testeAs mentiras que contamos para sobreviver

Confira a entrevista com Michelle Sacks, autora de Você nasceu para isso.

Por João Lourenço*

Shakespeare já disse lá no século XVI: “O mundo inteiro é um palco. E todos os homens e mulheres não passam de meros atores. Eles entram e saem de cena, e cada um no seu tempo representa diversos papéis.”

Em tempos de redes sociais, nós, os atores, viramos avatares belos e felizes, representando papéis que não permitem demonstração de fraqueza e vulnerabilidade. Essa pressão por uma vida perfeita (ainda que de mentira) gera ansiedade, estresse, distúrbios emocionais… Afinal, quem aguenta ser feliz o tempo todo?

O romance de estreia de Michelle Sacks aborda exatamente essas questões. Em Você nasceu para isso, os personagens vivem uma felicidade difícil de sustentar. “Interpretamos papéis, seja de esposa, marido, amigo. Esse tipo de performance está ligado à ideia de felicidade. Muitas vezes interpretamos papéis de pessoas felizes, e o resultado disso pode ser devastador”, acredita a autora. 

Você nasceu para isso acompanha a crise de identidade de um jovem casal americano. Após um escândalo, eles deixam Nova York e se mudam para uma casa modesta no interior da Suécia. Nesse novo ambiente, Sam e Merry se esforçam para ser a família perfeita. Merry procura ser tudo que o marido espera que ela seja e assume o papel de esposa-modelo. Cuida do bebê, da casa, do jardim e das refeições da família. Sam é o “homem alfa”, forte e orgulhoso. A performance de família feliz é abalada quando eles recebem a visita de Frank, a melhor amiga de Merry. Segredos são revelados, e, quando as máscaras caem, a verdade se impõe.

O livro é narrado em três perspectivas diferentes. Os diálogos não são marcados por aspas ou travessões. E a autora cria mecanismos que permitem ao leitor entrar na consciência de cada um dos personagens. A ideia para o romance surgiu quando Michelle estava de férias em um chalé na Suécia. Ali, tudo parecia “perfeito demais”, e ela começou a refletir sobre o que poderia existir por baixo daquela superfície tranquila. A autora acredita que um dos maiores problemas em nossa vida é a ilusão. “Precisamos contar histórias para sobreviver. Histórias que nos ajudam a enfrentar as dificuldades do presente. Essa negação da verdade é responsável por nos colocar em apuros o tempo todo.”

Michelle Sacks conversou com a Intrínseca por telefone. Confira:

 

Intrínseca: As personagens de Você nasceu para isso são pessoas difíceis e, ao mesmo tempo, geram empatia. Como foi o processo de escrever um livro marcado por sentimentos conflitantes?

Michelle Sacks: O livro me causou um esgotamento emocional. Meu humor oscilou bastante. Durante o processo, percebi que me transformei também em uma pessoa difícil de conviver. Fiz uma pesquisa sobre trauma e li vários relatos horríveis. Foi um livro difícil de escrever, os personagens carregam bastante bagagem emocional. Apesar de se tratar de personagens fictícios, no limite do comportamento humano, em alguns momentos cheguei a acreditar que aquelas pessoas fossem reais. 

 

I: A protagonista está presa em uma espécie de “tirania da felicidade”. Ela vive uma performance difícil de sustentar. Essa questão identitária também afeta os outros personagens. Comente um pouco sobre isso. 

MS: Ela quer ser a pessoa que todo mundo espera que ela seja. Merry é uma tela em branco, pois não confia muito em si mesma. Ela passou muito tempo flutuando pela vida, esperando alguém dizer quem ela era. Quando casa, assume a personalidade imposta pelo marido: a dona de casa e mãe perfeita. Em geral, ainda vivemos em uma sociedade que desconfia da mulher solteira e sem filhos. Esses rótulos trazem vergonha para a mulher. Muitas passam a acreditar que nunca serão felizes sem filhos e solteiras.

 

As redes sociais tornaram esse fenômeno ainda pior. Nossas vidas são editadas ao extremo.

