testeUma Espanha confinada que não pode enterrar seus mortos

Por Karina Sainz Borgo*

Faz quase quinze dias que o governo espanhol decretou estado de emergência em virtude da expansão do coronavirus, uma declaração que veio a reboque de uma crise que já existia muito antes. No dia 15 de março, eram sete mil infectados. Hoje o número já ultrapassa os 40 mil e esta semana os mortos estão beirando os 4 mil, o que fez a Espanha superar o número da China. Por causa da falta de material hospitalar, os médicos representam uma parcela significativa.

A anestesia de silêncio do governo desapareceu com a dica deixada pelo decreto do estado de emergência. A primavera — um tempo de bares, festas regionais e dias relaxados — foi sepultada pelo escarro da realidade. As verdadeiras igrejas dos espanhóis, os bares, estão fechados. E com eles o comércio, as escolas, as estradas, os parques, as bibliotecas, os museus… Tarde e mal, assim chegou a realidade. Uma tão grave que confina seus mortos em uma pista de gelo. Não há capacidade sequer para enterrá-los.

Como Cassandra, a Itália foi um espelho trágico com o qual aprender, mas não escutamos. A morte percorreu as ruas vazias, bateu na porta de uma sociedade que parecia tê-la esquecido. O país da guerra do milhão de mortos agora não sabe o que fazer com os seus. Na Espanha antes da pandemia, as varandas eram lugares a partir dos quais se apresentar ao espetáculo do mundo, a estufa em que os espectadores regavam samambaias e tédio. Em Sevilha um lugar para ver as procissões, em Pamplona os festejos de são Firmino.  

Desde que a quarentena foi decretada, para os espanhóis a varanda se converteu em um oratório de catarses, uma prótese da festa com a qual se aplaca a angústia. Um habitáculo para se encontrar com o mundo e burlar o ferrolho que impede de ir para a rua. Todas as noites, as pessoas vão para as varandas a fim de aplaudir os médicos, cantam e contam coisas umas para as outras como os napolitanos fizeram há apenas duas semanas.

Nem todo mundo tem varanda. Quem tem descreve a sua como se fosse uma casa à beira-mar. Nessa parte onde antes se juntavam vasos de plantas, esfregões e roupa estendida, agora ocorre o momento fugaz das tréguas: tomar o café e se deixar tocar pelo sol, escutar o barulho da rua e pensar no que fazer quando tudo isso terminar.

Quem pode desfrutar de um terraço ou de uma varanda imensa não apenas descreve a sensação, mas também se emociona! A varanda ainda é o lugar dos medos e desejos, mas o tamanho deles mudou. Onde antes brotava o hematoma do dinheiro ou o medo do desamor, agora se emulsificam imagens mais simples, gente que aplaude ou chora aqueles a quem não podem dar uma sepultura.

O estado de emergência se estende, como uma sombra em nossas vidas, não há saída. Quando telefonamos para aqueles com quem ainda podemos falar sobre o assunto, sentimos, como Matteo Scuro do filme de Tornatore, que o mundo para ao nosso redor. E mesmo assim, ante a pergunta sobre como todos estão, damos a mesma resposta: estamos todos bem, ainda que não seja certo. Estarmos vivos já vale.

 

*Karina Sainz Borgo é escritora, jornalista e autora de Noite em Caracas.

testeNovo livro do autor de Um dia chega às livrarias em abril

Quanto tempo dura um amor de verão? Aos 17 anos, Charlie tinha acabado de terminar o ensino médio, enfrentava uma crise familiar e havia se afastado dos melhores amigos. Tudo indicava que aquele seria um longo verão solitário, até que um encontro casual com um grupo de teatro amador muda o rumo da história. Uma das integrantes do grupo é Fran, uma menina bonita e carismática que convida Charlie para participar da próxima peça da companhia: Romeu e Julieta. E assim, saindo totalmente de sua zona de conforto, ele embarca numa aventura que mudaria sua vida para sempre.

Em Uma dor tão doce, essa história é contada por Charlie já adulto e às vésperas de seu casamento. Com uma mistura sutil de humor e melancolia, ele convida o leitor a um passeio por aquelas semanas do passado, com as lembranças, os amores e as relações familiares que ajudaram a moldar o homem que se tornou.

Uma dor tão doce, de David Nicholls, autor do aclamado romance Um dia, foi enviado na caixa de fevereiro do clube intrínsecos e chega às livrarias a partir de 23 de abril. Conheça também os outros livros do autor, todos disponíveis em e-book.

testeNovo conto gratuito de Felipe Castilho: Diga AXIOMA e sorria

Ray Bradbury, autor do clássico Fahrenheit 451, afirmava que toda a história da humanidade não era nada além de ficção científica. Se tudo o que sonhamos é ficção e tudo o que fazemos é ciência, não há como contestar a afirmação do escritor. Pensando nisso, se olharmos para o futuro, a ficção científica nos mostra dois caminhos distintos: a utopia e a distopia.

Na primeira, alcançamos a total harmonia entre tecnologia, sustentabilidade e sociedade — todos os problemas sociais se extinguem e o mundo vive sua fase áurea. Mas, na segunda, vivemos constantemente sob forte opressão, desespero e/ou dominação, seja do governo ou de grandes corporações.

O futuro apresentado em Recursão pode ser entendido como o começo de uma possível distopia: quando uma doença misteriosa se espalha por Nova York, pessoas começam a ter lembranças de coisas que nunca aconteceram. Realidade, ficção e imaginação se misturam silenciosamente pela cidade, e uma grande corporação pode estar por trás de tudo isso.

Inspirado no livro de Blake Crouch, Felipe Castilho, autor de A Ordem Vermelha e Serpentário, nos presenteia com um conto inédito, em que a quantidade exorbitante — e atordoante — de informações cria uma sinfonia caótica na mente dos moradores de uma São Paulo distópica.

Leia abaixo o conto completo:

 

Diga AXIOMA e sorria

Por Felipe Castilho

A multidão estava inquieta, ainda que quieta. Mesmo com todas as bocas fechadas, era possível ouvir seus urros, gritos de guerra e palavras de ordem. Lágrimas doloridas faziam os cantos dos olhos de Milton arderem ainda mais. Ombro a ombro com outros manifestantes, ajeitou o lenço umedecido de vinagre que cobria o rosto, enquanto uma garrafa voava por cima de sua cabeça. Com um ruído extremamente satisfatório, o vidro espatifou-se em um carro abandonado diante da parede de escudos da Polícia Corporativa, e uma flor de fogo o engolfou com pétalas de lótus cintilante. Mesmo diante das labaredas, os fardados permaneceram inertes, aguardando o próximo movimento da turba que protestava.

A avenida havia se tornado um campo de batalha. Na verdade, nos últimos meses, aquele era um campo de batalha que de vez em quando se tornava uma avenida. Em dias de tumulto ou de relativa paz, os carros sempre estavam por lá — mas nem sempre em chamas.

“Quem diria que o combustível fóssil ainda teria uma utilidade para os carros elétricos”, pensou Milton, e ouviu risos à sua volta.

Fazer piadas com o aplicativo de compartilhamento neural era sempre arriscado e, na maioria das vezes, involuntário, pois em geral não havia tempo de formulá-las. Quando se fazia parte de um grupo de MindShare, o normal era ser bombardeado por exclamações desconexas, um fluxo sem fim de opiniões não solicitadas e pensamentos de cunho sexual em momentos inoportunos: as ideias dos outros, despejadas diretamente dentro de seu cérebro.

“É como beber a água oferecida por alguém, mas com esse alguém já despejando-a dentro da sua bexiga.”

Mais risos. Mais granadas de gás lacrimogêneo.

Treinar o cérebro para não formular pensamentos o tempo todo era algo difícil, mas Milton estava melhorando — afinal, a necessidade de fragmentação mental era uma habilidade que o mercado de trabalho exigia (“Você consegue cuidar de quantas tarefas ao mesmo tempo?”), e assim nascia a obrigação de sentir o maior número possível de emoções simultâneas. O tempo todo. O entretenimento era um aquecimento para a única coisa que um humano poderia fazer de bom: produzir. Se algumas pessoas conseguem pensar em três ou quatro coisas ao mesmo tempo, então por que um empregador iria querer alguém que só consegue fazer um mísero trabalho por vez?

Milton costumava fazer traduções técnicas para manuais de acroescavadeiras enquanto lecionava no ensino fundamental. Ocasionalmente, fazia tudo isso editando episódios de mindcast como freelancer. Milton chorava com frequência, independentemente de estar ou não em protestos com gás lacrimogêneo.

Era necessário adaptar-se, uma vez que, com o declínio do petróleo, do lítio, do cobre e do tântalo na Terra, os celulares haviam passado a custar o preço de um jetpack esportivo. E se não havia matéria-prima suficiente nem para a produção massiva de smartphones, androides estavam fora de questão.

“Sem podermos fabricar robôs, nós nos transformamos neles”, pensou alguém no meio da multidão, respondendo ao devaneio de Milton. Sendo ele  professor de História, entre muitas outras profissões, aquilo não era novidade alguma. Mas a nuvem de MindShare se encarregou de expô-lo ao chavão, pois era assim que funcionava o pensamento coletivo involuntário. O que você já sabia e o que você não sabia eram inevitavelmente jogados diante de alguém: você mesmo.

Se era incômodo ter o spam ininterrupto dos pensamentos de tanta gente dentro de seu cérebro, pelo menos um grupo de MindShare ajudava bastante a organizar mobilizações: não só esportes coletivos, orgias (o que deu origem ao app MindFuck) e apresentações de dança com coreografias, como também uma manifestação em prol da saúde mental de professores que enfrentam uma tropa de choque armada com bastões elétricos, granadas de efeito moral e escudos de superfície incandescente.

O problema era que o outro lado, munido de bastões elétricos, granadas de efeito moral e escudos de superfície incandescente, também estava conectado em um grupo de MindShare.

