testeReação dos leitores ao lançamento da coleção It’s Okay to Not Be Okay

Em 2020 um k-drama mexeu com a cabeça de todo mundo: It’s Okay to Not Be Okay. Assim que estreou, a produção sul-coreana logo se tornou um enorme sucesso, e seus 16 episódios, lançados semanalmente na Netflix, causaram grande comoção entre os fãs, que precisavam esperar uma semana inteira para matar as saudades de Ko Moon-young, Moon Gang-tae e Moon Sang-tae.

Na trama, a protagonista é uma excêntrica autora de livros infantis que escreve contos de fadas comoventes, impactantes e com um toque sombrio (sua marca registrada). Primeiro, os livros existiam só nas telas. Depois, eles foram lançados na Coreia do Sul. Agora, eles chegaram ao Brasil, o primeiro país fora da Coreia a publicar as obras, seguindo o mesmo projeto gráfico e o mesmo formato das que aparecem no k-drama. Isso quer dizer que o livro disponível para os leitores brasileiros é igual ao que vemos em cena. Demais, né? 

Essa notícia foi recebida com uma enxurrada de carinho dos leitores, que ficaram muito empolgados e emocionados com a novidade. Vem conferir um pouco desse amor:

1) Não precisa mais imaginar, os livros existem <3

2) Só trabalhamos com verdades

3) Vamos todos à loucuraaaaaa

4) Os temas abordados no k-drama e nos livros são muito importantes

5) Queremos essas estantes bem bonitinhas 😉

6) Colabora aí, cartão de crédito!

7) É isso mesmo, são os livros da Ko Moon-young com autógrafo digital <3

8) Resumindo tudo:

O menino que se alimentava de pesadelos, Criança zumbi e Cão alegre já foram lançados e estão disponíveis nas lojas e livrarias. A mão e o tamboril e Em busca da feição real estão em pré-venda!

Bônus: uma mensagem singela para deixar todo mundo sabendo que essa é a coleção que você quer de presente <3

testeA cor das palavras, por Sueli Monteiro

*Por Sueli Monteiro

*Este artigo foi publicado primeiro na revista intrínsecos 030, disponibilizada exclusivamente para os assinantes do clube intrínsecos de março. 

 

Até onde é possível apagar uma parte de si para escrever um novo futuro? Em A metade perdida, aguardado novo romance de Brit Bennett, acompanhamos a saga de Desiree e Stella — irmãs gêmeas antes inseparáveis —, que seguem para pontos muito distantes em uma sociedade racista: enquanto uma se casa com um homem negro e é obrigada a retornar ao lugar de onde escapou anos antes, a outra se passa por branca, e o marido branco não faz ideia de seu passado. 

A história sobre identidade e colorismo chega às livrarias brasileiras a partir de 11 de maio, mas o livro foi enviado em março com exclusividade para os assinantes do intrínsecos, clube da Intrínseca. Em março, convidamos a mestra em literatura Sueli Monteiro para um artigo sobre como a linguagem foi usada como ferramenta de opressão racial. Confira o texto: 

 

Em A metade perdida, Brit Bennett optou por carregar sua história com termos que hoje consideramos ultrapassados, incompatíveis com o entendimento contemporâneo de identidade racial, porém em consonância com o modo de falar do americano sulista das décadas de 1950 a 1990. Qualquer incômodo que isso lhe cause, saiba que sua reação é simbólica do quanto a sociedade já avançou positivamente na reflexão sobre o uso da linguagem como instrumento discriminatório e de reafirmação de poder.

Uma pesquisa feita em 2020 pelo Instituto Locomotiva para medir a percepção do brasileiro em relação ao racismo e ao preconceito de raça no país revelou que quase sessenta por cento dos entrevistados acham chata a patrulha do politicamente correto, onde se inclui justamente a repressão ao uso de termos tipicamente racistas, até então comuns no cotidiano. 

Em português, expressões como “da cor do pecado”, “criado-mudo”, “doméstica” ou “meia-tigela”, entre diversas outras comumente reproduzidas, têm origem na escravidão e, portanto, ajudam a perpetuar conceitos e pensamentos daquela época, ainda que de forma inconsciente. O mesmo acontece com expressões em inglês, como white lie (mentira branca) e blacklist (lista negra), ou até termos técnicos, como master server (o servidor principal, em TI) e slave server (o secundário). Também em espanhol, como a alcunha negro literario para designar um ghostwriter, numa alusão direta a quem trabalha sem mérito. Não são xingamentos explícitos, mas são a expressão de uma herança manchada pela exploração do povo preto.

Como registra o historiador americano Anthony T. Browder, os portugueses inauguraram o tráfico negreiro da África para as Américas e, nesse movimento, foram também os primeiros a cunhar o termo “negros” para se referir aos africanos escravizados. Os espanhóis entraram no negócio e também usaram a palavra “negro” para descrever os africanos feitos escravos. A palavra rapidamente tornou-se, na Europa, sinônimo de escravizados (no Brasil, passou a abarcar também os nativos indígenas forçados a trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar, chamados “negros da terra”). A palavra slave, “escravo” em inglês, raramente é notada nos documentos oficiais americanos relacionados ao período da escravidão, em contraposição à quase oficial negroes, de onde advém nigger, termo que hoje é devidamente notado nos dicionários com um alerta de impropriedade. Esta é a bagagem carregada de opressão que deve ser extinguida do vocabulário atual.

Há quem veja tons de exagero no banimento de termos como “denegrir” ou “esclarecer”, recorrendo a outras referências que não as raciais, buscando alternativas etimológicas que desmintam o factual, mas a verdade é que moldamos e somos moldados pela linguagem. Em pesquisa da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, conduzida pela psicóloga Ângela Fátima Soligo, pediu-se a voluntários que atribuíssem livremente dez adjetivos a pessoas negras. Apesar de elencarem qualidades positivas, a maioria dos participantes as justificou utilizando-se de estereótipos estruturais, como o do negro feliz por causa do samba, forte por causa do trabalho pesado. Mesmo os entrevistados pretos não atribuíram a seus pares riqueza, beleza ou carreiras comuns aos brancos. Uma realidade que pode ser reconstruída a partir de novas palavras, que repararão o passado e indicarão um novo futuro. Só depende de nós.

Este texto foi publicado originalmente na revista intrínsecos, que todo mês reúne artistas, jornalistas, escritores e outros especialistas de diferentes áreas para propor debates que passam pelas temáticas do livro, mas que abrem caminhos para reflexões sobre todo o universo literário e sobre o nosso comportamento. 

Garanta A metade perdida em pré-venda aqui ou confira a caixa intrínsecos na loja exclusiva para assinantes aqui

 

*Sueli Monteiro é mestra em literatura africana pela Universidade de Witwatersrand, na África do Sul.

testeNovo livro de contos do criador de “True Detective” chega às livrarias em abril

Um guarda-florestal salta de um arco de 200 metros de altura.
Um jovem e seu ex-técnico de futebol viajam para sequestrar uma garota.
Uma carta inesperada lança um homem em uma jornada em busca da verdade.

Em uma viagem por onze histórias, Nic Pizzolatto explora as incertezas da existência humana e os limites tênues entre o certo e o errado em Daqui até o Mar Amarelo e outros contos, sua primeira coletânea de histórias curtas.

Com tramas únicas e jornadas nada usuais, o criador da série da HBO True Detective e autor de Galveston explora os limites tênues entre o bem e o mal, o certo e o errado, enquanto seus personagens tentam transpor abismos — entre eles e os outros, entre o passado e o presente e, às vezes, os precipícios ainda maiores que os separam de si mesmos.

A coletânea é um mergulho na realidade crua dos relacionamentos e nos desafios mais íntimos com os quais todos podemos nos deparar em qualquer fase da vida. Finalista do National Magazine Award, a obra também foi descrita como uma das melhores estreias na ficção pela revista Poets & Writers.

