Artigos, Bastidores

Era só um livro da Jojo Moyes

29 / junho / 2021

Por Rebeca Bolite*

(Reprodução: Netflix)

Todo mundo tem aquele(s) livro(s) muito querido(s). Não é um clássico da era vitoriana e o autor pode não ser um medalhão, um Nobel, mas a história do livro te disse alguma coisa muito importante. Sua vida mudou completamente enquanto lia. Um personagem, um diálogo ou uma passagem do livro te fez ver o mundo de outra forma.

A última carta de amor é um desses livros para mim (tanto que já fiz até outro texto no blog sobre ele). Claro que a Jojo Moyes agora é a Jojo Moyes, mas quando a Intrínseca adquiriu os direitos de tradução desse livro ela ainda iria se tornar essa autora best-seller muito famosa. E o livro, que chegou para a gente numa versão pocket surradinha de terras estrangeiras (ainda mandavam o livro físico, nada digital), teve que ser feito enquanto vivíamos uma loucura de Cinquenta tons, O lado bom da vida, Garota exemplar. Ele nem era tããão importante quanto esses outros. Olha só que loucura.

Na época, meu deus, 2011, 2012, fiquei responsável por trabalhar no livro e fui tomada pela história. O enredo todo é sensacional — Jojo amarra perfeitamente as pontas desse romance que é praticamente um suspense, de tanta reviravolta —, mas o que me marcou mesmo foi a questão da memória, ou, no caso, da falta dela. Fui arrebatada pelo argumento principal de uma mulher que perde completamente a memória e de repente acha as cartas de um amante que, claro, ela não lembrava que tinha.

A verdade é que vivemos esquecendo e ocultando quem fomos, muitas vezes até para poder seguir, dar um próximo passo. Isso pode acontecer por uma situação muito traumática que não queremos mais lembrar, ou uma ruptura na vida, como uma mudança de cidade, de emprego. E também pode não ser nada demais. “Só” o transcorrer do tempo.

Claro que Jennifer sofre um acidente, e perder a memória dessa forma é muito traumático para a pessoa e para os familiares e amigos. Só que nós também não acabamos nos esquecendo do Carnaval de 2007, das férias de 2011? Mas está lá a foto, um abraço muito apertado em pessoas com quem não falamos mais, e de quem éramos tão próximos… Uma viagem que poderíamos jurar nunca ter feito, lugares de que não nos lembramos, com alguém que não conseguimos nem entender como um dia fomos capazes de amar. Mas no âmago de todas essas histórias esquecidas estamos nós, em um trabalho de construção e reconstrução diária do nosso eu. Um eu vivo, cheio de lembranças perdidas e inventadas.

Eu realmente não lembro em detalhes quem eu era há quase dez anos, mas se tem uma coisa que não esqueço é daquele livrinho de capa rosada, papel jornal, cansado de ser manuseado. E meu eu de junho de 2021 está absurdamente animado para ver aqueles meus personagens queridos ganharem vida (será que Shailene vai ser a Jennifer que eu criei na minha mente? Será que Felicity vai fazer jus a minha Ellie?). Ansiosíssima pela estreia na Netflix dessa adaptação.

*Rebeca Bolite é editora de livros de ficção e não ficção comerciais na Intrínseca, e, apesar de amar as palavras, encontrou na comunicação por figurinhas de whatsapp o verdadeiro sentido da vida.


Saiba mais sobre os livros

Leia mais Artigos

A última carta de amor, de Jojo Moyes, ganha sobrecapa do filme

A última carta de amor, de Jojo Moyes, ganha sobrecapa do filme

A primeira carta de amor

A primeira carta de amor

Velejando na Galáxia

Velejando na Galáxia

Cuidado com o que deseja

Cuidado com o que deseja

Comentários

Uma resposta para “Era só um livro da Jojo Moyes

  1. Rebeca, minha querida, cada dia te admiro mais… Você fez acordar a minha vontade de ler novamente o livro pelo qual fiquei apaixonada.
    Obrigada por tudo.
    D’us te abençoe e proteja sempre e muito.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *