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Um novo modelo de solidão com Edward Hopper e Joël Dicker

9 / abril / 2020

“O tema dominante é a solidão. As figuras de Hopper parecem distantes de casa; estão sentadas ou de pé, sozinhas, contemplando uma carta à beira da cama de um hotel ou bebendo num bar; observam um trem em movimento pela janela do quarto ou leem um livro no saguão de um hotel. Seus rostos são vulneráveis e introspectivos. Talvez tenham deixado alguém ou tenham sido deixados; estão em busca de trabalho, sexo ou companhia, à deriva em lugares transitórios. Com frequência, é noite e além da janela há a escuridão e a ameaça do campo aberto ou de uma cidade estranha.”

Alain de Botton, em A arte de viajar

Edward Hopper, nascido em julho de 1882 nos Estados Unidos, ficaria conhecido como o pintor que materializou a solidão e o tédio na contemporaneidade. Sua obra sofreu forte influência dos estudos psicológicos de Freud, que buscavam uma compreensão subjetiva do homem e de seus problemas. As paisagens urbanas são o tema central das pinturas de Hopper, desertas e melancólicas, iluminadas por uma luz estranha. Sempre causaram sentimentos de vários tipos: vazio, desolação, estagnação, falta de comunicação, evocação do silêncio. As figuras anônimas ali retratadas sempre parecem terrivelmente sozinhas. Em tempos de isolamento social e reclusão, é impressionante como significados inéditos e importantes vem à tona na obra de Hopper.

O designer brasileiro Victor Burton escolheu quadros do artista para ilustrar três capas dos quatro livros lançados do suíço Joël Dicker, todos pela Intrínseca. É interessante perceber que, mesmo sendo narrativas ágeis, cheias de reviravoltas, romances e mistérios, há sempre uma melancolia, um vazio, um sentimento de solidão em seus personagens, de certo modo mimetizando o que há nas cenas do famoso pintor. Abaixo, um pouco do enredo de cada uma das obras, com as referências do quadro de Hopper que ilustra a respectiva capa.

 

A verdade sobre o caso Harry Quebert

Sucesso de crítica e público e com mais de 60 mil exemplares vendidos somente no Brasil, A verdade sobre o caso Harry Quebert é daqueles livros com diversos personagens e histórias narradas simultaneamente. É também daqueles impossíveis de largar até que se chegue ao final.

Marcus Goldman é um jovem autor que alcançou grande sucesso com seu primeiro livro. Sofrendo com um bloqueio criativo, ele procura seu ex-professor de faculdade, Harry Quebert, um dos mais renomados escritores americanos, que vive em uma mansão à beira-mar na pequena cidade de Aurora, em New Hampshire, Estados Unidos.

A trama toma um novo rumo quando Marcus é surpreendido pela descoberta do corpo de uma jovem de quinze anos, Nola Kellergan — desaparecida sem deixar rastros em 1975 —, enterrado no jardim de Quebert junto com o original do romance que o consagrou. O professor admite ter tido um caso com a garota e ter escrito o livro para ela, mas alega inocência quanto ao assassinato. Decidido a ajudar seu mentor, Marcus se lança em uma investigação.

Na tentativa de reunir peças que possam provar a inocência de Quebert, o jovem escritor esbarra em antigos segredos dos moradores de Aurora, ao mesmo tempo em que reconstrói os acontecimentos do verão de 1975, quando Harry e Nola viveram um amor proibido.

Portrait of Orleans, Edward Hopper, 1950, The Fine Arts Museums of San Francisco

 

O livro dos Baltimore

Aqui, reencontramos o personagem central de A verdade sobre o caso Harry Quebert, Marcus Goldman. Acompanhamos sua juventude inesquecível na cidade de Baltimore, ao lado dos primos e dos tios, a parte bem-sucedida da família e que ele tanto admirava. A felicidade aparente, no entanto, não condizia com a realidade e um dia fatídico viria para marcar o destino de todos aqueles que ele mais amava.

Oito anos depois, Marcus ainda tenta montar o quebra-cabeça do que aconteceu e lida com as consequências das escolhas que fez. Desencavando o passado, reacendendo paixões e desvendando mistérios, ele decide que seu próximo livro será sobre a própria família, uma tentativa de se libertar de antigos ressentimentos e redimir aqueles que foram punidos pelos infortúnios da vida.

Rivalidade, traição, sucesso, paixão e inveja. Abordando temas presentes na vida de todos, Joël Dicker constrói com brilhantismo o retrato de uma juventude, destacando a força do destino e a fragilidade de nossas maiores conquistas.

Rooms for Tourists, Edward Hopper, 1945, Yale University Art Gallery, Doação de Stephen Carlton Clark

 

O desaparecimento de Stephanie Mailer

Uma grande expectativa toma conta da badalada cidade de Orphea, nos Hamptons, uma região com casas de luxo no estado de Nova York. Os habitantes aguardam ansiosamente pela estreia de seu primeiro festival de teatro. O prefeito, no entanto, está atrasado para a cerimônia.

A poucos metros dali, Samuel Padalin percorre as ruas desertas em busca da esposa. Um corpo é encontrado diante da casa do prefeito. E, dentro do imóvel, a cena é ainda pior: uma família inteira foi assassinada de maneira extremamente brutal.

Vinte anos após a resolução do homicídio, novos fatos vêm à tona, mudando para sempre a história de Orphea. A jornalista Stephanie Mailer confronta as autoridades e afirma que houve um gravíssimo erro na investigação. No meio desse processo, Stephanie desaparece. O que aconteceu? E o que de fato ocorreu em naquela fatídica noite do passado?

Em uma narrativa repleta de reviravoltas e sequências inesperadas, Dicker se reafirma como uma das vozes contemporâneas mais criativas ao entrelaçar diversos personagens e tramas. Entregue em primeira mão aos assinantes do Intrínsecos, clube do livro da Intrínseca, O desaparecimento de Stephanie Mailer é uma história intrigante, sofisticada e marcada por fina ironia.

House at Dusk, Edward Hopper, 1935, Virginia Museum of Fine Arts, Richmond, VA, US

 

Se você já leu alguma obra do Joël Dicker, compartilhe com a gente nos comentários o que você achou? Se ainda não embarcou nestas histórias criativas e repletas de reviravoltas, que tal aproveitar agora que os livros, na versão física e e-book, estão disponíveis na Amazon.com com preços especiais? Clique aqui e confira!


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Comentários

2 Respostas para “Um novo modelo de solidão com Edward Hopper e Joël Dicker

  1. Já li todas essas. Adoro Joël Dicker e espero ansiosamente outras histórias.

  2. Adoro os livros fo Joel Divker,li todos os publicados aqui e as capas são maravilhosas.

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