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A maior batalha física e mental do esporte: aprenda tudo sobre o tênis

8 / novembro / 2019

*por Andre Sequeira

O tênis é um dos esportes mais apaixonantes do planeta. Isso pode soar estranho para um brasileiro, visto que somos o país do futebol, do vôlei, do tênis, do basquete e, hoje em dia, até do futebol americano. Contudo, reflita: que modalidade traz uma batalha de horas entre dois indivíduos —  às vezes, entre duplas — em que nada nem ninguém pode ajudar, a não ser seu próprio esforço e sua mente preparada?

Muitos especialistas consideram o tênis uma verdadeira partida de xadrez, um jogo, acima de tudo, mental.

Que tal conhecer um pouco mais esse esporte único?

 

História

O tênis se popularizou no século XIX, mas o seu surgimento exato, assim como ocorre com diversas modalidades esportivas, é incerto.

Os primeiros registros encontrados nos levam até o Antigo Egito, onde atividades similares eram praticadas, claro que sem o uso de raquetes e objetos semelhantes. Na maioria dos casos, os indivíduos utilizavam as próprias mãos. Entre os séculos V e XII, também são encontrados relatos de práticas parecidas na Europa.

A versão mais similar ao jogo atual surgiu na Itália e na França por volta do século XII. Os principais praticantes eram os monges, que jogavam como forma de distração e para aliviar a carga emocional. Ainda rebatia-se a bola usando diretamente as mãos. As raquetes surgiram, segundo estima-se, no fim do século XVI, dando origem ao nome tênis — do francês antigo “tenez”, que seria algo como “segure” ou “receba”.

Assim foi até que a aristocracia inglesa descobriu e começou a gostar do esporte. Nessa época, o croqué e o tênis dividiam a atenção dos homens, os únicos que os praticavam. A popularidade, a partir daí, só cresceu, de forma que o nome do famoso All England Croquet mudou para All England Lawn Tennis and Croquet Club. Hoje, parece apenas uma troca de nome, mas, na época, foi um choque para muita gente, que viu com maus olhos essa alteração num clube tão exclusivo. Aliás, é nesse local que realiza-se hoje o Torneio de Wimbledon, o mais tradicional e prestigioso do circuito mundial de tênis.

O esporte, rapidamente, tornou-se algo tão grande, que integrou a primeira edição das Olimpíadas, em 1896, em Atenas, Grécia. Infelizmente, entre a edição de 1928, em Amsterdã, Holanda, até a de 1984, em Los Angeles, Estados Unidos, ele ficou de fora. Só em 1988, em Seul, Coreia do Sul, o tênis voltou, e, dessa vez, para ficar.

 

Regras

  • As partidas são disputadas por dois ou quatro jogadores.
  • A pontuação é feita em games e sets. Um game é constituído por quatro pontos, sendo sua contagem: 15, 30, 40 e game (quarto ponto). Vence aquele que conquistar seis games primeiro.
  • As partidas são melhores de três ou cinco sets, dependendo do torneio.
  • Se houver um empate de 5 x 5, o set acabará em 7 games, caso um dos participantes vença os dois games seguintes: 7 x 5. Contudo, se o empate permanecer e o placar registrar 6 x 6, a decisão irá para o tie-break.
  • Nessa etapa, vence o jogador — ou a dupla — que alcançar 7 primeiro, com no mínimo uma vantagem de 2 pontos. Dessa vez, não mais com a pontuação habitual (15, 30, 40), mas com uma contagem tradicional (1, 2, 3, 4…).
  • A partida se inicia sempre com um saque, jogada que, obrigatoriamente, alterna-se entre os participantes a cada game.

 

Quadra

As partidas de tênis são disputadas em quadras abertas ou fechadas. Nos jogos de simples (um contra um), ela é um retângulo de 23,77 metros de comprimento por 8,23 metros de largura. Nos jogos em dupla, da mesma forma, a quadra é um retângulo, mas de 23,77 metros por 10,97 metros.

A superfície é dividida exatamente ao meio por uma rede suspensa por uma corda ou cabo metálico em dois postes de 1,07 metro. Ela é mais alta nas laterais do que no centro.

O piso pode ser de grama, duro (cimento, borracha sintética, carpete ou lama asfáltica) ou saibro (terra batida).

 

Termos para compreender melhor o jogo

Ace: saque indefensável.

ATP: Associação de Tenistas Profissionais. Responsável pelo circuito mundial de tênis masculino.

Backhand: golpe executado no lado contrário ao que se segura a raquete, com o dorso da mão voltado para a frente.

Bate-pronto: quando a raquete toca a bola imediatamente após ela pingar na quadra.

Breakpoint: é o ponto que poderá provocar a quebra de saque do adversário, em que o jogador passa a ter a chance de fechar o set.

Curtinha ou deixadinha: quando o jogador toca na bola suavemente para que ela caia na quadra do adversário bem junto à rede.

Dupla falta: quando o jogador erra os dois saques a que tem direito, e o ponto é concedido ao adversário.

Erro não forçado: quando um jogador rebate a bola para fora.

Forehand: Golpe executado no lado em que se segura a raquete, com a palma da mão voltada para a frente.

Game point: é o ponto em que o jogador que está sacando tem a oportunidade de manter o serviço (saque).

Lob: jogar a bola por cima do oponente, encobrindo-o, quando ele está próximo à rede.

Love: igual a zero, ou seja, o jogador não fez ponto no game.

Saque e voleio: o atleta dá um saque e vai direto para a rede, com o objetivo de pressionar o adversário usando um voleio.

Spin: efeito que faz a bola girar e, ao tocar a quadra, ganhar força e velocidade.

Slice: efeito que faz com que a bola, depois de pingar na quadra, suba muito pouco do chão.

Tie-break: usado quando um set fica empatado em 6 x 6. Vence quem fizer 7 pontos, com diferença de, ao menos, 2 pontos.

Voleio: golpe em que o tenista rebate a bola antes que ela pingue na quadra. Geralmente, é usado próximo à rede.

Winner: jogada vencedora, bola colocada de maneira indefensável para o adversário.

WTA: Associação de Tênis Feminino. Responsável pelo circuito mundial de tênis feminino.Tie-break: usado quando um set fica empatado em 6 x 6. Vence quem fizer 7 pontos, com diferença de, ao menos, 2 pontos.
 

Torneios de Grand Slam:

O circuito mundial de tênis, organizado pela ATP e pela WTA, tem como principais torneios os de Grand Slam.

Quatro competições compõem esse grupo: Aberto da Austrália, Aberto da França (Roland Garros), Torneio de Wimbledon e Aberto dos Estados Unidos. São a nata do tênis mundial e objetos de desejo de todos os jogadores. Poucos atletas venceram todo o grupo: Fred Perry (Grã-Bretanha), Don Budge (Estados Unidos), Rod Laver (Austrália), Roy Emerson (Austrália), Andre Agassi (Estados Unidos), Roger Federer (Suíça), Rafael Nadal (Espanha), Novak Djokovic (Sérvia), Margaret Court (Austrália), Steffi Graf (Alemanha), Maureen Connolly (Estados Unidos), Serena Williams (Estados Unidos), Chris Evert (Estados Unidos), Martina Navrátilová (Tchéquia, naturalizada americana).

Menos tenistas ainda conseguiram conquistar o Carrer Slam, nome dado ao feito de ganhar esses quatro torneios num único ano. São eles: Donald Dudge (1938), Maureen Connolly (1953), Rod Laver (1962 e 1969), Margaret Court (1970) e Steffi Graf (1988).

Já o Golden Slam, conjunto das quatro competições mais importantes e das Olimpíadas no mesmo ano, só foi alcançado por Steffi Graf, em 1988.

Para terminar, apenas quatro atletas conquistaram os torneios de Grand Slam e as Olimpíadas ao longo da carreira, fora a alemã Graf: Andre Agassi, Rafael Nadal e Serena Williams.
 

Principais tenistas

Como definir quais são os melhores do tênis? Seriam os maiores ganhadores de títulos? Os maiores ganhadores de torneios de Grand Slam? Aqueles com o maior número de semanas na liderança do ranking mundial?

Escolher as superestrelas do esporte não é consenso nem entre os maiores especialistas do ramo. Assim, resolvi levar em consideração todos os fatores citados e tentar me aproximar ao máximo da lista ideal.

1- Roger Federer (Suíça): maior vencedor de torneios de Grand Slam, maior número de semanas na liderança do ranking mundial, com estilo de jogo que revolucionou o esporte. Técnica e plasticidade incomparáveis.2- Rafael Nadal (Espanha): além de ter ganhado os torneios de Grand Slam e as Olimpíadas, é recordista absoluto de vitórias no piso sagrado de Rolland Garros: até 2019 foram 12 títulos em Paris. É o maior ganhador de torneios Masters 1000, os mais relevantes depois dos quatro grandes.

 

3- Bjon Borg (Suécia): criou seu próprio estilo de jogo e venceu três vezes consecutivas o Aberto da França e o Torneio de Wimbledon. Para ele, não existia diferença em jogar na grama, no piso sintético ou na terra batida. Um dos tenistas que mais influenciaram gerações.

 

4- Steffi Graf (Alemanha): com 107 títulos, quase 90% de vitórias na carreira e a única atleta a vencer o Golden Slam, sua condição de melhor de todos os tempos do circuito feminino talvez seja um dos únicos fatos incontestáveis do mundo do tênis.

 

5- Martina Navrátilová (Tchéquia, naturalizada americana): segundo os grandes analistas do esporte, jogador algum teve um jogo mais completo do que o dela. Por cinco anos, foi praticamente imbatível, tendo apenas 14 derrotas entre 1982 e 1986. Foram 167 títulos, sendo 18 torneios de Grand Slam.