Daqui até o Mar Amarelo e outros contos chega às livrarias e lojas on-line em 20 de abril e já está disponível em pré-venda.

testeIt’s Okay to Not be Okay indicado a cinco prêmios

Eu ouvi k-drama aclamado? Saíram os indicados ao Baeksang Arts Awards, uma das maiores premiações da Coreia do Sul, que elege as melhores produções da televisão e do cinema do país. Entre os indicados está It’s Okay to Not Be Okay, que concorre em cinco categorias: melhor ator (Kim Soo Hyun), melhor atriz (Seo Ye Ji), melhor ator coadjuvante (Oh Jung Se), melhor atriz coadjuvante (Jang Young Nam) e melhor drama.

Com uma estética inovadora e discussões sobre temas importantes como saúde mental e solidão, a série se transformou em um dos maiores fenômenos dos últimos tempos e conquistou milhares de fãs, tanto na Coreia do Sul quanto internacionalmente. Disponível na Netflix (inclusive em versão dublada), ela acompanha as histórias de três personagens muito cativantes: Ko Moon-young, uma excêntrica autora de livros infantis, Moon Gang-tae, um tímido enfermeiro que trabalha em um hospital psiquiátrico, e Moon Sang-tae, seu irmão mais velho, que está no espectro autista.

O fio condutor dessa emocionante trama são os livros escritos pela personagem Ko Moon-young, contos de fadas sombrios e impactantes. Fora da Coreia do Sul, eles só foram publicados no Brasil, e mantêm as mesmas características dos livros que aparecem no k-drama (incluindo o autógrafo digital da personagem).

O menino que se alimentava de pesadelos, Criança zumbi e O cão alegre já estão disponíveis em todas as lojas e livrarias. Os dois últimos – A mão e o tamboril e Em busca da feição real – serão lançados no dia 14 de maio e podem ser adquiridos na pré-venda!

testeSorteio Twitter – Nove anos de Jojo Moyes na Intrínseca [ENCERRADO]

Hoje é uma data muito especial: é o aniversário de publicação do primeiro livro da Jojo Moyes na Intrínseca! Para comemorar nove anos de #JojoLovers, vamos sortear 3 sortudos que poderão escolher um (1) livro da autora de presente!

Para participar do sorteio você precisa seguir o nosso perfil (@intrinseca), compartilhar essa imagem no FEED do seu Twitter PUBLICAMENTE e preencher o formulário abaixo!

ATENÇÃO:

– Caso a mesma pessoa se inscreva mais de uma vez ela será desclassificada.

– Você pode se inscrever no sorteio do Instagram e Facebook também, é só seguir as regras.

– Você pode comentar mais de uma vez no post, mas não pode repetir os amigos marcados.

–  Ao terminar de preencher o formulário aparece a mensagem “Seu formulário foi enviado com sucesso”. Espere a página carregar até o final para confirmar a inscrição.

– Se você já ganhou um sorteio nos últimos 7 dias no Twitter, você não poderá participar deste sorteio.

– O resultado será anunciado no dia 12 de abril, segunda-feira, em nosso perfil no Twitter. Boa sorte!

testeSorteio Instagram – Nove anos de Jojo Moyes na Intrínseca [Encerrado]

Hoje é uma data muito especial: é o aniversário de publicação do primeiro livro da Jojo Moyes na Intrínseca! Para comemorar nove anos de #JojoLovers, vamos sortear 3 sortudos que poderão escolher um (1) livro da autora de presente!

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testeFacebook – Nove anos de Jojo Moyes na Intrínseca [Encerrado]

Hoje é uma data muito especial: é o aniversário de publicação do primeiro livro da Jojo Moyes na Intrínseca! Para comemorar nove anos de #JojoLovers, vamos sortear 3 sortudos que poderão escolher um (1) livro da autora de presente!

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testeIdeais fazem mais inimigos do que a guerra

Alexander Hamilton foi um personagem polêmico e controverso que acumulou adversários políticos e inimizades ao longo de sua trajetória como um dos pais fundadores dos Estados Unidos. Com uma natureza combativa e obstinada, uma tendência a duelos e um estilo de argumentação agressivo, carregado de insultos elegantes, os posicionamentos de Hamilton causaram tal divisão no meio político da época que resultaram no surgimento do sistema bipartidário que persiste até hoje. Entre seus rivais se encontram a maioria dos demais pais fundadores, como Thomas Jefferson, James Madison e James Monroe, além de outras personalidades influentes como George Clinton e Aaron Burr.

