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Caminhos para reduzir a desigualdade

22 / setembro / 2020

Para reduzir a desigualdade, o economista francês Thomas Piketty apresenta uma série de propostas em seu novo livro, “Capital e ideologia”, como o aumento da taxação dos mais ricos, uma divisão mais justa do poder em empresas e a distribuição de uma quantia em dinheiro para que os jovens tenham mais perspectivas ao começarem a vida adulta.

A ideia de adotar impostos progressivos sobre renda e herança não é nova e já foi praticada nos EUA e na Europa após a Segunda Guerra Mundial. Segundo Piketty, o benefício dela foi comprovado pela forte redução da desigualdade até o início dos anos 1980 sem que o desenvolvimento econômico nestas regiões fosse afetado.

Ele também propõe um imposto progressivo anual sobre propriedades para forçar a desconcentração de riqueza de forma mais frequente, e não só nas transmissões de herança. Dessa forma, a propriedade privada se tornaria “temporária” na prática, já que o imposto progressivo sobre ela levaria à circulação frequente de parte do dinheiro de quem acumulou muito patrimônio, em oposição a um conceito de propriedade privada que permite sua acumulação praticamente indefinida em termos de quantidade e tempo. “Não vamos esperar que Mark Zuckerberg ou Jeff Bezos cheguem aos 90 anos e transmitam sua fortuna para começar a lhes cobrar impostos”, afirma Piketty.

O imposto progressivo anual sobre a propriedade serviria para financiar um sistema em que todo jovem adulto receberia o correspondente a 60% do patrimônio privado médio daquele país, o que ajudaria a distribuir a propriedade na base da pirâmide e limitar sua concentração no topo.

Piketty deixa claro que nada disso significa o fim da propriedade privada, mas acredita que a concentração sem limites da propriedade privada não traz benefícios para a sociedade.

O autor também é partidário de uma divisão mais justa do poder nas empresas, com uma participação maior dos assalariados nas decisões corporativas, como a adoção de um teto de direito de voto aos maiores acionistas em grandes empresas.

De uma forma mais ampla, suas propostas buscam repensar as estruturas sociais e econômicas para distribuir não só renda, mas poder e oportunidades.

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