética e delicada da escritora premiada de 11 romances — entre eles A casa das sete mulheres, cuja adaptação produzida pela TV Globo foi exibida em mais de 30 países.

 

Mentes sombrias: No último minuto, de Alexandra Bracken

Em Mentes sombrias, crianças do mundo inteiro adquiriram misteriosas e perigosas habilidades psíquicas. Consideradas um risco para a sociedade, foram encaminhadas pelo governo para centros de reabilitação.

Ruby vive presa há seis anos no mais cruel centro conhecido, mas, quando seu poder se torna uma ameaça, ela foge e se une a Liam, Zu e Bolota para tentar sobreviver.

O emocionante final do livro nos deixa com uma questão: o que aconteceu com a nossa adorada Zu? Para solucionar esse mistério, a autora Alexandra Bracken escreveu o conto No último minuto, em que podemos acompanhar um pouco mais a jornada da jovem.

Além de tudo, embarcamos na história de um novo personagem: Gabe. Ao ver a família arruinada pela crise, o rapaz decide arriscar a vida para se tornar um rastreador, entregando as aberrações para as autoridades.

Mas, quando captura uma habilidosa menina capaz de controlar a eletricidade, passa a enxergar aquela sombria realidade por outros olhos.

Baixe o e-book gratuitamente.

 

Como (não) planejar um casamento, de Clara Savelli

Angélica finalmente vai se casar com o amor da sua vida. Depois de namorar Marcos por uma década, eles resolveram juntar as escovas de dentes. Mas nem tudo são flores.

Ela não tem a menor dúvida de que vai surtar durante a organização do casamento, ainda mais diante das altas expectativas da família para que o evento seja grandioso e inesquecível. Por isso, os dois pombinhos decidem… fugir!

Eles procuram uma agência de viagens para realizar o casório secreto. Quando tudo começa a sair do controle, Angélica se dá conta de que nenhuma de suas listas de tarefas será suficiente. Mas talvez o melhor caminho para a felicidade não precise de roteiro.

Ambientado no mesmo universo de seu livro As férias da minha vida, Clara Savelli encanta os leitores com essa divertida e romântica história disponível gratuitamente na plataforma Wattpad.

Leia Como (não) planejar um casamento no Wattpad

 

Diga AXIOMA e sorria, de Felipe Castilho

 

Inspirado no livro Recursão, de Blake Crouch, Felipe Castilho, autor de A Ordem Vermelha e Serpentário, imagina um futuro opressor em que nossos pensamentos são compartilhados com todos ao nosso redor.

No conto inédito, a quantidade exorbitante — e atordoante — de informações cria uma sinfonia caótica na mente dos moradores de uma São Paulo distópica.

Leia Diga AXIOMA e sorria no blog.

 

BÔNUS: e-books com precinho camarada

Se você é fã de Rick Riordan vai adorar conhecer três histórias do autor com preços incríveis.

Lançados especialmente em e-book, O Filho de Sobek, O Cajado de Serápis e A Coroa de Ptolomeu entrelaçam duas séries de Rick Riordan. Quando um monstro egípcio começa a atacar os semideuses gregos. Percy Jackson, Annabeth Chase, Sadie Kane e Carter Kane precisarão se unir para descobrir o motivo.

Confira O Filho de Sobek

Confira O Cajado de Serápis

Confira A Coroa de Ptolomeu

testeUm passeio pela Alemanha de Liesel Meminger

* Por Letícia V.

 

Quando você lê A menina que roubava livros pela primeira vez, constrói um retrato da Alemanha na cabeça: a estação de trem, as casas, as pessoas, as praças… Foi o que aconteceu comigo. Aos 13 anos, fui apresentada a Liesel e a uma Alemanha que combinava muito com a dos meus livros de História, mas que me tocava de uma maneira diferente. Aos 25, eu estava em pé no meio da praça onde o meu livro favorito começou.