Um dos maiores problemas que vivemos é a ilusão. Os seres humanos são propensos ao delírio. Muito disso tem a ver com nossa ferramenta evolutiva de sobrevivência. Precisamos contar histórias para sobreviver, precisamos contar histórias para acreditar que as coisas vão ficar bem no futuro. Essas histórias nos ajudam a enfrentar as dificuldades do presente. Somos bons em não ver o que está diante de nós, então inventamos desculpas para sustentar nossas narrativas. Essa negação da verdade é responsável por nos colocar em apuros o tempo todo. 

 

 

I: Além de rigoroso, o inverno na Suécia é marcado por dias curtos. Há vários estudos que afirmam que esse tipo de clima pode enlouquecer uma pessoa. Você explorou esse fenômeno no livro. Fale um pouco sobre isso. 

MS: Essas mudanças no clima afetam nossa personalidade. Pessoas em climas tropicais, como vocês no Brasil, costumam ser mais amigáveis. Pense o contrário. O lugar do livro tem um inverno difícil, que força as pessoas a se isolarem. Essa ideia de alienação, de pessoas exiladas, longe de casa, foi algo que me guiou. Queria explorar a ideia de ser uma pessoa em um lugar que não é o seu.

 

I: O livro foi escrito na mesma época em que você pensava em ser mãe. Como essa experiência se refletiu na narrativa? 

MS: Não foi algo consciente, mas hoje percebo que explorei meus maiores medos sobre a maternidade usando as vozes dos meus personagens. Fiquei presa nesse loop infinito entre ser ou não mãe. Coloquei todas as dúvidas na mesa: a questão emocional, racional, biológica, tudo que uma criança pode vir a representar. Cheguei a ler um livro de um psicólogo francês sobre mães que se arrependeram da maternidade. Essas questões delicadas encontraram espaço no livro. 

 

I: Hoje costuma-se discutir bastante sobre o lugar de fala do autor. Você escreveu sobre maternidade, mas ainda não teve filhos. De alguma forma você se sentiu julgada por abordar esse assunto?

MS: Até o final do livro cheguei à conclusão de que gostaria de ter filhos, mas tive alguns problemas de saúde que atrasaram um pouco as coisas. Agora, estou no estágio de aceitar que talvez isso não aconteça da forma que imaginei. Não me sinto julgada por não ter filhos e escrever sobre maternidade. Na verdade, recebi comentários positivos de mães de todas as idades. Elas se sentiram representadas nas questões de isolamento e de tédio que abordo no livro. 

 

I: As relações entre as personagens são carregadas de segundas intenções. Há um clima enorme de competição entre elas, muitas vezes uma competição destrutiva. Toda relação humana é acompanhada de competição? 

MS: Tenho fascínio por assuntos como a biologia evolutiva. Muitos assuntos que discutimos hoje têm a ver com isso. Competição não é ideal para nenhum tipo de relacionamento, incluindo a amizade. Porém, não podemos ignorar que a natureza do ser humano é bastante competitiva. Temos essa necessidade de preservar nossos recursos, que podem variar de status social a até mesmo a água de um poço. Como amigos, como parceiros ou como nós mesmos, progredimos melhor quando eliminamos o espírito competitivo.

 

I: Merry e Frank são amigas de infância. Apesar de ser uma relação tóxica, elas insistem em manter essa amizade. Você se encontrou em uma situação parecida? 

MS: Já estive em uma amizade em que não me sentia bem. Tinha a sensação de que estava sendo enganada, de que eu era uma pessoa descartável. Muitas vezes sabemos o que é bom para a gente, mas a gente vive em uma bolha de ilusão. Não sei se o mesmo acontece entre homens, mas a amizade feminina é bastante curiosa. As mulheres podem ser muito amorosas entre si, mas, ao mesmo tempo, elas podem manipular e fazer jogos emocionais.

 

Nós, mulheres, temos dificuldades em encerrar uma amizade. Muitas vezes as pessoas simplesmente mudam, estão em fases diferentes da vida. Nada de ruim precisa acontecer para acabar uma amizade. Ou seja, acho que é saudável deixar algumas pessoas no passado em vez de continuar insistindo em uma conexão que não existe. 

 

I: Você voltou à Suécia para passar três meses no mesmo lugar que a inspirou a escrever o livro. Quais as melhores características do país? 

Em geral, as pessoas parecem viver muito bem. Você não encontra pessoas estressadas. Do motorista de ônibus até a caixa do supermercado, todos trabalham felizes, têm uma vida decente. Isso tem muito a ver com as políticas sociais do país. Eles parecem ter compreendido a real importância da vida. Também admiro como eles se preocupam com a natureza e com a igualdade de gênero. Há um clima de esperança no ar e isso me surpreende, ainda mais quando você vem de um país caótico como a África do Sul. 

 

*João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York escrevendo seu primeiro romance.

testeConheça o spa nada convencional de Liane Moriarty

 

Chega às livrarias neste mês o novo livro da autora de Pequenas grandes mentiras, Liane Moriarty.

Em Nove desconhecidos, nove pessoas se inscrevem em um retiro de transformação total do corpo e da mente em um deslumbrante spa, na esperança de resolverem seus problemas relacionados a autoestima, relacionamentos e questões familiares. Logo nas primeiras horas, contudo, elas percebem que o local é administrado rigorosamente por uma mulher imponente e misteriosa que parece saber muito mais sobre os hóspedes do que seria normal.

Sob duras regras, os hóspedes embarcam em uma jornada peculiar em que aprenderão que a transformação pode custar caro e que nem todas as práticas do spa podem ser consideradas “comuns”.  

Confira um trecho do livro:

 

Frances

Em um dia de janeiro quente e sem nuvens, Frances Welty, antiga autora de romances best-sellers, dirigia sozinha por campos abandonados repletos de arbustos, a noroeste de sua casa em Sydney.

A fita preta da autoestrada se desenrolava hipnoticamente à sua frente enquanto as saídas do ar-condicionado sopravam com força um vento ártico no seu rosto. O céu era um imenso domo azul-escuro que cercava seu carrinho solitário. Era céu demais para o seu gosto.

Ela sorriu ao se lembrar de um daqueles críticos insatisfeitos do TripAdvisor: Eu liguei para a recepção e pedi um céu mais baixo, com mais nuvens, mais confortável. Uma mulher com sotaque carregado disse que não havia outros céus disponíveis! E ela também foi muito grossa! NUNCA MAIS. NÃO JOGUE SEU DINHEIRO FORA.

Frances se deu conta de que talvez estivesse muito perto de enlouquecer. Não, não estava. Estava bem. Perfeitamente sã. Mesmo, de verdade. Ela abriu e fechou as mãos em torno do volante, piscou os olhos ressecados por trás dos óculos escuros e deu um bocejo tão grande que estalou o maxilar.

— Ai — disse, embora não tivesse doído.

Ela suspirou, olhando pela janela em busca de algo que quebrasse a monotonia da paisagem. Devia ser tão difícil e implacável lá fora. Dava para imaginar direitinho: o zumbido das moscas-varejeiras, o grito lúgubre dos corvos e toda aquela luz branca, quente e ofuscante. Era de fato uma vasta terra marrom.

Vamos lá. Quero ver uma vaca, uma plantação, um barracão. Estou vendo com meus próprios olhos algo que começa com… N. Nada.

Ela se remexeu no banco e sua lombar retribuiu com uma pontada de dor tão forte que seus olhos se encheram de lágrimas. — Pelo amor de Deus — disse ela, lamentando-se.

A dor nas costas começara duas semanas antes, no dia em que finalmente aceitara que Paul Drabble havia desaparecido. Estava ligando para a polícia e tentando decidir como ia se referir a ele — seu parceiro, namorado, amante, “amigo especial”? — quando sentiu a primeira pontada. Era o exemplo mais óbvio de dor psicossomática que já existira, mas saber que era psicossomático não fazia doer menos.

Era estranho olhar-se no espelho toda noite e constatar que suas costas continuavam tão macias, brancas e discretamente rechonchudas quanto sempre foram. Ela esperava ver algo terrível, como uma massa retorcida de raízes de árvore.

Conferiu a hora no painel: 14h57. A saída devia estar próxima. Dissera ao pessoal da reserva na Tranquillum House que chegaria por volta de três e meia ou quatro horas e não fizera nenhuma parada imprevista. Tranquillum House era um “resort especializado em saúde e bem-estar”.

Sua amiga Ellen havia indicado o lugar. “Você precisa se cuidar”, dissera ela a Frances depois do terceiro drinque (um excelente Bellini de pêssego branco) durante o almoço na semana anterior.

“Está com uma aparência de merda.”

Ellen tinha feito uma “purificação” na Tranquillum House três anos antes, quando também ficara “esgotada”, “acabada”, “fora de forma” e…

“Sim, sim, já entendi”, interrompera Frances.

“O lugar é bem… fora do comum”, contara Ellen a Frances. “A abordagem deles não é nada convencional. Mudou minha vida.” “Como foi, exatamente, que a sua vida mudou?”, indagara Frances, de forma bem sensata, mas sem obter uma resposta clara.

No fim das contas, tudo parecia se resumir ao branco dos olhos de Ellen, que havia ficado muito branco, absurdamente branco! Além disso, ela perdera três quilos! Embora a Tranquillum House não tivesse a ver com perda de peso, o que Ellen se esforçou muito para esclarecer. Tinha a ver com bem-estar, mas, bom, que mulher reclama de perder três quilos? Ellen, com certeza, não. Frances também não.

Em casa, Frances dera uma olhada no site do lugar. Nunca gostara muito de abnegação, nunca fizera dieta, raramente dizia não quando queria dizer sim ou sim quando queria dizer não. Segundo sua mãe, a primeira palavra gananciosa de Frances fora “mais”. Ela sempre queria mais.

No entanto, as fotos da Tranquillum House a haviam enchido de um anseio estranho e inesperado. Todas tinham uma tonalidade dourada, tiradas durante o nascer ou o pôr do sol, ou então eram filtros que davam essa impressão.

Pessoas felizes de meia-idade faziam a postura do guerreiro em um jardim de rosas brancas ao lado de uma linda casa de campo. Havia um casal sentado em uma das “fontes termais naturais” que cercavam a propriedade. Olhos fechados, cabeça para trás, eles sorriam radiantes enquanto a água borbulhava ao redor. Outra foto mostrava uma mulher aproveitando “uma massagem com pedras quentes” na espreguiçadeira ao lado da piscina azul-esverdeada. Frances havia imaginado aquelas pedras quentes posicionadas com uma simetria maravilhosa ao longo da sua coluna, o calor mágico derretendo a dor.

Enquanto ela sonhava com fontes termais e ioga suave, uma mensagem urgente piscou na tela: Só resta uma vaga no Retiro Exclusivo de Dez Dias Para Transformação Total da Mente e do Corpo! Aquilo a fizera se sentir extremamente competitiva e ela clicou em Reservar agora, embora não acreditasse de fato que só restasse uma vaga. Ainda assim, por via das dúvidas, digitou bem rapidinho as informações do cartão de crédito.

Ficou com a impressão de que dali a meros dez dias ela seria “transformada” de um jeito que “nunca imaginara que fosse possível”. Haveria jejum, meditação, ioga, “exercícios criativos de liberação emocional”. Nada de álcool, açúcar, cafeína, glúten ou laticínios, mas, como tinha acabado de comer o menu degustação do Four Seasons, ela estava cheia de álcool, açúcar, cafeína, glúten e laticínios no corpo, e a ideia de abrir mão de tudo isso não pareceu tão grave. As refeições seriam “personalizadas” para suas “necessidades específicas”.

Antes que sua reserva fosse “aceita”, ela teve que responder a um questionário on-line muito grande e um tanto invasivo sobre seu estado civil, seus hábitos alimentares, seu histórico médico, seu consumo de álcool na semana anterior e assim por diante. Mentiu alegremente. Não era da conta deles. Teve até que enviar uma foto sua tirada nas últimas duas semanas. Escolheu uma do almoço com Ellen no Four Seasons, com um Bellini na mão.

Havia caixinhas que ela devia assinalar indicando o que esperava conquistar naqueles dez dias: tinha de tudo, de “terapia intensiva de casal” a “perda considerável de peso”. Frances assinalou apenas as caixas que pareciam positivas, como “crescimento espiritual”.

 

Nove desconhecidos foi enviado em fevereiro para os assinantes do intrínsecos. Se você ainda não conhece o clube do livro da Intrínseca, confira todas as informações no site e participe!

testeBoy Erased: Sua história pode mudar o mundo

Boy Erased nara a história real de um jovem obrigado a frequentar um programa de “conversão” sexual. A jornada mostra as consequências de tentar aniquilar uma parte de si mesmo e serve como mensagem de esperança para todos que vivem situações semelhantes de repressão. Garrard Conley escreveu sua história de sobrevivência como um pedido de tolerância e para evitar que situações semelhantes se repitam ao redor do mundo.

Você já precisou apagar uma parte de si mesmo? Conte sua história.

Seu depoimento pode aparecer nas redes sociais da editora Intrínseca.

testeAutor de Caixa de pássaros confirmado na Bienal do Rio

Autor do best-seller Caixa de pássaros, Josh Malerman é presença confirmada na XIX Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. O evento acontecerá entre os dias 30 de agosto e 8 de setembro de 2019. Josh vem ao Brasil para promover seu novo livro, Inspection, ainda sem título definido em português, que será lançado pela Intrínseca em agosto. 

Lançado em janeiro 2015 pela Intrínseca, o livro Caixa de pássaros já vendeu mais de 200 mil exemplares no Brasil e o sucesso só aumentou quando a trama ganhou adaptação produzida pela Netflix.

Estrelado por Sandra BullockBird Box foi visto por mais de 80 milhões de usuários em apenas um mês. A trama, que se passa em um cenário pós-apocalíptico, vai ganhar uma sequência. Malorie, com previsão de lançamento em 1º de outubro nos Estados Unidos, também será publicado pela Intrínseca, ainda sem data definida.

Recentemente, o livro ganhou uma nova edição exclusiva para Amazon em capa dura, metalizada, com pintura trilateral, ilustrações incríveis e um conto inédito ambientado no universo da obra. Você pode conferir aqui.

testeFilmes de terror imperdíveis para ver com os amigos

Se em O caso da Mansão Deboën o Clube de Detetives de Blyton gosta de se reunir para investigar assombrações e prender criminosos fantasiados, no mundo real, uma das tradições mais antigas entre grupos de amigos é assistir a filmes de terror juntos.

Essas sessões são tanto uma forma de diminuir a tensão do ambiente quanto de se divertir rindo do coleguinha medroso. Existem aqueles que são do time de “quanto mais trash, melhor” e outros que são rigorosos e querem muito mais que apenas sustos, preferindo o terror psicológico.

Pensando em tudo isso, preparamos uma lista com 7 filmes de terror imperdíveis!

 

O Iluminado (1980)

Um dos filmes de terror mais aclamados da história, O Iluminado é a reunião de vários elementos que, juntos, deram vida a uma obra-prima: baseado no livro de Stephen King, dirigido por Stanley Kubrick e estrelado por Jack Nicholson, o filme conta a história de um escritor que aceita trabalhar no Hotel Overlook durante o inverno. Junto com a mulher e o filho, ele fica preso no local após uma nevasca e descobre que antigos hóspedes ainda moram por lá e que seu filho consegue ver fantasmas e criaturas sombrias.

Com uma ampla galeria de assombrações e muitas cenas clássicas – o clipe “The Kill” da banda Thirty Seconds To Mars faz uma belíssima homenagem a várias –, esse é o filme perfeito para ver em um hotel imenso e isolado no meio do nada. Garantimos que, depois disso, os corredores nunca mais serão os mesmos.

Recomendável assistir com: fones de ouvido em plena madrugada.

 

Nós (2019)

O segundo filme de Jordan Peele (mesmo diretor do excelente Corra!) conta a aterrorizante história de uma viagem em família. Depois de anos, o marido de Adelaide finalmente a convence a passar um fim de semana em sua casa de praia e descansar. Até que, de repente, a chegada de um grupo misterioso muda tudo e a família se torna refém de seres idênticos a eles mesmos.

Explorando um tema recorrente dos filmes de terror – a presença de um doppelgänger –, Peele consegue extrair atuações primorosas do elenco, fazendo com que você esqueça em vários momentos que o mesmo ator faz dois personagens, com destaque especial para a ganhadora do Oscar Lupita Nyong’o.

Recomendável assistir com: toda a família durante as férias.

 

A Colina Escarlate (2015)

Escrito e dirigido por Guillermo del Toro, A Colina Escarlate é um desses filmes visualmente impecáveis. Se você quer levar sustos, melhor procurar em outro lugar: a história, na verdade, é inspirada nos grandes romances góticos, que usam espíritos e fantasmas para tratar de outras questões.

Na trama, Edith é uma moça rica que casa com Thomas, um charmoso e falido aristocrata britânico. O casal vai morar na decadente mansão da família dele, localizada em um lugar remoto na Inglaterra. Lá também mora Lucille, a estranha e misteriosa irmã de Thomas, uma mulher que, assim como a casa, esconde muitos segredos.

Recomendável assistir com: fãs de Tom Hiddleston.

 

Terror em Silent Hill (2006)

Se você tem uma filha que vive atormentada por visões e pesadelos, é melhor resolver isso logo, não é? Foi o que Rose também pensou. Com a piora do estado da menina, ela decidiu ir até a cidade que a criança sempre mencionava durante o sono: Silent Hill. Mas logo tudo isso se mostra uma péssima ideia – pouco antes de chegar ao destino, elas sofrem um acidente de carro e a menina desaparece misteriosamente.

Com muito gore e cenários angustiantes, a adaptação de um dos grandes clássicos dos videogames de horror logo se tornou um clássico cult, ideal para quem acha que já viu de tudo no quesito “criaturas bizarras”.

Recomendável assistir: quando você quiser passar a noite acordado, já que não vai conseguir dormir depois.

 

O Segredo da Cabana (2011)

Todo mundo já está cansado de ver aqueles filmes de terror onde um grupo de adolescentes interpretados por atores na faixa dos 30 anos viaja para uma casa isolada no meio da floresta e, de um em um, todos eles morrem. Mas por que será que todos esses filmes são parecidos?

Em O Segredo da Cabana o diretor Drew Goddard (Demolidor da Netflix) se junta ao roteirista Joss Whedon (Os Vingadores) para contar a história de terror por trás das histórias de terror, com todos os monstros e criaturas malignas que se tem direito – de zumbis caipiras a demônios voadores. Tem até um tritão! Uma excelente releitura de um formato clássico de narrativa de horror.

Recomendável assistir com: todos os amigos durante uma viagem.

 

It: A Coisa (2018)

Se você tem medo de palhaços, esse filme não é para você! Mas se isso não for um problema, não perca It: A Coisa. O filme, inspirado em um dos clássicos de Stephen King, acompanha um grupo de crianças chamado Clube dos Otários. Quando vários jovens começam a desaparecer misteriosamente, eles decidem investigar o caso e acabam encontrando algo muito mais sinistro do que jamais poderiam imaginar.

Essa história já serviu de inspiração para muita gente, como o livro O homem de giz e até a série Stranger Things!

Recomendável assistir com: amigos de infância.

 

O Exorcismo de Emily Rose (2005)

Inspirado no caso real de uma jovem alemã que passou por 67 sessões de exorcismo num intervalo de 11 meses, O Exorcismo de Emily Rose é um desses filmes que você nunca mais esquece.

Depois da morte de Emily Rose durante uma sessão de exorcismo, o padre Richard Moore está sendo julgado pelo ocorrido. Misturando terror com elementos de suspense, o filme explora muito mais do que apenas os sustos: enquanto o promotor público defende que a garota, na verdade, sofria de esquizofrenia, a advogada tenta provar que o que aconteceu com ela não pode ser explicado pela ciência.

Recomendável assistir com: todas as luzes acesas.

 

BÔNUS:

A Maldição da Residência Hill (2018)

Não é filme, mas merece fazer parte da lista! Uma das séries de terror mais legais do momento se chama A Maldição da Residência Hill. É uma releitura do livro de Shirley Jackson e, assim como O caso da Mansão Deboën, conta com um elemento clássico e muito amado nas grandes histórias de terror: uma mansão mal-assombrada.

Com 10 episódios e com a segunda temporada confirmada, a série alterna a narrativa entre o passado e o presente dos Crain, que relembram os momentos aterrorizantes vividos no antigo casarão da família Hill. Cada episódio é cheio de fantasmas escondidos, dando aquela sensação de que existe algo de muito errado ali. Você conseguiu achar algum?

Recomendável assistir com: membros queridos da família.

testeA segunda vinda de Deuses Americanos

Por Bruno Grandis*

Muitos adjetivos já foram usados para descrever Deuses americanos, mas acredito que o que melhor define a essência do livro é: estranho. Talvez essa não seja a melhor forma de apresentar um mundo novo para um desavisado leitor, mas essa é inegavelmente a verdade.

Poucos autores teriam uma ideia como: “E se deuses antigos tivessem vindo para a América junto com os imigrantes e se alimentado das crenças do povo?”, acrescentariam à história uma guerra com os “novos deuses” e concluiriam que isso daria uma saga épica de fantasia urbana. Mas também, poucos autores são como Neil Gaiman, o cara que já imaginou toda uma hierarquia fantástica pelos subterrâneos do metrô de Londres (Lugar nenhum), revolucionou os quadrinhos (Sandman) e ainda nos fez olhar para as lembranças da infância com outros olhos (O oceano no fim do caminho).

Essa estranheza de Deuses americanos ficou ainda mais clara quando, por anos, diversos produtores e estúdios tentaram traduzir a visão de Gaiman para a TV. A HBO chegou a ensaiar uma adaptação, mas acabou deixando a série em um limbo de produção, até finalmente o canal por assinatura Starz se encarregar da primeira temporada de American Gods, que estreou em 2017, com direito a muito sangue, bizarrices e esposas-mortas-revividas-por-acidente-graças-a-uma-moeda-mágica-jogada-em-seu-túmulo (eu falei que a história era estranha!).

Antes da estreia, muitos se perguntavam por que adaptar um único livro em  temporadas de uma série de TV. Deuses americanos não chega nem perto do tamanho dos muitos volumes de Game of Thrones ou A Roda do Tempo, que também deve ganhar uma adaptação televisiva. Mas o que a obra de Gaiman não tem em quantidade compensa em sua densidade incomparável de acontecimentos.

Em um único volume de mais de quinhentas páginas, somos introduzidos a diferentes divindades, panteões, conflitos, resoluções e reviravoltas. A obra é tão rica que seria simplesmente impossível — e contraprodutivo — resumir s saga de Shadow Moon e do sr. Wednesday em poucos episódios. De forma similar, a versão quadrinhos da obra também foi dividida em diversos volumes.

Por isso, a primeira temporada tratou de apresentar o rico universo concebido por Gaiman. Apesar da palavra “deus” denotar certa importância e poder, na série eles são bem mais “humanos” do que imaginamos. Os deuses antigos são muitas vezes caquéticos, sujos, imprestáveis. Suas vidas na América se tornaram miseráveis por conta de uma sociedade que os esquece um pouco mais a cada dia.

Qualquer entidade rejeitada precisa de um inimigo em quem botar a culpa pelo fim dos dias de glória, e na escala divina de Gaiman esses inimigos são a mídia, as drogas, a tecnologia, entre outros, sempre com sua petulância jovial. A série faz uma releitura muito interessante desse “embate” entre os deuses antigos e novos, mostrando  como os deuses antigos estão dispostos a tudo para se manterem relevantes, chegando a mudar de lado e apelar as práticas dos novatos, como armas de destruição em massa e aplicativos.

A segunda temporada da série, que estreou em março deste ano, dá continuidade às linhas narrativas iniciadas na primeira e se aprofunda na história. Já no começo os fãs do livro se deparam finalmente com a glória e a estranheza da House on the Rock , casa de bizarrices perdida em pleno coração dos Estados Unidos e também ponto de encontro das divindades do Velho Mundo.

Como o sr. Wednesday explica, os verdadeiros locais de fé na América não são templos ou igrejas — meras cópias das ideias que os colonizadores europeus trouxeram consigo. A fé americana está melhor representada nas atrações de beira de estrada, que encontramos por acaso, quando viajamos pelo Novo Mundo. Nesses locais, nunca sabemos o que realmente pode acontecer e sempre saímos transformados por sua irrelevância ou bizarrice.