 

1. Polêmico, agressivo e elegante 

Hamilton era capaz de separar a honra pessoal de convicções políticas e a maioria de suas disputas foram travadas civilizadamente no campo das ideias. No entanto, era muito sensível a ataques pessoais e acusações falsas. Ao longo da vida foi acusado por seus detratores de ser um monarquista disfarçado, com inclinações aristocráticas, mancomunado com a Coroa britânica; ao mesmo tempo, era taxado como um arrivista ambicioso de origem inferior, em referência ao seu passado como órfão nas Índias Ocidentais (a vida humilde que levou antes de chegar aos Estados Unidos era um tema que o magoava muito). Sua visão econômica fez com que muitos o enxergassem como um aliado de especuladores e patifes que ganhavam dinheiro sem trabalhar e seus extensos poderes como secretário de George Washington levaram a acusações de corrupção. Quando todos os ataques, verdadeiros e inventados, não foram capazes de deter seu crescimento, ele teve sua intimidade violada por seus antagonistas e protagonizou o primeiro escândalo sexual relevante da história dos Estados Unidos.

 

2. Thomas Jefferson 

O principal rival de Hamilton foi sem dúvida Thomas Jefferson, secretário de Estado de Washington, que se ressentia da influência do primeiro junto ao presidente e de seus grandes poderes como secretário do Tesouro. Os dois se estranhavam a respeito de quase tudo e falavam mal um do outro, em geral com discrição, mas também abertamente. Para Jefferson, “Hamilton era o mefistófeles americano, o defensor de inventos diabólicos como bancos, fábricas e bolsas de valores”; enquanto Hamilton tripudiava da covardia de Jefferson durante a Guerra de Independência e apontava sua hipocrisia ao se identificar como abolicionista ao mesmo tempo que possuía dezenas de escravos. Os dois estavam em desacordo sobre a Constituição, a Revolução Francesa, a política econômica e a extensão dos poderes do governo federal, e trocaram entre si, em publicações anônimas, toda a sorte de acusações e ofensas, passando por suspeitas de traição da pátria, insinuações de corrupção e a exposição de infidelidades matrimoniais.

 Inúmeras vezes George Washington exortou aos seus dois secretários para que cessassem com as hostilidades, pois não havia paz em seu gabinete, mas nem ele conseguiu impedir que continuassem com a campanha mútua de difamação. A única diferença entre Hamilton e Jefferson era que Hamilton escrevia pessoalmente seus ataques, enquanto o outro recorria à pena de terceiros para tal. Jefferson veio a ser líder do Partido Republicano, opositor ao Partido Federalista, liderado por Alexander Hamilton.

 

3. James Madinson 

James Madison foi uma figura central na carreira de Hamilton. A colaboração entre os dois e os desentendimentos posteriores estabelecem duas fases muito distintas de suas vidas. Tinham muitas ideias semelhantes e trabalharam juntos para criar um imposto federal que garantisse pelo menos a sobrevivência do governo central. Foram parceiros nos esforços pela nova Constituição e na elaboração dos Federalist Papers, que a defendiam. Pode-se dizer que eram bons amigos e a ruptura entre eles foi para sempre motivo de desconcerto e mágoa para Hamilton. Tão grande era o respeito que Hamilton nutria por Madison que chegou a afirmar que jamais teria aceitado o cargo de secretário do Tesouro se soubesse que não poderia contar sempre com seu apoio geral.

 A rivalidade entre os dois começou conforme Hamilton buscava mais poderes para o governo federal através da assunção da dívida de guerra dos estados, o que desagradava aos estados sulistas, que deviam menos. Embora tivessem até então posicionamentos e opiniões alinhados, como estava demonstrado pela parceria e camaradagem pregressa entre os dois, Madison percebeu que sua sobrevivência política dependia de sua oposição a essa medida. A recusa de Madison em apoiá-lo e, ainda pior, seus esforços em oposição deixaram Hamilton completamente sem chão. Como representante da Virgínia no Congresso, um estado mais alinhado ao Partido Republicano, Madison fez forte objeção aos projetos de Hamilton como secretário do Tesouro. A tensão exercida entre o poder central de Hamilton e os interesses estaduais que Madison veio a defender acabou aproximando este de Thomas Jefferson. Para aumentar ainda mais a mágoa de Hamilton, Madison foi o verdadeiro redator de vários ataques que Jefferson coordenou contra ele.

