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8 obras de artistas negros que você precisa conhecer

19 / novembro / 2019

Além de nos entreter, livros, séries e filmes têm o papel de nos fazer refletir sobre dilemas cotidianos, sejam nossos ou de outras pessoas. O problema é que muitas vezes esses produtos culturais ignoram, ou representam de maneira estereotipada, as minorias ou grupos marginalizados pela sociedade.

Apesar de nos últimos anos termos visto a discussão sobre racismo e negritude ocupando espaços de maior destaque, ainda são poucos os autores e diretores negros que conseguem alcançar prestígio artístico ou social.

Para celebrar o Dia da Consciência Negra e evidenciar essas histórias muitas vezes ignoradas, separamos oito livros e séries que discutem questões de negritude.

 

  1. Breve história de sete assassinatos, de Marlon James

Em 3 de dezembro de 1976, às vésperas das eleições na Jamaica, sete homens invadiram a casa de Bob Marley com metralhadoras em punho, ferindo o cantor e sua família. Poucas informações oficiais foram divulgadas sobre os atiradores, mas muitos boatos circularam a respeito do destino deles.

Breve história de sete assassinatos é uma obra de ficção que explora esse período instável da história da Jamaica e vai muito além. Marlon James descreve a miséria e a violência reinantes na periferia de Kingston, as ligações entre a “cidade baixa” (onde ficam as favelas) e a “cidade alta” (onde vivem os ricos e poderosos), e a influência que Marley detinha entre políticos e criminosos da cidade.

Dezenas de personagens – assassinos, traficantes, jornalistas e até mesmo fantasmas – dão voz à narrativa, em uma alternância de pontos de vista que revela uma complexa rede de motivações e sentimentos conflitantes. A contundência da trama e a ambiciosa polifonia valeram a Marlon James o Man Booker Prize de 2015, o mais prestigiado prêmio literário do Reino Unido.

 

  1. Cara gente branca

A série da Netflix acompanha um grupo de estudantes negros de uma importante universidade dos Estados Unidos, cuja maioria dos alunos é branca.

A história se inicia no Halloween, em uma festa com a temática blackface, termo usado para a prática de pintura corporal, em geral em pessoas brancas, imitando o tom de pele de pessoas negras, usado historicamente para ridicularizar a população negra. Várias tensões raciais se desenrolam no ambiente acadêmico, e vemos a relação dos protagonistas com o racismo e questões como colorismo e relações inter-raciais.

 

  1. Daqui pra baixo, de Jason Reynolds

Um garoto, uma arma e apenas 67 segundos para tomar a decisão mais avassaladora de sua vida. Daqui pra baixo é um daqueles livros que com poucas páginas já te marcam profundamente.

Will tem 15 anos quando seu irmão mais velho é assassinado perto de casa. As regras da comunidade são claras: não chorar, não dedurar e, se algo acontecer com quem você ama, se vingar. Ele está decidido. Mas, ao descer no elevador de seu prédio pronto para cometer o ato que vai selar seu destino, ele vai reencontrar rostos do passado. Cada rosto tem uma história de vida e de morte. Will, em questão de segundos, vai definir a dele.

O livro é um soco no estômago, e o fato de ser narrado em versos torna tudo mais impressionante. As frases curtas, mas poderosas, criam um ritmo quase musical, embalando o leitor em uma jornada de profunda reflexão. Uma obra sensível, forte e muito necessária, que toca nas feridas e expõe realidades invisíveis.

A história de Will é inspirada na própria vivência de Jason, que cresceu em um bairro onde o tráfico de drogas e a violência aconteciam na calçada de casa. Hoje, seu desejo como escritor é alcançar aqueles que não se sentem representados pela literatura.

 

  1. Fantasma, de Jason Reynolds

Primeiro livro de Jason Reynolds publicado pela Intrínseca, Fantasma conta a história de um garoto que sempre soube que correr era o seu forte, mas nunca levou a atividade muito a sério. Até que, certo dia, ele disputa uma corrida contra um dos melhores atletas de uma equipe. E vence. O treinador percebe que Fantasma tem talento de sobra e quer que o menino entre para sua equipe de qualquer jeito. O problema é que Fantasma também tem muita raiva e um passado que tenta desesperadamente deixar para trás.

Finalista do National Book Award de 2016 na categoria de literatura jovem, Fantasma aborda temas como desigualdade, bullying, invisibilidade social, amizade e racismo, além de discutir a importância do esporte na vida dos jovens. 

 

  1. Atlanta

 A comédia dramática criada e estrelada por Donald Glover, também conhecido como Childish Gambino, acompanha dois primos que sonham em se destacar na cena do rap de Atlanta. Eles veem na música uma chance de melhorar suas vidas e também a de suas famílias. 

Earn (Donald Glover) abandonou a Universidade de Princeton, está sem dinheiro, sem ter onde morar e tentando se redimir com a ex-namorada. Quando percebe que seu primo – um cantor de rap que usa o nome artístico de Paper Boy – está prestes a ficar famoso, ele decide se tornar seu empresário.

 

  1. As mães, de Brit Bennett

Em uma comunidade negra e cristã dos Estados Unidos, Nadia, uma garota bonita, obstinada e ainda marcada pelo recente suicídio da mãe, será a primeira da família a cursar uma universidade, mas, antes de deixar sua cidade natal, ela se envolve com o filho do pastor da igreja. Os dois são jovens e não oficializam o relacionamento, mas o segredo que resulta desse romance terá consequências maiores do que eles imaginam.

Anos depois, eles ainda vivem à sombra das escolhas da juventude e da insistente dúvida: e se tivessem feito diferente? As possibilidades do caminho não tomado se tornam um fantasma implacável.

Com um estilo sofisticado e atual, Brit Bennett demonstra uma ampla compreensão da alma humana e de como traições e perdas podem moldar comunidades inteiras.

 

  1. Ruby, de Cynthia Bond

“Não é uma história apenas sobre abuso. É sobre sobrevivência.” Assim Cynthia Bond define Ruby, seu romance de estreia. A obra apresenta a vida de uma jovem garota que, depois de passar por sofrimentos inimagináveis durante a infância, decide fugir de sua cidadezinha no sul dos Estados Unidos para recomeçar a vida em Nova York nos anos 1950.

Uma década depois, um telegrama urgente a faz voltar para casa, forçando-a a reencontrar pessoas do passado e a reviver momentos perturbadores.

Com uma prosa refinada, Cynthia Bond escreve sobre temas delicados como violência doméstica, abuso e racismo. Apesar de ser uma obra de ficção, Ruby foi inspirada em fatos reais vividos pela família da própria autora. A tia de Cynthia foi assassinada no Texas por homens da Ku Klux Klan. A história ficou guardada por um bom tempo até ser escrita e publicada, anos depois.

 

  1. Ela quer tudo

Baseado no filme homônimo de Spike Lee, a série acompanha a vida de Nola Darling, uma artista nova-iorquina lutando por seu espaço no mercado enquanto tenta conciliar sua rotina com os três homens com quem está saindo.

Abordando discussões que vão desde gentrificação, estupro e pansexualidade, a série não economiza nas críticas sociais, com personagens que por vezes apresentam pontos de vista divergentes para nos fazer refletir.

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