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Leia um trecho de Cidade nas trevas, novo livro oficial de Stranger Things

22 / janeiro / 2020

Os fãs de Stranger Things, uma das séries mais famosas da Netflix, vão poder matar as saudades de um personagem muito querido: o chefe de polícia Jim Hopper.

No segundo livro do universo expandido da série – Cidades nas trevas –, Hopper e Eleven estão celebrando o primeiro Natal da menina. Ao descobrir uma misteriosa caixa etiquetada como Nova York, El pergunta ao pai o que aquilo significa. O resultado é uma viagem incrível ao passado de Hopper, no final da década de 1970, quando ele trabalhou na divisão de homicídios da polícia de Nova York e correu perigos inimagináveis para capturar um implacável serial killer.

O livro já está disponível, e você pode conferir um trecho inédito aqui:

Hopper se levantou, foi até a cozinha e ligou a cafeteira, uma relíquia que tinha encontrado em um dos armários e que, surpreendentemente, funcionava muito bem. Assim que começou a encher o compartimento de água, ouviu um baque.

El estava de pé, limpando as mãos na calça jeans. Na mesa, havia uma grande caixa de arquivo, rotulada com duas palavras escritas à mão:

 

NOVA YORK

 

Hopper não via aquela caixa havia anos, mas sabia muito bem o que guardava. Retornou à mesa, puxou a caixa e olhou para El.

— Não sei se é uma boa ideia…

— Você disse que podemos conversar sobre outra coisa. — Ela apontou para a caixa. — Outra coisa.

Pelo olhar e pelo tom de voz de El, Hopper sabia que, dessa vez, ela não daria o braço a torcer.

Certo. Nova York. Hopper se sentou e olhou a caixa. Pelo menos, era uma história mais recente.

Será que ela estava pronta?

Ou melhor, será que ele estava?

El se sentou à mesa, e Hopper tirou a tampa da caixa. Dentro, havia uma série de documentos desorganizados, com uma pasta parda no topo, atada com dois elásticos vermelhos.

Ah.

Ele enfiou a mão na caixa e, sem tirar a pasta dali de dentro, puxou os elásticos e abriu o documento. Uma grande foto em preto e branco o encarava — um cadáver numa cama, com uma camisa branca ensopada de sangue.

Hopper fechou a pasta, fechou a caixa e se sentou de volta. Olhou para El.

— Acho que não é uma boa ideia.

— Nova York.

— Olha, El…

De repente, a tampa da caixa se abriu sozinha. Surpreso, Hopper então encarou El. A expressão dela estava firme, imóvel, determinada.

Ele estalou o pescoço.

— Tá bom, tá bom! Você quer saber de Nova York, você vai saber de Nova York.

Ele puxou a caixa para mais perto. Dessa vez, ignorou a pasta parda e tirou o objeto que estava embaixo: uma grande carta de baralho, selada em um saco plástico, grampeado a uma ficha com o detalhamento da evidência.

Hopper fitou a carta — não tinha nenhuma característica marcante —, então virou o saquinho e colocou a ficha para trás. O verso da carta tinha apenas um símbolo, aparentemente desenhado à mão, com um traço preto e grosso: o contorno de uma estrela de cinco pontas.

— O que é isso?

Hopper ergueu o rosto. A menina estava de pé, debruçada sobre a caixa, curiosa. Ele tirou a caixa da frente dos dois e ergueu o cartão.

— É só uma carta de um jogo bobo — respondeu, rindo. De repente, sentiu o riso entalar na garganta e estudou de novo o símbolo. — Um jogo que você tiraria de letra.

El se sentou, encarando Hopper com um brilho no olhar.

— Um jogo?

— Calma. Uma coisa de cada vez.

Hopper baixou a carta, tirou a caixa de cima da mesa e a colocou no chão, ao lado de sua cadeira. Ainda ignorando a pasta com a foto, pegou uma pilha de documentos. No topo, encontrava-se uma carta de louvor do detetive-chefe do Departamento de Polícia de Nova York.

Hopper leu a data: Quarta-feira, 20 de julho de 1977. Respirou fundo e olhou para El.

— Antes de ser delegado em Hawkins, eu trabalhava na polícia de Nova York. Era detetive na divisão de homicídios.

A menina repetiu a palavra estranha.

— Ah, sim — disse Hopper. — Homicídio significa assassinato.

A menina arregalou os olhos.

Hopper bufou, temendo ter aberto a Caixa de Pandora.

— Bom, no verão de 1977, aconteceu um negócio muito estranho…

E se você ainda quer mais um pouco de Stranger Things, corra para conhecer Raízes do mal, livro que revela a verdade sobre os experimentos secretos que aconteciam no Laboratório de Hawkins e a origem dos poderes da Eleven.

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