Após alguns instantes de mais gritos e ataques ineficazes, a Polícia Corporativa da Capital enviou uma mensagem ao grupo de MindShare diante de seus escudos. A solicitação ecoou no cérebro dos manifestantes:

 

[PCC – Pelotão 71] está pedindo autorização para conectar-se ao grupo [#MarchaDia30]

Diga LONTRA para aceitar a conexão
Diga ALMOFADA para rejeitar a conexão

 

“E aí?”, pensou Milton, e recebeu uma avalanche de negativas em resposta. Mais da metade do grupo precisaria dizer em voz alta a senha gerada aleatoriamente para que a conexão fosse feita; mas os professores não recuariam agora. Era necessário lutar por condições dignas de trabalho e por leis que não permitissem que a classe trabalhadora docente realizasse tantas atividades ao mesmo tempo. Cuidar de um grupo de MindShare cheio de adolescentes com todos os tipos de pensamentos fervilhantes era algo que, por si só, podia causar um aneurisma.

Centenas de vozes gritaram ALMOFADA em uníssono, e a conexão com a Polícia Corporativa foi recusada. A palavra, soando pela avenida sem contexto algum, causou mais risos, inclusive entre as fileiras de policiais, desconcentradas por um instante.

Mas então retomaram a atenção com mais granadas de gás.

Milton chutou uma das latas de volta, sentindo a ardência retesando os músculos de seu rosto novamente. Ouviu os gritos dos colegas de profissão e passou seu lenço umedecido para os amigos que reclamavam pelo MindShare, ainda de olho na movimentação da Polícia, que avançava com passadas sincronizadas.

Nesse momento, outra solicitação apareceu nos pensamentos de Milton:

 

[Ana T.] está pedindo autorização para conectar-se a [VOCÊ]

Diga AXIOMA para aceitar a conexão
Diga BOLO para rejeitar a conexão

 

— AXIOMA — disse Milton, sem pensar.

E, no mesmo instante, o pensamento de sua esposa espremeu-se entre o seu instinto de sobrevivência e os protestos dos outros professores.

“Adivinha?”, falou ela, tentando fazer suspense, mas a emoção transbordava em sua mente.

Guardar segredos era difícil quando se compartilhava pensamentos. Na situação mais bipolar possível, Milton abriu um sorriso enquanto a Polícia resolvia avançar para rechaçar os manifestantes de vez. Pela atitude, parecia que a PCC estava em um link neural com o Governador-Gestor, acostumado a ações de repressão violentas.

“Ela falou algo?”, enviou ele, enquanto a superfície de um escudo queimava as palmas de suas mãos mesmo através das grossas luvas de couro.

Milton aparou um golpe de bastão elétrico e chutou as juntas do policial. Aquilo sempre funcionava, mesmo em pessoas de armadura.

“Sim! Ela disse au au! Milton, sua filha apontou para a Belinha e disse au au!”

Ele continuou sorrindo em meio ao caos. Estava fazendo duas coisas completamente opostas: protestava e celebrava a vida de uma criança que merecia um mundo melhor que aquele. A sua volta, estampidos, gritos de dor e o som inconfundível e secular de pessoas que exigiam direitos tendo os ossos quebrados. Seus lábios tremeram de alegria e de nervoso enquanto seus links neurais despejavam em sua mente palavras de ordem e as primeiras palavras de uma bebê.

Mais granadas de gás. Mais lágrimas escorreram pelo rosto de Milton. Ele não sabia distinguir quais eram as que ardiam e quais eram as que lhe davam esperança de lutar.

testeOuça a nossa playlist de músicas para ler

Quando precisamos de concentração, como na hora de ler um livro, por exemplo, não existe nada como o silêncio. Mas, algumas vezes, ter uma musiquinha ao fundo pode combinar com o clima da história e aliviar um pouco a tensão. Pensando nos momentos em que queremos ter uma trilha sonora gostosa para acompanhar a leitura, pedimos ajuda aos leitores e criamos uma playlist.

O resultado você confere aqui embaixo. É só apertar o play, abrir as páginas de um livro e relaxar:

 

testeSó um verdadeiro fã do mundo peculiar vai acertar mais de 6 respostas neste teste

 

A série O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares conquistou milhares de leitores no Brasil, e o quinto livro, A Convenção das Aves, chega às livrarias esse mês. Mas a pergunta que não quer calar é seguinte: você consegue acertar mais de seis respostas nesse quiz feito especialmente para os fãs da série? Descubra!

testeMelhores adaptações de livros para a TV e o cinema

Compartilhar boas histórias é o que mais amamos fazer. E ver nossas histórias e personagens favoritos saírem do papel e ganharem vida nas telas é um sentimento inexplicável.

 A partir de boas adaptações, podemos conhecer novas leituras e explorar cada detalhe daquele universo. Por isso, separamos uma lista com os melhores filmes e séries inspirados nos nossos livros! Pegue a pipoca, prepare a sessão de cinema em casa, chame a família toda e assista às histórias que conquistaram um lugar especial nos nossos corações e estantes:

 

1. Quem é você, Alasca?

 Em 2019, o primeiro livro escrito pelo nosso querido John Green ganhou uma série imperdível na plataforma de streaming Hulu.

 Quem é você, Alasca? conta a trajetória de Miles, um garoto tímido e cansado de sua vida monótona, que decide sair de casa e procurar por um “Grande Talvez”. Nesta busca, ele vai parar no internato Culver Creek, onde encontra o maior enigma de sua vida: Alasca Young.

 

2. Objetos cortantes

Quem acompanha a Intrínseca sabe o quanto somos apaixonados pela Amy Adams! Estrela de A Chegada e Animais Noturnos, adaptações dos nossos livros História da sua vida e outros contos e Tony & Susan, seu mais recente trabalho na televisão foi Sharp Objects: Objetos cortantes, inspirado no thriller psicológico de Gillian Flynn.