Ao dividir a obra-prima de Gaiman em temporadas, temos tempo para explorar facetas desconhecidas dos personagens e também entender um pouco de seus dilemas e motivações. O passado de Shadow, por exemplo, que na primeira temporada não recebeu tanto destaque, ganha merecido espaço.

Grandiosa e vibrante, American Gods é uma ótima forma de os fãs matarem a saudade da obra-prima de Gaiman, mas também é uma série para qualquer pessoa que goste de uma boa história (com um toque mais do que bem-vindo de excentricidade).

Os deuses estão esperando.   

*Bruno Grandis é uma dessas pessoas que fazem de tudo um pouco nesse mundo, entre podcasts, publicidade e outras coisas estranhas no geral, setenta por cento disso aprendido quando era assistente de mídias sociais na Intrínseca.

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testeAmor e arte se encontram em romance na Paris dos anos 1930

Um dos casais mais icônicos do mundo artístico ganha as páginas da ficção em um romance histórico envolvente: Tempo de luz.

No livro de estreia da autora americana Whitney Scharer, conhecemos Lee Miller, uma modelo de sucesso que troca Nova York pela fervilhante Paris dos anos 1930. Cansada de ser o objeto das lentes alheias, ela decide largar tudo e recomeçar a vida como artista na capital francesa. Em meio ao ambiente boêmio da cidade, Lee acaba conhecendo Man Ray e dando início a uma história de amor, amadurecimento e descobertas que transformará a vida dos dois.

Perfeito para quem gosta de arte, romance e fotografia, confira um trecho do livro:

 

PARIS

1929

A noite em que conhece Man Ray tem início em um bistrô meio vazio a algumas quadras do hotel em que Lee está hospedada. Sozinha, ela come filé com batatas gratinadas e bebe meia jarra de um vinho tinto intenso. Tem vinte e dois anos, e é linda. O filé é ainda mais saboroso do que havia imaginado ao pedi-lo, servido em uma piscina de molho madeira que se acumula e se infiltra nas camadas de batatas e fatias grossas de gruyère derretido.

Lee passou pelo bistrô muitas vezes desde que chegou a Paris três meses antes, mas — com as finanças como estão — é a primeira vez que se arrisca a entrar. Jantar sozinha não é novidade: Lee passa quase o tempo todo sozinha desde que chegou, uma adaptação difícil depois da vida agitada em Nova York, onde trabalhava como modelo para a Vogue e frequentava bares de jazz quase todas as noites, sempre de braços dados com um homem diferente. Na época, Lee não dava valor ao fato de que todos que conhecia eram fascinados por ela: o pai, Condé Nast, Edward Steichen, todos os homens poderosos que encantara ao longo dos anos. Esses homens. Lee podia tê-los cativado, mas todos lhe tiravam coisas — esmiuçavam-na, latiam ordens sob os panos das máquinas fotográficas, reduziam-na a cacos de uma garota: um pescoço para segurar pérolas, uma cintura fina para exibir um cinto, uma mão para levar aos lábios e jogar beijos. O olhar deles transformara Lee em alguém que ela não queria ser. Talvez sentisse falta das festas, mas não de ser modelo, e na verdade preferia passar fome a voltar ao antigo trabalho.

Ali em Paris, para onde veio com o propósito de recomeçar, de fazer arte em vez de ser transformada nela, ninguém dá muita atenção à beleza de Lee. Quando caminha por Montparnasse, sua nova vizinhança, ninguém a encara, ninguém vira para vê-la passar. Pelo contrário, Lee parece ser apenas mais um belo detalhe de uma cidade onde quase tudo soa artístico. Uma cidade construída sobre o conceito da forma acima da função, onde fileiras de petits fours brilham como pedras preciosas nas vitrines das confeitarias, impecáveis demais para serem comidos. Onde um modista expõe chapéus elaborados, requintadíssimos, mas sem qualquer indicação de como poderiam ser usados. Até as parisienses nos cafés pelas calçadas são como esculturas, naturalmente elegantes, inclinadas em suas cadeiras como se sua razão de ser fosse decorativa. Lee diz a si mesma que gosta de não ser notada, de se misturar à paisagem, mas, mesmo após três meses na cidade, pensa em segredo que não viu ninguém mais bela do que ela.

testeSorteio Facebook – Livros para chorar [ENCERRADO]

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