 

6- Margaret Court (Austrália): Ganhadora de 92 títulos, sendo 24 torneios de Grand Slam. Foi a precursora da preparação física específica entre as mulheres, assim como os homens já faziam há anos. Até hoje, é um exemplo por mostrar que é possível conciliar maternidade e excelência no esporte. Ela teve três dos quatro filhos durante sua carreira brilhante.
 

Principais tenistas brasileiros

Os dois maiores expoentes do país nesse esporte são, sem sombra de dúvidas, Gustavo Kuerten e Maria Esther Bueno, falecida em 2018.

Bueno atuou nas décadas de 1950, 1960 e 1970 e foi escolhida como a melhor tenista da América Latina do século XX pelo Tennis Channel. Seu estilo de jogo era elegante e peculiar, rendendo a ela o apelido de A Bailarina do Tênis. Foi a primeira atleta não norte-americana da modalidade a conquistar o Torneio de Wimbledon e o Aberto dos Estados Unidos.

A tenista ganhou 589 títulos, sendo sete torneios de Grand Slam em simples e onze em duplas. Conquistou o Torneio de Wimbledon três vezes em simples e quatro em duplas. Já no Aberto dos Estados Unidos, foram quatro títulos de simples e quatro de duplas.  Ela ainda faturou Roland Garros e o Aberto da Austrália.  Não muito famosa no Brasil, ao viajar pelo mundo, era reconhecida por onde passava. Uma lenda do esporte mundial.

Já o manezinho Gustavo Kuerten é uma das personalidades mais conhecidas no Brasil e no mundo. Famoso por seu estilo despojado, sincero e muito carismático, Guga é um dos atletas mais famosos do circuito mundial, tendo ganhado três vezes Roland Garros e sido líder do ranking por várias semanas. O brasileiro é referência para vários tenistas, como o espanhol Rafael Nadal, e, segundo o próprio Roger Federer, foi autor da derrota mais acachapante de sua carreira, na terceira rodada do Aberto da França de 2004.

 

Partida mais longa

A batalha mais duradoura da história do tênis foi travada entre o americano John Isner e o francês Nicolas Mahut, no Torneio de Wimbledon de 2010. A partida durou 11 horas e 5 minutos e teve que ser dividida em três dias. Mesmo se considerarmos o período que jogaram sem intervalo, o tempo foi o maior do esporte também: 7 horas sem descanso. O set final, que deveria terminar em 6 games para um dos jogadores, foi até 70-68 a favor de Isner.

Além da duração, outros recordes foram quebrados nessa partida, por exemplo:

  • Set mais longo: 8 horas e 11 minutos
  • Maior quantidade de aces: 216
  • Maior quantidade de pontos: 980

Para se ter uma ideia, a segunda partida mais longa da história foi a disputada pelo argentino Leonardo Mayer e o português João Sousa na Copa Davis (torneio entre países, e não entre jogadores) de 2015, que durou 6 horas e 43 minutos.

 

Andre Agassi

Um dos grandes personagens desse esporte tão emocionante é o americano Andre Agassi. Nome conhecido pela maioria das pessoas — sejam elas amantes ou não da modalidade —, Agassi tornou-se uma celebridade pelos seus feitos dentro e fora de quadra. Quem nunca ouviu falar do seu romance com Brooke Shields e seu casamento com a também atleta incrível Steffi Graf? E as roupas que marcaram época nas décadas de 1980 e 1990?

Além disso, gênio das quadras e dono da melhor devolução de saque de todos os tempos, de acordo com os maiores especialistas, ele ganhou todos os títulos mais importantes, foi responsável por jogadas sensacionais e por mudar o jeito como o mundo percebia o tênis.

Já li muitas biografias de tenistas, entre elas as de Rafael Nadal, Roger Federer, Pete Sampras, Gustavo Kuerten e Maria Sharapova. Contudo, nada como Agassi, uma autobiografia. Além de tenista, ele era um ser humano inseguro, cheio de defeitos e que, em um certo momento da vida, perdeu-se para as drogas e para o álcool. Nada diferente de muitas pessoas ao redor do planeta, mas, certamente, ele foi o único tenista a abordar tal episódio de forma tão honesta e aberta. O depoimento de Agassi em sua autobiografia deveria ser lido por todos, não apenas pelos amantes do tênis.

 

Filmes que farão você amar o esporte

  1. Ponto Final: Match Point (2005)
  2. Wimbledon: O Jogo do Amor (2004)
  3. A Guerra dos Sexos (2017)
  4. Borg x McEnroe (2017)
  5. Os Excêntricos Tenenbaums (2001)
  6. A Mulher Absoluta (1952)
  7. Jogo Perigoso (1986)
  8. 7 Dias no Inferno (2015)
  9. Balls Out (2009)
  10. Venus and Serena (2012)

 

Dica literária

Dupla falta, de Lionel Shriver

 

*André Sequeira, 38 anos, é jornalista há 15 anos e amante de todos os esportes.

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