 Na trama, acompanhamos a história de Camille Preaker, uma jornalista recém-saída de um hospital psiquiátrico que precisa encarar as feridas do passado e retornar à cidade natal para investigar o assassinato e o desaparecimento de duas meninas. Agora, além de se ver obrigada a lidar com sua família disfuncional e seus demônios internos, Camille vai descobrir segredos perturbadores capazes de deixar qualquer um sem fôlego.

 

3. Pequenos incêndios por toda parte

Aquela série que mal chegou e nós já consideramos pacas: Pequenos incêndios por toda parte!

Estrelada e produzida por ninguém menos que Reese Witherspoon e Kerry Washington, a trama começa com um misterioso incêndio na casa dos Richardson, uma das famílias mais importantes de Shaker Heights. No bairro que beira a perfeição, onde tudo é cuidadosamente planejado, a chegada de uma nova moradora fez com que segredos profundos sejam revelados, abalando as estruturas do local e mostrando que as primeiras faíscas desse episódio surgiram há mais tempo do que se poderia imaginar.

 

4. Pequenas grandes mentiras

Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Shailene Woodley, Laura Dern e Zoe Kravitz dão um show de atuação e empoderamento feminino em Big Little Lies.

 Inspirada na trama de Liane Moriarty, a premiada história narra os acontecimentos que deram origem à catastrófica festa oferecida aos pais dos alunos do jardim de infância da escola de Pirriwee. Todos sabem que alguém morreu naquela noite. Mas como isso aconteceu? E quem é o culpado?

 Em torno do mistério, acompanhamos também a indescritível força da união entre mulheres e o perigo das meias verdades que contamos o tempo inteiro.

 

5. Com amor, Simon

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Becky Albertalli é minha pastora e grandes histórias de amor não faltarão nesta listinha! <3

 Aos 16 anos, Simon vive um dilema: ele é gay, mas não sabe como falar sobre o assunto com a família e os amigos. Ele entende que não há nada de errado nisso, mas tem medo de que as coisas fiquem diferentes com as pessoas que ama.

 Quando começa a trocar mensagens com o misterioso Blue, um menino do colégio que enfrenta o mesmo dilema, acompanhamos o desenvolvimento de uma grande história de amor, coragem e aceitação.

 

6. Um dia

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Preparem os lencinhos! Chegou a hora de se emocionar com o inesquecível romance de David Nicholls.

 Em Um dia, testemunhamos os encontros e desencontros de Emma e Dexter ao longo de vinte anos. Quando o dia 15 de julho de 1988 nasce, os dois seguem caminhos diferentes, mas já está feito: por mais que briguem, escolham estilos de vida diferentes ou lutem por ideais opostos, os destinos de Dex e Em estão irremediavelmente ligados.

 

7. A culpa é das estrelas

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Outro romance perfeito para deixar a gente chorando horrores debaixo das cobertas com uma panela de brigadeiro no colo é A culpa é das estrelas, de John Green.

 O filme conta a história de dois adolescentes que se conhecem em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer. Em meio às fatalidades de suas vidas, Hazel e Gus descobrem juntos um mundo apaixonante e extraordinário.

 

8. Me chame pelo seu nome

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Você se lembra da sua primeira paixão?

 É verão na Riviera Italiana. Entre discussões sobre arte e literatura e passeios de bicicleta, Elio e Oliver tentarão desvendar exatamente o que sentem um pelo outro. Intenso e delicado, Me chame pelo seu nome explora a beleza da primeira paixão narrada com as brutais emoções da juventude.

 

9. Como eu era antes de você

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Nesta história que encantou milhares de pessoas ao redor do mundo, conhecemos a atenciosa e desastrada Louisa Clark, que acabou de perder o emprego no café em que trabalhava. Precisando do dinheiro para ajudar sua família, ela aceita trabalhar como cuidadora de um tetraplégico na casa da família Traynor. Lá, ela deve ajudar o mal-humorado Will, que desconta em todos à sua volta o ressentimento por estar preso em uma cadeira de rodas. Contudo, embora não desconfiem, eles vão marcar para sempre a vida um do outro.

O filme é inspirado no primeiro livro da trilogia Como eu era antes de você, da Jojo Moyes. Seria o nosso sonho um filme dos outros dois livros?

 

10. Garota exemplar

Tanto no livro quanto no filme, uma história que nos deixa fissurados do início ao fim, sem saber em qual personagem confiar, é Garota exemplar.

Na manhã do quinto aniversário de casamento, Amy desaparece da nova casa, às margens do rio Mississippi. Tudo indica se tratar de um sequestro, e Nick imediatamente chama a polícia, mas logo as suspeitas recaem sobre ele. Exibindo uma estranha calma e contando uma história bem diferente da relatada por Amy em seu diário, ele parece cada dia mais culpado, embora continue a alegar inocência. À medida que as revelações sobre o caso se desenrolam, porém, fica claro que a verdade não é o forte do casal.

 

11. Crepúsculo

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Que tal fazer aquela sessão nostalgia em casa e maratonar a saga completa de Crepúsculo?

