Artigos

Como o racismo é historicamente mobilizado no discurso político norte-americano?

12 / novembro / 2020

Durante a campanha presidencial de 2016, Donald Trump chamou os mexicanos de “traficantes e estupradores”. Naquele momento, o candidato republicano e atual presidente acenava para a ala racista do eleitorado, valendo-se de estereótipos presentes sobretudo entre o proletariado branco com grau de educação formal mais baixo, de setores profissionais mais precarizados e impactados pela escalada da globalização e pelo processo de desindustrialização da economia ocorrido a partir da década de 1990.

O discurso racial de Trump tinha antecedentes históricos, no entanto. Jill Lepore recorda que Barry Goldwater, um republicano conservador de extrema direita do Arizona, votou contra a Lei dos Direitos Civis na década de 1960. Na época, seu argumento era estritamente constitucionalista, mas as implicações raciais de seu gesto eram bem evidentes.

Barry Goldwater advogava, por exemplo, em prol da retirada dos EUA da ONU, da abolição do imposto de renda progressivo e recomendava que o governo federal abandonasse a maioria de suas funções, fechando departamentos e diminuindo equipes a uma taxa de 10% ao ano.

Corta para 2016. As ideias que durante a década de 1960 soavam loucas e fora de lugar naquele momento mostravam-se completamente adaptadas ao cenário político e ao discurso norte-americano. Mesmo na campanha presidencial de 2020, disputada entre Joe Biden e Donald Trump, é possível discernir um recorte racial na discussão de muitos tópicos acerca das políticas públicas. As questões raciais têm atualmente uma relevância ainda maior do que tiveram em um período histórico igualmente polarizado, como a década de 1960. Na verdade, nada indica que essa situação de tensão racial venha a mudar a curto ou a médio prazo na política norte-americana.

Ler Estas verdades nos ajuda a compreender a profundidade dessas causas primárias e a partir disso, talvez, a pensar em estratégias discursivas e políticas alternativas mais igualitárias, do ponto de vista racial e até mesmo democrático.

Leia mais Artigos

Como nossa casa nos define

Como nossa casa nos define

Pátria: das páginas para as telas

Pátria: das páginas para as telas

As faces do conflito: conheça os personagens de Pátria – Parte 2

As faces do conflito: conheça os personagens de Pátria – Parte 2

Pilar Quintana: a força da concisão

Pilar Quintana: a força da concisão

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *