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5 coisas que você precisa saber sobre a importância da diversidade na luta feminista

28 / dezembro / 2021

Desde sua origem, o feminismo se baseou na experiência de mulheres brancas de classe média e alta, que há muito se autoproclamaram as especialistas no assunto. São elas que escrevem, palestram, dão entrevistas. Ao mesmo tempo, sobrepõem suas falas às das mulheres de pele negra e marrom, garantindo a manutenção de seus privilégios no feminismo. 

No entanto, o diálogo só será possível quando todas as mulheres estiverem em patamares iguais. E é partindo do princípio de igualdade que Rafia Zakaria, muçulmana, advogada e filósofa política, defende uma reconstrução do feminismo. No livro Contra o feminismo branco, a autora apresenta uma narrativa crítica radical que insere as experiências de mulheres de cor no centro do debate. 

Para celebrar o lançamento, a filósofa Djamila Ribeiro conversou com Rafia Zakaria sobre o livro, o feminismo interseccional e as relações entre o Brasil e o Paquistão. Você pode conferir na íntegra esse bate-papo interessante em nosso canal do Youtube.

Selecionamos algumas falas marcantes da autora que refletem sobre a importância da diversidade na luta feminista: 

  1. Se você se incomodou com o título do livro, pense sobre isto:

“Eu não estou falando sobre a cor racial branca, mas sobre a branquitude como uma força de opressão. Eu estou falando sobre mulheres, em sua maioria brancas, mas que podem também ser de outras raças, que se recusam a examinar o papel que o privilégio branco desempenhou no desenvolvimento da História global do feminismo como o entendemos hoje.”

  1. É importante lembrar que confrontar privilégios sempre nos desloca de uma posição de conforto. 

“Tenho que dizer às mulheres brancas que o desconforto que elas podem sentir ao ler meu livro é o desconforto que as mulheres de cor sentem 100% dos dias, 24 horas por dia, em todas as situações. Elas sempre têm que se defender e defender o seu trabalho.” 

  1. Retirar a branquitude do feminismo não é banir as mulheres brancas.

“A supremacia branca está misturada com o sistema, então a gente tem que destruir isso e construir tudo de novo. Porque você não pode apenas incluir umas mulheres negras aqui e outras marrons ali, e aí manter o sistema. Porque o sistema foi construído para manter as mulheres brancas no poder. O sistema foi desenhado para esse propósito.”

  1. Mas o feminismo que hoje tem protagonismo, branco, individualista, capitalista e colonial, precisa ser reavaliado e revisto. 

“Quando não existe uma separação entre a branquitude e o feminismo, então o mundo todo entende que, se eu quiser ser levada a sério enquanto feminista, eu tenho que agir como uma mulher branca. Isso é o que é entendido como ser libertária, ambiciosa, capaz e digna. Então, a menos que a gente faça um esforço para tirar o conceito de branquitude e a supremacia branca do feminismo, outras mulheres não vão aparecer na história. As mulheres brancas vão aparecer como líderes. Elas imaginam que, se elas não estiverem no comando, o feminismo vai morrer. E a ironia é que o feminismo está morrendo porque elas estão no controle.”

  1. Somos todos seres humanos, mas nossas experiências como mulheres são distintas. Reconhecer essas diferenças é valorizar verdadeiramente a diversidade. 

“Meu livro fala muito especificamente sobre quem está ocupando o espaço no feminismo. Não tem como lutar contra o patriarcado ou contra o capitalismo se a gente não consegue reconhecer a diferença de poder que existe entre a gente. Nós temos que reconhecer primeiramente as diferenças de poder entre nós, e o fato de que mulheres brancas assumem todas as pautas, e tornam todas as outras mulheres invisíveis.”

Ao seguir a tradição de suas antepassadas feministas interseccionais Kimberlé Crenshaw, Adrienne Rich e Audre Lorde, Zakaria refuta a indiferença política e racial do feminismo branco em uma crítica radical, na qual coloca o pensamento feminista negro e marrom na vanguarda. Ficou interessado? Você pode ler a introdução do livro aqui. Além disso, para expandir a leitura, confira o artigo da arquiteta e escritora Joice Berth sobre a obra em nosso blog


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