Recém-chegada em Forks, Bella tenta se adaptar à nova vida ao lado do pai, com quem nunca conviveu. Contudo, ela não esperava que a repentina mudança para a chuvosa cidade lhe trouxesse uma paixão incontrolável pelo misterioso Edward Cullen, um vampiro capaz de ler pensamentos – menos os dela.

 

12. A princesa prometida

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Um clássico inesquecível da Sessão da Tarde: A princesa prometida!

Inspirando o filme dos anos 1980, a obra de William Goldman marcou gerações e se tornou referência dentro da cultura pop para vários filmes e séries, como Game of Thrones e How I Met Your Mother.

Em uma paródia aos contos de fada, A princesa prometida conta a história de Buttercup, uma camponesa que se apaixona perdidamente pelo jovem humilde que trabalha na fazenda de seu pai. Depois da suposta morte do amado, porém, ela concorda em se casar com um príncipe de outro reino. Pouco tempo antes de seu casamento, a princesa é capturada por um trio nada assustador e, a partir daí, as coisas mais inconcebíveis começam a acontecer com o grupo.

 

13. Para todos os garotos que já amei

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Romances fofos, leves e divertidos para aquecer o coração? Temos!

Lara Jean teve cinco crushes na vida, e escreveu uma cartinha para cada um deles contando tudo o que sentia. O problema é que, apesar de secretas, alguém as enviou acidentalmente. Agora, a vida amorosa da menina – que era inexistente – virou de pernas para o ar, e ela vai precisar ter muito jogo de cintura para sair dessa confusão!

E olha que notícia maravilhosa: as adaptações dos dois primeiros livros da trilogia, Para todos os garotos que já amei e P.S.: Ainda amo você, já estão disponíveis e mal podemos esperar pelo último filme, Agora e para sempre, Lara Jean. Libera logo pra gente, Netflix! <3

 

14. Extraordinário

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Chegou a hora de falar de um dos nossos bebezinhos, que encantou milhares de crianças e adultos com sua história emocionante.

Aos 10 anos, Auggie está pronto para frequentar a escola pela primeira vez. Com uma severa deformidade facial, o garoto tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

testeLivros para desacelerar, buscar o bem-estar e rever hábitos

Para muitos, estar em casa não significa necessariamente se desligar ou descansar. A rotina acelerada e o mundo hiperconectado em que vivemos dizem ao nosso cérebro que ele deve aproveitar cada segundo possível, seja planejando, criando ou atualizando a rede social.

Em tempos de isolamento social, é comum que fiquemos ansiosos ou tenhamos a necessidade de mostrar algum tipo de produtividade, trabalhando de home office ou esperando que tudo isso passe.

Pensando nisso, fizemos uma lista com livros que podem te ajudar a pisar no freio e fazer com que, de algum modo, você enfrente melhor esse período. 

 

A quietude é a chave

Se durante o dia você não consegue pensar com clareza e, à noite, tem crises de medo e ansiedade, talvez tudo que você precise é alcançar a quietude.

Em A quietude é a chave, Ryan Holiday nos mostra como podemos manter nossa mente limpa e livre de preocupações desnecessárias usando como exemplo histórias de vida de grandes líderes, pensadores e artistas.

De uma maneira simples e informal, o autor ensina como manter uma rotina diária, ter um hobby e cultivar o silêncio, e explica que adotar essas práticas pode ser o caminho que tanto buscamos para encontrar a valiosa paz interior.

 

Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais

Você já sentiu que se não estiver por dentro de todos os assuntos que são Trending Topics no Twitter ou não acompanhar os stories daquele famoso estará perdendo tudo de bom que tem na internet? Alguma vez você ficou sem conexão por mais de 24 horas e achou que fosse morrer? Ou, pior ainda, ficou na internet por um longo período e achou que fosse desmaiar com tanta informação?

Jaron Lanier tem uma linha de pensamento muito simples: “Evito as redes sociais pela mesma razão que evito as drogas.” Em Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais, o filósofo digital explica por que as mídias sociais se tornaram um parasita que tomou conta de seu hospedeiro e como seria se você deletasse seus perfis e levasse uma vida diferente.

>> Leia uma entrevista com o autor.

 

Cozinhar

Com tantas informações e regras nutricionais, por vezes nos esquecemos da alegria de comer ou da felicidade em compartilhar uma refeição com quem amamos.

A transformação pela comida vem sendo cada vez mais discutida nos dias de hoje, e Michael Pollan, autor, jornalista, ativista e professor, é uma das referências na área. Pollan é defensor da criação de uma consciência por trás dos pratos e autor de Cozinhar: Uma história natural da transformação, obra que inspirou a série Cooked, da Netflix.

Após 15 anos investigando os hábitos alimentares modernos, o autor mostra como as indústrias criam modelos alimentares baseados na uniformidade e no melhor custo e acabam sobrecarregando os alimentos de aditivos químicos e conservantes. Pollan defende o consumo de comida produzida por seres humanos em vez de grandes corporações e afirma: não existe segredo para se manter uma dieta saudável. “É simples: coma comida, não muito, e principalmente de origem vegetal. Não chega a ser física quântica, não é mesmo?”

Pollan também tem outros livros pela Intrínseca: O dilema do onívoro, Regras da comida, Em defesa da comida e Como mudar sua mente.

>> Leia uma entrevista com o autor.

 

Comer para não morrer

Em Comer para não morrer, descobrimos como alimentos comuns podem contribuir drasticamente para a nossa saúde. No livro, o dr. Michael Greger compartilha informações sobre a indústria alimentícia, dicas do que colocar no prato e até algumas receitas!

Com uma linguagem clara e ferramentas práticas que nos indicam o que, quando e em que quantidade comer, o livro desmistifica a ciência por trás da revolucionária dieta plant-based e mostra que adotá-la está longe de ser um bicho de sete cabeças.

 

A sutil arte de ligar o f*da-se e F*deu geral

Você vai fracassar. Isso é uma verdade e também parte da jornada. Em A sutil arte de ligar o f*da-se, Mark Manson nos mostra que, para focar nos problemas importantes da vida, temos que ligar o f*da-se para o resto. Não adianta se preocupar com aquele prazo irreal que você não vai conseguir cumprir ou com questões e situações que não podem ser resolvidas. O melhor a fazer é erguer a cabeça e seguir em frente.

Mas o que fazer quando o mundo todo está um caos? Bom, então talvez seja a hora de dizer que F*deu geral.

Sobreviver com a saúde mental intacta aos dias atuais parece difícil, já que somos bombardeados com péssimas notícias toda vez que abrimos o jornal, desbloqueamos o celular ou simplesmente andamos na rua. Mas é possível.

Neste livro, Mark Manson apresenta uma nova e desconfortável ideia: o mundo está uma bagunça completa, e precisamos encontrar uma maneira de lidar com isso, criando estratégias de esperança que podem nos ajudar a sobreviver nesse mundo complexo.

 

Ikigai

Tem dias em que é difícil levantar da cama com alegria e disposição. Sem sabermos qual o nosso verdadeiro propósito na vida, acordar cedo nos fins de semana ou até mesmo trabalhar podem parecer atividades sem sentido.

Segundo os japoneses, o segredo para tornar essa caminhada mais fácil é encontrar seu ikigai, conceito que pode ser definido como razão de viver. Para eles, é preciso saber o que você ama e o que você faz muito bem, entender o que o mundo precisa e o que você pode ser pago para fazer.

Ikigai é um guia com informações claras e sucintas, que traz listas, explicações, tabelas, ilustrações e exercícios que colocam em suas mãos as ferramentas certas para entender e encontrar seu propósito.

testeLivros para divertir as crianças

 

Ser criança é poder criar, sonhar e acreditar que tudo é possível. E a literatura não é muito diferente: com ela podemos visitar universos mágicos, salvar o mundo de inimigos (quase) indestrutíveis, nos emocionar, nos apaixonar e aprender valiosas lições. Tudo isso sem sair de casa.

Livros também foram feitos para unir. Através das histórias, nos conectamos uns aos outros e criamos laços indestrutíveis. Por isso, fizemos uma lista de livros infantis perfeita para toda a família se divertir e embarcar no mundo da leitura!

 

Para os pequenininhos (1 a 6 anos)

 1. Baby Shark!

Baby shark! Doo doo doo doo

O tubarão mais amado do mundo ganhou um livro ilustrado, perfeito para ler e cantar juntos! <3

Inspirado no hit global que conquistou as crianças, Baby Shark! traz um passeio em família por um aquário, onde os pequenos podem conhecer os tubarões. O livro é escrito em português e inglês, com ilustrações superdivertidas e fofas e uma cartela de adesivos exclusiva.

 

2. Coleção Pipoquinha

Que tal ver e ler os clássicos da sua infância ao lado dos seus filhos?

Com as ilustrações encantadoras de Kim Smith, é impossível não relembrar a infância dos anos 1980 e 1990 e se apaixonar mais uma vez por De volta para o futuro, E.T. – O extraterrestre e Esqueceram de mim! <3

 

3. O touro Ferdinando

Outra história linda para ler, reler e assistir ao lado das crianças!

Ferdinando é um touro que sempre odiou brigas e violência. Ele gosta mesmo é de animais, árvores e flores. Mesmo que todos os seus amigos adorem participar de touradas, ele prefere fazer aquilo que o deixa feliz. O touro Ferdinando nos ensina que não precisamos ser o que esperam de nós. Uma história inspiradora que demonstra que não há nada de errado em ser diferente!

 

Para os mais grandinhos (6 a 10 anos)

 

  1. Coleção Jovens Pensadores

Quem disse que crianças não podem mudar o mundo? Na Coleção Jovens Pensadores, Ada, Paulo Roberto, Rita e Sofia mostram que ninguém é pequeno demais para pensar grande!

Ada Batista, cientista conta a história de Ada, uma garotinha tímida e curiosa que adora experimentar e descobrir coisas novas. E Paulo Roberto, protagonista de Paulo Roberto, arquiteto,  não é muito diferente: com muita inteligência e ousadia, ele consegue elaborar as construções mais inusitadas.

Outra menina que surpreende os adultos é Rita Bandeira, capaz de ver inspiração onde as pessoas veem lixo. Com suas invenções magníficas e ideias mirabolantes, ela tem tudo para ser uma grande engenheira. Já Sofia Pimenta é uma menina atenciosa e prestativa que não mede esforços para mudar sua vizinhança e fazer do mundo um lugar melhor.