Em 1933, Adolf Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha e passou a ser a autoridade máxima do país. Diversos atos de censura resultaram dessa ascensão do Partido Nazista, mas um dos mais famosos foi a Bücherverbrennung, ou, em português, a queima de livros. As obras de autores perseguidos pelo regime ou que de alguma forma eram entendidas como “contra o ideal alemão” foram entregues pela população e atiradas em uma grande fogueira acesa na Opernplatz, em Berlim. Estima-se que mais de 20 mil livros tenham sido queimados naquela praça, incluindo os trabalhos de Albert Einstein, Sigmund Freud e Karl Marx. Esse atentado à cultura foi tão marcante que até hoje é retratado em livros, filmes e letras de música, um claro exemplo de erro do passado que não podemos deixar que se  repita no presente e no futuro.

Motivada pela combinação das aulas de História da escola com a literatura e o cinema, preparei minha viagem a Berlim, coloquei a Liesel na mala e saí para explorar o lugar onde ela viveu. Dois passos pela capital alemã foram suficientes para uma constatação assombrosa: embora a célebre rua Himmel e a cidade de Molching sejam fictícias, a história é assustadoramente real. E toda essa realidade me atingiu em cheio quando, em um dos passeios aleatórios pelas ruas, me deparei com uma placa que dizia:

“No meio desta praça, em 10 de maio de 1933, estudantes nazistas queimaram as obras de centenas de escritores, publicitários, filósofos e cientistas.

Sem grandes aglomerações ou alarde, aquela praça despretensiosa cercada de prédios acadêmicos se revelou o palco de algo inesquecível. Com um novo nome, Bebelplatz, a única forma de entender tudo que ela representa é olhando para o chão, onde dois memoriais à Bücherverbrennung deixam todo mundo sem palavras. O primeiro deles é a placa em metal, que além dos dizeres acima trazia a citação de Henrich Heine: “Onde se queimam livros, acabam-se queimando pessoas.” O segundo era um vidro no chão através do qual se vê uma sala subterrânea de estantes com prateleiras vazias. Não havia placa ou explicação nessa parte, nem seria preciso.

(Fonte da foto)

Olhando de longe, uma cena se formou na minha cabeça. Uma fogueira de livros, uma menina assustada, um livro com as bordas tomadas pela fuligem. Depois de vários dias visitando as diversas faces da história alemã, ver a Bebelplatz me trouxe um pouco para casa. Para o primeiro grande livro que eu li. Para as lágrimas que não fiz questão de segurar nas últimas páginas. Para a entrevista que me fez trabalhar na editora que é a casa da Liesel no Brasil. Para os livros e tudo o que eles representam. Uma das coisas que mais me encantam em estudar ou ler sobre História é justamente que muitas vezes ela ainda está lá. Em forma de memorial, em fotos, em relatos, em exemplos. Quando Markus Zusak criou Liesel, Hans, Rosa, Rudy e Max em A menina que roubava livros, ele mostrou que mesmo em meio a um dos períodos mais repugnantes da História ainda existia família, amor, amizade, coragem e esperança. Um lembrete importante para quando a realidade assusta.

Eu embarquei nessa aventura com mil planos, um A menina que roubava livros na mala e muita vontade de entender um pouco melhor esse capítulo nebuloso da História. Quando voltei, o livro continuava na mala, o celular estava repleto de fotos e uma certeza absoluta havia se firmado na minha cabeça: tem muita coisa nesse mundo que não podemos esquecer, e se as memórias começarem a sumir com o tempo, sempre teremos os livros para nos lembrar delas.  

 

* Letícia trabalha no marketing da Intrínseca, ama livros históricos e sonha em viajar pelo mundo conhecendo os cenários das histórias que lê.

teste3 livros essenciais sobre transtornos mentais em tempo de isolamento social

De repente, de um dia para o outro, nos percebemos lavando, incessantemente, tudo: mãos, braços, cabeças, pés, paredes, sacolas, alimentos e roupas. Diversas vezes ao dia. Durante muito tempo. O espaço tão íntimo e acolhedor da nossa casa virou um lugar de angústia, medo, raiva e tristeza. Os planos, as certezas e as rotinas escorreram pelo ralo junto com toda a sujeira, muitas vezes, invisível, que insistimos, corretamente, em lavar.

