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11 espiãs reais que marcaram a história

19 / março / 2020

Qual é a primeira coisa que passa pela nossa cabeça quando pensamos em espiões? James Bond? Homens de terno com câmeras escondidas, carros luxuosos e uma taça de martíni na mão?

O papel das mulheres em missões secretas frequentemente é esquecido ou diminuído pela história, mesmo que tenham lutado ao lado dos homens nas guerras, contrabandeando informações e se arriscando para defender seus ideais.

Fazendo jus a isso criamos uma lista para celebrá-las!

Os segredos que guardamos, de Lara Prescott, acompanha uma missão real da CIA que usou agentes mulheres para enfraquecer a então URSS. Inspirados no livro, selecionamos algumas espiãs que deixaram sua marca na história. Confira:

 

Nancy Wake, a Rata Branca (1912 – 2011)

Nancy nasceu na Nova Zelândia e fugiu de casa aos 16 anos para Nova York e, mais tarde, Londres e Paris, trabalhando como jornalista correspondente de guerra.

Em 1940, após o exército alemão tomar parte da França, juntou-se à Resistência Francesa. Muito hábil em iludir seus captores, tanto que ganhou o apelido “Rata Branca”, se tornou a pessoa mais procurada pela Gestapo, a polícia secreta nazista, em 1943, que oferecia uma recompensa de 5 milhões de francos por sua cabeça.

Ela era inabalável. Quando descobriu que seus soldados estavam protegendo uma espiã alemã e não tinham coragem de neutralizá-la, ela mesma a matou.

Nancy foi a agente feminina mais condecorada no fim da guerra e, em entrevista à BBC, disse: “A liberdade é a única coisa pela qual vale a pena viver.”

Sua vida inspirou o livro Charlotte Gray, uma paixão sem fronteiras, posteriormente adaptado para um filme com Cate Blanchet.

 

Noor Inayat Khan, a Princesa Espiã (1914 – 1944)

Nascida em Moscou e descendente da realeza indiana por parte de pai, Noor e sua família se mudaram para a Inglaterra e ela se juntou à Força Aérea britânica, treinando para ser operadora de telégrafo sem fio. Seu trabalho preciso e seu francês excelente a qualificaram para ser a primeira mulher a ser enviada a uma missão.

Poucos dias após sua chegada em Paris, muitos agentes foram capturados e ela precisou realizar o trabalho de seis pessoas. Seus esforços foram cruciais para os Aliados, permitindo que pilotos britânicos escapassem da França ocupada e que novas entregas chegassem ao país.

Prestes a retornar para a Inglaterra, Noor foi traída. Em 1943 foi presa e interrogada pela Gestapo, mas se recusou a dar informações. Porém, seu caderno com informações confidenciais foi encontrado e usado para enviar mensagens falsas e capturar agentes Aliados.

Após tentar escapar duas vezes, ela e mais três agentes foram enviadas ao Campo de Concentração de Dachau, na Alemanha, onde foram executadas a tiros em 1944.

Mesmo após sua morte, foi condecorada com a medalha George Cross, a mais alta condecoração civil do Reino Unido e se tornou a primeira heroína de guerra muçulmana do país.

Uma estátua em sua homenagem foi erguida em Londres. Nela está gravada sua última palavra antes de ser executada em Dachau: “Liberté”.

 

Elizabeth Van Lew (1818-1900) e Mary Bowser

Uma das espiãs mais famosas da Guerra Civil americana, Van Lew nasceu em uma família abastada da Virgínia e lutava pela abolição da escravidão, apesar de fingir o contrário.

Por seu status social, tinha direitos concedidos apenas à elite. Podia, por exemplo, entrar na prisão de Libby, que abrigava capturados da União. Assim, levava suprimentos e, também, informações aos presos, ajudando-os a tramar fugas.

Após a morte de seu pai, herdou e libertou todos os escravos que ele possuía, entre eles, a jovem Mary. Próxima da família, a menina foi educada formalmente e enviada para ações missionárias. Quando a Guerra Civil foi declarada, Beth a recrutou para fazer parte de sua rede de espiões.

Mary Bowser se tornou sua mais importante agente e passou a trabalhar como funcionária doméstica na Casa Branca, onde o presidente dos Estados Confederados residia e reuniões sigilosas eram realizadas. Fingindo ser analfabeta e valendo-se de uma boa memória fotográfica, Mary olhava papéis importantes que eram deixados à vista e transmitia as informações para Van Lew, que as repassava para os aliados do Sul.

 

Mata Hari (1876-1917)

A mais célebre das agentes duplas da história, Mata Hari era antes de tudo dançarina. Fez sua fama nos salões de Paris, no início da Primeira Guerra, usando seus conhecimentos sobre a cultura oriental para entreter o público. À medida que envelhecia e sua carreira como dançarina exótica declinava, tornou-se cortesã de luxo para homens ricos e influentes.

Por ser holandesa, país que assumiu uma posição neutra durante a Primeira Guerra, Mata Hari cruzava com facilidade fronteiras na Europa. Nos primeiros anos da guerra, foi contratada pelos franceses para extrair informações de seus amantes alemães. No entanto, também teria feito o trabalho oposto, repassando informações da resistência francesa para os inimigos.

Em 1917 uma comunicação dos alemães descrevendo as atividades de uma agente atuando a seu favor foi interceptada pelos franceses. A descrição da espiã era tão semelhante a de Mata Hari que não houve dúvidas. A dançarina foi julgava e condenada à morte. De acordo com testemunhas oculares, recusou-se a vendar os olhos e assoprou um beijo sedutor para os atiradores antes de ser fuzilada.

Até hoje não se sabe se a transmissão alemã interceptada foi um mero azar ou enviada propositalmente para que Mata Hari fosse descoberta.

 

Melita Norwood (1912 – 2005)

Espiã mais importante da história da KGB, Melita começou sua carreira na década de 1930, quando passou a trabalhar como secretária para a Associação Britânica de Metais Não Ferrosos. A empresa parecia inofensiva à primeira vista, mas, na verdade, era parte de um projeto ultrassecreto de armas nucleares.

Quando os chefes saíam, Melita abria o cofre com documentos confidenciais, tirava fotos e as enviava para seu contato na KGB, que a conhecia pelo codinome de “Hola”.

Passando despercebida por anos, Melita enviou documentos secretos até 1972, quando se aposentou. Em 1979, viajou até Moscou para receber a Ordem do Estandarte Vermelho, uma condecoração de alto prestígio da União Soviética.

Em meados da década de 1960, agentes ingleses desconfiaram dela, mas não podiam acusá-la sem revelar seus métodos. Por isso, a espiã só foi exposta em 1992, após o fim da Guerra Fria, quando um ex-agente da KGB entregou documentos oficiais para a inteligência britânica, que os repassou a um professor de Cambrigde para que escrevesse um livro.

Sua vida inspirou o filme A Espiã Vermelha, estrelado por Judy Dench.

 

Virginia Hall, a dama que manca (1906 – 1982)

Conhecida como “a dama que manca” por conta de um acidente que sofreu aos 27 anos, a norte-americana Virginia já havia trabalhado em várias embaixadas europeias quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu e em 1940 foi recrutada para a SOE, organização de espionagem da inteligência britânica.

Na época, enviar mulheres para território inimigo era proibido, mas a organização tinha dificuldade de recrutar agentes para missões em que as chances de sobrevivência eram de 50%. Então, em 1941, ela foi enviada à França, onde se passou por repórter enquanto comandava unidades de resistência contra a ocupação nazista e ajudava a libertar prisioneiros.

Sua fama se espalhou a ponto de a Gestapo considerá-la “a mais perigosa entre os espiões dos Aliados”.

 

  

Mathilde Carré, a Gata (1908-2007)

Antes de se tornar espiã, Carré foi professora em Sorbonne e, logo no início da Segunda Guerra, tornou-se enfermeira até chegar, por fim, à rede de espionagem dos Aliados intitulada de Interallié, a maior da França. Vivendo sob o pseudônimo “Victoire”, ela ficaria mais conhecida pela alcunha “Gata”, por conta de seu estilo sorrateiro.

Capturada pelos alemães no fim de 1941, Carré foi interrogada, ameaçada de morte e recebeu a proposta de uma recompensa em dinheiro caso mudasse de lado. Ela virou  agente dupla e revelou mais de 100 membros da rede.

Quando Pierre de Vomécourt, um dos poucos membros restantes da Interallié, desconfiou de sua lealdade e a acusou de trabalhar para os nazistas, Carré confessou e implorou por misericórdia. Ele a convenceu de trabalhar para os Aliados novamente, fazendo dela uma agente tripla.

Em 1942, os dois fugiram para a Inglaterra, onde Carré foi interrogada e presa. Ao fim da guerra voltou à França e, em 1949, foi condenada à morte por traição, sentença que conseguiu reverter após apelar à Corte. A “Gata” terminou a vida reclusa, sob identidade desconhecida, e morreu em 2007.

 

Josephine Baker, a Vênus Negra (1906 – 1975)

Atriz, dançarina, cantora, ativista dos direitos civis e espiã da Resistência Francesa, a vida de Josephine não foi simples. A norte-americana naturalizada francesa tornou-se uma sensação em apresentações sensuais de dança nos bares de Paris e, quando a guerra eclodiu, decidiu defender o país que tanto amava.

Por conta de sua fama, Baker viajava pela Europa com frequência e era convidada para festas nas embaixadas ao lado de oficiais de alto escalão. Flertando e escutando conversas alheias, ela reunia informações e as transmitia aos Aliados. O agente secreto Jacques Abtey fingia ser seu assistente e anotava tudo com tinta invisível em suas partituras enquanto Josephine escondia fotos importantes em suas roupas íntimas.

Durante a guerra, ela podia frequentar livremente todos os bares e hotéis europeus que desejava, mas, em seu país de origem, por causa da segregação racial institucionalizada, ficava restrita a certos locais e exposta a violências diárias.

Após a vitória dos Aliados, Josephine tornou-se uma importante figura para o Movimento dos Direitos Civis, recusando-se a fazer shows em locais segregados e sendo a única mulher a discursar ao lado de Martin Luther King na Marcha de Washington. 

 

Sally e Irina, de Os segredos que guardamos

Em 1956, Irina é contratada como datilógrafa da CIA, embora sequer imaginasse que passaria na entrevista. Os agentes, no entanto, veem na tímida jovem o potencial para realizar feitos bem maiores: Irina atuará como secretária de dia e espiã à noite.

Sally, a glamorosa veterana que não vê a hora de voltar às missões, é a agente convocada para treiná-la. Em campo, Sally havia sido essencial durante a Segunda Guerra Mundial, mas, quando a Guerra Fria se instalou, foi relegada ao trabalho burocrático, dando suporte a homens com quem havia lutado lado a lado.

A primeira missão de Irina não é das mais simples: contrabandear um livro proibido na URSS de volta para o país. Todos na União Soviética sabiam que Boris Pasternak havia finalizado seu novo romance, Doutor Jivago, uma história de amor com a Revolução Russa como pano de fundo — na verdade uma crítica velada ao Estado. O livro foi descoberto por um editor italiano e impresso na Itália, e fez um estrondoso sucesso.

Sally e Irina precisam fazer com que cópias em russo cheguem ao território soviético, já que a ideia da CIA é usar o romance como uma poderosa arma ideológica contra o inimigo.

Inspirado em uma história real mas utilizando personagens fictícios, esse é o cenário de Os segredos que guardamos, em que Lara Precott apresenta uma história de espionagem contra a censura, seja ela imposta pelo Estado ou por qualquer ideologia patriarcal e preconceituosa. Conheça aqui.

O livro chegou ao intrínsecos, clube de assinatura da Intrínseca, em novembro de 2019 e os leitores amaram! Conheça o clube.

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Comentários

2 Respostas para “11 espiãs reais que marcaram a história

  1. Muito interessante o foco nessas importantes mulheres, já quero ler!

  2. Me interessei demais. Mais um que irei comprar. Intrínseca falindo famílias hahahahh sorte q tenho dois rins kkkkkk

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