A Coleção Jovens Pensadores conta com uma lista de atividades, disponíveis aqui, para toda a família soltar a imaginação, criar e explorar junto com Ada, Paulo Roberto, Rita e Sofia. 

 

2. João e Maria

Que tal encarar os perigos de uma floresta aterrorizante com João e Maria?

Neil Gaiman e Lorenzo Mattotti se unem para recontar o clássico João e Maria. Familiar como um sonho e perturbador como um pesadelo, o conto narra a saga de dois irmãos que, em tempos de crise e falta de esperança, são abandonados pelos próprios pais e precisam enfrentar os perigos de uma floresta sombria.

 

3. No tempo dos feiticeiros

Com muita magia e aventura, o novo livro da autora de Como treinar o seu dragão conta a  incrível história do feiticeiro Xar e da princesa guerreira Desejo, que precisam superar suas diferenças e lutar lado a lado contra um mal terrível.

Para completar a diversão, toda a família pode se reunir para brincar com o fantástico jogo da memória de No tempo dos feiticeiros, disponível no nosso site.

 

4. Extraordinário

Um livro que encanta crianças e adultos, Extraordinário nos ensina lições importantes sobre amizade, gentileza, empatia e amor.

Nele vamos conhecer Auggie, um menino que nasceu com uma síndrome que o deixou com uma aparência incomum. Agora, aos 10 anos, ele deixará de estudar em casa com sua mãe e precisará lidar com os desafios de ir para uma escola pela primeira vez. Com muita coragem e carisma, August Pullman vai nos mostrar que a aparência não importa, pois somos todos extraordinários do nosso próprio jeito.

testeHistórias que todo mundo ama reler e rever

Descobrir novos livros, filmes e série é sempre uma aventura emocionante: você conhece personagens novos, se surpreende a cada página e termina com mais uma história para contar.

Só que também existe algo de muito mágico em reler aquele livro que você já decorou todinho, do começo ao fim. Ou em rever aquele filme que você conhece as falas, sabe quando vai ter uma música específica e até notou que existe um pôster do Harry Styles escondido na cena (olá, Para todos os garotos que já amei).

Pensando nas histórias que nos fazem sentir aquele quentinho no coração, conhecidas na internet como os comfort movies e os comfort books, decidimos fazer uma lista das tramas que amamos revisitar. Confira:

 

Como eu era antes de você

Seja por sua personalidade única ou seu jeito exótico de se vestir, Lou Clark é uma personagem com tantas camadas que é impossível não querer reencontrá-la de novo e de novo! Ao longo dos três livros – Como eu era antes de você, Depois de você e Ainda sou eu –, vemos Lou crescer e aprender muito sobre a vida, e quando chega no final fica bem difícil se despedir dessa menina. Por isso, reler esse clássico da Jojo Moyes é essencial, e rever o gato do Sam Claflin também 😉

 

Crepúsculo

Você pode não lembrar seu número de telefone nem o que comeu no almoço, mas temos certeza de que se lembra de um certo vampiro que brilha no sol e o romance proibido com uma jovem adolescente chamada Bella. Sim, estamos falando de Crepúsculo, a saga que marcou a juventude de muita gente e está gravada na memória de todo mundo. Só de falar nessa história já dá vontade de reencontrar os Cullen!

 

A culpa é das estrelas

John Green é mestre em escrever livros para sublinhar as páginas do começo ao fim –, e isso significa querer reler cada um to-di-nho. O difícil é não chorar! Parece que quanto mais você relê (ou revê) a história de amor de Hazel Grace e Augustus Waters, de A culpa é das estrelas, mais bonita ela fica.

 

Extraordinário

Se você procurar na internet a definição de “amorzinho”, vai logo encontrar Extraordinário, a emocionante e imperdível história de Auggie. Com uma importante mensagem sobre amizade, gentileza e amor, não existe hora errada ou tempo ruim para relembrar todos os ensinamentos e coisas boas que Extraordinário tem a nos oferecer.

 

Para todos os garotos que já amei

A Netflix deve estar cansada de ver a gente apertar o play na adaptação cinematográfica de Para todos os garotos que já amei! Com uma protagonista mais do que fofa, crushes lin-dos (Team Peter ou Team John?) e uma história para lá de divertida, a trilogia da Lara Jean é a pedida perfeita para quem não gosta de riscos e quer a garantia de que vai encontrar o romance perfeito sempre.

 

Cinquenta tons de cinza

Falando em romance, tem gente que já confessou que nunca vai superar um certo Sr. Grey… E você pode nos incluir nessa lista! Não importa quantas vezes ele chamar, a gente sempre vai reler e rever a trilogia que esquentou o clima e deixou a vida de todo mundo um pouco mais sexy. E para quem está com saudades do Grey, a pedida é fazer o combo Cinquenta tons de cinza seguido de Mister, um sedutor conde inglês que tem o mesmo sobrenome que Christian (vem saber mais)!

 

Um dia

Que atire a primeira pedra quem nunca xingou em voz alta o Dex, de Um dia! Com personagens bem construídos, um filme estrelado por Anne Hathaway e as palavras lindas de David Nicholls, fica difícil não querer reviver as emoções desse grande romance.