Muito se fala da importância do isolamento social para evitar a propagação da doença. Pouco se fala, porém, sobre as questões derivadas e as consequências do estar sozinho, do ficar em casa e de como isso tudo pode afetar a nossa saúde mental. Pensando nisso, separamos três livros lançados pela Intrínseca que tocam em temas como depressão, suicídio e ansiedade, assuntos tão importantes no momento atual.

 

1) Alucinadamente feliz

Um livro engraçado sobre coisas horríveis. É assim que a autora Jenny Lawson descreve a própria história. Depressiva, colecionadora de transtornos mentais, entre eles ansiedade grave, depressão e tricotilomania (compulsão em arrancar cabelos), ela nos mostra que a sua vida, somente por essa perspectiva, poderia parecer um fardo insustentável. Mas não é.

É de uma amiga de Jenny Lawson a incrível Teoria da Colher. Funciona assim: todo dia, você acorda e ganha um monte de colheres. E tudo que você for fazendo até dormir à noite, seja levantar, escovar os dentes, trabalhar e tantas outras coisas, você gasta uma delas. Não é preciso se preocupar com quantas colheres você usa, porque todo dia de manhã chega um novo carregamento. Ou não. A questão é que quando estamos doentes ou passando por situações difíceis, não recebemos o mesmo número de colheres que nos dias normais. E quem tem doenças crônicas ou sofre de transtornos mentais recebe menos ainda, podendo até, em determinados dias, não receber nenhuma nova, descobrindo, ao acordar, que só tem para o dia de hoje as colheres que talvez tenham sobrado do dia anterior.

A Teoria da Colher é só um dos tantos exemplos que Jenny nos dá de sua vida, que parece doida, mas que reflete muito o que passa na cabeça de muitos de nós. A autora descobre uma forma de tentar anular a dor que sente ao querer diariamente – e com a mesma intensidade – ser alucinadamente feliz.

Assim, ela cria uma série de experiências hilárias, ridículas e relacionáveis, a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. Em tempos de isolamento e angústia, Jenny pode nos ensinar a rir de nós mesmos e a encontrarmos um equilíbrio insano para lidarmos com mais uma das consequências imprevisíveis desta epidemia: a forte escassez de colheres no mundo inteiro.

 

2) Razões para continuar vivo

Já sabemos como o COVID-19 mata. Até o momento em que este texto foi escrito são 37.582 mortes em todo o planeta, sendo 159 apenas no Brasil. O que pouco se fala – ainda – é do alto índice de suicídios derivados da epidemia. O terror oprime e todo dia aumenta o número de pessoas que tiraram suas vidas para não ter de enfrentar a doença.

Em Razões para continuar vivo, Matt Haig conta a história de quando quase se matou aos 24 anos. Em meio à neblina da depressão, caminhou até a beirada de um precipício perto da sua casa e tentou reunir a coragem necessária para pular. Mas não..  Em vez disso, recuou e vomitou tudo o que estava sentindo.

Ao intercalar episódios dos anos que sofreu com a depressão e diálogos internos entre o eu do passado e do presente, listas breves das atividades que o ajudaram, tuítes de leitores, além de dados sobre a doença, o autor constrói uma obra única e delicada.

Aos 24 anos Matt achou que não fosse sobreviver. Hoje vive feliz, cercado de pessoas que ama, e fazendo o que mais gosta: escrever. Ele ficou feliz por não ter se suicidado, mas continuou se perguntando se havia alguma coisa que pudesse ser dita às pessoas que estão passando por momento similar ao dele à época. Mais que uma obra de memórias, Razões para continuar vivo é uma análise comovente, atual e necessária de alguém que enfrentou a depressão e aprendeu a conviver com ela.

 

3) O lado bom da vida 

Lançado em 2013 e com mais de seiscentos mil exemplares vendidos só no Brasil, O lado bom da vida narra a história tumultuada de Pat Peoples, um professor que retorna ao lar após passar uma temporada em uma clínica psiquiátrica. Ele acredita que para ter sua vida “normal” de volta precisa seguir uma nova filosofia, que inclui algumas obsessões: entrar em forma, ser gentil e fazer de tudo para se reconciliar com sua ex-mulher, Nikki.

