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Não é errado ler o mesmo livro quatro vezes (ou mais)

7 / janeiro / 2021

Por Marina Ginefra*

Você já sentiu um friozinho na barriga enquanto lia um livro? Uma sensação estranha, mas boa, e que parece se intensificar a cada página lida? Na verdade, quando isso acontece é bem difícil parar de ler até chegar ao fim. E, quando o livro acaba, você não sabe mais o que fazer da vida. Só quer sentir aquilo tudo de novo. E de novo. E de novo. 

Parece maluquice – e é bem difícil de explicar –, mas quem já passou por essa experiência sabe do que estou falando. E se tem uma coisa que me encanta profundamente nos livros é essa capacidade de fazer a gente sentir coisas inexplicáveis assim, do nada, em apenas algumas centenas de páginas. E foi isto que encontrei em Não é errado ser feliz: 300 páginas de muito friozinho na barriga e uma vontade imensa de me encontrar regularmente para uma xícara de chá com os personagens.

O livro acompanha a história de Evvie Drake, uma jovem viúva que carrega dentro de si um dos piores sentimentos que existem no mundo: culpa. Isso porque no dia em que ela finalmente reuniu coragem para sair de casa e se libertar do casamento que tanto lhe fazia mal, uma notícia mudou tudo. Seu marido acabou de perder a vida em um acidente. Sem coragem de contar para os amigos mais próximos o que realmente acontecia entre os dois, Evvie aos poucos se afasta das pessoas. Agora, ela passa a maior parte dos dias trancada em casa, deitada no chão, no escuro, convencida de que é um monstro. 

Além de Evvie, também somos apresentados a Dean Tenney, um jogador famoso de beisebol que vive o pesadelo de qualquer atleta: ele simplesmente não consegue mais jogar. Ninguém sabe explicar o que aconteceu, muito menos ele, que se propõe a fazer diversos tratamentos e terapias em busca de uma “cura”. Mas não tem jeito. Ele logo se torna o “caso perdido” das manchetes e sua carreira é interrompida como se não fosse nada. Agora, Dean só quer desaparecer e, para isso, topa se mudar por um ano para uma pequena cidade no Maine chamada Calcasset. 

E é aí que as histórias desses dois personagens encantadores se cruzam, evocando uma das melhores dinâmicas das comédias românticas: a necessidade de dividir a mesma casa (cadê os fãs de Teto para dois por aqui?). Evvie precisa de dinheiro e tem um cômodo livre no casarão que herdou do falecido marido. Dean quer um lugar tranquilo e escondido para ficar. Um amigo em comum coloca os dois em contato e em pouco tempo está tudo resolvido. Ou isso é o que parece…

Ao se conhecerem, eles percebem que cada um carrega suas próprias questões não resolvidas, e por isso decidem fazer um acordo: ela promete não falar sobre a carreira dele e ele promete não perguntar sobre o marido dela. Só que manter essa promessa vai ser bem difícil quando os dois começam a confiar um no outro, e desabafar juntos, dentro daquelas quatro paredes, se torna algo natural.

Linda Holmes, a autora do livro, é uma grande entusiasta de comédias românticas, e dá para perceber isso em cada página que ela escreve. Em vários momentos me peguei lembrando dos filmes de Nora Ephron, com suas ambientações extremamente reconfortantes, como se todo dia fosse outono.

“Quando vestia aquele casaco e bebia algo quente, gostava de imaginar que isso lhe dava superpoderes outonais e um certo apelo acolhedor.”

Os personagens criados por Linda vivem dilemas internos totalmente avassaladores e têm uma dificuldade enorme em colocar para fora o que sentem, o que a autora consegue descrever muito bem. Se você é como eu e adora um bom angst com pessoas ferradas e que simplesmente não querem aceitar que estão apaixonadas, precisa largar este texto agora e ir correndo conferir o livro! É sério (e aproveite para escutar a playlist inspirada nele também).

Mais do que romance, Não é errado ser feliz, na minha opinião, é sobre tanto o lado bom quanto o lado ruim da vida. É sobre se permitir errar, recomeçar e aprender a dividir a experiência louca que é viver com os outros. Também é sobre saúde mental e perceber que não existe absolutamente nada de errado em reconhecer quando você não se sente bem e  precisa de ajuda. 

Acho que agora é um bom momento para explicar que já li esse livro quatro vezes. E se eu pareço empolgada demais é porque em cada uma delas senti aquele friozinho na barriga que falei lá no começo.

 

*Marina Ginefra é assistente de marketing da Intrínseca, se emociona mais do que devia ao falar sobre comédias românticas e, assim como Evvie Drake, adora ficar deitada no chão e no escuro (mas garante que passa bem).


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Comentários

Uma resposta para “Não é errado ler o mesmo livro quatro vezes (ou mais)

  1. Estou apaixonada pelo clube intrínseco e estou muito ansiosa pela chegada da minha caixinha

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