 

A menina que roubava livros

Para fechar essa lista de clássicos, nada como relembrar a história que fez todo mundo parar para ouvir uma narradora bem diferente, a Morte. Estamos falando de A menina que roubava livros, o grande e emocionante sucesso de Markus Zusak. É sempre especial reencontrar Liesel, uma menina apaixonada pela leitura, e relembrar o poder dos livros.

 

Que outras histórias você ama reler? Conta para gente nos comentários!

testeComo ter coragem em tempos incertos?

*por Naotto Rocha

Quando o novo coronavírus começou a se espalhar pelo mundo, ninguém imaginava que chegaríamos a essa situação em que nos encontramos hoje. Vivemos um tempo de incertezas, e as coisas que nos preocupavam semana passada talvez pareçam completamente irrelevantes agora.

Por todo o mundo, o assunto é discutido exaustivamente nos telejornais e na internet. Comentários transbordam por todas as redes sociais. Para aqueles que já estão em quarentena, a indefinição sobre quanto tempo devemos viver em um rigoroso isolamento social pode ser enlouquecedor. Para alguns, não poder sair de casa significa não poder ver família e amigos, não poder abraçar seus pais ou filhos. A ansiedade e a insegurança dessa situação podem nos sufocar, mas é o medo que nos paralisa e nos impede de ver uma saída ou de manter a calma.

O mundo todo está tentando lidar com essa nova realidade, mas as informações e atualizações sobre a pandemia continuam sendo atualizadas a todo instante. O panorama geral é aterrorizante. Como enfrentar o medo e sobreviver a tudo isso?

Alguns meses atrás, enquanto lia Coragem, me deparei com uma série de questões esquecidas da minha infância. Me lembrei de todos os episódios difíceis e dolorosos por quais passei, redescobri as origens de traumas que ainda tenho. Crescer é, sem sombra de dúvidas, uma experiência assustadora.

Se hoje sofremos por não poder encontrar aqueles que amamos, na infância por muitas vezes eu sofria por ter que encontrar diariamente na escola pessoas que não me faziam bem. Em casa, com minha família, nem sempre havia espaço para falar sobre meus medos ou inseguranças. Havia, sim, abertura para isso, mas eu tinha medo. Eu tinha medo. Tudo o que acontecia comigo — minhas vontades, meus erros, meus sonhos – parecia grande, pequeno ou esquisito demais para compartilhar com meus pais, tão ocupados com seus problemas de adulto. O que eles iam achar se eu dissesse isso ou aquilo? Eles nunca me entenderiam. Fazer terapia não era uma opção comum na década de 1990 ou no começo dos anos 2000. Então com quem eu poderia conversar?

Por isso, foi impossível ler o quadrinho de Raina Telgemeier e não me ver ali. Foi impossível não pensar em como seria se eu tivesse falado sobre meus medos naquele período, em como eu seria uma pessoa completamente diferente hoje. Quando criança, eu não entendia que o primeiro passo para vencer meus medos era falar sobre eles. Ainda hoje, adulto, me esqueço disso às vezes.

Mas aprendi muitos anos atrás que me preocupar com o futuro não faz com que ele venha mais rápido, nem me garante o controle sobre ele. Entendi que muitas vezes tudo que podemos fazer é esperar, por mais angustiante que seja, e tentar mudar somente aquilo que está em nossas mãos. Que ter coragem é abdicar do controle absoluto que nunca tivemos e entender que não estamos sozinhos em nossos medos. Não é fácil, mas é possível.

E tudo isso nos traz de volta à COVID-19.

Se ficar nas redes sociais durante esse tempo te deixa ansioso, saia. Delete o Facebook por um tempo, desinstale o Instagram do celular e pare de olhar o Twitter a cada minuto. Reduza a quantidade de vezes por dia que acessa portais de notícias, mas se mantenha informado ocasionalmente. Reduza o stress e o peso sobre seus ombros. Não podemos impedir a imprensa de trabalhar nem as pessoas de falarem sobre aquilo que as preocupa, mas podemos gentilmente nos recolher dessa discussão pelo bem da nossa saúde mental.

Em tempos como esse, devemos lembrar quem — e o que — nos traz paz e alegria. Amor é movimento, é troca. Se você se sente sozinho, converse com alguém sobre isso. Encontre um motivo para sorrir, relembre tempos mais simples e memórias perdidas. Mande uma mensagem para aquele amigo com quem você não conversa há muito tempo. Se aplicativos de mensagens instantâneas te deixam nervoso por ter que esperar a resposta, ligue. Ou escreva um e-mail: um longo e detalhado e-mail, como as cartas que nossos avós escreviam. Faça uma chamada de vídeo com sua família, reúna o seu grupo de amigos em uma live ou uma videoconferência. Relembre histórias. Faça história.

E um dia, quando tudo isso passar, você vai se lembrar de quem esteve ao seu lado. Vai lembrar que foram tempos difíceis e incertos, mas que você teve coragem todas as vezes que sentiu medo porque lembrou que não estava sozinho.

Você nunca esteve sozinho.

 

*Naotto Rocha é assistente de marketing da Intrínseca e por muitos anos pensou que trabalhar com o que ama e ter amigos de verdade era um sonho grande demais para ser realizado. Não mais.