No meio de tudo isso, seu caminho se cruza com o de Tiffany, uma mulher deprimida e instável que perdeu o marido recentemente. Juntos, os dois descobrem coisas em comum, e decidem se apoiar no processo de recuperação. Para isso, ela o convence a participar de um concurso de dança de salão com a justificativa de que trabalhariam melhor a disciplina e o tempo que ambos dispõem.

A obra, adaptada para o cinema pelo diretor David O. Russel, e estrelada por Bradley Cooper, Robert de Niro e Jennifer Lawrence, concorreu em oito categorias do Oscar de 2013, entre elas, melhor filme e melhor atriz, esta última vencida pela atriz.

Problemas para superar o passado, necessidade de controlar o tempo, oscilações de humor e ansiedade. Alguém aí reconheceu alguns destes sintomas olhando para as últimas semanas? O lado bom da vida consegue transmitir com bom humor os momentos tocantes e complicados do dia a dia de quem quer seguir em frente em meio a todas as dificuldades, sejam elas antigas ou muito atuais.

testeMemórias e viagens no tempo: 5 filmes para você assistir agora

Bem agora, neste momento, você está viajando no tempo. Ou melhor, viajando através do tempo. Apesar de estarmos sempre caminhando em direção ao futuro, é muito comum vermos filmes sobre viagens ao passado – seja para alterá-lo ou para revivermos os nossos piores erros e arrependimentos.

Em Recursão, aprendemos que o tempo é como um livro: cada página é um momento diferente e nossa mente só consegue entender um episódio por vez. Mas se o tempo é só uma ilusão construída pela memória, o que acontece quando misturamos esses dois conceitos?

Na lista abaixo, escolhemos 5 filmes que falam dessa simbiose entre memória e tempo para você assistir agora mesmo.

 

Efeito Borboleta (2004)

Um clássico é sempre um clássico. O longa estrelado por Ashton Kutcher é um dos filmes de viagem no tempo mais famosos dos últimos anos e um dos mais polêmicos quando se trata de finais alternativos – o longa teve três opções presentes em seu material extra.

Efeito Borboleta conta a história de Evan (Ashton Kutcher), um garoto que sofre com vários apagões desde pequeno, sem jamais lembrar o motivo dos desmaios. Já na faculdade, ele recupera um diário antigo e percebe que, ao se recordar de um acontecimento, ele tem o poder de voltar a esse dia e refazer sua história. É por isso que ele sempre tinha apagões: eram colunas em branco de suas viagens do futuro.

Assim, o personagem decide consertar sua vida e desfazer todos os erros e traumas de sua jornada. Mas aos poucos ele percebe que alterar algo no passado, mesmo algo que pareça insignificante, pode comprometer todo o seu futuro. Efeito Borboleta fez muito sucesso  no início dos anos 2000, e quando chegou às locadoras era quase impossível encontrar um DVD disponível para alugar.

Ah, e lembra que falamos sobre os finais alternativos? Todos eles mostram uma possibilidade para a decisão final de Evan, mas um deles é o mais chocante de todos: o protagonista volta à sua primeira memória, de quando ele ainda estava na barriga da mãe, e se mata, evitando assim toda a cadeia de eventos posteriores. Sinistro…

Onde assistir: HBO Go

 

Corra, Lola, Corra (1998)

Ao contrário de Efeito Borboleta, esse filme alemão não ficou tão conhecido por aqui,mas seu ritmo é igualmente eletrizante. A história começa quando Lola (Franka Potente) recebe a ligação do namorado, Manny, com uma notícia terrível: ele está devendo dinheiro a traficantes e não tem como pagar. Seu tempo está acabando, e se ele não arrumar a grana em 20 minutos, vai assaltar o mercadinho mais próximo. Lola então sai correndo de casa em uma busca frenética por dinheiro em uma verdadeira corrida contra o relógio.

Mas e a viagem no tempo? Um pequeno spoiler: Lola falha na primeira tentativa. Mas, quando isso acontece, ela consegue voltar ao início com todas as memórias da corrida anterior e pode tentar um futuro diferente.

Corra, Lola, corra é um filme frenético, cheio de adrenalina e com uma trilha sonora hipnotizante. Sem sombra de dúvidas, uma experiência única para o espectador.