 

 4. James Monroe 

A rivalidade entre Alexander Hamilton e James Monroe tem origem em uma situação pessoal e delicada que representa um grande marco na vida de Hamilton e deixou uma cicatriz em seu casamento. Enquanto foi secretário do Tesouro, Hamilton se envolveu com uma mulher casada chamada Maria Reynolds e pouco depois começou a ser chantageado pelo marido dela, que exigia dinheiro para se manter em silêncio sobre a infidelidade. A relação entre Hamilton e o marido golpista atraiu a atenção de outras personalidades, que suspeitaram que os encontros furtivos entre os dois estivessem relacionados a algum caso de corrupção e especulação envolvendo informações privilegiadas do governo. Monroe foi um dos três homens que investigaram o caso pessoalmente. Quando confrontaram Hamilton, este revelou tudo sobre o adultério e as chantagens e os três, bastante constrangidos, se comprometeram a manter sigilo sobre o assunto.

No entanto, a história veio à tona, mais uma vez com a sugestão de que o secretário do Tesouro era corrupto. Hamilton culpou Monroe pelo vazamento, que teve uma repercussão devastadora não apenas em sua carreira, como também em sua vida pessoal. Embora Monroe negasse ser o responsável, a relação entre os dois jamais voltou a ser amistosa. Anos após a morte de Hamilton e depois de ter cumprido dois mandatos como presidente, Monroe procurou Eliza Schuyler Hamilton, sua viúva, em busca de apaziguamento, mas recebeu apenas palavras duras em resposta.

 

5. George Clinton 

Outro grande adversário de Hamilton foi George Clinton, um dos mais influentes políticos de Nova York, tendo sido eleito sete vezes como governador do estado, além de ter servido como vice-presidente em dois mandatos (após a morte de Hamilton). Essa inimizade foi em parte herdada por Hamilton de seu sogro, Philip Schuyler, que já era um oponente de Clinton no teatro político estadual. Hamilton defendia que o governo federal tivesse o direito de promulgar leis que suplantassem a dos estados, o que era um desafio direto aos poderes de Clinton, que se tornou um dos maiores opositores à nova Constituição, proposta por Hamilton, que também ia no sentido de reduzir os poderes estaduais e fortalecer os federais. Estava entre aqueles que detestavam os bancos, que acreditava serem um artifício criado para tirar o dinheiro das mãos de fazendeiros trabalhadores. Hamilton fez oposição a Clinton em várias eleições, lançando candidatos contra ele e atacando-o publicamente sob pseudônimos. Clinton contra-atacou de muitas formas, chegando até mesmo a endossar uma complicada teoria da conspiração segundo a qual Hamilton pretendia estabelecer nos Estados Unidos um governo semelhante ao do Reino Unido, com direito a um rei norte-americano e uma Câmara dividida entre nobres e plebeus.

 

6. Aaron Burr 

Aaron Burr, o homem que matou Alexander Hamilton, não estava entre seus maiores inimigos. Na realidade, havia muita semelhança entre eles. Além da idade aproximada, chegaram a ser vizinhos, ambos eram órfãos, advogados, figuras proeminentes de Nova York e lutaram na Guerra de Independência com a patente de coronel. É provável que com tantos paralelos entre os dois, Burr se ressentisse do sucesso fenomenal do outro, mas na maior parte do tempo houve também certa camaradagem, ainda que não fossem amigos próximos. O desentendimento definitivo entre os dois se deu justamente por causa de um empreendimento que fizeram juntos em uma companhia de abastecimento de água — a qual Burr pretendia utilizar para fins escusos. Muito zeloso de sua imagem pública, Hamilton julgou imperdoável que Burr tenha utilizado seu nome para conseguir levar a cabo a empreitada.

