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Pátria: das páginas para as telas

9 / outubro / 2020

Por Elisa Menezes*

A expectativa em torno da adaptação do best-seller de Fernando Aramburu para a televisão era enorme. Afinal, o livro ― que vendeu mais de 1 milhão de exemplares e foi publicado em mais de 30 países ― é considerado uma das obras mais contundentes sobre o conflito no País Basco e a que melhor representou o sofrimento de uma sociedade dividida pelas ações do grupo separatista ETA.  No dia 27 de setembro de 2020, quatro anos depois do lançamento do livro, a série Pátria chegou às telas em grande estilo: é a primeira produção da HBO europeia a estrear simultaneamente nos Estados Unidos e em mais de 60 países da Europa e da América Latina, incluindo o Brasil. Conheça um pouco dos bastidores da produção:

 

1. O criador e roteirista da série, Aitor Gabilondo, comprou os direitos antes mesmo da publicação do livro, após ler a sinopse da história. De origem basca — assim como Fernando Aramburu, nascido em San Sebastián —, Gabilondo achou que estava na hora de falar sobre esse tema. Admite, no entanto, que talvez não tivesse tido coragem de adaptar o livro se soubesse o sucesso que ele faria. O roteirista diz que em determinado momento parou de olhar o número de exemplares vendidos porque isso o intimidava.

 

2. A pré-produção e a criação do roteiro consumiram um total de três anos, tempo incomum na teledramaturgia espanhola. Gabilondo trabalhou por 1 ano no roteiro. As filmagens começaram no início de 2019 e a estreia foi adiada por causa da pandemia de Covid-19.

Atores de Pátria usando máscara durante o Festival de San Sebastián

3. Uma das marcas da excelência da série são suas prestigiosas equipes técnica e artística. Gabilondo é criador e roteirista de outras séries de sucesso na Espanha, como Vivir sin permiso. A figurinista, Clara Bilbao, já recebeu 3 Goya, o prêmio mais importante do cinema espanhol. O diretor de arte, Juan Pedro de Gaspar, venceu 2 Goya e colaborou com diretores como Steven Soderbergh. As duas atrizes que interpretam as protagonistas da trama, Elena Irureta (Bittori) e Ane Gabarain (Miren), têm sólidas carreiras no cinema e na TV.

 

4. Outra característica da série é o forte DNA basco. Além de Gabilondo, todo o elenco é natural do País Basco, assim como o compositor Fernando Velásquez (O orfanato, O impossível, entre outros filmes), responsável pela trilha sonora, que foi gravada pela Orquestra Sinfônica de Euskadi.

 

5. A série foi filmada nos povoados bascos de Soraluze e Elgoibar, e na capital, San Sebastián, além de ter algumas sequências rodadas em Madri. Fernando Aramburu se inspirou em Hernani para criar o vilarejo de seu romance, mas o prefeito não autorizou as gravações da série na cidade.

San Sebastian, cidade em que se passa a história

6. Antes da estreia, um cartaz gerou polêmica e debates acalorados nas redes sociais: a imagem promocional mostrava, de um lado, a viúva Bittori abraçada ao corpo do marido assassinado pelo ETA e, do outro, em posição semelhante, também no chão, um homem preso e torturado com policiais ao fundo, indiferentes. Muitas pessoas acusaram a HBO de equiparar o sofrimento de vítimas e terroristas. O próprio Aramburu se pronunciou afirmando que considerava a imagem um equívoco, mas defendendo que a série, assim como seu livro, trata as vítimas do terrorismo com a empatia e o carinho que merecem.

 

7. Fernando Aramburu preferiu não participar da criação do roteiro por não “dominar a linguagem cinematográfica e não ter vocação para inspetor”. Contudo, aprovou o resultado e elogiou a grande qualidade técnica e estética da série.

Fernando Aramburu, autor do livro © Gianfranco Tripodo

A série tem sido celebrada pela excelência técnica e fidelidade ao adaptar as mais de 500 páginas do romance de Aramburu, que chegou em primeira mão para o público brasileiro pelo clube do livro intrínsecos e segue arrebatando leitores em todo o mundo. Prova disso são as 18 reedições de Pátria na Itália e as cinco reimpressões na Alemanha. No próximo artigo especial, exploraremos as diferenças entre o livro e a adaptação para a TV e por que as duas obras merecem ser apreciadas.

 

*Elisa Menezes é jornalista, editora e tradutora.

Kit enviado no clube intrínsecos em julho de 2020

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