Onde assistir: Apple iTunes e Microsoft Store

 

Questão de tempo (2013)

Quando Tim (Domhnall Gleeson) completa 21 anos, seu pai lhe conta um segredo: todos os homens da família são capazes de viajar no tempo. Para isso, basta ir a um lugar escuro, se concentrar em uma memória e pronto: quando ele abrisse novamente os olhos, estaria de volta àquele momento do passado.

Anos mais tarde, Tim se muda para Londres e conhece Mary (Rachel McAdams), o amor da sua vida. Mas logo ele percebe que alterar o passado pode custar mais caro do que jamais imaginou.

Questão de tempo é um filme sensível e delicado sobre vida e família, uma comédia romântica que com certeza te levará às lágrimas em vários momentos — lágrimas de alegria ou de tristeza.

Onde assistir: Telecine Play, Globo Play, Apple iTunes e Google Play

 

No Limite do Amanhã (2014)

Viva. Morra. Repita.

Essa foi a chamada usada para a divulgação de No Limite do Amanhã, filme de Doug Liman estrelado por Tom Cruise e Emily Blunt. Na trama, depois de anos em guerra contra uma raça alienígena, o major William Cage vai para Londres e acaba sendo enviado erroneamente ao campo de batalha. Lá, ele é mortalmente ferido durante uma explosão e morre.

E então ele acorda.

Novamente na base militar, Cage logo percebe que, todas as vezes que morre, também é jogado de volta a esse momento no tempo e ganha mais uma chance na terrível luta pela humanidade. Aos poucos, ele traça a estratégia que pode lhe garantir a vitória e, ao conhecer a guerreira Rita Vrataski, decide ir até o fim — custe quantas vidas (dele) custar.

Um ótimo filme de ação cheio de reviravoltas eletrizantes!

Onde assistir: Apple iTunes, Microsoft Store e Google Play

 

The Discovery (2017)

Quando o cientista Thomas Harbor (Robert Redford) comprova a existência da vida após a morte, o mundo vira um verdadeiro caos, já que parte da população decide se suicidar em busca de uma “vida” melhor.

Amargurado com a lembrança do suicídio da própria mãe, Will (Jason Segel), filho de Thomas, decide ir até a casa do pai para confrontar essa descoberta. No caminho, ele conhece Isla (Rooney Mara), uma mulher misteriosa e cheia de problemas que muda por completo sua percepção de vida, futuro e passado.

The Discovery é um filme instigante sobre memórias e arrependimentos, uma daquelas histórias capazes de te deixar pensando no final por semanas.

Onde assistir: Netflix

testeCinco maneiras divertidas de estimular a criatividade em casa

A gente acredita que a criatividade surge nos momentos mais inesperados, e esse pode ser o momento certo para você explorar seu lado artístico. Se você já não sabe mais o que fazer dentro de casa, confira a lista que reunimos com atividades divertidas para se distrair e liberar toda a sua energia criativa:

 

1) Comece um bullet journal

Manter um diário é uma das formas mais baratas de aliviar o estresse e esvaziar a mente. Se você tem dificuldade, comece fazendo algo pequeno. Pegue um caderninho esquecido e escreva qualquer coisa. Não precisa fazer sentido. Aos poucos crie metas como: “hoje vou escrever sobre o último filme que vi” ou “vou criar uma lista com as minhas comidas favoritas”. Faça desenhos, use washi tapes para decorar, adesivos, canetas coloridas e tcharã, você estará journaling sem nem perceber.

 

2) Responda Uma pergunta por dia

Para quem tem dificuldade em se soltar e pensar em assuntos sobre os quais escrever num bullet journal, uma boa dica é começar com um diário que já tem perguntas. O livro Uma pergunta por dia é perfeito para isso, pois, como o nome sugere, cada página vem com um questionamento, como por exemplo: “Se você fosse personagem de um livro, quem seria?” ou “Escreva a primeira linha da sua autobiografia”. Ele permite que você registre cinco anos da sua vida, e é um exercício excelente para refletir sobre si mesmo.

