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Tim Cook: a Apple muito além do iPhone

8 / novembro / 2019

por Bernardo Barbosa*

Em 2011, semanas antes de morrer, Steve Jobs decidiu passar o bastão para Tim Cook no comando da Apple. Naquele momento, a escolha não parecia óbvia; mais do que isso, aparentava ser uma aposta arriscada em alguém que guardava poucas semelhanças com Jobs. Na imprensa especializada, houve até quem visse o começo do fim da Apple. 

Sim, Cook e Jobs estão longe de ser a mesma pessoa — mas nada pode ser mais distante do fracasso do que a era Cook na Apple. A história de como o atual CEO da gigante de tecnologia conseguiu sair da sombra do antecessor, imprimir seu próprio estilo de gestão e levar a empresa a resultados inéditos está contada no livro Tim Cook: O gênio que mudou o futuro da Apple, de Leander Kahney.

No comando da Apple, Cook tem criado uma nova cultura corporativa, colocando temas como inclusão, diversidade e sustentabilidade na ordem do dia. Ao mesmo tempo, a companhia não perdeu seu ímpeto para inovação e abriu outras fontes de receita, como o Apple Watch e o Apple Pay. 

Filho de uma farmacêutica e de um funcionário de um estaleiro, nascido em uma cidade portuária do sul dos Estados Unidos, Cook chegou à Apple no fim da década de 1990. Naquele momento, a empresa tinha uma estrutura de produção e distribuição que gerava prejuízos milionários. 

Cook assumiu as operações da Apple em 1998 e, depois de uma revisão completa nos processos, a companhia registrou lucro já naquele ano — isso depois de fechar 1997 com um prejuízo de US$ 1 bilhão. Nos anos seguintes, Cook trilhou um caminho distante dos holofotes, mas foi sendo constantemente promovido por Jobs e, em meados dos anos 2000, virou seu braço direito.

Depois de organizar as operações da Apple, Cook buscou mudanças de outra dimensão quando se tornou CEO. Jobs fazia o gênero “gênio indomável”, o que levava a um ambiente turbulento dentro da companhia, e não tinha muitas outras preocupações além do desenvolvimento de seus produtos. Agora, era a hora de falar também de valores e inaugurar uma nova forma de a empresa agir.

Um dos primeiros temas espinhosos encarados por Cook foram as condições de trabalho nas empresas fornecedoras da Apple, principalmente na China. Desde 2012, a empresa conduz um processo de revisão e melhoria destes processos. 

O novo CEO também abraçou a sustentabilidade: a companhia é 100% abastecida por energia renovável e pretende estender isso para sua cadeia de fornecimento. Os investimentos em produtos menos tóxicos e mais recicláveis passou a ser uma constante.

A busca por inclusão e diversidade também se tornou uma bandeira sob a gestão de Cook. A empresa tem liderado os esforços neste sentido no segmento de tecnologia, e o CEO deu sua contribuição pessoal com uma carta pública em 2014 na qual revelou sua homossexualidade. 

Em 2017, a Apple publicou em um balanço financeiro um conjunto de valores que guiam a atuação da empresa; entre eles, o de que diversidade significa inovação. Cook deu mais uma demonstração disso ao endossar pessoalmente o apoio da Apple, em um processo que corre na Suprema Corte americana, à manutenção de uma lei que permite a permanência de imigrantes em situação ilegal que chegaram ao país com menos de 16 anos de idade.

“Nós não contratamos eles [os imigrantes] por bondade ou caridade. Nós o fizemos porque eles são a personificação da estratégia de inovação da Apple”, afirmou Cook no documento enviado à Justiça americana.  

A preocupação de Cook com outros tipos de valores que não os financeiros tem sido rentável. No ano passado, a Apple chegou pela primeira vez ao valor de mercado de US$ 1 trilhão, cifra comparável ao PIB (Produto Interno Bruto) de importantes economias globais, como México e Holanda.

*Bernardo Barbosa é jornalista.

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