Na eleição presidencial de 1800, quando Thomas Jefferson e Aaron Burr ficaram empatados, coube ao Congresso determinar quais dos dois seria o presidente e o vice. Hamilton se manifestou publicamente instando seus apoiadores federalistas a votarem em Jefferson, afirmando que, embora discordasse dele em quase tudo, este pelo menos tinha princípios, enquanto Burr não tinha nenhum e ninguém sabia o que ele pensava.

 Magoado com a derrota e isolado na vice-presidência, Burr dirigiu a Hamilton várias exigências de um pedido de desculpas por ofensas, mas a retratação nunca veio e os dois acabaram se enfrentando em um duelo de honra que feriu Hamilton mortalmente. Há contornos de tragédia grega nesse duelo, ocorrido apenas dois anos depois que o primogênito de Hamilton morreu em uma disputa de honra semelhante — e muito provavelmente no mesmo local. Assim como o filho fez, Hamilton disparou para longe do adversário na esperança de que isso acalmasse os ânimos e encerrasse a questão, mas Burr atirou direto contra ele, ou porque não se deu conta que o oponente desperdiçaria o tiro, ou porque pretendia mesmo matá-lo. Outros biógrafos de Hamilton sugerem que ele se utilizou da ocasião para cometer suicídio. Embora tenha em teoria levado a melhor na disputa, o resultado do duelo arruinou o restante da vida e da carreira de Burr. Sobreviveram relatos de que certa vez, já arruinado, Burr comentou ao ler um livro: “Se eu tivesse lido mais Sterne e menos Voltaire, ficaria sabendo que o mundo era grande o bastante para Hamilton e para mim.”

 

Conheça a biografia Alexander Hamilton, de Ron Chernow. 

testeRespire: A nova ciência de uma arte perdida

Por João Lourenço*

Sim, este é mais um artigo que diz que você está fazendo algo errado: asma, alergias, ansiedade, apneia do sono e vários outros problemas de saúde podem ser evitados se você aprender a respirar. Mas, desta vez, a solução é simples e não custa nada. Em Respire: A Nova Ciência de Uma Arte Perdida, o jornalista James Nestor apresenta a evolução biológica e cultural da respiração e defende que respirar corretamente melhora nossa saúde física, emocional e sexual. 

O interesse pelo assunto surgiu quando Nestor passava por um período de forte ansiedade e sem perspectiva de mudança. Seu médico recomendou que procurasse por uma aula de respiração. Além de fortalecer os pulmões, essa seria uma opção para acalmar a mente agitada do jornalista. Logo na primeira aula, Nestor atingiu uma tranquilidade que não experimentava havia anos e percebeu que esse era um assunto a ser explorado — afinal, todos respiram, mas poucos sabem respirar. 

A pesquisa de Nestor começou de maneira informal. Colaborador de revistas como The Atlantic e Scientific American, ele viajou para a Grécia para escrever um artigo sobre mergulho livre. Lá, conheceu mergulhadores que permaneciam até 12 minutos debaixo d’água, sem auxílio de equipamentos. A curiosidade do jornalista aumentou. Ele queria entender como era possível ficar sem respirar por tanto tempo. E foi assim que Nestor entrou no mundo dos “pulmonautas”. 

 

Pulmonautas


As pesquisas relatadas no livro vão além de estudos feitos em universidades e centros de referência. Respire se concentra principalmente nas técnicas e ensinamentos dos “pulmonautas” — denominação cunhada pelo autor para se referir a pessoas que utilizavam a respiração para ajudá-las em suas profissões: cirurgiões da época da Guerra Civil, treinadores de natação, místicos indianos, cantores de ópera. São técnicas e ensinamentos que foram comprovadas cientificamente faz pouco tempo.