 

3) Aprenda a fazer origami

O origami é uma das formas de arte mais antigas do mundo, e muitos estudiosos acreditam que ela surgiu junto da sua matéria-prima, o papel. Criado no Japão, o origami fazia parte de cerimônias religiosas, representando divindades japonesas adoradas por todos. Por isso, existiam muitas regras que ao longo dos anos foram se flexibilizando. Atualmente, o tsuro é um dos formatos mais populares, e ele representa um pássaro da família das garças e cegonhas, um símbolo de saúde e fortuna. Existem vários tutoriais na internet e basta um pedacinho de papel para praticar essa arte milenar!

 

4) Destrua suas criações

Destruir também é criar! Ao longo da história da arte sempre existiram muitas regras, e a única forma de “andar para a frente” encontrada pela maioria dos artistas era romper com as convenções. Os expressionistas, os dadaístas, os surrealistas e diversos outros movimentos artísticos tiveram essa característica. Por isso, uma ótima maneira de honrar o legado da criatividade no mundo é se libertar de qualquer tipo de inibição, e com Destrua este diário isso fica bem mais fácil. A proposta do livro é questionar a forma como lidamos com os objetos, propondo atividades muito inusitadas e divertidas como “despejar café no livro” ou “calçá-lo como um tênis”.

 

5) Volte a colorir

Muita gente ainda acredita que essa é uma atividade reservada às crianças, mas colorir é uma das formas mais eficazes de relaxar. Outro beneficio interessante é melhorar a sua precisão e coordenação motora. Existem diversos livros para isso, com páginas e páginas de atividades para todas as idades, mas também é possível baixar ilustrações na internet de vários artistas bem legais. Você pode usar lápis de cor, canetinhas hidrocor, aquarela, tinta… O importante é deixar a criatividade correr solta!

 

Você tem alguma dica para incentivar a criatividade? Conta para a gente nos comentários!

testeCinco casos de crimes bizarros não solucionados – Parte 2

 

Se crimes já causam arrepios, os casos não solucionados aumentam ainda mais essa sensação. Depois do sucesso da lista dos Cinco casos bizarros não solucionados, criamos a segunda parte com mais cinco casos que permanecem um mistério até hoje. Recomendamos que leia com as luzes acesas!

 

1. Os homens das máscaras de chumbo

Em agosto de 1966, dois corpos parcialmente decompostos foram encontrados no Morro do Vintém, em Niterói. Eram dois homens que vestiam máscaras feitas de chumbo, usadas normalmente como proteção contra radiação, e carregavam um bloco de anotações com símbolos, números e um bilhete enigmático. Apesar das investigações, nunca foi possível determinar a causa das mortes, o que gerou diversas teorias que vão desde overdose de drogas alucinógenas até contato com vida extraterrestre. O que realmente aconteceu a Miguel e Manoel naquele dia, contudo, permanece um dos mais famosos mistérios criminais do Brasil.

 

2. O desaparecimento da família Jamison

Bobby, Sherilynn e sua filha de três anos, Madyson, desapareceram em outubro de 2009 no estado de Oklahoma, nos Estados Unidos. O carro da família foi encontrado abandonado na beira de uma estrada, com cerca de 30 mil dólares em dinheiro e o cachorro de estimação dos Jamison. A polícia constatou que o dinheiro seria usado para a compra de um terreno numa cidade próxima, porém a família nunca chegou lá. O último registro deles foi feito pelas câmeras de segurança na saída da casa, no qual pareciam dispersos e não interagiam entre si. Somente em 2013 os corpos foram encontrados e identificados, mas as causas das mortes nunca foram descobertas, e as circunstâncias do desaparecimento permanecem um mistério.

 

3. O crime do lago Bodom

Em junho de 1960, quatro jovens entre 15 e 18 anos acampavam às margens do lago Bodom, na Finlândia, quando foram brutalmente atacados. Três deles foram esfaqueados e espancados até a morte, enquanto o quarto integrante, Nils Gustafsson, conseguiu sobreviver aos ferimentos. Sem muitas evidências e com uma cena do crime adulterada pela presença de jornalistas e curiosos, os suspeitos obtidos por provas circunstanciais nunca foram a julgamento. Em 2004, mais de quatro décadas após os assassinatos, o único sobrevivente foi preso e acusado de ser o responsável pela morte dos três jovens. Apesar de algumas provas que indicavam sua possível participação, ele foi inocentado, e o caso permanece sem resposta. 

