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Quebre regras e cometa erros: a fantástica jornada de Neil Gaiman

10 / novembro / 2021

Foto por Jeremy Sutton-Hibbert/Getty Images

“Em retrospecto, tive uma jornada extraordinária. Não sei se posso chamá-la de carreira, porque uma carreira dá a entender que eu tinha algum tipo de plano, algo que nunca tive. O mais perto que cheguei disso foi uma lista, escrita aos 15 anos, com tudo que eu gostaria de fazer: escrever um romance, um livro infantil, um quadrinho, um filme, gravar um audiolivro, escrever um episódio de Doctor Who… e por aí vai.”

Em 2012, durante uma cerimônia de formatura na University of the Arts, Neil Gaiman contou um pouco de sua história no discurso que mais tarde se tornou o livro Faça boa arte. O autor, que ainda escreveria Coraline e Deuses americanos, cresceu em meio ao movimento punk inglês da década de 1970 e chegou a fugir da escola. Participou de uma banda na adolescência e, no fim das contas, virou jornalista. Escrever para jornais, revistas ou qualquer veículo que lhe desse uma remuneração razoável parecia ser o primeiro passo para conquistar cada item de sua lista. Além disso, segundo ele, “jornalistas podem fazer perguntas e simplesmente sair e descobrir como o mundo funciona”.

Ao longo de suas quase quatro décadas de carreira, Neil Gaiman cometeu muitos “erros fantásticos”, como ele mesmo diz. Seu primeiro livro, Duran Duran: The First Four Years of the Fab Five (Duran Duran: Os primeiros quatro anos dos cinco magníficos, em tradução livre) é uma biografia com pouco mais de 120 páginas que não parece ter lhe dado muito orgulho: “Esse é o tipo de coisa que você faz quando é um jornalista de 22 anos e alguém lhe oferece dinheiro. Foi ótimo. Não só paguei o aluguel, como aquela biografia me permitiu comprar uma máquina de escrever elétrica”, revelou em entrevista à January Magazine.

No fim dos anos 1980, Gaiman conquistou o mundo e revolucionou a indústria com as HQs Sandman e Orquídea Negra. Também publicou muitas histórias curtas em antologias e editoras menores, algumas nunca republicadas. Imerso em sua paixão pela escrita, ele não se dedicou a apenas uma mídia: na verdade, fez de tudo, e ao mesmo tempo. Lugar Nenhum, por exemplo, foi o primeiro romance que escreveu sem coautorias, e o livro era uma adaptação da minissérie homônima da BBC transmitida em 1996 e escrita pelo próprio Gaiman.

Edição publicada em 2016 pela Intrínseca

Para o autor, não existe uma única direção ou forma de fazer arte: suas obras já foram adaptadas para quadrinhos, séries, cinema, radionovelas, audiodramas, peças de teatro e musicais, e muitas delas foram escritas originalmente nesses formatos e depois adaptadas para livros.

Porque para Gaiman não existem formas certas ou erradas de se contar uma história: um roteiro para quadrinhos é tão relevante quanto um romance, assim como um livro infantil é tão relevante quanto um roteiro de cinema. “Quebre regras. Deixe o mundo mais interessante por estar nele”, afirma o autor no fim de Faça boa arte.

O jovem inglês que não tinha planos traçados para sua vida se tornou Embaixador da Boa Vontade da ACNUR, agência da ONU para refugiados, e influenciou milhares de pessoas em todo o mundo com suas histórias e personagens únicos. Citado no Dicionário de biografia literária como um dos dez maiores escritores pós-modernos, Gaiman já ganhou inúmeros prêmios e seus livros continuam na lista de mais vendidos até hoje. Tudo isso porque ele não teve medo de tentar, de tomar escolhas difíceis, de experimentar coisas novas e, sobretudo, de errar.

Essa é a hora e a vez de Neil Gaiman. E, se fizer boa arte, em breve pode ser a sua.

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