 

Descobertas

Entre as descobertas do autor, vale citar a respiração rápida provocada por ansiedade ou medo. É instintivo. Nessas situações, você respira o máximo que consegue para aliviar a tensão. A longo prazo, porém, essa respiração rápida causa ainda mais estresse e cansaço. Isso ocorre porque, ao respirar rápido, o sistema nervoso simpático é estimulado. Mas a mudança é simples. Basta respirar lentamente. A respiração lenta está associada ao relaxamento, pois, ao permitir maior entrada de ar nos pulmões, o corpo imediatamente entra em um estado de tranquilidade. 

 

Desevolução

Darwin estava errado. Quando se trata de respiração, o ser humano regrediu. Das 5.400 espécies de mamíferos, somos os únicos a ter dentes e mandíbulas desalinhados, além de mordida cruzada. Nestor entrevistou um dentista pediátrico de Chicago que passou os últimos quatro anos radiografando crânios. A pesquisa revelou que crânios antigos tinham mandíbulas enormes e viradas para a frente. Assim, crânio e boca grandes resultam em vias aéreas maiores. E provavelmente seus donos não chegaram a sofrer com problemas de respiração crônica, afinal, as vias áreas eram grandes demais para que qualquer coisa as obstruísse. A conclusão do estudo é que nem sempre evolução significa progresso. 

Hoje, em vez de evoluir de acordo com a sobrevivência do mais apto, estamos em um processo chamado de “desevolução”. Além disso, somos responsáveis por causar um efeito parecido em cachorros domésticos. Muitas vezes, por motivos estéticos ou comerciais, esses animais são submetidos a inúmeros cruzamentos. Pense no pug ou no bulldog francês. O focinho curto e achatado e as narinas pequenas dificultam a respiração do animal. Por isso, assim como nós, eles sofrem de problemas respiratórios — digo isso por experiência própria, meu cachorro ronca mais do que eu. 

 

Visão Ayurveda

Em Respire, o autor aborda muitas visões antigas do Oriente, que estão cada vez mais incorporadas no Ocidente. A respiração é um dos pilares da cultura milenar do Ayurveda (do sânscrito: ciência da vida). A terapeuta ayurvédica Rislene Rissi notou um aumento significativo pela procura de técnicas védicas nos últimos anos. “A procura aumentou muito após a pandemia. É como se todo mundo tivesse encontrado tempo para prestar atenção em coisas básicas, como respirar”, conta. 

Em Respire, Nestor conta que as emoções afetam os padrões respiratórios. Ou seja, cada emoção é responsável por um padrão respiratório diferente. “Os padrões de respiração funcionam como um elo de comunicação entre o corpo e as emoções. Então, podemos utilizar as técnicas de respiração a fins terapêuticos para trabalhar questões e órgãos específicos”, explica Rissi. 

Apesar de atender um público diverso, as queixas mais comuns no consultório de Rissi são agitação mental e ansiedade. “Dependendo da variação de respiração, o nosso corpo passa a funcionar em uma frequência diferente”, explica. Tudo que é demais é ruim. Até respirar demais é ruim. Assim, as técnicas de respiração, também conhecidas como Pranayamas, servem para encontrar um equilíbrio nos padrões nocivos. “As respirações que demandam muito oxigênio envelhecem o corpo mais rápido. Uma boa respiração é tão importante na rotina de autocuidado quanto qualquer sérum rejuvenescedor. E melhor: não custa nada!” Há técnicas para tudo: resfriar ou esquentar o corpo, acalmar a mente, melhorar capacidade digestiva, aumentar a libido. “Independente do problema, o básico é praticar a respiração consciente. Manter a boca fechada. Inspirar e expirar pelo nariz, praticar a respiração abdominal”, ensina Rissi. 

 

Marketing do sono 

Como já era de se esperar, a respiração agora é vendida como artigo de luxo. São inúmeros os programas de meditação, vitaminas, fitas adesivas, entre outros, que prometem regular a respiração. Apesar de não ser um guia marcado por passo a passo, o livro de James Nestor oferece dicas valiosas para quem está disposto a se reprogramar. O autor afirma que a respiração faz parte de quem somos, é gratuita e que não deveria ser explorada pela indústria farmacêutica. O autor sugere uma retomada para tempos mais simples, para uma arte perdida, para aquilo que esquecemos. 

 

*João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York escrevendo seu primeiro romance.