 

4. O que aconteceu com Timmothy Pitzen?

Timmothy Pitzen tinha seis anos quando, em maio de 2011, sua mãe o pegou de surpresa na escola antes do horário de saída e o levou para uma viagem. Os dois passaram três dias visitando diversos parques de diversões em Wisconsin e se comunicando com a família por ligações telefônicas nas quais era possível ouvir a voz do menino ao fundo. A reviravolta aconteceu quando o corpo da mãe, Amy Fry-Pitzen, foi encontrado em um quarto de hotel acompanhado de um bilhete de suicídio dizendo que Timmothy estava bem, mas que nunca seria encontrado. A polícia deu início às buscas imediatamente, mas não obteve sucesso. Como o corpo do menino nunca foi encontrado, a hipótese mais aceita é de que ele ainda esteja vivo. O caso, contudo, continua em aberto e sem novas evidências. Em 2019, um adolescente procurou a polícia se identificando como Timmothy Pitzen, houve muito burburinho na mídia, porém um exame de DNA revelou que o rapaz estava mentindo.

 

5. Os misteriosos ataques de antraz

Cerca de uma semana após os atentados de 11 de setembro de 2001, uma série de cartas enigmáticas contendo um pó branco foi enviada a veículos de imprensa e integrantes do senado norte-americano. Alguns dias depois, as pessoas que haviam tocado nas cartas, mesmo sem abrí-las, foram hospitalizadas com náusea e febre alta. Uma análise laboratorial indicou que a análise dos sintomas acusava infecção por antraz, o que rapidamente transformou o caso em uma investigação do FBI. Ao todo, 22 pessoas ficaram doentes e cinco delas morreram. A polícia descobriu que a bactéria usada nas cartas, a Bacillus anthracis, pertencia ao programa de armas biológicas americano, tornando o médico especialista Steven Hatfill o principal suspeito. Após anos de investigação, Hatfill foi inocentado e seu ex-colega de trabalho, Bruce Ivins, passou a ser o culpado mais provável. O caso foi encerrado após Ivins ser encontrado inconsciente em sua casa, em decorrência de uma overdose de medicamentos. Ele foi considerado o autor do crime, porém sua acusação divide opiniões e a verdade sobre o caso ainda é um mistério.  

 

Se você gosta de ler sobre casos bizarros com crimes que parecem coisas da ficção, conheça o thriller sueco 1793, a não ficção Mindhunter e a ficção espanhola O silêncio da cidade branca.

testeUma amputação, um paciente e três mortos: conheça a sanguinolenta medicina do século XIX

Por Pedro Staite*

A sensação de ver o tempo passar devia ser muito mais aflitiva no século XIX. Afinal, o espaço que compreendia o proverbial “toda a vida pela frente” era resolvido em questão de quatro ou cinco décadas. É fácil morrer hoje em dia, só que antigamente era bem mais, porque até o hospital era um lugar muito mais arriscado. Em 1869, por exemplo, o cirurgião James Y. Simpson observou que “um soldado lutando na Batalha de Waterloo tem mais probabilidade de sobreviver do que um homem indo ao hospital”.

Para se ter uma ideia, a elite intelectual da medicina da época acreditava que o pus era um elemento vital no processo de cura. Sim, o pus, que é basicamente um letreiro de neon com os dizeres “temos um probleminha aqui, pessoal”, era um componente “esperado” nas mais variáveis perebas que os acidentes e as doenças proporcionavam.

Naquela época, os médicos e cientistas em geral não faziam ideia do que provocava a sépsis, que é, grosso modo, quando uma legião de micróbios chega à corrente sanguínea e desencadeia um banzé no oeste, podendo levar à morte. Até porque ninguém sabia direito o que era micróbio. No século XIX, quem se debruçava sobre os mistérios da vida invisível era tratado com desdém. “Ah, tenho um primo que mexe com negócio de microscópio”, por assim dizer.

Outro fator que nos deixaria mortificados era a total e irrestrita ausência de anestesia. O infeliz paciente com a mais inofensiva das cáries já sofria a dor de dez Jós na mesa do dentista.

Por conta disso ― tudo infecciona e tudo dói ―, a cirurgia era uma prática altamente contraindicada, e apenas em última instância o cirurgião dava o ar da graça. Era uma questão de trocar o “vai morrer com certeza” pelo “talvez morra, vamos ver”.

Então o que fazer para aliviar o sofrimento de quem precisava passar por, digamos, uma amputação?

Dar conta do trabalho o mais rápido possível (e começar a rezar).

Foi um panorama como esse que deu à luz Robert Liston, a faca mais rápida do West End, em Londres. O sujeito existiu mesmo, pode procurar em Medicina dos Horrores, de Lindsey Fitzharris, um livro maravilhoso publicado pela Intrínseca.

Robert Liston, conhecido nas rodas boêmias como Betão do Bisturi (essa não adianta procurar, minhas fontes são muito exclusivas), era um homem alto e forte que tinha uma irremediável pinta de macho alfa. Seu modus operandi era tão veloz que ele amputava uma perna em trinta segundos. Ou seja, estou há três minutos neste parágrafo, o equivalente a seis pernas pela cotação de Robert. Como naquela época a assepsia era uma fantasia, um devaneio, um sonho de uma noite de verão, Liston trabalhava sem luvas e chegava ao cúmulo de prender o bisturi ensanguentado nos dentes enquanto suturava o paciente com as duas mãos. Repito: sem luvas. Repito: bisturi ensanguentado nos dentes. Para um mundo como o nosso, em que é inconcebível não ter um álcool gel a tiracolo, esse homem era um pesadelo.

No entanto, nem sempre sua rapidez era sinônimo de sucesso. Reza a lenda que ele foi protagonista de uma das amputações mais malsucedidas da história.

O processo era simples: uma amputação de perna. Em sua já conhecida velocidade máxima, Liston finalizou o trabalho em questão de segundos. Só que o homem era tão, mas tão veloz que durante o processo decepou, sem querer, os dedos do pobre assistente e ainda rasgou a casaca de um espectador.

(Naqueles tempos em preto e branco, as cirurgias eram feitas em anfiteatros lotados de estudantes e convidados, provavelmente em busca de entretenimento. Se você hoje se culpa por ver muito Netflix, pense nos espectadores de Liston, continue sua maratona e fique em paz no seu sofá vendo a Lara Jean e o Peter Kavinsky.)

Acontece que: o paciente acabou morrendo em decorrência de uma gangrena na perna. O assistente também faleceu por conta de uma gangrena, só que na mão. E, o mais absurdo, o espectador, assoberbado pelo susto de tomar a bisturizada violenta, morreu do coração ali mesmo, no anfiteatro.

Uma amputação, um paciente e três mortos. Foi a primeira ― e provavelmente única ― operação com taxa de 300% de mortalidade.

Se a gente levar em conta que esse não foi o único deslize de Betão do Bisturi (certa vez, ele decepou, inadvertidamente, o saco escrotal de um paciente; seu alvo era a coxa), vemos como a vida melhorou de cento e cinquenta anos para cá. É uma pena que precisemos de tamanhos horrores para chegar a essa conclusão, mas nunca se sabe quando uma palavra de consolo, frente aos horrores da atualidade, se faz necessária.

Naquela época, Betão não acreditava em micróbio e não lavava as mãos nem para fazer uma cirurgia. Hoje é um procedimento básico, mais essencial do que nunca. Acontece que Betão vivia de acordo com as regras sanitárias da época, que eram precárias. Entretanto, temos a sorte de viver num momento em que a ciência acumulou décadas e mais décadas de conhecimento, por mais que ela venha sendo mais desmerecida do que nunca. Mas só aqui entre nós: agora a gente sabe das coisas, não precisamos seguir esse exemplo arcaico, né? Então, por favor: nesse momento tão delicado, agradeçamos à ciência e respeitemos o que ela preconiza. Lave as mãos, fique em casa se puder e não me invente de colocar um bisturi ensanguentado na boca, tudo bem?

 

*Pedro Staite é editor assistente da Intrínseca e demorou umas dez pernas na cotação de Robert só para escrever esta bio. Teve a sorte de produzir o maravilhoso Medicina dos horrores, que serviu de inspiração para o texto que você acabou de ler.